“... No ano do Senhor de 1475, ou seja, no tempo em que Carlo Duque de Borgonha assediava Nuissiano, digno castelo do Reno, vendo os cidadãos da santa cidade de Colônia que estavam caindo em grande perigo,... se precaveu... invocando os seus patronos, ou seja, os Reis (Magos),... um venerável padre devotíssimo da gloriosa Virgem Maria... padre responsável pelo convento dos freis pregadores (P. Giacomo Sprenger)... prometeu criar à gloriosa Virgem a confraria e devoção antiga do seu rosário... com a condição que a gloriosa Virgem defendesse e preservasse a cidade daqueles perigos e dos outros que ainda estavam por vir. Coisa maravilhosa... porque onde se temia um grande derrame de sangue, com a ajuda da gloriosa Virgem Maria e dos Santos, chegou uma grande esperança na futura paz”. (Do “Quodlibet” de Frei Michel de Lille, Colônia 1476; texto em vulgar de pisano do título dos primeiros dos 1500, cap. V).

À venerada memória do Papa João Paulo II, incansável mensageiro do Santo Rosário, e ao Santo Padre, Papa Benedito XVI, que celebrou a JMJ em Colônia no 530° aniversário da instituição da sua Confraria, no mesmo dia no qual, na noite de 7 de setembro de 1475, concluía a sua vida terrena em Zwolle o Apóstolo do Santo Rosário, Beato Alano da Rocha. Ele é o autor desta grande obra literária em Louvor de Maria. Esta é a primeira tradução italiana da obra para que, em situação mundial não menos angustiante, continue a mostrar para a Igreja a imensa ajuda do Santíssimo Rosário. Também para que através de si e com a ajuda da Confraria, a Nossa Senhora do Rosário interceda junto ao seu Filho Jesus, para que logo chegue a cada coração a luz de Cristo e a sua paz!

Roma, 8 de maio de 2006.

Os tradutores da obra Alberta, Annalisa, Gaspare e Rosa, Roberto

 

INTRODUÇÃO

1. Prefácio.

Em amor a Jesus Cristo, Nosso Senhor e à Virgem Maria, Rainha do Santíssimo Rosário, nós nos aventuramos na frágil barca das nossas forças para atravessar um oceano de dimensões incalculáveis, pela imensidão e profundidade. Não temos temor diante do grande público de dizer que somos simples latinistas de uma paróquia de Roma. Nós somos movidos pela comum devoção e paixão pelo Santíssimo Rosário. Depois de termos experimentado por inúmeras vezes em pessoa, quanta potência celestial e eficácia é contida na Coroa da Gloriosa Virgem Maria e o quanto seja válido pertencer à sua Confraria, humildemente pedimos perdão aos espertos e aos teólogos, se nos demonstramos inadequados em passagens mais profundas que a nossa possibilidade de tradução, sobretudo pelo embaraço de apresentar uma não muito fluente tradução italiana. De um lado se tentou respeitar o sabor original da obra, procurando manter o máximo possível a fidelidade ao texto em latim. Por outro lado foram simplificadas algumas construções de natureza muito arcaica, procurando, porém respeitar a absoluta fidelidade ao espírito do texto. O nosso trabalho se apresenta ainda como um esboço, ou melhor, como um diamante bruto. Reserva-se, com a ajuda de Deus, para uma sucessiva edição, a revisão do texto e a correção de tantas imprecisões, no tornar italiana e posteriormente portuguesa uma redação latina de máximo grau poético. Mesmo com a consciência dos nossos limites, exercitados no melhor das nossas potencialidades, hoje estamos radiantes pela alegria de dar à Igreja as obras completas do Beato Alano da Rocha na primeira versão italiana1. A edição conta com o texto em fronte fotografado na última edição latina, de Ímola do ano de 1847, as quais altos cumes dos seus conteúdos ascéticos e espirituais têm marcado profundamente a vida e a devoção de várias gerações cristãs, pelo imenso dom que Deus, mediante Maria SS., nos tem feito: a oração do Santo Rosário, o Saltério de Jesus e de Maria, dom de graça de Maria SS. a São Domingos, e, a distância de dois séculos, o Beato Alano da Rocha, com fácil acesso ao Céu, e como instrumento de impetração de todas as graças.

1 Existe só uma versão italiana do “Compendium Psalterii beatissimae Trinitatis ad laudem Domini nostri Iesu Christi et beatissimae Virginis Mariae” (Compêndio do Saltério da Beatíssima Trindade ou louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo e da beatíssima Virgem Maria), de Frei Alano da Rocha, publicado em vulgar de Pisa no ano de 1500. Mas o Compêndio é só uma síntese das obras do Beato Alano, que mais de um século depois, no ano de 1619, que P. Andrea Coppeinstein O.P., reuniu no Alanus redivivus. Deste texto nós nos utilizamos.

Que a Nossa Senhora esteja satisfeita com nossos doces e grandes cansaços, no reapresentar a Áurea Obra do Saltério de Jesus e de Maria, ou seja, do Santíssimo Rosário. Por este motivo queremos, absoluta e perpetuamente, que não exista nenhum lucro na venda desse nosso trabalho, o qual então terá só o preço de custo da obra. Esta escolha, não é baseada em motivos filantrópicos, mas naquilo que é expressamente desejado pela Santa Virgem em relação à Sua Confraria do Rosário. Esta na estrutura é semelhante a um banco, porém, em realidade é uma caixa de economias só de orações: o membro da Confraria que reza o Rosário, o deposita no banco espiritual de Maria SS., e esse se acumulará no patrimônio comum dos Rosários de todos os Irmãos, em beneficio de todos os inscritos, vivos ou mortos. Mas para que este “instituto de crédito” se mantenha puramente “mariano”, deve ser completamente separado do dinheiro, porque as moedas aqui usadas são os Pai Nossos e as Aves da Coroa do Rosário, oferecidos a Jesus e Maria.

O Papa João Paulo II, de venerada memória, ardente apóstolo do Santíssimo Rosário, em 2003 com a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, adicionou ao Santo Rosário, sem modificar-lhe a estrutura, outros cinco mistérios2. Estes são derivantes dos cento e cinquenta “artigos” ou mistérios, que o Beato Alano tinha preparado para que a cada Ave Maria, ou Saudação Angélica, correspondesse efetivamente um mistério da vida de Cristo Jesus e de Maria. Os mistérios, porém, são como uma cláusula a ser acrescentada no final de cada Ave Maria, quando esta ainda não continha a segunda parte da oração (“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte, amém”), mas terminava em “Filho teu Jesus”, ao qual se adicionava “Cristo”, e logo depois se ligava à cláusula do mistério3. Tais cento e cinquenta “artigos” ou mistérios, podemos hoje apreciar no final da IV seção da obra do Beato Alano. Foi precisamente no ano de 1568, que São Pio V introduziu a Saudação Angélica ou Ave Maria como temos hoje no Breviarium Romanum junto ao Pai Nosso ou Oração do Senhor, a ser rezada antes de cada hora da atividade sagrada: desde então, a segunda parte da Ave Maria tornou-se a cláusula fixa da Saudação Angélica4.

2 Trazemos quase integralmente o texto da Rosarium Virginis Mariae, no parágrafo 19, no texto português e latim: “Dos tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário, assim como se é consolidado na prática mais comum valorizada pela autoridade eclesiástica, indica só alguns. Tal seleção foi imposta pelo projeto original desta oração, que se foi organizando sobre o número cento e cinquenta, correspondente àquele dos Salmos. Entendo, porém que, para potenciar a espessura cristologia do Rosário, seja oportuna uma integração que, mesmo deixando à livre valorização de cada um e das comunidades, consente em abraçar também os mistérios da vida pública de Cristo, entre o Batismo e a Paixão... (Mistérios da luz). Esta integração de novos mistérios, sem prejudicar nenhum aspecto essencial da organização tradicional desta oração, é destinada a fazê-la viver com renovado interesse na espiritualidade cristã, como verdadeira introdução à profundidade do Coração de Cristo, abismo de alegria e de luz, de dor e de glória”. “Tot vitae Christi mysteriorum quaedam dumtaxat indicat Rosarium, quemadmodum compositum est in latissimo pietatis usu auctoritate ecclesiali comprobato. Electio haec imposita est pristina huius precationis forma, quae secundum numerum centesimum quinquagesimum constituta est Psalmorum videlicet numero respondentem.

Nihilominus ut christologica Rosarii substantia augeatur, consentaneam esse arbitramur aliquam perfectionem quae, libero singulorum atque communitatum iudicio relictam, eam sinat etiam mysteria publicae vitae Christi Baptismum inter et Passionem complecti... (quae sunt lucis mysteria). Haec mysteriorum novorum expletio, non detrahens ullam necessariam rem traditae huius precationis formulae, illuc potius spectat ut ea renovato studio in spiritualitate christiana vivatur tamquam vera initiatio in cordis Christi altitudinem quod est gaudii et lucis, doloris et gloriae abyssus”.

3 Assiste-se hoje, como uma moda difundida, a um Rosário intercalado de cláusulas, entre a primeira e a segunda parte da Ave Maria. Esta prática ao invés de aliviar, torna o Rosário pesado e difícil de rezar. Entendemos que a adição de uma cláusula, à cláusula, seja supérflua e danosa ao espírito da oração, que é não só meditativa, mas também contemplativa, de intercessão e de exaltação. O Rosário tem uma beleza tão divina e mariana que não é necessário nenhum melhoramento humano.

4 Aconselhamos ao estudo de ROSATI, G. L’ave Maria e i francescani, p. 117-125.

Segundo G. Rosati, a Ave Maria, assim como São Pio V a codificou nos 1568, já se encontrava igual no “libreciolecto”, ou seja, o livrinho de devoção que acompanhou o Beato Antônio de Stroncone desde a sua juventude até o momento da morte, entre o ano de 1371 e aquele de 1450. Este reencontro é uma das tantas confirmações históricas de que a Ave Maria, na versão atual, é muito precedente a São Pio V.

Comenta G. Rosati (ibidem, p. 125): “Um fato em particular suscita certa curiosidade: a Ave Maria em latim,... recebida por Pio V no Breviarium Romanum do ano de 1568, depois de tantas formulações, consta de 31 palavras (da Ave ao Amen): 15+1+15. É difícil pensar que a palavra central seja o nome Jesus. Quem codificou definitivamente esta oração quis expressar através desta também a centralidade de Jesus na devoção mariana do Povo de Deus”.

 

2. Origem e desenvolvimento do Santo Rosário, das Revelações de Nossa Senhora a São Domingos (1212), até a Bulla Consueverunt do Papa São Pio V (17/9/1569).

O Rosário, ou Saltério de Jesus e de Maria, aparece de improviso na história no ano de 1212 (se bem nunca tenham faltado, a partir dos Apóstolos, orações de intercessão à Maria SS.), quando em Toulouse, no Alto-Garona da França, Nossa Senhora apareceu diversas vezes a São Domingos de Guzmàn (1170-1221). Conta-nos o Beato Alano5, que São Domingos estava prostrado no chão, pedindo incessantemente e fazendo penitência para que ela o socorresse diante da heresia dos Albigenses. Nossa Senhora apareceu enquanto ele orava cuidadosamente à Virgem Santíssima, e, colocando-lhe sobre a cabeça uma Coroa de quinze mistérios, o ensinou sobre a potência do seu Rosário ou Saltério. Nossa Senhora disse a São Domingos: “Coragem então, pegues este Saltério e o pregues constantemente junto a mim”.6 Esta é a primeira de uma longa série de Revelações sobre o Rosário, trazidas ao longo de todo o livro do Beato Alano, por esse motivo aconselhamos a leitura da obra.

5 Cfr. parte II, cap. III, p.50 da nossa obra.

6 Cfr. parte II, cap. III, p.52 da nossa obra.

Desde então esta devoção tem marcado o curso do segundo milênio da Igreja, como veremos em alguns importantes documentos históricos literários ou de arte, entre os anos de 1300 e 1600. Nós utilizaremos para esta difícil tarefa, dois importantes textos, a magistral obra historiográfica de Padre Estefano Orlandi O.P.7, e os estudos de padre Raimondo Spiazzi8.

1) P. Raimondo Spiazzi O.P., grande historiador dominicano, falecido a pouco tempo, entre os seus muitíssimos escritos, nos deixou uma maravilhosa página sobre São Domingos, que trazemos integralmente: “Que o Padre S. Domingos foi o primeiro a criar a devoção do Rosário é opinião pacífica, que vem confirmada nas Bulas de Leão X, Pio V, Gregório XIII, Sisto V e outros Pontífices, os quais escreveram: "Rosarium almae Dei Genitricis istitutum per B. Dominicum Ord. Fratrum Praedicatorum, auctorem, Spiritu Sancto, ut creditur, afflatum excogitatum”9. Por isso não se pode duvidar. E também se confirmou a antiquíssima tradição desta forma de orar – o uso do Pai Nosso e boa parte da Ave Maria teve início no tempo dos Apóstolos. É verdade também que o modo específico de rezar a oração dominical e a Ave Maria (quinze Pai Nossos e cento e cinquenta Ave Marias) foi introduzida somente por São Domingos com a clara intenção de fazer meditar sobre os mistérios alegres, dolorosos e gloriosos. Esta forma de oração mental e verbal é muito mais nobre e digna, visto que, abraça todos os principais eventos da vida, da morte e da glória de Jesus Cristo assim como os principais mistérios da nossa fé. Não é fácil, porém, definir em que ano o Santo Patriarca tenha começado a difundir o Rosário e a realizar a sua Campanha.

7 ORLANDI S., libro del Rosario della Gloriosa Vergine Maria, Centro internazionale domenicano rosariano, Roma 1965, XVI-240.

8 SPIAZZI P. RAIMONDO, O.P., Cronache e fioretti del monastero di San Sisto all'Appia: Raccolta di studi storici, tradizioni e testi d'archivio, Roma, ESD, 1994, p. 356- 357.

9 “O Rosário da benigna Madre de Deus foi instituído através do Beato Domingos da Ordem dos Frades Pregadores; se retém que ele seja um autor inspirado pelo sopro do Espírito Santo”.

Alguns historiadores afirmam que o Patriarca pregava o Rosário e promovia a instituição, enquanto na França combatia os hereges albigenses. No ano de 1209, segundo Castiglio; no ano de 1210, segundo outros. Esta é a opinião pacífica, igual àquela presente no livro do Santíssimo Rosário de Frei André Coppenstein na Alemanha, onde foi citado pelo Beato Alano da Rocha, renovador do Rosário, o seu “De dignitate psalterii B.V.M.”. Religiosos de vida santa e digna de toda fé, e foi a mesma Virgem que lhes apareceu e que os estimulou a restabelecer a prática do Rosário. Alano da Rocha narra10 que no ano de 1200, São Domingos foi capturado, com o seu companheiro Bernardo, nas Costas da Espanha próximo a Santiago de Compostela.

10 Cfr. parte II, cap. XVII, p. 84-88 da nossa obra.

Ele ainda não tinha fundado a Ordem e ficou à mercê dos seus sequestradores por três meses, durante os quais foi colocado no remo de um barco. Nossa Senhora, mostrando descontentamento ao ultraje feito com seu dileto Domingos, desencadeou uma terrível tempestade que abalou o barco onde seu Servo era maltratado. Quando o barco estava próximo do naufrágio, São Domingos pediu aos seus carcereiros que fizessem penitência e que invocassem o nome de Jesus e Maria para obter socorro. Mas eles não se importaram e ao invés de repararem seus pecados, ainda se permitiram blasfemar, agredindo fisicamente o servo de Deus, a quem julgavam louco. Pela obstinação deles e o desprezo em relação aos conselhos do Santo, a tempestade se fez ainda mais ameaçadora. Contudo, mesmo com a desumana conduta dos piratas, as orações de São Domingos foram tão eficazes que conseguiram a piedade da Virgem Santíssima. Os piratas seriam salvos do naufrágio e poderiam até recuperar o carregamento lançado ao mar, se prometessem rezar todos os dias, cento e cinquenta Ave Marias e quinze Pai Nossos. Junto à oração eles meditariam sobre os quinze principais mistérios da vida e morte do nosso Redentor, e instituiriam uma nova Companhia de Cristo e de Maria. Arrependidos das suas atrocidades prometeram e cumpriram todas as promessas. Estes fatos foram narrados pelo beato Alano, a quem a Virgem revelou o dramático episódio da tempestade e a salvação dos piratas. Desse modo nasceu o Rosário, sendo que além de beato Alano, frei André Coppenstein no seu tratado sobre o Rosário e frei Giovanni Michele Pio na “Progênie da Ordem” enquanto outros historiadores argumentam que foi o próprio São Domingos a divulgar a devoção do Rosário na França quando afrontava os hereges albigenses. Mas as advertências de São Domingos para que os piratas e os navegantes rezassem o Rosário, constituem sempre um episódio limitado em relação à pregação que fez na França. Nesta o novo modo de pregar torna-se tão popular que logo foram vistos os frutos espirituais e prodigiosos. Foi a partir daquele tempo que os historiadores começaram a falar e a difundir a prática em todo o mundo cristão e até mesmo entre os hereges. Se deve acrescentar que pela devoção do Santo Rosário muitos retornaram ao seio da Igreja, reconhecendo erros e culpas do passado. É inexplicável o sucesso que São Domingos obtém em todos os lugares, se não se tem em consideração a promessa feita a ele pela própria Virgem, quando disse "Eam precandi formula omnes doce” 11. As vitórias tidas contra os albigenses se devem, em parte, a esta devoção.

Deve-se recordar que contra eles, por ordem do Pontífice, foi prometida uma cruzada com dez mil homens armados sob o comando do Conde Simão de Monteforte. Como se devesse combater outro Josué, marcharam contra o inimigo com armas temporais, enquanto São Domingos, como um Moisés, combatia espiritualmente orando e pregando.

11 Ensinam todos a orar desta forma.

Foi tão grande a ajuda da Virgem àqueles dez mil soldados, armados com o Rosário, que venceram o exército dos hereges, que era em milhares de homens, bem mais numerosos do que o cristão. O fato impressionou todo o mundo e se reconheceu que a vitória era devida à força do Santíssimo Rosário. Recorda-se também que São Domingos através do Rosário converteu mais de cem mil hereges, públicos pecadores e célebres meretrizes, como se lê nas obras, que tratam da sua missão. Penetrou tanto no coração e na alma dos fiéis à prática do Santo Rosário, que não somente os religiosos daquele tempo retinham lei inviolável de rezar todo dia a santa oração nas igrejas, nas celas monásticas, nas bibliotecas, nas viagens; mas até leigos, príncipes, eclesiásticos, papas, cardeais, imperadores, reis e outros nobres queriam, entre as preocupações e as angústias dos governos, entre delícias e prazeres, encontrar tempo e modo de dedicar-se à reza do Rosário. Não existia tarefa que impedisse o artesão, ao acordar pela manhã, de rezar o seu Rosário antes de sair para trabalhar. Assim que virtude, arte e santidade cresciam juntos“12 Padre Estéfano Orlandi O.P. no Libro del Rosario della Gloriosa Vergine Maria, traz muitos testemunhos sobre o Rosário, alguns dos quais relatamos porque cobrem a distância de mais de dois séculos entre São Domingos e o Beato Alano.

12 SPIAZZI P. RAIMONDO, O.P., Cronache e fioretti del monastero di San Sisto all'Appia: Raccolta di studi storici, tradizioni e testi d'archivio, Roma, ESD, 1994, p. 356- 357.

2) Em 1237, morreu aos 21 anos, Margherita d’Ypres. Ela era filha espiritual do Frei Sigeri do convento dominicano de Lille (convento fundado em 1224). A sua vida foi escrita por Frei Tomas di Cantimprè O.P., entre o outono de 1240 e o fim de 1244. Atesta-se muito claramente a devoção dela pelo Saltério mariano, do qual ela costumava rezar uma terceira parte (“quinquagenam de psalterio”), distinta das outras orações e do Saltério de Davi que todo dia lia na atividade sagrada: “Todos os dias rezava quarenta Orações do Senhor e outras quarenta Ave Maria, até mesmo ajoelhada, e após o Saltério, outras cinquenta...”13

3) Em 1243, Frei João de Mailly O.P. na sua obra “Abbreviatio in gestis et miraculis sanctorum” escreve: “Este modo de saudar a Santíssima Virgem, como comprovam os números, era praticado por muitíssimos. De fato muitas mães de família e virgens o realizam por cento e cinquenta vezes, e às saudações acrescentavam um Glória ao Pai e dizem que essas rezavam assim o Saltério da Virgem Maria, conforme o mesmo número dos Salmos”.14

4) Em 1251, Frei Tomas de Cantimpré O.P. na sua célebre obra “Bonum universale de apibus”15, narra que conheceu um jovem da região de Brabante (Flandres) que costumava rezar cotidianamente o Saltério de Maria, composto de três grupos de cinquenta Saudações Angélicas: “O que temos sobre o tríplice grupo de cinquenta orações da Saudação do Canto Angélico da Ave Maria, aconteceu no ano de 1251 da encarnação do Senhor. Naquele ano vi e conheci um bom jovem na região de Brabante (Flandres), que mesmo sendo totalmente mundano, era devoto da Santíssima Virgem Maria, e cada dia se empenhava em rezar os três grupos de cinquenta Saudações”.16

5) Nos Estatutos de 1265 da Confraria da Santíssima Virgem Maria da Abadia de Saint-Trond, se lê: “O religioso quando torna-se sacerdote, rezará ao longo dos anos um Saltério de Davi para os irmãos, as irmãs e os benfeitores desta confraria, vivos e mortos. Os leigos, irmãos e irmãs, rezarão durante o ano um Saltério da Santíssima Virgem para os vivos e um outro para os irmãos, irmãs e benfeitores mortos” 17.

6) Remonta ao ano de 1233 a fundação da Congregação de Gand, a mais antiga de Flandres, quando mulheres devotas reuniram-se junto ao Hospital da Abadia de Byloke sob a orientação dos padres dominicanos, ali presentes desde 1228. Em 1242 foi instituída a primeira Congregação independente da Abadia, no qual, segundo a regra primitiva era pedido às devotas de rezarem o Saltério de Maria. Em julho de 1277 João Sersanders pediu às devotas que recitassem nos aniversários da sua morte um “psalterium beatae Virginis Mariae”, ou seja, “um Saltério da Santíssima Virgem Maria” 18.

7) Fora do ambiente dominicano, temos o testemunho de dois escritores monges: Gautier de Coinci (morto em Soisson no ano de 1238) que narra, em poesia, a devoção das cento e cinquenta Ave da devota Eulália, e Cesário de Heisterbach (monge de 1199, morto em torno de 1240), que no “Dialogus miracolorum” 19 conhece o Saltério da Virgem dividido em três séries de cinquenta Ave Marias. Temos, além dos exemplos citados, as confrarias marianas, de Saint-Trond, de Notre-Dame, da Treille de Lille e daquela de Namur20.

13 “Cotidie quadrigentas oraciones dominicas et tociens Ave Maria dicebat et hoc cum flexionibus totidem, sed et de psalterio quinquagenam...”, cit. in MEERSSERMAN O.P., “Les Frères Precheurs et le Mouvement Dévot en Flandre au XIII siècle”. In : “Archiv. FF. Praed.”, v. XVIII (1948) p.69-130, in ORLANDI S., libro del Rosario della Gloriosa Vergine Maria, Centro internazionale domenicano rosariano, Roma 1965, XVI- 240, p. 3.

14 “Iste modus et numerus salutandi beatam Virginem teneri a plurimis consuevit.

Multae enim matronae et virgines centies et quinquagies hoc faciunt, et per singulas salutationes Gloria Patri subiungunt, et sic Psalterium beatae Mariae cantare se dicunt propter eundem numerum psalmorum”, cit. in MEERSSERMAN O.P.: “Les Congrégations de la Vierge, in “Archiv. FF. Praed.”, v. XXII, (1952) p. 44, nota 44, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 4.

15 Lib. II cap. XXIX, § 6 e 8.

16 “Quid igitur de triplici quinquagena in salutatione versus angelici Ave Maria, anno ab Incarnatione Domini M.CC. LI contigerit, referamus. Vidi et cognovi juvenem in Brabantiae partibus generosum, qui quamvis esset totaliter saeculo deditus, beatae tamen Virginis Mariae devotus, quotidie tres dictas quinquagenas in salutationibus exsolvebat”, ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 4.

17 “Clericus vero qui sacerdos fuerit, dicet singulis annis unum Psalterium Davidicum pro fratribus, sororibus et benefactoribus huius fraternitas, vivis pariter ac defunctis. Laici vero fratres et sorores dicent quolibet anno unum psalterium de beata Virgine pro vivis et unum similiter pro defunctis fratribus, sororibus et benefactoribus”, cit. in MEERSSERMAN O.P.: “Les Congrégations de la Vierge, in “Archiv. FF. Praed.”, v.

XXII, (1952) p. 42, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 5.

18 Cit.: MEERSSERMAN O.P.,“Les Frères Precheurs et le Mouvement Dévot en Flandre au XIII siècle”, in “Archiv. FF. Praed.”, v. XVIII (1948) p. 85-87, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 5-7.

19 Lib. III, cap. 24 e 37.

20 ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 95.

8) Em um quadro da escola de Guido da Siena, hoje na Pinacoteca de Siena, do fim do século XIII, é representado o Beato Andréa Gallerani, morto em 1251 e sepultado na igreja de São Domingos. O Beato é representado ajoelhado diante do Crucifixo e tem na mão direita um Paternostro com cerca de cinquenta grãos. Representado com a coroa na mão, ele se encontra também em um quadro do Vecchietta, conservado na Academia de Siena21.

9) Na cena de São Francisco em que aparece o Papa Inocêncio III, pintado por Giotto na Basílica de São Francisco em Assis, é representado um cavaleiro com capa cruzada que está rezando a sua longa coroa22.

10) O Beato Francisco Venimbeni de Fabriano morreu em 22 de abril de 1322 e o seu corpo permaneceu exposto por três dias. Dentre a multidão que vinha venerá-lo havia uma devota mulher que trazia pendurado na cintura, o seu “Rosário” ou Coroa, ou Paternostro para rezar o Saltério da Santíssima Virgem. A devota mulher colocou a extremidade do seu Rosário na mão do Beato morto, o qual, prodigiosamente, o apertou entre os dedos, impedindo-a de distanciar-se. Existem duas narrações diferentes deste fato:

a) “Enquanto jazia durante aqueles três dias no caixão, entrou uma devota para venerar o santo corpo. Como era comum, ela levantou a parte final do Rosário que tinha unido ao cordão, e o colocou sobre a mão do santo homem. Aquele o pegou e apertou com a mão, enquanto a mulher, prestando atenção ao vulto dele, orava. Quando quis ir embora, ela sentiu que algo a impedia, notou o Rosário era segurado pelo santo homem, e imediatamente gritou...” 23.

b) Da vida do Beato, escrita pelo seu sobrinho Frei Domingos: “Se apresenta uma mulher devota a Deus e ao Santo Frei Francisco; e pegando os grãos do Paternostro, ou seja, da Coroa da Santíssima Virgem, os colocou na mão do santo. A fez pela grande devoção que tinha em relação ao santo; entendendo, como é normal, que a sua Coroa, ou melhor, que os grãos da Oração do Senhor e da Coroa da Virgem em contato com o santo se teriam santificado. Pois aquela mulher, tendo cumprido o seu desejo enquanto estava para retornar as suas próprias atividades, não pode porque a corda de uma parte da Coroa era fixada à saia...”24.

21 ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 96.

22 ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 96-97.

23 “Dum jaceret illo triduo in feretro, accessit pia femina, sanctum corpus veneratura, et rosario, ut solet tactura, haerentis cingulo rosarii partem extremam elevavit, et super sancti viri manum collocavit. Cepit ille et manus strinxit, dum mulier, in vultum eius intendens, orabat; ut recedere voluit, sensit se detineri, rosario a sancto viro apprehenso, et repente clamavit”, BOLLANDISTAE, Acta SS., aprilis t.III, p. 92.

24 BOLLANDISTAE, Acta SS., aprilis t.III, p. 988: “Adest mulier Deo devota et sancti Fr. Francisci; et accipiens signa Pater noster, id est coronam beatae Virginis, posuit eam in manu sancti ex devotione quam habebat et maxime ad sanctum; putans, ut moris et mulierum, suam coronam sive signa dominicae orationis et coronae Virginis ex tactu sancti facere sancta. Praedicta vero mulier, completa devotione sua volens redire ad propria, non poterat quia cordula coronae ex una parte erat ligata in gonna...”, ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 7– 8.

11) São Vicente Ferreri (1350-1419), foi lembrado pelo Beato Alano da Rocha, como um venerador do Rosário da Virgem, sendo que em Nantes, junto às Mulheres Hospitaleiras da Grande Providência, ainda é conservado o seu Rosário. Esse é composto de cinquenta grãos de madeira, distribuído em cinco dezenas de cinco grãos mais grossos, e terminando com uma cruz. A São Vicente Ferreri vem atribuído um Elogio em vulgar catalão, intitulado “Goigs del Roser” ou seja “Exultação ao Rosário”, para a qual leitura aconselhamos o “Libro del Rosario...” de Padre Estéfano Orlandi e no qual são cantadas as sete Exultações da Santíssima Virgem: a Anunciação, a Natividade, a Adoração dos Magos, a Ressurreição, a Ascensão, o Descer do Espírito Santo, a Assunção, e no fim se convida à entrar na Confraria da Virgem Maria, na Igreja dos Frades Pregadores25.

25 “Manà Vostra Senyorìa/ als Frares Predicadors,/ que de vostra Confrarìa,/ fossen istituidors,/ i aixis ells la han fundada/ obeint vostre voler,/ dignament intitulada/ Verge i Mare del Roser./Puix mostreu vostre poder/ fent miracles cada dia:/ Preseveren, Verge Maria,/ als confratres del Roser”, cit in LEVI EZIO, “Inni e laudi d’un frate piemomtese del secolo XIV”, in “Archivio Stor. Ital.”, ser.VII, v.X, 1, 1928 (a. 86), p. 91-100, in: Orlandi S., op.cit., p. 15-17.

12) Ainda hoje se conservam alguns Rosários muito antigos como aquele junto ao Convento de Cascia entre as relíquias de Santa Rita de Cascia (1377-1447), assim como um outro exemplar no antigo Santuário de Paula, em Calábria, entre as relíquias de São Francisco de Paula (1416-1507) contemporâneo do Beato Alano. Ele foi um grande milagroso e realizou infinita graças através da sua profunda devoção ao Rosário da Virgem. São Francisco de Paula também recebeu das mãos de Maria SS. o Santo Rosário, como é representado em uma obra impressa do início do século XVI26, e como se deduz da sua vida, pelo seu contínuo rezar dos Rosários e os fabricar para dá-los ao povo. Quando em Roma encontrou o Papa Sisto IV, que queria consagrá-lo sacerdote, o Santo de Paula respondeu que queria somente poder benzer os Santos Rosários e as velas para dar aos doentes27.

13) Recordando as pedras sepulcrais mais importantes, em Florença no Pórtico da Igreja de S. Egídio junto ao Hospital de Santa Maria Nuova, está a pedra sepulcral de senhora Tessa (morta em 1317), ali representada por inteiro. A falecida tem entre as mãos cruzadas o livro da Regra do qual desce uma grande coroa do Rosário e é possível distinguir claramente as Ave Marias dos Pai Nossos28. Ainda em Florença além do Mosteiro, sobre a pedra sepulcral de senhora Lapa dos Acciaiuoli em Buondelmonti (morta em 1370), também está representada uma coroa do Rosário que a mulher tem entre as mãos levemente unidas. A Coroa se compõe de mais de cinquenta grãos, irregularmente intercalados por quatro cruzinhas29.

Provavelmente era a Coroa ou Paternostro que Santa Catarina de Sena tinha em mãos, quando arrancou desta uma pequena cruz de prata para dá-la em esmola a um pobre: “Enquanto ela pensava veio à mente uma cruz de prata de pequena medida, que segundo o costume, devia ser intercalada àqueles nós que comumente são chamados Rosário. Este Rosário então que a sacra virgem tinha entre as mãos...” 30.

Mamaqui, escrevendo antes da revolução francesa, isto é, antes que tantos testemunhos de arte fossem perdidos, pode descrever dois sepulcros que estavam na igreja dominicana de São Jácomo em Paris31.

Muito do descrito por Mamaqui tem, importância pela história do Saltério de Maria. O primeiro sepulcro é aquele de Alain de Villepierre, senhor de Tabur, onde eram representadas três figuras das quais aquela do meio tinha pendurado nas mãos uma coroa de 150 grãos, divididos em dezenas de grãos maiores. O segundo sepulcro é aquele de Umberto, que renunciando ao Delfinado em favor do Rei da França, no ano 1349 entr24 BOLLANDISTAE, Acta SS., aprilis t.III, p. 988: “Adest mulier Deo devota et sancti Fr. Francisci; et accipiens signa Pater noster, id est coronam beatae Virginis, posuit eam in manu sancti ex devotione quam habebat et maxime ad sanctum; putans, ut moris et mulierum, suam coronam sive signa dominicae orationis et coronae Virginis ex tactu sancti facere sancta. Praedicta vero mulier, completa devotione sua volens redire ad propria, non poterat quia cordula coronae ex una parte erat ligata in gonna...”, ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 7– 8.ou na Ordem de Reims em 1354. O seu sepulcro em bronze tinha no centro a sua figura, com a mitra na cabeça e o pastoral entre as mãos unidas. Aos lados estavam várias figuras de freis dominicanos, dois deles, tinham uma coroa. O Getino, na sua obra “Origen del Rosario” ilustra dois sepulcros do século XIV, um em Portugal e outro na Espanha32.

O primeiro é o sepulcro de dona Beatriz, segunda mulher do Rei João I, morta no ano 1307 e sepultada na igreja do Monastério de Toro. Do pescoço da imagem de dona Beatriz pende um grande rosário. Nos lados do sepulcro estão imagens de santos e santas da Ordem dominicana. Em Valladolid, na Espanha, no Mosteiro cistercense de Santa Maria em Real, se conserva o sepulcro de dona Maria de Molina, chamada a “Grande”, rainha de Castela e de Leon, que ali morreu em 1321, deixando escrito que queria ser sepultada com o hábito dominicano. Acima do sarcófago se vê reproduzido em alabastro a figura da rainha, sendo que do pescoço desce uma bela Coroa do Rosário33.

26 A impressão, obra de um anônimo retrata o Beatus Franciscus de Paula, e é datada entre os anos de 1513 a 1517.

27 FIORINI MOROSINI P.GIUSEPPE, Il carisma penitenziale di San Francesco di Paola e dell’Ordine dei Minimi, Storia e Spiritualità, Roma, Curia Generalizia dell’Ordine dei Minimi, 2000, p. 592-596.

28 ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 97.

29 ORLANDI S., Libro del Rosario, ibidem.

30 “Cogitanti occurrit crux quaedam argentea parvae quantitatis quae, iuxta consuetudinem, solet inseri filo inter nodulos illos qui Paternoster vulgariter appellantur, eo quod ad ipsorum numerum oratio dominicalis replicatur. Hoc igitur paternoster sacra virgo habens in manibus...”, BOLLANDISTAE, Acta Sanctae Sedis, t. II, apr. al g. 30, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 98.

31 Cf. MAMACHI THOMAS MARIA, FRANCISCUS M. POLLIDORIUS O.P., Annalium Ordinis Praedicatorum, Romae, ex typ. Palladis, 1756, t. I, p. 326-29, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 98- 99.

32 Cf. GETINO LUIS G. ALONSO O.P., Origen del Rosario y Leyendas Castellanas del siglo XIII sopre S.to Domingos de Guzman, Vergara, Tip. de « El santisimo Rosario », 1925, p. 39-40, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 99.

33 ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 99-100.

14) Gorce cuidou do estudo de um manuscrito dominicano do início do século XIV, proveniente de um Monastério de Poissy34. Fontes principais de tais manuscritos são as “Vitae Fratum” de Frei Gerardo de Frachet e o “Bonum comune de apibus” de Frei Tomás de Cantimpré, ambos dominicanos e pertencentes à primeira geração de frades posteriores à morte de Domingos.

Destes manuscritos faltam o prólogo e trinta capítulos do primeiro volume. A obra original era composta de três volumes, cada um deles dividido em 50 capítulos: esta divisão é intencional, porque segue o Rosário da Virgem, que se divide em três coroas de cinquenta Ave Maria.

O manuscrito como possuiu, hoje, começa no capítulo XXXI, com a exortação para rezar a Salve Rainha. Depois de ter realizado a oração em louvor à Maria, como remédio aos problemas do mundo, o autor afirma que na sua obra de salvação, a Virgem é ajudada pela Ordem dominicana: “a Ordem” 35.

34 Cf. GORCE MAXIME, Le Rosaire et ses antécédentes historiques d’après le manuscript 12483, fond francais de la Bibliotèque Nationale, Paris 1931, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 18-32.

35 Cf. GORCE M., ibidem, fol.11v.

Em seguida se faz uma longa explicação sobre o símbolo da Rosa, o florir virtuoso, ou seja, perfumado, do qual cada um faz bem em colocar sobre a cabeça, porque estas rosas combatem a dor, ou seja, o mal.36 Depois desta descrição, o autor trata das cinco Exultações de Maria, que assim como a rosa, tem cinco pétalas37. As cinco alegrias de Maria, porém, conforme a tradição é: a Anunciação; o Nascimento de Jesus; a Ressurreição; a Ascensão; a Assunção e a coroação de Maria38. Não só as Exultações são descritas, mas também as dores de Maria, que são as cinco dores de Jesus Cristo.39 O manuscrito narra um jovem devoto (por volta do ano 1250) que costumava rezar cento e cinquenta Ave Maria40. Na margem o autor anota Rosarius e no texto do manuscrito especifica que a devoção das cento e cinquenta Ave, se chama Saltério de Nossa Senhora. Depois continua a falar da devoção de rosas e lírios à Virgem Maria, dizendo que o cristão deve nutrir-se de Maria “mangies Maria”, “se alimentar Maria”, como também se nutre da Eucaristia, visto que Maria é a flor de Cristo41.

No segundo tomo se insiste sobre a importância da Ave, sendo Maria a estrela que guia no difícil caminho os seus devotos, peregrinos sobre a terra, protegendo-os de todos os males. Sucessivamente o Saltério de Maria é chamado de “la Paternostre-Damedieu”,42 ou seja, o Pai nosso da Senhora de Deus, e em seguida recomenda que se faça um Saltério cada dia, porque a Ave Maria é vida, e quem não a reza, está morto43.

Chega-se assim ao ponto culminante da obra, onde se afirma que o grande apóstolo de Maria foi São Domingos44. O santo, antes de morrer, teve a celeste visão dos seus filhos dominicanos, recolhidos sob o manto protetor da Virgem Maria. Após esta sublime visão São Domingos convocou os seus filhos, narrou a visão e os exortou vivamente a honrar a Celeste Senhora45.

Gorce conclui no seu estudo: “Se sabe o que quer dizer para o autor dominicano honrar Maria nossa Senhora... Este parágrafo nos informa que São Domingos teve a missão de salvar o mundo com a pregação do Rosário da Virgem, difundindo esta sua devoção florida” 46.

36 “...Pour se la vertuese rose/ Ciascun met en son chief et pose./ Met chapiau de rose en ton chief/ La douleur oste et le meschief... », cit. in GORCE M., ibidem, fol. 32r.

37 “Des V joies enlumina/ La rose à ses V barbiaux”cit. in GORCE M., ibidem, fol. 39v.

38 Cf. GORCE M., ibidem, fol. 45.

39 “Les douleurs cinq qu’eust Jhesuschrist”, cit. in GORCE M., ibidem, fol. 42.

40 “D’un jone homme que Notre Dame resuscita qui la saluoit par cent et cinquante Ave Maria”, cit. in GORCE M., ibidem, fol. 48v.

41 Cf. GORCE M., ibidem, fol. 64v.

42 Cf. GORCE M., ibidem, fol. 156.

43 “Il est mort” cit. in GORCE M., ibidem, fol. 163.

44 “Saint Dominicque fut prud’hom/.../ Te préchant: Ave Maria... », cit. in GORCE M., ibidem, fol. 238v.

45 “Les freres apele an chapitre/...Et leur conte la vision/...Mult leur admoneste et prie/ Qu’ils honneurent Dame Mariae...” in GORCE M., op. cit., fol. 238v.

46 GORCE, op. cit. p. 75, in ORLANDI S. Libro del Rosario, p. 18-32.

15) P. Raimundo Spiazzi O.P., ofereceu uma excelente descrição do Beato Alano e dos eventos sucessivos a Alano. Ele assim escreve: “Mas pela nossa fragilidade humana, com o passar do tempo a devoção esfriou a tal ponto de cair quase no esquecimento. Mas a Virgem vigiava e procurou novamente reacendê-la nos corações dos povos. E como foi o Patriarca S. Domingos o instituidor, assim quis que um dominicano voltasse a pregar à bendita fórmula de oração. Este dominicano foi o Beato Alano, mestre da Ordem. Por volta do ano 1460 o P.N. Alano se encontrava em Bretanha celebrando a Santa Missa em uma manhã, quando no momento da consagração, viu Jesus Cristo crucificado na Hóstia dizendo: ‘Alano, tornas a crucificar-me’. Confuso, o religioso respondeu: ‘Senhor, como eu poderia cometer tal maldade?’ Respondeu-lhe o senhor: ‘Tu me crucificas com os teus pecados de omissão. Tu tens sabedoria, a função sagrada e a licença de pregar o Santo Rosário e não o fazes’. O mundo é cheio de lobos e tu te fizestes um cão dócil, incapaz até de latir. Juro que se não te corrigires tornarás alimento dos pobres mortais’. Após ter dito essas palavras o fez ver as penas infernais e os tormentos, ao qual eram expostas as almas no inferno. Disse o Senhor: ‘Vistes aquelas penas?’

Aquele será o teu lugar, se demorares em pregar o meu Rosário. Vai e eu estarei contigo, assim como toda a corte do Paraíso contra aqueles que tentarem ser obstáculo’. O Beato Alano ficou muito intimidado.

Posteriormente o Beato teve uma segunda visão, que o tornou a encorajar e trouxe-lhe nova esperança. No dia da Assunção ele estava pregando, quando o Senhor o fez conhecer aquilo que queria dele. Viu a Santíssima Virgem entrar no Paraíso com o seu Filhinho e todos os espíritos angélicos inclinaram-se diante dela saudando-a com as palavras “Ave Maria”. Viu os angélicos tocarem instrumentos quase em forma de Rosário e cantarem “Ave Maria” e outro coro responder ‘Benedicta tu in mulieribus’47. Os espíritos celestes ofereciam o Rosário à Virgem em grupos de cento e cinquenta. Um deles disse ao Beato Alano: ‘Esse número é sagrado. Está presente na arca de Noé, na tenda de Moisés, no templo de Salomão, nos salmos de Davi, nos quais é representado Cristo e Maria. Com este número o Senhor gosta de ser glorificado e para que tu pregues o Rosário o Senhor quis fazer-te constatar o quanto é de seu agrado’. O advertiu posteriormente que era necessário pregar ao mundo esta devoção, porque tantos eram os males que o afligiam. Teria grande alegria todo aquele que louvasse a Deus daquele modo; enquanto que aqueles que o tivessem desprezado seriam vítimas de calamidades. Viu que os castigos ameaçados ao mundo são causados pelos três pecados capitais: luxúria, avareza e soberba. Para tais pecados o remédio era o Rosário. Viu também a Santíssima Trindade coroar Maria Imperatriz do Céu. Ela se voltou ao Beato Alano e disse: ‘Prega o que vistes e sentistes. E não temas porque eu estarei sempre contigo e com todos os devotos do meu Rosário’. Ele começou a pregar essa devoção, obtendo em todos os lugares grandes frutos espirituais. No ano de 1475 a Santíssima Virgem apareceu também ao Superior do convento de Colônia, este também fazia parte da Ordem dos Pregadores.48 A Virgem o disse que se a cidade de Colônia quisesse realmente liberar-se dos inimigos que a assediavam, era necessário pregar e difundir a prática do Rosário. Só desse modo a cidade seria salva.

47 “Bendita és tu entre as mulheres”.

48 Trata-se de Padre Jacomo Sprenger, já citado na introdução.

O culto Superior tornou público o comando da Rainha dos Anjos e depois que o povo abraçou e praticou a oração do Rosário, a cidade foi liberada. Sabia bem o Santo Pontífice Pio V, quanta força tinha o Rosário no debelar os inimigos de Deus. O ensinava a experiência e a confiança que colocava na Virgem e em São Domingos. O Rosário serviu para reprimir o orgulho do imperador Otomano, que assoberbado pelas vitórias, pretendia ter Roma em seu poder. Mas foi humilhado pelas orações do santo Pontífice e dos irmãos da Confraria do Rosário49.

49 SPIAZZI P. R., op. cit. p. 359-360.

16) São Pio V, deixou na história da Igreja um Documento de vital importância sobre o Santo Rosário, a Bula Consueverunt de 17 de setembro de 1569 50, na qual trata de São Domingos que, durante a difusão da heresia albigense, “levantando os olhos ao Céu, e àquele monte da Gloriosa Virgem Maria benigna Mãe de Deus” 51, viu “uma maneira fácil e acessível a todos, como também muito devota no orar e implorar a Deus.

O Rosário ou Saltério da Santíssima Virgem Maria, através do qual ela é venerada com a Saudação Angelical repetida cento e cinquenta vezes, segundo o número do Saltério de Davi e com a oração do Senhor intercalada em cada dezena. À esta se acrescenta algumas meditações que repercorrem toda a vida do Nosso Senhor Jesus Cristo”.52 São Pio V afirmou em relação a este modo de pregar, difundido pelos Frades de São Domingos e através da Confraria: “Os fiéis de Cristo exaltados pelas meditações e pelas orações, logo se transformaram em outros homens.

As sombras das heresias foram afastadas e manifestou-se a luz da Fé Católica”53. E foram apresentadas tantas outras possibilidades aos cristãos: “Nós também, seguindo os exemplos dos predecessores e vendo a Igreja Militante a nós confiada por Deus, que nestes últimos tempos está sendo agitada por tantas heresias e por tantas guerras, atormentada e aflita atrozmente pelos maus costumes dos homens, preocupados, mas cheios de esperança. Levantamos os olhos àquele monte, de onde provém cada ajuda, exortamos e convidamos cada fiel de Cristo a fazer a mesma coisa amavelmente no Senhor”54. Em ocasião da vitória de Lepanto no dia 7 de outubro de 1571 (era o primeiro domingo do mês), São Pio V propôs a criação da Festa do Santo Rosário, como comemoração de Santa Maria da Vitória. Em seguida Gregório XIII, no dia 1° de abril de 1573, com a Bula “Monet Apostolus”55 relança a Confraria do Rosário, e Clemente XI com um Decreto da Congregação dos ritos56, no dia 3 de outubro de 1716, universaliza a festa do Rosário prevendo a sua celebração no dia 7 de outubro.

50 BULLARIUM ORD. PRAED. Tom. V, p. 223 Anno 17 Septembris 1569.

51 “Levans in Coelum oculos, et montem illum Gloriosae Virginis Mariae Almae Dei Genitricis”, in BULLARIUM ORD. PRAED., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.

52 “Modum facilem, et omnibus pervium, ac admodum pium, orandi, et praecandi Deum, Rosarium, seu Psalterium eiusdem Beatae Mariae Virginis nuncupatum, quo eadem Beatissima Virgo Salutatione Angelica centies, et quinquagies ad numerum Davidici Psalterii repetita, et Oratione Dominica ad quamlibet Decimam cum certis meditationibus totam eiusdem Domini Nostri Iesu Christi vitam demonstrantibus, interposita, veneratur”, in Bullarium ord. praed., tom. V p. 223, anno 17 septembris 1569.

53 “Coeperunt Christifideles meditationibus accensi, his precibus inflammati in alios viros repente mutari, haeresum tenebrae remitti, et lux Catholicae Fidei aperire” , in Bullarium ord. praed., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.

54 “Nos quoque illorum praedecessorum vestigia sequentes, Militantem hanc Ecclesiam divinitus nobis commissam, his temporibus tot haeresibus agitatam, tot bellis, pravisque hominum moribus atrociter vexatam, et afflictam cernentes, lacrymabundos, sed spei plenos, oculos, in montem illum, unde omne auxilium provenit, levamus, et singulos Christifideles ad simile faciendum benigne in Domino hortamur, et monemus”, in BULLARIUM ORD. PRAED., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.

55 Cf. Acta, 2,27,96-98.

56 Cf. Acta, 2,322,775-787.

 

3. Esboços biográficos da vida e das obras do Beato Alano da Rocha.

Alano da Rocha (Alanus de Rupe, Alain de la Roche, Alain Van der Rutze, ou em flamengo Alain Van der Clip), nasceu em torno do ano 1428 em Bretanha57. Entrou ainda jovem na ordem dominicana, na diocese de Saint-Malo, onde assumiu a profissão religiosa, e em seguida se transferiu à Lille.

Estudou filosofia e teologia em São Jácomo de Paris onde, durante a festa de Pentecostes do ano de 1459, a Assembleia de dignidades eclesiásticas gerais o confiou à atividade de ensinar as “Sentenças do II ano” de Pedro Lombardo aos estudantes do curso inferior, para o ano escolar de 1460-61.* Nesse local ensinou do ano 1459 até o ano de 1464, com exceção do ano de 1460. Período em que estava em Lille, como membro da Congregação reformada da Holanda58, para tentar reconduzir os conventos à boa observação religiosa. Durante o ensinamento em Paris ele teve como discípulo Frei Michel de François de Lille, o qual, mais tarde, teria exaltado a piedade mariana do maestro, o seu zelo pela difusão do Saltério da Virgem e da homônima Confraria.59 No outono de 1461 Alano voltou ao mosteiro de Lille, no qual foi admitido no dia 2 de abril de 1462 e onde morou, exercendo a atividade de leitor e pregador até o ano de 1464.

57 Os autores modernos não têm acrescentado nada de novo à excelente biografia de QUETIF-ECHARD, I, 849-852 baseada sobre os atos da Assembléia eclesiástica geral da ordem, sobre aqueles da Congregação de Holanda e sobre os documentos do Arquivo de Lille, que hoje estão perdidos.

* Nota de tradução: o ano escolar europeu começa em setembro e estende-se até junho/julho do outro ano. Assim o ano escolar de 1460-61, começa em setembro do ano de 1460 e termina em junho/julho de 1461. Explicando assim a estadia do Beato em Lille durante o ano de 1460.

58 Na realidade foi no dia 9 de outubro de 1464, que os delegados dos mosteiros dominicanos reformados da Holanda borgognoni, se reuniram em Lille para tratar a sua constituição como “congregação” autônoma. A congregação, em seguida, foi chamada “da Holanda”, visto que a reforma começou em Rotterdam. chamada “da Holanda”, visto que a reforma começou em Rotterdam.

59 Indicamos como importante a obra do Frei MICHEL DE FRANÇOIS DE LILLE, o“Quodlibet de veritate Fraternitatis Rosarii, seu Psalterii beatae Mariae Virginis” editada em Colônia no ano de 1476, da qual trazemos uma passagem, da primeira versão em vulgar dialeto de Pisa nos primeiros anos do século XVI (parte IV n.8, in ORLANDI S., Libro del Rosario, pp. 174-175), que nos faz ver a extraordinária carga afetiva que ligava o discípulo Michel de Lille ao seu mestre, Beato Alano: “o exímio mestre em teologia Beato Alano, amante precípuo deste saltério... do qual algumas vezes mereci ser discípulo foi fervoroso no amor da gloriosa Virgem, e andando, falando, pregando teve na sua boca a Saudação Angélica, e induziu mais de mil pessoas a rezar este saltério. O Beato Alano sem dúvidas, recebe já o paraíso da gloriosa virgem”. ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 174-175.

No dia 9 de outubro de 1464 os delegados dos mosteiros reformados, reunidos em Lille, entre as decisões tomadas naquela ocasião, nomearam Alano leitor do Mosteiro de Douai. Neste mosteiro ele morou durante o ano escolar de 1464-65 e muito provavelmente permaneceu ali até que a Assembleia de dignidades eclesiásticas da Congregação da Holanda não o enderece à Gand no ano de 1468.60 Nesta época ele teve as Revelações da Virgem Maria, que o impôs a propagação do seu Saltério e da sua Confraria.61 Alano permaneceu como leitor em Gand até o dia 13 de maio de 1470, quando foi transferido para o ensinamento no estúdio dominicano de Rostock, incorporado à Universidade do Meckemburg. Nos anos de 1470-71 Alano comentou os primeiros livros das Sentenças, depois no dia 4 de setembro de 1471, como bacharel “formado”, pronunciou o seu comentário (Principium) ao terceiro livro das sentenças, no qual trata do poder da Saudação Angélica. Esse comentário de Alano chegou até nós e está exposto na parte IV do seu livro.

O opúsculo, de extrema importância para a biografia de Alano, nos transmite a sua profunda fé mariana. Entre os anos de 1470 e 1475, Alano começou a colher os primeiros frutos do seu trabalho: a Congregação reformada dos Dominicanos da Holanda concedeu à Confraria mariana de Douai a participação aos bens espirituais da mesma congregação. A assembleia das dignidades eclesiásticas de 1473 impôs aos irmãos convertidos “unum psalterium beatae Mariae virginis” (um saltério da Santíssima Virgem Maria), como oração de sufrágio, rezar para os vivos e para os mortos: foi a primeira vez que esta oração foi prescrita na Ordem Dominicana. Em Colônia no ano de 1472 foi escrito um primeiro “Tractatus de Rosario B. Mariae Virginis”, e em Frankfurt, na igreja dos dominicanos, no ano de 1474 foi construído um altar para a Confraria do Rosário.

60 Visto que não se tem notícias de Alano entre os anos de 1466 e 1468, alguém sustenta que ele tenha voltado à Bretanha para pregar.

61 “Ao narrar esta revelação, Alano confessa ter sofrido por sete anos de árido espiritual e tentações carnais. Por isso o início de tal crise moral data do ano 1457, quando ele ainda estava na Bretanha... A visão dos 1464 parece ser uma espécie de recompensa celeste pela sua fidelidade, por ter rezado todos os dias o Saltério mariano durante a crise moral que o acompanhava desde o ano de 1457. Ao menos assim entendeu Alano (...). Alano, depois explicou como a Virgem o deu de beber do seu seio, colocou no dedo o anel, feito com os seus cabelos, o encarregou de pregar o seu Saltério e de difundir a sua confraria, o ameaçando por parte de Cristo, de uma morte terrível, enquanto não tivesse cumprido a missão a ele confiada. Alano se apegará sempre a esta revelação, sem, porém, exigir que os outros sejam obrigados a acreditar nele. Mantendo em anônimo o nome do beneficiário de uma idêntica visão, ele a contou em um sermão, em Rostock, no dia de Pentecostes do ano de 1471. E, pouco depois, explicou o sentido alegórico daquela em uma carta endereçada ao certosino Jácomo de Marienehe; em maio de 1475 a narrou novamente pregando a Douai; em junho do mesmo ano, finalmente, a defendeu diante do Bispo de Tournai, para justificar-se de tê-la pregada na diocese. Parece, então, que já no ano de 1464, logo após o recebimento de tal missão, Alano tenha introduzido o Saltério mariano na confraria de Douai. Esta data marca a forte mudança na sua vida: o início, isto é, da propaganda do Saltério mariano e da sua confraria”. ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 50-51

No ano de 1475 Alano voltou à Lille onde participou da Assembleia das dignidades eclesiásticas da Congregação da Holanda, como mestre de teologia. Nessa depois de ter visitado a confraria de Douai, e de pregar por oito dias aos membros da Confraria, é levado pelos acontecimentos a compor alguns escritos decisivos para a história do Saltério-Rosário. Nesta situação ele terminara a Apologia do Saltério de Maria.62 Da pregação em Douai “chegou até nós um compêndio da obra de um membro da confraria que traz o melhor do ensinamento de Alano e talvez muitas das suas palavras: trata-se do Livre et ordonnance de la devote confraire du psaultier de la glorieuse Vierge Marie63, um escrito que não é de Alano, mas que é muito do espírito e que pode ser citado como seu”.64

62 O título exato em latim é: Apologeticus seu tractatus responsorius de Psalterio V. Mariae, ad Ferricum de Cluniaco, ep. Tornacensem, e ocupa a primeira parte da nossa obra.

63 Texto em ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 58-65. Trata-se de um texto em francês antigo com influxos flamingos, mas ainda compreensível.

64 Cf. BARILE R., Il Rosario, Salterio della Vergine”, Bologna, 1990, p. 65.

No final de junho, depois de ter entregado ao Bispo Ferrico a sua obra, visitou os seus amigos certosinos de Herine e especialmente o seu superior Lorenzo Musschesele e, antes que começasse o novo ano escolástico em Rostock, ele permaneceu alguns dias em Gand indo depois até Zwolle; ali Alano se adoentou no dia 15 de agosto, festa da Assunção de Maria SS., e morreu com 47 anos, na noite do dia 7 de setembro de 1475, véspera da festa da Natividade da Santíssima Virgem Maria.65 Ele foi sepultado na Igreja do poder da Saudação Angélica. Esse comentário de Alano chegou até nós e está exposto na parte IV do seu livro.

65 Segundo o testemunho de Frei MICHEL DE FRANÇOIS DE LILLE, contemporâneo e discípulo do Beato Alano, no “Quodlibet”, na versão em vulgar pisano dos primeiros anos do século XVI (parte IV n.8, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 175) “no ano de 1475, isto é naquele ano, aliás naquele mesmo dia que esta santa confraria foi instituída em Colônia, ou seja, no dia do nascimento da gloriosa Virgem Maria (B. Alano) deixou esta vida com grandiosa devoção.”

O opúsculo, de extrema importância para a biografia de Alano, nos transmite a sua profunda fé mariana. Entre os anos de 1470 e 1475, Alano começou a colher os primeiros frutos do seu trabalho: a Congregação reformada dos Dominicanos da Holanda concedeu à Confraria mariana de Douai a participação aos bens espirituais da mesma congregação. A assembléia das dignidades eclesiásticas de 1473 impôs aos irmãos convertidos “unum psalterium beatae Mariae virginis” (um saltério da Santíssima Virgem Maria), como oração de sufrágio, rezar para os vivos e para os mortos: foi a primeira vez que esta oração foi prescrita na Ordem Dominicana. Em Colônia no ano de 1472 foi escrito um primeiro “Tractatus de Rosario B. Mariae Virginis”, e em Frankfurt, na igreja dos dominicanos, no ano de 1474 foi construído um altar para a Confraria do Rosário Dominicano em Zwolle. Essa Igreja sofreu um incêndio poucos anos depois e foi reconstruída de forma imponente e majestosa no ano de 1511. Ela existe até hoje, mas infelizmente foi vendida a privados, desconsagrada e atualmente abriga um mercado. Parece que o sepulcro do Beato Alano ainda está sob o pavimento da ex-igreja, mas não se sabe precisamente em que ponto da Igreja. O velho mosteiro, onde se consumou a agonia e a morte do Propagador mais alto da Nossa Senhora do Rosário, é perto da igreja (onde hoje existe um restaurante).

Quando Alano morreu, ele estava de passagem em Zwolle, sendo que seu diário e os seus escritos permaneceram em Rostock, e as cartas que ele escreveu estavam com os respectivos destinatários. Os únicos escritos que tinham sido publicados eram o Principium super III Sententiarum e Apologia.

No dia 25 de maio de 1476, a Assembléia eclesiástica da Congregação da Holanda dos dominicanos de Haarlem, ordenou a todos os frades de recolher e enviar em tal ocasião os escritos de Alano. A partir da sua morte ele foi chamado de Beato. Do seu culto, que teve origem só a nível diocesano, como todos os santos antes do Concílio de Trento, não se encontra a documentação oficial, provavelmente perdida ou destruída. No ano de 1478 Adriano Van Der Meer, superior da Congregação da Holanda compilou dois opúsculos, sobre o material recolhido e deixado por Alano em Rostock: o “Instructio Psalterii” 66, em defesa da memória e da doutrina mariana de Alano, e o Compendium psalterii beatissimae Trinitatis magistri Alani” (Compêndio do Saltério da Santíssima Trindade do mestre Alano), obra editada pela primeira vez em Anvers, por volta do final de 1480, que reassume toda a doutrina de Alano, em vista de uma maior difusão do Saltério mariano e da sua Confraria universal. Por volta de 1480, alguns certosinos de Marienehe próximo a Rostock, amigos e estimadores de Alano, publicaram em Lubeck uma colheita de escritos, dentre os quais alguns tratados marianos e algumas cartas de conteúdo doutrinal e, por fim algumas confidências sobre as revelações da Santíssima Virgem, posteriores ao ano de 1463. Esta colheita teve o título: “De immensa dignitate et utilitate psalterii precelsae ac intemeratae Virginis Mariae”.

Os certosinos de Mariefred em seguida reimprimiram a edição, de Lubeck, da obra de Alano, no ano de 1498 e a segunda vez no ano de 1506 na Suécia. Foram realizadas traduções alemãs de suas obras na cidade de Augusta e de Ulma antes de 1500. Em 1629 o dominicano P. Frei João André Coppenstein, organizou todos os escritos de Alano e imprimiu em Friburgo (seguida de muitíssimas edições)67, as cinco obras (“Apologia”; “Revelationes et visiones”; “Sermones S. Dominici Alano rivelati”; “Sermones et tractaculi”; “Exempla seu miracula”) com o título: “B. Alanus redivivus, de Psalterio seu Rosario Christi et Mariae tractatus”.68 Esta edição foi a base de todas as sucessivas, inclusive aquela do ano de 1847 de Ímola, que nós preparamos para publicar de forma completa e com a tradução em italiano de toda a obra.

66 “Cod. lat. Monac. 13573 foll. 123r-142r: “Instructorium psalterii sponsi et sponsae Christi Jesu et gloriosae Virginis Mariae ». Copia anteriore al 19 aprile 1486”, in ORLANDI S., Libro del Rosario, p. 44.

67 E no ano de 1665, temos uma edição com o titulo: COPPENSTEIN JOANNES ANDREAS O.P., “Beati fr. Alani redivivi Rupensis, tractatus mirabilis de ortu et progressu Psalterii Christi et Mariae eiusque fraternitatis », Venetiis, apud Paulum Baleonium, 1665.

68 Entre as tantas edições temos também o titulo: COPPENSTEIN JOANNES ANDREAS, O.P. “De fraternitate sanctissimi Rosarii beatae Virginis, ortu, progressu, atque praecellentia, libri tres, Friburgo 1619; Heidelberg 1629.

A obra é assim subdividida: a primeira parte inicia com a Apologia, dirigida por Ferrico de Cluny, bispo de Tournai, em defesa do Santo Rosário e para justificar o sucesso das Confrarias; a segunda parte da obra é constituída pelas Revelações e Visões, que narram de forma detalhada a experiência mística do Beato Alano. Experiência que ele já tinha apresentado de forma sucinta na Apologia; a terceira parte recolhe alguns Sermões de São Domingos, que Nossa Senhora revelou a Alano. Notável por extensão e importância é o capítulo III, no qual a Virgem Maria revela ao Beato Alano, como o Saltério salva das presenças diabólicas que têm forma humana.

São Domingos, capturado por alguns piratas, foi conduzido ao Castelo de um Príncipe, consegue liberá-lo da presença de quinze mulheres lindíssimas que escondiam horríveis demônios. Esses obtiveram do Santo, a permissão para distanciar-se com o seu barco e de afundar no Inferno.

Segue o capítulo IV com o Sermão de São Domingos para catequizar o Príncipe e os seus piratas. Os capítulos V e VI citaram o Sermão de São Domingos sobre as 15 virtudes, representadas por 15 Rainhas.

A quarta parte é um pequeno tratado sobre as excelências das Saudações Angélicas, que o Beato Alano exibe em Rostock para conseguir o bacharelado; em seguida estão alguns Exemplos utilizáveis nas pregações, e alguns pequenos tratados sobre as 15 excelências dos sacerdotes e dos religiosos. Em seguida se encontram na obra os 150 artigos ou “mistérios” do Saltério de Alano. A quinta parte recolhe os Exemplos: 23 exemplos de homens devotos e 14 exemplos de mulheres devotas. Alguns pequenos exemplos não são escritos por Alano, mas pelo P. João A. Coppenstein, que os indica sempre e com exatidão no início de cada exemplo. Com os Exemplos se conclui a obra de Alano.

Na edição de 1847, temos também um Apêndice, escrito no século XVII pelo dominicano P. André Rovetta de Brescia, que acrescenta as datas memoráveis do ano de 1212 (instituição em Toulouse na França da Confraria do Saltério); e do ano de 1663 (publicação do Breve “Ad Augendum” de Papa Alessandro VII. A Alano é atribuído: Compendium psalterii B.mae Trinitatis et s. Mariae; La confraire du psautier de Notre Dame; Expositio in regulam S. Augustini (dividida em 15 capítulos, número dos mistérios do Saltério mariano). Tais obras porém, não foram inseridas pelo P. Coppenstein no elenco das obras da qual se compõe o livro.

O culto do Beato Alano, assim como se desenvolveu rapidamente, também foi esquecido rapidamente. Permanecem dele diversos retratos em altares que o representam entre os santos dominicanos próximos a Nossa Senhora do Rosário. A sua festa é no dia oito de setembro, mas não resulta a existência de nenhuma Igreja intitulada ao seu nome.69

69 Nos “Acta Sanctorum”, septembris 3, Parisiis et Romae, apud Victorem Palme, MDCCCLXVIII, estão estas palavras: « Alanus de Rupe, Ordinis Praedicatorum, Beatus vocatur hodie apud Raissium, et apud scriptores Ordinis sui, qui eidem longa texuerunt elogia. At nihilo reperio de cultu ipsius publico; et Saussayus eum veneralibus tantum aggregavit”. “Alano della Rupe, dell’Ordine dei Predicatori, oggi è festeggiato come Beato da Raissio e dagli scrittori del suo Ordine, i quali lungamente ne hanno tessuto elogi. Ma niente ritrovo sul suo culto pubblico...”.

4. Indicações históricas sobre o desenvolvimento da obra de Alano, no magistério dos papas e na ordem dominicana, da morte de Alano ao ano de 1600.

O santo Rosário foi desde sempre um bem de família na Ordem dos dominicanos, e os frades pregadores foram assíduos promotores da sua difusão.

O superior do convento de Colônia P. Jácomo Sprenger, o mais ativo promotor da devoção do Rosário depois de Alano e fundador da primeira Confraria do Rosário renovada,70 obteve no ano de 1479 do Pontífice Sisto IV, a primeira Bula de indulgência para quem rezava o Rosário: a Bula “Ea quae ex fidelium” (8 de maio de 1479). Logo após a difusão da obra de Alano, os Mestres gerais da ordem dominicana se fizeram ativos promotores do Rosário. O Mestre Leonardo de Mansuetis já no ano de 1479 autorizava oficialmente o P. Corrado Wetzel a dar maior publicidade ao Saltério ou Rosário da Santíssima Virgem Maria e a sua Confraria. Assim como, a inscrever os fiéis à mesma Confraria e a delegar outros com este objetivo.

70 “É necessário considerar as exatas relações da confraria com a história precedente: essas são análogas ao saltério/rosário no sentido que Alano não inventa nada de absolutamente novo, mas organiza, seleciona, levas à maturação fases precedentes. Do ponto de vista da agregação social, Alano encontra nas realidades dos mosteiros dominicanos: a ordem da penitência de São Domingos (a futura terceira ordem) que se baseia sobre uma regra promulgada no ano de 1285 pelo mestre da ordem Munio de Zamora e as “Confrarias da Virgem (e de São Domingo)” fundadas por São Pedro Martire (morto no ano 1252)... as confrarias da Virgem... conheciam o saltério das cento e cinquenta orações e talvez também pessoalmente o praticassem, mas a oração prevista pelos estatutos era certo número de Pater e de Ave divididos segundo o esquema das horas canônicas da atividade sagrada; honrava em modo particular a festa da Anunciação e por óbvios motivos a memória de São Pedro Mártir e de São Domingo; enfim conheciam e praticavam alguns modos de orar ligados às exultações de Maria ou às dores de Cristo... encontramos confrarias símiles junto aos franciscanos. No século XV as confrarias marianas eram um pouco decadentes e Alano, através da obra desenvolvida em Douai, agiu sobre estas as revitalizando com duas novas propostas: a universalidade e a substituição dos Pater e das Ave divididos segundo as horas canônicas, com o novo e mais respeitado saltério da Virgem”. Cf. BARILE R., Il Rosario, Salterio della Vergine, pp. 99-100.

Nos registros dos Mestres gerais da Ordem resulta que, especialmente do ano de 1479 até 1509, muitos dominicanos alemães e italianos foram encarregados de pregar o Rosário e de criar Confrarias.

O Mestre Bartolomeu Comazi obteve de Inocêncio VIII a indulgência plenária "semel in vita et in morte" (uma só vez na vida e na morte) para todos os escritos às Confrarias do Rosário. Esta Bula, do dia 15 de outubro de 1484, está presente nos Atos da Assembléia eclesiástica geral (1484). É a primeira vez que uma Assembleia eclesiástica geral menciona "il Salterio della Beata Vergine" e la "Società o Confraternità del Rosario".

Com o pedido do Mestre Gioacchino Turriani, Alessandro VI confirma os privilégios e as indulgências já concedidas aos escritos das Confrarias do rosário e concedem outras.

Depois da Bula de Sisto IV, os sumos Pontífices reconheceram expressamente a estreita ligação existente entre o movimento do Rosário e a Ordem de São Domingos. Ao mestre geral dos frades pregadores, foi confiada a direção do movimento e concedem exclusivamente a ele e aos seus delegados, a faculdade de criar novas Confrarias do Rosário. As Confrarias, eventualmente fundadas sem a autorização do Mestre geral dos dominicanos, não são reconhecidas pela Santa Sé.

Os sumos pontífices também concedem aos frades pregadores a faculdade de pregar o Saltério da Santíssima Virgem ou Rosário em todos os lugares, sem limitações territoriais até então impostas pelas leis canônicas. As confrarias do Rosário, porém, devem ser fundadas nas igrejas dos dominicanos. Só nas cidades nas quais não existe um mosteiro dominicano podem ser criadas as confrarias em uma igreja não dominicana. Nesse caso, porém, no decreto de heresias se diz expressamente que, quando os dominicanos posteriormente fundassem um mosteiro nesta cidade, a confraria seria passada na igreja deles.

Manifestação da íntima relação existente entre o movimento do Rosário e a Ordem dos dominicanos é o fato que, os mestres gerais, concedem a todos os inscritos na confraria do Rosário a participação aos benefícios espirituais da Ordem.71 No dia 29 de junho de 1569, o Papa dominicano Pio V confirmou ao mestre da Ordem a autorização para criar, exclusivamente, em pessoa ou por delegação, as Confrarias do Rosário.

Publicou depois a Bula "Consueverunt Romani Pontifices" (17 de setembro de 1569), que se pode considerar um tipo de magna carta do Rosário. O Pontífice ali descreveu a origem do Rosário, o nome, os elementos essenciais, os efeitos, a finalidade e o modo de propagá-lo.

71 Cfr. Bullarium O.P., IV, p. 392; Acta S. Sedis... pro Societate SS. Rosarii II, p. 1027 -1028.

A Bula contém a definição clássica desta oração: “O Rosário ou Saltério da Beatíssima Virgem Maria, escreve o santo Pontífice, é um modo puríssimo de oração a Deus; modo fácil e acessível a todos, que consiste no louvar a mesma Beatíssima Virgem, repetindo a saudação do Anjo por cento e cinquenta vezes, como os salmos do saltério de Davi, interpondo a cada dezena a oração do Senhor, com determinadas meditações ilustrando a inteira vida do Senhor nosso Jesus Cristo”.72 Nesse documento o Pontífice declara, pela primeira vez, que para obter as indulgências do rosário é indispensável meditar os mistérios. Esta declaração oficial contribui para a difusão do uso, já existente, de inserir breves meditações sobre os mistérios enquanto se reza.

Não se pode certamente resumir em tão poucas páginas séculos de história sobre o Santíssimo Rosário da Gloriosa Virgem Maria. Então colocamos nas mãos dela um nosso vivo e sentido desejo: que esta seja a primeira de uma longa série de publicações com o objetivo de dar novamente vulto a uma história, que o tempo e os homens têm recoberto de erros e de esquecimentos.

72 BULLARIUM O. P., V, p. 223.

Bibliografia

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ADRIANO VAN DER MEER, Compendium psalterii beatissimae Trinitatis magistri Alani, 1478.

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44 GAUTIER DE COINCI, Dialogus miracolorum, Lib. III, capp. 24 e 37.

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45 ROSATI G., L’Ave Maria e i francescani, in ATTI DELLE GIORNATE DI STUDIO, n. III, Stroncone, 4 maggio 1996 e 29 novembre 1997, su “Il Beato Antonio da Stroncone”, a cura di SENSI M., Ed. Porziuncola 1999, pp. 117-125.

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CAPÍTULO I

Prólogo de elogios do Saltério do Esposo e da Esposa, (ou seja) de Jesus Cristo e de Maria, Virgem Mãe de Deus.

Deus, cantarei a ti um Canto novo: cantarei a ti com o Saltério a dez cordas (Salmo143). Quem o mesmo Salmodiante exorta também os adoradores de Deus: Cantais ao Senhor um Canto novo, porque ele fez (Sl.97), com certeza na Encarnação, na Paixão e na Ressurreição do seu Filho. Tais (coisas maravilhosas), junto aos outros benefícios obtidos para nós junto a Deus, dão a ele claramente o lugar mais importante. Todo cristão é obrigado com toda a alma a Deus, por essas coisas maravilhosas.

É importantíssimo que nós quase em competição, expandimos as nossas almas na presença de Deus, nos seus louvores com todo o coração, a palavra e a ação; e que não nos acusem de ter um alma ingrata. Quanto mais deve seguir o Salmodiante e cantar ao Senhor um canto novo.

I. Novo: visto que segundo São Bernardo, é divino o canto Nupcial do Esposo e da Esposa, a dúplice oração do Novo Testamento, saída da boca de Deus. Numa dessas (orações), expôs o auspício de Gabriel a Maria Esposa de Deus, noutra (oração) Cristo esposou a sua Igreja. E por isso, aquela é a Saudação Angélica e esta é a Oração do Senhor: ambas receberão o nome do mesmo acontecimento, e o titulo do Autor.

2. O mesmo Cântico novo, honra a Mãe de Deus, como uma agradável sinfonia aos ouvidos divinos.

3. (Esta oração) foi o início do Novo Testamento, e também a primeira palavra do Evangelho, que, como a menor das sementes de mostarda, gerou a maior árvore entre as árvores, o Evangelho. As pequenas partes e as concisas palavras de (tais orações) eram como numerosas sementes de uma flor de papoula.

4. A outra (oração) do Santo Evangelho, no Novo Testamento, foi o primeiro e único modo, novo e universal de rezar e de honrar a Deus entregue pelo Senhor dos discípulos: e esta se tornou na nova Igreja geradora, fonte e princípio de todas as outras fórmulas de celebrar que se seguem. Todas as coisas seguem a esta oração, assim como os rios, desembocam no mar.

II. É novo também: 1. Porque (esta Canção) é a nova ajuda dada pelo Céu aos homens, para pedir, com as divinas orações, o perdão das nossas culpas.

2. E isto é de uma eficácia extraordinária, de uma infinita utilidade, de um valor inenarrável e enfim de uma doçura inestimável diante de Deus.

3. Este flexibiliza as consolações divinas, procura as sagradas revelações e opera grandíssimos milagres. Este foi o início do Evangelho, a saudação do Anjo: O verbo fez-se carne: este é o dom dos dons por três vezes Santíssimo: é a luminosa direção de todas as revelações: é o mais alto dos milagres e a coisa mais alta de todas.

4. É novo enfim: porque a nova Igreja foi gerada por ambas as orações, e surgindo acreditou e cresceu também de todos os carismas de graça, e foi corroborada em espírito, vigor e sangue, agredida sem dúvida, mas por nada destruída.

III. Que Cristão não acolheria com alegria os dois Divinos Cânticos: aquele de Cristo, Esposo de Maria, e o da Esposa, como um celeste Hino nupcial? Nessas existe a exultação santa dos Anjos, o Jubileu, a alegria de Cristo e de Maria; por isso exulta triunfante toda a Corte celeste, e a Igreja militante luta fortemente em campo aberto. O agradável espetáculo oferecido por Deus, aos anjos e aos homens! Quem seria capaz de tirar os olhos, a alma, o cuidado e o amor disto, por um só instante?

IV. Um cântico novo, entre muitos, harmoniza-se.

1. Como no Saltério de dez cordas de Davi, com o repetir, compor e cumprir as dezenas de orações até o número de cento e cinquenta. Desde o tempo dos nossos avós, queria-se chamar esta forma de rezar de Saltério de Cristo e de Maria.

2. Se olhardes muito profundamente ao mistério desta harmonia e dom do Saltério, podeis ver admirar e venerar os três grandes, santos, divinos e universais Jubileus da natureza reparada, da graça oferecida e da gloriosa promessa. A estas três acrescenta-se também a mais importante alegria: a salvação pessoal, (por causa) da Encarnação, da Paixão e da Ressurreição de Cristo na glória.

3. Todas sabem que o cinquentenário é um Jubileu também na lei de Moisés: todos sabem que, a cada cinquentenário, na cidade de Roma, as absolvições das Indulgências dos cristãos, realizadas pelo Papa, são e se chamam Jubileu: todos sabem que, completados cinquenta anos de Sacerdócio, o Jubileu solenemente afasta o Sacerdote do seu exercício. Como um juiz na Religião, depois de ter cumprido o seu mandato, ele pode gozar o Jubileu, sendo dispensado das obrigações sacerdotais até a morte. Assim também ocorria aos Levíticos, que como escravos, terrenos e campais após cinquenta anos, segundo a Lei de Moisés, tinham um repouso jubilar, durante todo o ano do Jubileu.

V. Cristo e Maria são para nós a causa e a origem dos Jubileus, e também dos Cânticos. É digno, justo e merecedor que um solene ano jubilar sagrado, santo e perpétuo seja celebrado em honra destes na Igreja.

Para que o Jubileu fosse vivido não apenas por um número limitado de servos de Deus por status, ordem e grau dever-se-ia fazer na Igreja de Deus e para Deus um Jubileu público. Desse poderia participar qualquer tipo de fiel Cristão. O Jubileu seria universal, para todos os lugares do mundo inteiro; contínuo e não interrompido nas horas diurnas e noturnas, por um ano. E verdadeiramente a divina Providência, como uma fundadora levantou sobre a Saudação Angélica e a Oração do Senhor, esta divina Esparta, como o reino da devoção oferecida a todos: assim também no Saltério de Cristo e de Maria, este Cântico repetido cento e cinquenta vezes, fez coisas maravilhosas, levantou aquela Esparta: como previu Davi em espírito, quando exclamou: Oh! Deus, cantarei a ti um Cântico novo, a ti celebrarei com hinos no Saltério a dez cordas (Sl.143).

CAPÍTULO II

Origens, prática, revelação e difusão do Saltério.

I. Origem do Saltério. Eis, a Trindade três vezes Santíssima que inventou a Saudação, concebendo-a na sua mente divina: o Arcanjo Gabriel depois de tê-la recebido, levou-a para a terra e a anunciou à Gloriosa Virgem Maria; o Espírito Santo, através de Isabel, disse a terceira cláusula e enfim a Santa Mãe Igreja acrescentou a última cláusula. Jesus Cristo deu vida a Oração do Senhor, ensinou os Discípulos a pregar, e os recomendou a oração. Estes como constituíam toda a Igreja, assim fizeram. Esta é a origem do Saltério.

II. A prática. 1. Conta-se que na vida de São Bartolomeu Apóstolo (como narra um Santo Doutor), ele sempre rezava as duas orações cem vezes por dia e outras tantas de noite, ajoelhado, quando orava a Deus. O Saltério de Cristo e de Maria é composto por estas cento e cinquenta pequenas orações até agora repetidas. São Bartolomeu, por devoção pessoal, acrescentou um quarto grupo de cinquenta orações.

2. A Igreja, Sociedade dos fiéis de Cristo, desejando seguir o exemplo de orar na Sinagoga, como o Saltério de Davi (composto de cento e cinquenta Salmos) optou pelo mesmo número de Orações do Senhor e Saudações Angélicas para a prática do Saltério. O fervor da fé, porém, diminuiu com o passar do tempo, porque a prática do Saltério era muito longa com a união da Oração do Senhor e da Saudação Angélica. A Igreja então diminuiu a forma do Saltério, voltando-o a sua dimensão anterior e acolheu a separação das orações.

III. Conta-se de uma revelação que aconteceu, por bondade de Deus, aos santos pais no deserto em relação ao Saltério da Virgem Maria.

1. Eles eram, há muito tempo, atormentados por tentações de demônios e doenças, e temia-se que houvesse um perigo ainda maior. Todos eles então passaram a rezar com zelo continuamente, pedindo com insistência a Deus, à Mãe de Deus e aos Santos do Céu, que fossem liberados das tentações satânicas ou que pudessem suportar e vencer estas tentações.

2. Não se suplicou em vão. Aqueles que oravam tiveram uma revelação, em que se devia praticar o Saltério de Maria, além daquele de Davi. Assim todos os dias eles recitavam louvores a Deus e à Mãe de Deus. Através dos louvores eles obtiveram todas as graças Celestes.

Dedicaram-se a um Saltério contínuo81, realizado por todos como competição, assim como uma ordem, com todo o afeto e religiosidade da alma: estes celebraram o Saltério de Cristo e de Maria, assim como aquele de Davi. O Saltério de Maria, porém, como é mais breve, era rezado com mais frequência.

3. O resultado foi equivalente ao esforço. O poder dos demônios diminuiu, aplacando a libido. As tentações acalmaram-se e houve uma grande tranquilidade, que foi acompanhada por muitas virtudes e graças. A Rosa da graça e a força da Coroa de rosas tornam-se visível a estes: aquele perfume das santíssimas orações aproximou-os de Deus, por intercessão da Virgem Maria. Eles praticaram maravilhosamente a religiosidade e a santidade. A ordem e a sociedade dos eremitas, também pelos milagres obtidos, tornaram-se digna de admiração e de veneração por todos.

4. Com o passar do tempo, porém, cancelou-se a memória dos próprios Pais. A prática do Saltério diminuiu e pouco a pouco o nome, a instituição e o número de eremitas também reduziu-se tanto que, precipitou no descrédito e enfim na destruição. A grande árvore da Igreja caiu, ferida e abatida pelas feridas de Maomé: João o Grego testemunha na vida dos Pais da Igreja. Deus, porém, não permitiu que se arruinasse o Saltério e o replantou.

81 É este o fundamento da Hora de Guarda na Associação do Rosário, ainda hoje presentes nas históricas e mais importantes Igrejas dominicanas.

IV. A difusão do Saltério aumentava com o tempo. São Basílio Magno no Oriente juntou os monges dispersos nos desertos e nos lugares solitários.

Os agregou em sete comunidades de mosteiros e os organizou com novas instituições. São Benedito fundou e tornou célebre no Ocidente a vida de monge que já existia no oriente e tornou-se ilustre Patriarca da nova instituição. Ele difundiu entre seus discípulos o Saltério de Maria, ao qual era habituado há muito tempo, não como um preceito, mas como prática.

Este fato se deu seguindo um santo costume, desenvolvido e implantado na Ordem Religiosa: como testemunha, muito tempo depois, João do Prado, um seguidor de São Benedito.

2. Seguiu o Venerável Beda, Anglicano (que homem admirável!), que fez prosperar e pregou o Saltério de Maria em toda a Ânglia, Bretanha e França. Ele levava e disseminava esta prática muito saudável para regiões longínquas. O culto foi seguido pelas demais gerações e manteve-se especialmente na Ânglia. Onde houve menos força no tronco, também os ramos secaram.

E hoje existem muitos testemunhos; graças à santidade do Venerável Beda, a antiga devoção do Rosário permanecia em alguns templos, junto a objetos votivos de uso comum ou mesmos as Coroas para rezar.

3. São Bernardo, que também difundiu o Saltério, seguiu Beda. Que outra coisa podia ter feito o apaixonadíssimo Marido de Maria? Nem o seu ardor parou por aqui. Ele ao Saltério de Maria deu o mesmo número de orações do (Saltério de Davi), segundo o conteúdo dos Salmos. Isto eu vi e toquei com as minhas mãos. Este grande homem teve em si muita graça, ao ponto de tornar-se diante de Deus, maior do que muitos santos na terra. Ele foi promotor e fundador de uma Ordem santíssima e vastíssima, através do Saltério, superando muitos grandes (homens).

4. Santo Otto pleno do Espírito de São Benedito deu esta disciplina à mesma Ordem sagrada e tornou-se posteriormente Bispo e Apóstolo dos Eslavos. Ele difundiu naquele povo, assim como a fé cristã, o Saltério. Aquele povo absorveu o suco colocado gota por gota pela Divina Rosa. Homens e mulheres levam o Saltério pendurado no pescoço até hoje.

5. Santa Maria de Egniaco, que rezava por costume todos os dias o Saltério de Davi, ao final de cada Salmo colocava a Saudação Angélica, rezando assim o Saltério de Maria.

Este é apenas um exemplo do exercício das sagradas Virgens e ao mesmo tempo é uma prova real do costume de grande parte dos fiéis.

V. De São Domingos falaremos também no próximo capítulo.

1. São Francisco como muitos testemunharam, recebeu o Saltério de Maria, e o entregou à sua Ordem Sagrada para que fosse rezado. Ele o aconselhou através de seu exemplo, rezando, não sendo necessária nenhuma ordem escrita. Tenho certeza que vi um dos Rosários que ele usou.

O que dizer dos homens ilustres, sucessores das Ordens Sagradas? O que dizer dos inumeráveis santos, como São Ludgardo, Santa Cristina de Colônia, Santa Cristina da Vaga, ou dos milagres, junto às muitíssimas outras coisas, que não temos tempo de enumerar? E se o fizesse não ficaria muito longo? Retorno a uma antiga lembrança.

2. Santo Agostinho, incomparável Doutor da Igreja, usou o Saltério. Nunca se ousaria dizer que este grande homem não conheceu o grande Saltério, que nós conhecemos e que a Igreja prega e reza.

3. Sabemos através do testemunho de São Jerônimo, que a Santíssima Virgem revelou o Saltério a Santo Agostinho. A forma de rezar, com cento e cinquenta contas, era uma defesa em relação aos heréticos. Com a prática deste ele excedia qualitativamente em cada tipo de ciência, maravilhando o mundo.

4. Sabemos, pela revelação das três vezes Bendita Mãe de Deus, que Santo Ambrósio e São Jorge conheceram a santíssima dignidade deste Saltério, e deste conheciam a necessidade, a grandeza e a qualidade. Quem poderia acreditar ou pensar, que eles fossem culpados de negligência e de omissão em relação a esta forma de orar?

VI. Os Santos Certosinos, digníssimos servos, através do Saltério de Cristo e de Maria, oravam muito pelo povo de Deus. Eles sempre honraram e honram esse Saltério, em primeiro lugar pela sua secreta e privada devoção. Isto será explicado com exemplos mais tarde.

CAPÍTULO III

A história conhecida do Pregador do Saltério, São Domingos.

I. O Santíssimo Domingos enobreceu a ilustre estirpe dos pais da igreja, com uma brilhante santidade de vida, que não tiveram os seus seguidores, tanto que o esplendor da sua glória se espalhou por toda a Igreja. Sem dúvidas as chamas da sua primeira infância eram já o sinal da luz da santidade. Ele lançou-se com ternura e ardor na fé a Cristo e à Mãe de Jesus, quando tinha apenas dez anos de idade. Desde então ele deliciava-se com o Saltério de Maria, não apenas rezando, mas o tendo entre as mãos e orando com assídua devoção.

2. Encontrava alegria em rezar e tê-lo consigo pendurado na cintura, mais do que se tivesse um colar de ouro ou de diamantes. Aprendeu a rezá-lo desde o leite materno e teve ainda como reitor e mestre de sua infância, um sacerdote que também o incentivou. A índole da criança, mais elevada do que de um homem, foi usada por Deus como digna professora para uma experiência mística.

3. Quando ele tinha aproximadamente dez anos a Virgem Maria o revelou o Saltério e desde então ele sempre o levou e pregou.

4. Quando se tornou mais velho e sábio, seguindo a regra de Santo Agostinho, dedicava a Deus, em horas diferentes, três Saltérios por dia. O rezava como uma de suas outras obrigações, atrelado a si como uma corrente de ferro. Nem as muitas e importantes atividades, para a salvação das almas, o tiravam do duplo sacrifício da oração e do flagelo.

5. Quando obtinha qualquer graça especial rezava nove ou até doze vezes o Saltério, passando frequentemente as noites acordado.

6. E foi também de grande importância, que esse grande homem tenha podido instaurar tão grande familiaridade com Cristo e Maria. Graças a esta familiaridade ele recebeu admiráveis, grandes e numerosas Revelações e Visões: das realidades divinas e do Saltério. Ele foi capaz de realizar muitas coisas extraordinárias, como pregações e milagres.

7. E eram várias as razões que aumentavam o seu zelo no pregar e no rezar o Saltério junto ao povo: instituir (o Saltério), já foi uma estrada de santidade, pela sua dignidade divina; a prática (do Saltério), universal do mundo, a facilidade de tal oração, a sua brevidade, a sua comodidade, a anunciação (à Maria) de Deus através (do Arcanjo Gabriel), a Igreja que o recomenda, o fruto: os extraordinários resultados nas coisas espirituais e materiais, como testemunham muitos livros.

8. E não bastou o ardor de Pregar, ter difundido os Saltérios para atingir o espírito, ter realizado assembleias para falar ao povo; pregava também doutrinas, Rosários, prodígios por todo o lado, percorrendo todos os lugares.

Com o seu exemplo e conselho, incentivava os nobres e numerosos homens e mulheres a distribuir em doação os Saltérios.

9. A sua sabedoria era reconhecida e observada por muitos e, se lhe parecia que pregar doutrinas dava menos frutos às almas, lançava-se com o espírito e esforço recomendando o Saltério. Com este argumento, mesmo falando de coisas simples, acendia e fortificava de forma maravilhosa os ouvintes, atormentava, criticava e confundia os hereges e os hunos. Aliviava os sofredores e estes se enchiam de veneração e admiração por ele. Não é possível dizer quem, quantas almas e lugares, ele tenha feito retornar a Deus através de milagres, sinais e prodígios. Porém, pela excepcionalidade do fato, acredita-se que tenha sido logo depois da conversão dos habitantes de Toulouse, onde ele instituiu uma fraternidade, prelúdio do nascimento da Ordem Religiosa.

HISTÓRIA II

Os habitantes de Toulouse (ilustríssima cidade da Gália, famosa pelo domínio do principado), combatiam com grande força e autoridade a heresia dos Albigenses, em defesa das Igrejas e das famílias.

1. Estes preferiam morrer a ceder à maldade. São Domingos com a sua pregação (e Deus com os seus milagres), já tinham divulgado o Saltério em toda a Itália e Espanha, com uma maravilhosa conversão das almas e costumes. Assim atesta Gregório IX na Bula de Canonização do mesmo, dizendo: Ele transpassando os prazeres da carne e fulgurando as mentes de pedra dos pecadores, fez tremer cada sede dos hereges e exultar cada Igreja de fiéis.

Mas o Beato Domingos nunca foi capaz de entrar na cidade, apenas nas almas dos Tolousenses.

2. Por isso, atormentado de preocupação e dor, retirou-se em uma gruta numa selva próxima dali para suplicar, mais intensamente, a potência da Mãe de Deus. Acrescentou à oração, jejuns e rigorosos flagelos pedindo para si as penas pelas culpas dos Tolousenses.

Com eriçados de pontas de arame, e galhos com espinhos, maltratou o seu corpo, até que sem forças, desmaiou.

3. A poderosa Patroa e Rainha dos Céus aproximou-se do discípulo caído e ensanguentado e com o vulto, as palavras e as carícias, o despertou. Próximos à Santa Rainha dos Céus estavam três Rainhas, que a acompanhavam, semelhantes no vulto e no ornamento, mas abaixo dela. Em torno a cada uma das três rainhas havia cinquenta Virgens, quase a seguindo, todas de aspecto tão majestoso acima da natureza humana, esplendente nos vestidos. São Domingos ficou encantado com a visão.

4. A Benigna Virgem Mãe de Deus o disse: Domingos, filho e intimo Esposo, porque combates fortemente contra os inimigos da fé, se Jesus te chamou e eu te socorri. Tu me invocastes e eu venho ao teu socorro. Estas palavras também foram ditas contemporaneamente pelas três Rainhas. Domingos foi recolhido do chão quase morto, pelas três rainhas. Estas o levaram, com grande veneração, à Maria que o acolheu com abraços virginais, o beijou carinhosamente, e aproximando-o aos seios do casto Peito, o saciou com o seu Leite e o restabeleceu completamente. A suprema Rainha então disse: Do fundo do meu coração, caríssimo filho Domingos, sabes me dizer bem, quais armas a Santíssima Trindade usou por três vezes, quando decidiu renovar todo o mundo? E ele disse a ela: Oh Senhora do mundo, tu o sabes muito bem: através de Ti vem a salvação no mundo, e sendo Tu a própria mediadora, o mundo foi renovado e redimido dos pecados. E ela sorrindo ao íntimo Esposo disse: A Santíssima Trindade para aniquilar todos os delitos do mundo escolheu entre as principais armas a Saudação Angélica, da qual é composto o nosso Saltério, fundamento de todo o Novo Testamento. Por isso se queres que o teu pedido seja atendido, pregues o meu Saltério: e imediatamente sentirás viva a ajuda das três vezes Santíssima Trindade.

ESTRUTURA DO SALTÉRIO III

A suprema Rainha também o disse as seguintes coisas: Tenho como testemunha disto as três Rainhas que estão comigo. Elas representam a Santíssima Trindade.

1. A primeira destas, como vês, que esplende pelas roupas branquíssimas, designa a Potência do Pai, que se manifestou na Santíssima Encarnação do seu Filho, nascido de mim. Estas cinquenta Virgens, igualmente dignas de veneração pelo esplendor, designam o primeiro Jubileu de graça e de Glória, a Potência que está no Pai e que provém do Pai. A segunda Rainha avermelhada pelas vestes de púrpura, indica a Sabedoria do Filho, a qual no mundo se manifestou pela Redenção na sua Paixão. As cinquenta Virgens suas companheiras, reconhecíveis pelas roupas de igual púrpura, recordam o segundo Jubileu do cinquentenário ano de graça e de glória, que deriva dos méritos de Cristo sofredor. A terceira Rainha revestida de estrelas representa a Clemência do Espírito Santo, e indica a santificação do mundo Redimido pela misericórdia; as cinquenta virgens que a assistem, cintilantes de estrelas, prometem o terceiro Jubileu de graça e de glória, que flui no Espírito Santo e do Espírito Santo.

2. Deves saber que eu, como sou a Rainha das três Rainhas, também sou a Rainha dos três Jubileus, ao longo desta vida e em Pátria: sou a Rainha da Lei Natural, daquela Escrita, e daquela da Graça, as quais são eternas pela felicidade dos Beatos. Este é o motivo pelo qual a Santíssima Trindade que (neste mundo) me intitulou e conferiu um Saltério, com o santo número de cento e cinquenta, o qual nas primeiras cinquenta orações sobre a Encarnação resplandece branquíssimo; no segundo grupo de cinquenta orações sobre a Paixão do Filho, reflete-se a cor púrpura; no terceiro grupo de cinquenta orações sobre a sua Ressurreição e a glória dos Santos, cintilam as estrelas.

3. Portanto, pegues este Saltério e ora-o constantemente à mim.82 Entra corajosamente na cidade e entre as legiões dos inimigos, onde se reunirá tanta gente, o louves e recomendes; aconselhes a Oração e crês: verás logo as maiores maravilhas da potência divina. Disse e se afastou, na direção das estrelas.

82 Este é o momento solene da entrega do Santo Rosário a São Domingos, vindo à Toulouse, cidadezinha do Alto do Garona na França, no 1212.

IV. 1. São Domingos crê na promessa, obedece ao comando e entra na cidade de Toulouse; ao mesmo tempo os sinos da Igreja principal, por intervenção divina, tocam nas torres, com um som diferente do conhecido.

O terror, a emoção e o estupor assaltam a alma de todos, assim como a curiosidade de saber o que era aquilo que ouviam e a sua origem.

Quase toda a cidade vai imediatamente à paróquia principal, e eis aparecer diante de todos, o tão odiado, o intrépido e divino pregador do Saltério, São Domingos, o martelador dos corações: ele é, então, escutado e visto com admiração. O estupor foi maior pelo som dos sinos do que pela pregação. Todos ficaram temerosos e maravilhados pela presença do Santo, mas mesmo assim não se dobraram da obstinação herética. Verificou-se então uma intempérie no céu, bastante forte e assustadora.

2. Ouvem-se os trovões, os raios relampagueavam um depois do outro, repercutem os raios que se abatem: a cidade agita-se, todos os habitantes tremem pelos flagelos que se aproximam. Parece que a terra torna-se menor e mistura-se com o céu, com as ondas e as chamas. E como se não bastasse: abate-se sobre a cidade um terremoto e parece que todos serão sugados em uma imensa voragem. Nem mesmo as águas permanecem no seu curso, pois se retiram e inundam todas as coisas; e toda a força dos ventos, espalhando um horrendo fim de mundo, range e estala.

3. Coisas horríveis ocorreram, mas entre todos os flagelos não abaixava a voz de Domingos, que era escutada por todos, pregando o Saltério. Essa, que vencia cada coisa, vencia também os corações hereges. Os agita, os adoça, os transforma e, entre outras coisas, diz: “Esta é a mão direita do Excelso: é a voz de Deus que ouves cidadão. Deis um lugar a Deus: ele está na porta do vosso coração e bate.

É Deus que fulmina e trovoa entre as nuvens. Amedronta para corrigir, não pune para matar. Porém, a punição supera as cabeças: eviteis a pena e tenhais medo da última pena, aquela eterna. Aprendeis como exemplo aqueles que crucificaram Jesus Cristo, que foram amedrontados por estes acontecimentos. Espereis a salvação de Jesus e da Mãe de Jesus. Vamos, peçais tudo à Virgem Mãe do Salvador, advogada Mãe da misericórdia, porque o amado Filho não nega nada à amada Mãe. Amais a oração de ambos, utilizais o Saltério. Honrais Deus e Maria, rejeitais com juramento, a heresia. E confiais: prometo a salvação, a graça da Mãe de Deus confirmará esta minha promessa. Uma inesperada calma e tranquila segurança, por vontade de Deus, os libertará destes tormentos. Acreditais: Vejo aqui os cento e cinquenta Poderes, os Anjos executores da punição de Deus, mandados por Cristo e pela Mãe Virgem de Cristo do Céu contra vós, para castigar-vos pelos vossos pecados”.

4. Durante essas palavras do Santo, sentem-se arruinadoras vozes, e se escutam os confusos lamentos dos demônios: Deus! Estamos presos com correntes de fogo, por causa da potência infinita do Saltério e somos enviados para longe deste mundo, ao Inferno, infelizes. Escutavam-se os seus enormes gritos, parecia que cobriam a voz do Pregador do Saltério. O teriam coberto se Deus não tivesse dado um tom maior à voz de Domingos.

5. No final um acontecimento terrível e maravilhoso somou-se aos outros. Por acaso na Igreja maior estava exposto uma estátua da Mãe de Deus, em um lugar elevado e visível. Todos viram Nossa Senhora levantar a mão direita apontando para o Céu e repetir por três vezes as advertências, como se dissesse: Se não seguires as ordens, apodrecerás. São Domingos interpretou assim, imediatamente o gesto da estátua dizendo: Não se cessarão as punições e os terríveis sinais, se não afastais a obstinação e pedires com o Saltério, a salvação através da Advogada de misericórdia.

Por isso aplacais a sua ira com as sagradas orações do Saltério e Ela dobrará com a misericórdia o braço levantado ameaçadoramente.

V. 1. Deus já tinha estremecido as fibras do coração de todos, e Domingos as tinha ferido. Estavam todos desesperados e ajoelhados, com as mãos suplicantes estendidas a Deus e à Mãe de Deus. Apavorados, tremiam-lhes os braços e todo o corpo. Podiam-se escutar os gemidos provenientes do fundo dos corações, soluços, gemidos confusos com gritos e urros. As lágrimas de homens e de mulheres misturavam-se. Todos estavam banhados de lágrimas, vestidos com roupas sujas, agrediam-se os peitos, jogavam-se na lama e arrancavam os cabelos, todos juntos invocam a misericórdia, como se tivessem acompanhado o próprio funeral.

2. São Domingos diante deste espetáculo passional voltou-se para a estátua da Mãe de Deus e ajoelhado suplicante rezou: Senhora do céu e da terra, Virgem potente, olha, escuta os penitentes suplicantes, a vergonha do passado e a dor do presente, promete coisas melhores para o futuro.

Abandone a ira, afaste as ameaças e recoloque o braço no seio da tua clemência. A Amada Mãe escutou, moveu e redobrou o braço da sua estátua. Os ventos, os trovões e os terremotos acalmaram.

3. Todos os Toulousenses que experimentaram aqueles terrores e perigos colocaram as suas mãos e as suas almas na mão do único Deus e sob a orientação de São Domingos. Veio a paz e uma profunda calma, com a admiração e a mudança total das almas. Eles abandonaram os seus erros, rejeitaram as sombras das heresias e se abriu a luz da fé católica.

4. No outro dia, os cidadãos novamente repetiram o espetáculo. Usaram roupas brancas, levaram nas mãos velas acesas, e rezaram na mesma Igreja do dia anterior.

Para todos aqueles que se reuniram, São Domingos iniciou o ensinamento do Saltério e Deus continuou a realizar milagres através do seu servo.

VI. 1. Estas coisas aconteceram aproximadamente três ou quatro anos antes da criação da Sagrada Ordem dos Pregadores.

2. Em memória do acontecimento, o Bispo de Toulouse Fulco, doou a sexta parte do dízimo da sua Igreja, para sempre, a São Domingos e aos seus Frades.

3. E assim teve inicio a Sagrada Ordem dos Frades Pregadores, na Igreja, dita de São Romano, fundada e dedicada à Santíssima Trindade e à Santíssima Virgem Maria.

4. Este foi o inicio não apenas da Ordem, mas também do Saltério, a ser difundido em outros lugares. Por esta estrada o Saltério entrou na Ordem, e nesta se transmite até hoje sem interrupção.

5. Desde a fundação da Sagrada Ordem na Igreja e do Saltério, é evidente o quanto são grandes as coisas feitas por Deus e pela Mãe de Deus. É notório o resultado por onde se estende o nome cristão.

ATESTADO

Todas as palavras amabilíssimas, a Virgem Maria, Mãe de Deus referiu-se àqueles que Ela esposou com um anel feito de seus cabelos e com o (presente de um) Saltério maravilhoso, que está pendurado no pescoço do Esposo. Esses fatos são verdadeiros, visíveis e reais.

CAPÍTULO IV

O Beato ALANO, Esposo da Mãe de Deus, renovador do Saltério, segundo a narração atestada na Apologia ao capítulo dez.

I. Clemente Deus de toda Misericórdia e de toda consolação, da abundância da sua indulgente piedade e eterna caridade, revelou o Saltério de Cristo e de Maria a um Padre, Frei da Ordem dos Pregadores.

1. Através dele, com a ajuda da graça de Deus, foram realizados inumeráveis e inesperados milagres; esse Frei Pregador era particularmente devoto ao Saltério de Deus e da Mãe de Deus.

2. O mesmo Padre antes de conquistar a vocação divina, a graça de extraordinária pregação, por muito tempo rezou o Saltério de Maria, em assídua devoção quotidiana a Deus. Liberado das tentações do diabo, da carne e do mundo, e imune a estas através do Saltério, ele transcorria uma vida segura com Deus na sua vocação. Ele foi liberado de algumas tentações, mas foi muito torturado e teve que combater uma luta cruel, contra muitas doenças.

3. Deus permitiu-o sair da tentação após ter sido tentado cruelmente por sete anos inteiros pelo diabo. Durante esse período São Domingos agrediu-se com esferas, e recebeu duros golpes com açoites, tentando libertar-se das tentações. Foram tão cruéis aqueles golpes que a benigna Virgem de Deus, com piedade, levou socorro e remédio ao aflito, para que ele não caísse em desespero.

4. A grande força oculta do impetuoso torturador, o fez muito frequentemente aproximar-se do desespero. Pensou em se matar, separando a alma do sangue através de uma faca ou renunciando a vida com qualquer outro tipo de morte. Em um de seus momentos de desespero, na Igreja da sua Sagrada Ordem, Santa Maria o salvou, aparecendo-lhe inesperadamente, dissipando as tentações.

5. A mão, embora ainda não decidida, já segurava a faca para tentar o suicídio. Quando ele dobrou o braço e lançou a faca contra a própria garganta, em um golpe mortal, aproximou-se, misericordiosa, a salvadora Maria, e com um ato decisivo agarrou o seu braço, não o permitindo de suicidar-se. Deu um tapa no desesperado, e disse: O que fazes, miserável?

Se tu tivestes pedido a minha ajuda, como fizestes outras vezes, não estarias em tão grande perigo. Ouvindo isto o miserável desmaiou e permaneceu sozinho.

II. 1. Depois de pouco tempo, ele foi vítima de uma gravíssima e incurável enfermidade corporal e todos aqueles que o conheciam, acreditavam que ele fosse o próximo filho da morte.

2. Quando saia da Igreja e entrava na sua cela monástica, ele era perseguido por demônios, perturbado psicologicamente, maltratado por uma nova doença, e jazia miseravelmente com ardentes gemidos, enquanto orava e invocava a Virgem Maria: Colocaram-me como filho da morte. O que farei? As coisas celestes me são hostis: para mim o céu é de ferro. As coisas infernais me atormentam; as coisas humanas me abandonam. Não sei o que pensar, o que dizer e aonde ir. Eu esperava Maria Auxiliadora, que eu fosse mais forte e mais seguro com a tua ajuda: e eis, dor! Caí em uma maldição maior. Por que nasci? Por que infeliz vi esta luz? Por que entrei nesta Religião, também a possuindo? Por que me destes um tão longo e difícil serviço de vocação? Onde está, por favor, a verdade daquele que diz: a minha escravidão é suave, e a minha carga leve? Onde está a verdade, que não permite sermos tentados acima do quanto podemos? Verdadeiramente, dando a Deus a reverência e também a ofendendo, preferiria não existir, ou ser uma pedra, do que transcorrer assim os dias da minha vida. Assim ele suplicava como Jó e Jeremias: e inseguro perguntava-se se deveria abandonar pelo resto da vida o serviço ao Senhor ou continuá-lo.

III. Em meio à dúvida, surgiu subitamente, a Santa das Santas.

1. Enquanto ele se debatia entre os estados da alma, e se inclinava a uma ou à outra coisa, quase a metade da noite tempestuosa, entre a décima e a décima primeira hora, na cela monástica onde estava, renegou o esplendor de Deus com uma luz improvisada, e nesta apareceu majestosa a Beatíssima Virgem Maria, que o saudou de forma muito doce.

2. Depois de muitos santos colóquios a Virgem disseminou o seu Leite puríssimo sobre as muitas feridas mortais dos demônios e as curou totalmente.

3. Ao mesmo tempo, na presença do Senhor Jesus Cristo e de muitos Santos, que estavam ao redor, esposou esse seu servo, e deu-lhe o anel da sua Virgindade, feito cuidadosamente com os seus cabelos Virginais.83 É inexplicável e inestimável este anel de glória que se usa no dedo, e (com o qual) esposa-se de forma tão admirável sem ser visto por ninguém. Ele sente profundamente, através deste, indubitáveis ajudas contra todas as tentações diabólicas.

83 Indicamos a antiga imagem usada na capa, para contemplar a majestosidade da cena.

4. Da mesma forma, a Bendita Virgem Mãe de Deus pendura no pescoço dele uma Corrente com tranças de Cabelos Virginais, sobre a qual estavam presas cento e cinquenta pedras preciosas, e (entremeadas por outras) quinze, segundo o número do seu Saltério.

5. Depois de tudo isto, Ela disse que estas coisas faz em modo espiritual e invisível, àqueles que rezam devotamente o seu Saltério. O mesmo número de pedras é contido também no anel, mas de forma menor.

6. Depois destas coisas, a mesma suave Senhora lhe deu um beijo, e o permitiu sugar dos Seios Virgens. Sugando avidamente destes, ele se sentiu revigorado em todos os membros e forças e transportado ao Céu. Assim muito frequentemente a benigna Mãe o deu a mesma graça do aleitamento.

IV. Narro coisas (dignas de) serem admiradas por todos os mortais.

1. Essa Rainha de ambos os mundos, depois do Matrimônio, aparecia-lhe frequentemente e deixando estupefato, recompôs divinamente a sua força, e o revigorou, para que levassem coragem aos outros devotos, através do Saltério da Mãe de Deus. Uma vez Ela disse: “Caro esposo não deves considerar-me, nunca mais, separada de ti e não deves separar-te da confiança a mim e do meu serviço. A união entre mim e ti é tão grande, que nem mesmo o Santo Matrimônio corporal (se tivéssemos nos unidos tantas vezes, quantas mulheres existem no mundo) poderia me unir tanto a ti, quanto o Matrimônio espiritual que temos. Sou unida a ti, sem união carnal porque esta é sem valor diante da união espiritual e divina. Na união espiritual consiste a procriação virginal e a celeste fecundação das almas, que ninguém com a razão ou erudição consegue compreender, somente aquele que a recebe.

2. Então, coragem caríssimo esposo. É necessário que, por direito matrimonial, seja compartilhado entre nós todas as coisas. Por isso quero comunicar-te pelo Matrimônio espiritual, as graças conferidas a mim.

3. Saibas que o Matrimônio corporal é um sacramento Santo na Igreja, porque simboliza o Matrimônio espiritual entre o Cristo e a Igreja.

4. Eu te esposei através do Saltério Angélico, assim como, Deus pai me esposou através da Angélica Saudação, para a geração do seu Filho. Eu, Virgem puríssima e incorrupta, fui unida a ti, pela vontade de Deus para renovar o mundo, como fez o (meu) Filho, através dos Sacramentos e das Virtudes.

5. Que ninguém pense nada de impuro nesta (união). A geração espiritual é mais pura do que o sol, mais limpa do que as estrelas, contendo o abraço da Trindade infinita. Nesta consuma-se este Matrimônio, no qual estão todas as coisas, do qual provém todas as coisas e através do qual existem todas as coisas.

6. Alegra-te, Esposo, visto que me fizeste tantas alegrias, quantas vezes me saudastes no meu Saltério. Por que quando eu estava infeliz, tu estavas angustiado, fortemente atormentado ou duramente aflito? Eu tinha prometido te dar coisas doces, mas por muitos anos, te dei coisas amargas. Então alegra-te agora. Da abundância dos meus dons, te dou quinze Joias, como os quinze Lírios do meu Saltério Virginal”.

CAPÍTULO V

As quinze Joias dadas pela Esposa, ao Esposo BEATO ALANO.

I. Primeira Joia: é a remissão final dos pecados. “Obtive para ti, Esposo, a remissão de todos os pecados, mesmo dos mais graves: não morrerás na culpa do pecado, mas se cometeres um erro, neste mundo serás punido, visto que frequentemente me saudastes com “Ave”: sem culpa”. Ela deu este perdão, porque ele foi um grande pecador, e tinha vivido rodeado de diversos e numerosos tipos de pecados. Isso foi exemplo para os outros, para que os pecados sejam perdoados (Nela).

Então Maria não escolheu um inocente, assim como, Cristo escolheu para o Matrimônio Espiritual uma (discípula) Madalena, cheia de gratidão, por acreditar em seu arrependimento. E a mesma Madalena participou deste Matrimônio, como auspicio e iniciadora, junto com a sua filha Catarina Mártir, que também esposou Jesus Cristo.

II. Segunda Joia. A Presença de Maria: “Eis, porque frequentemente ofereceu-se a mim ‘Maria’, iluminada (da Graça): “por isto dou a ti este clarão celeste, para que tu tenhas sempre em mim uma luz presente, e sempre me terás e me verás, como tua Assistente e Auxiliadora. “E isto é mais forte e verdadeiro pelo espírito do que pelos sentidos corporais”.

III. Terceira Joia. A graça de obter as coisas pedidas: “Visto que oferecestes frequentemente a mim a oração de “Graças”, pela qual eu agradei a Deus e mereci a vantagem do mundo, por isso dou a ti a graça de obter toda e qualquer coisa. Reze e peça no modo devido, que assim terás coisas ainda maiores do que aquelas que desejas”. E isto foi comprovado.

IV. Quarta Joia. A ajuda do Céu. “Visto que frequentemente oferecestes a mim o lírio do “Cheia”, eu, enquanto sou cheia em todas as minhas potências, obras e graças, concedo a ti que (da cabeça aos pés, dentro e fora), não exista parte ou potência, que não sinta a divina ajuda na alegria e na tristeza, como em cada ação”. E assim aconteceu. Ele sentiu profunda e frequentemente em todos os membros certa luz que se insinuava, de modo inexplicável e o conduzia à vontade da Santíssima Trindade

V. Quinta Joia. A Presença de Deus. “Visto que muito frequentemente oferecestes a mim o lírio do “Senhor”, que é a mesma Santíssima Trindade, eis que para ti obtive que o Senhor Deus esteja sempre junto a ti”. Desde então ele via em si sempre a Santíssima Trindade, que o assimilava. Ele não via mais a si mesmo, mas apenas ela. E ao lado dela estão três Pessoas distintas: uma dentro da outra. Todas as coisas presentes em uma, estavam presentes também nas outras. Mas esta visão não é ligada à imaginação, e não é material, mas é própria da fé, luz mais alta do que de toda a ciência criada.

Assim ele sentia e via, de acordo com a sua maior ou menor disposição e devoção. Se às vezes ele não era devoto, ou era ocupado em coisas mundanas, ou era ocioso, a visão desaparecia por um pouco de tempo.

Após obras de devoção e penitência esta vagarosamente voltava a ser como antes.

VI. Sexta Joia. A Presença dos Santos. “Visto que oferecestes a mim frequentemente o “Contigo”, pelo fato que fui ao Tabernáculo da Santíssima Trindade. Eis, eu te concedo ver dentro de ti e sentir toda a Corte Celeste, de forma clara”. E assim aconteceu. Viu dentro de si os Santos, as Santas e os Anjos, que invoca-se com muita devoção. Ele também escutou coisas especiais e (viu) uma luz que o iluminava, com grande alegria, mas também com grande arrependimento.

VII. Sétima Joia. O modo de expressar-se dos Santos. “Visto que oferecestes a mim o “Bendito”, porque foi bendito o modo de expressar-me, eis, concedo a ti o modo de expressão meu e dos Santos, de modo que tu ouças a nossa língua”.

E assim aconteceu. Escutou frequentemente palavras do Pai, do Filho, do Espírito Santo, de Maria ou dos Santos. Aquela voz não era ligada à imaginação e nem era material, mas era de outro tipo, clara e distinta, que influiu na sua mente e o instruiu. Não conheço, na natureza, uma coisa semelhante a esta.

VIII. Oitava Joia. Uma certa Onipresença. “Visto que me oferecestes frequentemente o “Tu”, como os Doutores ao expor, referir, sustentar as doenças do povo; dou-te a ciência não conquistada com a capacidade humana, mas concedida pela minha graça”. Desde então ele foi especialista e formado em toda a ciência divina, moral e humana: não foi necessário livros para pesquisar. Através da oração, podia encontrar-se com a Virgem Maria e aprender muito mais do que se tivesse estudado todo o dia em uma ótima Biblioteca. Ao mesmo homem a Santíssima Virgem revelou as origens e as sutilezas das ciências: se os homens as conhecessem, desprezariam as ciências humanas, pela grandíssima imperfeição que estas têm.

IX. Nona Joia. A Inocência das mulheres. “Visto que me oferecestes o lírio: “Entre as mulheres”, subentendidas Santas; visto que não é um louvor, ser bendita entre as cativas; concedo-te esta graça: as mulheres não te incomodarão, nem mesmo minimamente. E visto que me aceitastes como Esposa, te concedo além da presença, a ajuda e o favor das minhas Jovens, ou seja, todas as Santas”. Ele frequentemente viu Santa Ana com a filha Maria, Santa Madalena, Santa Catarina Virgem e Mártir, viu aquela de Siena, e Agnese, assim como muitas outras, com grande devoção e amor angelical.

X. Décima Joia. A Eloquência. “Visto que frequentemente me oferecestes o “E bendito”, que é a Palavra da Sabedoria, te concedo a Graça que na tua expressão e no teu discurso sintas a glória celeste e vejas as grandes coisas de Deus. Isto que vês em ti mesmo, o verás também na palavra”. E assim via e sentia. A SS. Trindade era vista por ele como um todo, e toda em qualquer parte desta, igualmente potente, igualmente perfeita. A estas coisas acrescentou a Santíssima Virgem: “Terás esta graça para que, quando pregues ou ensines, tenhas a devida fé e devoção. Sintas Cristo em ti, que diz o que deves (dizer), e (sintas) também a mim, que te respondo para que ores, ensines ou leias”. E aconteceu assim.

1. Ao se expressar, ele sentia uma alegria inexplicável e isto (acontecia) especialmente depois da assunção da Santíssima Eucaristia.

2. Ele sentia inexplicável e extraordinariamente um homem inspirado e que absorveu ideias e sentimentos, em todo o seu corpo, como disse Santo Agostinho: Tu não me mudarás em ti, mas tu te mudarás em mim.

3. E este homem, assimilado nele, fazia todas as coisas, falava, caminhava, etc., como o ditado: Não sois vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai que fala em vós.

Este modo é difícil e cansativo, sobretudo quando faltam as devoções e uma grande Fé.

XI. Décima primeira Joia. A Presença de Cristo: “Visto que me oferecestes o lírio da Virgindade, o “Fruto”, que é o meu Filho, que está dentro de cada fruto do Espírito Santo, e quer para si, entre as primeiras coisas, o coração e a alma: de fato com o coração, mais do que com a carne, concebi: a Deus ofereci (a Virgindade) e a recebi no coração de Deus, que se veste da minha carne. Por isso concedo ao teu coração a benção da Virgindade, para que tu sintas claramente a vida do meu Filho”.

E aconteceram estas coisas: 1. De fato, no seu coração sentiu como um globo, dentro do qual olha com maravilha a vida do Senhor Jesus, ou seja, a Encarnação, a Paixão e a Glorificação. E em seguida a isto, o seu coração é orientado seja para a alegria, seja para a compaixão.

2. Da mesma forma na profundidade do próprio coração, teve claramente uma luz extraordinária, da qual é maravilhosamente confortado no fazer todas as coisas boas, em suportar a adversidade e se afastar dos males da ira, da preguiça e das outras paixões.

3. Se esta luz apaga-se, então ele logo se sente incapaz de fazer qualquer coisa. A décima segunda, terceira, quarta e décima quinta Joia, o esposo não escreveu. Não se sabe por quê: acredita-se que existam tantos segredos sublimes, que preferiu não manifestá-los aos mortais.

CAPÍTULO VI

 

Como olhar para a Santíssima Virgem Maria, durante a oração.

Revelação Mariana ao BEATO ALANO.

I. A Santíssima Virgem Maria apareceu ao seu Novo Esposo quando ele perguntou: “Qual é o melhor modo para honrar a Mãe de Deus e os Santos do Céu?” A ele a Esposa respondeu: "Esposo meu, põe diante dos olhos da tua mente a minha figura e contempla-a, não na sua existência puramente humana, que é uma realidade mínima, mas em um modo diferente de existir, que tem quatro aspectos. Escuta:

1. O Estar na graça, visto que eu sou o Templo de todas as graças de Deus, cada uma das quais supera grandemente cada graça dos Santos.

2. O Estar na glória, através do meu Cristo, que supera a glória de todos os Santos.

3. O Estar, em parte, em Deus, porque sem dúvidas na minha alma mora a Santíssima Trindade por essência, presença e potência: assim como nas outras criaturas. Mas em modo mais alto está em mim, através da graça, pela qual eu me tornei o Triclínio da Santíssima Trindade, por isso concerne a Natureza, a Graça e a Glória.

4. O Ser (em si), “porque sou a mãe de Filho de Deus”.

II. “Visto que em modo absoluto, as almas de todos estão em Deus, assim no mesmo (homem) está a minha imagem no modo mais absoluto.

Esta alma, assim como está em Deus, não é outro que uma imagem da realidade do mesmo Deus, mas com uma natureza diversa. Por isso se tu me visses no Paraíso, contemplarias em mim a existência segundo a Natureza humana, a Graça e a Trindade. Em cada uma destas realidades, a primeira é superada completamente por aquela sucessiva. Por isso a figura de Maria é igualmente quádrupla: Natural porque é uma realidade belíssima: Graciosa, porque é uma realidade ainda mais bonita: Gloriosa, porque não existe nada mais divino do que esta. E enfim Divina pela perfeição, porque a Santíssima Trindade que é a perfeição, existe em mim.

Maria é a Senhora de todas as coisas existente, conservadas e governadas no mundo inteiro. Ela é a primeira em perfeição e respeito a todas as criaturas. Maria é aquela, que penso, conheço e amo em modo especialíssimo, e quero que seja pensada, conhecida e amada pelos seus servos. Ela é, sobretudo, a Mãe de Deus, do Verbo Encarnado, para que a sua natureza estivesse em mim.84 A ela em primeiro lugar se refere à Saudação Angélica, visto que, a minha natureza teve a benção de ter Maria Mãe de Deus, vivente em mim. Esta minha realidade humana é bastante importante, e primeiramente deve ser entendida pela mente, como a imagem de Cristo e dos Santos. Por isso observa verdadeiramente, o meu dileto Esposo85, o seguinte modo de orar, memorável pelos séculos e maravilhoso a ser seguido, do meu Unigênito Filho Jesus Cristo, para o progresso da tua alma”.

84 Como se pode notar se interpõe as Revelações de Maria com aquela de Jesus, como neste caso, sem que este seja muito especificado.

85 Retorna a falar Maria Santíssima que esta Revelação tenha, no mesmo tempo, Jesus e Maria, a ser interlocutor com o Beato Alano.

MODO DE ORAR

Meditações sobre as partes do corpo de Cristo e de Maria, de acordo com o ensinamento da Mãe de Deus.

Nas primeiras cinquenta orações.

“Em relação à mente, medites ao máximo:

1. É a Senhoria real, que mede os méritos e os prêmios, porque a Santíssima Trindade mora nesta, como no seu Triclinio.

2. Em relação aos olhos, medites a luminosidade de todos os conhecimentos, de acordo com o mérito, o prêmio e a natureza divina. Onde também se manifesta a visão que tens de ti.

3. Em relação ao olfato, medita a fragrância de todas as graças. De fato está em mim toda a graça de vida e verdade.

4. Em relação à boca, medites a suma abundância, a suavidade, o sabor e a eloquência de todos os dons de Deus.

5. Em relação a garganta, medites o som e a modulação do falar e da voz, do qual Deus e todos os Santos se agradaram”.

No segundo grupo de cinquenta orações.

1. Em relação ao ouvido, medites sobre o porquê as tuas palavras ressoam sempre nos meus ouvidos, como o acordo de todas as virtudes e os dons de graça.

2. Em relação ao estomago, medites que esse seja o depósito de toda a suavidade e prazer.

3. Em relação aos seios, medites que esses contenham cada consolação e doçura.

4. Em relação ao braço esquerdo, (medites) que nesse esteja contido toda a vantagem de graça e de glória natural.

5. Em relação ao direito, (medites que neste esteja contido) os infinitos tipos de todas as alegrias.

No terceiro grupo de cinquenta orações.

1. Em relação ao ventre, medites a potência imensa de dar à luz e o quanto é máximo o respeito materno.

2. Em relação aos fêmures, (medites) a grandíssima força.

3. Em relação aos joelhos, (medites) a graça incansável de salvar e de libertar dos males.

4. Em relação as tíbias, (medites) a unção, que está em quase todos os Sacramentos.

5. Em relação aos pés, medites o dom da agilidade, da constância, etc. E estas coisas (medita também) sobre o corpo beato”.

IV. “Em relação à Alma, depois, em maneira apropriada, podes meditar e ao mesmo tempo orar, voando pelo Intelecto, a Vontade, a Memória, a potência Irascível e aquela Desejável: ao mesmo tempo (voando) pelo sentido comum a todos, à Imaginação, à Fantasia, ao Discernimento e à Recordação. Assim as potências dos cinco sentidos interiores. Em cada um destes venerarás as coisas espirituais, que são infinitamente melhores, mais dignas, mais verdadeiras, mais sanas, mais puras, mais claras, etc., do que as coisas criadas neste mundo”.

V. Ao esposo que pensa: Aquelas coisas podem ser pura fantasia e imaginação? A Senhora responde: “São verdadeiras por três motivos.

1. O revelo com a razão. De fato, a Santíssima Trindade é por toda a natureza, potência e presença: por isso é também em cada imagem criada, especialmente na figura de Santa Maria, à qual, desde a eternidade foi concebida na mente divina, e esposada com Deus. E assim a Santíssima Trindade é mais presente em todas as coisas criadas, do que a forma dentro da matéria, ou a posição em um lugar. Aqui existe um ser divino, no qual não existe falsidade.

2. Eis um exemplo evidente. Logo depois o Esposo observava na Esposa Mãe de Deus, e também em cada parte (do corpo) dela, todo o mundo e inumeráveis outros mundos, e parecia que uma coisa, estava contida em outra. Esta é a visão do corpo.

3. Em relação à alma, o Esposo acreditava que todas as partes da alma tinham sido absorvidas e levadas ao espírito da Virgem Maria e mais do que antes, a mesma Maria viu, sentiu e pôde cada coisa. Então o Esposo obteve o beijo e dos seios divinos foi alimentado, etc.

VI. Da mesma forma, por intercessão da Mãe de Deus, viu as mesmas coisas na imagem de Cristo e dos Santos. Os Santos, porém, pareciam evitar serem honrados e imaginados nas mentes humanas na pura natureza humana, que não estimam por nada. Devem, porém, ser honrados assim e o fazem por disposição da Santíssima Trindade.

VII. Observa então o seu grau e diferença, diz a Esposa. Desejam ser honrados com o culto, a Santíssima Trindade, Cristo, eu e os Santos, e este em duas formas.

1. A (forma) principal é a submissão à Santíssima Trindade, que deve ser adorada.

2. Logo depois, ou seja a segunda (forma) é que pelo culto, Cristo escolheu a mim antes de todos:86 Eu então estou antes de todos os outros, em modo absoluto. Adora-se a (Santíssima Trindade), e venera-se a (mim). E a Santíssima Trindade, por conta da alma de Maria, é a Esposa de todos os Beatos e de Cristo: assim também Cristo, que é o Esposo de todos aqueles que devem ser salvos”. Nesse modo, aquele novo Esposo frequentemente teve um colóquio verdadeiramente habitual com Cristo e com Maria.

86 Entendemos que seja “expedit” e não “exedit”, porque se não a frase não teria senso.

CAPÍTULO VII

Breves revelações feitas por parte da Mãe de Deus ao BEATO ALANO

1. À Santíssima Trindade os homens não podem oferecer nada de mais agradável do que o Louvor do Saltério; seja com (o Saltério) de Davi, onde em cada Salmo está contido todo o Pai Nosso e a Ave-Maria; seja com o nosso (Saltério) de Cristo ou de Maria. Por isso louvais o Senhor e a Senhora através do Saltério.

2. Porque este agrada muito a Deus, o revelou a Mãe de Deus ao Venerável Beda, a São Domingos, à Santa Catarina de Siena e ao seu Esposo, que costumava recitar o Saltério há muito tempo.

3. Também assim no Coro recitava os Salmos, visto que se imaginava que Cristo estivesse à direita do Altar, e a Virgem Maria à esquerda do mesmo, aos quais dirigia com ardor em alternância os Salmos.

Assim também São Domingos normalmente orava os salmos.

4. No (recitar o) Saltério de Maria depois, aquele Esposo era particularmente luminoso, de uma admirável alegria unida a uma inexplicável exultação.

Em tal circunstância aconteceu uma vez, que a Santíssima Esposa Virgem Maria se dignou de fazê-lo brevíssimas Revelações. E estas são expostas em seguida, assim como as palavras são da Mãe de Deus.

I. “Maria Santíssima, qualquer coisa que tenha pedido a Deus, certamente a obterá: qualquer coisa, por maior que seja e por quanto Deus possa ser contrário ao pedido”.

II. “Assim ordenou Deus, que a ninguém será concedida a misericórdia, a não ser pela forte oração de Maria Santíssima”.

III. “O mundo há muito tempo já teria se perdido, se a Virgem Maria com o seu socorro não o tivesse defendido”.

IV. “Ela ama a tal ponto a salvação de qualquer pecador, que se Deus o permitisse, estaria pronta há suportar cada dia as penas do mundo e do Inferno (exceto o pecado), pela reparação de cada um. Por isso que ninguém despreze os pecadores, porque eles valem muito para a Mãe de Deus”.

V. “O menor ato de piedade oferecido à Virgem Maria, também com uma única Saudação, vale mais de mil vezes do que a devoção oferecida a outros santos (fazendo uma comparação entre um Santo e a mesma), por quanto o Céu seja maior do que qualquer estrela”.

VI. “Dentro dela existe mais misericórdia, do que em todos os Santos”.

VII. “No Novo Testamento não existe nenhum Santo, a qual maior obra não tenha buscado o louvor da Mãe de Deus. Por isso São Domingos, São Francisco, São Vicente, São Tomás, São Bernardo, etc. viviam devotos em relação a ela na devoção do Saltério”.

VIII. “Aqueles que a serviram constantemente no Saltério, receberam qualquer graça especial. Assim São Domingos, São Francisco, etc. tiveram o mérito de se tornar Fundadores das Ordens Sagradas e São Domingos mereceu ainda ser chamado Filho de Deus, Irmão de Cristo, Filho e Esposo de Maria”.

IX. “O Senhor Jesus, quando se toma a Santa Comunhão, não deixa de estar naquele que a tomou quando a hóstia consuma-se, permanecendo a graça. Em uma alma pura a (presença de Cristo) é maior, do que na hóstia: visto que a finalidade e a razão do seu estar na hóstia é de estar na alma. E esta (presença na alma) é tanto melhor (do que a presença nas Sagradas hóstias), quanto à alma o é em confronto às simples hóstias. De certa forma está (nas hóstias) e em outra alma. O novo Esposo, depois da Comunhão, sensível e espiritualmente sente Cristo, vivo em si. Do mesmo modo também Santa Catarina de Siena e muitos outros Santos”.

X. “A nossa Advogada, ama mais do que qualquer um possa jamais (amar) algum (outro)”.

XI. “Uma só Ave-Maria dita é mais preciosa do que qualquer coisa sob o Céu ou mais preciosa do que qualquer dom temporal do corpo, da alma, da vida, etc.”.

XII. “O culto aos Santos é como prata, o culto a mim é como ouro, a Cristo é como ornado de pedras preciosas, à Santíssima Trindade é como o esplendor das estrelas”.

XIII. “Como no mundo o sol tem mais valor do que todas as estrelas, assim eu socorro os meus pequenos servos, mais do que os Santos”.

XIV. “Os favores feitos aos Santos são quase nada, se não são animados, depois de Cristo, dos meus méritos e da minha luz”.

XV. “Os meus verdadeiros Salmodiantes moram fortificados pelos Sacramentos: não perdem a palavra ou o uso da razão”.

XVI. “O serviço demonstrado a mim, procura alegria a todos os Santos”.

XVII. “Os nomes de Jesus e de Maria são dois fornos de caridade, nos quais estão ardentes e derrotados os demônios: e as mentes dos devotos são purificadas por estes, a devoção é inflamada, a carne é castigada”.

XVIII. “Como pela geração do Filho de Deus e a reparação do mundo, Deus escolheu a Saudação Angélica, assim, aqueles que se dedicam com zelo a gerar e renovar os outros, ocorre que me saúdem com a Ave Maria”.

XIX. “Como Deus, através de mim, assim como através da Estrada, chega aos homens, é necessário que também estes, logo depois de Cristo, cheguem através de mim, às virtudes e às graças”.

XX. “Saibas, que Deus Pai me tomou como Esposa, o Filho como Mãe, o Espírito Santo como amiga, a Santíssima Trindade como Triclínio, e assim amo ser venerada”.

XXI. “Os meus verdadeiros Salmodiantes superam a maior parte na glória: em geral são postos na primeira hierarquia, dita Epifania”.

XXII. “No mundo glorioso existe a unidade espiritual dos Santos, e se verá todas as coisas em qualquer outra coisa; mas em mim (esta unidade) é máxima. E qualquer Esposo e Esposa são unidos espiritualmente na castíssima alegria do Amor de Deus”.

XXIII. “Todos os dias liberto alguns do Purgatório”.

XXIV. “Se os homens soubessem e meditassem sobre a visão beatífica, chegariam a brevíssimo tempo a mais alta caridade, fé, esperança e temor de Deus”.

XXV. “Meu Esposo, quero que tu penses que Cristo é todo em ti, a sua testa na tua testa, o pé no pé e assim também os outros membros. Visto que não posso te ver em tal modo, na verdade te abraçarei docemente, e tu vencerás todas as adversidades”.

XXVI. “A Missa é a memória da Paixão do meu Filho, e queria ainda sofrer por aqueles que escutam a Missa, outras tantas vezes, quantas vezes pudesse: substituir com o seu mérito infinito”.

XXVII. “A Virgem Maria, todas as vezes que viu que o novo Esposo se revestiu de Cristo, gozou em o chamar de forma docíssima e em respeito com o nome de Esposo. E então ele sente nos seus membros uma maravilhosa potência”.

XXVIII. “Aqueles que celebram a Missa devem ter tanta caridade, a ponto de querer ser crucificados por aqueles pelos quais oferecem o Sacrifício”.

XXIX. “Muito frequentemente, em certo modo concebo e parto Cristo, por motivo das virtudes operadas pelos meus servos, e abraço Ele e estes, etc.”.

XXX. “É um ato bastante devoto, se elevar com a mente pela verdade da fé, a escada para Deus, e imaginar os degraus um a um, como se fosse verdadeiramente visível”.

XXXI. “É espiritual o matrimônio entre os anjos e os homens: por isso se deve (tributar) a eles, uma grande reverência, são de fato os Custódios de cada um, e Eu sou a Custódia universal de todos; e os meus olhos, assim como os olhos de Deus, estão acima dos bons e dos maus”.

XXXII. “Deus é o Esposo amável de todos os devotos e de cada um. O matrimônio depois acontece, não considerando si mesmo e maximamente sempre Deus: e devolvendo si mesmo a Deus, até ao ponto de existir, compreender, querer, agir, sofrer, poder e toda a outra coisa”.

XXXIII. “O novo Esposo, era um grande pecador, eu preguei por ti com o desejo de enfrentar por ti, se fosse possível, todas as penas, para que te salvasse. Porque os pecadores convertidos são a minha gloria”.

CAPÍTULO VIII

Visão que o SANTO ALANO teve da assunção da Santíssima Virgem Maria.

I. O Saltério de Maria se opõe a todas as maquinações e às sujeiras do diabo, da carne e do mundo, porque através da Saudação, o Verbo de Deus, que se fez Carne veio ao mundo. Onde São Jerônimo disse: Com razão Maria é rainha de todos, porque gerando o Verbo de Deus, regenerou todas as coisas do mundo. Esta (verdade de fé) é proclamada no prelúdio da Assunção.

O novo Esposo de Maria, na festa da Santíssima Virgem Maria Assunta nos Céus, depois de ter recebido os celestes Sacramentos, brevemente contemplou a maravilhosa Assunção da Virgem Maria. Viu como ocorreu, quando ela em Jerusalém acalmou-se, entre os apóstolos que a circundavam como uma coroa.

1. Viu a alma dela, sete vezes mais esplendente do que o sol, enquanto avançava pelo Templo do corpo, e se lançava com admirável celebridade entre os braços do filho Esposo Jesus Cristo, estando presente a Igreja triunfante, e, sobretudo o Coro dos Anjos, destinado para a proteção dos homens. Apenas chegou às portas do Céu, se ouviu a voz de Jesus; Levantais as vossas portas principais, e elevais as portas eternas; e entrarão o Rei e a Rainha da Glória: no mesmo tempo entrava o Senhor forte e potente na batalha com a Esposa, que se apoiava sobre o seu Esposo.

2. Aqui manifestam-se de repente as exultações celestes, e ao mesmo tempo as Legiões Celestes se encontraram, e tendo se ajoelhado, com uma harmonia melódica de diversos sons, aclamam a Angélica Saudação, com um indescritível triunfo, reverência, felicidade e solenidade. Nenhum dos Celestes era visto sem um Saltério musical, não ouvindo nada que não fosse a Saudação Angélica, com uma suavidade de admirável melodia.

3. Entre as outras coisas, etc.

ESQUEMA DO SALTÉRIO

história e revelação do Santíssimo Rosário.

II. (O Saltério) era similar a um instrumento grandíssimo, que sozinho continha cento e cinquenta Saltérios, cada um dos quais era composto igualmente de cento e cinquenta bastões. Em cada bastão, de uma forma maravilhosa, tocavam novamente cento e cinquenta modulações, em grandes acordes.

O Santo Arcanjo Miguel se divertia nisto, como um Músico e estavam ao redor cento e cinquenta concertistas; próximo a estes, estava o Anjo que servia Cristo, quando era peregrino.

Parecem que, por fim os mortos pudessem ser ressuscitados pelo canto.

O Esposo que ali escutava, sentia que era levado pelo maravilhoso amor de Cristo e de Maria.

4. Os coros se alternavam e depois que tinham cantado sobre aquele glorioso Saltério: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco”, respondia a inteira corte dos Céus: “Bendita seja vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus Cristo”. Deste nome acontecia uma única repetição, e (iniciava) súbito uma nova melodia, e assim continuamente: nem nunca se repetia o mesmo significado e compreensão das palavras. Parecia que este Saltério tivesse recebido a infinita Sabedoria de Deus.

5. O Esposo depois sente que a sua Guia o dizia: Todo o mundo através desta sentença foi perdoado, e o Rei dos Céus se encarnou e foram reparadas as ruínas dos Anjos. Por este motivo os espíritos angelicais cantaram eternamente, este Cântico novo a Deus.

Aproximando-se depois de todos os Celestes de Maria nas várias legiões (em cada uma das quais o número não era superior a cento e cinquenta), cada um o oferecia este próprio Saltério.

6. Visto que o Esposo estava bastante surpreso, um dos que estavam presentes disse: Do que te surpreendes? Este número é santíssimo e é representado na Arca de Noé, no Tabernáculo de Moisés, no Templo de Salomão: e este através de vários números de dez, que muito frequentemente se repetiram diante deste mistério; este (é o número) da medida do templo novo, visto por Ezequiel. Com os Salmos de Davi, o número cento e cinquenta é de uso comum: e (os Salmos) profetizam a todos em volta a Cristo e à Mãe de Cristo. Este é de fato o verdadeiro e vivo Saltério da Santíssima Trindade, e por isso de toda, e as Igrejas87. Por isso se oferece no Saltério dos homens, orações em igual número, àquelas que alegram os Celestes, e é honrado Deus. Deus quis, por isso, que tu aqui escutasses e visses coisas tão grandes, para que tu pregues a todos que estas orações agradam tanto a Deus.

87 Trata-se da Igreja peregrina e militante sobre a terra, e daquela triunfante no Céu.

III. (Sobre o) pregar: “O grande momento crítico do mundo pede o Saltério, por causa dos males que o perseguem. Qualquer um que o pegar, sentirá a força e o sustento destes: aquele que o desprestigiar, será arrastado pelo males futuros. Uma miserável devastação ameaça o mundo: e somente o Saltério Angélico, que já recuperou o mundo, agora pode novamente salvá-lo”. O Esposo ouviu isto e, orientando por acaso os olhos ao mundo a ele inferior, viu três coisas bastante desmedidas avançarem contra esse.

1. Das extremidades viu um abismo de imensa profundidade, do qual uma fumaça misturada com fogo obscuro se levantava e levava devastação ao mundo. E se ouviu então a voz de uma águia que voava e gritava: “Maldição à carne e ao sangue, no incêndio, todo o mundo arde em fogo”.

2. Em outra região viu uma horrível preparação para a guerra se expandir e se desencadear, gerando uma imensa devastação, junto com tempestades, raios e trovões em todo o mundo. E entre estas coisas uma voz de mulher gritava: Os males geram desgraça ao mundo. E gritava ainda: Visto que não existe misericórdia no mundo: não peçam mais clemência ao Céu, visto que se aproxima o fim, se aproxima o fim.

3. Em uma outra região, ele via inumeráveis grupos de demônios, que com duas chagas faziam precipitar quase todo o mundo no abismo do inferno, com cento e cinquenta fornos, além de infinitos tormentos de todos os tipos.

Que fim de mundo! Que horror provinha dali! Sente que as três chagas ditas, eram devidas aos três males do mundo, à Luxúria, à Avareza, à Soberba, e contra estas tinha eficácia o Saltério.

IV. Entretanto o Rei Jesus fez a Rainha do Céu subir acima dos Coros dos Anjos e a disse: “Minha Mãe, Esposa e Virgem Rainha, é justo te apresentar a Santíssima Trindade, e os teus méritos, por ter vindo em socorro ao mundo. Aqueles que chegam da terra, consagrando a si mesmos a Santíssima Trindade, oferecem os seus dons e méritos à mesma (SS. Trindade). Serei eu a tua Guia: estais para entrar na posse, de fato, dos Reinos Celestes”. Disse: e depois de ter dito isto, eis imediatamente, o novo Esposo viu diante dele uma coisa espetacular.

A (PRIMEIRA) VISÃO DO SALTÉRIO

Apareceram quinze rainhas bastante majestosas, acima dos mortais: e ao redor de cada uma estavam as próprias Servas.

1. As primeiras cinco rainhas, junto com suas cinquenta servas, levavam diante (de Maria Santíssima) cinco Rosas de beleza maravilhosa: se via escrito em letras de ouro sobre a primeira destas: “Ave”, sobre a segunda: “Maria”, sobre a terceira: “Cheia”, sobre a quarta: “Graças”, sobre a quinta: “Senhor”.

2. Outras cinco rainhas, junto com suas cinquenta servas, levavam cinco Gemas de grandíssimo valor: sobre a primeira destas estava escrito “Contigo”, sobre a segunda: “Bendita”, sobre a terceira: “Tu”, sobre a quarta: “Entre as mulheres”, sobre a quinta: “E Bendito”.

3. As últimas cinco rainhas, junto com suas cinquenta servas, levavam diante da Mãe de Deus, cinco estrelas. Sobre a primeira destas estava escrito: “Fruto”, sobre a segunda: “Teu”, sobre a terceira: “Ventre”, sobre a quarta: “Jesus”, sobre a quinta: “Cristo”.

Então seu Filho dizia à Mãe: “Docíssima Mãe, Esposa caríssima; três são os sumos Impérios dos Céus, e os três são Um só (Império): aquele Paterno, aquele Filial e aquele Espiritual, e cada um (desses) possui cinco reinos próprios. É justo que tu sejas a Rainha dos Céus, não somente participante e consorte, como são todos os Santos, mas também que Tu sejas a Senhora dos Impérios. Coragem: eis a ti”.

O PRIMEIRO: O IMPÉRIO DO PAI

V. Desse, cinco são os Reinos que estão de acordo com o Pai: 1. A Paternidade; 2. A Unidade; 3. A Potência; 4. A Eternidade; 5. A Criação.

Estes, isoladamente e juntos, são imensos, adoráveis, divinos. Então a Santa Virgem Mãe, suplicante, com muita humildade, disse ao Imperador e Pai Onipotente: Ave Pai, Ser dos Seres. Eis por mim e por todos os meus salmodiantes ofereço esta Rosa, precedentemente doada na tua graça. Ao mesmo tempo, da mão da primeira Rainha, ela recebeu a Rosa ornada da inscrição “Ave” e a ofereceu ao Pai pelo Reino Imperial da Paternidade.

Recebida a Rosa da Paternidade, o Pai disse: Esta rosa é digna e gloriosa!

Por causa desta, serás para sempre Rainha do Reino do Pai, como Mãe única de todos os Seres. Visto que diante da Ave gerou meu Filho, o Criador de todas as coisas. Ao Esposo parecia que toda a Corte Celeste escrevesse em um Livro esta doação, feita à Maria e aos Salmodiantes dela.

II. Apresentando-se ao Rei, e ao Reino da Unidade, Maria, oferecendo uma Rosa, disse: Ave, Rei das Luzes, eis a Rosa da unidade infinita, da qual derivam todas as coisas; eu, Maria, ofereço por mim e pelos meus, como tu sabes e queres.

Recebida, o Rei disse: Tu serás a Rainha bendita no Reino da minha Unidade. Quero que as Unidades dos Seres, juntas e isoladamente, estejam sob o teu poder.

III. Ela oferecendo uma Rosa, escrito “Graças”, se apresentava ao Rei e ao Reino da Potência, dizendo: Ave Gracioso Rei: eis esta doação por mim e pelos meus servos Salmodiantes. Espero que tu gostes e te acalme. O Rei disse a Ela: Eu gosto me acalma, e me acalmará. És tu a Rainha do meu Poder; e que tu sejas Rainha sobre cada poder no Céu e na terra. Visto que tu geraste o Filho, Potência do Pai, que é a Graça do mundo.

IV. Introduzida pelo Rei no Reino da Eternidade, suplicante dizia: Rei receba a Rosa “Cheia” de mim e dos meus servos. O Rei disse a Ela: Tu Mãe da Plena Eternidade, em recompensa do teu mérito, recebes, Rainha, este Reino da Eternidade.

V. Oferecendo do mesmo modo a Rosa ao Rei, e ao Reino da Criação, o Senhor disse: A Rainha recebe o Reino da Criação, visto que gerou o Filho Criador. Depois disto quanto é grande a exultação de todos?

O SEGUNDO: O IMPÉRIO DO FILHO

A este Império pertencem cinco Reinos da Exultação, conforme as propriedades do Filho: 1. A Filiação; 2. O Verbo; 3. A Sabedoria; 4. A Redenção; 5. A Providência. A Virgem que se devia apresentar ao Rei e ao Reino de cada um destes, seguia humildíssima o Guia.

I. Por isso falando normalmente, ofereceu por si e pelos seus salmodiantes a Pedra preciosa “Contigo”, ao Rei da Filiação, para o Rei dos Filhos de Deus.

II. Igualmente dá ao Rei a Pedra “Bendita”, pelo Reino do Verbo Encarnado; e a Rainha o recebe.

III. Para o Reino da Sabedoria, dá ao Rei a Pedra “Teu”, e se torna Rainha da Sabedoria.

IV. Para o Reino da Redenção, dá a Pedra: “Entre as Mulheres”, e se torna Rainha da Sabedoria.

V. Para o Reino da Providência, dá a Pedra: “E Bendito”, e recebe o Reino. Aqui novamente cantam novas exultações dos Celestes e louvores maravilhosos.

O TERCEIRO: O IMPÉRIO DO ESPÍRITO (SANTO)

Este Império possui igualmente cinco Reinos, conforme as propriedades do Espírito Santo: 1. O Espírito Santificador; 2. Os Dons; 3. A Missão; 4. A Bondade; 5. A Custódia.

I. Ao Rei Espírito Santo, a suplicante oferece a estrela em que estava escrito: “Fruto”. E o Rei a disse: Amiga caríssima ocupa o Reino de todos os Espíritos: que seja feita a tua vontade sobre esses. Porque concebestes com boa vontade o Fruto do Espírito Santo.

II. Ela então oferece a estrela em que estava escrito: “Ventre”, para o Reino dos Dons. Diante desta o Rei disse: Sim Rainha dos Dons de Deus; e a ninguém será dado algum dom natural, moral, de graça, e de glória se tu não és cooperadora e mediadora.

III. Ela oferece a estrela em que estava escrito: “Teu”, para o Reino da Missão. Então o Rei disse: Assim como através do teu Ventre bendito foram dados ao mundo todos os bens: igualmente a minha aparição, suma Missão, foi conhecida através da Missão dada a Ti, de gerar o Filho.

Por isso tu serás Rainha de todas as Missões nos dois mundos, e nenhuma mudança acontecerá sem o teu consenso.

IV. Ela então dá a estrela em que estava escrito: “Jesus”, para o Reino da Bondade, e o Rei disse: Tu serás a Rainha da Bondade. E eu a ninguém a comunicarei, sem a tua mediação.

V. Ela que entrega a estrela em que estava escrito: “Cristo”, para o Reino da Custódia, e o Rei disse: Não quero que seja tutelado sem ti, nada, do que está na natureza, nem na graça. Tu de fato, Rainha Conservadora, gerastes o Salvador do mundo.

Depois disto, novamente ocorreram imensas exaltações.

EIS A CONCLUSÃO

VI. Enfim, (Maria SS) oferecia a si mesma, à Santíssima Trindade, por si e pelos seus servos Salmodiantes. E a Ela Deus disse: Disponho e quero que as doações a ti feitas sejam válidas eternamente. Tu serás o nobre Triclínio da Santíssima Trindade: Eu assim serei inteiramente em ti, e tu serás inteiramente em Mim: não pela Assunção, mas especialmente pela glorificação. Nunca negarei nada à tua vontade. Depois destas coisas: Porque ligaste aquelas quinze Doações aos meus dez Preceitos, as minhas dez principais Virtudes contrárias aos dez Vícios do mundo, as dez subdivisões da natureza a renovar: por isso quero que no Céu e na terra, sob este número tu sejas louvada no Saltério. No final a Esposa, voltada ao Esposo, disse: Prega as coisas que vistes e que escutastes. Não tenhas temor: eu estou contigo; ajudarei a Ti e a todos os meus Salmodiantes. Eu castigarei aqueles que se opõem a Ti: irão à ruína; como vistes que muitos morreram através de uma forma ruim.

Agora, porém, presta atenção.

CAPITULO IX

Segunda parte da Visão. A luta entre a Misericórdia da Rainha e a Justiça, etc.

NOTA.

A Santíssima Virgem, no final do capítulo, recorda ao BEATO ALANO: no Céu existe uma suma paz, nenhuma discórdia, não existe mudança em Deus: mas à inteligência humana, assim se apresenta nos diferentes tempos, da Lei, e do Evangelho; a ira de Deus a eliminará com a sua Graça.

I. O Saltério de Maria é a Chave e o Vaso da Misericórdia: é como o vaso d’água de Rebeca, que refresca os viajantes da Fonte da Mãe da Misericórdia (Gen.24). Assim ensina a segunda parte da Visão, e a afastar os males através do Saltério, assim como também e principalmente, a pedir as coisas boas. Àquela visão claríssima tida pelo Novo Esposo, se seguiu outra, bastante severa e confortante. Eis a nova (visão).

A (SEGUNDA VISÃO) DO SALTÉRIO

Maria já tinha sido instituída Imperatriz dos três eternos Impérios nos Céus e Rainha dos quinze Reinos, e estava para iniciar de forma feliz o seu Império da Misericórdia.

Eis, (apareceram outros) três (Impérios) maiores, do lado oposto, (que são os Impérios) do homem, do mundo que caiu e do mundo usurpado (de Deus); com grande agitação estes impérios se movem, e surgem contra a extraordinária Misericórdia de Deus e da Mãe de Deus. Assim pareceu acontecer a coisa. Deus, irado pela queda dos primeiros homens, tendo assim colocado de lado a Clemência, iniciou a governar quem o era submisso com o cetro de ferro do seu Poder, Justiça e Verdade: agora, como o homem recebeu a reparação do Filho, foi acalmado liberou os freios da Misericórdia no mundo do seu Império; mas para isso, o novo tríplice Império, foi necessário que fosse suprimido o Antigo Tríplice Império usurpado (de Deus). Portanto as Três (servas) dessa Imperatriz, a Potência, a Justiça e a Verdade, juntas dizem: A Soberana Misericórdia sozinha governa todas as coisas? Se cedermos, pereceremos. Será destruída a Lei, cessará a Potência de Deus sobre os maus, e também a Justiça contra estes, e mesmo a Sentença da Verdade sobre a condenação dos cativos.

Então: queremos combater? Todos estavam de acordo. Coisas a serem vistas com admiração! Ao Esposo (isto) aparecia praticamente diante dos olhos, como se as visse: A POTÊNCIA DO IMPÉRIO DO PAI.

II. Esta Imperatriz se move com a sua grande dimensão, e avança em batalha. A seguem cinco pérfidas Rainhas: (1. Maldição; 2. Ignorância; 3. Dureza; 4. Pobreza; 5. Escravidão). Inumeráveis legiões ameaçadoras semelhantes a estas eram presentes, desordenadas e com grande confusão.

Estavam ali. Estava também naquele lugar a Soberana Misericórdia de Maria, junto com a Potência. Esta, confiando nas armas da Misericórdia e das Virtudes, e nos Méritos de Cristo, dela (Maria SS) e dos Santos, e daqueles que estavam sentados sobre os cavalos brancos; depois de ter enviado bandeiras contra o exército inimigo, veio, viu e venceu. Pegou aquela severa Potência do Pai, juntou às suas Rainhas e a todas as milícias.

Eram todas de gigantesca grandeza e de uma força invencível. Aquelas que tinham as mãos presas nas costas, a Rainha Maria disse: “Soberanas potentíssimas, é justo que a vontade de Deus seja observada, que a Sabedoria seja cumprida, que a bondade seja mantida? Visto que ele me chamou, eu que não sou merecedora da sua graça especial, (me tornei) Imperatriz de Misericórdia, era necessário que o meu Império fosse defendido por mim com todas as forças. Vós, ameaçadoras, a mais de quatro mil anos afastam a misericórdia do mundo, fechada somente nos Céus. Agora (assim parece justo a Deus) Eu, Rainha vossa e de todos, pela Autoridade da Santíssima Trindade vos libero e declaro que sois livres. Ao mesmo tempo vos nomeio Soberanas da Misericórdia, e vos restituo aos Reinos.

I. Por isso tu, Maldição, te retires: que se aproxime a minha Benção no Reino da “Ave”, que é sem Culpa.

II. Ignorância, por muito tempo poderosa no mundo, desapareça: iluminação, avances no Reino de “Maria”.

III E tu Dureza, fujas: Boa Graça te aproximes ao Reino da “Graça”.

IV. Ah, gigante Pobreza, que eliminastes até agora todas as coisas boas, te afastes: e tu, Plenitude, entres na penúria e reines “Plena” no Reino.

V. Cruel Escravidão, porque persegues? Desapareces: Te aproximes, Liberdade dos filhos de Deus, e reines no Reino do “Senhor”.

Escutem: todos vós Salmodiantes, meus súditos que servem a Cristo e a mim, escutais, pegais os vossos privilégios.

Quero que os meus Salmodiantes na vida, na morte, e depois da morte, tenham a Benção, a Iluminação, a Graça, a Plenitude e a Liberdade e reinem ilesos e seguros da Maldição, Ignorância, Dureza, Pobreza e Escravidão.

II. A JUSTIÇA DO IMPÉRIO DO FILHO

III. Esta Imperatriz, quando soube da prisão da irmã, se precipitou às armas e chamou às armas as suas cinco Rainhas aliadas. Voaram estas cruéis, com uma massa de males (1. Peregrinação; 2. Infâmia; 3. Severidade; 4. Impiedade; 5. Má Sorte). Agrupam-se e partem para a ofensiva no combate contra a Mãe de Deus, Rainha da Misericórdia.

Acontece o assalto e a força de Maria vence a Violência e a Justiça, capturando os seus exércitos. Com a cabeça ferida, as mãos e os pés amarrados, a Justiça disse à Misericórdia de Maria: Feristes o meu coração, minha irmã: de fato os teus raios aguçados e os carvões que disseminam desolação penetram, e avançam. E a esse disse a Clemente Maria: Por muito tempo e muito duramente dominastes sobre os filhos de Adão, ordeno o final e a conclusão ao teu Império. Eu desejo que comande a Misericórdia, (e quero) que de agora em diante as tuas pérfidas Soberanas façam desse modo. E tu, I. Peregrinação pare de maltratar os exilados e fugitivos sob o céu, os míseros mortais e os estrangeiros sobre a terra e no limbo. Afastados: Aproximes-te minha Rainha Hospitalidade e pegues o teu Reino “Contigo”.

II. Infâmia, ignorante e hostil ao nome humano: vá embora. Entre a Boa Fama e pegues o Reino, “Bendita”.

III. Severidade, ora infere cruelmente: afaste-te do Reino: por longo tempo rejeitastes e retardastes o Mediador. Tu, Conciliação, pegues o Reino “Tu”.

IV. Impiedade te afaste e evita os Reinos, (vem) tu Piedade, no Reino “entre as mulheres”.

V. Má sorte te afaste: aproximes-te, Boa Sorte, ao Reino “E Bendito”. Aqui Maria: Escuteis vós todos, os edito. Quero que no meu Saltério os Salmodiantes tenham em mim o Triclínio da Santíssima Trindade: 1. Hospitalidade. 2. Boa fama junto a Deus. 3. Mediação minha, do Filho e dos Santos. 4. Piedade e 5. Boa Sorte; “e sejam libertos por todas as coisas contrárias a estas, porque obedecem a mim nos Reinos: contigo, Bendita, Tu, entre as mulheres, e Bendito”.

III. A VERDADE DO IMPÉRIO DO ESPÍRITO (SANTO)

IV. Conhecida estas coisas, se lança na batalha, junto às cinco aliadas e todo o Reino, inventa novos (planos), que se acrescentam àqueles de antes.

Maria invade, combate e com a ajuda do Espírito Santo a vence e, a trazendo junto aos seus, na porta do tribunal da SS. Trindade, onde Maria disse do alto: “Essa é aquela que até este momento privou da verdade os filhos do nosso pai Adão, e os manteve amarrados na sombra tenebrosa, saias agora, e abandones o Império. Afastes-te também das suas Soberanas: (1. Esterilidade; 2. Infecundidade; 3. Pobreza; 4. Prisão; 5. Morte ruim). Te afastes dos nossos Reinos: o Fruto, do Ventre, Teu, Jesus Cristo.

No lugar destas entrais vós, exultante Rainha do Espírito Santo: 1. Frutificativa. 2. Fecundidade. 3. Abundância. 4. Liberdade 5. Saúde e Vida Santa. Quero que os meus Salmodiantes gozem destas coisas, e sejam privados das coisas contrárias a estas.

A CONCLUSÃO

V. A SS. Trindade, expectadora de tão grandes conflitos, suplicada pela Potência, pela Justiça e pela Verdade, que eram prisioneiras, responde: Filhas caríssimas, a minha filha Paz, seja árbitra entre vós. Escutem-na.

Aqui estava a belíssima Paz e disse: “Seja dado a cada um aquilo que é seu e seja feita Paz na sua Virtude. Três vezes SS. Trindade, eu estabeleci uma dúplice Sentença. A primeira: Maria escolheu a melhor parte dos quinze Reinos, que é a Misericórdia. Por isso cada um, no Saltério de Cristo e de Maria, deve servir submisso ao Império das outras (Rainhas) já derrotadas: mas (deve) exultar beato no Reino de Maria”. O Onipotente aprovou e toda a Corte do Céu aplaudiu. Novamente com voz terrível, a Paz proclama a segunda parte da Sentença para os prisioneiros. “A Potência, a Justiça e a Verdade voltam a exercer o (seu) Domínio: mas impõe a dura submissão àqueles que, nos Reinos da Misericórdia, rejeitam de ser submissos à bandeira do Saltério de Cristo e de Maria pelo desprezo da soberba, pela negligência da preguiça ou pela eternidade”. A voz dos Santos juntos gritava: “Seja feito, seja feito. Amém, amém”. A Verdade, sorrindo, acrescentou:

VI. “Certamente, três vezes Virgem Maria, Imperatriz digníssima, o teu Reino será pequeníssimo, o nosso grandíssimo. Visto que uma parte muito pequena se dobrará a bandeira do pregar, do levar e do difundir o Saltério.

Estreita é a estrada que conduz ao Céu, e poucos entram através dessa. A maior parte geme, é servida, se purifica sob a nossa sumidade, e esta purificação é incessante”.

UMA NOTA DE CAUTELA

Enfim, voltando-se ao seu Esposo, a máxima Santa avisa: “Não acreditem que nos Céus se faz a guerra e se semeia a discórdia. Não acreditem nisso. Aqui a paz é infinita. Vistes essas coisas, como se tivessem acontecido, para a vantagem tua e dos homens que devem ser instruídos por ti, para anunciar aos homens, a Graça de Deus e do Saltério, que veio para mudar a Ira em Graça”. Ela Disse e ao mesmo tempo o deu um beijo e o amamentou através de seu Seio para confirmar a verdade. E depois de ter sido amamentado, regurgitou de tão grande exultação, que parecia ser desgostoso de todas as coisas humanas e terrenas. Assim aquele Esposo, restituiu as coisas humanas e a sua humanidade, compreendidas então que é por esta visão que a Igreja canta na Assunção: Hoje Maria ascende aos Céus, vos alegrais: visto que com Cristo Reina em Eterno.

CAPÍTULO X

As preciosidades da Saudação Angélica reveladas por Jesus, ao Esposo de Maria.

O novo Esposo de Maria, sem merecer viu e ouviu o que se segue: Jesus disse à Mãe: Docíssima Mãe e Esposa, muito me agrada que tu sejas louvada na Saudação Angélica. Por isto, me alegra revelar ao teu Esposo os louvores contidos na tua Dignidade. Voltando-se a ele (ao novo Esposo) Jesus disse: Filho meu: aparecendo a ti visivelmente, explico que coisa inconscientemente oferece à Mãe de Deus quando a dizes, muito devotamente, a Ave. O Esposo responde: O amor e a alegria dos corações, docíssimos de Jesus: te agradeço pela tua suma graça e piedade, com a qual te dignasses em visitar a mim indigno pecador, restituo não quanto deveria, mas quanto sou capaz; ao mesmo tempo te peço muito humildemente: ensine-me as coisas que não conheço. Jesus disse: meu Filho escuta através das grandes coisas do mundo, quais são as preciosidades na Mãe de Deus.

AS SETENTA E DUAS SUPERIORIDADES DA SAUDAÇÃO ANGÉLICA

PRIMEIRO SALTÉRIO

Primeiras cinquenta orações.

“Ela é o Paraíso, no qual o novo Adão e Eva, Cristo e Maria foram colocados para a regeneração dos homens (Bernardo).

2. Ela é o Céu esplendente de estrelas das Virtudes, das Graças, das Ciências e dos Méritos (Agostinho).

3. É o Sol que adorna o mundo, o qual é guiado, iluminado, e inflamado pelo fogo da castidade (Anselmo).

4. É a Fonte da vida na Igreja, na qual os pecadores se lavam, os doentes se curam, os sedentos matam a sede e se regam as hortas das ciências (Agostinho).

5. É a arvore da vida que ressuscita os mortos, cura os doentes e salva os vivos. (Jerônimo)”.

Segundo grupo de cinquenta orações.

“6. É a arvore do conhecimento do bem e do mal, o qual provar me ensina a fazer o bem e a fugir do mal (Anselmo).

7. É o jardim da amenidade com as flores das virtudes, das quais é possível realizar perfumes para a salvação dos vivos e dos mortos (Anselmo).

8. É a Mina dos metais, para enriquecer e defender os meus servos, e para expulsar os inimigos (Alberto Magno).

9. É a mina das pedras preciosas, ou seja das virtudes, para coroar as almas (Agostinho).

10. É a Estrela do mar, entre as ondas do mundo e as sombras dos pecados, da qual somos guiados e iluminados, para que cheguemos no Porto (Bernardo)”.

Terceiro grupo de cinquenta orações.

“11. É o Coro de Glória, que é composto pelas pedras preciosas dos méritos, e do ouro da caridade, com a qual a minha Mãe é Coroada quantas vezes é Saudada (Agostinho).

12. É a Veste Real de Maria, com a qual são cobertos os pecadores, e são ornados os justos (Bernardo).

13. É o Castelo Celeste, não de pedra, da Trindade (Bernardo).

14. É o Jardim arborizado da amenidade com as ondas da graça e da virtude. Neste repousa a Pomba do Espírito Santo, se nutre o pintinho das graças, medita o rouxinol da consolação espiritual, perfumam a fama e a virtude (Bernardo).

15. É a Cidade construída com as pedras preciosas e com o ouro da Igreja militante (Bernardo).”.

SEGUNDO SALTÉRIO

Primeiras Cinquenta orações.

“16. A Ave é o Templo de Salomão, no qual são oferecidos a Deus: Vítimas, Votos, Sacramentos, são destruídos os pecados, são afastadas as tribulações, são obtidas as ajudas dos Santos, são escutadas as melodias dos Beatos e se encarna o Filho de Deus (Agostinho).

17. A Ave é a Vida de Engaddi, que ofereceu ao mundo o bálsamo, com o qual são curados os doentes, são iluminados os cegos, se servem os vivos e são untados os mortos (Agostinho).

18. É a Escada e a estrela de Jacó, com a qual se vai e se torna do Céu (Jerônimo).

19. A Arca do Testamento, na qual estão as Tábuas da Lei da Sabedoria de Deus e o Maná da Consolação (Bernardo).

20. É a Arca de Noé, com a qual o mundo é livre do dilúvio dos pecados e é protegido da inundação dos sofrimentos (Anselmo)”.

Segundo grupo de cinquenta orações.

“21. A Ave é o Arco-íris da Clemência, que dá o perdão à soberba, que dá ao ouro à avareza, à cor verde dá alegrias vãs, dá inconstância, etc. (Agostinho).

22. É o Monte de Deus, onde são abandonadas as coisas terrenas, ressurge o coração, se foge do incêndio de Sodoma. (Jerônimo).

23. É o Campo das sementes das virtudes (Basílio).

24. É o Órgão para alegrar os Céus: a Cetra da alegria para levantar a Igreja. A melodia para colocar em fuga os pecados. (Ambrósio; Beda).

25. É a Selva da devoção solitária, onde as feras estão sob a submissão da penitência e com rápido passo fogem do mundo (Damasceno)”.

Terceiro grupo de cinquenta orações.

“26. A Ave é o Prato da amenidade, no qual pastam os rebanhos de Cristo (Anselmo).

27. É o Rio da suavidade e da fertilidade, do qual é nutrida e irrigada a terra da Igreja (Basílio).

28. É o Mar da riqueza, sem tempestades, através do qual com segurança se vai às Estrelas (Alberto Magno).

29. É a Casa e Hotel e o Triclínio da Trindade (Ricardo de São Vitor).

30. É a Balança das obras humanas (Damasceno)”.

TERCEIRO SALTÉRIO

Primeiras Cinquenta orações.

“31. A Ave é a Biblioteca das ciências divinas e humanas (Ambrósio).

32. É a Sala dos Tesouros de Deus: da qual os Bens do Céu, de Cristo, etc. são dispensados aos necessitados. (Damasceno).

33. É a Oficina do mundo regenerado (Agostinho).

34. É a Vale, de onde nós procuramos a humildade (Hayimo).

35. É o Celeiro da Misericórdia, do qual se nutrem as almas”.

Segundo grupo de cinquenta orações.

“36. É o Altar de Deus Vivo, a nossa quiete (Orígenes).

37. É o Perfume da santa fragrância, junto do qual ofereciam as nossas obras o odor da suavidade (Beda).

38. É o Livro da Vida dos Justos (Damasceno).

39. É a Estrada do Céu, pela qual se chega à Pátria e à Recompensa (Anselmo).

40. É o Escudo, com o qual se apagam os dardos de fogo de cada mal, se vencem as adversidades (Bernardo).

Terceiro grupo de Cinquenta orações.

“41. A Ave é o Arco e a flecha para ferir os inimigos, para alcançar o triunfo do Imperador (Basílio).

42. É o cinto da Castidade, o Véu da honestidade, a Cinta da dignidade, o Anel do Matrimônio Celeste.

43. É a Coroa de flores, para coroar os Beatos (Agostinho).

44. É a Porta do Céu, para salvar as almas (Alberto Magno).

45. É o Forno onde o alimento é o Pão dos Anjos, que dá a vida ao mundo (Bernardo)”.

QUARTO SALTÉRIO

Primeiras Cinquenta orações.

46. A Ave é o muro e o tapume da Cidade contra os inimigos (Anselmo).

47. É a Nuvem de orvalho, da qual o mundo é irrigado, floresce e frutifica (Agostinho).

48. É a Dispensa dos carismas, para curar as doenças (Bernardo).

49. É o Espelho da pureza, no qual contemplam as Coisas Celestiais (Anselmo).

50. É o Mundo, com os quais o Mundo externo foi renovado”.

Segundo grupo de cinquenta orações.

“51. A Ave é o Vaso da Potência do Pai, da Sabedoria do Filho, da Bondade do Espírito Santo (Bernardo).

52. É a cidade Seráfica dos Beatos (Agostinho).

53. É o Trono dos tronos da Justiça dos Santos, junto com o qual aconteceu a Paz. É o Domínio das Dominações (Basílio).

54. É a Potência dos Poderes, contra o poder das sombras (Pier Damiani).

55. É o Diretório dos Principados, com os quais somos guiados ao Céu (Blesens)”.

Terceiro grupo de cinquenta.

“56. A Ave é a Providência maior, com a qual as Províncias se apropriam de grandes bens (Agostinho).

57. É como a primeira Inspiração dos Anjos, para exaltar a Humanidade de Cristo, contra a soberba de Lúcifer (Bernardo).

58. É a primeira Esperança dos Patriarcas, que leva à Encarnação (Agostinho).

59. É a Rainha dos Profetas, para a qual eram endereçadas as Profecias (Jerônimo).

60. É a Fé dos Apóstolos, mediante as quais tem cumprido coisas maravilhosas (Ambrósio)”.

QUINTO SALTÉRIO

Primeiras cinquenta orações.

“61. A Ave é a força dos Mártires, com a qual vencerão todos os suplícios (Alberto Magno).

62. É a Ciência dos Doutores, mediante a qual dirigem a si mesmos e julgam (Dionísio).

63. É o Poder dos Pontífices, que esses receberam acima dos Sacramentos da Igreja: visto que mantém viva a Encarnação (Alberto Magno).

64. É a perseverança dos Confessores nos sofrimentos, enquanto obtém o Reino (Raban).

65. É a vida dos Religiosos, com a qual morrem no mundo os mais perfeitos em Deus (Cassiodoro)”.

Segundo grupo de cinquenta orações.

“66. A Ave é a Glória dos sacerdotes: através da qual receberam no Corpo do Senhor o verdadeiro e místico poder (Beda).

67. É a Pureza das Virgens, que se casaram em Deus, recusam os outros amores, se conservando angélicas (Jerônimo).

68. É o princípio e a regra do Mundo, com o qual se aprende a medir em relação a Pobres, Ricos e Nobres (Bernardo).

69. É a tolerância daqueles que se arrependem, através desta, muitos fizeram penitência, e foram salvos (Agostinho).

70. É a Auxiliadora daqueles que iniciam.

71. É a Força dos progredidos.

72. É a Contemplação dos perfeitos”.

O Esposo suplicante, depois que Jesus terminou, dá graças por todas aquelas coisas, e confessa ter visto que Jesus era tão grande, que para ele é um contínuo martírio não poder encontrá-lo até o dia do Juízo. Expressa especiais agradecimentos a Jesus que fala: visto que aquelas mesmas verdades, São Jácomo o Maior revelou a São Domingos, quando ele, na Espanha, estava próximo a morte: porém, depois daquela Revelação se renovou tanto no espírito e no corpo, que de súbito se curou.

CAPÍTULO XI

Revelação sobre a Bandeira da salvação e da perdição.

Era este o particular modo do Novo Esposo de recitar a Angélica Saudação: Ave Maria, Misericórdissima, para nós se tornou Virgem Mãe de Deus, cheia de Graças, o Senhor é contigo, Bendita és tu entre as mulheres, e Bendito o Fruto do teu Seio Jesus Cristo: homem verdadeiro e verdadeiro Deus, nascido pelos pecadores, que sofreu, ressuscitou e é honrado nos Sacramentos, o qual, Virgem, concebestes através do Senhor Santo, quando respondeu a Gabriel esta palavra muito humilde: Eis a Serva do Senhor, venha a mim segundo a tua palavra. Amém. Às vezes aparecendo a ele, a Virgem Maria recomendava esta fórmula que é muito apreciada por ela: visto que nesta estão contidas outras tantas qualidades e excelentes perfeições da Mãe de Deus, além das palavras trazidas. Enfim a Santa termina com estas palavras, dizendo: “Doce Esposo, agora te explicarei o segredo da divina Providência”.

I. Saibas, e com segurança compreendas isto que tu, aos outros, deves também manifestar sem demora: isto que é sinal provável e próximo à perdição eterna: se horrorizar, sentir tédio e descuidar da Saudação Angélica, capaz de renovar todo o mundo.

II. Para quem tem esta devoção, essa será o sinal grandíssimo da disposição e da designação à glória.

III. Por isso, quem se dirige a mim com essa Saudação, se dirigirá sempre: até me alcançar no Paraíso.

CAPÍTULO XII

Revelação de Jesus, sobre a inexplicável Paixão de Jesus Cristo.

I. O Saltério da Santíssima Trindade conforta maravilhosamente a consciência perdida: dirige quem está no erro e confirma aquele que se aperfeiçoa através dos Méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Beatíssima Virgem Maria, visto que estes (Méritos) adornam as consciências dos fiéis com as flores das virtudes, e as fecundam com os frutos dos dons do Espírito Santo. Onde narro um suavíssimo e admirável exemplo, revelado aos nossos tempos.

Um cristão, uma vez, enquanto orava muito devotamente o Saltério de Cristo e de Maria, foi sequestrado em espírito, não com o corpo, nem com a imaginação, mas com um verdadeiro milagre e com a permissão de Deus.

Neste êxtase ele sentia ser absolutamente absorvido por Cristo e quase mudado neste, sentindo sobre a testa a Coroa de Espinhos, nas mãos e nos pés (advertindo) sensivelmente as Estigmas do Senhor Jesus. O próprio querer e saber o foram subtraído e o vinha dado o querer e o saber de Cristo: como, aconteceu depois desta, via estar já no Céu e, porém observava também a si mesmo enquanto orava sobre a terra. Coisa que é extraordinária para um homem, mas não para Aquele, que só cumpre grandes maravilhas.

II. O Senhor Jesus assim dizia ao Espírito dele: “Tu e numerosos outros, maiores que ti, dizes normalmente: Eis, o Senhor Jesus Cristo somente por uma meia jornada suportou a Paixão e, visto que era Deus, facilmente era capaz de fazer isto. Ao invés, se tivesse querido, teria podido suportar coisas muito mais duras; porém, não o fez. Nós em verdade seus servos, por muitos anos, em modo pesadíssimo somos atormentados pelo mundo, pela carne, pelo diabo; nem somos Deus, nem somos de ferro. Porque então nós, assim tão pequenos, sofremos com coisas tão duradouras, enquanto Cristo completou a Paixão em um exíguo espaço de tempo? Vem então, e olhe aquilo que estou para te mostrar”. Disse. E eis, repentinamente estavam no palácio Real, e na sala Real. Aqui era presente uma jovem de inexplicável beleza, humildade, e todas as virtudes, e diante a ela estava o Anjo Gabriel, que respondia: “Eis a Serva do Senhor, faça de mim segundo a Tua Palavra”. No mesmo instante no qual terminara de pronunciar estas palavras, o Marido com os olhos, naquele momento mais luminoso do que o sol, penetrando com o olhar a parte mais íntima das vísceras de Maria Virgem, viu que tinha sido concebido improvisadamente uma criança, de natureza pequeníssima, parecia um pequeno pássaro, absolutamente verdadeiro homem em todas as partes. Enquanto Jesus exortava: “Observa atentamente”. Ele via que em cada parte da criança era presente todo o mundo e ainda, em qualquer parte do mundo, que estava dentro da criança, existia a cidade de Jerusalém, na qual ele sofreu.

E neste momento, como também mais tarde constantemente, o jovem tão pequeno não sofreu diversamente, de como teria sofrido no fim da vida. E dizia: Assim, desde o início da minha Concepção, até a hora da morte, continuamente atormentado, sofri por ti e por todos os filhos de Adão.

Observou atentamente.

III. E no mesmo instante, via o jovem Jesus na Cruz, que parecia uma árvore imensa, em um espetáculo tão miserável, que parecia que cada criatura, não só natural, mas também celeste, podia morrer pela compaixão do Crucifixo. Então a ele que olhava aquelas coisas Jesus dizia: “Eis quantas coisas sofri por ti. Que tu as saiba e as anuncie aos outros:

1. Eu por qualquer pecado particular, contínua e separadamente, sofri assim e tão asperamente, que se eu tivesse tido tantas vidas, quantas criaturas vivem sobre a terra, outras tantas vezes em todos os momentos eu poderia morrer, se Deus não me tivesse conservado em vida.

2. Suportava assim aquelas coisas, por todos os teus bens, pela perfeição moral e pela Ordenação a ser instituída em vantagem da Igreja.

3. Do mesmo modo, eu sofria tantos tormentos por cada dom de glória, quantos são o grãos de areia, quantas são as estrelas no céu, como se me fossem bastante, e me tivessem pertencido toda a vida, assim como aqueles Anjos imortais. Eu não teria sobrevivido se o poder de Deus não tivesse me mantido (em vida). A razão é que, eu era o Verbo de Deus, que tanto amava a salvação, e sentia dor pela perda de cada um, e sobretudo pela ofensa a Deus. Aquela grande dor foi tão forte, ao ponto de invadir o meu corpo, somente depois de ter possuído todos os meus pecados, naquilo que permite a Divindade. A minha glória, de fato, era tão forte, que não cabia no meu corpo, assim (assumiu) também a pena. E como a glória, assim, também a pena era igualada à esta, e também os meus méritos e virtudes”.

IV. Entretanto, vendo e sentindo essas coisas, mesmo que dentro de si sentisse Cristo, ao mesmo tempo, também se sentia dentro de Cristo, como (se fosse) guiado e movido por ele. Aproximou-se mais da Árvore da Cruz, e sentiu em um breve espaço de tempo, não sabendo como, que ele estava dentro da Santíssima Virgem Maria, como numa fortaleza e num Templo: se via todo este mundo mais resplendente e mais bonito, de quanto o é realmente.

Escutei o Jovem que grita na Cruz: Tenham piedade de mim, filhos de Adão, pelos quais sofro tanto. Agora peço que todos escutem a Paixão do Senhor Jesus Cristo; para que acolham as verdades expostas com consciências sinceras, contra os males presentes e iminentes, para que os desprovidos não sejam esmagados.

Eis: A (TERCEIRA) VISÃO DO SALTÉRIO

V. Era uma vez uma árvore de grandeza infinita, cheia de todos os frutos e sobre esta (estavam) todos os Beatos. Dividia-se em três partes, de um só tronco com três ramos. Cada um dos três ramos se dividia de novo em cinco ramos, e sobre cada um tinha um Jovem crucificado, que assim dizia a quem o olhava: “Eis quais e quantas coisas sofro. Compreendes então as coisas que vistes sobre a minha Encarnação. Três eram as realidades Infinitas nesta:

1. A Essência, ou o Verbo de Deus.

2. A União entre a natureza finita e aquela infinita do Verbo.

3. E a Soberania da Graça e da Glória.

Mas além destas, desde o instante da minha Concepção, estavam três Crucifixos de infinito tormento:

1. Do Verbo, quanto ao Desejo e à vontade infinita de dar reparação ao Pai, pelo infinito Amor aos homens, ao ponto que, se Deus fosse mortal e se tivesse podido, teria desejado morrer infinitas vezes.

Mas visto que Deus não pode morrer, por isso quis morrer em mim, enquanto era possível, em amor a vós. Homens, não reconheceis esse amor? Vós todos, devotos, considerais a dor e o amor como a minha dor e amor.

VI. Primeiras cinquenta orações.

A serem recitadas pela infinidade da Paixão do Senhor no Verbo. Esta grande Árvore é a Oração do Senhor e a Saudação Angélica: os cinco Ramos são as primeiras cinco palavras de ambas, segundo a descrição do Senhor Jesus Cristo.

Primeiro ramo:

“Ave”. “Visto a vossa liberação, de cada desastre da maldição de Eva, eis, assim eu morro na Cruz, desde o tempo da Concepção. Morro eu, o vosso Pai, seja por Criação, que por Redenção.

Mesmo que se juntem os amores de todos os Pais que foram, são e serão, porém, não chegam à mínima parte do meu amor. E o crucificais ainda com os pecados, então a eles pedidos: “Pai Nosso”.

Segundo ramo:

“Maria”. “Visto que, depois da Saudação (do Anjo) à Maria, para dar luz ao mundo, sofri crucificado. O Ser dos seres, aquele que existe em todas as coisas, através da essência, da presença e da potência, na forma mais verdadeira de quanto a vossa alma exista em vós.

Admitido que a morte do corpo seja dolorosa, mas o quanto é ainda mais a da alma? A minha foi infinitamente mais cruel. Onde está a vossa compaixão?”.

Terceiro ramo:

“Graças”. “Visto que, para obter a Graça ao mundo, fui crucificado, com dor e por amor. A Luz e a Glória dos Céus. Se surgisse a morte nos Céus, todos os seres vivos morreriam: Eu sou mais necessário na vossa vida: Eu em relação a vós sou inflamado pelo fogo do Amor, mais do que, se todas as coisas criadas fossem um só fogo e é deste modo que vós devolveis o afeto?

Quarto ramo:

“Cheia”. “Visto que, sendo Crucificado, sofro com a infinidade absoluta da dor, do amor e do mérito, para distanciar a vossa futilidade com os bens, e para dar a minha plenitude de Graça e de Glória.

O Santo dos Santos, “Seja santificado”. Unidas as mortes de todos os mártires, de todos os seres vivos, os tormentos e as cruzes em uma só, não haveria comparação à minha, será semelhante ao infinito. Haveis compaixão de um animal sofredor e moribundo: onde está a compaixão por mim?”.

Quinto ramo:

“Senhor”. “Visto que, pela liberação dos homens da escravidão do diabo, pela aquisição do Reino e do Domínio assim Eu sofro.

Quem são? O vosso Senhor nobilíssimo, liberalíssimo, amabilíssimo, ao qual dizes: “Il Tuo Nome”, ao qual todas as coisas se ajoelham, no qual fostes batizado, e tivestes o nome e o dom Cristão, e a inscrição no livro da vida. Em nenhuma língua se poderá pronunciar, a sua morte, nem menos naquela de todos os Anjos. E vós porque não ouvistes a mim que me lamento sobre a Cruz? Tenhais piedade de mim ao menos vós, meus amigos. Vês os inumeráveis tormentos e as mortes, na (minha) única morte, e no meu tormento. Observais estas coisas. Assim sou atormentado ao máximo em cada um dos cinco Ramos, pela vossa violação dos Dez Mandamentos de Deus. Eis os cinquenta tormentos, e as mortes de infinito amor, dor e mérito.

Porque então não me honrais ao menos com cinquenta Saudações Angélicas? Assim me re-amais? Assim, vós haveis se tornado culpado junto comigo? E como podereis reinar e exultar junto comigo?”

VII. Segundo grupo de cinquenta orações.

A ser recitado pela infinidade da Paixão do Senhor, derivada da união da natureza divina com aquela humana. “Prestes atenção ao gênero e a suma perfeição da minha Crucificação, a partir do gênero da união acontecida”.

Primeiro ramo:

“Contigo”. “Eis, o Verbo Encarnado aqui Crucificado, para que o mundo tenha consigo o Deus pedido, depois de ter renegado o Diabo. Qual Verbo? Aquele ao qual se pede: “Venha o vosso Reino”. É o Rei dos Reis. De qual morte morrerei? Inexplicável, inestimável, incessante até o fim do mundo. Se o servo de um Senhor, ou de um Rei, que são (seres) mortais, não sofressem junto com ele, o servo seria considerado um traidor. E quem sofre junto comigo? Muitíssimos ainda me crucificarão novamente”.

Segundo ramo:

“Bendita”. “Aqui sofro pela união entre o homem e Deus, para que o gênero humano receba a benção. O Senhor da liberdade, da qual recebeis a liberdade Natural, Moral, Espiritual dos filhos de Deus.

“Seja feita a vossa vontade”. A morte foi maior do que todas as vontades criadas de cada um e unidas em uma só. Desgraça àqueles ingratos, que não honram o libertador! Desgraça àqueles que o ultrajam! Serão escravos eternamente no Inferno à disposição dos demônios.

Terceiro ramo:

“Tu”. “Aqui sofro pela união entre Deus e o homem, para que se conheça a divindade, manifestada abertamente a eles. Sofro com aquele que primeiramente move, e dá impulso a todas as coisas; se este parasse, pereceriam todas as coisas, a ele pedidas: “Como no céu”, no qual está Aquele que primeiramente move todas as coisas que tem impulso.

Se alguém desde o início até o fim do mundo tivesse que suportar todos os raios, os trovões, as tempestades do céu, não chegariam, porém, ao mínimo da minha pena”.

Quarto ramo:

“Entre as Mulheres”. “Aqui sofro por causa da natureza humana unida com a Divina, para obter para os mortais, a amável misericórdia. Aquele que mantém a terra, forma todos da terra, “Assim na terra”. Se todas as coisas que estão na terra se incendiassem, fossem submersas pela água, fossem mordidas pelo corvo, esquartejadas pelos animais, etc., até ao fim do mundo, isto seria nada em confronto com a minha Paixão. Por isso os cruéis, que não sofreram comigo, serão devorados como Datan e Abiro; serão incendiados como Sodoma, etc.”.

Quinto ramo:

“E Bendito”. “Aqui sofro, como homem Deus, como um maldito, para obter a todos as oito Beatitudes. Aquele que nutre todo o mundo e cada um com “o nosso pão cotidiano”. A fome e a sede de todos, até o fim do mundo, não seria nada em relação ao meu tormento pela sede.

E não tens compaixão por aquele que te nutre? Tu, então, trazes a mim o segundo grupo de cinquenta orações, com aquele número e medida mínima (do Saltério), visto que, naqueles cinco gêneros e graus supremos da Crucificação, eu sofri e estou morto para dar aos homens as Dez Virtudes: isto é, as três Virtudes Teologais: Fé, Esperança e Caridade e as quatro Virtudes Cardeais: Prudência, Justiça, Temperança, Força; as três Virtudes Morais: Humildade, Alegria espiritual, Liberdade, em relação a Deus e aos pobres”.

VIII Terceiro grupo de cinquenta orações.

Orar pela incomensurável Paixão do Senhor, sofrida pela Alma de Cristo. “Triste é a minha Alma até a morte, assim como a morte na Cruz, e este é o objetivo da minha Concepção, na parte inferior (da alma); de fato a parte superior da alma sempre foi feliz na Visão e incapaz do contrário. A causa da minha dor era a infinita caridade, a graça e a virtude, a piedade e o ódio do pecado. A minha alma quis conformar-se em todo o Verbo e a União (entre a natureza divina e aquela humana), porque sentia compaixão, por quanto era possível à vontade. Ora, vice-versa, o Verbo levava à Alma uma dor infinita, que a minha infinita Vontade trazia, desejando sofrer muitas coisas também maiores. Então compreendi os graus supremos da Paixão”.

Primeiro ramo:

“O Fruto”. “é a permissão, para ter no mundo os doze frutos, que são: Alegria, Paz, Paciência, etc. Aquele que dá todas as coisas e ao qual orais: “Nos dê hoje”. Se todas as mentes exaltadas por todos os tiranos inventassem tormentos diversos e cruéis, estes todavia em confronto aos meus nada seriam. De fato, nada do que é material pode ser comparado ao espiritual. Se uma maçã ou um pão de pouquíssimo preço, pudesse salvar uma vida, não o negarias, e à minha alma não dás o teu afeto e a tua força?”

Segundo ramo:

“Ventre”. “Eis a passagem, para regenerar todos como filhos adotivos de Deus. Aquele que tem a chave de Davi para amarrar e para desamarrar, etc., ao qual oras: “E perdoe os nossos pecados”. É tão grande cada falta que, se cada tormento da alma fosse transformado em tormento do corpo, todas as coisas corpóreas morreriam. Se tivesses sofrido tanto com os demônios, terias podido se salvar, e não temerias sofrer na minha Graça”.

Terceiro ramo:

“Vosso”. “Eis, é a Permissão para arrancar os homens da escravidão do pecado e do Inferno. O Rei da Misericórdia, ao qual oras: “Como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Com uma (justiça) maior, do que aquela (dada) a todos os condenados. A Glória de Cristo, por natureza, supera aquela de todos os Beatos, assim como a tristeza da minha alma supera qualquer outra. Alma ingrata aquela dos homens, que retribuem (a minha) compaixão (com isto).

Quarto ramo:

“Jesus”. “Eis, é a Permissão, para que o mundo se salve através de mim. Quem sou eu? Aquele que livra de toda a tentação e sofrimento ao qual oras: “E não nos deixeis cair em tentação”. Recolhe todas as tentações, tribulações e mortes que foram, são e serão, todas são nada, em confronto com a minha (morte). A minha (morte) é de fato, de maior dignidade, consideração, amor, etc., as quais não tem nenhuma medida nem limite”.

Quinto ramo:

“Cristo”. “Eis, é a Permissão, para obter de mim as unções dos Sacramentos. O forte e potente na batalha contra todo o mal, ao qual oras: “Mas livrai-nos do mal”. Com aquela imortal, visto que é infinita a vontade, o amor e a dor de morrer por cada pecado, para o pecador e para o mundo”.

Verdadeiramente tão pequena é a compaixão dos homens por mim, que estou presente, governo, imploro, sirvo, salvo todos em todas as coisas.

Ingratos! Eis as coisas que sofrerei sobre estes cinco ramos da Cruz, para reparar os vários Coros dos Anjos, para salvar uma décima parte dos homens. E não deveria ser saudado cinquenta vezes mais devotamente e assiduamente nas cinquenta orações do Saltério? A Saudação Angélica foi o início da minha Paixão, como também da Encarnação e do Evangelho.

“A minha Paixão material não pode ser maior, em base a Potência de Deus”.

IX. Ditas estas palavras, eis, ele via que inumeráveis almas eram levadas do mundo, na voragem, por inumeráveis demônios.

1. Ouvi terríveis gritos.

2. Vi a Justiça divina, transportada por um cavalo vermelho em corrida, voar para devastar o mundo. A ele foi dito que esta, desde então, ameaçava o mundo.

3. Por isso a Clemência de Deus indicou os remédios, no Saltério de Cristo, a serem pedidos com as orações através da Mediadora Mãe de Deus, a qual Deus nega.

4. Enfim uma voz muito terrível soou com estas palavras: Uma vez só através da Saudação Angélica regenerei todas as coisas através do Filho; através da mesma (Saudação), também agora quero regenerar todas as coisas através do Filho; através da Saudação, também quero regenerar o mundo depravado, através daqueles que querem louvar- me no Saltério e conservar as consciências.

CAPÍTULO XIII

Sobre as penas do Inferno: Revelação (feita) ao Esposo de Maria.

I. Visto que a oração, segundo Santo Ambrósio, é o melhor remédio para reconciliar os homens com Deus, e a Rainha das orações é o Saltério, por isso nesta oração existe uma grandíssima força: tendo especialmente a força da Vida, da Paixão e da Glória de Cristo, com o acréscimo dos Méritos da Mãe de Deus e dos Santos.

II. Um devoto no Saltério de Cristo, principalmente à Paixão, sentiu forte e frequentemente no seu corpo, a Paixão de Cristo. Ele, enquanto celebrava a Santa Missa, viu na Sacra Hóstia, Jesus Crucificado, e o ouviu, dizendo: “Tu me crucificas pela segunda vez. E ele disse: Senhor Jesus Cristo, como posso cometer um delito tão cruel? E o Senhor disse: Os teus pecados me crucificam. Prefiro ser crucificado, a ver Deus ofendido pelos pecados, com os quais tu já o tinhas ofendido. Mas, ainda agora, me crucificam se não com o ato, mas com a omissão. Tens a ciência, a faculdade e o dever de pregar: és culpado dos males que podias proibir, se pregas o meu Saltério.

Mas te tornastes um cão mudo, incapaz de latir, enquanto o mundo está cheio de lobos. Se não corrigires, juro pelo Pai Onipotente, continuarás a comer o errôneo alimento dos mundanos.

III. Depois desse discurso, eis, viu se abrir uma voragem infinita, e nesta estavam deitados Eclesiastes, Religiosos, Príncipes, Soberanos e muitos outros; e fogo, pedra, neve, gelo e o vento das tempestades eram uma parte do cálice deles, do mesmo modo, (eram) serpentes e aquelas coisas que o mundo entende muito desagradáveis. Nessas coisas, estavam submersas, até a sumidade, os impunes, que gritavam ferozmente.

Em torno a eles estavam demônios, com a aparência de mulheres e não se pode imaginar nada de mais torpe já que estes monstros com lanças ardentes, queimavam, depois de ter ferido, os órgãos sexuais daqueles que estavam deitados, e nos corpos nus deles entravam serpentes ardentes, najas, sapo, etc.; e vinham outras larvas que os atormentavam, mais ferozes do que as outras. Ele reconheceu muitos, que antes trabalhavam entre os vivos. E a ele Jesus disse: “Este (será) o teu repouso, se deixares de pregar.

Anuncies o meu Saltério: e juro: eu lutarei, com toda a Corte celeste, contra todos aqueles que se opuseram a ti. E faças aquilo que pregas, para que não ti tornes como estes que dizem e não fazem”.

CAPÍTULO XIV

Visão estática da compaixão em relação a Cristo sofredor.

I. Uma vez o dito Esposo de Maria viu que todas as coisas estavam para morrer com Deus, como se todas as criaturas, no céu e na terra, tivessem compaixão por Cristo sofredor, com um luto e um choro, digno de admiração. Aquele que viu tais coisas ficou tão desorientado, que acreditou que deveria morrer. Mas a mão do Senhor o confortou e o levou ao alto, e uma voz disse: “Temos tanta compaixão do Senhor: não só a compaixão da sua vontade e do (seu) desejo”.

II. E aparecendo a ele a Santíssima Trindade, como se chorasse largamente, disse estas palavras: “Vistes estas coisas, não para que tu acredites que dentro de mim estejam tristeza e dor, mas para que tu entendas que, se eu tivesse um corpo mortal, podendo conter a Divindade, também choraria e sentiria a mesma dor, junto com o Filho sofredor. E se tu como os Beatos, me observaste com uma elevada compaixão, certamente não tolerarias a ti mesmo, e sentirias uma grande dor por Jesus sofredor, (embora sempre menor) em relação àquela da sua Mãe, quando ele em lágrimas estava na Cruz”.

III. Depois se voltou a Jesus, com uma grande amabilidade, o perguntou: “Jesus, e tu sentistes dor?” E Jesus (respondeu):

1. “Não pelo evento em si, de fato, este passou uma vez a favor dos pecadores, para que se salvem.

2. Então, mesmo não Crucificado na carne, estou nos membros, na Igreja e nos pecados cotidianos, que estão mais enfraquecidos do que a crucificação sobre o Calvário; o afeto deriva da vontade, não dos sensos, e assim queria sentir dor, se ainda tivesse um corpo mortal. Porque Eu, Advogado dos pecadores, facilmente acalmaria a Justiça Divina se os miseráveis usassem o meu Saltério, e participassem deste modo aos meus méritos!”.

CAPÍTULO XV

Porque quinze Orações do Senhor no Saltério?

São Bernardo, caríssimo Esposo de Jesus e de Maria, orava muito a Jesus, na compaixão a Cristo sofredor, por conhecer, o que era mais necessário para se conformar a Cristo, e, entre todos ele destacou-se por ser amabilíssimo na reverência (a Jesus sofredor).

Ele tocou as estrelas (feridas) da paixão do Senhor e durante o êxtase, com a abundância da mente, viu Cristo, com o rosto e o vulto, de quando foi conduzido à morte. Um espetáculo de compaixão e de lágrimas, até para as pedras! Depois São Bernardo, que chora junto a todos, ouviu uma voz: Bernardo meu, me ajude porque sofro tantas penas por ti. Ele socorrendo levava a Cruz nas costas: Permita-me, Senhor, que eu sofra isto, disse. E a ele o Senhor disse: Qualquer um que ame levar a Cruz, comigo que ore todo o dia por mim que sofro, quinze Pai Nossos e Ave Marias, por um ano inteiro, e terá cumprido o número das minhas feridas. O número de feridas seria cerca de cinco mil quatrocentos e sessenta e cinco.88

88 Este número resulta da multiplicação do número de quinze orações, pelos trezentos e sessenta e cinco dias do ano.

CAPÍTULO XVI

Porque no Saltério existem cento e cinquenta Saudações?

Revelações da Santíssima Virgem Maria.

Exaltamos ao escutar isto da Santíssima Virgem Maria, que nos deu vinte razões.

“1. Visto que no Saltério de Davi existem cento e cinquenta Salmos, nos quais estão contidos simbolicamente o Pai Nosso e a Ave Maria, como o fruto está contido na flor.

2. Visto que recebi cento e cinquenta exaltações espirituais, de enorme valor, durante a concepção (imaculada) e a gestação do (meu) Filho, com êxtase, visão, revelação e inspiração.

3. Visto que tive cento e cinquenta exaltações, durante o nascimento e aleitamento do (meu) Filho.

4. Visto que tive cento e cinquenta exaltações durante a Pregação do (meu) Filho, pelas suas palavras e obras.

5. Visto que suportei, durante a Paixão do (meu) Filho, cento e cinquenta mil grandíssimas dores, de todos os tipos. Por quanto, de fato, amei, também senti a dor da compaixão.

6. Por causa dos cento e cinquenta principais dons, que Cristo trouxe ao mundo, desde o seu ingresso neste, até a sua saída.

7. Morri das cento e cinquenta Dores, que Cristo sofreu, cada uma das quais teve dez referimentos: I. A Deus; II. À própria alma; III. Ao corpo; IV. Aos Santos; V. A mim; VI. Aos Discípulos; VII. Aos Judeus; VIII. A Judas; IX. Aos povos; X. Às almas do Purgatório. Depois sofreu sumamente em quinze coisas, ou seja, nos sentidos: nos cinco interiores, nos cinco exteriores e nas cinco potências superiores, que (são) o Intelecto, a Vontade, a inclinação à concupiscência e à ira, e a força motriz.

8. Pelas cento e cinquenta exaltações do (meu) Filho, e também minhas, por causa da sua Ressurreição.

9. Pelos cento e cinquenta Frutos da Paixão do Senhor.

10. Pelas cento e cinquenta Virtudes Principais pela Salvação, que são as (Virtudes) Teologais, Cardinais, Capitais, Morais, as oito Beatitudes, etc.

11. Pelos cento e cinquenta mil Vícios opostos àquelas Virtudes.

12. Pelas cento e cinquenta misérias do mundo, que são: fome, sede, frio, calor, nudez, infâmia, injúria, doença, discórdia, fogo, inundação, feras, escravidão, ignorância, etc. e as coisas parecidas com estas.

13. Pelas cento e cinquenta ameaças de morte, que são: enfermidade, tristeza, terror, hesitação, sarcasmo dos demônios, remorso da consciência, perda dos bens, privação do uso do membro, impaciência, enfraquecimento, e as coisas semelhantes estas.

14. Pelos cento e cinquenta terrores do Juízo que são: terror do Juízo, terror daqueles que assistem o insulto dos demônios, a manifestação dos pecados, a infâmia infinita, o temor, o medo do remorso, a desesperação, a malvadeza, o desejo da morte, a ira que nasce das criaturas; e as coisas semelhantes a estas.

15. Pelas cento e cinquenta maiores penas do Inferno, diante de outros vícios, e coisas parecidas (estão também no Purgatório. Tais realidades são imensas, a alma, o corpo, os demônios, Deus, o lugar, o fogo, os sentidos, a glória perdida, a eternidade da condenação).

16. Pelos cento e cinquenta gáudios da beatitude.

17. Pelas cento e cinquenta exaltações completas da Virgem Maria e de Cristo, no Céu.

18. Pelas cento e cinquenta principais Ajudas que serão dadas aos Salmodiantes.

19. Pelos cento e cinquenta dias, ou outras horas, de premonição sobre a morte, que serão dadas aos devotos Salmodiantes: durante as quais, se dispõem a demora da sua alma.

20. Pelas cento e cinquenta exaltações especiais que serão concedidas aos Salmodiantes, em nome da reverência demonstrada no Saltério: “as quais joias, corresponderão iguais prêmios (para os devotos) da Coroa”.

A estas palavras, o Esposo (disse): Maria, docíssimo júbilo do coração, que considerasse estas coisas, gastaria tudo nos louvores do teu Saltério. E a ele a Esposa: Digo a ti: os Beatos na Glória, sem parar repetem o Pai Nosso e a Ave Maria, em maravilhosas exultações, agradecendo Deus pela glória dada, e orando pelo mundo.

CAPÍTULO XVII

Nascimento, Estatutos, Frutos e Estado da Fraternidade.

Revelação de Maria ao Esposo.

I. Aparecendo uma vez, a beatíssima Maria ao seu Novo Esposo disse: “Doce Esposo, observa com atenção que revelarei a ti coisas belas, diversas, úteis, e certamente que devem ser conhecidas. Algumas dessas revelei ao teu Beatíssimo Pai, o meu Esposo Domingos, no dia festivo da Anunciação do Senhor, com milagres. Para que todos no mundo saibam a Revelação que ele teve, faças com que todos escutem a Mãe da Verdade, que narrará do caríssimo Esposo Domingos e da Confraternidade. O início do Saltério está sob o meu Nome, através de (São Domingos): os Irmãos da Confraternidade eram chamados Irmãos de Jesus Cristo e da Virgem Maria, pela figura do Saltério Angélico, que era pregado”.

NARRAÇÃO

A origem da Confraternidade do Saltério.

II.1. São Domingos, revestido de Virtude do alto, se tornou um homem verdadeiramente Apostólico, pregando, percorreu as terras da Espanha (nas quais já antes o Sarraceno, inimigo do Nome Cristão, se difundiu), e ensinou as suas doutrinas saudáveis: quando já olhava aos outros povos que estavam em volta. Quase quinze anos antes do glorioso dia da sua morte, ainda não tendo iniciado a Ordem Sagrada dos Pregadores, enquanto era ainda um professor Canônico, sob a Regra de Santo Agostinho, com o companheiro de peregrinação Frei Bernardo, perto de São Tiago de Compostela, caiu nas mãos dos piratas. Estes conduzem o excelente e as riquezas roubadas, tendo sido ambos raptados, na frota dos seus navios.

Depois de tê-los interrogado várias vezes, e depois de tê-los maltratado com flagelos, os entregaram aos serviços mais baixos, os remos. Estes como cordeiros entre os lobos malvados, confiando no Nome de Cristo, e confiantes de suportar todas as coisas, sendo o Espírito superior de um homem, suportam corajosamente, mas não renunciam por nada aos costumeiros louvores de Deus, (os quais faziam) de noite e de dia, se bem estivessem em meio aos chefes bárbaros dos traiçoeiros piratas.

2. Depois de três meses de duros trabalhos nos remos, com os (piratas), os tendo suportado com uma extraordinária paciência: Quando eis, Eu (estas são as palavras da Santíssima) Mãe de Misericórdia, olhando o meu caro esposo, me comovi por ele, com todo o íntimo da Caridade. Estando eu irada com os malvados, do momento em que quis e dispus, enquanto os mesmos atravessam rapidamente o mar, o céu mudou totalmente e recobriu-se de nuvens negras, veio uma noite amedrontadora; fiz soprar os ventos, que se lançaram sobre o mar: se desencadeou uma tempestade terrível, os raios relampejaram, os céus ecoaram; os mares se revoltaram; todas as coisas flutuavam. Uma densa chuva se descarregou sobre os malvados: terias dito que o céu estava vindo abaixo. O mar também estava profundamente agitado; e furiosamente se revoltava. Quaisquer coisas fizessem os inimigos, com as velas, com os remos, não obtinham nada, enfim desesperados se lamentavam do destino.

3. Ao contrário só São Domingos junto ao companheiro, não estava confuso nem aflito com estes acontecimentos; eles, tendo uma alma viril, e tendo sido confortados pelo Espírito, São Domingos tentava revigorar as almas dos piratas, com a habitual pregação. “Irmãos”, disse, “a coisa é feita por Deus, que está irado. As ameaças sobre todas as coisas terrestres e celestes; a ira tão grande dos ventos e das ondas, são manifestações da ira de Deus. Se acalmamos a Deus, se acalmará todo o resto. Os vossos crimes impulsionam fortemente a Direita vingadora de Deus, e incomodam os mares. Desprezáveis são as vossas almas e estão condenadas; peçais perdão a Deus: invocais e suplicais a auxiliadora Estrela do mar, Maria Mãe de Deus; tenhais fé; aprendereis a conhecer (nesta) o Senhor, maravilhoso e a vós propício”. Disse isto, mas em vão.

4. A crueldade daqueles desesperados se tornou fúria, e agiram com ira, contra aqueles que os ensinavam coisas justas; ultrajaram São Domingos e seu companheiro com escárnio, como se se tratassem de um delírio; alguns os bateram com chicote; e aconteceu então o que é de mais grave podia ocorrer: ofenderam a Deus e à Santa dos Santos com grandes blasfêmias, e então aconteceu que com os exemplos, ao invés de arrependerem-se, se mancharam com sacrilégios.

Alguns destes, de fato, cegos pelo caráter Sarraceno, tinham repudiado a Fé, outros ao invés, cobertos de crimes, tinham abandonado a penitência. O homem de Deus, que exaltava Cristo, com satisfação recebia as pancadas e ofensas, enquanto se voltava a Deus. Com a alma e as orações, ele pedia perdão pelas blasfêmias dos ímpios.

5. Na (segunda) noite, aumentou a tempestade (era o dia anterior à Anunciação Beatíssima, que seria o dia sucessivo), e a mesma (festividade) estimulava o zelo de Domingos, em tentar levar novamente a veneração de tão grande rainha da piedade, com um delicado Sermão, os corações cruéis dos malvados, que já choravam a própria ruína. O zelador das almas e o salvador dos desesperados começava falar, muito humilde e devotamente, para acalmar os violentos. No que foi possível, os convidou a orar a Deus, o Salvador Jesus e a Salvadora Maria.

6. Quando os piratas ouviram os doces Nomes se iraram ainda mais e tornaram-se ainda mais violentos, e blasfemando Jesus e Maria ainda mais do que antes. Domingos, porém, não teve o tempo de proferir as últimas palavras, quando uma onda enorme irrompeu com ímpeto, surpreendendo a todos, e ameaçava uma ruína iminente. Então o encontro dos vencidos, os furacões, o tumulto das ondas e a dúplice noite, jogou fora (dos navios) os mau resolvidos. O capitão foi lançado fora do barco e pereceu entre as ondas; os remos caíram e se quebrou o timo: a proa da nave se rompeu e o barco naufragou: e a espera pela morte foi mais cruel do que a própria morte.

7. Estes então foram vencidos pela violência da tempestade, como se as ondas não quisessem os engolir: era iminente a solene vitória da Virgem da Anunciação, enquanto o sol surgia e já iluminava a escuridão. São Domingos enquanto isso se dedicava às orações à Anunciada com diligência. A preocupação com a salvação dos piratas desventurados o tornava inquieto; enquanto orava a Ela, eis a sua Advogada Maria, que apareceu somente a ele, e na luz do dia, se aproxima resplendente ao Esposo, e diz: Força Domingos: para o bom êxito da salvação lute fortemente; os piratas estariam perdidos, se tu não os salvasses. Coragem, visto que se tu quiseres, graças as tuas orações, eu guiarei o navio com os indignos salvos através deste ventinho: pelo teu amor, perdoarei os sacrílegos, que não perdoam nem a mim, nem a ti. Um tipo de castigo será (para estes) ter retardado o castigo, dado que sobre estes se abaterá ainda mais grave. Darás a eles uma escolha livre: que apodreçam pela eternidade ou que acolham o meu Saltério e conduzam uma vida mais honesta, iniciando, junto contigo, que é o fundador, uma Confraternidade que se intitulará a Jesus e à Maria. Se isto agradar aos malvados, parece justo dispor que, após o sinal da Cruz, a tempestade se acalme. Eu mesma acalmarei o Filho em relação a eles. Se não for assim, só tu com o teu irmão, avançando sobre as ondas, saireis delas e do mar, e os outros serão engolidos pelo Inferno. “Anuncia com segurança a estes o quanto eu te digo”.

8. Assim São Domingos, contou as ameaças e as ordens aos piratas: explicou sobre a ira que os ameaçava de morte e a força do Espírito diminuiu a resistência dos piratas à palavra divina: se rompeu os corações duros como o aço, os desnudou, e depois de tê-los vencidos, contentemente os abraçou. Enfim com um discurso melhor, ensinou os ignorantes, sobre Jesus, Maria, o Saltério de ambos e a Confraternidade; ensinou-os a fazer penitência e os convenceu, enquanto Deus penetrou devagarzinho no íntimo dos que choravam. Com este final a grande tempestade se acalmou, através da Cruz e da palavra. As palavras e os desejos de todos os suplicantes passaram a ser unânimes: executariam as ordens, e ele só os deveria comandar.

Renunciando a perfídia, aos crimes, a vida passada e a também si mesmos, com um grande lamento, se obrigavam à penitência. Eles receberam da mão de seu Salvador, o Saltério, o aceitando e reunindo-se, em uma só e nova Confraternidade, sob o sinal de Jesus e de Maria, e sob o Saltério.

Humilhados, cheios de lágrimas, cobertos de trapos desolados, jogavam-se aos pés de Domingos, enquanto ele os tirava (da água), e invocava perdão e ajuda.

9. De fato, depois desta palavra: Em nome de Jesus Cristo e da sua devota Mãe, tudo o que estava em volta silenciou, realizou-se o silêncio e a segurança; mas dentro do navio, notava-se que a morte tinha entrado. A tal ponto que a roda da proa, os flancos do navio foram destruídos e o fundo foi quebrado, pela colisão com uma rocha. Ondas abundantes entravam sobre o navio como no mar e os piratas nadavam mesmo estando dentro do navio. Todos ficaram surpresos pelo milagre que, com a chuva, a tempestade das ondas, a água que penetrou pelos buracos no casco do navio, nem mesmo uma gota de água tinha tocado Domingos, o único que tinha permanecido enxuto. Então, com a certeza da presença de um Santo e seguros que o navio não afundaria, não deixavam de pedir ajuda. Mas improvisadamente todos assistiram a um espetáculo celestial.

10. A Augustíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, passou sobre todos brilhante em uma intensa luz e maravilhosa em sua majestade, amável na graça, notável no vulto e na nobreza. Ela provocava maravilha e horror: os corações palpitavam com esperança e medo e enquanto estavam com os rostos atentos e com os olhos fixos, assim fala a Santa: Homens com sorte nesta desgraça! Tenham confiança! Escutaram o meu Domingos! Escutem-me! De Domingos aprendeis a fé em Jesus e em Maria: a piedade e a virtude do homem recebem a recompensa divina. Assim Eu salvo, aqueles que se recolhem sob as insígnias do meu Saltério. Antes, somente ele me via, eu estava escondida de vocês porque não eram dignos, não me reconheceram, e me tratavam hostilmente: agora, vos agrada que eu seja visível e seja reconciliada, que esteja (aqui) e que esteja em paz com vocês, para ser acreditada! (E este) porque mais diligentemente executou os meus comandos, e mais devotamente cumpriu as promessas. Após estas palavras ela, voltando-se para o Céu, desapareceu.

11. Quando todos voltaram a si, descobriram-se salvos juntamente com o navio: se surpreenderam que antes o que estava destruído pelas águas, quebrado, despedaçado, horrível, agora estava todo intacto, integro e salvo. Maravilhados estavam atônitos e silenciosos. Como em um porto, observam o céu e o mar, de todas as partes: aproximando-se docemente uma plácida onda, esta levantou o navio e a fez navegar.

12. Então, o Santo Padre Domingos, pelo secreto conselho da Esposa, fala àqueles que conservam profundo silêncio, e que não conhecem nem a si mesmos. Homens irmãos: esta é a mudança provocada pelo Direito do Excelso; esta é a Graça de Jesus Salvador; esta é a Misericórdia de Maria Mãe de Jesus. Louvais a Deus, glorificais a Jesus, magnificat Maria, saudais Maria que se preocupou com o naufrágio.

Cantais ao Senhor o Cântico Novo do Saltério, porque Ele realizou maravilhas.

Certamente orarei ao meu Deus, e à Santa enquanto estiver vivo. A auxiliadora Maria nos trouxe aquelas bagagens, aquelas mercadorias, as coisas, que vós jogastes do navio, durante a tempestade para torná-lo mais leve: encontrareis todas as coisas inteiras, na praia Britânica, evitais somente as terras negativas, e confiais nos ventos mais favoráveis às velas.

13. O medo, o amor, a maravilha e a honra de Deus e da Santíssima, tinham amordaçado a boca e a voz dos homens: porém, gritavam profundamente as almas dos silenciosos. Com dificuldade, tendo cada um dado graças em silêncio, todos emitiam estas poucas palavras: Jesus, Maria; prometo que: a Deus cantarei um Cântico novo: sobre o Saltério de dez cordas, salmodiarei ao meu Deus, enquanto eu estiver vivo.

14. Logo depois, no escuro em torno do navio, como se estivesse longe, se ouviram horríveis gritos e lamentos de demônios: Maldição, gritavam, somos amaldiçoados! Este Domingos nos vence e infinitamente nos atormenta.

Ah! Rouba o nosso botim, liberta os nossos escravos; faz dos nossos prisioneiros os seus libertos e nos acorrenta com o seu Saltério, nos flagela com suas cordas, nos coloca no cárcere entre os prisioneiros, e nos relega acorrentados ao Inferno. Somos amaldiçoados.

15. O navio manteve a rota, e se aproximou do porto Britânico, e tendo superado regularmente todos os perigos, cantavam o saudável Cântico do Saltério. Ali reencontraram todas as coisas que tinham lançado ao mar: também os vinhos, que muito tinham lançado junto aos vasilhames: agora, de maior valor em relação à antes.

Convertidos em outros homens, estes vieram santamente à Confraternidade e se dedicaram ao Saltério, nos solitários institutos de Penitência.

Estatutos da Confraternidade do Saltério

III. Logo depois, a Rainha do Saltério e Patroa da Confraternidade, define essa mesma (Confraternidade) com os seguros termos das leis. E quer que essas sejam estabelecidas e perenes: assim as ditou a São Domingos:

I. “Essa minha Confraternidade do Saltério, deve ser fundada em nome de Jesus Cristo e da Virgem Maria. Todos podem participar da Confraternidade basta que observem os ritos indicados nos Estatutos: declarem que perseverem nesta Confraternidade, e ao mesmo tempo inscrevam o nome deles no Registro. E estes nomes, como também aqueles dos mortos, sejam lidos publicamente uma vez por ano”.

II. “O princípio dessa Confraternidade é que, todos os méritos de cada um e de todos, sejam comuns a todos”.

III. “Se estas decisões e ritos forem pouco observados, não comportarão nenhuma culpa, mas serão penalizados com a privação (dos méritos); e para cada omissão, serão privados de participar à recompensa, e este limitadamente às orações (não ditas); permanecendo intacta a participação a todos os outros méritos da Confraternidade”.

IV. “Pelo acolhimento e ingresso nesta Fraternidade, não se pagará nada: a não ser de espontânea vontade, para cobrir o preço dos ornamentos da Igreja, das lâmpadas e das outras coisas necessárias ao culto divino, de acordo com a devoção de cada um”.

V. “Todos os anos se celebrará três Missas: a primeira pela Santa Cruz, a segunda pela Rainha (Maria SS.), a terceira pelos mortos da Confraternidade. Aqueles que não são Sacerdotes, uma vez por semana rezarão um Saltério. Nos dias de festa solene, além do (Saltério) semanal ao Filho, também me oferecerão um Saltério inteiro. As crianças, os doentes e os outros, aos quais é impossível rezar todo o Saltério, podem oferecer cada dia um Pai Nosso e uma Ave Maria. Estas orações favorecerão também os mortos, que eram inscritos e serão partícipes igualmente, através da forma do sufrágio”.

VI. “No que se refere ao ingresso na Confraternidade: cada um deve confessar-se e receber a SS. Eucaristia no mesmo dia, ou em outro momento oportuno. E devem rezar ao Filho pela oferta, e a mim em consequência, por sete vezes o Pai Nosso e a Ave Maria, contra os sete pecados capitais, em favor dos Irmãos e das Irmãs”.

VII. “Além da Confissão Pascoal, devem confessar-se (ao menos) três vezes por ano: na festa de Pentecostes, de São Domingos e no Natal”.

VIII. “Para um morto ou uma morta da Confraternidade, cada um orará um Pai Nosso e uma Ave Maria, estarão presentes às suas honras fúnebres e a cultuarão em turno, para que se salve”.

IX. “Esta regra da Confraternidade, será fixada publicamente em uma mesa, para que possa ser conhecida a todos”.

X. “Enfim, assim como as coisas ditas acima, estas não são ordens, mas conselhos.

1. Quem cada dia quiser oferecer Missas e o Saltério de Maria, com cento e cinquenta Ave-Marias e quinze Pai Nossos, fará bem.

2. Fará melhor, quem oferecer o Saltério de Cristo, com cento e cinquenta Pai Nossos e quinze Pai Nossos e Ave Marias.

3. Fará ainda melhor: quem recitar o Saltério máximo de Cristo e de Maria, com cento e cinquenta Pai Nossos e Ave Marias, e com cento e cinquenta Creio, Pai Nossos e Ave Marias.

4. Muito melhor é aquele que, com leves auto-flagelos de disciplina, oferecer um destes Saltérios como orações.

5. “Enfim depois, superará todas as medidas, aqueles que acrescentarem às coisas já ditas, a alma como a vida, vale dizer a meditação da Vida, da Morte e da Glória de Cristo”.

“Nada me agrada mais do que ir ao sacrifício três vezes Santíssimo da Missa e após realizar o descrito acima. Por isso certamente a ajuda do Filho e a minha proteção serão certas aos nossos Salmodiantes. Eu a esses serei Mãe, Mestra e Amiga e meu Filho a esses será Pai, Mestre, e Amigo. E assim quero que entendam, esperem e confiem em ambos”.

Frutos da Fraternidade do Saltério

IV: Além, caríssimo Domingos, quanto mais tu estás no coração daquela Confraternidade, e todos mais claramente conhecem os excelentes Frutos da mesma, ti manifesto alguns entre estes (Frutos).

Primeiro Saltério: Primeiro grupo de Cinquenta.

1. Ser imune da culpa da avareza, da simonia e do sacrilégio.

2. (Estar) frequentemente junto dos Santos.

3. A paz dos Reinos, das Repúblicas, das Cidades, das Vilas.

4. As respectivas divisões das orações, com Cristo e comigo.

5. O perdão das ofensas e a reconciliação.

6. A esmola.

7. O prover vantajosamente ao próximo.

8. A correção fraterna.

9. A pureza das consciências.

10. A mais completa satisfação, o desconto dos pecados diante da divisão.

Segundo grupo de Cinquenta.

11. A liberação das almas do Purgatório.

12. Uma vida mais Angélica e Cristã.

13. O reforço por uma esperança mais certa, pelas singulares orações de muitíssimos.

14. O aumento dos méritos de cada um.

15. A consolação dos aflitos.

Terceiro grupo de Cinquenta.

16. A religiosidade: isto que, de fato, a divisão monástica pode entre os Irmãos, a mesma coisa também (pode) esta (divisão) fraterna.

17. Uma disposição melhor com grandes bens.

18. O aspecto e a forma de um cristianismo mais conforme a Cristo, aos apóstolos e a Igreja primitiva.

19. A força contra as tentações.

20. A alegria espiritual por causa de uma sociedade tão rica de graça.

Segundo Saltério: Primeiro grupo de Cinquenta.

21. A tranquilidade das consciências, que não tem remorsos.

22. A educação da infância, da adolescência, da juventude, e a guia a cada tipo de virtude.

23. A proteção das ordinárias calamidades e misérias da vida e do mundo.

24. A salvação da morte.

25. A superioridade desta Confraternidade, em relação a qualquer outra de qualquer instituto particular.

Segundo grupo de Cinquenta.

26. A facilidade de entrar nesta, que não custa nada.

27. O amor dos irmãos espirituais, que é superior aqueles carnais.

28. O temor a Deus, mais puro e mais filial.

29. Uma maior perfeição da vida ativa, em relação ao próximo.

30. Uma maior propensão ao amor da vida contemplativa na elevação de si e no ascese do coração.

Mesmo o tempo e a experiência serão mestras de muitas coisas. Estas, e outras muitíssimas, revelo ao meu Esposo Domingos.

O Ordenamento da Confraternidade, revelado ao novo Esposo.

V. “Então, também tu, filho do grande Pai, meu Novo Esposo, escutes o ensinamento da tua Mãe.

1. Depois que o meu Esposo Domingos adormeceu o mundo foi vítima de uma peste terrível, que atingiu o Clero e o povo, trazendo uma avareza e preguiça mais feroz do que a precedente: estas, junto, mandaram o Saltério à ruína, assim como a Confraternidade e a Inscrição dos Irmãos.

2. Todavia persistem ainda, aqui e ali custodiados, as primeiras formas e figuras destes fundamentos, na Espanha e na Itália, escritos em mesas, paredes, e até impressos sobre os vidros, para a posteridade.

3. A Ordem de São Domingos, chamada de Penitência, começou a existir, avançando suas origens aqui.

4. Todos os Irmãos e as Irmãs da sua Ordem, por exemplo, e pelo conselho de São Domingos, indubitável e incessantemente, serviam com suma devoção a mim e ao meu Filho, neste Saltério da Santíssima Trindade, assim cada um dos Irmãos, dia por dia, oferece ao menos, como um débito cotidiano o inteiro Saltério. E por isso:

5. Quanto mais durou este Saltério em tal Ordem Santa, mais durou a ciência, a sabedoria, a observância, a fama dos milagres, a glória junto a Deus e os homens.

6. Mas quanto menos este Saltério é utilizado, imediatamente é menos utilizada a Ordem dos Pregadores: assim que as paredes, os quadros e os livros e os epitáfios dos mortos o apresentam, mesmo que as línguas dos homens não queiram admitir isto. E ao invés, nas primícias do Espírito, todos tinham uma persuasão comum: se alguém um dia tivesse omitido o Saltério, entendia de ter perdido um dia.

7. Através do mesmo Saltério, tantos e tão grandes milagres e prodígios se realizaram, encheram completamente a Espanha, a Itália, a França e quase todo o mundo, assim que pela sua frequência ultrapassaram os outros. Se devesse escrever todos estes milagres então se teria vários livros.

8. Através do Saltério, se deve admirar as perfeitas conversões de pecadores e de pecadoras: por todos os lados, nos Templos, nos lugares retirados se emitiam choros e gemidos, soavam os batidos dos peitos, ferviam as Penitências, até mesmo nas crianças; hoje isto parece inacreditável! Terias acreditado, que os Anjos permanecessem sobre a terra.

9. Por quê? O ardor da Fé fazia fugir os Hereges, e cada bom (cristão) retinha o máximo proveito, como efetivamente por ter oferecido a vida pela Fé.

VI. “O convidado herói Simão de Montfort, com todo o exército aprendeu o Saltério do meu Mestre Domingos, e o recita habitualmente.

Através deste venceu, resistiu e acabou com os inimigos. Os triunfos dos homens sobre o inimigo, que a Fé obtém do Céu, quase superam os fatos da história.

1. A Albígio, com quinhentos homens, (Simão de Montfort) desbaratou e colocou em fuga dez mil hereges.

2. Outra vez, com os seus trinta homens, venceu três mil.

3. Outra vez enfim com os seus três mil, em uma batalha junto a Toulouse, destruiu o rei dos Aragoneses e seu exército com mais de vinte mil: e resultou ao mesmo tempo, vencedor na batalha e na guerra.

4. Aconteceu de serem atacados por inimigos inesperados, perigosos e inumeráveis, mas graças à força divina do Saltério, que levavam habitualmente, eles venciam.

5. E aparecia então aos inimigos, que cem Montfortani enchessem quase toda a terra, quando vinham em ajuda, na verdade, os meus Anjos. Esta era a força do Saltério e a oração de São Domingos, o martelo dos hereges. “Esta milícia pela terra e pelo mar, em paz e na própria pátria, não fazia coisas menores, ao contrário maiores”.

VII. O fruto e a obra do Saltério são máximos:

1. A renovação, a construção e o embelezamento dos novos Templos, de Hospedarias de forasteiros, de Altares; a inclinação a muitas e grandes Revelações, Sinais e Prodígios; a santidade de vida, a honestidade dos costumes, e o candor das almas; o desprezo do mundo; a honra e a exaltação da Igreja; a justiça dos Príncipes; o equilíbrio das comunidades, a paz dos cidadãos, o modo de viver nas casas.

2. Nem silenciaram os operários, a servidão e os assalariados. Pode-se reter que, como estas, assim também todas as outras coisas (se obtiveram)! Estes não começavam uma obra, se antes não saudavam a mim e o Filho, através do Saltério; e se adormeciam, não antes de ter oferecido naquele dia, um ato de piedade a Deus, ajoelhados no chão. Eu sei que muitos, quando na cama lembravam que o seu costumeiro dever cotidiano, de rezar o Saltério, não tinha sido cumprido, levantavam para orá-lo.

3. O Saltério, para quase todos os bons e malvados, é tido em grande consideração. Se alguns são mais devotos, de consequência são os Irmãos de Maria do Saltério. Se alguém se mostrasse de comportamento reprovável, se dizia que não era da Confraternidade do Saltério.

4. Sobre a minha e a tua Ordem, saibas que: se alguém era considerado mais negligente, escutava: “Irmão, ou não pregas o Saltério da Santíssima mais Virgem, ou não o oras devotamente”. Certamente no Coro se encontravam afastados os Irmãos, que oravam o Saltério mais rapidamente, do que no dormitório ou no trabalho.

5. Então escutem todos, quando então era honrada a minha glória nesta Ordem! Veja, quanta é agora à distância!

Onde está, de fato, esta antiga assiduidade dos milagres? Onde (se encontra) igual abundância de santos homens? Onde está à força da disciplina e o rigor da vida? Onde está o zelo e a grande salvação das almas? Eu e o Filho amamos a perfeição e a vossa salvação. Agora estamos tristes pela fraqueza e preguiça (em rezar o) Saltério. “Digo que, se tivéssemos a natureza humana, teríamos dor, mas agora a chuva de lágrimas terminou e é uma recordação distante”.

Todavia estejam atentos a si mesmos, aqueles que assim, privaram a Mim e ao meu Filho da honra do Saltério. Procurem levantar-se graças a mim, que sou a Rainha da piedade, da misericórdia e dos Pregadores, e retornem o mais cedo e mais devotamente aos Saltérios dos Pais e das Irmãs de um tempo.

FIM DA SEGUNDA PARTE

Numerosas Revelações se contarão nas partes sucessivas, no momento dos Sermões.

CAPÍTULO I

Primeiro Sermão sobre a Oração do Senhor, revelado em Toulouse por Jesus Cristo a São Domingos e sucessivamente ao novo Esposo de Maria.

I. O Saltério dá o conhecimento da Santíssima Trindade àqueles que o amam, e amando-o louvam o Esposo e a Esposa em um exultante Cântico.

Por isso São Jerônimo (afirma) em uma reflexão: “A grande bondade de Deus esplende nas nossas casas, quando a divina Majestade habitou no asilo Virginal. No pequeno reparo a Divindade estava inviolada e através do nascimento do menino, a Trindade se manifestou”. E Ele, que foi concebido através da Saudação Angélica, pregando, ensinou como fazer a Oração, não do Profeta (Davi), mas (a Oração) do Evangelho. Por isso todos devem venerar mais santamente ambos, e devem praticar com a reza, para que nos perigos da ignorância das sombras, conheça-se as estradas de Deus. Visto que todo o mundo está possuído pelo maligno. O Novo Esposo de Maria recebeu um Sermão de São Domingos que, por sua, vez tinha sido revelado ao Santo Padre em Toulouse, na Igreja Maior.

HISTÓRIA

II. O Pregador de Cristo, São Domingos, Patriarca da Ordem dos Pregadores, percorreu o campo de joio dos albigenses e as terras espinhosas com o tormento das maldiçoes heréticas, para semear a boa semente de Cristo. Mesmo sendo muito experiente na pregação, estava sempre preparado, instruído, seu coração não encontrava nada de prazeroso a ser dito publicamente. É normal que cada Pregador, amado por Deus, por humildade peça a Ele de lhe dar um bom Sermão, visto que a conversão das almas acontece através da potência divina, não através da ciência humana.

(É a potência divina que) dá a boa Palavra aos Evangelizadores que tem muita virtude, até que os pregadores, como Sansão, abatam os Filisteus, ou seja, os pecadores, os demônios e os desejos desorganizados.

II. Por isso São Domingos esforçando-se para conquistar as almas com uma pregação mais sólida, encontrou ajuda junto ao seu confidente, o Salvador das almas. Ele obteve de Jesus o mérito de gozar do fruto do ensinamento, pela forma de consolar e por aquela de pregar. Como quando, entre outras coisas, o Salvador aparecendo à ele, manifestava a realidade maravilhosa da salvação, dizendo: “Caríssimo Domingos tu és a minha exultação, porque com humildade salvas as almas dos homens. Não amo aqueles que procuram as coisas celestes e esquecem os humildes. Que amam pregar coisas extraordinárias mais do que aquelas úteis. Não são esses que preparam as almas doentes, para que Eu possa ser uma eficaz medicina. Antes de tudo os cultos, os ignorantes, os ilustres e os desconhecidos devem ser conduzidos à devoção da Oração, e especialmente ao meu Angélico Saltério. Esse eu ditei ao meu Gabriel e Eu mesmo ensinei e entreguei como única Oração, em sete formas. É necessário que aqueles que tentam produzir frutos na salvação das almas, a recomendem em assembleia pública. Porque a bondade da divina Clemência alegra-se intimamente pela fé devota daqueles que a escutam.

Essa é a verdadeira utilidade das pregações. Pregues à mim ou à Domingos a minha Oração. Quero que, com a humildade, tu destruas a soberbia dos heréticos e com a piedade a dureza dos pecadores e com ambas tu os faça louvar à mim. Para isso revelo à ti as quinze vantagens da minha Oração.

Tu interrogarás os auditores e o tornarás capazes de decisão. Ordeno, comovas as consciências. Recebas o Modo, o Lugar e o Tempo”.

PRIMEIRO SERMÃO DE SÃO DOMINGOS TEMA: Mateus 6

Vós que orais não quereis falar muito, como fazem os Pagãos.

Assim então vós rezareis: Pai Nosso, etc.

Primeiro grupo de cinquenta orações do Saltério.

1. “Pergunto caríssimos: em uma terra deserta e selvagem para os filhos pequenos, que caminham com dificuldade, não seria necessário ter um pai atento como companheiro de viagem? Eu o admito, vós confirmais. E nós somos aqueles pequenos, no deserto do mundo; não temos a força de caminhar, nem de cumprir nada sozinhos: porque essa provém de Deus. Por isso é necessário aprender a Oração do Senhor, através da qual teremos presente o Pai nosso, quando dizemos: “Pai Nosso”.

2. “Pergunto: se alguns viajantes atravessassem uma terra onde todos, atacados por serpentes ou dragões morrem. Não seria necessário aos viajantes um fortíssimo homem como guia? Alguém que não pudesse ser agredido pelos animais e que fosse capaz de matá-los? Que transportasse os viajantes nas costas num rio ou estrada? Ninguém diz que não. Nós vivemos na terra dos dragões infernais e de todos os pecadores.

Na verdade, Cristo é nosso Pai e Guia, é também o fortíssimo e máximo gigante do céu. Ele é a morte para a Morte e o tormento para o inferno, e Ele não morre, a morte não o domina. Por isso o acolhemos em nós, confiamos nele e dizemos “Que és”, Ele é o Ser dos seres, imortal pela essência: “Aquele que é me enviou à vós” (Ex.3).

3. “Pergunto: se devêssemos caminhar através das terras tenebrosas do Egito, seria necessário o esplendor do sol, da lua e das estrelas? Sim, com certeza. Nós vivemos na terra obscura de trevas e na sombra da morte de todos os pecadores, pelos quais temos maior necessidade da luz do Céu.

Para chegarmos à essa espiritualidade com os nossos corações, mais frequente oremos “Nos Céus”. Já que Cristo é o Céu dos céus e o esplendor de todos os Céus. Ele é o Sol de justiça e a Estrela descendente de Jacó”.

4. “Pergunto: Se alguém passasse onde todos caem em pecado mortal e são abandonados à morte eterna. Seria necessário que esse, para não cair em pecado, fosse cheio de santidade e ter parte na assembleia dos Santos? De que modo esse poderia ser salvo e liberto da morte? Ninguém o negará.

Nós vivemos nessa terra. Quando a alma comete um pecado mortal, ela é destinada à morte, é condenada à privação da graça e da eternidade. Então levemos e rezemos o Saltério e com esse oremos “Seja santificado”, para que nós possamos ser, não só santificados, mas também ajudados pelos Santos de Deus”.

5. “Pergunto: estando prestes à percorrer a região de uma língua desconhecida, é necessário um interprete de confiança? Ninguém diz não.

E bem nós somos esses peregrinos em terra estrangeira e procuramos a cidade futura, onde é necessário falar a língua dos Anjos. Se não a aprenderemos seremos exilados e afastados da pátria. Veem-se assim duas escolas onde é possível aprender a língua dos Anjos, ou seja, a Oração do Senhor e a Saudação Angélica. A repetimos então com uma continua familiaridade, no “Vosso Nome”. Essa é a Palavra de Deus, através da qual foram criadas todas as coisas: o nome de Jesus deve ser acrescentado por aquele que conhece bem a língua. Por isso Bernardo diz: Oh! Bom Jesus, o teu Nome é um doce Nome, um santo Nome, um forte Nome, um Nome terrível e piíssimo”.

Segundo grupo de cinquenta.

6. “Quem vai viajar no Reino de um Tirano, que mata por prazer, precisa implorar a autorização do Rei para não sofrer violência em seu território? Certamente sim. E isso é o mundo, esse é o tirano: ele arrasta qualquer um à escravidão e à morte, depois de o ter espoliado de tudo, deixando apenas um vil pano para envolver o cadáver.

Nós estrangeiros devemos atravessar isso: o que permanecerá se não implorarmos à potência de Deus: Oh! Senhor, “Venha vós ao vosso Reino”? Te dirigirás ao Reino de todos os Reinos, ao Reino do Filho, Vencedor de todas as coisas, das quais (diz) Crisóstomo: “O teu Reino, Jesus Cristo, supera todos os Reinos do Mundo e faz passar com segurança aos Reinos Celestes qualquer fiel: visto que tu és o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores (Ap.19)”.

7. “Aquele que encaminha-se para uma terra hostil, deve obter a proteção de um Imperador poderoso, que o defenda dos roubos, da escravidão e dos ladrões pela avidez?

Certamente sim. Nós, circundados pelas adversidades da terra, seriamos conduzidos à rapina, à escravidão e à morte, se uma força do Império não nos salvasse. Na liberdade procuramos um lugar imperial que nos proteja, como libertos do Senhor dos Senhores, do qual a única vontade pode ser a nossa segurança e liberdade. Oramos: “Seja feita a vossa vontade”. Diz Santo Agostinho, a extrema liberdade é fazer a vontade divina. Servir Deus é reinar”.

8. “Se alguém devesse atravessar uma região inundada pelas águas, não precisaria de um navio ou de um carro ou de um outro meio de transporte?

Concordem comigo. Nós somos aqueles acercados pelas misérias da vida: então, diz S. Basílio, esse mundo é um dilúvio de pecadores. Por isso o nosso refúgio está no Céu. Dizemos orando “Como no Céu”. No Céu existe o carro dos astros, a via Láctea, Maria a estrela do mar: a saudamos no Saltério. Do céu a salvação difunde-se sobre as coisas terrenas”.

9. “Se a estrada da tua peregrinação fosse áspera pelos montes e selvagem pelas florestas e no trajeto cheio de buracos, fostes abatido por terremotos, seria inevitável a tua morte por ter suportado os extremos males ou encontrar uma estrada através da qual possas prosseguir. A tua Alma é peregrina sobre a terra do teu corpo, circundada por enfermidades, cheia de espinhos, volúvel entre os tremores e as vicissitudes das situações e duvidosa entre a esperança e o medo. Entres no celeste caminho da Oração do Senhor “Na terra”. Essa Oração é a vida para os Céus”.

10. “Faças assim: sobre a terra estéril tu conduzes uma vida mísera, onde existe a fome e a privação e vês muitas imagens da morte que realizam-se.

Diante disso não devias procurar comida e bebida? Porque não falas? Ah, onde vivemos a vida! E quanto é mísera! Estamos na terra deserta, diz São Gregório, num lugar de horrores e de grande solidão, de fome e de morte: porém a Oração, diz São Basílio, oferece o pão da vida e a bebida. Porque então vós não pegais o Saltério e a ele não vos voltais pedindo o “Pão nosso de cada dia”?

Terceiro grupo de cinquenta orações

“11. Se alguns tivessem dedicado toda a vida ao Príncipe, tanto que não pudessem ser nutridos por ninguém que não fosse ele. E se o Príncipe não quisesse dar à eles nenhum alimento, exceto aqueles que tivessem o distintivo real e a palavra de ordem. Isso não seria de estrema maldade? Não duvidais. Nós vivemos sob a potente mão do Senhor, a qual aparece e sacia cada ser vivente, mas somente diante da palavra de ordem, dada ao mesmo. Considerando que, segundo São Crisóstomo, a Oração evangélica é o verdadeiro distintivo da divina bondade e poder: é justo, que seja dito mais frequentemente no Saltério: “Dai-nos”.

12. “Aqueles que endividaram-se grandemente com um rei cruel e não o pagam, então deviam pagá-lo pessoalmente, sob a pena de morte eterna. Se, ao invés, o Rei se demonstrasse pronto a perdoar tudo, bastando para tanto que fosse pedido o perdão: não seria considerado louco e infeliz aquele que não quisesse dar à ele um tão pequeno gesto de submissão e de reverência?

Sim, com certeza. E mesmo nós somos devedores de Deus, por nos vendermos pelos infinitos débitos e terminarmos nos mercados dos escravos, e passar aos atormentadores: e podemos fugir à essas coisas com uma pequena oração. Disse o mesmo Rei: se me invocam, eu os ouvirei e serei o Deus deles. Quem de nós, então, não o invocará mais frequentemente no Saltério? Oh Senhor, “Perdoai os nossos pecados”. De fato a oração do Senhor, diz Remigio, é o pedido dos filhos ao pai, para aliviar a miséria humana com a colheita dos bens e a remoção dos males”.

13. “Se alguns homens, aprisionados pelo Príncipe e feitos escravos, estivessem para ser mortos pelos seus cruéis delitos e não quisessem perdoar as ofensas do próximo: esses deveriam ou não ser considerados infelizes e malditos? Todos concordam comigo. Essa remissão é em relação ao próximo, quando orando dizemos “Como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

14. “Se alguns fossem tentados pelo demônio, da carne e do mundo, das dores e das misérias, e pudessem ser imunes desse apenas com uma pedra preciosa: como poderiam se negar a adquirir tal pedra, ou afastá-la e não a querer? Deveriam ser loucos e certamente míseros, e nenhum deles seria digno de compaixão. Essa pedra preciosa é a Oração do Senhor, que protege, diz Santo Agostinho, de todas as ilusões e agressões. Por isso é necessário orar frequentemente o Saltério “E não nos deixei cair em tentação”.

15. “Se enfim devêssemos navegar através do mar infestado de baleias, com o perigo de naufragarmos pelas pedras, redemoinhos, monstros, sereias e até tempestades e piratas; e o Rei e a Rainha, nos tivessem oferecido semelhantes pedras preciosas, que tivessem a força de nos liberar de todos esses males e nós não a aceitássemos. Quem não nos chamaria de loucos? E nesse mar do mundo estão demônios, existem delitos implícitos e explícitos, luxúria, gula, etc. Cristo então oferece a sua Oração e Maria a sua Saudação, para que a acolhamos e digamos no Saltério: “Mas livrai-nos do mal”.

A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA

IV. O Salvador Jesus (disse) tais coisas à São Domingos em uma aparição:

1. Ele então sem demora, cheio de alegria, esperança e de espírito divino, no dia seguinte (consagrado à Virgem Mãe de Deus, com solenidades e festa), na Igreja Maior de Toulouse, diante de muitos do Clero e do povo, pregou o Sermão prescrito pelo Senhor. E foi tanta a força daquelas palavras e a sua eficácia, que quase todos, do maior ao menor, foram tão encorajados e encheram-se de amor pelo Saltério, que uma grande parte decidiu de servir sob esse símbolo, Deus e a Mãe de Deus. Os fiéis passaram a proclamar o Saltério, enquanto que os heréticos, condenando o erro deles, voltaram-se ao seio da Igreja.

3. Dentre esses, três homens de fama especial e heréticos implacáveis, depois de ter publicamente renegado a heresia, reconheceram-se como Católicos: ou seja o Mestre Norberto do Valle, Doutor em Direito Canônico, Mestre Guelrino do Fracmo, exímio na Arte da Filosofia, Mestre Bartolomeu do Prado, Médico e também grande Teólogo. Esses três, além de tantos outros, pregaram humildemente o Saltério difundido por São Domingos: e seguiram a Instituição de seus Pregadores.

4. Daquele momento, obtém-se uma maravilhosa conversão dos heréticos, a prática da sagrada Religião e da devoção no culto coronário de Deus beneficiou o Saltério, com o fruto máximo e com a expansão da Igreja.

CAPITULO II

O segundo Sermão sobre a Saudação Angélica, revelado primeiramente pela Mãe de Deus à São Domingos e em seguida novamente por ele ao Novo Esposo.

1. S. Domingos permitiu-se revelar à um Pregador Religioso, o novo Esposo de Maria, que o era muito fiel e devoto, o seguinte:

HISTORIA

1. “Tu, oh Irmão – disse São Domingos aparecendo subitamente – pregues, mas estejas atento para que não procures o louvor humano e a glória sem zelar a salvação das almas. Quanto à mim, não pretendo esconder, o que me aconteceu uma vez, enquanto eu vivia em Paris. Na Maior Igreja metropolitana, consagrada e dedicada à Maria, Mãe de Deus e Virgem Imaculada, me preparava para pregar e falar com diligência atenção e desejo. Não o fazia por vaidade, mas para os ouvintes muito sábios, pela nobreza do vastíssimo público e para demonstrar a evidência luminosa e completa verdade e para marcá-la nas almas, para que o fruto à Deus resultasse satisfatório. Antes da pregação e da assembleia, como de costume, me recolhi na capela atrás do Altar maior, por uma hora, rezando o Saltério. Entrei em êxtase, diante de uma luz que admirava com maravilha e vi a minha Amiga, à quem orei desde a juventude como Esposa caríssima, a Mãe de Deus. Ela levava na mão um livrinho e o dando à mim disse: Oh! Caríssimo Esposo Domingo, mesmo que seja um bem aquilo que decidistes pregar, eu prefiro que tu pregues o sermão que eu te dou e que é muito melhor. O aspecto e o afeto familiar me raptava ao êxtase e era como de uma alegria maravilhosa: peguei o livro, o li respeitosa e fortemente, e soube ao que referia-se a Soberana Maria.

Ela, depois de ter me agradecido, pelo que eu pudesse (dizer), desapareceu. Já estava perto da hora do sermão e estavam presente todos os Chefes da Universidade parisiense, os Aristocratas, os Senhores, o Senado e muitos do povo, e a assembleia era muito ilustre. A fama dos milagres já realizados, exortava todas as Classes sociais à escutar. No sermão, depois de ter omitido a história da vida e as exímias excelências do Apostolo e Evangelista, São João, o celebrei através de poucas palavras, porque mereceu ser o custódio especial da rainha dos Céus e da terra, a Mãe de Deus e Virgem Maria, a qual (disse) possuis quinze antídotos muito eficazes, e ao mesmo tempo facílimos para todos, contra todos os perigos do mundo. Então insistindo e persistindo nesse argumento, preguei tais coisas”.

SEGUNDO SERMÃO DE SÃO DOMINGOS TEMA Lc.1

Entrando o Anjo o disse: Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, etc..

Primeiro grupo de cinquenta orações do Saltério.

II. “Cristianíssimos ouvintes, etc.. exímios mestres. Esse lugar e as vossas orelhas tão eruditas são contrários às elaboradíssimas orações, mas eu agora não falo com as palavras eruditas da sabedoria humana, mas com a manifestação do Espírito e da virtude. Escutem-me, por favor, com devoção cristã”.

1. “Se deves percorrer uma terra hostil, não desejarias alguém que vos conduziste sãos e salvos? Darias pouca importância a isso? Creio que o pensamento e o consenso é comum e único a todos. Concordais comigo.

Certamente nós vivemos cercados de inimigos e a Saudação Angélica é o sinal da salvação. De fato o que é “a Ave”, se não a ausência das culpas de cada Eva89? Voz exultação! Exulta a “Ave” é o novo e primeiro Evangelho, é o bom Anúncio, feliz e propício. Pelo qual exilados filhos de Eva, nos apegamos Àquela que nos guia sãos e salvos, libertos do (demônio), fugiremos à cada coisa diferente; sem dúvidas todo o mundo foi liberado da maldição de Eva, através da Ave”.

89 Abbiamo lasciato il testo originale per rendere il gioco di parole evidente nello scritto latino.

2. “Se devêssemos andar por cavernas e lugares obscuros, não procuraríamos e preferiríamos uma lanterna? E então vós direis: justamente. Mas todos nós nos dirigiríamos pelas obscuras sombras e as cavernas serpentinas da mortalidade humana. O que nos guia, se não o Lampião de “Maria”? Acendemos essa na Saudação Angélica, repetida amavelmente, com o fogo da devoção e seremos iluminados. Ela própria, Maria, é a Estrela do mar que nos ilumina”.

3. “Fazes que seja assim: suponhamos que o Rei de França esteja desgostoso dos teus malvados crimes; te alegrarias ou não, se (encontrastes) graça (junto) à Rainha para que o descontentamento do Rei termine? (Estais de acordo) comigo, me escutem todos.

Nós somos todos aqueles que ofendemos à Deus em muitas coisas. A Rainha do Céu, Coração de Misericórdia, pode e quer reconciliar-nos com Deus: que a “Graça” da Virgem seja recultivada e convenientemente honrada por nós no Saltério. Vos persuado para que hoje também rezais o Saltério, visto que talvez nem todos amanhã estarão vivos”.

EXEMPLO

III. “Eis uma voz profética, que explora os pensamentos. Quatro estudiosos de arte, com costumes muito desonestos, desprezando o homem de Deus, disseram após o discurso que esperavam algo grandioso quando escutaram uma lição para crianças. Na noite seguinte, os mesmos fartavam-se e foram às meretrizes. Durante os abraços das meretrizes, visto que o prazer estimula a ira, se precipitaram em brigas e armas: no massacre, dois foram mortos e os outros dois feridos de morte. Tendo sido esses dois presos nos cárceres dos guardas, depois de brevíssimo tempo, no mesmo lugar, entre as bestas, exaltavam a alma corrompida e infeliz”.

4. “Aqueles que protegem uma viagem, através de lugares desertos e terras incultas, sendo privados de alimentos humanos, não entendiam necessário prover a esses outra forma de alimento? Nenhum sábio (de outra forma) iria querer ir. A terra da nossa peregrinação está deserta, inacessível, árida, pobre de bens celestes, vã e vazia. Porque tardamos então, porque permanecemos atrás, ao invés de receber todos, súbito, da abundância dela, que é “Cheia”? Dê a ela no Saltério essa palavra, e recebereis os bens”.

5. A terra arruína-se com guerras ferozes, e ladrões a infestam, tanto que em lugar nenhum existe uma salvação segura, exceto que um só castelo é inexpugnável: junto a esse quem não se refugiaria? Mas a terra na qual nós vivemos é essa e o Senhor é o nosso refúgio. E porque o invocamos com pouco ardor na Saudação Angélica? Quem de nós no Saltério, com a (Saudação Angélica), não tem duvidas em dizer frequentemente ‘O Senhor’”?

IV. Em meio à isso São Domingos dá, ao Novo Esposo de Maria, um exemplo: “Enquanto eu pregava essas coisas, a Alma Patrona Maria estava de continuo ao meu flanco como assistente: próprio ela, como se lesse o livro à mim, me sugeria uma à uma as palavras como em um ditado: ela sustentava as (minhas) forças, a alma e o espírito, me confortava e me sugeria palavras virtuosas. E as palavras ditas, entravam nas orelhas e nas almas dos ouvintes, como dardos em chamas. Muitíssimos sentiam carvões que devastavam os pecados nas próprias consciências, e essas no interno queimavam e cresciam pouco a pouco como as chamas do Temor e do Amor de Deus. Enfim assim terminava a primeira parte do discurso: “Nós vemos que fomos negligentes em relação à reverência e obediência aos Dez Mandamentos de Deus, pela humana malvadeza e fragilidade, oh desconsiderados! Que Deus afaste de nós isso! Mas cada um dos cinco perigos já elencados, pode habitar com a malvadeza ao longo de todas as divisões do Decálogo, e procurar (assim) a morte à alma. Por isso para afastar e proibir os quinze males existe como remédio, para todos, as primeiras cinquenta orações do Saltério: a Coroa de Maria, que é a armadura própria para cada defesa.

Segundo grupo de cinquenta orações

V. 6. “Em uma improvisa necessidade, que durante uma noite profunda leve alguém em viagem, na qual seja ameaçado por animais terríveis e monstros horríveis: O que seria necessário além de companheiros armados e sensatos como próprios defensores? Nós somos àqueles expulsos às sombras do mundo, e realizamos uma viagem entre os ferozes monstros dos homens e dos vícios: desgostamos todos e somos privados da graça. Desgraça à quem está sozinho! Seremos privados de uma guia e de um defensor. Eis aparece pronta a Amável Mãe Virgem: pede a Senhora, e a prende “Contigo”. A tua acompanhante em todas as coisas, a Saudação Angélica, qual o valor dela no Saltério?”

7. “Se és obrigado a andar em casas ou lugares, que estão corrompidos com todos os crimes. Uma pessoa que ama o seu honesto nome, iria? Sem dúvidas levará consigo como testemunhas e companheiros, muitos homens santos e íntegros, de vida e de fama. Não existe nenhum lugar nesse mundo, que é de infâmia mais nota, e todos devem o atravessar: feliz daquele que ninguém golpeou pelas costas, aquele que não leva consigo nenhuma infâmia. Dentre todos apenas uma não tem nenhuma (infâmia), é “Bendita” pela excelência: aquele, que a apresentar como companhia, estará seguro. Essa associa-se, com aqueles que a exultam como a saudação “Bendita”, presente no Saltério. Ela é testemunha de vida e de fama e custódia confiante”.

8. “Se o vosso nobre desejo de aprender os tivesse levado a uma escola e o conhecimento fosse transmitido em uma língua estrangeira, o que seria necessário para realizar o vosso honestíssimo desejo? Um mestre de línguas? Quem não se aproximaria para o escutar? Nós que passamos por uma símile escola, desejosos em aprender a arte celeste, embora sejamos ignorantes da língua. Qual é o mestre que procuramos? Eis o mesmo vem em ajuda, podendo ensinar com a sua palavra. A Saudação Angélica o faz conhecer aos Salmodiantes, com a pequena palavra que nos indica o “Tu”. Nesse é contido o Espírito, o Divino Mestre da Mãe de Deus. Tu mesmo o procura com as orações. Maria te tornará amigo”.

9. “Imaginamos que: entramos em uma nação, na qual não é lícito levar nada, seja dentro que fora, na qual se deve viver de esmolas à mendigar, na qual homens sem piedades levam aço entorno aos corações, endurecidos pela barbárie. A natureza das mulheres dessa terra é, porém, inclinada ao bem. Maria SS. é a Mãe da Misericórdia! Se os Anjos Santos e todos os Santos por causa dos nossos pecados para com Deus, fossem contrários e duros com nós, Ela porém seria sempre uma boa Mãe. Por isso a bendizemos justamente com: “Entre as mulheres”.

10. “Caminhando todos os dia através das estradas cheias de amarguras do mundo, como testemunha São Gregório, seria ou não um agradabilíssimo companheiro aquele que é docíssimo na consolação? Esse é Ele, e escolhes de o estar próximo. Orando à Ele dizemos: “Bendito”.

Porque então não desejamos de nos ligar estreitamente à Ele no Saltério?

Por isso através dos quinze perigos à nossa salvação (ditos antes), avançam terrivelmente os amedrontadores dez monstros das principais malvadezas: os sete pecados capitais, a perfídia, a presunção e o desespero.

Que não exista ninguém que tão odiado por si mesmo, se tivesse conhecido as seguras defesas da salvação, as teria omitido. Ao contrário, todos os teriam julgado louco ou o teriam compaixão por ter perdido toda a esperança. Por isso contra aqueles cinquenta (cinco vezes dez) péssimos monstros, agrade a vós como refúgio o segundo grupo de cinquenta orações do Saltério”.

Terceiro grupo de cinquenta orações

VI. 11. “Àqueles que viajaram, cansados e exaustos pela fome e pela sede, e privados de um refúgio para se refazer: O que pode acontecer aà eles de mais agradável, do que encontrar uma árvore florida, cheia de bons frutos e uma fonte de água fresca? Na estrada árida da vida, encontramos a Santíssima Virgem, Árvore do “Fruto” três vezes Bendito, junto à Fonte da Vida: então saudamos juntos o Fruto e a Árvore no Saltério”.

12. “Suponhamos que um de nós deva ser coroado Rei de um Reino, no qual todos são estéreis, ninguém pode ser pai ou mãe. Mostram, porém, ao Novo Rei uma pedra preciosa, que tem a força de fecundar todos. Seria sábio ao rejeitar? Ele amará muito o seu reino e cada um será Rei do próprio corpo. Esse reino, porém, é colocado numa terra de maldição e de espinhos, onde domina a infeliz esterilidade: distante dessa, o Reino pode ser feliz por fecundidade, cada um utilizaria cuidadosamente, a pedra preciosa que é a Saudação Angélica, dita “Do Ventre”. Por isso nos será dado fecundidade, pelo Espírito Santo. Com essa a Virgem Maria distanciou cada esterilidade do espírito do mundo, para que invocada corretamente, ela restitua amplamente a fecundidade da carne!”

13. “Não ignoramos isso que nos foi dito: negocias, até que eu venha.

Mas cada um pode dizer: eu sou mendigo e pobre, não possuo ouro nem prata: com que coisa então negociarei? Nos sejas então uma potente Rainha, que queira te dar abundantemente riquezas: não solicitarias a sua graças em cada modo? É Maria, da qual a posse é própria: “Do teu”, Teu, oh Virgem, tua posse de todos os dois mundos, do celeste e daquele que jaz no compromisso; ela possui a verdade por ti: tu somente serves a ela no Saltério”.

14. “Se alguém fosse amarrado com cordas e preso num cárcere, e não tivesse a chave com a qual se libertar e abrindo todas as porta do cárcere, o fosse concedido de sair com gloria: Ele não seria louco se não aceitasse?

Nós também estamos amarrados, sentados na pobreza e acorrentados.

Porque então não aceitamos “Jesus”, que é a Chave de Davi? Ele é acolhido com a mesma Saudação, através da qual foi concebido.

Omitiremos de pregar, orar, levar, beijar, venerar abertamente o Saltério, Palácio da Saudação?”

15. “À quem vive sobre uma terra infecta e em putrefação, o que seria necessário para garantir a (própria) saúde?

Nós míseros filhos da morte arrastamos a respiração e a alma nessa pestilência do mundo, porque vivemos. Morremos, porém, sepultados na imortalidade: O quanto a peste respirada pode tornar infeliz em eterno.

Quais são as formas de combate? Aos cristãos basta o remédio “Cristo”, ou seja, o Unto, para todos foi difuso o Nome, como um Remédio; e a difusora dos remédios é Maria, que dá Cristo ao mundo pestilento. Ela concederá também à ti de venerá-la no modo devido com a Saudação Angélica”.

“Por que entre tantas desaventuras e a morte eminente, tardamos em nos procurar um remédio pela vida? Eis os cinco próximos perigos, venenosos e portadores de venenos funestos, e nós os absorvemos com o mesmo espírito. Porque através dos dez sentidos, ou seja, dos cinco exteriores e dos outros cinco interiores, é tão fácil quanto perigoso absorver a peste.

Devemos fazer uma coisa muito saudável e procuramos o remédio, repetindo por cinco vezes dez Saudações Angélicas no Saltério”.

A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA

VII. “Essas coisas, o meu filho (S. Domingos dizia ao novo Esposo): eu pregava, como tinha ordenado a Máxima Santa entre as Santas, a nossa Maria. Com aquele Sermão, lançava a rede como um pescador, pescava quase toda a cidade de Paris. A pregação dava tantos frutos, que seguindo-a as almas dos habitantes e dos estrangeiros a prática, o culto e a veneração do Saltério começou a crescer e a ser divulgada por todas as partes do Reino, em todas as famílias e casas do povo.

Antes de tudo o fervor daquele Sermão entregou a flor escolhida pela sábia juventude que, sob o influxo do Espírito de Deus, lançou-se para as metas mais altas do novo Instituto dos Pregadores. Por isso, abdicada a vida secular, muitos jovens se consagraram à Ordem, seguindo São Domingos como mestre de vida. Naquele tempo, começou a pregar exatamente no nosso convento de Paris. Aquela construção engrandeceu-se como ainda hoje pode-se ver: tendo ajudado muitíssimo o Bispo, o Rei, a Cidade e principalmente toda a Academia desse lugar, em vantagem de Deus e da Mãe de Deus”.

CAPITULO III

Como revela Maria ao Esposo, o Saltério salva das bruxas.

I. Leia-se um exemplo, que também a Beatíssima Virgem Maria revelou em modo extraordinário a um novo Esposo, seu devoto.

I. “Meu caríssimo Esposo (dizia Maria, a Esposa de Deus), São Domingos depois de Roma, atravessou a Alemanha tinha empreendido uma viagem à Paris, seis irmãos do mesmo Instituto o acompanharam. Ele ia em todos os lugares e acostumou-se a fazer exortações e assembleias especialmente nos mosteiros e colégios, mas também nas casas dos populares. Ele pregava muito nas nações estrangeiras, através de um interprete, mas também falava em espanhol e mesmo àqueles que não conheciam essa língua, parecia que falasse na sua língua nacional, pois era entendido perfeitamente.

2. Enfim, por graça o foi concedido por Deus o dom de mesmo não sabendo falar línguas estrangeiras poder comunicar-se em todas as línguas de todas as nações. Ele empregava o extraordinário dom das línguas em beneficio dos povos. Visto que a virtude e o espírito divino infuso em São Domingos, impaciente de salvar o mundo, não devia ser freado por causa do conhecimento das línguas o foi concedido de usar esse dom.

Visto que ele era o primeiro comandante, aquele que Deus queria designar aos Pregadores, para todas as zonas e nações dos povos do mundo.

3. Não falava as línguas estrangeiras, apenas por dom do único Deus, mas também por seu mérito: como quando, sob o impulso do espírito, pregava de forma ainda mais ardente Deus pela graça. Na França por muitos dias fez belos sermões aos germânicos na língua deles.

4. Eu obtive para o meu Esposo, junto ao Filho, sobretudo a faculdade de poder sem dificuldades falar também com uma multidão, para a salvação das almas. Então, em qualquer Nação estrangeira colocasse os pés, por graça, a pregação adequava-se imediatamente à língua do mesmo povo. E justamente: em nenhum lugar parava, se não como Apóstolo do Senhor: onde o Espírito o conduzia. Foi enviado a um mundo quase moribundo, por caridade, para o acordar”.

“II. Mas então, escutas a história, memorável e extraordinária. Existe na terra Germânica um Castelo muito seguro, pela natureza do lugar, arquitetura e construção. No castelo morava um Soldado, poderoso na guerra e nas armas, e iguais à ele eram os seus quatorze tribunos, prontos à ação, robustos e especialistas na batalha, todos habituados a roubos. A alma muito selvagem tinha levado os corações deles para uma verdadeira e própria inumanidade, a tal ponto que se deliciavam mais pelos roubos obtidos por crimes, do que pelos botins conquistados após uma justa batalha. Eles não importavam-se de cometer latrocínios, de banhar com sangue os povos, de tal forma eram desumanos. Os ditos quatorze, todos sob um único Príncipe, conduziam muitos homens sob os próprios exércitos, não só fiéis ao dito arrolamento militar, quanto ligados por juramento à criminosa companhia dos crimes. Esses tendo feito roubos em lugares e em largo, em todas as terras entorno, ameaçavam à todos com roubos, latrocínios e massacres, submergindo os enumeráveis corpos dos mortos, jogando-os no rio que escorria (esse seria o rio Reno ou o Danúbio).

I. Então São Domingos estando numa cidade perto daquele infame castelo de ladrões, de manhã cedo, junto ao altar, no momento do Sacrifício da Missa, antes de seguir viagem, eu, a Beatíssima Mãe de Deus, me tornei visível somente à ele e o fiz as seguintes advertências:

1. Oh! meu Domingos, cheio de confiança em Deus, até agora, fizestes uma viagem favorável, porém, hoje não será como ontem. A tua sorte está nas mãos de Deus. Serás colocado em meio à ferozes ladrões, e a tua vida não estará segura sem mim.

2. Escutas o que deves fazer. Quando os ladrões te aprisionarem peças que te levem ao Príncipe. Tu possuis a sabedoria que eles não tem. Digas tudo aos chefes militares para a salvação de todos, e as palavras imediatamente serão confirmadas pelos fatos. No presente e iminente perigo, terás entre as mãos a vida deles.

Eles nunca verão e escutarão essas coisas sem que tu as pronuncie.

3. Saibas que: no dito Castelo moram quinze mulheres maravilhosas pela singular beleza do corpo, pela vestimenta e refinadas. Por serem consideradas maravilhosas pela elegância e beleza, elas fizeram o Príncipe e seus tribunos militares perderem a razão, fascinados pelos seus enganos. Eles não preocupam-se em cometer malvadezas pela influência dessas. Essas dominam completamente os guerreiros, elas não são criaturas humanas, mas verdadeiros demônios do Inferno! Bruxas. Os quinze homens estão convencidos que elas são deusas e o povo as chama de Fadas. Acredita-se que o que elas dizem traz prosperidade, que os seus conselhos são oráculos.

Infelizmente! De quantas dessas o mundo está cheio? As fúrias são doces como o mel e matam com o fel da víbora. Enfim devastam o mundo.

4. Por isso, a partir desse momento, leve contigo pela estrada a sacrossanta partícula do Corpo do Senhor, na forma como será pedido o uso. Isso produzirá a prosperidade dos teus irmãos e por isso, serás capturado pelos ladrões. Todos os ladrões serão como o teu botim para Deus, e também estais para triunfar sobre demônios capturados, que guiam os infelizes ladrões capturados.

5. Tu logo que sejas capturado, serás levado ao Príncipe dos ladrões, pedes que seja chamada toda a família: sabiamente colocas diante desses os seus torpes crimes, denuncia a esses os poderosos perigos, pelos quais eles deviam ser arrastados à morte: afastarás os espíritos malignos; revelas a forma para fazer fugir os (demônios): elogies aos homens o Saltério. Salvarás as almas. Esse é o preço e o prêmio do perigo. Disse e desapareceu”.

III. “Na forma como as coisas foram ditas e ordenadas as coisas aconteceram e foram feitas por São Domingo.

1. Assim ele e os irmãos companheiros realizaram a viagem. Quando eles chegaram perto do Castelo (não ouso chamar pelo nome o lugar, em respeito a um habitante presente) São Domingos entrou em êxtase. A Mãe de Deus apareceu ao seu Domingos, dizendo: Te envio junto à pessoas pecadoras. Há trinta anos atrás a maior parte desses, não pagou os pecados através da confissão e não quiseram escutar nada de divino: são todos magos, e devotos aos demônios. Insistes, pregues o Saltério; dás ou fales dos quinze remédios contra os pecados. Vencerás com Deus.

2. Logo que esses começaram a viagem, o grupo de ladrões os assaltou; os aprisionaram e amarraram, os rapinaram, os enganaram e os maltrataram com frustrações. Os demônios foram mais cruéis com São Domingos do que contra os outros. Eles conduziram os prisioneiros ao Castelo e certamente os matariam cruelmente, se Deus não o tivesse impedido. O Santo homem pediu para falar separadamente com o Príncipe, ao qual disse apenas poucas palavras. Introduzindo-se na alma do Príncipe, o tinha convencido com muitos conselhos sábios.

Somente ao Príncipe ele revelou as coisas mais secretas, explicou quais monstros este mantinha em casa e o prometeu desvelar as bestas subterrâneas.

3. Paralisado pelo medo, o Príncipe estava incerto: chamou os tribunos, diante dos quais interrogou o Santo, sobre onde tinha conhecido os monstros dos quais falava! O que precisava fazer, para que esses, no mesmo dia, não precipitassem na ruína? E o Santo o disse: falarei mais com os fatos, do que com as palavras: levarei contemporaneamente, diante das orelhas e dos olhos, o que tenho à dizer: o Príncipe, ordene que se apresentem aqui e se aproximem todos aqueles que estão no seu castelo.

Dito e feito: estavam presentes todos, exceto as Senhoritas, que davam como desculpa as suas muitas ocupações que inventavam. São chamadas: renegam. Então Andais, disse Domingos, em Nome da Santíssima trindade e através da virtude do Saltério que prego: ordeno à todos que as façam vir súbito aqui. Entanto àqueles que estavam em volta, disse: Mas vós, oh homens, permaneceis imóveis? Protegeis a fronte e o peito com o sinal da S. Cruz: creiais, contemplareis terríveis monstros do Inferno.

4. E fazendo sair à força, chega então às orelhas o fragor daquelas, que gritavam e se escondiam, (mas) arrastadas por uma força oculta elas apareceram: blasfemavam Deus, Jesus, a Mãe de Deus e os Santos, furibundas de ira, semelhantes e enlouquecidas. São Domingos novamente diz à todos: Cada um se arme com o Sinal da Cruz. Todos obedecem, mas elas ao contrário enfureceram-se ainda mais.

IV. Esse homem de Deus tira fora do ventre, uma Hóstia três vezes Santíssima, que mostra e assim diz:

1. Juro por Aquele que vês em pessoa entre essas mãos, que aqui entre vós se encontram das fúrias enfeitiçadas do Inferno.

Dizes abertamente: quem são, de onde vem, porque estais aqui? E tu expressamente, superbíssima besta, a primeira dessas, fala. Essas furiosas, espirantes inefáveis iradas e ameaçadoras, distorcem os olhos nas direções mais diversas e frementes, gritando em modo feroz: Maldito o dia que ti fez vir aqui. Maldita seja Ela junto ao Filho, que aqui te deixou vir. Assim, numa só hora destruis os nossos esforços de tantos anos? Sou obrigada, ai de mim, ai de mim, sou obrigada a trair o nosso segredo, oh Príncipe do mundo; Nós somos horríveis demônios: já há muitos anos fizemos àqueles aqui presentes perder a razão; realizamos através desses ruína e devastação e hoje estávamos a ponto de os afogar no rio, para jantar com nós no Inferno. Saibam: estavam prontos os navios, para que 500 deles fossem saquear uma terra. Mas hoje seriam submetidos e suprimidos nas ondas.

2. Porque, pergunta o Santo, não cumpristes isso antes? E essa: faltava a ocasião, não a vontade. Ele pergunta: E porque? Ela disse: Já sabes o suficiente: porque ainda nos atormentas? O Santo responde: Quero e ordeno em Virtude de Cristo: o manifesto. A Fúria: Aquela falsa Cançãozinha de Maria, Mulher Judaica sempre nos impediu: todos eles, por ordem do Príncipe, cada dia a saudavam. E o Santo: Quanto oravam?

E essa: Quanto tu pregas o Saltério da nossa inimiga.

3. A São Domingos que encalçava: da onde aprenderam isso? Responde: Não sei. Porque perguntas com insistência? Longe de mim, é por causa dessa antiga oração, antes acolhida em todo o mundo: mas quase apagada pela nossa arte que não os matamos antes. Agora tu a rezas novamente para a nossa ruína.

Mas muitos a levam (consigo) e hoje como antigamente a escolhem, e a recitam em baixa voz. O pai desse Príncipe, nosso inimigo, o obrigou desde criança a murmurar isso, por isso nele permaneceu o costume; também se se encontrava em situações de perigo, por se querer ser grande, queria que cada companheiro de batalhas o levasse consigo (o Saltério) e o rezasse.

Hoje em pé de guerra, visto que preparavam o necessário não tinham ainda podido orar. Assim estavam expostos indefesos à nós: aqui as ondas, ali as chamas, seriam mortos de uma só vez. São Domingos disse: A verdade veio à tona. Acrediteis homens: eu o confirmo. Mas escutais: se a potência do Saltério protegeu os criminosos, quanta força achas que o Saltério terá para proteger os justos?

4. As fúrias combatiam, debatiam-se e gritavam muitas coisas, para que, as deixassem afastar-se dali: ao mesmo tempo, ajoelhadas, suplicando a (sua) partida. As fúrias, porém, ainda não tinham deposto as máscaras de rosto feminino, (e eram) belíssimas; se não que, obrigadas a ir embora, assumiram um vulto tão miserável, que com o aspecto, com o comportamento e com o choro misturado a gemidos, adoçaram até os férreos corações dos homens, à comiseração e também ao choro. Esses mesmos, jogando-se no chão suplicaram, oraram com insistência à São Domingos para que esses, tão terrivelmente atormentado pela sagrada presença da Potência Divina, as liberassem das penas, as permitindo de ir embora: “São boas e muito amáveis, e também consoladoras e obsequiosas pelos homens, acima da estima humana”.

V. A esses então São Domingo, nervoso, exclamou: “Oh vós insensatos e ineptos à fé, não conheceis o suficiente os vossos perigos? Não vos arrependeis o suficiente dos vossos delitos, e não vos envergonhais de não amaldiçoar as Fúrias, péssimas mentoras de delitos e de perigos de forma funesta? Eu e Deus fizemos com que imediatamente o vosso amor e desejo em relação à essas, fossem arrancados totalmente. Por isso vos ordeno em Nome de Jesus e com o Saltério de sua Mãe: permaneçam homens fortes, não vos distanciais do local, para que, observando a imensa obscenidade desse monstros, vós mesmos tenhais piedade da vossa sorte. Vós ao contrário monstros infernais, péssimas bestas, depostas as máscaras, vos mostrais visíveis a esses, como sois por malvadeza. Assim, digo, ordeno à vós, pela força de Nosso Senhor Jesus Cristo aqui presente, e pelo seu Saltério.

2. E eis os monstros da besta, mais escuros do que o próprio Inferno. E se uma virtude divina particular não tivesse concedido a força àqueles que olhavam, teriam desmaiado diante do horror, do clamor e do fedor dos fantasmas. Não parava, porém, o homem divino: Ditas, ordeno: Por que e quem sois vós quinze? E tu superbíssima princesa das bestas, fales. Essa, deu um rugido, tão alto que quase arrancou as almas dos corpos: “Nós somos as quinze Rainhas do Inferno, e sedutoras do Mundo: e antes de tudo as insidiadoras desse Príncipe: para que esse homem de sangue Real e Imperial, fosse um instrumento oportuno para os nossos objetivos: para arrastar numerosos povos à nossa rede e diminuir a fé cristã. E com sucesso, ao menos até esse momento, nós exercitamos o comando sobre os mesmos magos e sobre os prestigiosos semelhantes a esses.

E não ignoramos nem desprezamos os astrólogos. Aqueles presságios, que esses fingem de pregar, como fruto dos astros, são inventados para vos enganar. Esses diziam muitas coisas, com as quais enganavam os Príncipes, semeavam as guerras e tramavam muitos males.

3. As outras estavam paralisadas iguais na malvadeza, mestres de crimes. À essas São Domingos disse: Distanciais imediatamente daqui e precipitais nas partes mais baixas do Inferno. Elas desmaiaram velozmente na fumaça e no fedor; ao mesmo tempo, os navios acostados com as armas fora do porto, afundados sepultaram (as armas) sob as ondas e empurrando (os navios) entre as chamas se queimaram, diante do exército quase fora de si pelo espetáculo.

VI. 1. O mesmo comandante abandonando todos os projetos de roubo e surpreso pelos horrores, junto com o mesmo grupo de ladrões (que era composto por mais de quinhentos homens), caíram suplicantes aos pés do Santo. Pediram de ordenar o que quisesse, de os aconselhar para a salvação e de cumprir o que foi iniciado.

2. Mas ele respondeu: Vós homens, purificais os templos com a confissão, desistais das ações desonráveis costumeiras, habituais ao bem. Quanto ao resto louvais o Senhor Jesus e a sua Mãe Virgem, no seu Saltério. E assim permitiu aos convertidos de repousar-se pelo resto do dia, visto que esses estavam atônitos, tremiam e estavam fragilizados na alma e no corpo. Para Domingos era suficiente ter visto uma coisa tão grande, ter escutado os culpados e ter cumprido (a vontade de) Deus.

3. Convocados novamente no dia seguinte, eles vieram em grande número ao encontro de Domingos, o qual descreveu em um longo Sermão, as espécies e a natureza dos monstros do Inferno que tinham visto. No final do sermão aconteceu a visão.

CAPÍTULO IV

Os quinze Abismos, ou seja as quinze bestas do Inferno e os quinze vícios: ao mesmo tempo torna-se público à visão.

TERCEIRO SERMÃO DE SÃO DOMINGOS TEMA: Salmo 150

Louvais Deus no Saltério, etc.

Oh! Filhos de Deus, combatentes do mundo, por longo tempo (fosses) filhos do diabo, como visses com os vossos olhos. Eu vim ao encontro da vossa vontade e vós sois por engano do demônio: porém por Natureza e por Criação, por Redenção e Sustentação, sejais Filhos de Deus. Agora escutem-me, suplico as almas porque, sem saber, haveis obedecido ao vosso Príncipe, com a realização de cada dia o Saltério da Virgem mãe de Deus. Eu fui enviado aqui para ensinar em nome da Santíssima Trindade e de Maria, apreendeis como e por quais males, deveis recitar o Saltério no modo devido para a remissão dos pecados. Primeiramente, quero que saibais: são quinze as supremas fontes de toda a malvadeza, as quais até agora como escravos servistes. Agora (e essa é uma Graça de Deus misericordioso), através do Saltério de Maria, vós sois distanciados desse; para, se quereis, seres livre.

E essas, como são quinze, se opõe também as quinze fontes da graça, que se desenvolvem na Saudação Angélica. Exporei, com a ajuda de Deus, os três grupos de cinco em tríplice ordem.

PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES DO SALTÉRIO

A PRIMEIRA BESTA DO ABISMO É O LEÃO DA SOBERBA

Nessa (besta), o mundo erra pela arrogância, a vanglória e o desejo de ser o primeiro, em pensamento, palavra e obra. Contrária a essa é a fonte de graça do Saltério, que se encontra na palavra da Saudação Angélica, “Ave”.

Os soberbos estão na máxima culpa da Maldição. E se isso acontecesse à um dos Santos, ele seria imediatamente enviado do Céu ao Inferno. Se (tal Besta) pudesse ser vista com os olhos em sua desonestidade, seria um horror e poderia levar a todos à morte eminente.

A besta desse Abismo é o demônio da Soberba, que vistes sob a forma de um Leão em chamas, que emanava chamas dos olhos e tinha dentes e unhas de ferro. Esse agita as asas de serpente, visto que todas as suas penas eram serpentes venenosas em chamas. As penas eram répteis, de veneno penetrante, que matam quem as olha mesmo de longe. O seu hálito continha faíscas com enxofre: que de tão grandes poderiam colocar fogo e consumar uma província inteira. Ninguém que a vê, vive, se não é protegida por um milagre de Deus. Vós que haveis recebido o milagre, o viram: porém, não haveis visto bem o monstro. E na verdade quem é capaz? Como testemunha Agostinho, uma pequena culpa mortal, supera ao infinito qualquer suplicio passageiro, assim como, todas as coisas materiais são superadas pelas espirituais. Por isso louvais à Deus no Saltério, para que viveis com Deus livres dessa soberba, e sereis um só coração com os humildes.

A SEGUNDA BESTA DO ABISMO É O CÃO DA INVEJA

Essa (Besta), através dos ódios, das murmurações, das detrações, da exaltação para o dano dos outros, da tristeza pelo o bem dos outros, etc., envenena todo o mundo. A arma contra essa é a segunda palavra da Saudação Angélica, “Maria”. Ela como testemunha São Máximo, é a Mãe e a Senhora da Caridade: a fonte e o fogo do amor, que junto ilumina e está próxima. Ela é o mais respeitável Serafim, mas quantas e tão grandes são as sombras para os invejosos. Se uma pequena parte dessa existisse materialmente nesse mundo, cobriria completamente, levantando os olhos, o sol e as estrelas: as sombras do Egito e os Cimeiros90 seriam nada em relação à essa. É essa, que leva a noite eterna ao Inferno.

A Fera desse Abismo é o demônio da inveja, que por muito tempo apareceu a vós sob as belíssimas vestes de jovem, depois (apareceu) na forma de um cão negro de montanha, das orelhas saiam uma fumaça horrível, para escutar as detrações, a língua era muito negra e cheia de vermes pútridos, pelas difamações que exalava, os dentes muito acuminados, pela língua pungente.

90 Os Cimeiros eram um povo legendário, que vivia nos extremos confins do mundo, onde não era vista a luz do sol.

As partes posteriores eram abomináveis pelo fedor e obscenidade, uma parte era sem pelos e outra era recoberta por pelos espinhosos. Com esses lacera e mancha a reputação inocente. Observais os seus cabelos cerdosos, todos como uma espada. Com esses, oh quantas e que cruéis mortos difunde escondida e abertamente, e contamina cada coisa! O rabo curvo se retorcia e todos os pelos pareciam flechas à serem lançadas na escuridão aos puros de coração. Os pés eram mais terrificantes da sua monstruosidade e eram horríveis pelas unhas: cada uma dessas levava uma arma, pronta à ferir todos os que encontra. Diz Ambrósio: Os invejosos movem-se para matar os corpos e as almas, para maldizer Deus e os Santos. Por isso para os libertar dessa Fera, louvais à Deus no Saltério.

A TERCEIRA BESTA DO ABISMO É O PORCO DA PREGUIÇA

Essa (Besta) é a tristeza das coisas Divinas, por causa dessa o mundo é indolente aos Mandamentos de Deus. No orar, maldizendo a si mesmo, procuram evitar os mistérios da salvação.

1. Contra essa besta a Fonte da graça é a terceira palavra da oração de Maria, “Graças”. A Graça, como atesta Santa Fulgência, torna alegre e disponível os homens para as coisas Divinas. Visto que servir à Deus é reinar, diz São Gregório.

2. Quais serviços os Reis poderão disponibilizar diante de um só obséquio de Deus?

Esse se opõe à Preguiça: desse flagelo todo o mundo está corrompido e é entorpecido até a morte. Em nenhuma parte do mundo se poderia viver, se um pouco de tristeza e de preguiça, se transformasse na natureza corpórea.

Não tem o porque surpreender-se, visto que a eterna e infinita tristeza é devida à pena da Preguiça.

3. A Besta desse Abismo assumiu a forma de um porco, que foi colocado na lama do Inferno. Levava as orelhas pontudas, muito largas, para ouvir todas as coisas fúteis. Os cabelos pareciam lanças ardentes, com as quais os preguiçosos ultrajam Deus e os Santos, o focinho é muito longo e apresenta-se numa série tríplice de dentes de ferro, porque São Crisóstomo ensina que os tríplices bens da Graça, da Natureza e da Boa Sorte destroem a Preguiça. De resto aquele porco era recoberto de pelos que, eram mais negros do que todos os etíopes juntos, e o tornavam horrivelmente monstruoso. Porque, como atesta São Basílio, o ócio é o leito do diabo, e o preguiçoso é o lugar e o refugio dos demônios.

Os pelos do rabo obsceno pareciam brasas ardentes, e das partes posteriores saia uma chama fétida: a preguiça é a mãe da luxúria. Por isso para viver imunes dessa fera, louvais à Deus no Saltério.

A QUARTA BESTA DO ABISMO É O DRAGÃO DA IRA

Por essa (Besta), muitos tem cóleras, cansam-se em brigas, blasfêmias e vinganças.

1. Contrária à essa, como fonte da Paciência é a quarta palavra na Saudação Angélica, “Cheia”. Como diz São Gregório, a plenitude das virtudes é a plenitude da paciência, que faz uma obra perfeita e que não é muito inferior ao martírio. Maria Santíssima a manteve escondida durante toda a vida e durante a Paixão do Filho.

2. O fogo desse abismo queima tanto, que se alguém visse uma pequena parte da chama da ira que provoca a morte e sobrevivesse, seria um milagre maior, do que se o mundo pegasse fogo e sobrevivesse um homem ileso e sobrevivente.

Visto que, como atesta São Jerônimo, o incêndio da culpa não tem comparação com o incêndio material e natural: é evidente quanto é mais grave a ofensa a Deus à qualquer dano terreno.

3. O Dragão foi por essa razão, a quarta besta aqui vista. E vedeis a sua imensa grandeza, que parecia engolir dentro de si as terras e os montes. Mas porém, saibais que: aquele monstro ocupava uma pequeno território, porém, aos vossos olhos parecia que ocupasse imensos espaços.

Aquela visão não era só natural, mas, pela minha oração, recebemos a ajuda de Deus. Assim o basilisco é pequeno no corpo, mas é enérgico pela força do veneno e pela ferida. Ele largamente espalhou o veneno mortal.

Esse Dragão é pequeno no espaço e na mole, mas por vontade da Mãe de Deus, via-se como uma besta de imensa grandeza. E tinha a cor vermelha do fogo porque, como atesta São Basílio, a ira é o verdadeiro fogo do Inferno. Os seus dentes são numerosos e muito afiados porque, como disse Agostinho, a ira é uma espada furiosa. Da boca saía exalações de pestilências e fedores, que corrompiam a tudo. Assim sem dúvida, disse Santo Ambrósio, leva consigo as injúrias venenosas contra o próximo e as blasfêmias contra Deus. Arrastava um rabo longuíssimo e verdadeiramente horrível. Por isso, disse Crisóstomo, a brama de vingança dos coléricos arde há muito tempo e é terrível, desejosa de arrastar consigo, todas as coisas na mesma ruína. Vibrava ali sem medida, assim a ira voa e em fúria erra pelo mundo. Tendo dominado os Príncipes e os Senhores das terras e das coisas, chama os homens às armas e confunde tudo com as chamas da raiva. Pontiagudos ganchos em fogo e tridentes longos giravam as asas amedrontadoras porque a raiva fornecia tais armas. Mas com o seu assovio crepitante de fumaça os acolheu com terrores e sombras, que vós aterrorizava, como se fossem lançados no Inferno. E se a força de Deus não vos tivesse conservado salvos, vós haveis entregue as almas. Os olhos da besta, que infelizmente tinha irritado-se, rodavam como globos de fogo de um forno. É difícil encontrar uma coisa semelhante à essa por horror. Por isso diz Santo Ambrósio, que ficando nos olhos, a ira prende tantas estradas, para executar a vingança. As unhas dos pés eram como lanças militares, sedentas de sangue e emanando pus. De que gênero é o homem, invadido por essa fera? A água, para ser imunes da sede, é: Louvais à Deus no Saltério.

A QUINTA BESTA DO ABISMO É O SAPO DA AVAREZA

Essa (Besta) devora a tudo com furtos, roubos, usuras, comércios e sacrilégios.

1. A fonte da graça contrária a essa, na Saudação Angélica é a palavra: “O Senhor”. De fato, como diz São Jerônimo, o avaro é servo da riqueza, mas aquele que é generosamente misericordioso é como o Senhor e a Maria Rainha de Misericórdia.

2. Esse Abismo é o Inferno e não tem fundo, caindo no abismo todas as coisas. Porque, como disse São Gregório de Nice, o avaro não enche-se, nem se sacia do dinheiro.

Para essa voragem não são suficientes todos os Reinos, se existissem mais mundos, os engoliria.

3. Por isso essa besta parecia um sapo, porque nunca se saciou com a terra. Mesmo que esteja com a barriga cheia tem grande apetite e teme que um dia possa faltar a terra. Esse levava a coroa, justo pela maldita ambição. O avaro, de fato, persegue sempre as coroas da ambição. A magnificência da coroa ultrapassava a crespa dos montes, entre os profundos vales dos quais, como em habitação, os avaros eram fechados, e no mesmo lugar, condenados com justas penas. E todas as coisas não podiam ser imaginadas, mas deviam ser mostradas e vistas. O demônio leva consigo sempre o Inferno, assim como o avaro e todos os condenados, como atesta São Gregório. Parecia que as unhas de ferro dos pés, terrivelmente curvas, possuíssem todas as coisas desejadas, às quais ao mesmo tempo ele era privado. É assim, diz Santo Ambrósio, visto que o avaro não possui aquilo que tem. Ele possui sempre somente desejo e esse é fome. A boca do sapo tinha uma garganta tão larga, que era capaz de engolir templos, terrenos e reinos inteiros. Por isso mais justamente Santo Agostinho, compara a avareza à boca do Inferno, porque nunca diz: Basta!

As suas asas eram sutis, como aquelas dos morcegos: através destas adentram nas noites da avareza, num voo diversificado. Assim é todo avaro.

Epílogo do Primeiro grupo de cinquenta.

Eis à vós então os cinco monstros e os outros tantos abismos, nos quais vós entrais na triste escravidão à serviço das bestas. Eis quem haveis honrado, o que haveis feito, sem saber, em todas as partes. Mas até agora saibais isso: imersos nesses cinco abismos, convivendo com essas cinco feras, vergonhosamente haveis violado o Decálogo dos Mandamentos de Deus; haveis provocado a ira de Deus, com a vossa ruína: terieis apodrecidos se a insigne misericórdia de Deus não fosse presente sobre todas as coisas.

Por isso vos aproximais solícitos das cinco Fontes da Graça, abertas na Saudação Angélica à todos os pecadores, assim como aos justos. Com qualquer uma das dez (palavras do Angélica Saudação) pode-se reparar os delitos cometidos contra o Decálogo e curar as feridas: alimentar aos famintos de alma para um vigor de piedade e de santidade. E assim oferecestes com a oração o primeiro grupo de cinquenta orações do Saltério mariano, para Deus e para a Mãe de Deus. Louvais então Maria no seu Saltério. Não duvidais, porque se a prática do Saltério vos levou à salvação, depois de os ter restabelecido na graça, também os conservará nessa: e dessa (vida) vos conduzirá a glória certa e eterna! Aqui interrompia a oração, a confissão dos ouvintes, o choro do profundo do coração, o lamento e o grito sofredor dos homens, seja daqueles que se arrependeram dos pecados, como daqueles que exaltavam pela liberação de tão grandes perigos e males; essa (liberação) foi procurada, eficazmente e felizmente, pelo benefício oferecido por Deus e pela Mãe de Deus e com a ajuda do Saltério.

SEGUNDO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

A SEXTA BESTA DO ABISMO E O LOBO DA GULA

Essa (Besta) enche a barriga e pensa no cuidado ao corpo.

1. A Fonte na Saudação contra essa besta é “Convosco”.

Visto que o Senhor está com os moderados, diz Santo Ambrósio, o Diabo está com os gulosos. Mas a Santíssima Virgem Maria mereceu, com a sua grande moderação, de ser a Rainha dos moderados. E certamente é tanta a bondade dessa abstinência, quanto grande (pode ser) a enormidade da gula.

E se Deus fizesse com que na natureza das coisas existisse em forma corpórea, ela sozinha, mataria e devoraria todas as coisas animadas e inanimadas e poderia por isso engolir o mundo. Nesse Abismo, quantas vezes submergiram os seres e soterraram os corpos, quantas vezes acolheis em vós essa fera? Qual? De que tipo? O visse! O Lobo era voraz e barrigudo; tinha a boca aberta de fome, espumava pela boca, mastigava sangue com pus. Na boca tinha cinco barreiras de dentes (dispostas) em cinco filas, por causa dos cinco tipos de garganta: e os dentes eram de ferro, longos como uma haste. O que ele não devora? A voz é tão monstruosa, que o mundo treme quando essa soa.

O fedor da garganta é maior, do que aquilo que navega sobre o mar: (tal fedor) poderia envenenar todas as costas das terras e fazer morrer todas as coisas. Sob os pelos híspidos, como varas de ferro, estavam escondidas as casas e as salas de jantar dos gulosos, que se camuflavam nas penas. Os testículos inflando-se reciprocamente de dois em dois, como pequenas colinas, com chamas sulfuras que ardiam e com um insuportável fedor. Tal é a luxúria, filha da garganta, que também é punida com as mesmas coisas, com as quais peca. Ao invés o rabo curvado para cima, dividia em dois, com obsceno obstáculo, as nádegas, para o horror daqueles que olhavam.

Oh, monstro abominável! Para evitar o seu furor, louvais a Deus no Saltério.

A SÉTIMA BESTA DO ABISMO E O DIABO DA LUXÚRIA

Aqui existem fornicações e adultérios, incestos, estupros, sequestros, sodomias e tantas outras coisas malvadas.

1. A fonte contrária à essa é a palavra da Saudação “Bendita”. Porque como Maria é a Virgem das Virgens, assim também o horror da luxúria é gerador dos outros delitos, e ambos são inexpressíveis.

2. Julgais por uma caso semelhante. Se Deus mudasse o fedor espiritual da luxúria em material, imediatamente sufocaria tudo e corromperia os seres inanimados. E não te surpreendas, disse Santo Agostinho, por causa do fedor da luxúria, cada fedor é ligado ao Inferno e esse é perpétuo. No Céu cada Beato prefere sofrer os tormentos do Inferno, mais do que suportar a pestilência da luxúria.

3. Por isso fez-se a representação, horrível e monstruosa de um bode, que levava na barriga inumeráveis condenados. Aquele ostentava dez altas coroas, cada uma grande como uma árvore, ramificada e, inumeráveis pequenos chifres, e cada um desses era capaz de devastar o mundo. A luxúria é tão potente, que despreza os Dez mandamentos de Deus. De fato, como diz São Gregório, o fogo é a origem da libido. A obscenidade dos genitais, por quanto era grande não deve-se, nem pode-se explicar com as palavras. Terias apodrecido imediatamente pelo horror daquilo que visses sem a ajuda de Deus. Diz bem Santo Ambrósio: o que existe de mais horrível do que os horrores da luxúria?

Uma torrente com fogo e sulfura, que vinha dos genitais do bode, cobria com a fumaça todo o mundo. A boca grande e aberta, levava em si quase todas as penas do Inferno, espirando chamas, que evocavam palavras obscenas. E essa extrema infelicidade recebeis em vós tantas vezes, quantas sejais contaminados com a libido. Para fugir desse futuro, louvais à Deus no Saltério.

A OITAVA BESTA DO ABISMO E O URSO DA FALTA DE FÉ

Essa (Besta) tinha infestado o mundo com os sortilégios, as artes da adivinhação, as magias, as heresias e os erros.

1. A Fonte da Fé contrária à essa jorra na palavra “Tu”, incredivelmente significativa e eficaz: Não é essa que faz adquirir a fé em Cristo, indicando-a? (Não é essa) que indica a pura fé da Virgem Maria? (Já) na (fé), a Santíssima Maria foi o maior e mais extraordinário milagre. Assim o Espírito o mostrou à Elisabete, quando ela disse: Santa tu, que crês. São Jerônimo disse: O Maria, grande é a tua fé!

Tu de fato mostrastes a fé ao mundo: Tu, trazendo a nós o Verbo de Deus, fundaste a Igreja sobre os santos montes, através do Filho. E assim, essa grande fé todos recebem de ti! Através dessa (de fato), satisfazendo à Deus, merecestes te tornar a Mãe de Deus.

2. A malicia dessa falta de fé, superava longamente a malvadeza das (Bestas) precedentes.

Por isso foi representada num urso gigantesco, mais cruel, feroz e voraz do que os outros monstros. Porque, disse Agostinho, a falta de fé é o maior dos pecados. A sua boca é a porta do Inferno, da qual se diz: Da porta do Inferno trás fora, oh Senhor, as suas almas. Na boca tinham doze filas de dentes semelhantes a traves e esses eram muito pontiagudos: por causa das sutis razões dos errantes contra os doze artigos da fé. Sob a barriga do urso, enfureciam-se muitas feras, assassinas das almas. A falta de fé, como atesta Santo Ambrósio, é a mãe dos outros crimes. Da boca saia um grito, que turbava o mundo. O que é mais horrível do que a blasfêmia? E o grito precipitava com o ímpeto das chamas, submergindo a tudo. Os pés eram enormes e horrendos por causa das unhas, assim como os dentes; e ambos espumavam de pus, sinal da crueldade dos infiéis. As asas eram de plumas de serpentes em chamas. Em um Sermão disse São Fulgêncio: Os infiéis enquanto voavam entre as falsas ciências, envenenavam o mundo. Cada um de vós deu moradia à essa fera dentro de si. No futuro, para evitá-la, louvais à Deus no Saltério.

A NONA BESTA DO ABISMO É A BALEIA DO DESESPERO

Essa, longe de Deus, gozou como pôde, das imediatas consolações do mundo.

1. A Fonte da Boa Esperança, contrária à essa, estabeleceu-se na Saudação: “Entre as mulheres”. A Santíssima Maria, disse São Jerônimo, é a Mãe da Esperança. Ela mesma, sofrendo em aparência a rejeição91 por essas palavras: O que queres de mim mulher: não ainda, etc., porém não foi privada da esperança, ao contrário, permaneceu certa da esperança, ordenando aos servos: façais aquilo que ele vos disser.

91 O Beato Alano se refere ao casamento de Caná, onde Jesus realiza o seu primeiro milagre de transformação d'água em vinho, graças ao pedido da sua Mãe (Gv.1-12).

2. É porém tão grande a morte por desespero, que se as mortes de todos os vivos se unissem numa só não superariam uma ínfima dessa. Por isso com golpe certo separa da vida eterna, como disse São Remigio.

3. Ela era representada por uma baleia, gigantesca pelo tamanho, a fúria e o aspecto, porque o desespero é a reta final e suprema dos pecados ditos anteriormente: era o dragão do mar, ou o Leviatã segundo Jó. Na sua boca apertavam-se inumeráveis fileiras de dentes, maiores do que os dentes das outras bestas, assim como era maior o cetáceo em relação às outras. Com essas devastava o Céu, a terra e todas as coisas criadas. Porque como esses imaginavam-se Deus, como o inimigo deles, prefeririam que Deus não existisse: o que é impossível e contrário à todas as coisas. A sua boca era semelhante a uma voragem, que engolia tudo. Na boca tinha um cárcere que aprisionava com corrente os desesperados. Dos olhos, saiam centelhas e chamas, grandes quanto os montes; da boca sai um rio enorme com um fedor sulfúreo, que são as palavras e as vozes dos desesperados. Aimone diz que esses se opõem às palavras da salvação, para que os vivos sejam como mortos, como se fossem num segundo Inferno. Para distanciar essa então pelo resto (da vida), louvais à Deus no Saltério.

A DÉCIMA BESTA DO ABISMO E O ABUTRE DA PRESUNÇÃO

Essa (Besta), ao contrário do desespero, caiu em pecado contra o Espírito Santo, além da misericórdia de Deus, essa é a única que não se pode redimir sem a penitência.

1. A Fonte da graça contrária à essa besta na Saudação é: “E Bendito”. Disse Anselmo, o Filho de Deus deu a benção ao mundo, com a sua inexplicável pena, nos ensinando também a fazer penitência.

2. A gravidade da presunção é tão grande, que não se pode avaliar, ela não admite confronto. Quantas mortes corporais poderiam se equiparar à uma morte espiritual, quando a vida espiritual é mais digna do que as vidas de todos os corpos? A existência no (mundo) natural é (de grau) inferior à espiritual, enquanto que a existência da graça, está acima da natureza. Vós julgareis, o que haveis visto, que com os corpos estáveis presentes no castelo, porém, com o espírito estáveis no Inferno.

3. Vós vistes um abutre, que de frente parecia uma Harpia, pelo voo atrevido, e pela soberba: detrás parecia um leão, pelo tamanho do corpo e a ferocidade sem igual: o monstro, era comparável somente à si mesmo e a nenhuma outra Besta. Por isso São Gregório de Nice disse: A presunção mais do que todos os pecados, viola a justiça de Deus, distanciando-a como uma coisa odiosa. O seu bico com a forma de um gancho de ferro incandescente, abria-se sobre as vítimas, agredindo muitíssimos com o terrível hálito. Para São Máximo foi o modo de vida que difundiu esse pecado. O seu estrondo devastava todas as partes do mundo, através dos discursos dos presunçosos, que não acreditam nas ameaças de Deus e da Escritura, desestimulam a honestidade, não escutam a Igreja que reprova os vícios. O ventre da fera era cheio de imensos fornos, onde (os presunçosos) eram derretidos completamente e transportados em outros, sem interrupção como castigo. Ao mesmo tempo eles morriam infinitas vezes e ressuscitavam para morrerem novamente. E isso (aconteceu) pela grande e vã confiança (de si), pela presunção. Vós sois surpresos pelas inumeráveis asas do monstro? Essas revelam as ideias que possuem os arrogantes voadores: (ideias) inconstantes e incertas; por isso procuram justificar-se nos pecados e se asseguram, iludindo à si mesmos com a misericórdia de Deus. Essas asas com os seus movimentos faziam vento que acendia o fogo do Inferno. As maldições de todos os condenados eram lançadas contra os presunçosos. Pés horríveis os pisavam e com ganchos os dilaceravam, fazendo-os em pedaços. Depois a Besta parou sobre um gélido rio, cheio de presunçosos e essas bestas, como disse Jó, passaram das águas geladas, ao excessivo calor. Derretendo-se nesse e repetidamente lançados em outros castigos, no final os presunçosos eram evacuados pelo posterior da Fera no gélido rio, como um rápido rio ardente, e trazidos em forma humana. Novamente rastelados, amontoados e triturados pelas unhas do abutre, eram devoradas. Esse é o Inferno, que nunca diz: Basta! Aqui via-se, pela maior parte, os Potentes e os Cleros, mesmo ricos, robustos, jovens, muito confiantes na nobreza, na potência, nas riquezas, na força, na idade, etc. Vós haveis visto essas coisas e haveis desejado, durante a visão, que os vossos filhos nunca sejam colocados ali. Haveis visto tantas coisas incomensuráveis, que não é possível descrevê-las. Com os corpos continuáveis a viver nesse castelo, porém, com os olhos do espírito e da visão, roubados e protegidos pelo milagre de Deus, vós estáveis no Inferno.

É natural que agora podeis julgar: porque podeis ver, com os próprios olhos, a besta como ela é, assim como podeis imaginá-la ainda maior.

Assim a vós acontece por querer de Deus. Aquele que acolhe em si essas bestas monstruosas, assume as (suas) infames culpas, assim como, o seu aspecto monstruoso e um dia o juiz dirá a esse: Não os conheço. Para fugir dessas Feras, louvais à Deus no Saltério.

 

Epílogo das coisas ditas anteriormente.

As Fontes divinas das quinze graças, jorram na Saudação Angélica e são abertas aos fiéis, que as frequentam diligente e dignamente. Esses beberão a vida eterna. As suas águas quando são bebidas, permeiam e se expandem através dos dez sentidos, cinco externos e cinco internos, lavando-os de todas as culpas, os purificando e enriquecendo de beatitude. Com esse objetivo, procurais oferecer santamente à Deus e à Mãe de Deus, cinquenta Saudações no segundo grupo de cinquenta orações do Saltério.

Terceiro grupo de cinquenta orações

A DÉCIMA PRIMEIRA BESTA DO ABISMO É O RINOCERONTE DO ÓDIO

Esse é contrário à Deus, em Pessoa, na Senhoria, na Providência, na Fé, nos Sacramentos e nas outras obras divinas. Os inimigos de Deus entendem que não tem valor os dons divinos e raramente os usam, amando com mais ardor somente à si e as coisas que apodrecem.

O pecado é imensamente ruim, quanto sumamente Bom é Deus.

1. A Fonte da Caridade é presente na Saudação Angélica, através da palavra “O Fruto”. Entre os frutos da Espírito Santo, o primeiro é a Caridade, que escorre continuamente desse. E verdadeiramente a Mãe de Deus o deu com o Fruto do seu ventre.

2. O horror abominável de todos os cadáveres juntos não poderia superar, nem mesmo, uma pequena parte da grande ferocidade e monstruosidade do ódio. A culpa mortal é tão grave porque pune a alma com a morte eterna e não porque mata a natureza. Na verdade creiais ao invés de matar Deus, porque ele é presente na alma, que é a imagem de Deus.

3. O rinoceronte por isso, representava o pecado do ódio, porque esse possui o ódio comum a todos os brutos e às feras e odeia imensamente todas as coisas que não reconhece, até mesmo quem olhou pela sua espécie.

Esse possui no único chifre uma força tão grande, que pode penetrar, rapidamente, com um golpe, troncos de arvores grossas como muros, tão facilmente vence qualquer fera, com um golpe de chifre; porém com a astúcia apenas de um e com a arte de uma virgem é enganado e aprisionado. Igualmente o ódio, diz São Gregório Nazianzeno, possui e ao mesmo tempo é possuído e mata com o pensamento. Pela habilidade da Virgem Mãe de Deus, cheia de Caridade, através da Saudação Angélica, esse pode ser vencido e acorrentado.

Haveis visto que a força dessa Besta se desenvolve mais do que qualquer outra e se alarga em uma imensa dimensão. A força do ódio é semelhante aquela do Espírito, porque é como a natureza de amar à Deus e aos homens, é inevitável a que mesma natureza possa ser usada para odiar à Deus e ao próximo. Assim o ódio fere a natureza e agride o próprio Deus.

O chifre do monstro podia ser medido, com dificuldade, pelo olhar e se expandia em muitos ramos de chamas e ganchos lembrando, pela abundância, uma selva. Todas as coisas se tornam horríveis, cheias de pus, de sangue e de podre e arrastam ferozmente a si mesmos com mortos silenciosos. Essas são as loucuras daqueles que odeiam. Esse abria uma grande boca através da qual podia facilmente engolir cidades e campos, porque o ódio, como disse Orósio, é a porta de todos os males. O ventre internamente era cheio de inumeráveis formas de maldades e se corroía espontaneamente, pela rotação das coisas do inicio ao fim. O Monstro continuamente rejuvenescia e crescia: assim os ódios renovam-se todos os dia e crescem lentamente. Visto que certamente de todo o Inferno nunca se ouvira com tanta ferocidade tantas blasfêmias lançadas contra Deus, e vindas dessa única Besta; por isso nos infernos invoca-se a morte de Deus.

As patas e as costas eram cheias de chifres espinhosos, como um porco espinho. Sobre cada chifre ramoso sentavam-se muitíssimos tiranos, perseguidores dos justos e da igreja. Um deles, ferido numa parte do corpo, permanecendo pendurado entre os chifres, foi dilacerado e torturado, porque na suprema batalha foi capturado nas costas da Besta, pelos (seus) cabelos, os quais estavam levantados como lanças em chamas.

Os mais cruéis entre esses, revigorados, voltavam à outras penas; novamente arrancados dos ganchos dos chifres, lançados de uma parte à outra, chacoalhados para cima e para baixo, abertos, inchados pelas torturas e novamente privados das vísceras.

Sabeis como eu, com dificuldade, expresso palavras de sombra daquelas coisas, que haveis visto. Quanto mais infeliz sois vós, que conservais as Bestas monstruosas, enquanto ardentes de ódio, vos atormentais abertamente e publicamente. Eu sei, agora odiais todos os ódios e vós mesmos e preferireis não os ter vividos, por isso, para que espiais os pecados e estais atentos, detestando os velhos pecados, louvais à Deus no Saltério.

A DÉCIMA SEGUNDA BESTA DO ABISMO É O CORVO DO COSTUME

Essa (Besta) segundo os teólogos, não identifica-se com um pecado preciso, em gênero, espécie e número, mas é a condição dos pecadores, que se repete de forma recorrente (como o corvo com o seu cras92) sem pausa: essa é a perseverança nos pecados ou impenitência.

92 O autor joga com o som emitido dos corvos que em latim significa “amanhã”.

1. A Fonte contrária à essa Besta na Saudação Angélica é contida na palavra: “Do Ventre”. Cada um nasce, cresce e é plasmado pela natureza com as próprias características, seja porque as características são, na maior parte, como os humores dos corpos e as índoles deles correspondem às disposições dos animais mais ou menos iguais. Porque os filhos tem certas características recebidas em herança dos pais, assim são gerados os mais violentos, os maiores mitos, os mais preguiçosos, os mais doentes. Por isso: todos os lobos uivam, os cães ladram, etc, e a prole segue o pai. A Mãe de Deus, com a sua benção corrigiu esse mal costume do ventre de Eva e inverteu tudo.

2. Por outro lado, a malícia do mal costume é aquele, que não pode ser explicado por nenhuma língua. Direi que nada a pode igualar, nem será possível alcançar uma coisa espiritual, boa ou ruim.

3. Um pássaro a representou a vós durante a visão: do momento que não existe nada igual (a esse), que nunca tenha sido visto e seja invocado pelos habitantes do Inferno, o Corvo do Inferno. Na extensão do seu corpo, superava grandemente as outras Bestas: porque, disse São Jerônimo, o costume de pecar é o maior mal dentre todos os pecados, assim que por maior que sejam os pecados, esse atira na sua imensidade, um acréscimo. O mal também é menor na culpa, porém é o máximo na perseverança. Essa enche o Inferno, porque alimenta e difunde os males. O mal, através dessa, é habitual para os juristas. No ventre do corvo, corvos iguais (a ele) gritavam, socorro, socorro, mas o corvo, aos corvos respondia, amanhã, amanhã e assim eternamente. Outros pássaros carnívoros e predadores, estavam em torno a esse corvo e esses eram devoradores de almas e imensamente vorazes. Com o bico arranhavam as almas, enquanto, através das imensas mandíbulas completamente abertas, abria-se muitas gargantas em si ávidas, cheias de almas. Através de cada uma, cada alma devia passar por tantas outras penas: transportadas ao ventres, eram transformadas em bestas ferozes, com as formas dos pássaros e novamente enviadas do ínfimo ventre, eram restituídas às gargantas daquele que gritava, amanhã, amanhã, com gritos horríveis e imediatamente vinha reabsorvida no ventre.

Assim no mundo se desenvolveu os mesmo percursos, segundo o rito do costume perpétuo.

Por isso vós que haveis mantido com tenacidade, o costume de pecar, depois de o ter condenado, expulso o corvo de vós, louvais à Deus no Saltério.

A DÉCIMA TERCEIRA BESTA DO ABISMO É A MERETRIZ DA APOSTASIA

A Fé da Igreja é profanada por essa (Besta), assim como a promessa e a concórdia. Cada um que se separa de cada uma daquelas três, procura ao invés aquelas coisas, que as são próprias.

1. A Fonte contrária à essa jorra na Saudação Angélica, nas palavras: “Teu”. Tu és teu, sobretudo então, disse São Jerônimo, quando és de Deus, restituindo à Deus e à Igreja, as coisas que são de Deus, à César e à cada um o que é seu; e assim a Virgem Maria, a toda de Deus, foi certamente sua. Quem pois, disse Píer Damiani, é todo seu, todas as outras coisas são suas e deve ser compreendido entre aqueles que não tem nada e que possuem tudo. A imensidade da apostasia, supera todas as coisas, não só para quem é apóstata, mas também para aqueles que favorecem os apóstatas. Vós todos sois aqueles, que haveis favorecido a falta de fé. E alguns de vós, obstinados, ainda não desistiram.

Isso dizia para aqueles, que eram paralisados pelo medo, mas ainda não tinham se arrependido pelo amor de Deus.

Ao mesmo tempo uma mulher representava a apostasia. Era tão gigantesca, que a cabeça alcançava as nuvens. Visto que São Gregório disse que a apostasia ultrapassa em amplitude e largueza todos os seus pecados e prolonga as coisas malignas. As mulheres, disse o sábio, fazem apostatar os sábios. Por isso como a mulher é todo o mal, disse São Jerônimo, assim também a apostasia, é o vento Aquilão, que disseca a graça de Deus e arranca as árvores: o (vento) Aquilão difunde todo o mal.

Se diz que se excluímos as mulheres, as Leis divinas permanecerão santas, respeitadas. A mulher é chamada justamente a Mãe do Inferno. A apostasia quando se separou de Deus, fez os demônios e o Inferno. Essa tinha mais de mil cabeças e cada uma maior que uma montanha; a boca aberta tornava-se imensa e dela saíam tantas blasfêmias e mentiras. Os dentes eram mais das (ilhas) Baleares, e similares a traves, tanto que cada um continha em si três outras filas de dentes. Essas, em torno, arranhavam, trituravam, mastigavam as almas, com um tormento sempre mais cruel. A partir do momento que a apostasia da fé distanciava da Fé, da Esperança e da Caridade: os três votos da profissão. Quanto grandes são os tormentos que aqui se praticam contra os apóstatas! A Fúria, devorava ao interno (de si) e consumava aqueles que eram inconsumíveis, e os vomitando, os torturava e os contorcia. Em um fluxo e refluxo ondulado, essa o arrastava para os tormentos maiores: como uma mãe esquentava o seu ventre e o seu peito, com beijos e abraços. Para os conservar livres dessa, louvais à Deus no Saltério.

A DÉCIMA QUARTA BESTA DO ABISMO É O MONSTRO DA GUERRA.

A guerra, disse São Máximo é o mal: nenhum pecado está longe dessa.

Quem deseja a guerra, coloca facilmente a vida em risco: na guerra não existe nenhuma salvação.

1. A Fonte contrária a essa na Saudação Angélica é “Jesus”, que é um Rei pacifico. Quando Pedro estava para se lançar na batalha disse: Recoloques a tua espada na bainha. Quem matar com a espada, perecerá da espada.

A espada representa: a espada temporal, da condenação ou até mesmo com ambas. Maria o tornou acessível ao mundo, como uma Fonte. Ela, como diz Agostinho, gerou para nós a paz: reconciliou o mundo com Deus e fez de ambos um só.

2. Por isso, mais grave e mais condenável à sua infelicidade: por isso se propõe de imitar os condenados Heitor, Aquiles, Júlio César, Alessandro Magno e os iguais a esses, mais do que o pacifico Jesus. Não é a vitória, mas a causa, que justifica a guerra. Não é a procura pela glória do nome que torna ilustre o guerreiro, mas o combate pelos preceitos da Religião.

Procures a glória? Amais a glória dos Anjos: Paz na terra aos homens de boa vontade: e não aos homens de uma vontade bélica. Assim o Rei pacífico é magnífico sobre todos os Reis da terra. Eis vem a ti o teu Rei dócil.

1. A Paz é linda e agrada a salvação, tanto quanto a guerra é abominável e absolutamente não necessária, tanto é inimiga à Deus e é uma ruína infeliz.

2. Considerando que o pintor deve retratar o horror da guerra; mesmo se juntassem todos os pintores, que nunca foram reconhecidos e esses acrescentassem um segundo e terceiro defeito à pintura, não seriam capazes de retratar nem mesmo uma parte do horror da guerra injusta e da abominável alma dos seus guerreiros. Não se pode fazer nenhuma comparação entre as coisas materiais e finitas e aquelas espirituais e infinitas, mesmo se existe uma certa semelhança.

3. Por isso para Pitágoras os guerreiros são monstros; para Dídimo são demônios, não homens. Os demônios só fazem mal à quem querem; mas os guerreiros (fazem mal) àqueles que não querem. Aqueles depois da morte precipitam no Inferno, esses precipitam antes mesmo do dia da morte. Aqueles (os demônios) tentam aconselhando secretamente. Esses (homens) constringem, ferem violentamente.

4. As feras economizam os seus iguais, o lobo não devora o lobo, etc., mas na guerra o homem é para o homem, mais do que um lobo.

5. Os carnífices são considerados infames e são os ministros da justiça.

O que deve-se pensar dos sanguinários seguidores da guerra injusta? Qual será a sua futura infâmia nos Céus no dia do juízo final? Desespero, aos servos malvados que terão uma fama ruim assim, junto ao Senhor: com as mãos e os pés amarrados, esses são relegados às sombras, porque preferiram a injusta glória do mundo, diante da glória e justiça divina. Sem dúvidas era esse, que os teria privado da vida, quando o monstro da guerra foi oferecido diante dos vossos olhos, se não os tivesse encorajado a virtude de Deus. Estais horrorizados pela visão, orais ao escutar o que acontecerá?

O monstro apareceu tão estranho de aspecto, que não era possível escolher um nome. Todas as formas horríveis de malvadeza presentes no mundo, pareciam misturadas nele. Por isso é chamado o Inferno dos Infernos, mas no Inferno é dito paraíso do mundo: porque muitos acreditam que a guerra seja o seu paraíso. Eu penso justamente o contrário. Como diz São Jerônimo, a guerra é dita ironicamente bonita: quando o mundo nunca viu nada de mais monstruoso. Um monstro de tão grande corpo vos apareceu, quase maior do que o mundo: ele contém em si todos os males do mundo, como o total em relação às partes e a morte em relação as doenças.

O quanto é grande o tamanho e a massa dos sofrimentos, assim como, o peso dos mais altos males? Quem o explicaria? Quem poderia imaginá-las?

Com razão, àqueles que tem dificuldade de entender o divino com a mente, foi dito: se engana quem pensa que pode explicar os monstruosos sofrimento desse Monstro.

Quem são os beligerantes, se não aqueles que se comportam como as feras: furiosos contra o gênero humano, porque não podem atacar Deus através da Teomancia, como conta-se dos gigantes, que tentavam conquistar o Céu. Também haveis visto no Monstro as armas que usavam Cain, Nembrot, Saul, Olofernes, Décio, etc. Esses dirão: Aprovamos a guerra: 1. Por uma justa causa. 2. Pelo Império dos Senhores. 3. Pelo bem comum. O que? 1. A causa da guerra nunca é justa, quando o homem, pelo bem temporal, se expõe ao perigo mortal ou ao perigo de pecar. 2. Deve-se obedecer mais à Deus, do que aos homens e é melhor ser privado da graça terrena, do que daquela do Senhor do Céu; principalmente quando a devastação se dirige para a Igreja. 3. O bem comum político só raramente é em si verdadeiramente tão grande, que é igual ao dano das armas, que no mais está atrás das catástrofes das batalhas. O bem é frequentemente considerado como presente na fama e na paixão, mais do que na verdade das coisas em si.

Visto que o meu discurso é orientado aos belicosos, desejareis escutar qual das guerras deve-se considerar justa! Digo então.

1. Quando o promotor de uma guerra possa ter um justo direito.

2. Quando não se possa obter a paz de nenhuma forma.

3. Quando tenha surgido por justa causa defensiva e não ofensiva.

4. Quando não se pratique violência ao bem comum, por causa de um bem privado, (que não se danifique) um (bem) maior, por causa de um (bem) menor.

5. Quando o mal da distância com as armas, tenha sido maior do que o sangue cristão a ser derramado. Visto que o homem é o mais nobre dos bens da natureza, a sua morte violenta deve ser julgada o mal maior da natureza. E será pela fortuna terrena, que os filhos do Rei consumarão um parricídio, em troca de rãs e sapos; mas o homem é filho de Deus, se não por graça, certamente por natureza.

6. Quando há uma guerra em defesa da Igreja, da fé, da justiça, ou de uma outra virtude, etc. Observada a ordem da Caridade e o grau dos bens, isso é por um bem melhor. Visto que essas coisas raramente levam à guerra e pouquíssimos são aqueles que confrontam lealmente as almas, os eventos incertos; disso um Santo soube por divina revelação, que em uma guerra, não em um encontro, digo, se perderam cerca de quarenta mil homens e entre esses não mais de seis tinham evitado a condenação eterna.

7. É necessário que aquele que dá o nome à milícia, saiba o que pode ser considerado justa causa. E se essa não é presente no que foi dito, evidentemente deve-se obedecer mais à Deus, do que ao próprio Príncipe.

8. A sua potência não chega ao Tribunal do juízo de Deus e nem mesmo àquele da consciência. Nem é necessário que por causa de um bem incerto, se afronte o mal da guerra.

9. Quando for clara a causa da guerra, então que cada um celebre o Sacramento, procure com a Sagrada Confissão de purificar a alma, para não se expor temerariamente aos perigos.

10. É necessário que a todos, com segurança, seja proibido com acordos, um edito, etc.. os injustos roubos e os outros crimes e que a consciência e a oração de cada um à Deus, (seja acompanhada) frequentemente da ação e sempre de (tal) desejo: Em ti Senhor esperei, não estarei confuso eternamente; na tua justiça libere-me e leve-me embora.

Então, antes de começar uma guerra, que se escute o pensamento dos Teólogos e os homens santos e justos. A causa justa da guerra, em relação à fé e à caridade, a defender e a manter, não é tão intrínseca dos Príncipes e dos leigos, quanto dos homens capazes por profunda ciência, e por divino discernimento. Por isso, homens guerreiros, louvais à Deus no Saltério.

A DÉCIMA QUINTA BESTA DO ABISMO É O DRAGÃO DO SACRILÉGIO

Esse (dragão) é, em geral, tudo o que designa a irreverência à Sacra Fé, porém, sob uma tríplice diferença de formas, como à tríplice propriedade da santidade, ou seja, das Pessoas, dos Lugares, e das Coisas Sagradas; como por exemplo os Sacramentos, os Sacramentais, as coisas consagradas e aquelas consagradas aos mistérios. Aqui se observa o Comércio fútil e revestido de competições, (que são) as profanações da condição eclesiástica.

1. A Fonte contrária a esse, na Saudação Angélica é a palavra Cristo, ou seja Ungido, do qual se expande toda a força e a santidade dos Sacramentos, através da Mãe de Deus, como um canal. Ela, disse Santo Anselmo, é a Tesoureira de tão grandes Mistérios.

2. Desespero, àqueles que se deliciam em estar nessa situação os Alquimos, os Jasões, os Menelaos, os Antíocos; essa indescritível impureza grita de forma atroz ao Céu; tanto que se Deus representasse um semelhante som corporal, esse seria tão intenso, que poderia ecoar através dos mundos infinitos. O pecado é tão amargo para Deus, que se dos infinitos mundos (se existissem), todas as coisas mais amargas da natureza se juntassem em uma coisa só, não se poderia aproximar nem mesmo à distância a menor amargura desse. Por Deus, o mal é tão feroz, que a inteira fúria de todos os furiosos, não poderia reconduzir a raiva dessa malvadeza. Quando todas as criaturas forem transformadas por Deus em Dragões, os menores fedores dos sacrilégios e da blasfêmia se apresentarão inferiores.

3. O Dragão por isso representava à vós esse ímpio delito; era semelhante àquele do Apocalipse que tem sete cabeças, contrárias aos Sete sacramentos e dez chifres, contrárias ao Decálogo.

4. Arrastava, porém, a terceira parte das estrelas do céu, tanto esses abusam sacrilegamente dos Sacramentos.

5. E esse Dragão fazia guerra contra a Santíssima Virgem Maria e o seu Filho; assim escandalosamente mostram-se e apresentam-se ou ao menos vivem, os Simoníacos, etc.

6. E o Dragão fazia sair, detrás da Mãe e do Filho um rio sulfúreo; esse representava as podres orações, as indignas celebrações de Padres e de Religiosos ou de leigos: como se com esse estivesse para submergir a Justiça vingadora de Deus.

7. A terra, ou seja, o Inferno, engolia o rio, mas não o Céu, porque todas as obras desses são terrenas. Desespero, àqueles que assim usavam as Coisas Divinas, que as querem em terrenas e em sacrílegas.

8. Fazem guerra contra Miguel e os seus Anjos, porque agem mal contra os bons e os justos. Os olhos matavam somente com o olhar; assim o sacrílego (age) com o escândalo. Os desejos da boca tinham mais de mil fileiras de dentes, porque os sacrílegos, principalmente através da boca contaminada pegam as Coisas Divinas. As bocas eram sete. Haveis ouvido que surgem contra os sacrílegos mais de sete mil gêneros distintos de tormentos e além desses, muitíssimos outros (tormentos) indicados precedentemente.

Os Dragões levavam também sete ventres, assim até os dez chifres levavam inumeráveis tormentos e repetindo-os, os tornam eternos. Deus nos mantenha longe desse (Monstro). Por isso louvais Deus no Saltério.

NOTA

EXAME TEOLÓGICO E EXPLICAÇÃO DA VISÃO

XVI. Perguntais: Como se viu essas coisas, se nenhuma Besta encontra-se no Inferno? Respondo: Porque perguntais sobre o que haveis visto?

Esses são os principais demônios do Inferno e aparecem assim às almas a serem atormentadas, as vezes com uma visão fruto da mente, outras vezes (com uma visão) ligada à imaginação, outras vezes através das aparências assumidas por eles. Os demônios são vinculados ao aspecto corpóreo especialmente pela Potência divina, seja porque só por os ver as almas atormentam-se muito, seja porque os mesmos demônios, com aquela constrição das (aparências) assumidas, sofrem mais cruelmente pela eternidade e enfim para que as almas, com as quais pecaram, também sejam atormentadas. Por outro lado, esses com as suas aparências, são colocados diante das almas condenadas.

2. Perguntais: Como eles são vinculados? Respondo: A potência Divina e a Sua Justiça infinita, imprimiram nas almas dos condenados uma força e uma forma sensível e todas essas realidades sensíveis sempre se apresentarão a esses, sob essa forma atormentada; nem os demônios, ligados a esses, podem fazer de outra forma. Enquanto a força espiritual é maior do que aquela corporal, mais grave é a pena, como se fosse uma (pena) natural; por isso as almas sofrem de um sofrimento sobrenatural. Para que, incólumes, refugiados dessa, louvais à Deus no Saltério.

CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA

XVII. Finalmente pergunto! Haveis visto algo diferente daquilo que eu expus? E a voz de todos foi uma só: Senhor, nada de mais verdadeiro conhecemos; de novo São Domingos (disse): E na verdade vós todos, não sois obrigados, mas horrorizados pelo terror; mesmo tendo visto as Bestas, as manténs ainda nas vossas almas. Por isso muitos desses (responderam): O Pai, isso parece impossível. E eles; Oh! preguiçosos de coração em crer à todas as coisas que haveis visto e ouvido! Olhais novamente! Ao mesmo tempo orientado a Santíssima Hóstia orava claramente. O bom Jesus; mostra de novo a esse, que isso é verdade, para que se deem conta da imensidão dos pecados que eles experimentaram. E uma voz veio do alto: Isso que viram basta, para que acreditem. E novamente São Domingos disse: Oh Senhor, basta certamente para a tua justiça, mas para a tua misericórdia e para a miséria desses pecadores ainda não basta.

E imediatamente cada um voltou à si e junto aos outros, os mesmos quinze Monstros eram vistos ainda mais horríveis. Para os presentes, parecia que o que tinha sido visto antes, fosse como um sonho ou uma pintura. E se não tivessem sido protegidos pela mão de Deus, estariam mortos. É cruel, ver a malvadeza dos próprios pecados. o que existe de mais cruel está no Inferno? A Razão ensina que quanto mais nobre é o positivo, mais o negativo é pior. Assim o pecado priva da graça e da glória e a pena do Inferno priva de um bem sensível e em si (a pena) não faz parar o desejo da glória; por isso a pena do dano é mais atormentada, do que a pena do sentido.

E como humanamente não pode ser compreendido o que Deus preparou para aqueles que o amam, assim não podem ser compreendidas as coisas que Deus preparou para aqueles que o odeiam. Só aquele que o recebe, o sabe.

XVIII. Todos que viram essas coisas, jogaram-se no chão, em lágrimas, e arrependendo-se de todo o coração numa verdadeira penitência, alegraram-se. E se sabe que, desde então, nenhum deles foi visto rir: abandonado o mundo, todos os renunciaram, com poucas exceções.

Entraram em varias Ordens religiosas, realizaram durante toda a vida, a penitência. Alguns viveram professando a Ordem dos Pregadores, outros aquelas dos Menores, muitos aquela dos Certosinos: alguns se fecharam nos ermos. Através desses, que eram muito potentes, ergueram, aqui e ali, muitos Conventos de Religiosos. Ao mesmo tempo os Senhores e os Príncipes, sob o exemplo deles, retiraram-se para um melhor fruto. Lí que São Domingos fez algo parecido na Espanha.

TESTEMUNHO DA VISÃO DO NOVO ESPOSO

Tenho certeza, que há pouco tempo um Novo Esposo da Santíssima Maria viu todas essas penas singularmente, de forma muito real. Ele também escreveu o que foi dito, porque continuamente tem suportado penas, pelos seus pecados e pelos dos outros. Li também que São Domingos mostrou algo parecido nas aproximações de Toulouse e das gemas heréticas: mas por pouco, aparecendo o demônio, sob forma de um prisioneiro. Li coisas parecidas também foram vistas por outras pessoas: mas não tão precisas e tão grandiosas. São Domingos também fez com que fossem pintados aqueles quinze monstros, assim como se manifestaram. Esse quadro ainda existe, mesmo se a origem tenha caído no esquecimento.

CAPÍTULO V

As quinze Rainhas das virtudes. Visão do Povo de Bretanha, revelada ao Novo Esposo de Maria, através de São Domingos.

O Saltério da Santíssima Trindade através dos diferentes dons dos caríssimos e das virtudes, adorna o mundo. Primeiramente decores a Igreja com as rosas e os lírios da primavera. Visto que existem as divisões das Graças, São Jerônimo as subdivide em tríplice: Morais, Teológicas e Sobrenaturais. A única raiz dessas é a Encarnação de Cristo, através do qual aconteceram as subdivisões. E para que se tornassem perenes, colocou dentro das suas palavras a mesma força, para que os mesmo dons contidos nessas fossem protegidos e para que as coisas boas da vida fossem obtidas através das orações. Aquelas palavras estão em duas orações e fórmulas para orar e honrar à Deus, ou seja, a Oração do Senhor e a Saudação Angélica. Por isso Santo Anselmo chama jardins, os Depósitos de todas as Virtudes e os carismas de Deus. E Crisóstomo disse: O que existe de bom que não tenha plenamente a Oração, tida como Sumo Bem? E Santo Agostinho disse: Maravilhosa clemência de Deus, que compreende em poucas palavras a incompreensível Bondade da Sabedoria divina, em modo admirável! Porque na Oração do Senhor pintou a inteira salvação.

Existe verdadeiramente em todas as partes, quinze sinais, cheios de virtudes. E assim os descrevo no gênero e na grandeza.

A NARRAÇÃO DO FATO

I. São Domingos, novo Apóstolo do mundo, levou também em Bretanha a pregação do Evangelho junto à virtude do Saltério e visto que sua mãe, filha de um Comandante da Bretanha, provinha do mesmo lugar, era escutado com grande atenção, como se fosse parente de sangue do Grande Comandante. Muito dessa atenção devia-se principalmente pela enorme fama do santíssimo nome e ao mesmo tempo, pela prova dos milagres, que Deus cumpria através dele, como através de um Libertador do mundo arruinado pelos crimes. O Fundador da nova Ordem exímio Pregador, especialmente (cumpria os milagres) através (da intervenção) de Deus, da Mãe de Deus e dos Santos. E isso acontece de forma justa porque como testemunha Santo Ambrósio, é justo que Deus conceda aos primeiros Fundadores em qualquer estado (de vida) dons muito superiores aos de seus seguidores. Esses últimos devem ser movidos, iluminados, e aperfeiçoados por (tais dons). Visto que cada pregação, segundo Agostinho, deve ser baseada nas virtudes e nos vícios, mas também nas penas desses (vícios) e nos prêmios daquelas (virtudes): São Domingos se dedicou com todo o Espírito e esforçou-se, em ensinar tais coisas.

Por isso, foi necessário que ele fosse iluminado pela bondade de Deus, para que desde então fosse luz para muitíssimos. O que acontece nos tempos sucessivos, em uma sua milagrosa pregação do Saltério. Como o Pai mesmo revelou, aparecendo recentemente, à um Filho devoto, novo Esposo de Maria.

II. 1. São Domingo, antes de preparar-se e falar, segundo o costume, aplicava-se com grande diligência às orações secretas e normais do Saltério: orando à Deus para o fazer compreender e de colocar na sua boca um Sermão eficaz, que envolvesse o povo mais necessitado.

2. A oração da Coroa seguiu imediatamente a Sagrada Atividade da Missa (que raramente ocorria sem um sequestro ou revelação) e na metade (da Missa), na costumeira e primeira recordação a ser feitas aos vivos, enquanto compartilhava as realidades Divinas, teve uma revelação de aproximadamente uma hora. Nessa ele, sem se mover, orientava-se às coisas adoradas; estava com o rosto vermelho como uma chama e tinha dor de cabeça. Onde estava havia muita fumaça por todas as partes, claro sinal da presença do Espírito Santo sobre ele. O fato cria muita surpresa e admiração em todos os Aristocráticos do Reino que assistem ao Oficio Divino. Entre os presentes estava o Grande Comandante, um grande povo, homens de prestigio, que tinham sido convidados à cerimônia e estavam desejosos de o escutar.

3. E visto que a revelação durou muito tempo, o Comandante que permanecia ali com a mulher, e outros que estavam entorno, pensaram que o Santo devesse ser distanciado. E enquanto tentava-se novamente pegá-lo ninguém conseguia o tocar com o tato. Esse, na realidade, suscitava no Superior maior admiração assim como murmúrios de acontecimentos em segredo, à orelha de cada vizinho.

Temor, misturado com estupor, agitava muitas coisas nas almas! Todos eram incertos, sobre o que fazer e temerosos em como terminaria aquele episódio.

4. Quando terminou todas as Atividades Solenes da Missa, São Domingos, como costumeiramente, retirou-se por breve tempo e logo depois, subiu em um alto ambão abençoando à si e ao povo com o Sinal da Cruz.

CAPÍTULO VI

As quinze Rainhas das Virtudes

QUARTO SERMÃO DE S. DOMMINGO TEMA: Salmo 97

Cantais ao Senhor em Canto Novo, porque cumpriu maravilhas.

Comandantes, Príncipes e fiéis do Povo, amados ouvintes, o que proponho nessa Solenidade do Santíssimo Corpo de Cristo, é o tema anunciado antes à vós pelo Salmodiante Davi. O tema é diferente da presente Festividade, ou diferente nessa: talvez algumas maravilhas se insinuam em algumas almas. Escutais bem e reconheceis perfeitamente, qual e quantas coisas maravilhosas e divinas, o Nosso Senhor Jesus Cristo, na Santíssima Eucaristia, dignou-se hoje de vos mostrar. Hoje vos, haveis admirado com os vossos olhos, um novo Espetáculo, o milagre e o mistério do Novo Testamento. Haveis visto e conhecido o Redentor do mundo Jesus Cristo, Filho de Maria Virgem, Mãe de Deus, nascido para nós, Crucificado, Ressurgido. Então se qualquer faísca do Espírito de Jesus é dentro de vós, se algum filamento do Nome, do Amor e da Honra Cristã está em vós, dizeis obrigado, Louvais à Deus, celebrais as Maravilhas de Deus: Cantais ao Senhor um Canto novo, porque realizou maravilhas.

Se vos perguntais o que é esse canto Novo, esse, vos digo, é aquele que eu agora a vós prego, a dúplice oração do Novo Testamento: uma é aquela que no inicio (do Novo Testamento) o Anjo anunciou a Maria, Ave cheia de graça; a outra, é aquela que Jesus Cristo entregou e pregou aos Apóstolos, Pai Nosso que estais no céu, etc. Com esses, louvais o Esposo e a Esposa e louvais Esses no próprio Saltério deles. E não só, será oportuno louvar por uma justiça merecida, mas também os amar com toda a mente.

Por isso tenhais pendurado na cintura, os Saltérios, para que sejais, e vos reconheçais pelo adorno: 1. Do Sigilo Real. 2. Do Sigilo Imperial. 3. Do Sigilo Celeste e do todo Divino: do Sigilo, digo, da Santíssima Trindade e do Novo Testamento.

Visto que na mesa da Santíssima Trindade, ao lado Dela sentam-se as quinze Rainhas das Virtudes Principais, penso que dessas eu deva falar com clareza à vós, para que, depois de as ter conhecido, andais com essas, servir à Deus mais devotamente. Essas vos foram dadas e se quereis, essas (aspiram ser) as vossas prometidas Mulheres, belíssimas e ao mesmo tempo, gloriosas. Essas bramam por ser as vossas Protetoras, as vossas Comandantes e Salvadoras, até que vós, sejais introduzidos nos tronos dos Quinze Reinos Beatos.

Desespero àqueles, que assumiram comportamentos inimigos à Deus através do pecado, (desespero àqueles) que violados criminosamente um ou muitíssimos (preceitos divinos), incorrerem no crime de Lesae Maiestatis junto à Deus. O Deus ciumento e forte, não deixará impune quem tenha obscurado uma dessas; o réu, acusado de parricídio, será submetido à segura sentença da eterna condenação. Ora, as Virtudes Rainhas são aquelas que devem julgar a condenação, visto que as paixões dos malvados seguem criminosamente opostas à (Virtude). E dessas, vós haveis observado três filas e cada uma dessas é dividida em cinco. Visto que as virtudes podem manifestar-se, que sejam honradas: (isso) será ensinado mais tarde, depois da décima quinta Rainha.

PRIMEIRAS CINQUENTA ORAÇÕES DO SALTÉRIO

A PRIMEIRA RAINHA: A HUMILDADE

I. Essa é a base e o fundamento de todas as virtudes, a qual, na Santíssima Virgem Maria, o Senhor amou com um amor muito ardente. Essa é chamada assim da terra, dizem Santo Anselmo e outros, visto que os humildes se abaixam até a terra, se pospõem à todos, e, pelo amor de Deus, antepõe todos à si mesmos. Esses olham a fragilidade da sua natureza e adoram nas outras coisas a presença de Deus. Essa virtude exulta pelo sucesso dos outros, foge ao próprio, a menos que o louvor e a grandiosidade da pregação seja voltado à Deus. Essa ama ser desconhecida, odeia passear em um lugar elevado: procura corações pacíficos e dóceis.

Disse São Jerônimo: Se a Santíssima Trindade abaixou-se à ele, como a qualquer outra coisa e aproxima-se através da própria Virtude, por que o homem, pó e vil sombra, quer levantar-se acima da terra? Porque (o homem) esqueceu de si e de Deus, conhece pouco a sua covardia, assim como, os méritos e a Majestade (presentes em) Deus? A Soberba, sua inimiga, o insidia até à morte.

II. Uma habitação está pronta para ele em um luxo real, no Palácio da Oração do Senhor “Pai Nosso”. A Santíssima Trindade, através da humildade, é por graça, o Pai de todos nós e nós, filhos seus, temos que servir com suma humildade: o obedecer, temer, amar e adorar. Porque (fomos) criados da terra, enquanto não (somos) filhos (de Deus) por criação. Depois de tudo isso não nos humilharemos diante do Criador?

Assim, Ambrósio (afirma): o Aspecto e a beleza dessa Rainha é indescritível.

Ao novo Esposo de Maria, o Senhor mostrou a (Rainha). A Virgem vestida de branco, coroada de dez pedras preciosas, com uma cinta de maravilhosa beleza, marcada por quinze ornamentos; com um esplêndido colar de doze pérolas esplêndidas.

Na mão direita levava a Cruz, sinal da humildade de Cristo sofredor.

Uma capa maravilhosa a revestia toda de estrelas e de gemas e era luminosa. Ornava os dedos de anéis marcados com a Cruz, testemunhos do seu noivado com Cristo.

III. São Domingos tinha pregado, mas acrescentou: a beleza e o valor de todas as estrelas, não poderia aspirar a superioridade do seu valor. Por isso é melhor obter a posse dessa, do que ter o domínio do Sol, da Lua e das Estrelas. Cirilo disse: Essa, de fato, está entre as primeiras filhas de Deus que reina sobre as almas santas; por isso também Deus, como atesta Agostinho, nesse mundo, ama mais uma graça mínima, do que toda a natureza. E vós, através da soberba, disse São Domingos, quase a matais.

Atesto que são mais de trezentos, aqueles que contemplaram muito limpidamente, mais do que uma pessoa possa representar na oração, com os olhos da mente. Por isso, cantais ao Senhor com um Canto novo. São Domingos, olhou durante a sua visão, as outras Rainhas da Virtude, quando ordenaram, sob pena de morte, de o pregar. O Homem Santo desejou que a memória dessa visão, que todos tiveram, fossem pintadas na Sala do Comandante e na Igreja Maior.

A SEGUNDA RAINHA: A AMIZADE

A união dos amigos reside nessa concórdia recíproca, em uma só vontade, como aquela do membro, diz Agostinho, manifesta-se em um só corpo. São Remigio chama a cadeia áurea, que circunda os fiéis, e, depois de serem estreitos juntos, retornam invencíveis. Essa torna um entre muitos homens indestrutível, distanciando a inveja, as detrações e os ódios, diz Macróbio. Por essa crescem as coisas humildes, as sumas discórdias se dispersam, como diz Salústio. Na natureza, a concórdia cancela a corrupção do mundo, ao invés no Reino da graça, que os homens recebem de Deus, a concórdia gera a constância e a glória. A inveja do inimigo é hostil à essa.

Ditas essas coisas, São Domingos acrescenta.

I. A digna habitação na Oração do Senhor reside no: “O que és”, ou seja, Aquele que é por essência, Aquele que dá as restantes coisas o Ser por participação, diz Boécio: a amizade é isso que emana de Deus à nós e assim então não devolves àquele que (ti) ama? Então não abraçareis aqueles que são amados por ele?

1. Logo responde: isso que é teu, não é teu? Disse de não Deus, o qual distribui o seu Ser à todas as coisas que são.

E se Deus ama isso, como podes tu as odiar? Verdadeiramente Deus quis que todos os homens fossem seus filhos: e tu então não os reconhece e amas como irmãos? Quem então ou o que amareis, se não amas aquele, que recebe como você, do único Pai, o mesmo Ser?

2. Cassiodoro conclui com as seguintes palavras: Se por natureza, Vos irmãos do mesmo pai devem amar-se reciprocamente, por consanguinidade, o que não deveras ao irmão cristão, por direito de Deus, por direito do Espírito, por direito de todos os Sacramentos e carismas? Desespero ao homem, que ama o próximo mais com o corpo do que com a alma.

3. O que é e da onde vem, o que tu amas? responde Santo Agostinho, a Alma é criada somente por Deus, não por derivação de nenhuma carne e pela parentela da carne amas o irmão, pela comunhão do espírito, amas menos o cristão. Se amasses (o teu irmão), como amas ao cristão, pensarias ter pecado: com isso (o cristão), não te sentes nem mesmo pecador. Oh maravilha? Oh amor? A maravilha se toca: o amor, nem mesmo se sente.

4. Quem não pode transpor a natureza ao Espírito? Certamente não pode vir que de um insensato: por consequência (seguindo) o mesmo, o homem distancia-se de si mesmo e subtrai o homem do homem: coisa que nem mesmo se atribui à uma besta.

Verdadeiramente essa é a desonra da natureza e o desprezo de Deus.

Isso é a destruição e corrupção de toda a beleza, que exista nos seres humanos, a mudança em um outro (ser), será inevitavelmente a máxima degradação (do homem). Quanto mais amável é a divina beleza da doce Amizade. Porque? Certo quase um terço do mundo combateu pela linda Helena: pela concórdia, mãe de todos os bens, disse Ambrósio, poucos preocupam-se.

II. Considerais com veneração a olhais. Estava como uma filha de Deus, com uma Coroa de glória: com um vestido de ouro, coroada de lírios de primavera: com um maço de dez flores; com uma luminosidade maior do que aquela do sol. Olhais as Companheiras que, como Anjos de Deus, a circundam e essas são também dez. Quanta beleza tem na sua imagem!

Quanto ornamento de graça! Quanto esplendor de Glória! O podeis recordar: eu não sou capaz de descrever, nem mesmo a sua participação e preocupação com a paz no mundo. Quem poderia estimar o seu valor? O que estimaria a alma de todos os tesouros e riquezas do mundo, a qual tesouro pertence o espírito, a alma, a razão, a vida, etc..

1. Devem-se ter como infelizes aqueles que, cavam escondido, ou abertamente semeiam e levam inimizades.

2. É gravíssimo perder um Reino; mais grave é perder a concórdia. Essa de fato pode recuperar um reino perdido, mas sem o sustento dessa um Reino não pode estar sano.

3. Digo que, aquele que perdeu a caridade, perdeu também Deus! Porque? A morte arranca um Reino do mundo, mas em seguida a Amizade consolida o Reino do homem e o introduz na gloria.

4. Quanto mais é feliz o homem, que morre em paz no seu dia: mais é infeliz aquele, no qual morre a Paz.

Aquela é a morte da carne, está é o apagamento do espírito e da alma.

Quanto mais nobre é uma pessoa, mais cruel é estabelecida a morte da mesma, ou não? Assim São Basílio sustenta e afirma. Se a perda do que é bom, é um mal, certamente deve ser a pior de todas as coisas, a perda da Paz, que é a maior dos bens: como o é a Caridade e a concórdia. Essas coisas são de Deus. Dais à Deus, as coisas que são de Deus, e por isso cantais ao Senhor um Canto novo no Saltério.

A TERCEIRA RAINHA: A EXULTAÇÃO ESPIRITUAL

Essa (Rainha) exulta pelos serviços e as escravidões divinas e é um fruto do Espírito Santo.

1. A habitação dessa Rainha é “Nos Céus”: aqui existe a pura exultação espiritual e nupcial. Assim Paulo: O nosso lugar de moradia é nos Céus! Quando, disse São Jerônimo, o nosso espírito repousa com exultação nas obras divinas, que assim vive na terra, como no Céu. O seu esplendor é limpo; todos os artistas usem arte e todos os materiais mais bonitos para realizar uma estatua: porém, não se aproximariam nem mesmo da sombra dessa. 1. Porque, disse Averroè, a arte não pode mais do que a natureza; porém o artífice da exultação é o Autor da natureza.

2. O Espírito Santo a produz da eternidade. É verdadeiramente a visão santa, segundo Agostinho. Nenhuma arte se aproxima da representação das Virtudes, porque essas são pintadas não com o pincel, mas com o dedo do Espírito Santo.

3. O haveis visto, disse Domingo, com o vulto róseo e em vestido púrpura, como, disse Avicena, a (cor) vermelha é o sinal da exultação, a (cor) amarela (é sinal) de tristeza. A sua coroa de ouro, que fazia evidenciar o símbolo da santidade, a vermelha Cruz de Cristo. Visto que, disse Santo Anselmo, a exultação dos Santos é sobretudo na Paixão de Cristo. Dez lírios de ouro eram trançados na coroa, por causa de observância exultante do Decálogo; as dez companheiras cantavam em todos os gêneros de música: pois as exultações silenciosas provocaram em vós as lagrimas.

Essas, como todas as Rainha, levavam Saltérios nas mãos, visto que a Saudação Angélica é o início de toda a verdadeira exultação.

Com essa acolhe e convida em si Deus: de fato Deus ama aquele que dá com exultação. Essa, disse Jerônimo, leva em si todas as riquezas dos bens celestes. Com uma pequena parte dos quais confere as maiores riquezas terrenas e a comparação será como a noite e as sombras, a argila e o ouro.

Por isso é apagada na alma de cada um: Essa é mais incomensuravelmente Rainha do Céu, do que o parricídio é incomensuravelmente um pecado. Existe quem provoque a peste no Reino, devastando à tudo: de quantas mortes julgareis isso digno? E se com os ultrajes haveis destruído a exultação do espírito de todos os justos? Que (exultação) é a vida da alma, a coroa e também a flor e a honra do corpo.

Portanto na graça dessa, cantais ao Senhor um Canto novo.

A QUARTA RAINHA: A PACIÊNCIA

Essa distancia todas as cóleras, blasfêmias e temores obscuros e concilia a paz com Deus; é superior à todos, seja aos homens, seja as coisas humanas: da vencedora ouve os Céus. Inimiga à essa é a Ira.

1. Exulta nessa moradia: “Seja Santificado”. E merecidamente, porque, diz Cipriano, a Paciência santifica os pecadores, aperfeiçoa as virtudes, obtém a vitória; é a armadura dos fortes e a coroa dos Santos. Em uma palavra: Na vossa paciência possuirás as vossas almas vossas.

2. A beleza dessa é tão grande, quanto deseja os corações de todos os homens, porém, não a poderiam nem mesmo imaginar nas suas almas. Em confronto a isso, a beleza da Sagrada Raquel, de Judite, etc... são sombras. Por essa beleza quantos desafios os Apóstolos, os Mártires, os Confessores e as Virgens não afrontaram? Toda a força tirana está contra essa, mas nenhuma está acima dessa. Essa manifesta-se da paixão do Senhor: é o espelho da divina bondade, disse Beda, e permanece eterno.

3. Vós a haveis visto, com dez amigas, purpúreas, cobertas de pedras preciosas e de estrelas, coroadas e assim adornadas. Acima delas nada pode existir. Os olhos não viram e os ouvidos não escutaram, as coisas que Deus preparou para aqueles que o amam.

Prova disso é que as almas se acalmam diante dele. Mesmo que ninguém tenha maior caridade do que essa: porém não existe nem mesmo maior beleza e maior glória do que essa. Por isso a Paciência tem uma Auréola especial.

4. Os perfeitos, os normais, os medíocres, perderam (a Paciência).

É digno de grande prêmio, porém, quem a manteve. É digno de grande condenação quem a expulsou: esse é um pecado indescritível, a ter cancelado é como a ter decapitado e nem mesmo infinitas mortes poderão fazer perdoar esse pecado.

É como se haveis arranhado a filha de um Rei, por mil vezes. A enormidade do delito é pequeno em relação ao cancelar da Paciência, como são todas as Rainhas mortais, em relação a Rainha imortal e claramente divina. Muitas catástrofes, porém, são planejadas contra a Rainha imortal nas almas dos homens. Por poucos essa é honrada e conservada! Talvez porque não se pede por essa ao Rei da paciência? Por isso cantais ao Senhor um Canto novo.

A QUINTA RAINHA: A MISERICÓRDIA

Por essa, disse V. Agostinho, tenhamos compaixão das misérias dos outros, assim como das nossas. E justamente, porque somos irmãos e hóspedes na mesma condição. Sem dúvida, disse Sêneca, a Natureza é comum à todos, a Sorte é igualmente muito comum à todos. Essa dá aos outros generosamente as próprias coisas, restitui as coisas tiradas; docemente abraça a pobreza de espírito, mas a sua inimiga, a Avareza, profanadora, não se preocupa com todas as coisas sagradas, mas com os roubos, os sacrilégios, o Comércio, etc.

1. A Habitação da Misericórdia está no “Teu nome”, como o Nome do Senhor, disse Ambrósio, é a fonte de toda a natureza; por isso cada joelho deve dobrar-se a esse. O que de bom pertence aos fiéis, que não é dado à Igreja?

2. O que pedireis no meu Nome, será feito à vós: por isso, todos que invocam o Nome do Senhor será salvo. Oh! Nome rico, porque Misericordioso! Por isso o Rei dos Reis é Jesus. Grande Senhor e muito louvável.

3. Deus amedronta com a potência, mas glorifica si mesmo com a Misericórdia; porque com essa santifica e glorifica. Nessa vivemos, nos movemos e existimos. Por essa esperamos a Redenção e não existe no Céu ou na terra, quem se esconda do seu calor. Essa filha de Deus fez descer do Céu sobre a terra o seu Irmão, disse Bernardo.

4. Essa é mãe das obras espirituais e corporais, pelas quais misericordiosamente ensina aos ignorantes, aconselha os duvidosos etc., nutre os afamados, veste os nus, etc.

5. Essa fez servo o Rei do Céu, porque nos conduziu entre os Reis, disse Ambrósio. O mesmo Deus pela sua grandeza cria a luz material; porém, essa é ínfima diante da luz espiritual da Misericórdia, assim como o Espírito é superior ao corpo. A vistes vestida de puro linho, com o Nome Jesus e Maria, por todas as partes, porque aqueles são os Nomes de toda a Misericórdia, disse Bernardo. Levava o Saltério na mão, porque a sua Misericórdia começou na Encarnação do filho. A vistes distinta da tríplice Coroa, porque a Misericórdia de Deus está no Céu, na terra e sob a terra.

Enriquecem as mineiras? Mas com bens terrenos, na verdade a Misericórdia, enriquece com os bens divinos. Como são míseros aqueles que não tem misericórdia, assim como são muito cruéis aqueles que são perseguidores e também assassinos dessa (Misericórdia); esses são todos duros e bárbaros nas almas. Então nas ditas cinco Rainhas e nas dez amigas de cada uma, foi possível à vós ver as primeiras cinquenta orações do Saltério; e então reconhecereis que essas são evidenciadas em Jesus e Maria e residem na Saudação Angélica; o que permanece, se não através da santa observação do Decálogo, através da graça auxiliadora das cinco Rainhas, cantais um Canto novo, a Deus e à Mãe de Deus no seu Saltério.

SEGUNDO GRUPO DE cinquenta ORAÇÕES

A SEXTA RAINHA: A ABSTINÊNCIA

Essa (Rainha) renuncia as coisas lícitas e supérfluas no comer e no beber, usa moderadamente as coisas necessárias, com alegria mista e dor.

Se alegra com a generosidade de Deus, se entristece com a tristeza; foge do prazer. Submete a carne, para que o Espírito reine; está entre as Companheiras (Rainhas) e ao lado delas. Enquanto de uma parte prepara os espíritos, da outra desarma os carnais. Ao invés, como disse Sêneca, ela é o freio de todos os vícios, e Agostinho: Oh! Temperança, és suave e fina. Tu de fato conduzes uma vida Angélica, desprezes aquela bruta: és nutridora e custódia das virtudes. A Rainha de Cipro é mais bela sob o Sol, mais elevada da Lua e mais agradável de disposição das Estrelas. Se opõe como sua inimiga à Gula. Estais naquela habitação do Rei: “Venha o Teu Reino”.

E visto que a abstinência conduz ao Reino de Deus, disse Ambrósio, merecidamente. De fato aqueles que reinam sobre o corpo através da (Abstinência), esses se mantém também no Reino das Virtudes; a esses se deve conceder o (Reino) do Céu.

A beleza dessa é Angelical: por isso nenhuma beleza humana ou terrena pode ser semelhante, mesmo que em parte, à ela.

1. De fato, a beleza nunca supera a sua espécie, assim cada coisa mortal e corporal é distante, acima das coisas imortais e espirituais.

2. O que não cumpre e suporta os fúteis, para aparecer graciosos? Como adaptam-se, preocupam-se, alimentam-se, maquiam-se, dissipam-se! Porém a Abstinência sai do jejum, mais gorda e mais bonita. Tornais a honrar os jovens, que se nutrem de forma moderada somente de pão, legumes e água.

3. Visto que então essa é vencedora dos vícios, e vencer os vícios é mais glorioso do que vencer os reinos; quem pode expressar em palavras a glória da Abstinência?

4. Os outros celebram os Heróis, os reis, e os Heitores; eu prefiro essa Rainha a todos esses. Deus não fez deles seus servos, porque nada bastou à garganta deles.

5. Os outros se alimentam e enchem-se de comida, carregam-se desses e fragilizam-se; a mínima quantidade da Abstinência é mais robusta do que (a Gula). A fome, conquistadora das cidades, é a nutridora e a conservadora dessa. Haveis visto, que ela em uma mão leva o cetro e na outra leva o Saltério; a cabeça era coroada de pedras preciosas; com o vestido um pouco pálido, mas com coroas de todos as partes, não perde para ninguém em força; era luminosa e em companhia de dez Virgens. De fato sem essas, ninguém alcançou a santidade ou chegou na assembleia dos Santos. Os inimigos da Abstinência, bêbados e gulosos, a decapitam em si mesmos. É de fato a gula, como atesta Sêneca, o sufocar da razão e de todas as virtudes. Visto que o encadear-se das Virtudes é necessário, a sorte também é igual para todos; por isso, é necessário o cancelamento da abstinência para que as outras sejam vencidas e colocadas em fuga. Direis: não se vê, que aquelas coisas acontecem assim. Porque, eu digo, se tu não tens olhos, com os quais veja acontecer, talvez por isso não representam uma coisa verdadeira? Na alma se veem e se verão assim representados, Deus, os Anjos e os Santos, as veras, também tu mesmo, mas mais tarde. Por isso, agora e sempre, cantais ao Senhor um Canto novo.

A SÉTIMA RAINHA: A CONTINÊNCIA.

Essa (Rainha) é a integridade da carne e do Matrimônio (a carne) não só pode, mas deve conservar-se santa; mesmo a Virgem sendo ausente desse, porém, é necessário que (no Matrimônio) a castidade seja presente. E essa é tríplice: da mente, da boca, da obra, como quer São Jerônimo.

1. Por isso São Gregório Nazianzeno (afirma): É a mais bonita de todas as coisas bonitas, a mais suave das coisas suaves, a mais elevada das qualidades morais e Deus e os anjos exultam por quem a defende. Essa ama o outro sexo, mas está atenta e evita a comunhão, odeia toda a ira, toda soberbia e cada ostentação. Ama, disse Aimone, as vigílias, os jejuns, as orações, os cilícios, os castigos e todas as coisas ásperas. Em relação à uma coisa só: o coração puro, para que olhe Deus nos olhos: Beatos os puros de coração, etc. A sua adversária é a luxúria.

2. A rainha nessa Habitação: “Seja feita a Tua Vontade”, porque, 1Ts,4 (afirma): Essa é a vontade de Deus: a vossa santificação. Portanto, a castidade procura agradar à Deus, para que seja santa no corpo e no Espírito.

3. A sua beleza então é digna de Deus, possui, leva e liga à si Deus, que a esposa. Deus tinha plasmado Eva, assim como a mais bonita de todas as coisas, porque são perfeitas as obras de Deus: nem, porém, a si mesma, mas a prometia em matrimônio à Adão.

Certamente a Virgindade e a sua vizinha, a Castidade, precedeu o casamento com Deus. Esse (Casamento com Deus) é espiritual aquele (Matrimonio com Adão) era corporal e não tinha valor superior à continência da alma, (Eclo.26). Beatos aqueles que desejavam.

4. A haveis vista em um aspecto muito majestoso, acima do homem, coroada de lírios e de rosas; adornadas de flores, era admirável pelo candor puro; resplendente em modo incomparável, era circundada por dez virgens delicadas, Angelicais: a digna Esposa para o mesmo Deus, disse Crisóstomo.

5. Desespero, aquele que violentará a esposa do Rei: será condenado à Morte cruel. E bem, essa é o templo de Deus; porque quem a violar, será arruinado: e violar a castidade, significa arruinar: não existe vida em meio.

Oh! Estais atentos às mesmas, é horrendo cair nas mãos de Deus, que não abandona a Esposa nos próprios abraços. A Virgem Castidade gerou Cristo; Cristo gera os Cristãos: essa claramente deveria ser chamada a mãe da Igreja de Cristo; onde a parte mais casta da Igreja é melhor e por isso maior por dignidade, também se não no número. Aquela parte é o sacro Clero, o coro dos Religiosos, pela Profissão, o número restante dos Castos por vontade. Entre esses vive e reina a castidade e certamente também em um Matrimônio Casto. Por isso essa Esposa de Cristo é mãe dos Cristãos, os quais não dá vontade da carne, mas de Deus nasceram. Disse São Jerônimo: a geração da carne é a morte da Castidade e a sua corrupção. A corpórea destruição dessa realidade tão excelente, poderia ser correspondente à destruição da Virtude! Nenhuma realidade terrena é capaz de conservar a Castidade, ao invés (a podem) todas as realidades do Céu.

Por isso louvais Maria, Mãe da Castidade no Saltério: Cantais ao Senhor um Canto novo.

A OITAVA RAINHA: A PRUDÊNCIA.

Essa (Rainha), por São Bernardo, é a constelação e a moderadora das virtudes e a glória das qualidades morais.

1. Reside nessa Moradia: “Como no Céu”. Visto que, disse Varro, é o Sol das Virtudes, que atravessará a noite da ignorância e o céu estrelado. As outras Virtudes, disse Jerônimo, são como as rosas e os lírios. A Prudência é o Céu, que esplende sobre todas as coisas.

2. A sua força e o seu máximo louvor é resposta na arvore da vida, mas ajudará aos corpos sós; a Prudência é mais digna, porque leva às almas a vida e também às mais altas coisas espirituais.

Haveis visto, por isso, como uma Rainha, residente em um palácio estrelado, a qual beleza, como revela Deus, não pode ser vista, nem compreendida pela mente. A haveis vista coroada de estrelas, revestida de estrelas e acompanhada de dez Virgens estraldas, semelhantes a essa.

1. É mais importante receber uma sua pequena graça, do que ter adquirido a ciência de todos os Filósofos, como pensa Santo Agostinho. É de fato a escola de todas as virtudes, sem a qual todas as coisas são sombrias.

2. Com quantas despesas e com quantos esforços, muitíssimos, uma vez se cansavam em procurar, mesmo que fossem valentes na humana e natural (prudência), porém, ignorando (a Prudência) divina. Por isso perderam-se nos seus pensamentos, porque não glorificaram Deus.

3. Cada pecador é estúpido: mesmo desejando aquilo que conhece o sábio, faz morrer (com o) pecado em si a verdadeira prudência. Vendo, é cego e vivendo, é morto. Mas certo, o prudente vive em meio à morte, em modo imortal. Por isso cantais ao Senhor um Canto novo.

A NONA RAINHA: A JUSTIÇA.

Essa restitui à cada um aquilo que o pertence: a obediência aos superiores, a instrução e o exemplo aos menores, a amizade fiel aos iguais.

Assim (afirma) Sêneca. Por isso é a Rainha das virtudes, o decoro dos costumes, o limite das obras, a Imperatriz de todas as coisas: sem essa, todas as coisas são pura tirania. Beatos os Reinos, no qual reina a Justiça.

Assim (afirma) Macróbio

1. A sua Moradia é a palavra: “E na terra”. A Terra, disse São Basílio, é o nosso corpo e deve ser dominada, comandando assim a Justiça. É muito injusto, disse São Bernardo, que os servos comandem e que os patrões sirvam. A qual injusta posse muitos reivindicam sobre si mesmos, sobre os outros e sobre as coisas dos outros.

2. Me escutais, então, amanhã alguns de vós não poderão escutar; só, quatro que agora estão presentes e estão sãos, morriam antes que nasça o Sol. E o resultado corresponde. De fato, quatro ladrões injustos do Soberano não sobreviverão até amanhã.

3. Vós suplico, vos corrigíeis: desejais a justiça. O justo não se comoverá eternamente, para que a sua justiça permaneça para sempre. Oh loucura! Oh, coisas humanas que desaparecem, oh, coisas feitas de terra, privadas das coisas divinas, eternas, celestes! Não assim os justos. Os justos, viverão eternamente, junto à Deus é a recompensa deles.

4. Haveis visto essa insigne Rainha, com um vestido de todas as cores, com essa mão segura o cetro, com aquela segura a espada, circundada por dez virgens, as quais superavam grandemente a delicadeza do aspecto daquelas já ditas: eram todas as Virtudes, servas da divina Justiça. Para que nos mereçamos de ter os seus favores, cantais ao Senhor um Canto novo.

A DÉCIMA RAINHA: A FORÇA

Com essa (Rainha), o homem permanece constante nas adversidades, intrépido nas coisas inesperadas. Com ela são freados o Temor e a Audácia, vem seguidos fortemente os Mandamentos e os Conselhos de Deus, são destruídas as tentações, os escritos tirânicos são despedaçados, se expulsa o relaxamento, o vício vem erradicado, a virtude e a honestidade são honradas.

1. A sua Moradia está nessas palavras: “O nosso Pão cotidiano”. Como a força fortalece o coração do homem, assim essa fortalece a alma e o espírito.

2. O haveis vista Majestosa, quase em um palácio real, dotada de cetro e coroada por dez estrelas; que leva com a direita o loro, com a esquerda o escudo com uma lança, no qual como símbolo brilhava a Cruz de Cristo. O seu vulto é de uma graça maravilhosa e o decoro de tal aspecto, que é animada de zelo viril e heroico. Excelente pela força, mas mais excelente pela prudência e pelo conselho, pronta à trazer ajuda.

Vereis as suas dez virgens com pães e alimentos. 3. Ocorre que avalies cada uma dessas coisas, (como se) toda a força do corpo dos homens e dos animais fosse recolhida, em um único corpo. A sua altíssima força então, não teria alcançado a parte mais baixa da força espiritual. Essa aos muitos frágeis dá uma força imensa, aos fortíssimos (ao invés), com o soprar do seu espírito, fragiliza e aterra. Por isso não temais, pequeno rebanho: Deus escolhe as coisas frágeis do mundo para confundir as coisas fortes.

4. Porém, não obstante isso, também (a força) pode extinguir-se, ou ser arrancada do homem; mas, (só) se ele mesmo o quer, por causa de um grandíssimo pecado. Desespero! Quantos tormentos, esses intensamente sofriam! Esses, não são mais, só, como os culpados de parricídios, não só como aqueles que ofenderam toda a força da natureza em todas as coisas criadas, mas também são como aqueles, que tem desprezado a graça da fortaleza divina, e o tem arrancada em si mesmos. Então é necessário recordar que, depois de ser abandonada por Deus, sem se arrepender de todos os pecados, esses são deformados pelo demônio. Isso não acontece com aqueles, que no Saltério, cada dia, frequentemente, cantam ao Senhor um Canto novo.

5. Por isso, visto que todas as Virtudes, como atesta Agostinho, são dirigidas a colocar em prática os Dez Mandamentos de Deus; assim também são as cinco (Virtudes), agregadas com cura e esforço, para as adquirir: e com essas cinco (somadas) as outras virtudes, chegamos a dez, e completa-se justamente o segundo grupo de cinquenta orações! Para que Deus vos dê a graça e a Mãe de Deus vos dê a ajuda, no Saltério, cantais ao Senhor um Canto novo.

TERCEIRO GRUPO DE cinquenta ORAÇÕES

A DÉCIMA PRIMEIRA RAINHA: A FÉ

Essa (Rainha) é o fundamento das coisas que se devem esperar, a prova das coisas que não se veem. Essa, disse São Jerônimo, ensinou aos homens as coisas Divinas, instruiu os Patriarcas, rendeu estável aos Apóstolos e a Igreja. Essa, disse Santo Ambrósio, acredita nas coisas que não vê: julga as coisas que não conhece. Essa é a regra da Caridade, a Lanterna da Esperança, a Norma da Prudência, a Forma da Ciência, a Anunciadora da Santíssima Trindade e a Esposa dos Santos. Essa é a Escala dos viventes, a Torre dos combatentes e a Nave daqueles que encontram-se em perigo; a guia segura ao porto da glória.

1. A sua Moradia está em: “Nos dê hoje”. A Eucaristia, o Mistério da Fé, nos dá o Pão cotidiano espiritualmente ou sacramentalmente. É dada aos fiéis, aos filhos, não aos cães, que estão fora.

2. A Fé supera todas as Rainhas ditas antes, pela beleza e pela glória, visto que essa é Teologal, enquanto essas são humanas.

3. Por isso o haveis visto com uma veste de três cores: cândida em baixo, púrpura no meio, áurea encima, certamente pela fé em relação à Encarnação, a Paixão, a Ressurreição e à glória da Santíssima Trindade.

Era Majestosa, levava uma tríplice Coroa: Prateada, Preciosa e Estrelada.

Na mão direita levava o Cálice com a Hóstia Santíssima e dando-a aos fiéis, os dava a vida; na mão esquerda levava a Cruz do Senhor, com as armas da paixão.

4. A sua beleza é maior do que a beleza natural das nove ordens dos Anjos. E com justo mérito. De fato, através dessa obtém-se o Bem divino da eterna glória, que é maior do que toda a natureza Angélica.

Por isso é mais agradável à Deus uma alma com a fé formada, do que só a natureza de toda a Hierarquia.

5. É necessário acreditar que, um pequeno ponto de Fé, é mais verdadeiro do que qualquer coisa compreensível, na natureza. Visto que a luz natural sem duvida é muita, sob a luz da fé; esclarece-se que a menor coisa da Ordem Superior é infinitamente mais perfeita, do que qualquer coisa da Ordem inferior.

6. Não se poderia calcular o dano na alma, se ousasse duvidar ou negar a crença na menor parte da fé, exceto se confessasse culpável em todas as coisas. Porque, se então o Senhor, disse: Pedro eu orei por ti, para que não diminua a tua fé, como mais devemos suplicar? Por isso, cantais ao Senhor um Canto novo.

A DÉCIMA SEGUNDA RAINHA: A ESPERANÇA

Essa é a espera segura da futura alegria, segundo os méritos precedentes.

De fato sem esses (méritos), seria presunção.

1. A Moradia da Esperança está aqui: “Remete a nós os nossos débitos”. Através da Esperança em Deus, existe a remissão dos pecados. Assim Davi esperou, mas ao contrário Caim desesperou.

2. Acolhe em si a Esperança, aquele que acredita, que o mínimo da Potência divina seja mais capaz de salvar, do que os pecados sejam capazes de condenar. Por quanto até agora tu tenhas pecado, até agora não recebestes o menor grão da Clemência de Deus.

Porque qualquer coisa que esteja em Deus, é ao mesmo Deus. Blasfemavas, oh Caim, quando dizias: A minha iniquidade é maior do que o perdão que eu possa merecer. Oh gloria verdadeiramente grande da Esperança! Exclama São Máximo.

3. Vós mesmos haveis visto a Rainha junto ao Rei Jesus Cristo, entre as dez Virgens companheiras, vestidas de ouro, ajoelhadas junto a Rainha suplicando pelo gênero humano, Deus (que é) bondoso com aqueles que tem fé. Haveis visto, também a Rainha, que escreverá os eleitos no livro da Vida. A sua beleza e a sua superioridade parecem símiles à Fé, sem dúvida grande quanto ninguém é capaz de dizer.

Por essa merecemos e mereceremos Deus, que assim quer e que se dá a nós. E essa maravilha dileta, assim podemos estar entre os filhos dos homens. Em consequência deve-se valorizar com facilidade, a desmedida desesperação, que induz a alma do desesperado ao ódio de Deus. Visto que Deus vos protege desse (desespero), cantais ao Senhor um Canto novo.

A DÉCIMA TERCEIRA RAINHA: A CARIDADE

Essa (Rainha) tudo crê, tudo suporta, não é ambiciosa, etc., é a alma e o modelo de todas as virtudes, disse Santo Agostinho, sem essa a Virtude não vale nada, não vale nada o mérito: por essa, com o tocar a água fresca, ganha-se o Céu e o próprio Deus. Essa é a vida dos méritos e a justa recompensa é a santidade dos Santos, o fogo das almas, a veste dos nus e a veste nupcial. Essa dispõe todas as coisas e não existe quem se esconde do seu ardor.

1. A Moradia está nessas palavras: “Como nós perdoamos à quem nos tenha ofendido”: “E perdoai as nossas ofensas”. Como atesta o Cristo Senhor à pecadora: Sejam remetidos os seus muitos pecados, porque amou muito. Mas na medida com a qual haveis julgado verso Deus e o próximo, com a mesma (medida) também vos sareis julgados; perdoa então e serás perdoado. Temas o exemplo do servo indigno. E na verdade, porque não? Talvez vós todos não sois irmãos? E talvez que não está em todos Deus, através da essência, da potência e da presença? Porque então não reconhecemos de amar a todos e de perdoar ao próximo, no qual sabemos que está presente Deus? O que nessa vida negais ao próximo, o haveis negado à Deus. Escutais Santo Anselmo. Disse: Deus é tudo em todos, enquanto existem; por isso também deve existir para todos uma regra. São Gregório de Nice, disse: Oh! homem, já que amas algo, porque amaras menos à Deus, do qual derivam todas as coisas? Amas a doação e menos o bem? Porque não amas o Sumo Bem e Aquele que dá todas as coisas?

Amarais também o próximo, como à ti mesmo, visto que disse São Gregório: é como tu da mesma natureza, participante da mesma glória, e um único ser como tu em Deus, no qual vivemos, nos movemos e existimos.

2. Haveis visto a Rainha com três Coroas, para os três tipos de Amor. Era a auxiliadora de todos, circundada por dez próprias Virgens.

3. A sua beleza e o seu valor não podem ser medidos, se não pelo que disse São Máximo: O amor da Caridade é o Amor do Deus eterno. Quanto mais é medido o dano da caridade perdida, maior é o pecado mortal. Disse; nessa alma não o vejo, nem com a visão, nem com o sentido. Tu não vês o coração e não sentes a alma, mesmo se é sabes que ela está verdadeiramente em ti. E por que amais na perfeita Caridade, cantais ao Senhor um Canto novo.

A DÉCIMA QUARTA RAINHA: A PENITÊNCIA

Essa é a dor colhida para pagar pelos pecados e se proteger deles. E essa é a ruína dos vícios, a recuperação da virtude, a confusão dos demônios, a exultação dos Anjos e a medicina do mundo. Se bem, disse São Gregório Nazianzeno, as outras virtudes devem ser amadas pelos homens, essa deve ser mais amada pelos pecadores.

1. A sua Moradia está nesse: “E não nos deixeis cair em tentação”. De fato disse São Jerônimo: Através da penitência, nos liberamos das tentações do demônio, do mundo e da carne.

A haveis visto suplicando, com uma tríplice Coroa, por causa das suas três partes; com uma veste de cada cor, visto que a Penitência tem por companheiras todas as Virtudes. Levando, com a mão esquerda um chicote coroado de flores, com a mão direita uma taça de licor docíssimo; que fazia beber aos penitentes, cada uma das suas deformidades se transformavam extraordinariamente em um tipo de graça. Certamente o ódio do pecado é tão grande em Deus, que, se fosse possível, para apagá-lo da alma do homem, também (Deus) não hesitaria de morte. Visto que isso não é possível, ele levou ao cumprimento a natureza humana, que tinha assumido.

Através dessa, toda a força da penitência dos fiéis se difunde; assim como no Sacramento, ou ao menos quando existe um só ato de contrição perfeita93, os pecados são destruídos, como nuvens. Toda a força dos Reis está na boa sorte, mas a eficácia da penitência está na graça, a qual nenhuma coisa pode ser semelhante em natureza.

93 Letteralmente è: “un solo desiderio non nullo”.

3. Essa porém, é odiada por aqueles numerosíssimos, que odeiam os jejuns, as confissões e a fuga dos pecados habituais e tendo cumprido o mal, exultam no desastre: desespero àqueles que transformam em veneno o remédio da Penitência. E para que Deus mantenha vos distante desse mal, cantais ao Senhor um canto novo.

A DÉCIMA QUINTA RAINHA: A RELIGIÃO

Essa é dúplice: consiste seja naquela (religiosidade) comum aos fiéis de Cristo, na observância dos Mandamentos de Deus; seja naquela particular, na observância dos Conselhos Evangélicos. E é antiquíssima, era já poderosa em Moisés e até mesmo no povo dos Sacerdotes mais Santos; continuada por Samuel e pelos Profetas; cresceu de forma muito extraordinária sob Elias e Eliseu, também prosperou honrada; enfim aperfeiçoada e confirmada por Jesus, começou a florescer gloriosamente.

Nenhuma outra Religião foi mais alta daquela que Cristo e os Apóstolos, conduziram entre os homens. Dessa certamente, (a religiosidade) comum dos Cristãos, é muito distante. Como a diferença da vida pode e deve levar à expressa observação dessas coisas: tornar partícipe da Pobreza, da perfeita Obediência e da íntegra Castidade, em relação aquela (observação) comum que existente em todos; dessa forma, essa pode ser só de poucos, pelas suas eminentes excelências. E resumirei à vós, essas quinze virgens, na Ordem das Rainhas. Essa décima quinta unidade, a mais alta de todas as outras, contém em si todas as perfeições dessas; essas a adornam em modo muito solene, acima do excepcional, próprio como uma sumidade. Essas então são:

Do primeiro grupo de cinquenta orações:

1. A excelência da suma perfeição na Religião consiste na disposição de quem se lança (na estrada) da perfeição.

2. Na continuidade de quem progride.

3. No exemplo dos mais anciãos e na disposição de educar os menores.

4. Na exclusão dos malvados.

5. Na mais evidente pureza da vida.

Do segundo grupo de cinquenta orações:

6. Na mais evidente adequação e perfeição da vida contemplativa.

7. No desprezo mais absoluto do mundo.

8. No cancelamento e no distanciamento do forte demônio.

9. Na mortificação e na imolação mais perfeita do corpo.

10. Em um melhoramento da (própria) condição.

Do terceiro grupo de cinquenta orações:

11. Na vida em comum mais santa e quase Angélica dos irmãos.

12. Na seriedade da penitência mais regular e mais durável.

13. No sacrifício maior da inteira humanidade, até o juízo, a vontade e a capacidade.

14. Na abnegação quase infinita da vontade e no bem infinito, que, se pudesse conseguir, queria para sempre.

Pode não querer ou querer, bens infinitos, como uma (pessoa) livre, mas não pode os ter ou perseguir.

15. Na renúncia feita às mãos do próprio Senhor, ou seja de Deus, de possuir qualquer coisa, para que todas as coisas retornem à uma somente, da qual saem fora segundo aquela sentença: Quem não renuncia a todas as coisas que possui, não pode ser meu discípulo. E das quinze coisas enunciadas, aparece seguramente a diferença entre a Religião em modo especial Apostólica e aquela comumente cristã.

É clara heresia querer afirmar que essa última seja de perfeição igual ou superior àquela.

Os Religiosos restituem a Deus todas as coisas, os seculares ao invés somente uma ou outra coisa, a seu prazer. O mesmo ocorre com os Bispos, que mesmo estando numa perfeição hierarquicamente superior de Poder, não estão numa superior (perfeição) de Virtudes, em relação aos Religiosos e esse frequentemente, mas não sempre.

1. A Moradia da Religião está nesse: “Mas livrai-nos do mal. Amem”. E justamente. Visto que a religião, segundo Agostinho, liga tanto ao bem: que afasta todos os males; assim também une à Deus, como livre do mundo; assim priva do próprio sentimento, como dá ao homem um sentimento Angélico. Por isso também, disse São Jerônimo, os homens obtém na terra com suma dificuldade, aquilo que os Anjos no Céu tem com facilidade.

2. Na Religião depois elevam-se duas coisas excelentes: a primeira, que é o gesto daquele que oferece à Deus a adoração; o qual ultrapassa todas as virtudes morais. A segunda, que professa a observação dos Conselhos Evangélicos: que se soma à Fé e a Esperança.

3. A haveis visto, levantada com uma tríplice coroa, por causa dos três votos, com um vestido pintado de varias cores, pela variedade das Ordens; levava na mão direita o Crucifixo: os Religiosos foram crucificados por Cristo e são mortos no mundo; na mão esquerda levava o livrinho, pelo fato que a Religião é ordenada para contemplar; com os pés esmagava o dragão. Isso é próprio da Religião, dominar o Diabo. As dez companheiras, Rainhas muito parecidas, vigiam ao cumprimento da observação do Decálogo.

Visto que então não existe nada de igual à Religião Cristã ou Religiosa pela beleza, vastidão da glória, grandeza da excelência, certamente àqueles que a traíram com a Apostasia, lançando-se além da enormidade dos pecados; não existirá futuro: além de desesperados, serão jogados da vida mortal à morte imortal. Seguem de perto desses, aqueles que retardam a reforma necessária da Religião. Esses tais são semelhantes aos cruéis Faraós e Herodes e como esses será o futuro daqueles. Para não ser envolvidos um dia, participantes, nas penas daqueles, cantais ao Senhor um Canto novo.

EPÍLOGO

Revogais então com as almas e colegais o futuro, comparais as coisas ouvidas e aquelas vistas. Depois entre vós mesmos, iniciais um raciocínio: cumprais as ações e o estilo da vida vivida segundo o modelo das Rainhas e só então, em previsão da futura eternidade, julgais entre a (vida) Santa e aquela Condenada.

Certamente agora recomendo esse exemplo, digo, o Saltério de Cristo e de Maria, do qual quinze Orações do Senhor são Rainhas: ao invés as dez Virgens, por quinze vezes, indicavam as cento e cinquenta Saudações Angélicas: dessas, justamente se cumpre o Saltério: no qual, visto que todas as coisas são santíssimas, sejam as palavras, sejam as coisas significadas, em relação aquelas Rainhas deve-se saber que, o seu majestoso e digno palácio é disposto por Deus. Certo, eu verdadeiramente gostaria que vós também soubésseis dessa verdade e pensásseis que nada aqui sobre as Rainhas e sobre o cortejo delas é humano ou inventado.

E isso é manifesto, de verdade mais fácil do que se tivesse sabido as mesmas coisas por parte minha, somente com o ouvido.

1. Vós mesmos, com os vossos olhos, haveis visto a verdade: e observais dentro daquele Mistério (Eucarístico) divino e extraordinário, no qual não pode ter nenhuma ficção, nenhum suspeita.

2. Haveis visto também essas coisas, que são sagradas, que são santas e plenamente divinas.

3. E foi concedido de ver as mesmas coisas, não à um, nem a poucos, mas a mais de trezentas pessoas aqui reunidas.

4. Chamo como testemunha as vossos mesmas almas e as emoções das almas, maravilhosamente misturadas à alegria e tristeza.

5. Levo como testemunha a mesma Suma Verdade de Jesus, no qual haveis visto aqueles grãos maravilhosos. Quais são e de que gênero?

A Humildade, a Paz, a Exultação, o Espírito, a Paciência e a Misericórdia.

Esse é o primeiro coro das Rainhas. Na segunda Coroa estavam: a Abstinência, a Continência, a Prudência, a Justiça e a Força. Seguiam as maiores, a Fé, a Esperança, a Caridade, a Penitência e a santa Religião. Das quais, o que tem de mais alto a inteira Igreja de Deus?

XVI. Por isso que as Virtudes Rainhas estejam profundamente impressas nas vossas almas e honradas novamente a cotidiana memória dessa no Saltério. E se quereis, então me escutais. Vivamente aconselho isso, que cada um se entregue nos dias festivos para as ditas virtudes, nas quais se venerem em sucessão, todas as (Virtudes) praticadas. E que cada um disponha ou alcance os altares sagrados e dedicados à essas, sobre os quais as representem em altas estátuas, esculpidas conforme a índole. E que não sejam estimadas aquelas Virtudes (dignas) de um lugar inferior, às Sagradas Relíquias dos Santos, ao invés, as considere todas dignas de honra também mais alta. Mas para que nenhum erro se insinue sobre qualquer argumento na alma de alguém: experimentais as razões do conselho nas festas e eu digo, que as virtudes se honram no modo devido, com os altares.

1. Visto que as razões, pelas quais honramos os Santos, são as Virtudes.

2. Pois, nos Santos as mesmas virtudes são altíssimas e através dessas (Virtudes) que são grandes, esses mesmos são grandes.

3. Se acrescenta que a glória dos Santos se deve admirar e venerar, mas esses voam em alto glorioso através das Virtudes.

4. Se voltásseis as almas às origens das Virtudes, sabereis que essas provém da eternidade, da divina Providência. Assim as leis do pré-estabelecido desenho divino, segundo as quais (à Deus) agrada salvar com a estabelecida divina bondade. Ora pois:

1. Essas existem desde sempre em Deus e existiam, porque não creio que tais realidades sejam distantes do mesmo Deus, também com a só razão.

Em consequência, então ninguém duvidará, até a tal ponto que a esse seja devido o culto de adoração, como únicas e mesmas com Deus.

2. Enquanto, na verdade na Humanidade de Cristo e na Mãe de Deus Maria, surgem santas plenas e notáveis, pedem a veneração em modo superior.

3. E as mesmas enfim encontram-se em todos os outros Santos, que reivindicam para si justamente o próprio culto de veneração.

E nós não atribuímos àquelas Virtudes uma natureza humana, mas um modo de ser e isso não (atribuindo) à essa nenhuma existência, mas apenas uma força e uma semelhante eficácia. Recomendo uma só Oração do Senhor, e dez Saudações Angélicas, em memória e em honra da Humildade, outro tanto para a Paz, etc. e assim andando adiante com todas (as outras), devotamente e santamente, cumprirás inteiramente o Saltério. Então cantais ao Senhor um Canto novo, porque fez maravilhas.

Termina aqui o Sermão do Santo Pai Domingos, revelado ao Novo Esposo de Maria.

PEQUENO ANEXO

E de minha iniciativa, acrescento algumas palavras, para confirmar o que foi dito por São Domingos. Escutei que uma santa rezava habitualmente desse modo. Conheci também muitos Santos, que orando assim, viram essas Senhoras belíssimas no aspecto, acima de todo valor. Assim para São João o Mendicante, apareceu a Misericórdia de Deus, à um outro apareceu a Graça de Deus. E verdadeiramente a Sagrada Escritura, conforme Deus, está toda nos louvores das Virtudes e nos desprezos dos vícios, como notou São Gregório.

CONTINUAÇÃO DA HISTORIA

XVII. São Domingos pronunciou esse Sermão em três partes diferentes e todas as partes no mesmo dia. A primeira na parte matutina, logo após as funções divinas; a segunda entorno à hora do almoço e a terceira na hora vespertina. Visto que São Domingos, enquanto dizia essas coisas, tinha frequentemente notado, que todos aqueles que vivem na graça de Deus possuem dentro de si as quinze Rainhas, junto com as cento e cinquenta Virgens; essas comoveram a muitos, que as tinham visto no Santíssimo Sacramento. Por isso no dia seguinte, se reuniram e perguntaram como os justos podem ter em si tantos dons? O Santo Homem surpreendeu-se e no inicio, disse: Dentro de vós está o coração, as vísceras e a alma, mas nunca as haveis visto. Existem em muitos de vós numerosos pecados, desmedidos e porém, não os veis. Se vós olhais manifestamente à essas coisas, morrereis todos ao mesmo tempo. Assim não veis a Virtude nos justos; nem os presentes os vem. Superam de fato cada visível capacidade em beleza, graça, força e eficácia.

Depois voltou-se à Deus com uma oração secreta, em segredo e com energia, para que, tendo piedade da dureza do povo, realizasse aquilo que, segundo a sua divina Clemência, reputasse justo para os salvar. No mesmo momento, o Senhor Jesus, os disse: Tenhais fé, não temam. Disse a eles: se querem durante a quinzena fazer penitência com jejuns, orações e outros pios exercícios, e, purificados através da sagrada Confissão, quiserem receber a Santíssima Comunhão, acontecerá que verão as virtudes em si próprios. Esses prontamente respondem e asseguram isso. A maior parte foi confessada pelo mesmo São Domingos no mesmo dia, o décimo quinto, esses de ambos os sexos, de quase todas as condições e ordem, recebera, das mãos do mesmo São Domingos a Santíssima Eucaristia, contra a opinião do Bispo Radonense e do Magistrado secular. E a maior parte, enquanto recebia o Santíssimo Corpo do Senhor, parecia ter recebido um carvão de fogo, assim como aos luxuriosos, aos não arrependidos, aos avaros (parecia ter recebido) uma pedra, aos não devotos uma massa de chumbo e isso em modo que não eram capazes de o fazer sair da boca ou de o fazer passar através da garganta. Por isso logo depois, com medo da morte e com as almas dilaceradas, confessaram-se com maior pureza e honestidade. Assim imediatamente puderam acolher a Santíssima Eucaristia neles, com suma consolação a visão tornou-se visível aos olhos, de cada um em si mesmo, assim como aos outros que se comunicaram santamente.

Ao mesmo tempo, colmos da graça da benção divina eram a tal ponto inspirados, que desmaiaram pela força da visão, perdendo os sentidos.

Viam entre as Rainhas e as outras Virgens, o Senhor Jesus Cristo, que tinha recebido, o Esposo das Virtudes junto com Maria sempre Virgem, que era ali presente. E não é nem mesmo surpreendente, porque na Divindade da Eucaristia o mundo é mais verdadeiro, que em si mesmo. Por tal razão, aqueles que recebem a Santíssima Eucaristia no modo devido, recebem Deus, e qualquer coisa aconteça em Deus.

É maravilhoso que não só nos religiosos, mas também nas crianças e nos rapazes inocentes se manifestaram aquelas mesmas coisas e ao mesmo tempo, (viram) também, quase todas as Cortes Celestes. A razão é clara porque como Deus é tudo nos Beatos, por graça é tudo em todos.

Daquele tempo os fervores de todos voltaram-se somente para São Domingos O mesmo Comandante, todo o Clero e toda a nação, diziam que seriam beatos, se fosse possível ter São Domingos com eles, como Arcebispo da Bretanha. E visto que rejeitava continuamente essa honra, (o Comandante) criou um pretexto construído com a arte sem a força e a colocou em execução. Ele comandou severamente em todas as zonas da Bretanha, que ninguém permitisse a São Domingos de sair ou de se distanciar da pátria, obrigando-o a assumir o Episcopado. Mas inutilmente se joga a rede diante dos olhos dos pássaros: São Domingos entregou-se à vontade de Deus e tornou-se invisível, sob os olhos daqueles que o estavam em volta, saindo da Bretanha e naquele mesmo período foi visto na Espanha, de onde seu Pai era originário.

O Comandante ordenou que cada preparativo fosse predisposto para o dia seguinte, para que fosse eleito Pontífice Dolense: que faltava naquele tempo. Ao Comandante chegou primeiramente a noticia segura, que São Domingos (como) apareceu (assim) desapareceu e não se via mais em nenhum lugar. Esse Comandante colocou em movimento tudo, mandou buscas por todas as partes, em toda a Bretanha. A acurada procura já tinha durado um mês inteiro, quando soube-se que ele estava em meio aos Espanhóis e que durante aquele mês tinha pregado na Espanha, com vários milagres.

A esse ponto, verdadeiramente uma suma admiração se apropriou de todos, quando se descobriu que o Santo homem pelo dom da mobilidade e da ligeireza, no mesmo dia, foi transportado da Bretanha pela potência divina para a Espanha. Então a esperança e a coragem retornaram mais fortes entre os habitantes. As delegações, uma depois da outra, reuniram-se para suplicar à São Domingos de aceitar a nomeação de Superior. E a esse disse: O Senhor me mandou para evangelizar, não para ser Bispo. Andais, dizeis aos outros: se recordem do que viram e receberam: e permaneçam na graça e no temor de Deus. De fato se os infiéis conheceram aquela graça, abandonarão os erros e acreditarão no Senhor Jesus Cristo.

O nosso Frei João do Monte narra que São Domingos fez algo parecido em Compostela, que foi Mestre de todos os dois direitos e da Sagrada Teologia, quando conseguiu o titulo de Bacharel. Ele foi companheiro de São Domingo, antes da fundação da Ordem dos Pregadores, quando aconteceram as coisas ditas por São Domingos, que então operava somente como Canônico Regular.

EXAME TEOLÓGICO DA VISÃO

XVIII. Como viram com os olhos aquilo que foi dito não sei. Talvez tenham visto com a imaginação, com a simples inteligência ou com a visão corpórea. Sei que: uma pessoa vivente, Novo Esposo de Maria, viu frequentemente coisas parecidas. Não creio que pude ver todas as coisas pela visão corpórea: porém não nego (que possa existir) visões melhores que as outras. Nem a visão pode ser completamente uma imaginação, quando a imaginação não supera a medida, como disse Avicena! Ninguém negará que uma maior aparição da beleza, não poderia ser produzida pela imaginação nesse mundo. Por isso acredito principalmente, que aquelas coisas tenham acontecido por visão Intelectual, com o acréscimo de uma forte imaginação. Visto que a Inteligência pode compreender algo de maior, de mais bonito e de mais excelente, sem comparação aquilo que se acredita existente na natureza corpórea. De fato a mínima beleza da alma racional é melhor do que todos os limites, do que a inteira ordem de todo o mundo corpóreo.

Se perguntassem: Como as Virtudes apareceram, sob o aspecto humano, visto que as disposições intelectuais não são necessárias, mas contingentes?

E porque sob o aspecto feminino ao invés do masculino?

Respondo: 1. As almas das mulheres e dos homens são esposas de Cristo, uma mulher é porém a razão do matrimônio: por isso aparecem sob o aspecto feminino. De fato o único Esposo de todos é somente Jesus Cristo.

1. Uma contingência espiritual então pode ter um aspecto a cor e os lineamentos corpóreos, visto que segundo Dionísio, Ilário e Agostinho, como aos profetas em uma visão de uma figura, através dos véus das coisas sensíveis, se revelará o infinito da divina inteligência e o raio da providência. A Imaginação dos Profetas não entendia esse raio, através do qual via figuras divinas. Assim também essas visões de imagens eram corpóreas, como acredito, mas, também houve a iluminação divina; através da qual as mentes daqueles que viam essas coisas, eram levantadas à observar imensos e divinos dons, representados através daquelas imagens.

Assim Daniel, assim Jó, etc. Porém, a mente deles não permanecia entre as coisas corpóreas, mas era arrastada por Deus em direção das realidades mais altas. Por isso mesmo que as figuras parecessem vistas na sua beleza, eram limitadas em relação à imaginação, mas eram infinitas, em relação aos corpos, em base a mente e isso estava acima da divina iluminação.

São Domingos afirmou ao Novo Esposo de Maria, que essas coisas se cumpriram de forma maravilhosa.

FIM DOS SERMÕES DO SANTO PAI DOMINGOS

CAPÍTULO I

Primeiro Sermão inaugural de Frade Alano da Rocha, da Ordem dos Pregadores, na Província de França, bretão de nascimento, quando recebeu o título de Bacharel, sobre o Terceiro livro das Sentenças (de Pedro Lombardo), na Alma Universidade de Rostock, na oitava de Santo Agostinho no ano de 1470.

TEMA: Aquele que transforma a pedra em lagoas de água e a rocha em fontes de água. Salmo 113.

Honorável Senhor Doutor, emérito Professor da Sagrada Página e Venerado Decano da faculdade de Teologia de Rostock; Mestre, Tutor e Defensor; excelentíssimo Mestres, Doutores, Bacharéis, religiosos e seculares e outros graduados, vivas fontes na rocha de Cristo, sempre caríssimos a mim.

Oh leitor, este Sermão, escrito com cura muito diligente pelo Beato Alano restituímos a palavra: reuni os outros escritos com um estilo acessível, e contei os exemplos anexos mais explicitamente.

EXÓRDIO

O ilustríssimo Doutor Pedro Blesense, em um Sermão sobre a Virgem Maria, disse: Ela é a Rocha, da qual o pecador suga o Mel e até mesmo a Manteiga, como medicina saudável da alma e do corpo: água viva para a purificação fácil das manchas, ou seja, dos pecados, para saciedade da sede e para o êxito feliz de todo o homem, que ele faz subir à vida eterna depois desta miséria.

Quisesse o céu que eu, Irmão Alano da Rocha, notável pelo título a mim indigno de Bacharel, da rocha teológica, sobre o fundamento do terceiro livro das Sentenças, seja capaz de levar a água da sabedoria aos ouvintes, de purificar os impuros da impureza, de saciar a sede dos sedentos e de curar a doença dos doentes. Visto que, como atesta o Beatíssimo Agostinho, nosso pai do qual hoje recorre a oitava: A água da Sabedoria da saudável doutrina dá a vida aos mortos, cura os enfermos, purifica os impuros cura os doentes, pelo momento recorre à esta docíssima Rocha, a Virgem Maria, que gerou para nós a fonte da Sabedoria, o Filho de Deus, do qual se diz: Eu, Fonte da Sabedoria, resido nos lugares mais elevados.

Saudando-a com a Saudação Angélica, com mente devota e com alegra expressão: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, Bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto em vosso ventre, Jesus: verdadeiro homem e verdadeiro Deus, que tu, ó Virgem Mãe, concebestes por obra do Espírito Santo: quando a Gabriel respondestes esta palavra salvadora: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. Amém. Dê a mim a graça de começar vantajosamente e aqueles a capacidade de escutar virtuosamente.

TEMA: Aquele que transforma a rocha em lagoas d’água e a rocha em fonte d’água.

Estimado Senhor Doutor, Rocha que versas a mim o óleo dos rochedos da tua sabedoria, e vós Senhores e Mestres, ornados da pedra preciosa da Sabedoria da Rocha.

1. A Santíssima Trindade, no deserto, através de Moisés, mudou uma duríssima pedra em rios e transformou uma rocha aridíssima em fontes vivas de água.

2. Simbolicamente pois: o mesmo Cristo é a Rocha, da qual o Apostolo (disse): a Rocha então era Cristo. E esta Rocha segundo a linguagem ordinária foi transformada em lagoas de água, através da conversão salvadora de muitas populações. E a mesma Rocha foi transformada também em fontes de água, segundo as sete fontes dos Sacramentos, ditas por Ambrósio na obra Os Sacramentos.

3. E em relação à moral, Cristo junto à Virgem Maria transforma os pecadores, duros como a pedra e a rocha, segundo Basílio, em lagoas vivas e nas fontes de água do pranto e da penitência, da verdadeira pureza e da perfeita sabedoria.

4. Ao invés, falando de acordo com a natureza: sempre dos montes altos escorrem os rios e as rochas são de qualquer maneira como as fontes, segundo Isidoro.

5. Pois em sentido místico, a Rocha de Cristo e a Rocha divina na Glória, são transformadas em lagoas e fontes de água; quando faz subir as almas, segundo Crisóstomo, a vida eterna, que tem o significado da fonte d’água viva do Paraíso, que escorre do Trono de Deus, como viu João no Apocalipse.

EXPOSIÇÃO GERAL

Excelentíssimos Senhores, quis aprofundar o tema com quinze formas: Aquele que converte a rocha em lagoas d’água e a rocha em fontes d’água. Mas, Senhores caríssimos, segundo Alberto Magno, a Rocha tem quatro propriedades. Primeiramente tem uma louvável dureza, não é facilmente movível, mas resiste à adversidade. Em segundo lugar, tem a capacidade de estabelecer firmemente as outras coisas sobre si e constantemente as sustenta. Em terceiro lugar, sofre um esfacelamento, pela fragilidade de si mesma e pela consumação do solo.

Em quarto lugar, tem a eminência no embelezamento dos edifícios e para esconder as riquezas. Por isso, também neste ato (acadêmico) sobre a Rocha e sobre a Rocha Angélica, em favor de Cristo, eu, oh, Irmãos, Alano da Rocha como cristão de Cristo, depois do cumprimento do primeiro e do segundo livro das Sentenças, estou para fazer o quarto, segundo o costume daqueles que devem se tornar Sagrados Bacharéis em Teologia.

REPARTIÇÃO. I. Mostrarei a louvável solidez da Teologia trazendo as suas quinze exaltações, as excelentes maravilhas da Rocha da Saudação Angélica.

II. Estando a ponto de disputar, inicio com uma atestação costumeira e fundamental, que sobre a Rocha de Cristo está toda a força da presente obra, também aquela (força) que sustenta a fadiga.

III. Referirei a opinião de alguns Mestres, que observam a consumação e o pisar desta Rocha. Falarei da excelsa doutrina fundada sobre a Rocha da Saudação Angélica: da onde saíram todas as riquezas, excelências e delicias do mundo, segundo Bernardo.

Primeiramente então, deve-se louvar a solidez da Teologia, que funda em si todas as coisas, por causa da sua imobilidade. Para que isto se torne mais claro, mostraremos as propriedades da Rocha. Esta, segundo Isidoro, no livro da Ética, possui quatro propriedades. Primeiramente, tem uma elevação sólida que se levanta ao Céu. Em relação a isto, existe o primeiro livro das Sentenças, que está sobre a Rocha altíssima da Divindade, e sobre o infinito poder da Trindade, do qual se diz em Roma.

11: Oh altura da riqueza da Sabedoria e Ciência de Deus, quanto são incompreensíveis os seus juízos e impenetráveis as suas estradas. Em segundo lugar tem a amplitude de Rocha imóvel, que estabelece solidamente cidade e cidadãos, que ergue os templos, castelos e palácios, dificilmente acessíveis. E no que é relativo a isto, existe o segundo livro das Sentenças, que está sobre a ampla Criação do mundo e sobre o governo e a sua sábia conservação, assim como sobre a rejeição de todos os vícios. E isto se toca quando se diz: Em lagoas d’água. As quais (se acede) através de Cristo. Reconhece-se a natureza da totalidade das criaturas, assim como a razão do que se lê em Jó: A sua extensão é mais vasta do que o mar. E no Salmo: É larga demais a tua ordem.

Em terceiro lugar, a Rocha possui a admirável clareza dos astros; em primeiro lugar, capaz de refletir a luz de si sobre as outras coisas, e que possui em si o explendor das pedras preciosas. Isto é tratado no terceiro livro das Sentenças. Isto se toca com mão, quando se disse também Rocha: a qual Rocha, segundo Agostinho e Isidoro, em primeiro lugar é iluminada pelo sol e por causa desse, por vários efeitos celestes; em segundo lugar torna-se fecundo, pelo movimento e influência da lua. Por isso em Jó se diz que a águia mora sobre as rochas inacessíveis e segundo Alberto e Bartolomeu ela, a águia, procura sempre as rochas luminosas.

Em quarto lugar, segundo Ambrósio, a Rocha tem a maravilhosa riqueza de todas as plantas: tem também a beleza das diferentes ervas, dos aromas que tem força curativa de Deus e a abundância rica de indescritíveis frutos.

O motivo deste, segundo Alberto, é porque atira para si a virtude da terra que está sobre uma natureza mais ordenada, mais dedicada, torna-se pura pela força dos astros. Oh, sobre esta os frutos são mais doces do que aqueles que estão nos campos, as ervas mais valorizadas e os vinhos mais sãos, segundo Avicena. Isto se toca com a mão quando se diz em fontes d’água. E isto no quarto livro das Sentenças do Mestre Lombardo digníssimo Bispo de Paris. Por isso a quarta coisa pode-se dizer justamente, o que esta escrito em Juízes cap.18: Encontramos ali uma terra rica e fértil: onde em Ezequiel se diz: Em pastos férteis ali pastarei.

Tratou-se já das (primeiras) duas partes, sobre o primeiro e segundo livro (das Sentenças). Falta examinar o terceiro (aspecto), de acordo com o terceiro livro das Sentenças. Este em relação ao esplendor da Rocha iluminadora, purificadora e admirável, segundo a Sentença de Dionísio.

Esta luminosidade, segundo o Beato Anselmo, é tríplice: interior, superior e humana.

O primeiro explendor da Rocha é interior e fecundo de pedras preciosas, ou seja, ela é geradora de boas obras. Isto está nas quinze distinções do terceiro Salmo; estas estão no clarão da Beatíssima Encarnação de Cristo, na qual, segundo Agostinho: A luz brilha na escuridão e a escuridão não a acolheu (João, cap.1). Através desta, o Sol de Justiça fez-se homem, iluminando toda a fraqueza da nossa mortalidade. Segundo esta palavra: Iluminas cada homem que vem neste mundo.

O segundo esplendor da Rocha, segundo os mesmos Anselmo e Isidoro, é aquele exterior ou humano, do qual os homens são iluminados; este é forte nos próprios fundamentos e de longe veem todas as coisas prósperas e adversas. Sobre isto na segunda parte do terceiro livro das Sentenças, que está sobre o clarão de sete formas da Rocha de Cristo, com sete distinções, que são a Paixão, Ressurreição, Glorificação e Ascensão de Cristo, da décima sexta até a décima segunda distinção. Sobre estes argumentos relativos à Paixão, à Glória de Cristo e à Ascensão, disse Bernardo, o Doutor do qual escorre mel, que o Sol de Justiça, Cristo nosso Senhor, surgiu de manhã no natal, mas sofreu ao meio dia, incendiando todo o mundo com a chama da sua Caridade e caiu morrendo de noite. Ele novamente ressuscitou na aurora do terceiro dia, aparecendo às santas mulheres.

O terceiro esplendor da Rocha é aquele superior, que compreende todas as virtudes na apagada felicidade e na alegria eterna. E desta trata-se nas últimas dezoito distinções do terceiro livro das Sentenças, da vigésima terceira distinção até a quadragésima terceira. Este esplendor, que está dentro das virtudes teologais e humanas, através das quais alcançamos as virtudes superiores, segundo Jerônimo, visto que adquiriram aquelas coisas, pelas quais serão premiadas nos Céus; justamente com o terceiro esplendor da Rocha se deve preparar a nossa deificação.

Pode-se dizer sobre a primeira das três luminosidades, aquilo que está escrito sobre a Sabedoria: O quanto uma geração pura junto ao esplendor é bonita. E no livro do Êxodo está escrito: quando os filhos de Israel viam o monte enfumaçado, com o fogo, o rumor, as luzes etc.

Sobre a segunda luminosidade pode-se dizer que: Não recebo glória dos homens. E nos Macabeus: Esplendeu o sol sobre os escudos áureos e brilharam os montes por causa deles, ou seja, as Rochas, visto que as Rochas são montes altíssimos, segundo Isidoro e Bartolomeu, no Livro sobre a natureza das coisas.

Mas sobre a terceira luminosidade escreve: Deu a ele uma glória eterna.

E no Evangelho onde diz-se que o Senhor foi transfigurado sobre o monte Tabor e que a luminosidade de Deus o envolveu de luz.

Então colocando de lado as duas últimas subdivisões, deve-se tratar da luminosidade interior, segundo as quinze luminosidades da Teologia, que de acordo com as quinze primeiras distinções do terceiro livro, compreendem as gerações temporais do Filho de Deus. Então o honrado Senhor Doutor e vós todos, Auditores apaixonadíssimos da sagrada Teologia perguntam: Quanto grande e excelsa é a altura da Santíssima Teologia em relação a nossa pobreza? Oh, quanto é necessária a nossa miséria! Oh, quanto é de amar, desejar, agoniar por parte dos mortais! Mas porque isto? Porque ensina a encontrar nas primeiras quinze distinções do terceiro livro a única Rocha infinita, que tem todas as riquezas, que contém todas as luzes, que possui todas as virtudes, que quando o teria obtido, abandonariam todos os bens, depois de ter distanciado todos os males.

Mas qual é esta luminosa Rocha tão magnífica? Escutais, por favor, sábios, inteligentes, cultos e especialistas. Esta, digo, é a Saudação Angélica, que a Rocha altíssima, larguíssima, luminosa, fecundíssima, que com a sua altura levanta todos às coisas do Céu, que com a sua largura sustenta tudo, que com a sua luminosidade ilumina todas as coisas escondidas, que com a sua fecundidade renova e repara todas as coisas. Oh felicíssima Rocha, junto de ti nos refugiamos e seremos liberados dos males. Estaremos sobre ti e não seremos cansados da confusão, da inconstância e da mutabilidade. Veremos continuamente a ti e em todos os lugares esplenderemos como estrelas da manhã. Em ti repousaremos no aprender, no amar, no agir e abundaremos riqueza da casa de Deus e a nossa companhia não estará na terra, mas no Céu.

As palavras do Angélico Agostinho estão de acordo com esta, no belíssimo Sermão sobre a Saudação Angélica, onde disse: Que direi dos montes, dos quais a Sagrada Página me fala?

1. Sobre o monte Sinai foi dada a lei antiga, mas sobre o monte da Saudação Angélica foi dada a nova lei.

2. Sobre o monte Garizim e Hebal foram dadas as maldições terrenas e sobre a Rocha as bênçãos.

3. Sobre o monte Hor foi sepultado Arão, mas sobre esta Rocha Bendita por Deus, nasceu o filho de Deus.

4. Sobre o monte do Líbano germinam todos os aromas, mas sobre esta Rocha Virgínea estão contidas as coisas celestes e os medicamentos de todo o mundo.

5. Sobre o monte Moriá foi fundado o Templo de Deus, mas sobre esta Rocha Bendita, se realizou pela primeira vez, a humanidade (de Cristo), que acolheu a glória da Trindade. Por que então sobre os outros montes sobre os quais subo com dificuldade, sou vencido principalmente pela fome e sede e sobre estes doente, enfim morro, como Moisés e Arão, ambos mais infinitamente grandes do que eu? Mas sobre esta Rocha Angélica progrido, cansado me recupero, doente sou curado, morto sou ressuscitado, faminto e sedento sou recomposto; e como Jacó que contempla as coisas divinas, através de uma escada, onde permanecerá felizmente pela eternidade, com força e com segurança subo, nunca no futuro sofrerei dano. Estas palavras disse ele. Esta claríssima Rocha da Saudação, ou seja, Mariana possui quinze palavras principais e outras três também significativas junto àquelas, e isto é Convosco, Entre e etc...

Disto é possível compreender que aqui deve ser colocado os quinze Pai Nossos e as cinquenta Ave Marias, que fazem cento e cinquenta, segundo o número dos Salmos do Saltério de Davi.

Esta então é a digníssima Rocha da Trindade, na qual estão quinze minas de pedras preciosas, segundo os quinze melhores tipos destas.

Visto o que foi dito pela Virgem Maria, que é ornada de todas as pedras preciosas e como no Saltério Angélico, são cento e cinquenta as Ave Maria, assim onde estão três coroas de flores das quais, a primeira é relativa à Divindade, do qual “O Senhor esteja convosco”; a segunda é relativa à Encarnação, quando se diz, “Entre as mulheres”; a terceira coroa de flores refere-se à Paixão, quando se diz, “E Bendito seja o fruto”, aquele que esta crucificado na árvore da Cruz. Estas três coroas de flores tem-se através das três palavras significativas somadas à outras, ditas antes. A primeira palavra: “Convosco” é dita em referencia à Divindade, visto que à ela o Senhor se une. A segunda, isto é, “Entre” refere-se à Encarnação, visto que a ela acrescenta-se o “Bendito o fruto”. Esta benção e frutificação, não foram realizadas completamente, se não na Paixão.

Como se viu que ali estão três grupos de cinquenta orações e em qualquer Ave Maria daquelas cinquenta estão quinze palavras, ou seja, pedras preciosas: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, tu és bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus Cristo. Amém”.

Ali estarão quinze vezes dez, ou seja, cento e cinquenta Rochas Angélicas, que em qualquer Saltério oferecem-se à Mãe de Deus, as quais, colocadas juntas são duas mil e duzentos e cinquenta pedras preciosas.

Tantas são as palavras principais nas cento e cinquenta Saudações Angélicas. Qualquer uma destas pedras preciosas, devotamente oferecida à Virgem Maria, vale mais do que todas as pedras preciosas de todo o mundo. Oh! Senhores excelentíssimos e servos devotos de Maria Virgem, assim como em qualquer Ave Maria existem quinze palavras, nos três grupos de cinco estão cinco pedras94 preciosas. Se qualquer Ave Maria é uma Coroa, composta de quinze pedras preciosas, dedicada à gloriosa Virgem, assim em todo o Saltério é composto de cento e cinquenta Coroas Reais. Qualquer uma destas, até mesmo a menor, vale mais do que todas as coroas dos Reis, dos Imperadores e de qualquer bem, porque os servos da Virgem Maria no seu Saltério são justamente Reis e Rainhas e que cada dia coroam com muitas Coroas a Rainha da Glória.

94 Entendemos que o termo “pides” aproxima-se de “lapides”, como pode-se ver mais adiante na frase.

Então não é grande, oh docíssimo Salmodiantes da Virgem Maria, o louvor da Teologia? Sem dúvida é grandíssima e nos ensina a encontrar uma grande Rocha, na qual estão estendidas as quinze minas de pedras preciosas. Ensina-nos a oferecer a (pedra preciosa) encontrada à Beatíssima Mãe de Deus, e coroar com a (pedra preciosa) oferecida, a mesma Rainha Maria, cento e cinquenta vezes por dia. Ensina-nos a adorná-la depois de tê-la coroada, com duas mil duzentos e cinquenta pedras preciosas: A menor destas pedras, vale mais do que todo o mundo corpóreo. Visto que os atos (de obséquio) diminuem, principalmente aqueles morais, cada uma daquelas quinze palavra à ser pronunciada, deve ser ligada às pedras utilíssimas e sumamente necessárias da Teologia.

Justamente, então, Deus transforma a rocha em lagoas d'água e a rocha em fontes d'água.

PRIMEIRAS cinquenta ORAÇÕES.

Para ser oferecido como presente:

I) o Diamante da Inocência;

II) o Rubi da Sabedoria;

III) a Pérola da Graça;

IV) a Diáspora da Plenitude;

V) a Safira da soberania.

Então o primeiro louvor de todos, oh fervorosos apaixonados e discípulos da Virgem Maria, é a Página Sagrada. Esta na primeira distinção do terceiro livro, sobre a Inocência da necessária Encarnação do Filho de Deus, nos ensina a oferecer à Virgem Maria, Rainha da inocência a primeira pedra preciosa da primeira mineira da Rocha Angélica, ou seja, a Pedra indomável95. Esta é chamada de pedra da inocência e se oferece quando devotamente se diz à Virgem Maria “Ave”. Ave, segundo Agostinho, se diz enquanto sem os problemas96 da maldição, ou seja, da culpa: nisto a inocência de Maria é declarada de forma claríssima.

95 Preferimos traduzir Adamas como Pedra indomável porque o texto dirá posteriormente que alguns chamam esta de diamas, diamante.

96 O Beato Alano anagrama a palavra Ave com “Vae” (Ahi! Guai!) e com “Eva”, para demonstrar o cumprimento em Maria das profecias contidas no capítulo 3 do Gêneses, e ou seja Maria como nova Eva (Ave-Eva) e Maria como a mulher anunciada em Gêneses 3,15, aquele que teria amassado a testa ao serpente, causa de todos os desesperos (Ave-Vae).

Segundo Isidoro: A Pedra indomável, não é quebrada por nenhum material, não é vencida por nada, nem contaminada ou poluída. A inocência é a pedra do máximo amor e capaz de colocar em fuga o demônio. Alguns o chamam de Diamante, como o amor dos dois (esposos), que recolhe e distribui. A amabilíssima gloriosa Virgem Maria, segundo Anselmo, é Aquela que deve esplender de tão grande pureza, dos quais não se pode encontrar uma maior sob Deus. Por isso no Cântico dos Cânticos: A minha amiga é toda linda e em ti não existe mancha. Mas com razão se faz ver que uma grande pedra deva ser honrada devotamente por todos os seres: porque tem em si uma suma inocência, seja manifestada em relação a todos, seja totalmente conservada, seja guia na conservação de todas as coisas, digo, segundo o direito divino, natural e humano: então Maria Virgem é de tal forma: porque, como disse Ambrósio no Sermão da Assunção: Qual louvor daremos à ti, oh Inocente Virgem Maria, pela qual a inocência morta foi recuperada e vivificada? Tu és a árvore da Vida, fora da qual, os ramos são sem fruto e condenados à morte. Ele escreveu estas coisas.

Mas talvez alguns de vós direis: Quanto vale este Diamante dito Ave?

1. Ele vale mais do que todas as pedras preciosas oferecidas no deserto pelos filhos de Israel pelo Tabernáculo, que é tão maravilhoso.

2. Esta pedra, que é imensa, vale mais do que as pedras preciosas de Salomão, oferecidas ao Templo de Jerusalém ou presentes nos seus tesouros.

3. Vale mais do que as pedras preciosas, que possuíram Artur rei dos Bretões, Carlo Magno, Davi, Cisquaso, os três Reis dos Bretões e qualquer outro fiel tenha oferecido aos Templos e Relíquias dos Santos.

Mas novamente perguntais: Quanto é maior este Diamante “Ave” de todas as inumeráveis coisas ditas antes? Por isto sempre respondo que é tanto maior, quanto todo o céu é maior do que uma só estrela, visto que, segundo Agostinho, um mínimo bem celeste é maior do que o máximo bem corpóreo.

Oh, vós todos, filhos devotos da Virgem Maria escutais e respondais a minha pergunta: Talvez se eu vos desse, um dia, cento e cinquenta Diamantes, vós sereis bem dispostos a realizar os meus pedidos? Amareis me ainda mais, abandonando cada ação danosa e externando com todas as forças, a vossa benevolência? Se isto é assim, claramente consegue que, a Virgem Maria, por qualquer Saltério devotamente oferecido dará coisas maiores. Este é o Diamante da amizade, que expulsa todas as forças do demônio, fragmentado pelo Sangue de cristo Cordeiro Imaculado, da espada da Paixão que atravessou a sua alma. Sem dúvidas, do menor ao maior, ocorre aceitar como verdadeiro, o que foi escrito: Dais e vos será dado. Segundo Orígenes: Nas coisas mundanas se dará o cêntuplo, no corpo mil vezes a mais, na alma dez mil vezes, no momento da morte cem mil vezes a mais e depois da morte um milhão de vezes mais. Vós que quereis enriquecer e em breve recebeis a Inocência: placar Maria e realizar o vosso Reino precioso, neste mundo através da graça e naquele futuro através da glória. Aproximai-vos a esta Rocha da Saudação Angélica, oferecendo à Virgem gloriosa num dia qualquer, cento e cinquenta mil vezes o Diamante da Inocência, ou seja, a Ave. Porque oferecendo assim, saudareis a Imperatriz de todo o mundo, que ama muito mais qualquer pecador e aqueles que a cumprimentam dignamente, do que as Imperatrizes ou Rainhas, que nunca tenham amado um ser mortal vivente ou que ame naturalmente. Visto que a Caridade da Virgem gloriosa, segundo Agostinho, supera o amor natural de todo o mundo: não somente corpóreo, mas também Angélico. Então do menor ao maior, para que não tenhais desespero, ofereçais muito mais frequentemente à Maria o Diamante dito anteriormente. Justamente então Deus transforma a rocha em lagoas de água, pela virtude destas pedras preciosas.

O segundo louvor da Pagina Sagrada: O amabilíssimo filho pertence à Maria Virgem, isto que (se encontra) na segunda distinção do terceiro livro da Sabedoria, que considera o gênero de união entre a natureza humana e aquela divina: ensina-nos muito sabiamente, a oferecer à Maria Virgem, Imperatriz da Sabedoria, a segunda pedra preciosa da segunda mineira da Rocha da Saudação Angélica, ou seja, um Rubi, quando se diz “Maria”. Porque alcançamos a Sabedoria e obtemos o esplendor da gloriosa Virgem, mais (com este Rubi) do que se a oferecemos toda a sabedoria temporal. Visto que a menor parte de uma oração devota, segundo Bernardo, Secretário Beatíssimo de Maria, é maior do que a sabedoria dos Filósofos de todo o mundo, e será recompensada com um prêmio maior. A razão desta oferta é: visto que Maria, segundo Remigio e Jerônimo, é chamada Iluminadora, ou seja, iluminada, porque pertence à sabedoria, segundo os mesmos.

Então um rubi deste tipo, queima nas águas e durante a noite, como um carvão em chamas, esplende: distanciando os terrores dos fantasmas, conferindo um discernimento sobre as coisas a serem feitas e conduzindo a certeza à mente duvidosa, ao menos segundo a ordem pré-estabelecida, de acordo com Isidoro e o Lapidário.

Por isso esta pedra é de incomparável valor para os Reis. E Maria Virgem gloriosa possui plenamente estas condições. Porque, como atesta Bernardo, ela gerou a eterna sabedoria e deu a luminosidade da sabedoria celeste ao mundo cego, muito mais imensamente do que a sábia Abigail, mulher de Nabal do Carmelo. Mas por uma evidente razão se manifesta a todo o mundo, para que essa possa ser saudada no Saltério Angélico. Do momento que todos os homens possuem a grandíssima capacidade de oferecer, observar e guiar, de todos deve ser honrado, como aparece no testemunho de Sêneca. E a Santíssima Virgem Maria, como atesta Bernardo, é o que se diz dela no Eclesiástico, cap. 24: Sou a mãe do puro amor, do temor (de Deus), da ciência e da santa esperança. Se então quereis ter a Sabedoria capaz de iluminar, mais frequentemente saudais Maria. Visto que, como atesta Ambrósio, Esta estrela brilha mais luminosa do Sol nas mentes dos fiéis: e recebereis o cêntuplo do presente. Visto que a menor parte da devota oração, segundo Anselmo, vale mais do que toda a luminosidade corpórea do mundo, e da prudência humana.

Mas por acaso entre vós dites: quanto vale o Rubi Maria? Respondo que esse vale mais do que oferecer à Virgem gloriosa, Rubis tão grandes e numerosos quanto as estrelas do firmamento, como atesta Agostinho, quando disse: a mínima parte da luz da graça é maior do que toda a luz corpórea do mundo. O Rubi Maria supera todos os outros rubis, assim como todo o mundo supera o menor rubi do mundo. Então, oh benditos filhos de Maria, tornais dentro de vós e respondeis a mim: Porque, se um dia, um de vós presenteardes cento e cinquenta rubis a qualquer Rainha, que os ame como um filho incomparável; com certeza esperareis sempre e a todo o momento, encontrar benevolência e amor junto esta. Então visto que a Virgem gloriosa ama mais vós do que a ofereceis tais coisas, do que se todas as criaturas do mundo fossem Rainhas amorosas, que vos amasse afetuosamente. Visto que segundo Alberto Magno, a menor Caridade de Maria é maior do que toda a caridade do mundo, assim como sua infinita amizade natural. Sem dúvida, deveis crer que vós recebereis coisas maiores e obtereis a graça da sabedoria, desta Virgem muito sábia. Porque se aquele que ama menos, segundo Boécio, concede tantas coisas boas, sem dúvidas, aquele que ama mais, concedera coisas maiores. Então, sereis cento e cinquenta vezes coroado no presente, assim como também no futuro com a coroa da sabedoria dos Rubis; no Saltério Angélico saudareis Maria a cada dia. Por isso por mérito da virtude destas quinze pedras preciosas, Deus transforma a rocha em lagunas de águas.

O terceiro louvor da Teologia, oh claríssimos Reitores e Doutores dessa alma faculdade e estrela resplendente, está na terceira distinção do terceiro livro, que dá a santificação através da graça de Maria Virgem e de Cristo, ensina todo o mundo a oferecer à Virgem cheia de graça, a terceira pedra da terceira mineira, da Rocha da Saudação Angélica.

Coincide com uma preciosa Pérola, quando se diz: “Graça”. Segundo Isidoro, a razão disto é que a Pérola é uma pedra cândida em uma concha marinha, gerada do orvalho celeste, sem a mistura de qualquer semente desaparecida: esta é potente contra as numerosas enfermidades e se opõe a fulmines e a raios. A concha quando é atingida pelo raio, sofre um aborto ou quando é agredida por trovões, gera uma pedra imperfeita, segundo Bartolomeu no Livro da Natureza. Assim é a Gloriosíssima Virgem Maria.

Visto que, segundo Jerônimo, ela é a concha marinha deste mundo, que gerou a pérola Cristo, não do sêmen masculino, mas do místico Espírito da glória celeste. Cristo curou as nossas enfermidades, nos defende, contra os trovões das tentações e contra os fulmines de todas das tribulações, segundo Bernardo. Visto que verdadeiramente Maria deve ser louvada por todos com a oferta devota da pérola Graça. Em primeiro lugar, porque tem em si uma graça imensa, capaz de expandir-se em todo o mundo, que protege e que faz avançar, segundo Alberto. Em segundo lugar, porque assim qualquer fiel receberá o cêntuplo do que ofereceu, e assim cada dia se enriquecerá ao infinito. Em terceiro lugar, porque preparará para si o Reino dos Céus com todas as pedras preciosas e cada uma destas será maior do que um inteiro Reino: como testemunha a vida do Beato Tomas Apóstolo.

Mas talvez não compreendendo isto, silenciosamente pede: quanto vale esta pérola Graça? Respondo diante de todo o mundo: que vale mais do que o paraíso terrestre, assim como o paraíso vale mais do que a maçã roubada por Eva. E isto é assim, porque, segundo Basílio, a mínima parte do Reino de Cristo é maior do que todo o paraíso terrestre, porque o Reino de Deus conduz ao Céu, enquanto que o paraíso terrestre conduz ao Inferno. Acham que, oh caríssimos, a Virgem gloriosa não se alegrará por tão grande oferta de dons? Do mesmo modo que, se ao lobo, ao leão ou ao urso déssemos cada dia um pouco de comida: certamente, segundo Jerônimo, este se afeiçoaria a nós. Quanto nos amará a Virgem Maria, pela oferta do Saltério? Ela ama qualquer salmodiante com o seu Saltério, mais do que os pais e as mães, que tenham apenas um filho, (que é sempre) muito amado por ambos os genitores; mais do que uma mãe tenha amado de amor natural o próprio filho. Olhais então com atenção estas coisas, e louvais Maria no Saltério. Porque aqueles que assim a louvam, serão salvos do menor até o maior, como testemunha a vida da Santa Catarina Mártir.

O quarto louvor da sagrada Teologia, oh docíssimos servos de Maria Virgem, é aquele que está na quarta distinção do terceiro livro das Sentenças, ou seja, aquele que se refere à explicação mais completa da perfeita Encarnação de Jesus Cristo, o qual sêmen é o Espírito Santo. (Este louvor) explica que todo o mundo encontra a quarta mina preciosa na Rocha da Saudação Angélica, a qual nos ensina a oferecer a pedra Jaspe à Virgem Maria, invocada através da palavra Cheia. Esta é a razão: porque o Jaspe, segundo Isidoro, é uma pedra de cor verde, que consola a vista através da sua beleza, cheia de tantas virtudes, assim como as vírgulas e sinais que marcam a pontuação.

Consegue distanciar todos os humores ruins do corpo, a dar alegria, quando alguém procura amabilidade e tranquilidade, segundo Alberto Magno e isto de forma ordinária. Assim a Beatíssima e Plena, cheia de Graça, Virgem Maria agradou aos olhos da altíssima Trindade e de todos os Anjos. Ela foi o espelho de todas as belezas no corpo, a mais bonita das mulheres, muito mais do que Judite, do que Ester ou Sara, segundo Alberto. Teve tantas virtudes, potencialidades e obras quanto tiveram os santos. Ela removeu todas as malvadezas necessárias do mundo, segundo Bernardo, e levou a eterna alegria aos filhos da condenação, segundo Agostinho. Justamente então é cheia, como o Jaspe, da graça da beleza, não somente espiritual, mas também corporal. E se concluiu que, por esta razão, deve ser louvada dignamente no Saltério por todos: em primeiro lugar porque, segundo Sêneca, as coisas belíssimas são louvadas; em segundo lugar, porque as coisas que dão suma beleza, devem ser amadas e louvadas por todos, segundo Agostinho. De tal modo está a Virgem Maria, segundo o mesmo (Agostinho), num Sermão sobre o nascimento da Virgem Maria; em terceiro lugar, porque mulheres belíssimas como Ester, Sara e Rebeca, são louvadas na Página Sagrada, então muito mais se deve louvar a Virgem Maria, porque, segundo Agostinho, aquilo que as outras mulheres juntas tiveram de beleza, ela tem e teve, sozinha, na inteira beleza.

Mas talvez observando com admiração e alegrando-se, perguntes.

Quanto vale este Jaspe do Plena, quando se quer oferecê-lo devotamente?

Por isso com segurança diante de toda a Igreja, respondo que vale mais do que todas as obras naturais de Deus feitas nos sete dias. Igualmente, vale mais do que todas as nove ordens dos Anjos, e de todo este mundo material. Visto que este Jaspe do Plena, é digno do Deus da glória, não se referem à Ela as coisas ditas pelo Mestre, no Segundo Livro das Sentenças?

Escutais, pelo amor do Céu, as coisas que eu disse! Se isto é assim, porque sois preguiçosos e não quereis vos enriquecer de tantos bens? Não será visto como um insensato aquele que viverá assim relaxado? Tem mais, prestais atenção! Se desse um só ducado por dia a um turco, ou a um sultão: certamente ele me trataria bem; mas dou à Virgem Maria infinitamente mais quando no seu Saltério ofereço o Jaspe do Plena. Sendo assim pergunto se Ela seria injusta ou mais cruel do que um turco. Dizer isto dela é loucura, visto que a Igreja canta no Salve Rainha que Ela me dará a sua graça, porque ama mais um seu Salmodiante, do que o possam amar irmão e irmãs: mesmo que alguém o amasse tanto quanto Tamar amou seu irmão Absalão, o qual a vingou por causa do amor incestuoso.

Visto que, segundo Gregório Nazianzeno, o menor bem da glória de Deus nos Santos, é maior do que o maior bem da natureza nas coisas criadas.

Esta é a razão, pela quais aqueles são dignos de glória, segundo o Santo Doutor, mas este, porém, é digno da existência natural. Visto que então a razão, o sentido, a ciência, os exemplo, os sinais, a lei, a experiência e o desejo do bem os encorajam a louvar Maria, porque já não a saúda sempre no Saltério, por ter cada plenitude de glória?

O quinto louvor da Teologia, oh eméritos amantes da Sabedoria, filhos da nobilíssima benigna mãe de todo o mundo, Maria Virgem: é aquilo que na quinta distinção do terceiro livro das Sentenças sobre a necessidade da Santíssima União em Cristo, nos ensina a encontrar a quinta mina da Rocha teológica, ou seja, da Saudação Angélica. Desta (mina) nos exorta a oferecer à tão grande Soberana Maria a quinta pedra, que é a pedra da nobreza e da soberania, a pedra que é dita Safira e se tem quando se diz “o Senhor esteja convosco”. Visto que a Safira, segundo Alberto, Bartolomeu e o Lapidário, é uma pedra de cor celeste, a ser colocada sobre os anéis dos Reis, diante da qual se davam os responsos por parte dos deuses, esse revelavam as coisas ocultas: segundo o Lapidário, capaz de levar coragem e de gerar audácia. Todas estas coisas distinguem a nobreza que Maria Virgem teve por suma excelência segundo Ambrósio. Visto que é a Mãe do Senhor dos senhores. Por isso deve ser tida por todos os fiéis de Cristo, como a Senhora do mundo. Ela foi colocada no anel da fé cristã e intercedendo, continuará a assegurar a Redenção do mundo; e através dela, são reveladas numerosas coisas sobre o futuro. Essa sozinha, segundo Agostinho, torna as almas dos homens seguras, audazes e poderosas, não temendo a ninguém. Assim então justamente, como nobilíssima Soberana de todo o mundo, se deve oferecer a Ela este Safira “o Senhor esteja convosco”. A verdadeira razão é esta: Em primeiro lugar, porque é a Mãe do Senhor dos Senhores, e do Rei dos Reis. Em segundo lugar porque, com todo o direito, somos servos dela. Em terceiro lugar, porque as Soberanas do mundo, com toda a razão, devem ser honradas pelos seus servos: por isso a nobilíssima Soberana Maria deve ser honrada por nós, porque é Senhora, Mãe de nobreza, segundo Alberto, em relação à Encarnação.

Mas por acaso, raptado pelo êxtase da maravilha, ficando silencioso, perguntas: quanto vale a Safira, O Senhor esteja convosco? A isto respondo sem hesitar. Valendo e agradando muito, (esta pedra preciosa) é da Virgem Maria, e em si, é principalmente nobre e vantajosa a toda a Igreja militante ou triunfante. É mais adequada à inteira Trindade, do que, se tu desse muitas minas de safiras à Maria Virgem gloriosa, grandes como a cidade de Paris, e as muitas pequenas pedras de todos os tipos. É mais importante, oferecer este Safira à Virgem Maria, do que oferecer a Arca de Noé, e salvar nesta a natureza dos seres vivos: porque a Arca foi destruída com aqueles que entraram nela, mas a Safira da soberania nunca se corrompe, ao contrário, através deste os servos da Maria Virgem, vivendo, exercitam a soberania. Por quê? Porque dá à Maria Virgem em um dia a nobreza por cento e cinquenta vezes. Estes receberão o cêntuplo no modo que disse Gregório: Servir a Deus é reinar com Ele. Dê e te será dado. E a manifesta claramente, porque a nobilíssima Maria ama mais o pequeno servo do seu Saltério, do que qualquer nobre duquesa, condessa ou baronesa tenha amado um servo seu, ou o amará até a morte.

No mais, imaginando que tantas senhoras, quantas as folhas de todas as ervas e de todas as árvores, fossem transformadas pelo poder divino em Senhoras e tuas amantes, te amassem com toda a energia; este tão grande amor não seria explêndido, como o amor da Virgem Maria, com o qual ela ama a ti, que a serve no seu Saltério. Por que este é assim?

1. Porque não amas Aquela que te ama com tão grande amor, tu que às vezes és pego com tão grande amor em relação a uma mísera mulherzinha? E de novo.

2. Porque não confias em tão grande Senhora, tu que te confiarias com muita confiança ao poder de uma das Soberanas ditas acima?

3. Porque se somente destes uma pedra preciosa a um assassino, a qualquer juiz ou dos servos, tu poderias estar seguro, porque se fostes pego por estes, serias libertado, preservado de todos os ultrajes e de qualquer um que faça resistência. Visto que então a Virgem Mãe de Deus é infinitamente mais amiga e mais grata pelos benefícios, certamente podes esperar a salvação através da Angélica Saudação. Se por acaso não te persuadistes (isto não aconteça!) que Ela é mais ingrata do que os assassinos, Ela que é a cheia de Graça (Lucas cap.1) e ama os pecadores, segundo Bernardo, mais do que esses amam a si mesmos, porque Ela é capaz de um maior amor, segundo o Doutor Santo.

II. GRUPO DE cinquenta ORAÇÕES.

(Para ser oferecido) como presente:

I. o Calcedônio da misericórdia;

II. a esmeralda do matrimônio;

III. a Sardônica da honestidade;

IV. a Sardônica da felicidade;

V. o Crisólito da nutrição.

Oh felicíssimos servos da felicíssima Virgem Maria Rainha da misericórdia, o sexto louvor da Teologia, aquela que está na sexta distinção do terceiro livro da Encarnação sobre a consideração dos males e a justa aprovação, e sobre a misericórdia da asserção da santa fé da Encarnação, nos ensina a procurar a sexta mina desta Rocha da Saudação Angélica, e a oferecer em sua vantagem o Calcedônio da misericórdia, ou seja, a “Bendita”. Para receber o cêntuplo no presente e no futuro, em troca de qualquer dom do Saltério.

E esta é a razão: visto que o Calcedônio é uma pedra semelhante ao Cristal, luminoso como uma lâmpada; que atira a si as correções de cobre, que faz vencer os desafios e coloca em fuga os demônios, que libera aqueles que são possuídos por uma força adversa, segundo Alberto Magno e o Lapidário. A Virgem Maria, segundo Agostinho, é a Aurora, por intercessão dela o Sol da Justiça nos ilumina, e atrai a si os pecadores, fazendo suas as nossas enfermidades; Ela faz de forma que os pecadores comovam a Justiça divina, os liberando do poder dos demônios e os restituindo o próprio valor, segundo Bernardo. Por isso, justamente se deve oferecer à mesma o Calcedônio da Misericórdia, ou seja, a “Bendita”. Visto que, segundo Anselmo, devoto discípulo da Virgem Maria, a Virgem Mãe de Deus não só é bendita, mas também Bendita: ela, de fato, levou a todo o mundo a benção da misericórdia, aos enfermos a cura, aos mortos a vida, aos pecadores a justiça, aos prisioneiros a redenção, a Igreja a paz, aos céus a glória, em modo que não exista, quem se esconde do seu calor. E quase todas as mesmas palavras sobre a Beatíssima são de Bernardo.

Mas para uma maior compreensão, com a simples mente, perguntais: quanto vale um Calcedônio, a “Bendita”?

2. A isto respondo com audácia e fielmente. Vale mais do que muitos castelos de Calcedônias, tantas quantas são as gotas do mar, serão como qualquer coisa que seja tanto grande, quanto a cidade de Roma. Ao invés ainda é maior do que todas estas coisas, quanto qualquer castelo é maior da sua pequena pedra. Oh amados, pergunto, talvez se eu doasse a cada pecador do mundo um castelo similar, ele não me amaria e obedeceria também nas situações mais difíceis?

Evidentemente, se desse qualquer dia, uma tão notável gratificação: assim é sem dúvida. No mais: quando a Rainha da Misericórdia, fonte e raiz da clemência, fundamento e princípio da piedade íntima, será endurecida como um pequeno ramo ou de um ramo, os quais são ligados à mesma (raiz) por pouco tempo? Dever-se-á desconfiar da clemência de tão grande Virgem? Não, porque quem participa, não é maior do que quem se tornou participante; nem o que está feito, (é maior) do que o (seu) princípio ou a sua origem, segundo Dionísio o Areopagita e Boécio. Certamente então terias a clemência da Virgem, se a ofereceis esta pequeníssima Saudação do Saltério. Mas para que isto se reforce, Ela ama mais um só salmodiante neste Saltério, do que possam amar tantas mulheres, quantas são as centelhas do fogo. Mesmo que uma ame tanto, quanto Herodíades tenha amado Herodes (o sepulcro destes dois amantes se diz que seja em Lion na França), ainda mais do que esta Maria ama o seu Salmodiante. Visto que, segundo Crisóstomo, (comentando o Evangelho de) Mateus: a mínima graça de Deus é maior do que todas as naturezas, aumentadas infinitas vezes. Vós que então quereis enriquecer e receber a misericórdia no presente e a glória no futuro, com cura ofereceis a Virgem Maria cada dia este Saltério.

O sétimo louvor da Página Sagrada, oh Professores gloriosíssimos pela sabedoria, é aquele que, na sétima distinção do terceiro livro das Sentenças, sobre o ser e se tornar de Cristo dentro da Virgem Maria, Esposa de Deus Pai, nos ensina a oferecer à mesma Rainha do Santo Matrimônio, a sétima pedra preciosa da sétima mina desta Rocha da Saudação Angélica, ou seja, a Esmeralda, quando se diz: “Tu”. A razão desta coisa é assim: visto que a Esmeralda, segundo Isidoro e Dióscoro e Alberto, tem o primado das pedras preciosas verdes, e tem um corpo espetacular e gera um raio que colore de verde todas as coisas próximas, e é suscetível de reprodução, tanto que uma vez o Imperador olhava os lutadores numa Esmeralda. E no mais, provoca a exultação, com o colocar em fuga a tristeza, e se dava a Esposa Real, uma vez, sobre o anel do Matrimônio. Todas estas coisas muito perfeitamente se adaptam à Virgem Maria. De fato esta é o Tu, que é um pronome posto próximo ao verbo da segunda pessoa. Visto que, segundo Alberto, a Virgem Maria deu à luz o filho de Deus, que antes foi invisível, agora é visível, remetendo agora à ela, tanto quanto a uma Advogada, as nossas necessidades. Além disso, foi colorida com a cor verde de todas as virtudes, na qual, como em um espelho, reflete toda a Trindade, segundo Bernardo, e com a razão do seu Filho, o Nosso Senhor Jesus Cristo, através da fé, no Batismo, colore todo o mundo, o vestindo de uma roupa nupcial, distanciando a tristeza, através da alegria do Espírito Santo, que Ela teve, quando se casou com o Pai, o sumo Rei dos Reis, dos quais gerou Cristo Jesus, para Redenção do mundo.

Mas talvez, de bom coração, perguntes: quanto vale esta Esmeralda do Matrimônio, o “Tu”? A isto respondo: Vale mais do que todos os montes do mundo, mesmo se fossem de ouro; aliás vale muito mais do que todos os montes juntos. E mais ainda, visto que segundo o Doutor Santo, os méritos da graça superam o bem de toda a natureza. Oh então vós, que amais as riquezas: por que não vens aqui, na imensa abundância dos bens?

Vós que amais a dignidade, por que não vos aproximais à tão nobre Maria, Princesa de todas as dignidades? Vós que desejais a liberdade, por que permaneceis parados, no momento que os perigos vos ameaçam? Vês ou não, a morte que balança uma haste acima de vós? Fugíeis então o mais rápido na direção do Saltério do Matrimônio, ou seja, a Saudação Angélica.

Peço-vos de não desconfiar nunca da salvação, porque se dessem doações ao Anticristo, ele responderia aos doadores segundo os seus desejos.

Confiais então em Maria, porque se um malvado faz o bem àqueles que dão a ele, segundo Agostinho, Maria dará bens maiores àqueles que a oferecem dons. E assim tereis uma coroa (de glória) aumentada infinitas vezes pelas Esmeraldas Angélicas.

O oitavo louvor da Teologia, honradíssimos Senhores, é aquele que na oitava distinção do terceiro livro das Sentenças, relativo ao Nascimento Virginal do Filho de Deus de uma mulher, a Virgem Maria, nos ensina a oferecer à mesma Rainha das Virgens, a oitava pedra da oitava mina da Rocha da Saudação Angélica, que é a pedra Sardônica, ou seja, da honestidade, quando se diz, “Entre as mulheres”. Visto que, segundo Isidoro e Alberto, a Sardônica é uma tríplice cor, ou seja, negro, vermelho e branco: lembrando a cera, quando com este se fazem os sigilos, e se coloca em fuga a luxúria, para se tornar o homem humilde e pudico, honesto e muito grato. E todas as coisas, segundo Agostinho, devem unir-se às mulheres, e claramente às Virgens, das quais a Virgem Maria é Imperatriz e Rainha, a qual foi de três cores, preto na Humildade, vermelho na Paixão de Cristo; e branco na Graça e na Glória: e é o sigilo da Trindade, com os quais, segundo Bernardo, os pecadores, marcados com o sigilo, entram no Reino dos Céus, tendo a letra do sigilo sobre a remissão de cada ofensa; e Ela defende, segundo Agostinho, aquele que a servem, castos, humildes, pudicos, honestos diante de Deus e do mundo, visto que não é possível estar sempre perto do fogo e não esquentar-se, perto de uma fonte de água e não se banhar, ou na horta dos aromas e não espirrar por causa dos odores.

Mas talvez perguntes. Quanto vale este Sardônica da honestidade, ou seja, “Entre as mulheres”? A isto respondo imediatamente. Vale mais da oferta de Abraão, Isaque e Jacó, que agradaram muito à Deus. Visto que com esta Saudação Angélica, no mundo iniciou a Redenção, ao invés com a própria oferta, os Santos Pais adquiriram alguns benefícios, segundo o Doutor Santo. Direi que vale mais do que a escada de Jacó. Ela introduzirá quanto (se nos fossem!) tantas escadas de ouro e de prata, quantas são no mundo os fios de palha, para que, merecidamente, por esta escada, melhor do que pela escada de Jacó, se suba ao Céu, visto que aquela foi uma figura: esta Angélica, ao invés, é cheia de verdade.

Então, oh Honradíssimos Senhores, então voltamos a ver o quanto é grande a insensatez dos homens, estes que tem tantos bens consigo, assim tanto cômodos e úteis, que desprezam o sumo perigo. Quem se visse um lobo ou um inimigo aproximar-se ou um rio que inunda, não ia querer subir uma escada? Porque, então, não sobes esta escada da honestidade, confiando Nela? A partir do momento que, se doasse somente uma pedra em um ano qualquer, numa homenagem ao diabo, frequentemente viria em ajuda aos vossos desejos, e quanto mais largamente vos (a) deste, tanto mais facilmente, mais prontamente e abundantemente vos viria em ajuda: como é evidente nas artes mágicas, para vos ter ao final consigo. Por que então a Virgem Maria (que é a Rainha da bondade), não nos viria ajudar nas orações no presente, e vos conduziria consigo no futuro, com coisas infinitamente maiores, como ela manifestou, se nós a oferecemos os dons deste Saltério? Ao menos que não disséssemos por acaso, que o diabo seria mais benigno da Virgem Maria, afirmação que é retida por toda a Igreja como herética. E não tem o porquê maravilhar-se, oh caríssimos: porque ela ama mais qualquer salmodiante, do que todos os demônios do Inferno, os tendo como exemplos, amem qualquer coisa agradável do mundo, e até se, de nenhuma forma, estas quisessem se privar de uma coisa tão agradável. Então ainda mais a Virgem Maria não poderá se privar do seu salmodiante e o concederá a salvação. Este explicitamente, o Pai (da Igreja) Agostinho (afirma) nos ditos, visto que a menor parte do Reino dos Céus, é maior do que todo o Reino do Inferno. Oh vós todos então, se quereis enriquecer de Sardônicas ao infinito, e serem coroados por aqueles, para ter a graça da honestidade, saudais a Virgem Maria neste Saltério, visto que é Rainha de suma honestidade, possuindo em si mesma a honestidade, e é capaz de difundi-la, dirigir e conservar em toda a Igreja.

O nonagésimo louvor da Teologia é aquele que na nona distinção do terceiro livro das Sentenças é relativo à bendita adoração ao filho de Deus; aprendemos a oferecer à Rainha da honra e da glória, a nonagésima pedra da benção e de toda a prosperidade, da nonagésima mina desta benigna Rocha da Angélica Saudação, que é dita: Sardônica, e se toca quando se diz: “E Bendito”, porque a Sardônica, segundo Isidoro e Alberto Magno sobre a natureza das pedras, é de cor vermelha ou sanguinolenta, como uma terra vermelha, que impede a malícia da cor do ônix, removendo o medo, a melancolia e a tristeza, levando exultação, alegria e coragem, restituindo a calma das ilusões, e dando prosperidade contras as adversidades iminentes, segundo o Lapidário, e este constantemente. Do mesmo modo, se estende a Benção próspera de Deus, que a Virgem Maria teve sobre si. Visto que a mesma estava de vermelho na Paixão, segundo a profecia de Simeão. E impediu a malícia da cor do ônix, ou seja, do diabo, que coloca dentro do homem os terrores e os medos do desespero, segundo Orígenes; e leva alegria, exultação e coragem aos seus combatentes, segundo Bernardo, os reforçando alegremente como leite da consolação.

Promete também aos seus a segurança contra as ilusões dos erros, contra a heresia e contra o engano do mundo, que é cheio, segundo Crisóstomo, de ilusões.

Nem sem mérito, visto que esta Virgem gerou o filho Bendito de Deus, o Senhor de cada prosperidade. Por esta razão, a mesma Virgem Maria é Rainha da prosperidade, segundo Anselmo, distribuindo a adversidade ou a prosperidade como quer. O argumento pelo qual deve ser tão honrada é, que Ela é a Imperatriz da prosperidade, a qual naturalmente todos desejam, segundo Sêneca e Tuliano, e honram segundo as forças, como se manifesta nos poderes, nas artes e nas ciências, etc...

Mas talvez queiram saber: quanto vale a pedra Sardônica? Respondo isto. Vale mais do que o Tabernáculo de Moisés, realizado no deserto. Ele o supera mais do que este Tabernáculo superava a menor pele de cabra, que velava o Tabernáculo. E além: visto que, segundo o Doutor Santo, as coisas que são divinas superam desproporcionalmente as coisas corpóreas. Por direito a Virgem deve ser louvada por todos. E o dom recebido não será mal cuidado, visto que Deus não descuidou do Tabernáculo. Nem um tirano cruel, nem um ferocíssimo Daciano, ou mesmo com semelhantes deuses, esqueceriam daqueles, que cada dia oferecessem à eles tais Tabernáculos. A tão amável Virgem Mãe de Deus não se esquecerá, então, deste tão grande dom recebido. Porque Ela ama qualquer um dos seus salmodiantes, mais do que qualquer professora tenha amado um seu discípulo. Se todas as mulheres do mundo fossem tuas professoras, te amando de forma singular, por quanto a sibila amou qualquer discípulo, o que seria grande coisa, ainda mais do que esta, a clementíssima Maria te ama, que recites assim à ela o Salmo no seu Saltério. Mais do que as coisas, colocadas todas juntas, são mais do que uma só: visto que, segundo Alberto Magno em relação ao primeiro livro das Sentenças: O amor da natureza não ultrapassa a natureza; uma mínima doçura, ao invés, da glória, toca a essência divina, que é infinita. E é o mesmo raciocínio do Santo Doutor. Mas nenhuma destas professoras gostaria que tu sofresses desgraças, ao contrário gostaria que tu tivestes prosperidade: então do menor ao maior certamente, muito mais, todas as coisas prósperas e saudáveis, a Virgem gloriosa obterá seguramente ao seu salmodiante com o seu Saltério. Tenha confiança então, oh salmodiante da Virgem Maria, visto que a doutrina, a ciência, a inteligência, a experiência, a fé, a esperança, a caridade e a justiça, por ti combaterão e obterão a vitória; para que tu tenhas, se fores perseverante, todas as coisas saudáveis e prósperas; intercedendo sempre pela Virgem Maria, à qual serves na Saudação Angélica.

O décimo exímio louvor da Teologia, oh caríssimos louvantes e oradores da Virgem Maria Rainha do Céu, é aquele que na décima distinção do terceiro livro, é relativo à fecunda personalidade, aos afilhados e o desenho preestabelecido pelo fruto da Virgem e nos ensina à oferecer a décima pedra preciosa, da décima mina desta altíssima Rocha da saudação Angélica, a mesma Virgem, gloriosa nutridora universal de todo o mundo, para que nos nutramos de todos os frutos através dela, e esta pedra se diz Crisólito, e se toca quando se diz “Fruto”. E desta é clara esta exposição.

Visto que, segundo Isidoro e Dióscuro e outros importantes especialistas de pedras, O Crisólito é luminoso de dia como o ouro, emana centelhas de noite.

Por isso, se diz “Chrysis”, porque é ouro.

Também distância os demônios, expulsa os temores noturnos, afasta a melancolia, torna audaz e forte nas adversidades; e consola a mente, mudando os pensamentos ruins em coisas melhores, porque todas as coisas implicam certa nutrição do homem, e uma consolação, porque acontece através do fruto. Porque com razão se chama crisólito o fruto da Virgem Maria, visto que essa de dia brilha como o ouro pela sabedoria que ela gerou para o mundo, segundo Agostinho, e de noite emite centelhas de fogo, inflamando os pecadores com as profundidades do seu amor, segundo Bernardo, distanciando os demônios e afastando os temores noturnos e a melancolia, visto que esmagou a cabeça da serpente e a potência dela, segundo Jerônimo. E conforta a mente, propagando a ciência humana e divina, e a fé individual, segundo Agostinho, levando aos fiéis, como uma ótima nutridora, o seu fruto, ou seja, o Senhor e filho Jesus Cristo, colocando sobre a mesa da Igreja, o pão do Corpo do seu Filho em alimento, e o sangue dele em bebida, com os quais se alimenta, e enfim se conduz ao convívio dos Anjos. Quem quer ter cem vezes à mais tais topázios, e alcançar o fruto eterno e restaurar a mente e o corpo em todos os benefícios de Deus, cada dia oferece à Virgem Maria este Crisólito da Trindade, ou seja o Fruto.

Mas talvez quereis saber de qual valor é a pedra Crisólito oferecida à Virgem Maria, quando a diz “Fruto”? A isto respondo com a máxima segurança. Vale mais do que todo o Reino e Templo de Salomão, como um inteiro reino é maior do que pedrinha, ou trave daquele reino, e mais: visto que, segundo Orígenes em um sermão a menor parte da graça de Deus, é superior à maior coisa deste mundo efêmero. A qual razão foi suficientemente descrita acima. Justamente então, assim se deve louvar a gloriosa Virgem Maria. Porque como nutridora natural, moral e divina, deve justamente ser louvada com todo direito, pelos seus nutridos. Porque se a Virgem Maria for louvada com a oferta desta pedra, não será ingrata.

Se a morte tivesse tantos dons naturais por parte dos vivos, quantos oferecemos à Virgem Maria, quando dizemos “Fruto”, a morte não levaria mais nenhum homem. Pensais que a Virgem Maria é mais cruel do que a morte, coisa que não se pode dizer, ou prefere conduzir à vida os seus Salmodiantes? A qual prova é evidentíssima: visto que, segundo Bernardo, ao infinito ama mais do que cada um de nós, tanto quanto cada vivente ama mais de si mesmo, uma mulher muito predileta. Mas ninguém quer o mal a si mesmo, ao contrário quer todo o bem: então, enquanto superior, a Virgem doa à nós os frutos e todos os bens, afastando todos os males.

III. GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

A oferecer em doação:

I. O Berilo da maternidade de Deus;

II. O Topázio para acumular riquezas;

III. o Crisópraso da Salvação;

IV. o Jacinto da Medicina;

V. a Ametista da Verdade.

O décimo primeiro digníssimo louvor da Teologia, oh louváveis discípulos da Virgem Maria, é aquele que está na décima primeira distinção do terceiro livro, relativo à geração de Cristo, segundo a natureza assunta no Ventre Virginal da Mãe de Deus; (este louvor) muito louvavelmente nos ensina o dever de oferecer a ela a décima primeira preciosa pedra, da décima primeira mina desta felicíssima Rocha da Angélica Saudação, que se chama Berilo, e se alcança quando as oferecemos “Ventre”.

A qual razão logo se manifestou, visto que, segundo Alberto, Bartolomeu e Avicena, o Berilo é uma pedra cor índigo e verde, que somente em base à forma dos seus ângulos, brilha da luz do sol. Tendo dez princípios: tem eficácia contra os perigos dos inimigos, torna invencível contra os litígios, inflama a mão de quem a leva quando colocada sob o sol, magnifica o homem e privilegia o amor conjugal, dando uma capacidade fértil. E todas estas são contidas de forma excelente com o nome “Seio” na gloriosa Virgem Maria. Visto que a Virgem Maria é a pedra índigo do Oriente; visto que foi toda de Deus, segundo Ambrósio. É verde, porque todas as suas obras, sem a morte do pecado, são eternas, segundo Agostinho. Brilha segundo a forma dos seis ângulos, porque na mesma foram recebidas coisas admiráveis, ou seja, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, a carne e a alma de Cristo, junto com a graça e a glória infinita: das quais a Virgem Maria teve o esplendor imenso, infinito, segundo o Doutor Santo: protege também contra os perigos dos inimigos, tanto visíveis, quanto invisíveis, visto que, segundo Agostinho esta é Senhora das guerras.

E torna invencível nas batalhas, levando a verdadeira paciência aos ultrajados, segundo Bernardo. Inflama também a mão de quem a leva, porque torna todas as nossas obras em chamas, segundo o cluniense Santo Odilon. E esta foi magnificada na Concepção (de Jesus), acima de todas as criaturas, segundo o Doutor Santo. De modo que Deus não pudesse fazer com que uma criatura natural fosse maior do que a Mãe de Deus, e amou o amor conjugal, não carnal, mas divino, visto que foi a Esposa de Deus Pai, do qual recebeu uma fecundidade infinita, com a qual pode gerar o infinito Filho de Deus, e assim foi Mãe de Deus. Merecidamente então a Ela se deve oferecer o berilo da Maternidade de Deus, porque do “Ventre”. E de todos justamente deve ser sempre tão honrada. A razão é breve, porque a Mãe do Rei dos Reis é digníssima, com todo o direito, de ser honrada por todos, como atesta Bernardo.

Mas talvez duvides. Quanto vale este Berilo do “Ventre”? Respondo.

Cabe a ti, mais do que se um dia fosse te dado o Império Romano e de nenhuma forma quisesses abandoná-lo. Não deverias, portanto, abandonar o Reino e o Império do Saltério da Virgem Maria. Visto que, segundo Agostinho, a menor parte das coisas invisíveis, não se pode comparar com a maior das coisas visíveis. Louva então a louvadíssima Maria através do seu Saltério e ela não te será ingrata. Se a terra, irracional, recebendo uma só semente, restitui o cêntuplo, da mesma forma restitui a Virgem Maria.

Porque como a mesma Virgem Maria, nossa Senhora, revelou tantas vezes: ama qualquer pecador que a serve. Ela, naquilo que depende dela, queria abandonar a sua glória até o final do mundo, e pelo mesmo fazer penitência neste século presente, antes que ele se condene.

Isto é maravilhoso de se dizer, e está de acordo com a fé, porque ama tanto a honra de Deus, que queria impedir o pecado de todos os modos, no que depende dela, visto que é em oposição à reverência de Deus: como pode ser manifesto pela regra contrária. Se então quereis a ter como mãe e gozar por direito da herança dos filhos, ofereceis o berilo da Maternidade à divina Maria, salmodiando cada dia com o seu Saltério.

O décimo segundo admirável louvor da Teologia, oh maravilhosos zeladores teológicos, está na décima segunda distinção do terceiro livro, relativo aos quatro limites humanos que teve Cristo; (este louvor) ensina a oferecer à Virgem Maria, guardiã do tesouro de todas as riquezas da Trindade divina, a décima segunda pedra preciosa da décima segunda mina desta diviníssima Rocha da Saudação Angélica. Esta pedra é o Topázio, pedra para acumular riquezas, que se usa para oferecer à Mãe de Deus, o “Vosso”: a qual luminosíssima razão é evidente: visto que segundo Isidoro, o Topázio é uma pedra áurea e de cor celeste, diferente nas formas e nas aparências, do qual nada de mais excelente foi conservado nos tesouros dos Reis, e segue o curso da lua no que concerne as (fases da) luminosidade e da obscuridade: tem influência sobre as dores de cabeça, é potente contra a suscetibilidade volúvel, e impede a morte repentina. Para que justamente, através do pronome possessivo “Vosso” seja dado a entender um tão grande bem, o qual sumamente se adapta à Mãe de Deus.

Esta foi da cor do Céu, visto que foi celestial para o tipo de vida, segundo Bernardo, e áurea pelo exemplo do viver bem, como atesta Jerônimo. Esta possuiu na Arca nobilíssima do seu Ventre virginal todos os tesouros, (ou seja) o Filho de Deus Pai, no qual foram escondidos todos os tesouros de sabedoria e de ciência, segundo o Apostolo. Segue o curso da lua, parecendo, aquele que reproduz a imperfeita Igreja militante, adaptando-se a esta, fazendo próprias as coisas boas e as misérias desta em presença de Deus, próprio como uma amável advogada, segundo Bernardo. Ela domina os humores, pondo um freio a luxúria e à gula: porque é o espelho de cada abstinência e de cada continência, segundo Ambrósio; distancia a suscetibilidade volúvel porque deste, grosseiro e simples, segundo Bernardo, sabe fazer sábios e dotados; impede a morte repentina: porque libera da malvada morte, porque é a Rainha da vida, segundo Fulgêncio.

Merecidamente, então, todos devem louvar uma tão grande guardiã do tesouro com esta pedra, o Topázio, “Teu”. A qual razão é brevíssima. Visto que toda a guardiã de tesouros, capaz de dividir infinitamente e de distribuir os bens dela e dos seus, deve ser honrada como excelsa por todos, porque dela se recebem os maiores bens. E cada um, em um dia qualquer, por cento e cinquenta vezes, da Virgem Maria recebe bens divinos, e isto nas cinco potências interiores, que são: sentido comum, imaginação, fantasia, avaliação, memória; e nas cinco potências superiores: intelecto, vontade, desejo concupiscível, irritação e poder móvel. A Virgem Maria dirige cada uma dessas potências, segundo os Dez Mandamentos de Deus, e no que depende dela os bens são multiplicados por quinze vezes dez, ou seja, por cento e cinquenta.

Mas talvez desejes saber quanto vale o Topázio para acumular riquezas “Vosso”? A este respondo. Vale mais, do que os sábios de todo o mundo possam saber, pensar ou dizer. De fato todas as memórias do mundo, comparadas a pedra Topázio, não são nada, apenas lama. Visto que segundo Jerônimo, as coisas que aqui são muito preciosas, comparadas com as coisas celestes, são desprezáveis e abomináveis. Se, então, tu queres te tornar rico, tanto nos bens mundanos quanto naqueles divinos, por que não compras todos os dias para ti cento e cinquenta topázios? Não acreditarás, espero, que Maria seria ingrata, depois de ter recebido de ti todos os dias tantos bens. Visto que se a natureza destas confiasse as ovelhas aos animais ávidos, aos lobos, ou seja, aos leões, nunca um lobo devoraria as ovelhas, nem os pássaros ávidos as pombas, nem o leão os cervos, mas todas as coisas seriam harmônicas entre elas. Oh então Maria, fonte de piedade, seria mais feroz do que a natureza, desprezando os dons do céu, ou até mesmo dará paz e abundância em bens? A razão é bem clara: porque esta ama por direito natural, divino e humano, como uma mãe ama os seus salmodiantes, mais do que este modo corpóreo possa acreditar ou dizer, como revelou diversas vezes a mesma amável Virgem Maria. Visto que Ela é também sujeita ao direito natural, mais do que qualquer ser vivo.

E o direito natural é o que cada um deve fazer aos outros, aquilo que queria que fosse feito a si mesmo, e não fazer nunca a alguém, aquilo que não queria que fosse feito a si mesmo. Mas se Ela mesma fosse aqui presente, queria vos ajudar a possui a realidade celeste como todas as forças, e as suas orações foram escutadas, e nos libera de todos os males, especialmente daquele da condenação; então, por direito natural deve sem dúvidas salvar aquele que todos os dias a saúdam no seu Saltério e livrar completamente de todos os males que pode ser um obstáculo à salvação.

O décimo terceiro nobilíssimo louvor da Teologia, oh nobres cultores da sagrada Teologia, é aquela que na décima terceira divisão do terceiro livro, é relativa à tríplice graça salvadora de todo o mundo; (este louvor) ensina a todos os adoradores de Cristo o dever de pegar a décima terceira pedra preciosíssima desta mineira da Rocha celeste da Saudação Angélica, e o dever de oferecer esta pedra que é chamada de Crisópraso, devotamente à Virgem Maria, Rainha da Saudação dos fiéis. E toca-se aqui “Jesus”: porque segundo Alberto Magno e o Lapidário, esta pedra está em chamas de noite e áurea de dia; ela salva dos temores, dos erros e das angústias, tornando o coração luminoso e organizado. E todas estas coisas são inteiramente produzidas pelo nome devotíssimo de “Jesus”. Porque Jesus foi interpretado por Jerônimo, como o Salvador que de noite está em chamas, visto que na noite da tribulação da sua Paixão inflamou, segundo Ambrósio, as coisas terrenas, e ao mesmo tempo aquelas infernais e celestes com o fogo do Amor de Deus. Mas de dia foi o ouro da ressurreição, que brilha acima do sol. Ele salvou dos temores, dos terrores e das angústias da condenação o mundo, segundo Basílio, e no Santo dia de Pentecostes, segundo a fé Católica, iluminou o coração dos fiéis e o coração dos pecadores, segundo Bernardo, que há muito tempo levava a morte e manchado, restituiu com a sua Paixão são e salvo.

Segunda justiça então (visto que a Virgem gloriosa é a Mãe de Jesus), Ela é Mãe da redenção, é Senhora da salvação e Rainha da liberação, segundo Máximo num Sermão. Por isso a Virgem com todo o direito deve ser louvada por todos através do Beato Saltério da salvação; e a razão disto é muito conhecida, porque cada Rainha da salvação deve ser louvada dignamente por todos, naquilo que é relativo à natureza, a conduta e a chama, e deve ser honrada na honra da salvação: esta é a Virgem Maria, então etc. É confirmado através do Profeta, visto que aos grandes e aos benfeitores, as honras são devidas por direito.

Mas talvez tu ignores o valor deste Crisópraso “Jesus”. É vergonhoso que um fiel não saiba isto, aliás é muito arriscado. Por isso, peço quanto vale? A isto respondo: vale mais, do que poderia valer todas as areias do mar e as criaturas do mundo se fossem transformadas em mundos iguais ou maiores do que este mundo. Também se fossem celestiais ou áureas.

Porque “Jesus” vale tanto, por que é grande, visto que o valor das coisas é valido pelo seu ser, segundo o Profeta. Jesus então é Ser infinito na existência e tem um valor infinito. Nem penses que a amabilíssima Virgem Maria por esta pedra, a ele oferecida, te seria ingrata: porque, se um pequeno fogo pode consumir um grandíssimo monte ou uma cidade, muito deste fogo infinito de Jesus (visto que Jesus, nosso Deus, é o fogo que consome), poderá incendiar a Virgem gloriosa para a nossa salvação, glória e amor. Se não se diria (que isto não aconteça!), que é mais poderoso um pequeno fogo sobre um monte, do que Jesus sobre Maria. E se afirma mais.

Visto que a mesma ama tanto qualquer um dos seus salmodiantes neste Saltério, de forma a querer sofrer as penas de todas as coisas, no que dependa dela (como revelou em modo certo), que deixá-lo condenar. E esta é a razão disto. Visto que ela mesma, segundo o mandato de Deus, ama quem é próximo a ela na vida presente com todo o coração, com toda a alma, com toda a força e a energia, como a si mesma, de outra forma infringiria o comando divino da caridade, que só no Céu é perfeitamente completo, segundo Bernardo. Oh então vós todos, assim prediletos da Virgem Maria, tão amados por ela, porque não a amais? E se a amais, porque não vos preocupais dela e negligenciais de servi-la no seu Saltério, para a vossa salvação? Vós amais aqueles que amam mais a menor coisa mundana e desdenhais tal Senhora, tão bela, agradável e generosa, e que vos ama ao infinito? Vês ou não o que talvez amanhã (que isto não aconteça nunca!), vos cairás com a terra atrás da morte, porque não sabeis nem o dia nem a hora. Então mais prontamente a servíeis através deste Saltério, para que tenhais cada dia cento e cinquenta Crisóprasos para vós e para os vivos, e, outras tantas saudações e outras tantas salvações para os defuntos, para alcançar assim coroados as Hierarquias celestes. Amém.

O décimo quarto ótimo louvor da Teologia, ou ótimos seguidores da Página Sagrada, está na décima quarta distinção do terceiro livro das sentenças, a qual é relativa à sabedoria e potência de Cristo, com as quais, Cristo ungiu o mundo e sanou aquilo que era ferido; (este louvor) ensina a todos a alcançar a décima quarta pedra preciosa, da décima quarta mina desta Rocha da onipotente Saudação Angélica, e à oferecer à Virgem Maria, Rainha e Senhora de todos os remédios do mundo, a qual pedra é dita Jacinto.

E este se toca quando se alcança “Cristo”, diferentemente de certos grandes homens, que por longo tempo foram chamados com o nome de Jesus. Este, segundo Isidoro e Alberto, muda de acordo com o ar, assim se o ar é límpido, é límpido, se luminoso, luminoso, se obscuro, obscuro e nublado: que leva exultação quando o céu é nublado, que distancia a peste do ar: conforta os membros e afasta os venenos, sobre os quais adquire o valor do remédio. E todas estas coisas, são trazidas pelo nome “Cristo”; que segundo Remigio, é equivalente à “Ungido”97, porque é Ungido por graça da divindade, e confere a unção dos Sacramentos, segundo Jerônimo, à sua Esposa, a Igreja militante, segundo o Cântico dos Cânticos 1.

97 O Beato Alano medita sobre o sentido da palavra grega “Cristo”, que quer dizer “Ungido” por Deus, ou seja, consagrado Messias.

Arrastando-me atrás de ti, corremos juntos, em direção do odor dos teus unguentos. Torna-se claro que isto se adapta à Virgem Maria, que é a Mãe de tais unções, se não outro por motivo do Filho. De fato essa se move para mudar ouro, para unir a misericórdia com a nossa fragilidade, segundo Agostinho. E Ela leva a exultação da contemplação e da devoção à (Cristo), porque contempla os eventos da Divindade, da Encarnação e da Paixão de Cristo. E afasta as pestilências da luxúria, da blasfêmia e das detrações, que poluem até mesmo este ar; e conforta os membros, ou seja, as potências naturais daqueles que a servem, segundo Bernardo, com o dar a eles um engenho válido, sólida memória, são intelecto e um sentido agudo. Aliás afasta os venenos, segundo Agostinho, porque arranca a cabeça da antiga serpente em todos os pecados, por ser, com razão, fonte de todos os remédios e Senhora que cura todas as nossas enfermidades. Justamente então, uma tão grande Senhora, por todos deve ser louvada no Saltério cada dia. Em primeiro lugar, porque, segundo os Sábios, se devem honrar os médicos. Em segundo lugar, porque estamos todos doentes. Em terceiro lugar, porque os homens, quando sãos, não são capazes de perseverar, sem a ajuda de tão grande médico. Louvem-na todos neste Saltério, porque leva cento e cinquenta remédios consigo contra as cento e cinquenta doenças humanas.

Mas talvez digam: esta pedra Jacinto, Cristo é de valor modesto. Porque, talvez, nada tenha sabor em ti, de fato estás sempre árido. Mas respondo fielmente e brevemente, que se Deus não vale nada, nem mesmo esta pedra teria valor. Se verdadeiramente Deus vale ao infinito, esta pedra terá valor ao infinito. E assim grande é o seu valor que, se todo o mar fosse tinta, e o céu fosse um papiro, e os ramos da arvore (fossem) uma pena de escrever, e a areia (fosse) uma mão, em nenhum modo seria possível descrever o valor do Jacinto, tanto medicamentoso, o qual é dito Cristo. Por nada desesperareis sobre o acolhimento dele por parte da amabilíssima Virgem, porque, se uma estrela não pode resistir à luminosidade do sol, nem mesmo Maria pode resistir à luminosidade de Cristo. Este a apresenta na sua integridade, com todo o amor e consciência, em todos os lugares e sempre é atraída para Cristo, segundo Bernardo. A demonstração disso é rica. Visto que Ela ama tanto qualquer pessoa que a oferece esta Saudação que, por quanto dependa dela, para ele arranca imediatamente o seu coração do seu corpo, mais do que se fosse culpado por um pecado mortal.

Nela, portanto, existe tão certa Caridade e suma Ciência e Potência, segundo Agostinho, que pode salvar àqueles que tanto ama. Visto que a sua Potência é fundada na sua suma Caridade e é regulada por esta, sendo o fruto dela digníssima: poderá, então, salvar aqueles que tanto ama: ou então o seu amar não será perfeito, porque teria um poder muito imperfeito. E é robusto, segundo quando atesta Bernardo: A obra da clemência divina é colocada completamente nas mãos de Maria. E expressamente Jerônimo diz a mesma coisa: Tu então terias um sinal muito racional de eterna salvação, se com perseverança, diariamente, a tivesse saudada no seu Saltério.

O décimo quinto belíssimo louvor da Teologia, oh piíssimos seguidores da Sagrada Página, é aquela que é relativa às imperfeições assumidas (por Cristo), tanto na alma, quanto no corpo, por motivo da peculiar capacidade de sofrer, nas realidades humanas e de graça; (este louvor) na décima quinta distinção do terceiro livro das Sentenças, ensina todo o mundo a oferecer à Virgem Maria, Mestra e Senhora de toda a Verdade, a preciosíssima décima quinta pedra, da décima quinta mina da belíssima Rocha desta Saudação Angélica, que é chamada Ametista: esta é a pedra da Verdade, e se alcança na Ave Maria, quando se diz Amém. Por isso que o Amém vale tanto, assim como é verdadeira e verdadeiramente exultante, segundo Jerônimo. Esta atribuição é claramente visível: visto que segundo Isidoro, Alberto Magno e o Lapidário: a Ametista é uma pedra preciosíssima, a primeira das gemas de cor vermelha, porque é cor de vinho, tem influxo contra o alcoolismo, impedindo que exista, ou se torne crônica, quando se está cansado, distanciando a sonolência, expulsando os maus pensamentos e dando fantasia ao intelecto para a busca da verdade e para o afastamento da falsidade. Estas coisas, todas no modo mais completo, aconteceram na Virgem Maria. Em primeiro lugar é a primeira das pedras de cor vermelha, ou seja, dos mártires, que foram pintados de cor vermelha pelo seu sangue, segundo Jerônimo. Remove o vicio da gula, conferindo aos seus salmodiantes abstinência e sobriedade perfeita; esta é a Soberana, segundo Agostinho. Expulsa também a sonolência e a preguiça, conferindo alegria e diligência, das quais, segundo Bernardo, esta é mãe digníssima. E distancia os maus pensamentos e a fantasia, visto que é a luz das almas, segundo Jerônimo. Confere um bom intelecto no buscar a verdade, e no denunciar a falsidade, visto que é a Mãe dele, que é estrada, verdade e vida, segundo a fé Católica, para que conduza justamente segundo a verdade da fé, através da estrada do bem, a vida de glória, que é o Amém final de toda a Igreja militante. Com razão então a Virgem Maria puríssima no seu Saltério deve ser louvada através da Ametista “Amém” e honrada todos os dias eternamente por todos. A qual razão é clara: visto que entre todas as coisas a verdade, segundo Agostinho, deve ser honrada, venerada e louvada sumamente, visto que é, segundo o Doutor Santo, o objeto, o fim, o princípio e o meio do nosso intelecto.

Mas talvez te perguntes, se tens coragem, quanto vale esta pedra Ametista da verdade, por meio do Amém? A isto fielmente respondo. Vale mais, de quanto possa valer qualquer coisa desejável humanamente na vida presente de todos os homens, seja que sejam os reinos áureos, seja terras preciosas; ou qualquer outra coisa mundana desejável. Por isso, a razão, se diz em Esdra: A verdade é grande e supera todas as coisas, visto que segundo o Doutor Santo, a verdade tem uma bondade infinita, porque é objeto de uma potência infinita, é transcendente e porque Deus é Verdade por essência.

Tenhais fé então, oh caríssimos, neste Saltério Virginal, porque, se um tão grande bem fosse adaptado ao Inferno e fosse acolhido do Inferno, esse em nenhum modo poderia atormentar mais cada um dos condenados, porque tal bem destruiria completamente a força do Inferno. Oh então a Virgem Maria, acolhendo cento e cinquenta vezes todos os dias, um tão grande bem dos seus salmodiantes, será mais cruel do Inferno, coisa que é herética, porque nenhuma pura criatura é mais amável que a Virgem Maria, segundo Agostinho e Bernardo, porque é mais próxima à divina caridade, que é a piedade por essência; ou certamente dará a nós a salvação, de outra forma seria injusta, se receberia tantos bens e não os restituísse inteiros e maiores, como argumentou Agostinho num Sermão sobre a divina misericórdia, contra aqueles que negam a remissão dos pecados. Então, oh vós todos que amais a vossa salvação, servíeis a Virgem Maria no seu Saltério Evangélico.

Em primeiro lugar, para que possuais cento e cinquenta Rochas, em cada uma das quais estão quinze minas de infinitas pedras preciosas.

Em segundo lugar, para obter cento e cinquenta vezes quinze belíssimos dons de Maria Virgem, que são a inocência, a sabedoria, a graça, a beleza, a nobreza, a misericórdia sem limites, o ser Filho de Deus e da Virgem Maria, a honestidade e a prosperidade, a alimentação, a absoluta proteção, o nutrimento por parte da Mãe de Deus, todas as riquezas, a perfeita salvação, o acolhimento dos Sacramentos, o coroamento final da verdade e da vida santa. Nestas coisas é contida em modo pleno, cada coisa desejável. Visto que, segundo Bernardo e Alberto Magno, todo o Antigo e o Novo Testamento, assim como todo o mundo, é contido na Saudação Angélica.

Em terceiro lugar, para que a Virgem Gloriosa, junto com o seu Filho, seja honrada, por razão, em tão grandes superioridades dos méritos.

Em quarto lugar, para que tu sejas liberado dos cento e cinquenta males, que fazem guerra.

Em quinto lugar, para que toda a igreja militante seja coroada, graças a ti, por cento e cinquenta coroas.

Em sexto lugar, para que os fiéis defuntos sejam libertados, graças a ti, dos cento e cinquenta males dos castigos que fazem guerra.

Em sétimo lugar, para que os Santos gozem na pátria de cento e cinquenta exultações.

Em oitavo lugar, por causa das cento e cinquenta exultações, que a Virgem teve na Concepção e na Natividade do seu Filho e que a mesma Virgem, às vezes, revelou e recordou em modo particular.

Em nono lugar, por causa das cento e cinquenta exultações, que agora tem no Céu, acima de todos os Santos.

Em décimo primeiro lugar, contra os cento e cinquenta pecados, que normalmente caem sobre o mundo; também estes Ela recordou.

Em décimo segundo lugar, por causa dos cento e cinquenta perigos, que são mortais.

Em décimo terceiro lugar, por causa das cento e cinquenta coisas terríveis, que estarão no juízo contra os pecadores.

Em décimo quarto lugar, por causa dos cento e cinquenta benefícios, que foram recebidos pelo mundo através da Encarnação de Cristo filho.

Em décimo quinto lugar, por causa dos cento e cinquenta privilégios especiais, que serão concedidos aos salmodiantes através deste Saltério, nas coisas exteriores e na alma, tanto na morte, quanto na glória. Por isso, antes da morte, obterão de Deus uma graça especial entre todos os viventes, como resulta com certeza de inumeráveis exemplos e experiências. A Virgem Maria revelou todas estas coisas algumas vezes e distintamente recordou através de todas as coisas, das quais o significado cabe aos sábios procurar.

Com razão dizia: Aquele que transforma a rocha em lagoas d’água, ou seja, a Saudação Angélica, na abundância de todas as graças, divinas e humanas: para possuir as quais, a louvais no Saltério (Salmos 100 e 50). E (isto é todo) o argumento principal, as quinze pedras da Teologia, relacionadas com as quinze pedras preciosas encontradas espiritualmente nesta altíssima Rocha, ou seja, a Saudação Angélica.

SINOPSE DAS QUINZE PEDRAS PRECIOSAS

1. Ave Diamante da Inocência.

2. Maria Rubi da Sabedoria.

3. Cheia Jaspe da Plenitude.

4. de Graça Pérola da Graça.

5. O Senhor esteja convosco Safira do Domínio.

6. Bendita Calcedônio da Misericórdia.

7. sejas Tu Esmeralda do Santo Matrimônio.

8. entre as mulheres Sardônica da Honestidade.

9. e Bendito Sardônicas da Prosperidade.

10. O Fruto Crisólito da Nutrição.

11. do Vosso Topázio do Enriquecimento.

12. Ventre Berilo da Maternidade de Deus.

13. Jesus Crisópraso da Salvação.

14. Cristo Jacinto da Medicina.

15 Amém Ametista da Verdade.

 

SEGUNDO SERMÃO DO DOUTOR ALANO.

TEMA Temeis Deus e o honre, porque se aproxima a hora Do seu Juízo (Ap.14).

Infelizmente, é sobre a realidade mais terrível dentre todas as realidades terríveis, ou seja, sobre o Juízo final, que sou obrigado a começar o Sermão.

1. Porém, me conforta o fecundíssimo fruto das almas, que segue a uma semelhante pregação de São Vicente, (que falou) em nome da Igreja, sobre o mesmo tipo de argumento. E na verdade homem (de Deus foi) aquele, que pregou o valor, direi que (foi) uma glória de toda a Ordem dos Pregadores, decoração e ornamento da Igreja.

2. Se acrescenta também para continuar esta instrução: e isto a narração abaixo mostrará.

NARRAÇÃO.

A benigna Virgem Maria, Mãe de Deus a um seu novo Esposo se permitiu aparecer recentemente, e manifestar a ele, em relação aos sinais do Juízo final, as mesmas coisas que, uma vez, afirmava ter revelado ao seu Esposo São Bernardo, em uma aparição de grande honra. É a última hora, disse, o Esposo: a malignidade do mundo está sempre aumentando e a consumação de todas as coisas se aproxima da metade. Olhe como todas as coisas se dirigem para a última ruína. Quanto miserável e repugnante é a Igreja que se apresenta como quase todos os Estados. Quanto mudou em relação a sua primitiva santidade das sagradas Instituições. Por isso, quero que, aquelas coisas tão terríveis, as quais virão sobre todos, e que já há muito tempo tu acreditastes, tu vejas como presentes sob os teus olhos; e estas tu pregarás mais forte e ardentemente, assim como em breve acontecerão as coisas que anunciarás, inspirando-as nas orelhas e nas almas de todos, para que todos empreendam, na devida forma, os princípios de uma vida mais santa. Disse, e depois, de ter falado, muito prontamente aquele novo Esposo da Mãe de Deus, levado por um êxtase fora de si, em alto, viu com os próprios olhos, em espírito, o futuro juízo, e tem diante dos olhos todo o gênero humano, qualquer um dos homens viveu, vive e viverá.

Hora crescia ao infinito o horror, o medo e o grito tão grande destes, que humanamente não se pode dizer nem entender ou acreditar o suficiente. De fato, tais, assim como enormes representações do terrível Juízo se mostram, as coisas que o teriam precedido e aquelas que teriam acompanhado, e enfim também as coisas que seriam conseguintes. Além do mais, era tão grande o luto e o desespero geral em todas as coisas, que parecia que não houvesse para ninguém nada melhor do que não existir. E o Esposo, se tornou expectador destas coisas, se a virtude divina não o tivesse salvado e a sua protetora não o tivesse assistido e as suas forças não fossem suficientes, não teria podido resistir, teria morrido pelo desespero, enquanto foi raptado (no êxtase).

Então, para prever tão grandes males, Ela dizia: Aqueles que quiserem, se refugiar junto à Sagrada Âncora, à Virgem Mãe do justíssimo Juiz, e não deixam de confiar-se devotamente ao meu filho e a mim no Saltério de JESUS e de MARIA, e, no primeiro grupo de cinquenta orações, meditem as cinco coisas horríveis precedentes ao Juízo; na segunda, as outras coisas que o acompanham; na terceira, as outras que seguem ao Juízo. E o Esposo de Maria tinha, em mente, estas coisas marcadas com o olhar, como se as tivesse exposto num longo Sermão.

PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES.

AS COISAS PRECEDENTES AO JUÍZO.

Estas são cinco, conforme as outras (cinco) dezenas do Saltério.

Recordais:

1. A severidade do Anticristo.

2. O horror das representações.

3. A infelicidade da consciência que se consuma.

4. A subtração de todas as coisas terrenas.

5. A ferocidade total da acusação, por parte das criaturas.

I. A terrível ferocidade do Anticristo.

O Esposo viu este como o mais falso, o mais audaz e o mais potente de todos os mortais. Com a sua nova lei sacrílega, introduzia no mundo com a força, luta para arrancar e extirpar a santíssima verdade do Evangelho. Patrão dos exércitos e dos tesouros do mundo, ele se aventurava para enriquecer os seus, mas com o despir de todas as coisas, os cristãos, em oprimir com cruéis torturas, e expulsar do Céu e do mundo. Já por muito tempo relegado ao Inferno, Satanás, liberando-se então das ligações, virá para ajudar o seu ministro (o Anticristo), com toda a arte mágica da qual disporá, e mergulhando-o de artifícios; para que seja capaz de cumprir também tantas coisas admiráveis, que parecerão coisas prodigiosas, sob o aspecto enganoso de milagres, se bem que são coisas falsas. Pelas quais é sustentável a opinião de São Jerônimo, segundo o qual como Deus em Cristo uniu si mesmo à natureza humana, assim a um filho da perdição deverá ser unido Lúcifer: isto, certamente, não na unidade da pessoa, mas na conjunção das malícias e da malvadeza de todas as ações criminosas se recolhera em um só, assim que nada será igual à ele em nenhum lugar, superará grandemente Caim na inveja, Nemrod na soberba, o Faraó na inclemência, Adoni-Bezec na crueldade; vencerá Nabucodonosor na rara malvadeza, Jeroboão e Manassés na impiedade, Antíoco na tirania, Nicanor na blasfêmia; será mais fraudulento que Herodes, mais irado que Deciano, mais cruel do que Décio, mais cruel que os Judeus contra Estevão, e por fim será mais cruel de todas as crueldades dos crimes.

Certamente o seu poder será aquele de Satanás, porque foi eleito para não temer ninguém. Já muitos foram eleitos Anticristos. Para que Deus distancie de nós uma tão grande peste através dos méritos de Jesus Cristo e a imploração da Mãe de Deus, estes se devem venerar santamente no Saltério e frequentemente saudar com a “Ave” o bendito.

EXEMPLO

São Vicente, luz da Família dos Pregadores e coluna de Valência e então da Espanha, foi exímio venerador da Mãe de Deus até o momento de maravilha, e desde a tenra idade. E especificamente, por esta devoção mariana foi pregador (maior) do Saltério de Maria. Pela potência e eficácia deste (Saltério), não só venceu as tentações pesadas e contínuas, mas também encheu a Igreja de milagres, e viu com os seus olhos a mesma Mãe de Deus e mereceu mais frequentemente escutar a Consoladora. Quanto terrível e admirável foi como pregador do Juízo final, e o mundo cristão o estimulou e o conheceu até hoje, ele que quase fez tremer com este único argumento de exortação, ordenado pelo mesmo Salvador Jesus, enquanto atravessava principalmente a inteira Gália, a Espanha, a Bretanha, a Escócia, a Ibéria e a Itália. Nem as cidades continham o acorrer de homens de todas as partes, mas existia a necessidade da aberta explanada dos campos, na qual os ouvintes dele, enquanto ele falava do Juízo, pegavam lugar; existia um tempo no qual o seguiam até dez mil homens, e frequentemente foram vistos afluir para escutá-lo até que oitocentos mil homens. Em meio à este se via frequentemente muitos jogados no chão, que abertamente confessavam os seus pecados; entre estes converteu mais de vinte e cinco mil Judeus, mais de oitocentos mil Sarracenos somente na Espanha; como também muitíssimos Anjos os estavam entorno, enquanto ele pregava; era normal parecer que falasse em várias línguas, mesmo pregando em uma só; ou mesmo que fosse compreendido pelos ouvintes vindos de todas as nações, também distantes, onde nenhuma força da natureza era capaz de levar a voz daquilo que ele dizia, se não ajudada pelo milagre da graça. Aconteciam quase habitualmente inumeráveis prodígios, doenças debeladas, demônios expulsos, e qualquer tipo de mal era distanciado; mortos ressuscitados, manifestações de coisas obscuras, futuras, distantes. Tanta força existia naquele homem que pregava o juízo, mas era maior quando venerava a Mãe de Deus no Saltério.

II. Uma coisa terrível, o horror das representações!

Segundo São Jerônimo, (isto) se transmitia nos mistérios dos Hebreus, que constam de quinze realidades, e no mais semelhante ao Evangelho.

1. Existirão sinais do sol, o qual, semelhante a um saco de couro de cabra, se tornara preto.

2. A lua se tornará cor de sangue.

3. As estrelas cairão do céu, como se verá.

4. Os mares em seguida ultrapassarão mais de quarenta cúbicos os montes mais altos; após, secos, abrirão um desmedido abismo.

5. Depois disto, monstros marinhos, nunca vistos e conhecidos, criarão um novo e terrível terror.

6. Acontecerão grandes terremotos, como nunca aconteceu; serão engolidas cidades, montes e selvas.

7. As árvores e as ervas destilarão sangue.

8. Feras e animais domésticos tremerão vagando e com o rugido aterrorizarão os céus.

9. Os pássaros confusamente voando e chorando gritarão.

10. As rochas quebradas surgirão aqui e ali.

11. Os homens se esconderão em cavernas, e ainda expulsos das mesmas prosseguirão tremendo, agitando e vadiando, ou seja, delirantes se agitarão, falarão e cumprirão coisas insensatas.

12. Os mares queimarão como uma oliveira.

13. Os peixes morrerão e os grandes cetáceos apodrecerão, com um intolerável fedor.

14. O mundo, tocado por raios contínuos, se abrirá: entre estes acontecerão horríveis gritos, ruídos e berros de demônios e de almas condenadas.

15. Enfim, um fogo prorromperá do céu, e todo o céu em fogo cairá sobre a terra e sobre os mares, para a purificação com o fogo de todos os elementos e a renovação dos céus. Após virá a ressurreição dos mortos e o Juízo final.

Por causa de tão grandes monstruosidades será lançada toda a força do Inferno sobre o mal, do poder divino sobre o bem.

EXEMPLO

Um rei Bárbaro, terrível por crueldade e poder, enquanto ouvia e meditava sobre estas coisas, se aterrorizou tanto que, sendo despedaçado e acalmado o coração, logo98 abandonou a ferocidade e cultivando toda a amabilidade, se dobrou totalmente à santa humildade da vida cristã.

E para receber tão devoto temor nas almas, honrais mais atentamente a Virgem Santa das Santas no Saltério, adorando Jesus Cristo, o iminente juiz dos vivos e dos mortos, o qual, vós utilizareis para o tornar propício, se, meditando frequentemente a imagem dos sinais do Juízo com o Saltério, invocares “Maria”, que é Aquela que verdadeiramente ilumina, para que nunca desapareça as almas, pelo horror dos sinais e a angústia do Juízo.

98 Calibeo talvez seja relativo a calido, “ardente”.

III. Uma coisa terrível: a gravidade da consciência que gera remorso pelas vergonhas feitas, pelos bens omissos, e pelas coisas ditas ou pensadas impiamente!

Os flagelos desta (consciência) não só chegarão ferocíssimos, mas também violentamente mais penetrantes. Imagines e coloques junto todas as tristezas, as angústias, os terrores e as dores das almas, que sempre foram ou poderão ser: serão uma simples sombra, em relação à infelicidade da consciência. De fato, em mover e exasperar terrivelmente aquela atrocidade se uniu à potentíssima justiça de Deus, à ira dos Anjos, à recordação dos crimes: a ferocidade dos demônios e o castigo das criaturas.

Oh Cetra, que leve embora o choro! Por isso, prevenimos a cena de tantas crueldades com o Saltério de Jesus e de Maria, frequentemente oferecendo com este, a “Graça” ao Juiz Cristo, o implorando devotamente. Através de Maria, cheia de Graça, de fato, facilmente a consciência perturbada será salva e liberada de todas as angústias.

EXEMPLO

Vivia em Flandres uma mulher, sem limites para todos os pecados de luxúria: na verdade, visto que havia conduzido por muito tempo uma vida dissoluta em coisas vergonhosas, enfim, caída também no desespero, não pode esconder nem suportar os pungentes ímpetos da consciência. O que fazer? Pessoas devotas (do Saltério) sugeriram conselhos a ela que, insensata e fora de si, os pedia. Quando começou a se acalmar, o Saltério passou a lhe agradar e enfim ela se acostumou à prática do mesmo e pouco a pouco, retornava à razão. Ela tornou-se mais segura de si, recebeu esperança na alma, escutou os conselhos, sentiu a ajuda imediata do Saltério, até que se relaxou profundamente na tranquilidade pedida, e, na luz da graça, desejou vivamente a misericórdia de Deus.

IV. Uma coisa terrível ocorreu: a subtração de todas as coisas terrenas.

Com isso, a mísera humanidade atacou a esperança, procurou o prazer, dissipou o amor, e a alma viu esta se despir de todas as coisas em um só momento: viu ouro, pedras preciosas, tapetes, objetos preciosos, tesouros, palácios, cidades, campos e todas as coisas caras se reduzirem em fumaça, destruídas pelo fogo devorador, enquanto a mesma (alma) se conservou muito infeliz, por dias. Durante esta ruína todo o pai verá os filhos, a mulher, os parentes, todos os amigos, e ao mesmo tempo os inimigos. Onde estão as grandes esperanças, as coisas e os bens acumulados, as honras pedidas, os prazeres encontrados em todos os lugares? Onde estão os Impérios e os Reinos dos poderosos, as paixões e os obséquios dos nobres, a ajuda dos súditos, os conselhos dos doutores, as forças dos fortes? Onde está a elegância dos corpos, as escolas de artes, a habilidade dos empreendedores, a sabedoria dos prudentes? Voltará o olhar sobre si afundado na única chama do fogo geral. Não existe propósito, nem projeto, nem uma sucessão em relação àquele que se apressa, mas um horror eterno o fecha e o circunda por todas as partes. Aqueles que antes possuíam todas as coisas, não tendo nada no momento, desciam ao Inferno. O quanto é grande a leveza do ser livre de todos os bens. Porque as coisas que faltaram despedaçaram a caridade, dissiparam a devoção, a deixaram abandonada ou desprezada a santidade dos Celestes. A infeliz humanidade arruinará todas as coisas sagradas, divinas e humanas. E as distanciando deste mal, apegais ao Saltério da Mãe da Misericórdia e Celeste Tesoureira; ali está a cornucópia cheia de todas as felicidades. Escutais aquele que repete (no Saltério) muito frequentemente a palavra “Cheia”.

EXEMPLO

Um Abade sendo reduzido no extremo ao seu Convento de Frades e ao Mosteiro, já há muito tempo arrastava uma grande pobreza pela situação difícil dos eventos. A este ponto de miséria o lançou os frequentes roubos dos tiranos e os assaltos constantes. Visto que os recursos financeiros não bastavam e cresciam os medos da morte, faltavam aos homens religiosos todas as ajudas humanas, os conselhos, para distanciar a funesta voragem das harpias, que o assaltavam há tantos anos, e voltando-se às realidades divinas, as praticavam tão intensamente e continuamente; entre as outras (devoções), na verdade, o Abade, além das costumeiras celebrações solenes, se abandonou às devoções do Saltério e manteve o objetivo. E não (passou) muito tempo para que a violência das rapinas diminuísse e se atenuasse no seu peso; os campos, os fundos e todas as outras propriedades da Abadia, devagarzinho por benção divina se encheram e afluíram as riquezas e uma abundância de bens. Retorna um novo assalto dos predadores, com a esperança de devorar a abundância, assaltam depois de ter feito uma incursão, mas eles morrem feridos pela mão divina. Segue-se sobre eles uma outra loucura e avareza mais cegante; e novamente uma outra, mas em ambas, se realizou um improvisado escuro, deixaram seja o produto do roubo que o golpe, assim que, pelo espetáculo e pelo terror desapareceram totalmente os outros ladrões. Aconteceu este terror, que não poucos destes talvez morreram, sendo presos para a eternidade, feridos por um raio: enquanto isso a abadia em tudo se tornou próspera.

V. Uma coisas terrível: A acusação universal de todas as criaturas, que se levantaram contra um só homem.

(As criaturas), cada uma no seu gênero e modo, como foram criadas e nasceram para bendizer a Deus, assim também o abençoaram: só o homem degenerado desprezou o seu Criador, o desobedeceu e o empurrou à uma justa ira e punição. E por isso todas as coisas criadas, elevando altos gritos no dia do Juízo, agrediram e cansaram os céus com o pedido de punição. O céu pedirá o abuso desonrado do dom da sua luz e dos seus movimentos, cumpridos pelos pecadores. O fogo reprovará a própria escravidão quando era usado pela gula e a luxúria dos malvados. O ar fará eco com o vento porque os indignos vivem como indignos, e, de criminosos, tem exalado o espírito; ao invés, também se lamentará pelas blasfêmias, as mentiras, os juramentos falsos, o mau uso da vida. A água se lamentará, porque inutilmente irrigou a terra, ofereceu os peixes, conduziu os navegadores, deu as pedras preciosas e as riquezas em favor da perfídia dos falsos. A terra desprezará pela repugnância dos delitos realizados contra a mesma; reprovando, esta, abrindo-se por tanta vergonha, abrirá um profundo abismo. Depois deste inicio, a multidão que permanece criada por Ele, gritará como acusadora e se lançará contra os pecadores; gritarão os Evangelhos e os demônios mostrarão os dentes, pedindo vingança e novamente vingança pela ofensa à Deus, pelo abuso das coisas criadas; terão sempre sobre os lábios (a palavra) vingança, por ter provocado o desnorteio da ordem geral. Verdadeiramente assim recebereis aquele grito, que trovejará, como ensina São Tomás, não com a sonoridade material das vozes, mas na interioridade das almas delinquentes, desta (voz), os desaparecidos aprenderão todas as coisas contrárias a eles e assim miseravelmente nocivas. E (Deus) se oporá junto a todo o mundo, contra os insensatos. Deus de fato preparará a criatura para o castigo dos inimigos.

Quanto mais terrível e feroz, aquela acusação choverá sobre os malvados, pelo fato que uma força desconhecida tão divina entrará nas coisas, assim que se verão as coisas inanimadas se agitarem impetuosamente. Por isso, para que não tenhais muito temor de escutar, em seguida, as coisas ruins, constantemente invocais aquele “Senhor” no Saltério de Nossa Senhora, salmodiais no espírito e na mente, meditando no Saltério a recordação de tão funesto grito futuro: e o Senhor transformará o temor deste (grito) em confiança. Este pode invocar em nossa vantagem ao Senhor da Senhora Advogada.

EXEMPLO

Em Picardia um pecador vivia sujo e recoberto com a assustadora perversidade de cada delito; ele já por muito tempo, tendo fechado as orelhas e a alma, ignorou as advertências divinas e humanas, através de cada tipo de impiedade, permanecendo incorrupta naquele somente a fé em Deus. Por esta estrada, a força é dada pelo temor, para que este subisse o férreo coração que ele tinha em si, de modo que, expulsasse a impiedade para fora do coração. O mal envelhecido era grandemente ligado (a ele); foi movido, pelo caso, um processo em tribunal contra o malvado, com a audiência e a causa já estabelecida: o temor do juízo humano penetrou na sua mente, e se desenvolveu um outro medo, por uma coisa diferente, penetrando na cruel consciência. Atormenta-se, agita-se; teme todos os lugares seguros; na memória os prazeres passados tornam-se áspero, parecia que as riquezas acumuladas e desonestamente adquiridas, se voltassem para uma ruína ainda pior, os amigos se tornam raros, a vida se torna amarga e é muito pouco vivaz, até que por fim ele quase tinha abandonado a esperança. Durante estes acontecimentos, eis, o vem em mente o Juízo final, quanto (seria) grande ali o terror futuro, se aqui era assim tão grande. Ele já não tinha nenhuma esperança, exceto aquela em Deus, mesmo que (Aquele fosse) irado. O que fazer? Ele acreditava que para ele pudesse existir um Mediador, mas duvidava que Jesus, ofendido e irado, o quisesse; voltou o olhar então à Mãe de Jesus, Maria, a nossa Mediadora, visto que tinha ouvido que o Saltério era a principal, a mais comum, a mais agradável (oração) à Virgem, (e essa) era um insuperável e invencível modo de orar a Deus, e muito eficaz junto a Deus e ao Filho de Deus. Assim ele, mesmo que sem esperança, o pega, o manuseia, o utiliza. Logo após inicia a sentir-se mais leve, a esperar, a retomar fôlego e a ter uma maior confiança nas aflições. No tribunal se demonstraram os pontos essenciais da sua causa, até então nunca provados, e ele, finalmente no juízo é declarado livre e inocente e é pronunciada a sentença em seu favor. Depois deste acontecimento, deu-se conta que a causa não tinha sido patrocinada nem por ele, nem por nenhum outro, mas sim pela força e eficácia do Saltério, orado suplicantemente; este (Saltério) teve o mérito, no momento da defesa.

Os cinco sinais, então ditos, os quais precedem o Juízo, correspondentes aos Mandamentos do Decálogo, completam o primeiro grupo de cinquenta orações no Saltério, com a quíntupla meditação da oração vocal e mental à ser oferecida, para distanciar outros cinquenta males do Juízo.

SEGUNDO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

Os sinais que acompanham o Juízo

Estes também são cinco e outras tanto conforme as décadas do Saltério.

1. O poder do Juiz.

2. A certeza do testemunho.

3. A inflexibilidade do Juiz.

4. O temor suscitado por aqueles que se sentam ao lado.

5. O distúrbio daqueles que devem ser julgados.

VI. Uma coisa terrível: O poder do Juiz infinito, inevitável e eterno: nada que se teme pode ser o equivalente ou próximo a Ele.

Se Ele está conosco, quem estará contra nós? Se Ele é aquele que justifica, quem será o acusador? Se Ele é aquele que condena, quem será o libertador? Pegueis então Ele, como Advogado junto ao Pai: nós procuramos a (sua) amizade no Saltério, repetindo devotamente aquele “Convosco”. E visto que a Mãe de Deus mereceu o ter consigo, de forma singular e eminente, através dela obteremos que também para nós se dignemos de ser o Emanuel, ou seja, Deus está Conosco. Pegue um só, “Convosco”, e tereis todas as coisas, nem o inimigo vencerá contra ti.

EXEMPLO

Na Inglaterra (vivia) um certo Alano, homem de origem humilde e obscura, um qualquer do povo; naquele lugar, vem (justa ou injustamente), que os seus pertences foram entregues ao tribunal pelo Rei ao tesouro Imperial, e além disso, ameaçado de morte, foi enviado em exílio. Tinha mudado de cidade; exilado da pátria, suspirou com maior ardor a pátria celeste.

Então aquele homem se endereçou para a segura escada da oração, falou do Saltério; ele alcançou o Céu e Deus com as orações: e alcançou como Advogada a Mãe de Deus. Então ele que diante de Deus se tornou forte, o quanto seria forte diante do Rei e dos homens? O fato o testemunha! Não passou muito tempo (visto que assim dispôs Deus, nas mãos do qual está o coração do Príncipe e o nosso futuro), tendo sida retificada a sentença precedente do juízo, anulado o decreto de exílio e condenado o confisco, ele com maiores honras e possibilidades foi restituído a si, à sua família e à pátria. De fato o Rei, tocado por Deus, com uma inesperada doença, contrariamente a todas as curas e a medicina eficaz, se encontrou então em perigo de vida. Tendo provado todas as curas humanas, começou a pedir a ajuda de Deus. Tendo feito profunda introspecção dentro de si, desejava compreender as motivações (do seu mal): então (iniciou) a olhar em volta, de qualquer forma ou motivo, contra a justiça, tivesse provocado a ira de Deus sobre si. E eis, não lhe era caro (o caso) do obscuro agricultor, e se apresentava por acaso a memória o juízo apressado, e (isto) remoía fortemente a sua consciência. O Rei não tinha repouso, nem paz na alma, enquanto não fez sair do coração aquela dúvida atormentadora. O fez sair e ao mesmo tempo expulsou a doença; libertou o fugitivo do exílio e a si mesmo da doença; restituiu os pertences àquele que tinha arruinado e (restituiu) a si mesmo a saúde; restituiu a pátria, e (restituiu) a si mesmo o Reino e a vida.

VII. Uma coisa terrível: a inflexibilidade do juiz, porém, aos malvados; quanto é doce o Consolador para os eleitos.

Dele ou de quem começa o exemplo sobre o terrificante. Se a três vezes Bendita Mãe do mesmo não se apropriou daquele juízo, na enorme criminalidade descoberta diante Dele, o Juiz justo, convencendo a sua própria consciência, o privaria da visão da glória e o condenaria às penas eternas.

O que acontecerá com todos os pecadores? Por isso é necessário que cada um seja persuadido e seguro naquilo. (Faz que) a tirania de todos os homens e as ferocidades cruéis de todas as bestas, nunca manifestadas, estejam unidas: quando as coisas sejam dispostas de forma justa pela severidade do Juiz, se o tivesse, esta é ainda mais feroz do que este, mais do que qualquer coisa possa ser imaginada pelas mais altas inteligências, também acima de quanto se possa acreditar. Por isso não existirá nenhum critério e nenhum modelo de comparação, assim que possa aparecer, que se queira ou não, evidente a suma desproporção. Como é possível comparar o finito com o infinito? Aquela relação existe entre as sombras e a luz, entre o falso e o verdadeiro? Acrescento, que o justo Juiz mostrará então contra os malvados uma igual falta de misericórdia; ao contrário mostrará misericórdia em relação aos eleitos, e ambos serão para todos visíveis e infinitos. Será, levantada muito no alto a misericórdia dos juízes, mas para aqueles justos. De fato para os injustos virá o juízo e sem misericórdia: visto que fizeram um juízo sem misericórdia, e verdadeiramente aqueles que presidiram foi um juízo pesadíssimo. Por isso temeis aquele, que pode mandar em ruína ao Inferno também a alma. Pregais, suplicais e o invocais constantemente no seu Saltério e de Maria: ele que geralmente absolve e purifica até o maior malfeitor concebido por uma estirpe imunda. Esta graça é infinita, mas naquele Bendita ou Bendito, através da Bendita, a qual por cento e cinquenta vezes com o Saltério se faz a saudação com o vocábulo “Bendita”. E quem teria falado tão bem de um culpado, ao Bendito, se não a Bendita?

EXEMPLO

Na Turíngia, em uma zona interna e solitária da antiga Germânia, a sorte levou um homem pobre da pátria, (a ser) também um cidadão tão insigne e poderoso, ao qual (a sorte) ofereceu também uma carga política ligada ao Imperador Frederico II. (Em seguida) surgiu uma faísca, um incêndio.

Parecia que tivesse nascido um desacordo entre o pequeno Imperador Ótimo Máximo e o Rei da Turíngia, e se esperava uma devastação no povo.

Acontece (que daquilo que se disse e fez nada ficou na memória) que o invicto e muito devoto Imperador se incomodou na alma contra o Rei da nação da Turíngia, se acusou no dia do juízo. Discute-se a causa, mas foi um duro coice contra um bastão. O invicto Augusto venceu, o súdito vassalo sucumbiu, foi-se à fatal sentença: se reenvia e vem mudada por misericórdia, por quanto também súbito depois segue a ira: que o Príncipe e chefe da pátria partisse em exílio junto a todos os ligados a ele por parentela ou afinidade. Concede-se tempo para a partida dos exilados, como se usa comumente, para que se voltem à suma instituição, ou seja, aos chefes dos Príncipes. Entanto o devoto Rei, não existindo ninguém acima de Augusto no Império, e esse o desaprovava, em tão grave momento civil e neste momento fundamental, se dedicou com toda a religiosidade da alma e do espírito à Deus e à Mãe de Deus, pedindo ajuda através do Saltério.

Ele pede, promete, persevera com tenacidade e fé e obtém as coisas pedidas; na verdade com as orações, Deus, com a ajuda da Mãe de Deus, condenava o homem e o honrava. Porém o único Patrício, junto aos seus, que do mesmo modo a desventura da prescrição tinha prejudicado, o Príncipe por obediência tinha se distanciado, no lugar escolhido para o exílio. A ausência do homem bastante famoso elevava os corações estreitos dos cidadãos: estes atuam novos propósitos e se distanciavam das almas rivais, parecendo que estivessem para irromper em uma aberta rebelião.

A coisa não foi feita às escondidas: mas abertamente se podia observar a força e as armas de todos. O Imperador surpreso pelo inesperado evento (que já começava a agitar-se; e pelos outros (vassalos) da terra, numerosos nobres também passaram ao lado contrário, por amor e por estima ao exilado), não teve mais nenhum próximo, e teve imediatamente um remédio para acalmar as vivazes insurreições: anular o decreto de exílio, e restituir completamente a pátria e a honra ao exilado liberto. E isto não criou constrangimento para os cidadãos, ao contrário o conduziam com eles, com grande honra; levam o primeiro cidadão em cortejo sobre as costas de todos, com as atenções gerais. Nem mesmo Augusto quis ser inferior no amor dos cidadãos, e por isso pede que seja reconduzido decorado com maior glória, e que seja colocado após o retorno, em um lugar mais alto do precedente. O perigo deu um valor ao homem; mas isto que tinha recebido, se devia ao Saltério.

VIII. Uma coisa terrível: a verdade indiscutível das testemunhas, e superior a cada exceção.

1. Eram presentes contra os culpados os Anjos Protetores, como testemunhas da vida transcorrida; pelo qual nada pode fugir ou enganar o conhecimento.

2. A consciência, (que vale por) mil testemunhos, vive dentro, e grita; mesmo se não pode saber ou não recordar aquelas coisas, porém, não pode errar ou mentir.

3. Os mesmos pecados acusarão os seus autores, e darão eles mesmos a prova.

4. Os demônios, em volta, aumentam todas as coisas, misturando o verdadeiro com o falso: porém, a maior parte dessas será verdadeira.

5. O Juiz de todos, verdadeiramente terrível de se ver e de se ouvir, será para todos, o mais feroz acusador e aquele que condenará. O que fará em meio a esses o pecador? Será impedido por todas as partes! Será abatido pelo impetuoso desespero do horror. E a coisa que se cumpre é pela eternidade! Oh eternidade! Agora, agora existe o remédio, então em atraso pregais, para que não caiais em tentação, mas sejamos liberados de tão grandes males; o remédio é a chamada, que é eficacíssima no Saltério; através de Maria Mãe da Misericórdia, na sua Saudação, repetireis com ardor muito frequentemente a invocação “Vós”: Ela é a única capaz de dobrar uma decisão do Filho.

EXEMPLO

Na Alma Cidade de Roma, uma matrona deu à luz um casal de gêmeos nascidos do próprio útero. Fato inexplicável: uma vergonha horrível! A natureza mesma se horrorizou com a atrocidade de tão grande infâmia!

Quando a mãe se deu conta que nasceu um segundo filho, e o irmão (viu) o irmão, (aconteceu uma) monstruosidade execrável em si mesma. Um demônio, sob falso aspecto de um homem, se aproximou da mãe inquieta e atormentada na mente e a convenceu de matar o filho. Um delito se soma ao delito: a criança morta é jogada na latrina. Mas tudo o que é escondido, será revelado, e por muito tempo não se soube daquela atrocidade. (Mas) ela que escondeu isto, o revelou. A desmedida do acontecimento na atroz evidência provoca rapidamente o movente essencial do juízo, somente faltava o acusador. Porém, a culpada (acusa) a si mesma. Arrependendo-se do fato, maldiz a si mesma diante de Deus, e chorando pelas coisas cometidas, (parecia) quase que conduzisse o funeral de si mesma, que (ao invés) vivia e olhava. Não esquecia a esperança, ao implorar a misericórdia, acreditando na esperança, contra a esperança, fazia uma só coisa, ou seja, recorria sempre a Jesus e a Mãe de Jesus, orando assiduamente o Saltério, na dor e na desolação.

Tendo observado este propósito durante o tempo do indiciamento, uma forte esperança empurrava as almas a negar tão grande delito, por isso muito amargamente a deplorar a sua sorte; quase chorando em relação às coisas decididas por ele, pela força de tal evidência. A voz crescente não deixa passar ilesa a mulher no juízo; chamada, se apresenta em juízo; se examina a imputação do crime; ela, firme no propósito, é manchada pelas acusações; mas faltava a prova; por isso (sendo a prova) frágil; vem menos a evidencia. Viu-se um homem desconhecido percorrer a cidade, o qual se fez promotor do suspeito que se tinha desenvolvido; e, se oferecendo como acusador, enquanto a culpada estava diante dos Juízes, fingiu: negou de a conhecer, ainda menos os seus crimes, e permite entender todas as coisas.

Houve surpresa e admiração de todos: e se absolveu a culpada; ao mesmo tempo, o esperto desconhecido desapareceu sob os olhos (deles). Por isso se pensava que ele fosse um demônio mentiroso. (Permaneceu) sozinha a pecadora, há muito tempo verdadeiramente e tacitamente arrependida, junto ao cúmplice, (o outro) filho desnaturado; ela tinha consciência dos (próprios) crimes diante de Deus, à sua boa estirpe e a si mesma; e (sabia) que ela, culpada, podia parecer inocente; com maravilha, muito mais forte, se dedicava às orações do Saltério, pelo amor de Deus e da Mãe de Deus, que tinham trazido a ela, (que era) digna de infâmia e de morte, tanto admirável acolhimento.

IX. Uma coisa terrível: a justa intransigência daqueles que assistem, conforme ao vulto do Juiz contra os iníquos!

1. A austeridade deles será diferente daquela dos demônios, mas muito mais terrível. Diferente, porque emanará do zelo em relação à justiça, e do ódio em relação ao ódio, pelo qual os ímpios ardem contra Deus; mais terrível, porque a espada da Justiça dos Santos é mais penetrante, do que aquela da malícia dos demônios.

2. Enquanto a virtude é mais forte do que o vício, e a graça mais espiritual do que a consciência feroz e a malícia, tanto mais asperamente os Santos atingiram com o olhar os iníquos.

3. Como então, quem peca escondido, não tem vergonha de ser visto por um insensato, mas (tem uma vergonha) grande, de ser visto por uma criança, ou por um vagabundo. Aos dignos de condenação sejam reveladas de forma pesada as infâmias malvadas deles; mas mesmo aos justos serão reveladas as mesmas coisas, mas isto na verdade, aos mesmos aparecerá muito leve. Oh maravilha! Por este motivo, acostumeis ao Saltério, como um remédio, e o ofereça a Maria, Esposa, Irmã e Mãe de Juiz, cantando neste frequentemente aquele “Entre as mulheres”. O decoro e o mérito deste pudor Virginal, pode proteger da vergonha da condenação, aqueles que devotamente se refugiam sob a sua proteção.

EXEMPLO

Beatriz, uma freira professa, entre as consagradas a Deus, tinha sempre trabalhado, até ser um importante exemplo de toda a (Ordem) Religiosa. A virgem estava na flor da idade, encantadora nas vestes, e não estando atrás de ninguém na elegância dos costumes; distinta no cultivar a fé, e quase única na veneração da Mãe de Deus. Em honra da Santíssima Mãe e do Filho Jesus, esta, todos os dias recitava contínuas e magníficas Saudações e pequenas orações, sozinha por sua espontânea vontade, e por isso as unia as outras tantas Jaculatórias, e principalmente se recomendava com pedidos de perdão, ou com o se deitar no chão com prostrações, segundo o próprio gosto. E oferecia a Deus e à Mãe, de tal forma, este exercício de fé, entre os seus outros pequenos empenhos, ou o interpondo rapidamente (entre uma coisa e a outra), ou retirando-se sozinha depois dos empenhos comuns, e o colocava em (seu) proveito. Era aquela (devoção) um deleite para a alma pia, com a qual sentia profundamente de nutrir o espírito, e de deleitar-se em modo maravilhoso.

Entretanto, foi confiada a ela a cura do Templo como Sacristã; ou foi nomeada Guardiã. Este serviço a coube tanto como desejado, quanto oportuno àquele seu tipo de devoção e prática. A Virgem era fervorosa. O demônio rangia os dentes, e procurava encontrar a ocasião em um momento favorável! Este (demônio atentou) os olhos imprudentes, e a alma de um Clero, o qual via frequente e prazerosamente a Virgem, que era intencionada a decorar os altares, e a rodar pela Igreja, para as outras tarefas de Custódia. E (a) vê e cai na ruína; enquanto não arruinou aquela.

Pediu colóquios com ela, e repetidamente até que conseguir. Seguem os encontros e até as más ações. O mal serpenteava dentro, e nos ossos tranquilos ardeu o amor. A antiga serpente não deixava de colocar ao contrário o coração e atormentar a alma; O Clero não conseguia mais orar e pregar. Venceu enfim o engano e a indiscreta assiduidade, e a fragilidade humana cedeu; nem a Virgem podia esconder o fogo, nem suportar o ardor.

A Virgem abandonou o propósito e se deu por vencida. Porém antes de arruinar o voto, uma vez abandonado o Convento, tendo bem ponderado o seu mal junto ao altar da Virgem Mãe, põe sobre o altar as chaves entregues para a Custódia, as entrega à protetora Mãe de Deus e foge.

Depois de algum tempo entra na alma do Clero o aspecto da infâmia, o desgosto, o arrependimento, ou seja, a vergonha; expulsa aquele que se distancia da fé, da alma e da casa, truncando toda a esperança de voltar atrás. Ela segue errando e pobre, se envergonhando de voltar ao convento, se expunha como uma corrupta prostituída; e assim transcorreu horrivelmente quinze anos. Enfim, voltando o olhar sobre si, colocou fim aquele trabalho; retornou ao Convento, e, para ela que se informava com a porteira se conhecia Irmã Beatriz, teve como resposta: A conheço muito bem! Há muito tempo é uma ótima Custódia excelente em todas as coisas.

Tendo ouvido aquelas coisas, se distancia para ir embora, enquanto estava surpreendida, e não compreendia as palavras ditas; e eis que imediatamente, diante dos olhos, a apareceu a Mãe de Deus, no costumeiro aspecto, em que a via esculpida sobre o altar; e a disse: Eu te substitui no teu dever por tantos anos: retornes agora ao (teu) lugar, e assume o teu serviço, e vai (fazer) penitência: nenhum dos mortais soube de fato do teu afastamento. Com esta palavra, ela desmaiou. Quando voltou a si retorna no seu coração a virtude que tinha uma vez e uma nova esperança na alma; e retomou as chaves, retornou para a cela do convento, e para a vida antiga.

E ninguém se deu conta. Porque a Mãe de Deus a tinha substituído no aspecto e no vestido. Beatriz tinha um só Protetor, ao qual ela costumava se confessar, explica em ordem a coisa, e estes, enquanto a mesma viveu, manteve a coisa secreta.

X. Uma coisa terrível aconteceu: a mudança daqueles que estão para serem condenados. Isto será grandíssimo e sem confronto, pelo modo, a medida e os motivos das coisas terríveis já ditas! Agora pense e imagine o quanto possa ser grande a infâmia e o incômodo geral, de cada um, do mais pudico ao mais imprudente; (uma infâmia) que vinha de um aviso público, com o escrito, com proclamação da voz, com a pintura, ou em qualquer outro modo; Se todas as infâmias e as confusões, enquanto o mundo existir, se juntem até parecer uma só (massa), porém, não chegarão a uma mínima parte desta (infâmia). Em confronto à obscenidade, nunca entendida com aquelas outras vezes, cada um então se surpreenderá e horrorizará desta, que acontece nos íntimos recessos da alma e do coração.

Aquele incômodo será somado portanto ao infinito, por uma força divinamente impressa nas almas, diz Santo Agostinho99, através do qual eles verão todas as coisas indescritíveis de todos e de cada um: como o são os condenados, que se envergonham também diante da natureza irracional e inanimada das coisas criadas. Nestas, Deus, o revelador das iniquidades e das culpas, fará aparecer a maior obscenidade com a sua força que disporá dentro: abrirá os olhos dos criminosos, e marcará a alma deles, queiram ou não: para que sejam atormentados mais duramente na própria visão, para ver mais claramente dentro de si mesmo; se querem em outros lugares, e porém não podem distanciar-se dele. Oh incômodo do mesmo modo inevitável e intolerável! Mas também eterno. Por isso, para que se fuja de uma tão grande maldição: Jesus Bendito, implorado através da Bendita Virgem, Mãe da Santa do pudor, e adorado frequentemente no Saltério de ambos, diligentemente saudado com a palavra “Bendito”, que, de fato mereceu manter intacto o pudor da Virgindade, com a dignidade de Mãe; se dignará em distanciar uma tão sacrílega e infeliz vergonha dos seus fiéis, e impedir o incômodo. Fazeis então isto: usais frequentemente o Saltério de Jesus e de Maria e bendizeis o Bendito junto com a Bendita.

99 Cf. s. Aug. Mag. 4. sentent. distinct. 43.

EXEMPLO

Tristemente se dirigem a um sacrilégio libidinoso, um elevado ao Sacerdócio e uma Freira professa. O prudente amor se mantém por muito tempo coberto e se escondeu em segredo. Mas o que não passa num cauto suspeito? Este (suspeito), visto que uma vez se manifestou abertamente a uma (pessoa) perspicaz, mesmo (estando) longe, e escondida: uma investigadora muito perspicaz insinuante e aguda, (que) não deixa de observar o acusado. Continuou ele no seu costume e ela com a investigação iniciada; a investigadora do suspeito chega finalmente no lugar, onde os cautelosos, não temendo nada de mal, se agarraram na rede do esquecimento. Estes circundados e indagados, se dão conta de terem sido pegos como cúmplices e pela insídia da captura. Então, inesperadamente, são oprimidos e surpresos em flagrante delito; ao mesmo tempo, foram colocados dentro dos cárceres e amarrados a uma cama de tortura.

Enquanto aqueles assim, separados, expiavam ambos os religiosos e pessoas consagradas cada um na ordem e no tipo do grau deles; e igualmente especializados nos santos estudos da Religião, visto que não podiam negar ou expelir o delito, aquilo que permanecia era o pregar com insistência. E este convencimento permanecia firme na alma. Portanto, com todos os humilíssimos esforços, dirigidos principalmente a Deus, repensaram os seus exercícios de fé, retornando às coisas observadas por muito tempo, e esquecidas com o pecado de uma consciência vil. Por aquilo que podem, em um cego cárcere, recitam frequentemente o Saltério, oram invocando o perdão de Deus, através da intervenção da Virgem Maria, com o confirmado propósito de manter por toda a vida a penitência: estes conseguiram o perdão, remetendo a Deus (o pecado deles) e o mesmo evento confirmou. Ao Juiz, porém, era difícil deliberar uma decisão, como punição segura do sacrilégio pela sagrada dignidade, pela santidade da ordem, pela autoridade e o grau de responsabilidade que lhe cabe, por todas as pessoas culpadas, e isto atrasa a execução. Este atraso se tornou positivo para os culpados, por merecer o perdão com maior segurança com o Saltério. E eis então, que a mesma Mãe de Deus libertou dos vínculos os encadeados, e, os libertando do cárcere, os transferiu numa Igreja muito próxima, onde, enquanto (a vida) transcorria em correntes, separadas e em orações, são libertados no Templo, e cheios de maravilha, com esforço acreditam muito em si mesmos.

Enquanto isso a benigna Virgem Libertadora, ordenou que os dois demônios, instigadores do crime, permanecessem no lugar e com os vínculos dos libertados como (aquele) substitutos. No dia marcado, enquanto se olhava para os prisioneiros, se viram presos os disformes seres monstruosos dos demônios. A surpresa e o espetáculo horrível, referido pelo Juiz, recorda o mesmo conjunto à multidão; os Espíritos malignos, no aspecto e nas vestes dos prisioneiros, gritaram forte a estes as (suas) empresas, que estes eram diabos, mesmo que sob falso aspecto, porém, eram obrigados a dizer a verdade. Gritavam que estes estavam dentro dos (consagrados), mas depois de serem arrancados, os abandonaram; que, da mesma forma, os inocentes não admitiam nenhum delito. Jurando pelo que tinham dito e feito, invocavam a Igreja, na qual, todos os suplicantes se sentiam sufocar: assim o Juiz foi ver e o Direito divino permitia que estes fossem embora. Assim foi dito e feito por todos. Apenas a esses foi dada a possibilidade de retornar ao Inferno, gritaram: A inimiga Maria nos obrigou aqui, na cama de tortura, a confessar a verdade: estas palavras produziram um terremoto com um boato e deixaram atrás deles um grande fedor, enquanto fugiam para o Inferno. É essa a potência do Saltério, por merecer a graça.

E estes cinco sinais terrificantes que acompanham o Juízo, detalhadamente recordados, no segundo grupo de cinquenta orações do Saltério, incrementam o exercício de orar e o inflamam, para que seja feita violência ao reino dos Céus, e os violentos, se arrependendo, com prazer o conquistem. E isto para que todas as cinco coisas terríveis, já ditas, sejam removidas através dos sete dons do Espírito Santo e das três partes da Penitência; e através destas realidades (divinas), aqueles que mereciam o juízo da culpa sejam absolvidos; quanto saudável (à eles) serão as meditações, ou orações mentais, outras tantas vezes se repetem as Saudações no grupo de cinquenta orações. O louvor de Maria então, salmodiais oh Saltério.

TERCEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

OS SINAIS QUE VEM DEPOIS DO JUÍZO

Se deve considerar e observar cinco realidades, cada uma para cada década.

1. As separações dos bons.

2. A gravidade das penas.

3. A eternidade dos suplícios.

4. O conjunto dos condenados.

5. A totalidade dos tormentos.

XI. Uma coisa terrível: a separação dos bons: como os bons abundarão de todos os bens, assim os maus serão privados desses, como por exemplo: da visão, do gozar, da compreensão de Deus, e das quatro Virtudes Beatíficas.

Oh perda, de chorar por toda a eternidade! A única espada da sua Sentença divide todas as coisas: Vais embora, oh malditos, etc. Vistes quem operou o mal na espera da Sentença capital, empalidecer, tremer, e enfraquecido como se quisesse expelir a alma! Porque neste lugar, onde a vida mortal não muda, onde a morte não é momentânea, não existe boas sortes, o bem não é recuperável, o mal não é consolável, e são infinitamente contrárias todas as coisas. Por isso, o vivente, o vivente, ele fará confissões de fé em ti Senhor; não são os mortos que louvaram a ti, etc. Aqui, enquanto possível, salmodiais ao Senhor Jesus e Maria, no Saltério de dez cordas, no qual se repete muito frequentemente a palavra “Fruto”, e neste a devota mente de quem ora, medita os Méritos Divinos dos frutos eternos e beatíficos, e os Benéficos de um terceiro fruto, Jesus.

Meditando sobre os mesmo (frutos), o semeais em si e os tornais seus: assim é cheio de todos estes bens, e, visto que a Saudação Angélica é abundante nestas coisas, de nenhuma forma pode ser privado o Saltério, tesouro dos Bens celestes, Quarto do Tesouro dos Santos.

EXEMPLO.

Lemos que Santo Eduardo, expulso do Reino da Inglaterra, pregava o Saltério, e que tornou ao próprio Reino. Tantos outros fatos são (narrados) sobre o Beato Alano100. Assim como muitas outras coisas em relação a dois Santos Reis da Ânglia, ambos chamados Eduardo, creio, porém, que o nome seja o mesmo: assim Henrique, Errico, Érico são os mesmo (nomes), etc. O primeiro Santo Eduardo foi eleito pelo Concilio dos Bispos, constituído e coroado Rei, como escreve São Dunstano, Bispo de Kent, no lugar do irmão, nascido da madrasta: agredido por engano pela madrinha, perdeu a vida em um ataque de ladrões; e logo depois, se manifestou com muitos milagres, por volta do ano 975:101 daqui então, ele não pode ser o imediato sucessor do pai Edgar.

100 Aqui se abrem duas hipóteses, não confirmadas: ou se fala do Beato Alano da Rocha, e neste caso é uma honra do P.A. Coppestein, curador da edição do B. Alani redivivi, ou este é um personagem homônimo muitas vezes citado nesta parte da obra.

101 Baron. to. 10 Annal.

Um outro Santo Eduardo, depois dele, nos mesmos anos setenta: morto Canuto, Rei dos Anglos, e contemporaneamente dois filhos, mortos subitamente: o último que restou, mesmo felizmente de estirpe Real, se encontrava ainda exilado, e vivendo distante na Normandia, junto à mulher, a Virgem Egita, filha de um Conde: o casal de Reis, por voto e mutuo consenso, um custódio do outro, mantinha a perpétua virgindade. E eles, ligando-se mais intensamente ao culto e à honra de Deus e da Mãe de Deus: (que onde, desde a bendita memória do Venerável Beda, em toda a Inglaterra florescia muito a prática do Saltério), deu a esta um cônjuge no máximo grau Santo, Jesus, e ao Esposo, (deu) também Maria, (como) Esposa, e preocupavam agradar os seus amados. E Jesus se responsabilizou por estes exilados devotos a Ele, e também recompensou com este benefício temporal, os obséquios oferecidos por Ele e a Mãe. Assim que subitamente, chamou ambos do exílio, a Rainha e a Coroa hereditária, porém não parecia a ninguém que se pudesse transmitir uma descendência e uma posteridade Real. Eles tinham vivido no matrimônio, por tanto anos privado de descendência: a carne e o sangue não sabiam reconhecer nisto uma conservada e escondida Virgindade ilibada. Mas Deus se dignou a revelar ao seu servo Brituvoldo, Bispo de Vintone, a felicidade deste mundo (presente) em tal matrimônio. Este (Bispo), visto que no tempo do Rei Canuto, junto à Glastion, fazia a sentinela noturna a céu aberto e os insinuava o pensamento (que frequentemente angustiava o homem) sobre a estirpe Real quase destruída; agredido por um inesperado estado de choque, foi raptado pelas coisas eternas, e viu que o mesmo Eduardo, exilado em Normandia, foi consagrado Rei na Inglaterra por São Pedro, Príncipe dos Apóstolos; e ao mesmo tempo, foi aconselhado à ele uma vida de solteiro, na santa virgindade, e infecunda, sem filhos. Igualmente, via que foram concedidos pelo mesmo Deus, vinte e quatro anos de Reino. Visto que então o Santo Bispo se afligia muito da extinção da posteridade Real, respondeu a ele São Pedro: O Reino dos Anglos é de Deus: depois dele Deus previa um Rei ao seu prazer: Estas coisas escrevem Baronio102 e Bzovio no ano de 1045.

O Papa Alessandro III, sob pedido do Rei dos Anglos, Henrique, o canonizou, e o escreveu no livro dos Santos, no ano de 1161. Grande parte destas tão grandes santidades teve o exercício do Saltério.

102 Baron. to. 11 Annal.

XII. Uma coisa terrível aconteceu: o imenso peso das penas. Tão infinita é (a distância) dos condenados de Deus, dos Santos, de todas as criaturas.

Quem se lembrará de ter se nutrido com doces delicadezas dos açafrões, daqueles que conduzem os seus dias entre os bens? Desgraça os malditos.

Não desejamos talvez, inutilmente, ser um sapo ou nada? E além destas coisas que fazem sofrer, temeram as coisas mais graves, o ser atormentados no presente e eterno presente. Peço-vos, preveníeis assim os grandes males, depois de ter aprendido a prática do vantajoso Saltério Angélico. Todo o esforço em colocar aqui o favor da Santa Virgem e dos Santos, oferecendo à ela, enquanto é a Arca do fruto, a palavra: “Seio”, com a intenção desta castidade, uma dignidade que enobrece o homem; (assim) todo o gênero humano é capaz de fugir do dilúvio da pena do Inferno mais do que aqueles que transportavam a Arca de Noé, na cela daquele Ventre Bendito, a qual força pode curar totalmente, qualquer doença do corpo e da alma.

EXEMPLO

A Picardia teve como sua cidadã, Joana, insigne por muitos títulos, mas a sua virtude muito ilustre era superior não só a toda a nobreza da família, mas também a toda a abundância das riquezas; e, na verdade, a mulher ultrapassava a si mesma na fé e no culto religioso, sobretudo com a veneração constante da celebre Rainha dos Céus. Uma persistente enfermidade há vinte anos tinha deixado esta mísera e aflita, tanto que nenhuma arte, cura ou medicina podia trazer um alivio, permitindo um descanso desta doença. Porém no magro corpo destruído tinha coragem, e uma esperança imbatível em Deus e na Advogada Maria; e quanto mais era oprimida, com mais força se levantava. Aplicando-se com mais ardor em contínuas orações, desejava especialmente aquelas, que costumava oferecer no Saltério de Jesus e de Maria. Aliviando com estas (orações) a aflição muito penosa do tempo melancólico, porque adquiria uma estável consolação e ao final se restabelecia com o milagre do retorno a saúde. Por amor a Ela tardava cada dia, com a costumeira religiosidade, para orar um número de Saltérios prefixados. E em relação àquela (prática) estabelecida, enquanto podia, com uma amável estabilidade de zelo, contra aquela imutabilidade da doença, tinha consolidado a intenção da alma devota, se predispondo ferreamente em relação às coisas dispostas para uma ou outra coisa, ou vencer com as orações Deus e Maria, ou sucumbir em uma morte certa: se produzindo nela um completo consolo na vontade de Deus, ou estar doente ou se curar. Por tantos longos anos, nos quais suportar as forças do mal, a mesma tinha compreendido a forma de avançar: o coração da mulher permanecia homem e invencível no suportar a doença, ou recuperar a saúde, igualmente pronta (para ambas as coisas); ao invés o bom coração revigorava diariamente a alma, no magro corpo doente, o espírito e o zelo fervoroso do orar se tornavam robustos. De qualquer forma, então, a Divina Sabedoria, propunha a todos, na doença, e na cura, um exemplo, de Misericórdia, segurança e eficácia da oração do Saltério: o experimentando, esse o presenteava a alegria: um dia, depois o vigésimo quarto ano (de doença), (o Saltério) inesperadamente o deu a plena saúde que (gozava) em precedência.

A potência do Saltério, que se tornou manifesta na doença do corpo, é testemunha da força usual, que infunde nas almas, através de Deus.

XIII. Uma coisa terrível aconteceu: a Eternidade dos tormentos, não interrompidos nem mesmo por um pequeno respiro.

Assim a Sentença estabelece: Andais no fogo eterno. Oh eternidade, o que és? Anos eternos tiveram no coração. Oh eternidade, quanto raramente moras nos corações dos homens! E dos nossos corações! Oh Eternidade! O que direi, ou de que forma falarei? Quem poderia expressar, quem poderia conceber, o que é a eternidade? Penses em mil anos: penses mil vezes dez mil milhares de anos: penses aos tantos anos, quanto são os instantes da fundação do mundo até ao Juízo, e ainda não terás a eternidade; e esse é o início das dores. Que desespero oh eternidade! O que poderia ser semelhante à eternidade nos tormentos? Queria dizer, e não só dizer; até quando Deus será Deus, tanto durarão os tormentos. Até quando durará este? Oh eternidade, oh eternidade!!! Essa não se pode enunciar, não se pode conceber, não se pode colher: pelo qual, oh Deus, queima aqui, corta ali: só nos economiza para a eternidade, orava Santo Agostinho em uma meditação, Tua, oh Deus, tua é a eternidade da justiça que pune e da misericórdia que glorifica. Mantém longe aquela, e dê essa para nós, oh Jesus. Mas a darás a cada um deles, que, tendo no coração os anos eternos, amam a Ti Eterno, e Te amando, salmodiam no Saltério aquela tua (palavra) “Teu”: do Teu Tabernáculo santo, do Teu Templo, do Teu Santuário, do Teu Trono e da Tua Delícia.

Quem entre os mortais é come Deus, e como a Mãe de Deus? E como Ela, na qual todos os eleitos são Deus? Oh agradável recordação traz este Teu, e dispersas os demônios infestados, daqueles que aspiram ser como Deus.

EXEMPLO

Uma Virgem sofria uma forte perseguição por parte dos espíritos malignos, por um juízo escondido de Deus, que permitia isto; porém, toda esta perseguição consistia somente em vãos espíritos: (Deus) não permitia à barata do Inferno de trazer perigo ou dano. Aquela tentação para a pia Virgem se dirigia para um excelente êxito e o aumento dos méritos: ela procurava muito mais o seu refúgio em Deus e na Mãe de Deus, a qual esmagou a cabeça da serpente hostil: e, fugindo a toda liberdade de pecar, se esforça em conservar integra a inocência da alma. Porém, pedia sempre conselho e ajuda, divina e humana, se podia exultar algo. Não existe nada que (pudesse) parar a maldade do velho enganador, ou distanciar os insultos dos espíritos. No final, teve confiança nos preceitos de Deus, e somente a Ele, se apresentou a virgem casta, e ofereceu devotamente a Angélica Saudação, repetida no devido modo no Saltério, em honra de Deus e da Virgem Mãe; e, em seguida, tem um completo desprezo, às conhecidas vaidades dos espíritos. A virgem obedece às exortações e com o coração, e a boca, não medita nada além do Saltério, até o ponto de consumá-lo. O tendo na mão, o levava para todos os lados pendurado no pescoço ou pendurado no corpo, dia e noite. E verdadeiramente este (Saltério) foi o repouso e a salvação.

Desde então, mantém aquele propósito: e o maligno tentador nunca se aproximava dela, mas fugia dela, como da chama do Inferno; porém, de longe, se dirigindo à ela, este se mostrava muito mais feroz. Vomitava tão grandes e horríveis blasfêmias e maldiçoes contra a benigna Virgem de Deus, que as orelhas da piedosa e devota alma, Esposa de Cristo, se aterrorizavam diante desta. O costume enfim a habituou a escutar, e com o espírito totalmente nobre, não nos fez caso. Ao invés, também a incentivavam a dizer muito mais ardentes louvores no Saltério a Deus e à protetora Mãe de Deus, contra a injúria satânica. Entre as palavras das blasfêmias (o demônio) nunca ousou, ou pode pronunciar o nome Ave Maria, ou Saltério, ou Angélica Saudação: ao contrário o abominável pronunciava sibilas, com uma ironia unida ao murmúrio. Venceu ao final a invencível tenacidade da moça, sustentada pela proteção da Mãe de Deus, e pelo exercício diligente e merecedor do Saltério.

XIV. Uma coisa terrível aconteceu: o conjunto dos condenados. Oh, atormentados maços amarrados com ervas mortas! O que queres, oh miserável, exclama São Jerônimo, por que pecas? Tu amastes sobre a terra a vida deles: terás a companhia deles nas penas. Desespero, desespero para ti! (Serás) ali um companheiro condenado por estes, também se na vida o temias e o reputavas monstruosos, desprezáveis e odiosos. Oh, que tipos de fedores, de tormentos, de gritos, de furores trarão aquele grupo!

Cada um será para o vizinho um ferocíssimo demônio: se dilaceram entre si com os dentes, se arranham com as unhas e se feriam de formas cruéis. Não é possível dizer ou pensar a crueldade. Oh, quanto seria mais desejável a coabitação com sapos e serpentes, com dragões e avestruzes, e outras feras ainda mais ferozes do que qualquer ferocidade; seria mais tranquilo e mais feliz, também o eterno lugar de habitação. Por isso, corres com toda a força da alma e do desejo ao Saltério de Jesus e de Maria, no qual tantas vezes se repete aquele salvador Nome de Jesus: diante do qual, todos os poderes contrários tremem e se fragilizam: e não existe outro Nome, no qual nós possamos ser salvos. Onde existe e se venera com a divina adoração devida, aquelas três vezes o Santíssimo Nome do Rei dos Reis, e do Triunfador de todos: aqui existe sempre um inumerável Coro dos Anjos e uma tranquila Comunidade.

EXEMPLO.

Na Dácia, um certo Pedro, quase da nossa época, ou um pouco precedente (pelo certo ou pelo errado, não é muito claro), condenado a prisão perpétua, foi enviado para baixo, numa profunda fossa, ou mesmo um quadrado, que era cheio de sapos e de serpentes ferozes, para que, ou morresse, sendo pego por estes, ou fosse atormentado muito miseravelmente, com um horrível e inevitável distúrbio entre as feras. A duríssima sorte do filho tornava a mãe infeliz, e aquele justo temor, que, entre tão grandes tribulações, algumas tentações de Satanás, conduzisse a fragilidade humana ao desespero. A mãe não só realizava então para o filho as suas continuas orações a Deus, à Santíssima e aos Santos, mas também, de qualquer forma tivesse podido esconder, uma outra pequena fadiga as vinha maximamente ao conforto, a tendo mandado então, secretamente, um Saltério, para que não deixasse de recitá-lo dia e noite, com quanto empenho de incansável devoção pudesse, ao mesmo tempo, ela se preocupava que (o Saltério) fosse lembrado no lugar fortificado.

Mesmo tendo sido antes pouco habituado à oração, porém, muitas coisas incentivaram o prisioneiro, ou melhor, o sepultado vivo, a obedecer à mãe, e o incentivavam também para que se exercitando o experimentasse. A necessidade o leva ao exercício de orar, à prisão (os deu) a possibilidade, o Rosário, ou seja, o conjunto dos globos para orar os deu entre as mãos a ocasião: a prática gerou a facilidade, a facilidade gerou o prazer; este enfim levou verdadeiramente o gosto da piedade, pelo qual, em uma devoção sempre mais crescente, cotidianamente, todo o coração o ardia de amor e de honra de Deus e da Mãe protetora. Sentiu também diminuir em si a dureza da sua infelicidade; expulsou da alma os medos e os tormentos: nada de venenoso os prejudicava no contato ou na exultação: as aflições se misturavam exultações infusas do alto; a alma frequentemente se adoçava, espelhada pela celeste suavidade do conforto e da esperança; as sombras da ignorância eram iluminadas pela insólita luz do conhecimento: se tornou um outro homem, diferente daquele de antes e a sua infelicidade se tornou quase a desejada felicidade. Não muito tempo depois, a mesma Rainha do Céu se encosta ao seu servo, na Companhia de ilustres Santos e Virgens, aparecendo em grande luz, e o consolando muitíssimo com poucas palavras, o tendo conduzido consigo longe do abandono, e o libertou do cárcere; e por isso, quase em um segundo, transferiu o homem para um lugar distante; e, transportado a mais de cem milhas de distância, o colocou seguro e ileso em um outro solo. E deu a ele esta ordem: visto que quando prisioneiro tinha iniciado a aprender o Saudável Saltério, em sua honra e do Filho: agora que era livre e seguro, não o esqueceu, ou se tornou preguiçoso, mas grato, continuou com mais fervor, até quando teria tido a vida mortal. A Virgem falou e com a Coroa que a acompanhava desapareceu dos olhos nos Céus. Pedro tendo olhado, então, para todos os lados, se deu conta de estar em um lugar deserto, vasto e desconhecido. E a alma (dele) não teve dúvidas sobre o belo lugar de habitação. Pelo qual dizia a si mesmo: onde andarei, num lugar diferente daquele, onde me colocou a divina misericórdia? Porque eu deveria procurar, ou escolher um lugar mais feliz do que aquele que Deus me deu, e que a Mãe de Deus favorece? Este é o meu repouso, oh Deus, aqui habitarei: porque o escolhi.

Tendo então assim iniciado, tendo Deus inspirado a alma, conduziu felizmente desde então, naquele lugar, por muitos anos, uma vida eremita: construiu um celebre templo, consagrado em honra de Deus e da Virgem: e estando em lugar santo, viveu. E viveu a vida eterna entre os Beatos, pegando esta vida, da Fonte da Vida, o Saltério de Jesus e de Maria. O que direi sobre isto? Pensa em qualquer tipo de tormento, de tortura, de morte: pensa que de cada coisa que são e que foram, nunca, em nenhum lugar, todos os gêneros de tormentos, estejam mortos juntos: não terias pensado ainda a menor sombra das penas do Inferno. Para os condenados é realidade segura, que devem suportar contra deles, todos os eternos suplícios; e por isso não pode existir nenhum remédio; por isso o desespero deles leva a mente pela raiva, e a alma em fúria: e manifestam violência contra eles mesmos, com desmedida crueldade, mais ferozmente do que os mesmo Demônios. Se vistes um possuído ser furioso por causa de um espírito maligno, vistes algo que poderias explicar falando: mas ninguém poderia, nem mesmo com o pensamento, compreender tais fúrias.

Oh desespero, onde, ao que te orientas? Tudo isto que se pode imaginar, todas as coisas inimigas, o atormentaram. Oh furor, oh raiva, onde fugiras, onde agredirás? A mantém sempre distante de ti, retornarás mais imprudente. Por isso, enquanto sois sãos e salvos, apressais-vos para o seguro remédio contra o furor, a planura da suavidade celeste, cheia da unção santa. E este (remédio) no qual outro lugar em qualquer outro lugar é possível que o cansaço o encontre mais abundante e eficaz, quanto no Saltério Angélico de Jesus e de Maria? Neste, quantas vezes, e com quanta graça, se repete aquele agradável (Nome), e se consagra a Deus o muito unto, com óleo esparso, Nome “Cristo”? Por fim a única devota recordação é capaz de expulsar muitíssimo da alma o desespero, que é o pior dos males. Orais então, amais e predicais este Saltério.

EXEMPLO

Este barão era celebre no Reino da França, porque sofria ferozmente a cruel ira do Rei, por uma inadvertência casual. Foi condenado a prisão perpétua com uma sentença inexorável do Rei, depois de haver ficado por muito tempo acorrentado; nenhuma argumentação ou motivo dele foi capaz de o libertar: a paciência do Barão, muito colocada à prova, acabou se transformando em raiva. E essa (foi) tão grande, que ele cortou os seus dedos médios, os tendo ruídas e diminuídas; mordia até mesmo as pedras e as madeiras, e qualquer outra coisa era capaz de pegar como alimento. E se não era contido, freado e acorrentado, tendo sido feito em pedaços, teria sido violentamente morto. A sua fiel mulher, muito pia esposa, foi ver o marido, que estava fora de si, e, por meio da oração do Saltério, e do valor dos méritos deste, veio em socorro ao prisioneiro. Ela mesma enfim, tendo abandonado, e até mesmo renunciado e condenado todas as outras ajudas humanas, lançou-se com toda a esperança, na misericórdia de Deus e da Mãe de Deus, e se agarrou fortemente à segura âncora da salvação, na confiada estação do porto celeste. Aqui encontro repouso. Aqui, incansável acumulou (méritos), orando frequencialíssimos e fervorosos Saltérios, os quais, pela salvação do marido, através da implorada invocação da benigna Mãe, oferecia a Deus na forma devida. Tendo orado fervorosamente, Deus exauriu as orações, pela fé, a esperança e a força da mulher, para que acontecesse, como ela tinha acreditado. Ela, verdadeiramente, para o marido não pedia que acontecesse nenhuma outra coisa, se não aquilo que fosse a vontade de Deus, e que Ele queria, para salvá-lo. A Mãe de misericórdia, vencida pelo Saltério, procurou obter a salvação para ele o Barão, ela mesma se colocou como garante, o levando. Ele que nada pedia ou esperava, nem mesmo imaginava. Ela desceu do Céu, apareceu e se aproximou: levantou o pó da terra e o levantou do esterco, das correntes e dos vínculos. Aquele se levanta, as cadeias caem; retorna também a coragem e o reviver sob o peito da antiga virtude; redescobre os sentimentos e o respiro. A Virgem reintegra as mãos de Scévola, colocando os apêndices (os dedos), e voltando a ser completamente um homem são e livre, o envia ao Rei. Ao mesmo tempo, manifestou à ele como prova, os segredos delitos do Rei, escondidos nas (suas) intimas fibras da consciência, (para que) os descobrisse somente ele, e o reprovasse, conduzindo-o ao arrependimento. Sobre isto anunciei a ele os futuros males, que são iminentes à sua cabeça e ao seu Reino, os quais podia curar com o simples arrependimento dos delitos. Se de fato, (o Rei) o desprezasse soberbamente, expulsasse, ou tardasse, (a Virgem) comandou de preanunciar a ele, que certamente não tardaria o castigo preparado.

O Rei, ao ver o Barão, permaneceu atônito e tremeu, enquanto ouvia uma tão grande ameaça. Mas não se deu por vencido e quis se ocupar da salvação. Como primeira coisa, suplicando a Deus, se reconheceu culpado, o agradecendo com muito reconhecimento, docemente acolheu o conselho dado e empreendeu com alma heroica a penitência. Visto que via que o Saltério foi tão saudável ao Barão (se antes o conhecia, porém, dele pouco esperava), então diante de todos pegou um, e com isso cumpriu a sua penitência tão grande a Deus e conveniente ao Rei, e fez durar, o Reino.

Por isso, salmodiais a Deus no Saltério de dez cordas; salmodiais a Deus com Sabedoria no terceiro grupo de cinquenta orações do Saltério, (meditais) sobre as cinco coisas terríveis ditas, as quais seguirão o Juízo e serão eternas. Aquelas cinco coisas, através das oito Beatitudes, e os dois Mandamentos da natureza, ou seja: O que queres que seja feito a ti, faça também aos outros; não faça aos outros, aquilo que não queres que seja feito a ti, ou que seja feito aos outros; se conduzireis cada uma das coisas ditas, digo, em relação a estas dez coisas, com uma meditação pia, ou a recordação: contemplais na devida forma as cinquenta orações, tanto com a oração vocal, quanto com (aquela) mental, (e a oração será) digna da Mãe de Deus, Rainha dos Anjos, Nossa Senhora, Bendita nos séculos. Amém.

SOBRE O TEMA: Ave Maria, cheia de graça.

O Saltério da justíssima Trindade harmoniza a Concórdia, porque a Encarnação do Filho de Deus, fez de ambas as coisas, uma só: uniu a natureza divina e humana, harmoniosamente, em uma só Pessoa. Sobre este fundamento, que apenas Cristo colocou, a Igreja seguiu através da união, pela qual juntos foram colocados o rico e o pobre no mesmo lugar. Esta divina e hoje constante Concórdia se cumpriu então, realizando a ascensão da Virgem gloriosa e ilibada, Mãe e esposa de todos quanto os sacerdotes, com a Saudação Angélica.

Como justamente, a causa do próprio mérito, a mesma Santa dos Santos, Advogada nossa, no seu Saltério, dito de Jesus e de Maria, dignamente e devidamente, deve ser saudada; deve ser salmodiada e pregada, não só por toda a Coroa dos fiéis, mas também em forma venerabilíssima do Sacro Coro do Sacerdócio Real. Nisto, então, interpreto a tríplice Concórdia: a primeira deriva da Dignidade Sacerdotal: de fato Cristo é Sacerdote em eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. A outra (Concórdia) deriva da verdade legítima da Virgem Mãe, junto às (suas) sagradas qualidades; a terceira deriva do poder judicial. Pela primeira (Concórdia), a Igreja tem inestimável Autoridade dos Sacerdotes; a benigna Virgem Mãe tem a Majestade da admirável Dignidade; pela terceira, Deus fará, em proporção, à igualdade dos méritos e dos prêmios.

Naquilo que é relativo à primeira coisa, a Dignidade Sacerdotal, digo, que trago e permito uma certa Revelação muito famosa, pela graça de Deus, pela sua mesma singularidade, já uma vez, por parte de Deus feita à Santo Ugo, Bispo do Oriente Santíssimo dos Certosinos, homem de completa Santidade, e na verdade grande amante e apaixonado, desde a juventude, do Saltério da Virgem Maria. Eu mesmo também li esta Revelação, descrita outras vezes. Também um novo Esposo de Maria, o qual conheço, conheceu por Revelação do Senhor, a mesma coisa do mesmo Jesus Cristo, no ano do Senhor de 1468.

NARRAÇÃO

Frequentemente o novo Esposo da Virgem Maria, ligado por um pacto de devoção à mesma Esposa no Saltério, era normal aspirar por muito tempo, com ardente zelo de desejo, durante as cotidianas celebrações da Missa, por quanto, fosse sempre indigno. Acontece que, não sei por qual presunção de preguiça que se introduziu nele, desejava se aplicar às coisas Sagradas com intervalos de dias; e, não raramente deixou de celebrar o Divino Sacrifício, por causa de fantasias folgazes, que por acaso (os) agrediam a sua alma, e o conduziam a interromper o tão grande Mistério no Culto.

Portanto, a temerosa permissão da alma inquieta, a volubilidade vã se torna um penoso repouso, que tornava o retorno dele mais difícil, pouco a pouco, as três vezes grandíssima Obra. Enquanto os escrúpulos mais enganadores consumavam a alma medrosa; oprimiam o espírito; faziam amornar o enganado, e por isso, adoentar o homem bom, e tornar menos frequente o oferecer a Deus por três vezes o Santíssimo Sacrifício. Enfim, uma doença muito grave afligiu o pequeno corpo surrupiado e o obrigou ao leito, fazendo com que não conseguisse se levantar, tanto temia tocar aquelas coisas Divinas de antes; ora não estava em condição de levantar-se para estes, como queria. Aquele dia no Calendário da Igreja era a Festa solene, consagrada a São João Batista: quando Deus fez entrar o homem em êxtase e transportou a alma raptada para o Céu; e parecia que o corpo que jazia, fosse parecido a um morto.

Entanto o espírito, levado embora a pobre alma deixada, muito esplendidamente olhava os segredos dos divinos Mistérios, que nos Céus se dispunham. Os parecia que o Senhor Jesus Cristo, Pontífice três vezes ótimo Máximo, se aproximasse, e vestido com roupas Pontifícias, procedesse no meio, junto aos outros ministérios do Altar, segundo o Rito Eclesiástico; o acompanhava uma inumerável Coroa de Santos, colocando-se entorno. O Pontífice inicia as realidades Divinas de ambos os mundos, e prossegue até o cumprir-se da Comunhão. Quando, subitamente, vem um som com uma proclamação: As coisas Santas aos Santos! Preparais a estrada ao Senhor. Nominalmente ao peregrino levado ao êxtase, é dito, de se apresentar a comunhão. Horrorizado com o acontecimento, exclama, ainda não aconteceu a purificação da alma com a Confissão. Um outro se aproxima dele, era o Santo Precursor do Senhor, o Batista, e ordena: Preparais a estrada ao Senhor. E ele diz: falta-me a Confissão. Vai prontamente, diz, eis o Confessor, o Beatíssimo Pedro, Príncipe dos Apóstolos; ajoelhado penitente diante dele, que o escuta, se livra dos escrúpulos, com tanta consolação e luz pela purificação, quanto nunca (teve) outra vez na vida.

Ao mesmo tempo, tendo sido enviado por Ele para provar os Mistérios, quando se aproximava suplicante ao altar adorando o Sacramento e o Redentor Jesus, estes o reprovavam com estas palavras: Oh servo lento, te aproximes rapidamente. Oh preguiçoso e negligente, com qual objetivo te foi dado por mim o tão grande Poder de cumprir as Coisas Sagradas, através da minha Mãe eleita, que intervém em teu favor? E tu, quiseste esconder (este Poder), fechado em um lenço. Apenas disse isto, a ele que tremia e exaltava, maravilhosamente estando conformado e para todas as disposições, Jesus o colocava as três vezes sagrada Comunhão. Logo depois distinguia o Senhor Jesus que estava verdadeiramente dentro dele, e o escutava, enquanto Ele o sugeria muitas coisas muito confidencialmente, em uma inexplicável doçura. Em relação a outras coisas, com um severíssimo Sermão, o atacava sobre a grandíssima negligência cometida em não celebrar a Missa. Com tais acontecimentos de doutrina, então, treinava e fortificava o inseguro. Disto tenho certeza: nada jamais te pareceu tão grande, pelo amor ou pelo medo, tu interrompes de celebrar as Orações. Exclui somente o pecado mortal manifesto e não confessado. E acrescentava claramente, que em nenhuma destas coisas, um Sacerdote deve adiar (a Missa): nem pela aridez não devota da mente, nem por uma ocupação urgente, nem por uma tentação ardente, nem uma mácula noturna, e nem mesmo diurna, se involuntária e contrária (à sua vontade) o acontecesse: estas podem (acontecer) ou a quem recebe Confissões perigosas, ou àqueles que vão a cavalo, ou àqueles que são agitados de forma angustiada e que se apressavam continuamente. Na verdade não considero estas coisas, menos ainda se tardo; isto acontece na natureza humana, por quanto cada um preferiria renunciar à vida, antes de consentir tais coisas. Tu perguntarás: Por que é assim?

Primeiro Motivo: Visto que eventos semelhantes, ou são moléstias, ou são levados pela força e pelo engano dos demônios, para provocar horror, sob o aspecto do pensamento religioso, que sofre sob a indignidade do corpo; e até mesmo para diminuir e atrasar com esta fraude a minha (obra de) purificação, a salvação e o louvor das almas.

Segundo Motivo: Mas isto não deve ser temido, mesmo se devemos estar atentos. Se de fato um diabo suja alguém contra a própria vontade, eu o purifico abundantemente e com prazer, devido a uma tal mácula, riem cem vezes a pureza.

Então os interrogava: Senhor Jesus, Esposo docíssimo das almas, por que os Doutores e as Leis o afastam da Sagrada Comunhão?

E o Senhor Jesus:

1. Estes o sustentam mais por um zelo temeroso, do que pela caridade. A perfeita caridade afasta o medo.

2. Após, visto que os leigos também se alimentavam na cotidiana ou ao menos dominical, fração do pão à Sagrada Missa, por este motivo, os muito recentes Doutores da Igreja estabeleceram que, depois da ultima mancha do corpo, precisava se abster da assembleia.

3. Verdadeiramente muito grande é a diversidade entre os Comunicantes e os celebrantes. Aqueles obtêm por si mesmos: estes servem, distribuindo a todo o mundo, Bens ótimos e infinitos. Por este motivo, os leigos adquirem com a mesma abstinência o mérito para eles; os Cleros fazem um dano a toda a Igreja, tendo subtraído com (a Missa), a obra de Misericórdia das Realidades Divinas. Os leigos, pela vontade divina, se nutrem do altar sozinho; os Sacerdotes operam no altar por mim, e sou eu que opero neles.

4. Vês quantas vezes, os Sacerdotes preguiçosos, privam tantos bens através da negligência. Privam Deus da Glória em uma coisa tão grande; Privam a Mim, da Potência, e da Oração; Minha Mãe, da Dignidade Materna; os Anjos, da Honra; os Santos, da Exaltação; os (meus) servos, da Ajuda; os defuntos, da Redenção.

Privam os doentes da medicina; os ignorantes, da ciência; aqueles que têm fome, da comida; os pobres das riquezas; o mundo, do seu Rei; e privam todas as coisas, do seu Salvador.

5. E mesmo que o Presbítero tenha sido indigno na condição da sua pessoa, a (sua) dignidade, porém, persistiu nele sempre integra e ilibada, e ele a exercita pela minha Pessoa e em meu nome, e pelo encargo dos Ofícios (Orações), enquanto é um Público Ministro da Igreja. Cada Templo é intimamente ligado a esta (dignidade), ou seja, ao Sacerdote, e essa nele, através de mim, obra sem fim. Nenhuma adversidade de nenhuma pessoa, que pode acontecer apesar deles, pode impedir o Divino Oficio, não (sendo) pessoal.

6. Então, nisto e em relação à limitação, os decretos dos Doutores emanam de devoção e de reverência, não por nenhuma verdade indiscutida, ou por violar um preceito ou em consequência do pecado que o expressa. Por isso celebrais, Irmãos, visto que vós não cumpríeis esta realidade, enquanto dignos, puros, justos (nem mesmo os Angélicos são convenientes a um tão grande Oficio). Celebrais, porque vós cumpríeis isto, enquanto indignos, doentes e fracos, para que vos enchais de bens, curais as doenças, e vos fortificais das almas.

Aqui, eis revelo a ti as quinze gloriosas excelências, que todo o Sacerdote possui, para que cumpra o Sacrifício, depois do serviço da Saudação Angélica, na qual está a força e o valor da minha Encarnação.

1. E na verdade com este Canto Nupcial me encarnei uma vez para sempre na Virgem Mãe, e assim, de certo modo, de novo, em qualquer Sacrifício da Missa me preparo sacramentalmente para ser Deus Homem, aparecendo na Arca Santa.

2. Visto que o Verbo na Palavra da Saudação se fez Carne; o mesmo Deus se fez homem no útero da Virgem; o mesmo Verbo, na Consagração é também o mesmo (Verbo); o Homem Deus se forma nas mãos do Sacerdote, diferentemente de como se formou (no Ventre da Virgem), porém, com a mesma ação do Espírito Santo.

3. Este colocou a forma gramatical das palavras de vida diante da boca daquele que a Saudava, e diante da voz de Maria que consentia: desta forma gramatical das palavras é capaz de vida da qual consagra, daquele que celebra a Missa através do ministério; em ambas as coisas (vem) pelo espírito de Deus que si interpõe. E, visto que pela razão, os Sacerdotes se tornam num certo modo Pais, é justo que estes com o Saltério, venerem a Mim e a Ela na nossa comum Saudação, e, (em relação a Ela), me adorem suplicáveis: é justo, que consideremos as Sagradas palavras da Saudação igualmente santas. Por isso, daquela Saudação depende todo o Novo Testamento; assim como na árvore e na semente, tudo isto (Novo Testamento) é contido naquela excelência (da Saudação).

QUESTÃO TRÍPLICE

Por isso conheces, recebes, ensina as quinze Excelências Sacerdotais, que a ti abro:

I. As primeiras cinco fundamentais, que provem destas cinco Estrelas da Divindade: Ave, Maria, cheia (de Graça). (oh) Senhor:

II. Como também outras cinco necessárias, que provém destas cinco fontes da Palavra de Deus, ou do Evangelho: Convosco, Bendita, Tu, (entre) as Mulheres, e Bendito.

III. As cinco sucessivas acessórias, repetidas por estas cinco Fortalezas invencíveis (o) Fruto, (do) Vosso, Ventre, Jesus Cristo.

Disse; ao mesmo tempo, como se com um longo Sermão o tivesse explicado, o marcou na alma do esposo. Mesmo se penso em contar estas coisas com muitas palavras, porém, temo que com as palavras não poderei explicar, nem mesmo uma meia sombra (das coisas vistas).

PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

As cinco Estrelas das Excelências, as coisas fundamentais, importantíssimas do Santo Sacerdócio.

A primeira Excelência dos Sacerdotes é a Potência. Grande é a Potência da Criação de Deus Pai; pela qual o Pai e o Criador de todas as coisas, escuta, disse, e (as coisas) foram criadas. Em seis dias trabalhou: no primeiro, a luz; no segundo, o firmamento; no terceiro, os mares, as terras e as plantas; no quarto, as luminares do céu; no quinto, os peixes e os pássaros; no sexto, o homem, senhor de todas as coisas; no sétimo, se repousou. Esta, (é) a Potência do Pai no criar, com a qual realiza as coisas criadas, terrenas, corpóreas, corruptíveis.

O Sacerdote com a sua Potência no Oficio Sagrado o que cria? Aquele que não foi criado; a Causa das causas; Jesus Cristo, Deus e Homem, que não morre, verá a corrupção.

Com este resultado três vezes o máximo da função sacerdotal e em comparação supera (a criação) por mil vezes mil números de mundos; evidentemente aprenderás que nenhuma comparação pode existir as coisas finitas e as coisas Infinitas. Mesmo se a potência de Deus Pai criou o mundo e as coisas que estão nestas; a potência do Sacerdote, na verdade, cria o Filho de Deus no Sacramento e no Sacrifício.

Quanto mais admirável é o Poder e a Dignidade do Sacerdócio, que cria na transubstanciação o Filho de Deus, em relação ao (Poder de) Deus Pai na criação, (que dá origem) as coisas que perecem?

No mais, visto que aos Potentes se deve a Ave103; à Potência Paterna do Criador se costuma oferecer essa, principalmente por parte dos Sacerdotes, que são, diante de Deus, homens de tão grande Potência.

1. Nada é a Deus mais digno e agradável do que aquela Saudação, que (esta) no Saltério. É justo então, que os Sacerdotes a pratiquem e deve ser recomendada e muitíssimo cultivada, para que com esta possam decorar maravilhosamente a Potência da Excelência deles.

2. Digno de Deus é a (Ave), então, também para os Sacerdotes, visto que a Deus, ao Filho de Deus, e à Mãe, levam reverência e salmodiam, aqueles que criam o Rei dos Anjos, o Sol de Justiça, a Estrela e o segundo Adão da inocência, etc.

103 A Ave, como saudação merecedora de consideração é hoje um tipo de “Salve”.

EXEMPLO

Um homem celebre na Espanha pela honra do Sacerdócio, acrescentou a esta (honra), o decoro de uma vida sem culpa e o esplendor de uma conduta ilibada. Porque entre as outras devoções privadas e públicas de religiosidade e de devoção, assiduamente honrava e repetia espontaneamente (a prática) do Saltério.

Deus se dignou de conferi-lo uma tão grande quantidade de milagres, e de graças, que em muitos modos foi exultação não somente em inumeráveis vivos, mas também aqueles que terminaram a vida, os trazendo de volta do mundo celeste. Sobretudo, dos tormentos do fogo purgante tirava fora muitíssimas almas, e as acrescentava à feliz habitação das almas santas.

A Segunda Excelência é a Ciência Sacerdotal. O Filho de Deus possui a Sabedoria infinita, com a qual governa o mundo, e comunica a este inteligência e ciência; (Sabedoria) que muito produziu nos Anjos, para que através desta, possam realizar coisas maravilhosas, grandes, numerosas.

Mas o quanto grande esta seja, é criada, e é finita.

1. Quanto mais duradoura, é superior a graça dada aos Sacerdotes, com a qual não produzem nada criado, ou finito, mas o mesmo Filho de Deus, o Senhor e o Autor de cada ciência e de cada Sabedoria. Esta, certamente, deve ser muito maior, do que se fosse dada a estes o Poder de criar cada ciência ou de suprimi-la totalmente. Confronta a Excelência Divina da Eucaristia três vezes santíssima, com qualquer ciência Angélica; é necessário reconhecer, que esta (ciência Angélica) em nenhum modo parece digna, esta (ciência Angélica), adora (a Eucaristia). E mesmo assim, o Santíssimo Sacerdócio é digno, porque também cria (a Eucaristia), e a toca com as mãos, e a oferece para adorar aos Anjos, que estão em volta com o tremor.

3. Honres o homem, vestido de púrpura, que leva no anel de ouro, uma pedra preciosa de incomparável preço: mesmo que não pudesse criá-la, nem quisesse a dar a um outro, nem (quisesse) que muitos a adquiram. Quanto mais venerável deve ser qualquer Sacerdote, que leva na mão a Divina Pedra Preciosa entre as pedras preciosas, com uma só palavra da boca produz muitíssimas, a distribui a muitíssimos, não falta nunca.

4. Nesta honra, se submete todas as honra dos Anjos, mesmo suplicáveis (a honra dos Anjos) se prostra a este, e tremendo procura o servir; e este (serviço), enfim, o conduz à suma honra e à suma felicidade.

5. Qual, e tão grande exaltação, teria aquele, que pudesse dar a si, ou a qualquer outro, qualquer suma ciência? Porém, essa nem se pode, nem se deve comparar ao Dom da Santíssima Eucaristia.

1. Que grande Bem, então, tira do mundo, aquele que deixa de seguir a Missa!

2. O quanto será difícil dar razão a tão grandes omissões!

3. Quanto é impossível, poder restituir um tão grande Bem, subtraído com a omissão!

Não se pode completar uma obra não cumprida! Como o dia de ontem, foi embora, e nunca se poderá voltar a ele, assim, também no mesmo dia, foge a omissão de ontem da Missa. Então, portanto, numa só Sacra Eucaristia tem todas as coisas do Mundo, a luz das luzes, e o Criador que engrandece as ciências, então, os lábios do Sacerdote custodiem a ciência. Quando Deus não tivesse querido que Maria fosse ao lado do Filho, e a maior do mundo, e Aquele que ilumina todos, não só (era) justo, mas também, precisava que primeiramente os Sacerdotes criassem esta Estrela Maria na Saudação Angélica, a saudando como luz e salvação do mundo. Visto que em nenhum lugar acontece uma coisa mais venerada e mais frequente, quanto no Saltério de Jesus e de Maria, indubitavelmente esta mesma devoção será praticada pelos sacerdotes muito assiduamente e devotamente, e que seja recomendada com o exemplo e a pregação ao povo leigo.

A igreja sempre venerou, ou não, Maria, a Mãe de Deus, como Advogada e protetora de cada ciência, e de um esplendor que vem atrás do Pai das Luzes? Mas é dever dos Sacerdotes tutelar, aumentar em si, transmitir ao povo e difundir a ciência da fé cristã cotidianamente. Com o maior ânimo possível, é necessário para estes o Saltério, instrumento sagrado, para adquirir e merecer de Deus toda ciência.

EXEMPLO

Vivia na Toscana, um sacerdote, Curador paroquial das almas. Ele não podia ser considerado importante para qualquer ciência humana, ao contrário (era) daqueles não muito dotados; porém pela correta e perfeita simplicidade de uma integra vida sacerdotal, aparentava a todos um homem santo, mestre de ótimos costumes; e não somente pela veneração, mas também pela admiração. E esta santidade de vida sem culpa não permitia que a maravilhosa simplicidade e tanta ignorância, trouxessem algo à luz da sua já viva estima; e assim como (era) ignorante, apenas com esforço apreendeu a ler suficientemente a Missa. Aconteceu aqui uma outra coisa, não só surpreendente, mas um verdadeiro milagre. Cada vez que se levantava para orar e pastorar o rebanho com a sua doutrina do Evangelho, era comum falar com a multiplicidade das ciências, com a graça da eloquência e com a força, seja de um zelo eficaz, seja do Espírito, que nem mesmo os mais cultos podiam aspirar e nem mesmo igualar, uma pequena parte da perícia das suas orações. Conquistava os ouvintes, elevava os ânimos, movia os sentimentos, e os fazia meditar sobre cada coisa, sobre a qual queria falar, o Céu, o Inferno, as consciências, e arrastava os ouvintes à todas as coisas sagradas; e, em cada lugar se contava o ardor do espírito daquele; os mesmos iam e encontravam conforto. Ele foi um tão grande Crisóstomo e um Túlio cristão que, no púlpito esplendia a admirável doutrina, mas fora do púlpito era um homem de absoluta ignorância, mas de exemplar vida e perseverança. Na verdade, atingia a graça fecunda desta (doutrina) e daquela (vida exemplar), da mesma fonte, do Saltério, ou seja, da benigna e luminosa Santa Maria, (Saltério que ele tinha) com religiosidade, sempre honrado e praticado. Praticado somente? Mas também pregado com tanto fervor, sentimento e fruto, mais do que (era) maximamente possível. O mesmo cresceu com a doçura do Saltério, a inocência da sua vida e a constância de suplicar a Deus, e guiava (o rebanho) com diligência e santidade. A primeira palavra da sua doutrina, que anunciava no álbum, era o recitar da Saudação Angélica, a Ave Maria.

E também disto oferecia este correto argumento: visto que a Ave foi a primeira palavra evangélica do Anjo e a fonte, a origem, o perfeito compêndio, a perfeição e o coração de todo o Evangelho e dos Apóstolos.

Após a mesma (Ave), depois da leitura Evangélica, fazia a explicação, não inferior a tal inicio e digno deste. Oh, se o Santo Alano104 tivesse recordado o nome deste homem divino e tivesse citado homens e mulheres de exemplos similares! Não só para dar exemplos de fé, quanto porque, no presente tempo crítico, e ignorante mais do que pio, se encontrasse a fé.

Mas o poupou aos viventes; e visto que tinha aprendido por revelação, transmitia aquilo que tinha recebido.

104 Cf. nota a pag. 183.

A Terceira Excelência é a ampliação dos Dons Sacerdotais Espirituais. A função propriamente atribuída ao Santo Espírito é tida como o dom dos carismas, a infusão das virtudes, a ampliação dos frutos do Espírito, e a convergência das oito Beatitudes. Este é o máximo Poder, a Capacidade fecundíssima, a Largura amável, e a Divina Fé em relação aos homens miseráveis. Aquelas coisas são diferentes e grandíssimas, e numerosos dons do Espírito Santo existem no mundo. Porém um só Dom Sacerdotal supera facilmente todos estes, falo do infinito Dom Eucarístico: este é o mesmo Filho de Deus, Homem Deus, Jesus Cristo, Bendito nos séculos. Pode isso o Espírito Santo? O podem os Sacerdotes. (O Espírito Santo) dá os frutos da Árvore da vida? (Os Sacerdotes) plantam juntos ao Verbo, a mesma Árvore (da Vida) com os frutos, (que) com a atividade do Sacerdócio irrigam, acrescentam, sustentam e conservam a Igreja; (que) perpetuam de mão em mão; (que) transplantam, replantam nas bocas e nos jardins das almas; com o qual, e através do qual alimentam há tantos séculos as almas de todos os fiéis, e (a) levarão até ao monte Horeb do celeste repouso e da felicidade.

Depois disto, é nocivo para cada um o julgar.

1. Por isto a negligência dos Sacerdotes em celebrar (o que deve ser entendido não só como pouca devoção, mas também quase ímpia), prejudica e arruína a própria Mãe Igreja.

2. Oh, com quantas penas, um dia, pagarão esta indolência tão vergonhosa e insuportável, para não dizer culposa preguiça!

Quantos um dia, queriam reparar, através do pequeno trabalho do Sacrifício, uma migalha daquilo que deixaram, se a Divina Justiça concedesse a eles de cumpri-lo.

3. Verdadeiramente, nenhuma capacidade dos homens ou do mundo, pode ser tão grande (fora daquela Sacerdotal), a qual é capaz de ressarcir o dano de um omisso Sacrifício dos Divinos Mistérios; de um Presbítero indolente, o qual corrigiu a negligência; de outro, que cumprira por dever o Sacrifício ao altar, mas no final, Deus pode garantir a Deus o socorro da ruína passada. A Divina Providência escolheu para si uma só Virgem Maria e destinou somente ela, para que nascesse o Redentor do mundo, com um tão grande e inexprimível, favor de Deus, favor de Deus em relação ao mundo perdido! Nem mesmo as mentes Angélicas conseguem compreender. Visto que, ao mesmo Redentor une um único Sacerdócio, que se adquiriu (com a Cruz), e reservou para os seus tesouros e dons da sua redenção, por meio do Sacrifício e do Sacramento, a ser dispensado a todos quantos os séculos do mundo. E aquela é a maior parte das glórias de Deus; a maior parte da santa exaltação da Mãe de Deus; (a maior parte) da felicidade dos Santos; a máxima consolação das (almas) do Purgatório; e (a maior parte) do socorro aos Santos vivos e o é o Céu. Oh graças de Deus, acima de toda a graça! Não pregarão aquela, os Sacerdotes levantados e homenageados por tão grande graça? Aqueles Pastores e Pais de muitos povos, e Príncipes por classe social, em honra dos povos, por exemplo, do povo leigo, em socorro da Igreja, a exaltação de Maria, e pela proteção da Mãe de Deus a ser adquirida, não praticarão o Saltério com suma religiosidade e com suma elevação de zelo? E com este, não restituirão a Deus esta “Graça”, em sacrifício de louvor, em ação de graças, para a satisfação da culpa, em uma vocação que certamente leva à salvação e glória?

EXEMPLO

Apreendemos pela literatura, que um homem, vivido por muito tempo na prática da Religião, e de comprovada bondade, que ardia para o insigne culto de devoção em relação à Imaculada Mãe de Deus, e na verdade a venerava espontaneamente, com aquele antiquíssimo modo de orar a Coroa do Saltério, e confidencialmente era costumeiro a saudar todos os dias. Não bastava esta devoção, mas também levava este insigne Nome e Louvor, ao povo numeroso, nas assembleias que estavam para acontecer; e neste difundia muito amplamente o Santo Culto de Deus e da Mãe de Deus, visto que amava este tipo de oração e levava o Saltério; o mesmo, dos leigos e do povo inculto, de uma tribuna, queria o recomendar com cura. E Deus não deixou sem compensação tanto zelo do homem santo, até neste mar da vida, mas o chamou enfim ao sumo Pontificado Romano, para que fizesse o digno Vicário de Cristo na terra, nomeado Chefe, luz e coluna da Igreja, o qual nome foi Papa Inocêncio. Ele não conduziu ao final somente as partes do (próprio) Oficio, mas foi em si tão grande, e diria quase majestoso acima de um homem, e foi famoso pelos milagres feitos, seja em vida, seja após esta. A Igreja contou com três (Papas de nome) Inocêncio nos tempos do Santo Alano, cada um deles grande e admirável, pela vida e pelas obras feitas: mas, (se fosse licito se servir de comparação), direi que na maior parte dos casos, o primeiro que teve este nome, não foi superado pelo segundo, que por um pequeno intervalo de tempo; e isto (vale) para o terceiro (Inocêncio). Acredito, porém, que seja o terceiro (Inocêncio) aquele assinalado pelo Santo Alano, ao qual Deus uma vez mostrou que a Igreja, que se dirigia à ruína, era sustentada por São Domingos, que a levava nas costas.

A Quarta Excelência é a Ação Sacerdotal, em relação à Humanidade de Cristo

1. Na sua Humanidade, Jesus pode qualquer coisa, por isto mereceu por si próprio e por nós muitíssimo, assim como a oração, o jejum, a peregrinação, a oração, o cansaço, a vigília, a sede, a fome, a paixão, a morte, etc. Mesmo que isso, muito justamente, deva ser estimado ao máximo, de nenhum modo se pode agradecer e levar louvores equivalentes a Ele; aquelas ações de fato pelo mesmo Deus, circundado pela nossa carne, foram só como coisas acessórias, as quais não acontecem em Deus.

Ao contrário, a ação e a obra do Sacerdote, são a parte principal de todas as obras de Deus, para que esta seja relativa não somente à Humanidade, mas junto à Divindade, não somente por ter méritos para nós, mas também para comunicar a nós os Méritos do Salvador; não só para nós salvar, mas também porque, uma vez salvos, Ele proteja e introduza salvos os redentores em posse da Beatitude.

2. E como para conhecer claramente, quanta diferença existe entre o Cristo (considerado só como homem) e o Sacerdote (ministro e divulgador dos Divinos Mistérios), é necessário que ninguém seja ignorante: que Jesus, enquanto homem, se transformou em homem, tenha operado e sofrido com firmeza todas as coisas humanas, exceto o pecado. Mas verdadeiramente na obra cumprida pelos Sacerdotes, no Sacrifício e no Sacramento, onde a humanidade se une verdadeiramente com a Divindade, todas as coisas são Divinas. Nisto, o Sacerdote vive imerso; nestas coisas é admirado, é honrado e é defendido pelos Anjos.

3. Transubstanciar, (quer dizer) dar Deus aos mortais; reconciliar, através de Deus, Deus com o mundo, com o Reino dos céus, e com o Rei dos Santos, e violentar ao Reino: operar estas coisas, digo, é atividade dos Sacerdotes, não dos Anjos.

4. As obras da Humanidade de Cristo eram, como acessórios em Cristo, sem os quais, ele podia em todos os casos existir. Mas as mesmas, sem Ele, não podiam existir.

5. O Corpo de Cristo não podia existir sem um lugar, um local, uma certa quantidade, e semelhantes categorias, segundo o modo e a condição da natureza. Verdadeiramente a Santíssima Eucaristia, a Divina Obra Sacerdotal, ultrapassa todas essas coisas: nada falta ao sujeito em relação aos acessórios; é tanta sem quantidade; é tal sem qualidade; esta no lugar sem uma delimitação; esta no local, exceto a morte e a mudança; esta com toda medida, acima de todas as medidas; esta no tempo, sem medida, enfim é o milagre dos milagres; e a mesma obra é própria dos Sacerdotes.

6. Se tu comparasses duas coisas: de um lado, as realidades Eucarísticas a serem admiradas e adoradas, de outro as seguintes coisas: que a Virgem concebe sem um homem; que demonstrou de se tornar Mãe, sem ter sido rompida a sua incolumidade e com o permanecer Virgem, não facilmente estabelecerás digo, qual dos dois tu anteponhas. Ambas as coisas estão acima da natureza, a Onipotência Divina opera nos dois lados: de um lado na Virgem: Única, de uma vez por todas, por breve tempo, na única Palestina; de outro lado a obra no homem Sacerdote, Anjo corpóreo, Deus terrestre; nem num só, mas em muitíssimos, e muito frequentemente; e até a consumação do mundo; e em todos os lugares, do surgir do sol até a noite, sem interrupção, opera o Sacrifício. Maria na Concepção foi Mãe da Graça sendo Cheia de Graça; mas por isto, não sendo admirada por nenhum Caráter especial: pela Potência e o Poder seria capaz de produzir numerosos semelhantes Cheios de Graça, capazes de conceber do mesmo modo, e capazes de dar à luz de forma igual. O que possui na sua consagração qualquer Sacerdote? Ele é marcado pelo caráter divino no intimo da alma, como tal, ele é separado por Deus, também por todos quantos os Cristãos; e, diante de todos os Anjos é consagrado a Deus; é unido a Deus, para que seja um só Espírito cheio de Deus; para que cuide, em nome de Deus, das coisas Divinas; para que faça com que as coisas humanas estejam próximas a Deus, e os homens gozem, e gozem o fruto de Deus pelo Cargo (que recobrem). Condenado sejas tu Sacerdote, que ocupas um tão alto Cargo e não o exercitas ao serviço de Deus, nem dos homens, ou exercitas aquele privilégio raramente, com preguiça ou indignamente. Por que, cheio do tesouro divino, esqueces os míseros mortais e os afaste com as mãos vazias, quando, tantas vezes, deixas esperar pelas coisas Divinas? Te aproximes um pouco como Pai de Deus à Mãe de Deus raramente, ou indignamente! Oh Deus, melhora! De modo a não induzir os Sacerdotes em tentações desprezíveis e abomináveis. Oh homens cheios de Deus, homens santos, vos peço, olhais ao rosto de Cristo, vosso sumo Sacerdote, invocais a Advogada Mãe de Cristo; salmodiais juntos os Saltérios de um do outro, salmodiais com sabedoria esta realidade, “Cheia”, no Evangelho da Divina Sabedoria da Saudação Mariana, Cristã, Divina. Salmodiais e pregais.

EXEMPLO

A França tão Cristã, a Rainha dos Reinos de Cristo, nos conta a história não de muito tempo atrás, de um homem sublime e digno, por mérito de virtude, felizmente acumulada na observância religiosa, o qual então, levantado ao vértice da Abadia, foi preposto Abade por todos os frades.

Para que emergisse nele muitas outras e grandes coisas

Com a ilustre memória se manifestou nele através do testemunho das numerosas virtudes e dos exemplos; porque ele não era visto sem Saltério; não porque o ostentasse como espetáculo; mas porque o levava como uma prática muito familiar. Orava (o Saltério) assíduo e silencioso; com solicitude e humildade ensinava aos ignorantes; cheio de zelo o exortava com ardor, os Religiosos à ele submissos, o recomendavam aos seculares, aos sumos, aos médios, aos ínfimos sem destacar-se, mas por nada importuno, maravilhosamente agradecido e magnificamente frutuoso.

Também aqui o Deus consolador quis levar fora o seu servo, e recompensar o zelo e a fadiga deste homem. Ninguém implorava a Deus, através de Maria Mediadora, como ele; assim Deus consolava ele, através dela. Oh graça de Deus! Mas também mérito do salmodiante no Saltério. Então, a Rainha dos Céus, Maria Senhora e Patrona dos Salmodiantes, apareceu numa esplendida luz várias vezes ao seu servo Abade, com maravilhoso conforto; e com ele queria conversar com afabilidade, e ouvia a sua voz e respondia. Não somente o consolava com as suas doces palavras e com o olhar; mas também o instruía frequentemente com a Divina Revelação dos Mistérios de Deus, com a Santa Visão das coisas celestes, deixava degustar quase uma pré-degustação.

Quinta Excelência. Comparação do Sacerdote com a Beatíssima Virgem Maria. A Santíssima Virgem é Mãe de Deus:

1. Sendo passivamente.

2. E este, só no Bendito Ventre, e na sua Carne.

3. E levou ao nascimento aquele que era seu, concernente a sua humanidade, a sua natural potência, mesmo que Deus operasse acima da natureza.

E ao contrário o Sacerdote: 1. Visto que pode-se dizer que ele é o Pai de Cristo, ativamente; por isso, se diz que ele opera pelas coisas Sagradas, cria as coisas Sagradas, cumpre as coisas Divinas.

2. E isto com a intenção de querer, do ventre de uma realidade mais nobre, e através do Espírito Divino, que ele deu.

3. E transforma com a transubstanciação (a Hóstia) naquilo que é o Sacrifício de Deus em si e por si, e porém está livre na sua vontade em relação à obra, ou a omissão; e este é o Poder do Caráter, que é puramente Espiritual, e tem efetivamente.

4. A Santíssima Virgem, coberta pela sombra de Deus, consentindo concebeu em cinco palavras; “Faça-se”, então sendo passivamente, “em mim” “segundo” “a tua” “palavra”. O Sacerdote participa ativamente, enquanto gerador: pela sua eficácia, as palavras fazem a transubstanciação, quando ele diz: Hoc est enim corpus meum (= Este é o meu Corpo). Do mesmo modo, Hic est calix sanguinis mei, etc. (= Este é o 105 Cálice do meu Sangue, etc) .

105 Deixamos as palavras latinas, acompanhadas da tradução entre parênteses, porque ainda estão vivas no povo, sendo as palavras da Santa Missa latina.

5. Enfim a Santíssima Virgem Mãe gerou o Senhor uma vez só, pequeno, que não falava, não caminhava, submisso, capaz de sofrer, mortal; mas o Sacerdote torna presente o Deus Homem: cessa a substância do pão e do vinho, se salvam os maus, segundo o seu desejo, (e é criado) Perfeito, Reinante, Senhor, incapaz de sofrer e imortal. Oh inexplicável Excelência de Poder!

6. Porém, esta (comparação) entre a Mãe de Deus e os Sacerdotes deve se entender importante, porque, nas coisas já ditas, parece que aqueles superam até Ela; porém, até um certo limite, não porém, em relação à necessidade do evento. Visto que a Virgem Beatíssima Mãe de Deus é tão necessária, que permitiu a Ele de ser verdadeiro Homem novo por si mesmo, Ele que antes não foi homem; o Sacerdote ao contrário, já antes do tempo estabelecido, fez existir o Homem Deus já sob a espécie.

Se não por equivalência, estes podem quase se chamar pais de Cristo, porém, são perfeitos no modo; a Mãe de Deus (é perfeita) no evento, que é o fundamento da obra Sacerdotal. De fato ninguém (pode) colocar um fundamento diverso (1Cor.3). Nós ao invés: Matamos em nossa vantagem sobre novos fundamentos (1Ts.6).

Perguntes: Da onde vem tanta força? Do alto, do Pai da luz; é Dele, que (esta) descende do Céu, do Senhor Uno e Trino. Pelo qual na Saudação justamente se diz “Senhor”, ou seja, Deus está Convosco na obra, de fato é vontade divina operar; e na carne que acolhe existe “o Senhor”, o Filho de Deus junto a Ti, por isso, também Filho teu, (então Filho) do homem.

Daqui sendo Filho o Senhor dos Senhores, também a Mãe, por direito divino e natural, é Senhora dos Senhores. Todo Sacerdote, como dito antes, é Excelentíssimo: o Senhor é louvado por todos os Senhores leigos e terrenos, e é o Senhor dos Senhores: para que somente Ele, espiritual e sacramentalmente, pastoreie o rebanho dos leigos fiéis e o mantenha em vida através da ciência sacerdotal, o absolva dos vícios e das mortes dos pecados através da (sua) Potência, e o dirija para a Pátria. Por isso, como convém a todos os cristãos, e particularmente, aos Sacerdotes do Senhor com ardor, assiduidade e confidencialmente, proclamamos, aquela exaltação do Senhor na Saudação Angélica, em honra do seu Senhor e da sua Senhora. Esta, sem dúvidas, não pode ser feita em nenhum lugar mais frequentemente, corretamente e santamente, do que no Saltério do Senhor e da Senhora: ocorre também que façamos com que estes pratiquem o (Saltério), e que o povo o pratique com as predicações. Com esta atividade tão grande e saudável para todos, nenhum homem bom poderá negar que os meus mostrem (a Saudação Angélica) conveniente, digna de Deus, digna da Mãe de Deus. Salmodiais então e predicais o Saltério do Senhor e da nossa Senhora, oh Sacerdotes do Senhor. Condene os cachorros mudos, incapazes de latir. Condene os Senhores preguiçosos: um severíssimo juízo será dado por este que presidem. Condene os servos preguiçosos: será tirado o talento* deles deste Evangelho do Saltério, e será dado à gente que produzirá fruto.

* Nota de tradução: talento pode aqui ser traduzido como dom, habilidade ou como peso ou moeda de valor diferente de acordo com o lugar e os tempos.

EXEMPLO

Na Província da Provença, um cidadão de nome Pedro, além dos seus outros empenhos e exercícios paroquiais, era pressionado igualmente por solicitação do espírito e inclinação, em relação à Ela: de qualquer modo, ele era assíduo no pregar o Saltério de Jesus e de Maria; então, pois, costumava recomendar ardentemente a mesma (oração) ao povo durante as assembleias. E se evidenciava um abundante fruto no rebanho devoto. E este (fruto era) duplamente o cêntuplo. Um outro (era o fruto) espiritualmente das almas: ele as tornava abundantemente ricas, cheias da graça dos Celestes Carismas do Saltério, assim que, crescendo em uma missa abunde de ótimas práticas, se multiplicava imensamente, e, resplendendo, felizmente maturava até à missa dos santos méritos, um espetáculo agradabilíssimo a Deus, aos Anjos, e aos homens. Um outro (era o fruto) temporário do bom êxito, que eles plantavam através do diligente sacrifício do Saltério oferecido a Deus e à Mãe de Deus: a Patrona Maria irrigava, Jesus aumentava. Ela sempre o protegia. De fato (houve) duas pragas, a peste e a guerra, em intervalos de tempo, (que) levaram à devastação de toda a Província.

Em ambos os casos, porém, Deus conservou imune somente à Paróquia dos Salmodiantes; a cruel força contagiosa da pestilência, em todos os lados, esvaziou a província dos homens, (mas) não tocou a Paróquia dos Salmodiantes. A violência da guerra, se difundiu para todos os lados, fez uma catástrofe de muitíssimos homens; logo, com uma furiosa devastação, essa tinha levado primeiramente ao saque dos edifícios sagrados e profanos, depois, provocou o incêndio até ao solo, com chamas vingadoras; também os campos e os terrenos, com miseráveis calamidades, muito frequentemente tinham sido devastados; (porém) na região e no território da dita Paróquia dos Salmodiantes, nenhum inimigo nunca colocou o pé hostil, e quando o inimigo de índole bárbara atravessou aqueles (territórios), nunca encontrou ninguém à quem fazer o mal.

 

SEGUNDO GRUPO DE ORAÇÕES

As cinco Fontes das Excelências necessárias do Santo Sacerdócio.

Estas se colocam numeradas assim:

1. O Poder Angelical.

2. O Poder Patriarcal.

3. O (Poder) Apostólico.

4. A felicidade dos Santos.

5. A santidade dos Religiosos.

A sexta Excelência é o Poder Angélico dos Sacerdotes. É verdadeiramente o maravilhoso Poder sobre todas as coisas criadas, próprio dos Santíssimos Anjos, e mesmo acima desta, pela superioridade honradíssima desta nobreza. (Os Anjos) então não tem nenhuma faculdade concedida por Deus sobre o Santíssimo Corpo de Cristo, nem diante do Augusto Sacramento ou Sacrifício da Eucaristia; (tal Poder) é entregue, em base ao Oficio moral deles, somente aos Sacerdotes.

1. E neste dom de incomparável Dignidade e Poder, a ninguém pode existir dúvida ou obscuridade, que os Coros fiéis dos Anjos, todos se apresentam, para dar lugar primeiramente ao Sacro Colégio dos Sacerdotes.

2. Porque os Sacerdotes representam o mesmo Criador dos Anjos, junto aos altares, com a vontade deles e com a função deles; porque os consagrados o levam entre as mãos, e o tocam; porque o pegam em si e alimentam os Santos; porque imolam uma vítima cruenta para todos os vivos, e os viventes que chegaram ao final da vida; os Anjos o honram, o admiram e o veneram com a cabeça erguida; mas estes não permitem ser tão venerados por estes (Anjos), como na Lei do Antigo Testamento.

3. Qualquer coisa esteja nos Espíritos Santos, aquela coisa é criada, é finita, como nas criaturas; e somente isso vale para estes que são do mesmo modo semelhantes, finitos e criados, pela diferença que admita a natureza. O Poder do Sacerdote, porém, infundido por Deus, e a força do Caráter serão eternas não só no tempo, mas poderia ser perene no Dever, com uma perpétua Potência, se Deus não tivesse conferido aquele desenvolvimento da função limitadamente ao Oficio e ao tempo de vida dos mortais sobre a terra, segundo quanto foi estabelecido pela Vontade do Sumo Pontífice Legislador.

4. Ora, se Deus ordenasse a algum dos nove Coros dos Anjos de descer aqui na terra e de aparecer nesta Igreja, diante do estupor e da veneração que tu tiveste tão justamente e oportunamente, dificilmente poderia competir contigo: na verdade eis, o Sacerdote faz aparecer diante dos teus olhos, evocado do Céu, Jesus, Rei dos Anjos: e o que pensas?

Compreendidas estas coisas o mesmo observador e Juiz do teu coração, porque Ele é realmente presente e se manifesta.

5. Por isso, por uma Missa esquecida, considere o dano e a indignidade. Oh santo Sacerdote, de quanto então não sereis devedor ao Saltério de Jesus e de Maria? E mesmo muito, em todas as formas.

1. E visto que tu és cristão, te revestistes de Cristo. Oh ingrato, também naquela palavra da Saudação “Convosco”, não renovarás em ti a memória muito assídua desta realidade, para que Cristo esteja Convosco.

2. Então, visto que tu és um Anjo do Senhor, o Sacerdote, e indignamente em tão grande dignidade, raramente recordarás o Senhor que vive Convosco; raramente adorará Ele que está presente?

3. Em relação a estas coisas, mesmo que, Senhor Sacerdote, tu superes o Poder dos Anjos, e com o teu distinto poder (superas) Tizio, visto que Deus te oferecendo no inicio Maria como Esposa, pela carga tu és Sacerdote; e como um desumano Trace, deixarás que as orações oferecidas à ela com devoção, de fonte aberta “Convosco”, a alegrem com o seu Saltério? Salmodiais então e predicais o Saltério, oh Sacerdotes.

EXEMPLO

Um certo Tomas, na Normandia, célebre pela Honra de Arcediácono, depois das suas regulares solenes funções da Religião e do Culto público de Deus na Igreja, empregava grande parte da sua principal piedade nos exercícios em relação à Mãe de Deus e Cristo, ao invés no voluntário obséquio ao Saltério. E ele raptado pelo amor deste, era louvavelmente levado a sua observação, também se consumando nas orações; ele se cansava e depois no inflamar os fiéis a ele entregues, com toda a diligência e energia, suscitando nele o desejo da santa ocupação. Então ele, operante com o seu próprio exemplo e o seu grande fervor, sem hipocrisia, mas numa sólida verdade e virtude, oferecia aos fiéis um espetáculo tão venerável, quanto, pela assiduidade nas orações do Saltério, que se transformou num costume, dava a prova de ser muito humilde. À palavra (duas vezes repetida) do exemplo, se acrescentava a terceira eficaz palavra de uma consequente conduta virtuosa: unindo-se também como quarta palavra, o Saltério da pregação, através das públicas assembleias, nas quais tinha influência, insistia em recomendá-lo com admirável graças e espontaneidade, com eloquência, frequente e intensamente. Por outro lado, Deus tornava mais doce o seu operário, tenaz e tão trabalhador no Rosário, o acariciando frequentemente, deliciando-o com a ambrosia da consolação, assim crescia de uma virtude para a outra, como a luz do justo, procedendo, cresce até o dia cumprido. Isso (era) comum, mas do tudo singular.

Mereceu além do mais (nunca pedindo, porém, tal coisa) por Deus, através de Maria, sua única pomba, de obter gratuitamente uma graça que foi concedida a ele: que por todos os lugares podia ver com os seus olhos qualquer um dos Anjos, seja aquele de estirpe boa, seja aquele de estirpe má. Certamente entendo que isto seja verdadeiro, porém, de que forma (acontecesse) isso eu ignoro, o confesso.

A Sétima Excelência (é) o Poder Patriarcal dos Sacerdotes.

1. De Adão, Henoc, Abraão, Gedeão, Samuel, Davi, Elias, etc... se comunicam as obras admiráveis e os dons das virtudes, porém, o descobrirão só a sombra, (ao invés) entregaram a verdade mesma da nova Lei aos Sacerdotes.

2. Os fatos prodigiosos aconteceram no mundo (sob) os céus, e apresentavam os elementos e as coisas criadas. Mas o Sacerdote, com o seu Poder, ultrapassa os Céus dos Céus. Ele coloca sobre o altar o Cristo, chamado do Céu, que estes profetizaram de longe.

3. E como descuidarei de todos os altares: de João Batista, Precursor do Senhor, entre os nascidos da mulher não surgiu um maior (do que ele), pelos seus méritos; mas pelo Poder, muito maior (do que ele) surgiram todos os Sacerdotes. Jovem foi Cristo expulsor, luz, amigo, voz e testemunha: indicou com o dedo Cristo, (o) batizou, viu a Santíssima Trindade: o que é o Sacerdote? É o criador e o sacrificador de Cristo, o pacificador de Deus, o pastor e o Salvador dos fiéis, o Esposo de Maria, o Senhor dos Anjos, o irmão e o íntimo Amigo do Senhor Salvador. Ele, com a palavra gera, com as mãos toca, apresenta, protege e transforma em alimento o Verbo. O Poder dos Patriarcas não foi capaz de nada semelhante. Condena ao Sacerdote então, pelo ócio do qual, mesmo num breve espaço de tempo, foi abandonada a Missa! Pode reparar o dano, mas não pode restituir o bem deixado e subtraído dos dois mundos. O que achas? O Bendito de Deus, observados, conhecidos os temas da maldição. Pegues o Saltério Mariano, ao contrário, o Cristão de Jesus Cristo, salmodia a Jesus, salmodia à Maria a sua “Bendita” na Saudação. Bendigas, para ser bendito contra as maldições. Bebes sempre desta Fonte Bendita. Ofereces ao teu Davi água da Cisterna de Belém, etc.

EXEMPLO

Na Espanha um exímio Mestre da Santíssima Teologia e de ambos os direitos, muito tomado pelo amor e beleza do Saltério, tornou prestigiosas as grandes cátedras das Escolas, com muita celebridade, louvor, fama e nome, até que, enfim, foi chamado à coroa Episcopal. Este altíssimo sagrado ápice das honras, por nada o distanciou da costumeira humildade no orar, mas o reforçou intensamente. Então, (quando se tornou) Bispo, aos outros ornamentos episcopais, pensou em acrescentar a (tais ornamentos), visto que para ele era importante, um Saltério a ser tido consigo, certamente para ele algo antigo e muito familiar, mas novo para ele enquanto Bispo. Mas não queria o ter e o levar consigo, como antes, exíguo, entre as coisas de pouco valor, e comum, mas (o quis) grande, precioso, insigne, para chamar a atenção dos homens e oferecer a ele a ocasião e o argumento de pregá-lo. Com tanta coragem o levava, com tanto amor o mostrava, com tanto maior zelo o pregava, com grandíssimo fruto das almas.

A Oitava Excelência é o Apostólico Poder dos Sacerdotes: nos Doze Discípulos escolhidos, duas coisas devem ser examinadas: o Apostolado, no qual estes permaneceram por mais de um triênio depois da Vocação: e o Sacerdócio, ao qual foram iniciados no Jantar, o dia antes da Paixão!

1. Disto se deduz que a ligação de ambos os aspectos por nada é essencial e é o segundo (o Sacerdócio) o culmine e o aperfeiçoamento do precedente (Apostolado). Por essa razão, o Poder e a Dignidade Sacerdotal supera grandemente o Apostolado.

2. De fato o Apostolado, é um Ensinamento, e um dom do ministério; o Sacerdócio na verdade é o Poder do Sumo Mistério.

3. Os Discípulos o pregam, os Sacerdotes o atuam e o oferecem.

4. A simples vocação constitui o Apostolado, a Santa Unção institui o Sacerdócio. Oh! Esquecidos destas coisas e ingratos a Deus, aqueles que empreendem tão grande dom Sacerdotal ou indignamente, ou preguiçosamente, ou friamente! Não recordam que esses são os Cristos do Senhor? Repito, esses emanam ouro em chamas e controlado, assim como, diante do vulto deles, os fortes e soberbos montes se dissolvem.

Por isso peguem o Saltério do amor, da honra e da beleza de Deus: pelo próprio (caráter distintivo) da Unção, o exorta a repetir muitas vezes aquele “Vós”. Isto mostrará ao Sacerdote, Vós quem eis; anunciareis de Cristo, Vós, quanto sois grande; ensinareis de Maria, Vós, quem sois; para que Vós possais ser semelhantes com o Sacerdócio a Cristo e Maria.

EXEMPLO

Um nosso Irmão da Ordem Sagrada dos Pregadores em Lotaríngia, orador de clara fama, tendo prometido em modo solene que nunca começaria um Sermão, sem ter saudado, com todos, Maria. E que não o terminava antes de cumprir a parte mais importante da sua pregação, um solene elogio da benigna Mãe Maria, ou uma recomendação do seu Saltério ou da Saudação Angélica. A uma e outra, iniciavam com tal fórmula solene: Ora saudais Maria, ou então, Tornamos doce a boca. Visto que amava repetir isto com particular zelo, com fervor de afeto interior, com devoção, e com incansável estabilidade, Deus olhou a sua fé, Maria olhou o ardor, e a graça da agradável pregação, e, em relação ao fim da sua mesma vida, o colocara em clara luz com um exemplo memorável, e restituíram a ele em igual medida o seu zelo. Quando o curso da sua vida estava quase no final, já no ponto de a sua alma voltar a Deus, foi divinamente inundado por tanta suavidade de consolação e tanta abundância de exortação, que iniciou a transbordar: e ele parecia ser forte e são de corpo, porque a força do Espírito superava a força da enfermidade e da morte. Ao invés, também a Rainha do Céu, o honrando com a sua presença, se tornou visível a ele, circundada por uma Coroa de inumeráveis Santos. Depois de ter se distanciado dele, deixou às testemunhas oculares uma suavidade de espírito muito maior do que aquela que, com a pregação da Saudação Angélica, queria dar aos ouvintes dos seus discursos, a doçura da boca e do espírito.

A Nona Excelência é o Santo Poder Sacerdotal dos Santos. A Fortaleza dos Mártires, a Fé dos Confessores, a Castidade dos Virgens, emanaram da grande força da graça e do valor; porém, se damos atenção ao resultado, precisamos reconhecer que nos Sacerdotes está presente uma força de graça mais potente do que a graça gratuitamente.

1. Mas com aquela se permaneceu fortes no martírio contra os Tiranos, as feras, as torturas; e Deus, ao seu mérito, acrescentava graça sobre graça, e igualmente, aumentava a fé aos Confessores: verdadeiramente estes riachos foram provenientes só da inexorável Fonte das graças. Cristo é a Fonte da vida.

Escavam e preparam esta Fonte no corpo da Igreja os Sacerdotes. Por isso é necessário que seja muito mais eficaz e (muito) mais digno, aquele Poder com o qual garantem a coisa mais divina.

2. E se a consequência devesse ser igual à causa, deve ser do tudo infinito o Poder de Deus nos Sacerdotes, o qual produz o resultado infinito, Deus, o homem Jesus Cristo, o velando poderosamente e sem dúvidas com a palavra. Nenhum dos Santos foi infalivelmente seguro da sua estabilidade, da (sua) fé, ou de uma segunda graça, ao menos que (visto que tal felicidade tocou uma sorte tão rara), não (tiveram) uma particular Revelação de Deus.

Mas o Sacerdote, instituído litúrgica e regularmente, mesmo que iníquo, tem do tudo, por fé, a certeza do Poder conferido a ele; assim como, a ele, pela potência do pacto e pela fidelidade da sua Instituição, Jesus quer se manifestar e ser presente, quando, do princípio, tenha pronunciado as palavras por inteiro da Sagrada Instituição sobre o pão e o vinho. Assim certamente quer e comanda o mesmo Sacerdote dos Sacerdotes, para que o seu Santo Sacerdócio permaneça consolidado e honrado. Então o Senhor Jesus é completamente de cada sacerdote, do qual, todos os Mártires e os Confessores participaram como partículas desgarradas (de Cristo), e por mérito de justiça, as sortes deles são admiráveis de se ver, visto que a Fé Sagrada, assim ensina a considerar estas coisas. Então faz que aconteça assim: que se possa e se queira tirar do Céu alguns dos Mártires, por exemplo, Santo Estevão, e o expulse do mundo físico, depois de tê-lo destruído o se reduz a nada: quem não detestaria aquele delito indescritível, e não deploraria a grandíssima ferida feita na Igreja e o dano causado? Mas aquele dano, ao menos de um só Santo, aconteceria entre enumeráveis Santos! Estas coisas são evidentes.

Acrescente: um Sacerdote por ociosidade ou qualquer outro relaxamento, se deixou o Sacrifício cotidiano da Santa Missa, o que fazer?

O que e quanto subtrai das duas Igrejas, seja da Militante quanto da Triunfante? Qualquer um dos Santos? Deixa de oferecer a Deus, através da Igreja, o único Deus homem, de forma que a Igreja, tem esta (Missa) eternamente ao menos, e isto devido a um ministro da Igreja. Oh, inestimável e irreparável dano! Se não acreditas nestas coisas, não és cristão: se cais fraco, não és nem bom, nem devoto. Observais, oh pertencentes ao Mistério de Deus, conhecidos, e tenha piedade da sua alma.

Honra o teu Santo Sacerdócio. E em caso contrário, Cristo te desonrará.

Pegues esta ajuda oferecida por Deus a ti, oh Saltério de Jesus e de Maria, com o qual, os nascidos do maldito têm a graça de orar pela salvação de todos os nascidos da mulher, pelos méritos da Bendita “entre as Mulheres”.

Nascido de uma Mulher, a Virgem Maria, através dela eliminou a maldição do mundo e a colocou Bendita entre as Mulheres, e com este seu nome a quis justamente honrar de forma digna, porque constituía entre as Mulheres, ajuda aos mortais, e após como Esposa particular para os Sacerdotes, dada a estes na mesma consagração. Quanto mais intimamente, mais familiarmente e mais fortemente, não só é conveniente, mas também necessário que ela seja por esta santamente venerada. E isso no digníssimo Saltério, facilíssimo para todos, digníssimo a Cristo Deus e aos Santos do Céu, ou seja, plenamente Angélico e Divino. Por isso então salmodiante, salmodiais sabiamente e predicais.

EXEMPLO

A terra de Picardia conheceu e honra um seu Cidadão, insigne pela honra de ter exercitado o Decanato; mas grandemente mais insigne pelo Ensinamento da Santíssima Teologia. Porém em ambas as merecidas coisas, o mesmo homem modestíssimo não manifestava a luz de tão grande esplendor, ao invés, aproximando-se a uma (luz) maior, pela inspiração do Pai das luzes, espontaneamente parava a mente nesta luz, e verdadeiramente, como filho muito ilustre da luz, se entretinha. E se persuadia que devia encontrar esta (luz) no Saltério, ou pegando-a deste, ou obtendo-a através deste, e de fato não errava.

Rezava frequentemente o Saltério, ao qual com familiaridade foi habituado desde criança, (e, se tornou) grande. Exercitava sempre mais (esta) prática com muita devoção, atenção e continuidade. Não só porque se alimentava com um prazer muito agradável, mas também porque, com a percepção da razão e com a eficácia da verdade, descobria naquele modo de orar quanto (fosse) sólida e divina, e por nada falsa e enganadora como tantas orações dos livrinhos. Quanto muito era esta (oração); com o Saltério, maravilhosamente satisfazia o homem, a razão e a inspiração do Espírito. Com o Saltério suplicava Deus e a Santíssima; levava abertamente o Saltério sobre o seu corpo, pendurado pela cintura, mais gloriosamente do que qualquer outro ornamento; orava o Saltério nas reuniões privadas e com Sermões públicos, com muito estilo, até no falar. E com muito afeto e cuidado, com tais assiduidades e ardor no iniciar, que não só convencia, mas também fascinava os Salmodiantes, que tinha persuadido, com uma surpresa particular. Nem isto se mantém parada, ao invés, se expandia sobre os seus sermões colegas Mestres, que o perguntavam: O que é (esta devoção), Oh Claríssimo Senhor Decano, os perguntam, porque tantas vezes e com tão grande força descore sobre o Saltério, de um tipo tão humilde de argumento, de uma (oração) popular e do cruzamento, difuso entre as mulheres e as jovens? És Exímio, não como um dos tantos, Mestres da Sagrada Teologia, desenvolvido em engenho para as coisas sublimes, orientado pela experiência e exercitado em grandes coisas; e preparado e exercitado nestes assuntos na disposição à improvisação, o advertem de deixar as coisas baixas às mulheres (que valem) três moedas.

E a estes o homem, de profunda inteligência e grande prudência, os tendo escutado numa dor silenciosa, mantém dentro da alma toda a elevação da ciência mais profunda (visto que pensavam que do fundo do coração deste Mestre, isto é o nosso, uma resposta teria sido muito severa) e por sua vez também amigavelmente os interroga: E bem, porque cada dia pedíeis sempre o mesmo pão e bebida, quando também sejais capaz de vos procurar melhores? Porque sempre demorais na mesma habitação?

Porque cada um de vós, ou no Magistério, ou no Sacerdócio, vos alimentais de todas as outras coisas da vida? Respondo: Porque estas coisas são necessárias. Ele acrescenta: Comer, beber, ensinar, celebrar o Sacrifício cotidiano, e fazer e repetir no mundo sempre a mesma coisa, por nada vos incomoda ou vos envergonha: nem eu temerei todos os dias de levar, de orar e de pregar o Divino Saltério, que é o pão e a bebida da vida, que é o vestido da graça, que é o inicio e o compêndio do Evangelho, e o fundamento da Teologia Cristã; que, na Coroa do Sacerdócio, é a pedra preciosa e o ornamento, o sustento da vida, a rainha da glória, a alegria dos Santos, o Cântico dos Anjos, a Delícia da Santíssima Trindade.

Disse o ensinamento, surpreendente, e emudeceu de forma sublime aqueles que estavam a sua volta. E aquelas poucas palavras (bastaram) aos inteligentes. Por isso desde aquele tempo, eles também, como se tivesse sido lançada uma competição, se esforçavam em orar consideravelmente o Saltério, de o levar consigo para orar em público, de louvar em todos os aspectos, de o propagar.

A Décima Excelência, a Santidade dos Religiosos, é maior do que o Poder dos Sacerdotes, a qual depois de tê-la demonstrada até este ponto, a admiramos.

E cada um vê e compreende claramente, que necessita, que o poder sacerdotal, siga uma Dignidade igual:

1. O que então (foi) de todos, seja das Sacras Ordens Religiosos, seja dos Religiosos Santos, Agostinho, Bendito, Ugo, Bernardo, Domingos, Francisco, Tomás, e de todos os outros, aos quais às vezes se une também o poder dos milagres, concedido por Deus: e unir o (poder) sacerdotal e (a Santidade), a mesma comparação demonstrará a união desigual demais. Por isso toda (a Santidade) é limitada em Deus e é só no interno das realidades finitas, mas aquela Sacerdotal é pela sua origem da infinita duração da eternidade: imensa pelo fruto da obra divina, capacitada de milagres: favorável de graças dadas gratuitamente; e se nunca produzirá todas as outras coisas, (exceto as auréolas) é o luminoso poder das glórias celestes e a dignidade dos Sacerdotes.

2. Admitimos que à alguém seja concedida a graça de todas as Ordens Religiosas, e o poder de as instituir e as fazer avançar com absoluta perfeição até a última parte da terra: porém (a Santidade por si, não pode ser igual àquela sacerdotal, visto que esta (última) somente obteve o poder de “Jesus”, operador de todas as graças e mediador, governador, conservador e glorificador, o qual, no maior grau possível, no Sumo Pontífice é superior a todos, assim como os Sacerdotes, diante de todos os outros, o são na Ordem e na honra.

3. Vejas ora, o Sacerdote. Por exemplo, se tu fazes mal uso da faculdade para destruir qualquer Ordem Religiosa, e imaginas que tu possa, ou mesmo deixando por uma só jornada a divina obra junto ao altar e o Sacrifício, o que frequentemente fazes por dinheiro.

Avalies depois o dano de um e do outro fato. Encorajou em todos os modos o fim de um Ordem, e para o destruir em si mesmo, o expôs à inumeráveis tentações e misérias, subtraiu os míseros da mesma felicidade, o mortal da sua santidade; e deixastes a Missa! Não dais Jesus à Igreja, não ofereces a Deus o Sacrifício, ao invés, então, quando negas dar a Deus em tão grande (Sacrifício), e o tiras da Igreja, e da tua parte vós podeis. Te horrorizas?

Deverias te horrorizar ainda mais, porque distancias o Consolador da suma miséria do mundo, o Conservador de tão grande perigo, o Redentor da infelicidade dos pecados. Oh mal horrendo! Temes, temes que a Benção Sacerdotal tem a maldição, antes que tu possas a ver. Por isso peço e suplico aos Cristos do Senhor: chamo vós, vós Benditos de Jesus Cristo no Saltério da Bendita Virgem muito dignamente aquele “E Bendito”, repetidamente, salmodiais a Deus e pregais ao povo fiel. Ele é a Fonte da benção.

EXEMPLO

A Inglaterra, desde a santa instrução e amor do Venerável Beda, como um jardim de Rosários, é sempre florida na Igreja, e difundiu com muita fragrância o odor. Viveu naquele roseiral uma nobre e angélica rosa: um angélico Bispo, tão extraordinário e celebre pelo louvor do Saltério, que na posteridade, a mesma celebridade daquele fato e daquela ocupação preferida, mesmo esquecendo o nome do homem e do lugar, teria permanecido na memória (ainda) hoje.

Ele cumpriu com zelo e honra as atividades que restam, comuns a todos os Bispos; divulgava de forma excelente o especial e particular. Devoto do Saltério de Jesus e Maria se esforçava em servir a Deus e pessoalmente se agradar. Parecia pouco ao zelo do homem evangelizar frequentemente, diligentemente e sumamente com as suas orações através do mesmo (Saltério); neste pastorava tão diligentemente, que ele mesmo catequizava o povo despreparado, o velho junto ao tenro jovem, os preparava para a prática do Saltério com insistência. Conto estas coisas, do Bispo. Vê, admira, imita, enquanto podes o engenho do salmodiante de Maria. Porém de algum lugar chegavam penas pecuniárias, pelas culpas cometidas por leigos e religiosos a ele submissos. Ele gastava aquelas colheitas para comprar muitíssimos Saltérios, seja em número, seja em preço, e alguns famosos na forma: distribuindo Saltérios ao povo, através dos Saltérios, o seu Episcopado teve todos os sucessos. Quanta, e qual memória do seu nome plantou sobre a terra entre os homens; com qual resultado terá restituído as suas honradas Igrejas; às quais cheias de pecados distanciou do seu roseiral, pelos Rosários; quanta fragrância de virtude encheu o Episcopado; quantas alegrias proporcionou aos santos, e quantas a si e ao seu rebanho!

Terá matado nos Céus a glória dos méritos! Cada um com o pensamento pode julgar mais retamente, de quanto eu tenha abraçado com o discurso e com a escritura.

 

TERCEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

Sobre as cinco Fortalezas das Excelências secundárias do Santo Sacerdócio.

Chamamos com os nomes. O poder 1. Milagroso. 2. Eclesiástico. 3. Político. 4. Permanecido. 5. Glorioso. Então explicaremos brevemente.

A décima primeira Excelência é o Poder dos milagres na Igreja, para que seja divina e grandíssima; igualmente deve ser admirada e venerada; porém aquele (poder) Sacerdotal de transubstanciar parece por isso, por imprudência, ou por ignorância, que seja de grau inferior, porque comum a muitos, e por isso parece ordinário. Então se retém igual àquele dom dos milagres, mesmo que uma e outra coisa esteja na ordem da graça dada gratuitamente. A primeira coisa deve ser desaprovada, esta segunda coisa deve ser aprovada. Visto que uma supera a outra, como quer dizer, de infinitas milhas: visto que o Poder sacerdotal produz um fruto infinito pelo valor da obra de Deus, sendo em grau o poder do caráter, de durar ao infinito, como venceu das coisas ditas antes. Ressuscitar os mortos, dar a visão aos cegos, distanciar as doenças, expulsar os demônios, falar línguas novas, e as coisas semelhantes a estas, (em relação ao) celebrar a Missa, são coisas tão pequenas, quanto uma única ínfima estrela o é em relação à todos os céus. Pouquíssimo disse, nem muito bem. De fato os milagres estão presentes em todas as criaturas, mas isto (é) o milagre dos milagres no Criador. Como este (poder é) diante daquele, também as coisas importantes no Sacerdócio estão mais distantes de uma coisa longínqua deles, que são celebradas nos milagres. Se então as coisas grandes, tanto pela Igreja as graças, quanto pelo mundo as honras, se consideram como devendo ser atribuídas a milagres, e justamente, o que se deve crer que leve o Sacerdócio? Numa palavra: o Filho de Deus.

Por isso do mesmo modo, de quanto bem crês que o Sacerdote prive o mundo, com a abolição de um só Sacrifício? Direi uma só vez: do Filho de Deus. O que procuras a mais? O que dizemos? Talvez existe algo de pior?

Queira Deus, que isto não seja mais condenável do que as outras! Deus distancie um tão grande mal! E eu invoco como testemunha vós, Cristos do Senhor, invoco como testemunha Jesus Cristo: vós mesmos, se quereis, saibais, podeis afastar de vós com pouco (esforço) um mal tão grande; com um mínimo esforço, digo, e com máxima honra, valor, mérito. E isso através do Saltério de Jesus e de Maria: isso salmodiais, isso predicais. No final daquela Saudação Angélica, também vós todos devotos vos fechareis com os desejos e as almas na fortaleza Angélica, com esta palavra “Fruto”.

O Fruto do Santo Sacerdócio! O Fruto do Santo Saltério! Mas em ambos é o mesmo Deus (que opera) plenamente e completamente.

EXEMPLO

A nossa Brabanzia nos deu como cidadão, um (grande) homem, (que) na vida Eclesiástica era um Canônico: ele era bem querido por todos, merecedor da pátria, venerável no aspecto, admirável de escutar. Ele já desde muito tempo era habituado a orar, a levar, a recomendar particularmente, e pregar publicamente e também a dar em doação a muitos um grande número de Saltérios. O que Deus o dava em troca? O que os restituía a Mãe de Deus?

Uma Coroa certamente no Céu, em favor de mil Salmodiantes, mas um milhão de vezes melhor de mil Coroas. Mas o que acontece aqui? Ele com a sua perseverança se orientou para as coisas extraordinárias pelo ardor do salmodiar, para todos foi por muito tempo um exemplo. Deus o fez ser visto por todos assiduamente e maravilhosamente, pelos justos e injustos.

Ele ajudou divinamente a muitos através do Saltério: Deus o chamou pela sua obra, e quis que realizasse milagres. Célebre por esta graça dos milagres, o homem Canônico se tornou incomparável, tanto que procurava a salvação dos corpos só com o seu contato, através do Saltério. E isto não se pode, nem se deve julgar de forma insinuante. O levava consigo frequentemente, tão abertamente, que sempre, regirava entre as mãos, como por jogo, o Saltério familiar; e, o entregando aos doentes, que ele visitava com prazer, afastava graves doenças, às vezes perigosas, às vezes duráveis.

Com o contato do Rosário curava pestes, frequentemente desesperadoras, vencia o calor maligno da febre, a expulsava com o contato da sua Coroa.

Tornou felizes as grávidas, que corriam o risco de um parto difícil, (curando-as) com uma gestação e um parto fácil: a devoção levada pelo Canônico foi de salvação seja ao parto, seja a mãe, e docemente liberou do cordão (os nascituros); colocou fim a fortes dores de dentes, aproximando as pedrinhas para orar o Saltério. Nesta hora o homem não tinha nenhuma confiança no seu mérito, mas tanta fé e reverência no Saltério pela força da saudação Angélica, pela assistência da Máxima Santa e de Deus em relação a tão grande favor e honra no orar a Santa devoção.

A Décima Segunda Excelência é o Poder Eclesiástico, que chamou de Jurisdição; por quanto essa seja Santa e proveniente de Deus, porém, não pode aspirar à Excelência do Poder Sacerdotal. De uma coisa se avalia a outra: não existe nada de mais alto ou de mais santo sobre a terra do que a superioridade do Sumo Pontificado; e depois de Cristo não existe nada de antecedente na Igreja Militante, em exclusão do único Poder do Sacerdócio.

A razão é clara: esta é inserida no verdadeiro Corpo de Cristo, o (poder) Pontifício (ao invés) no Corpo Místico, que é a Igreja; como também no mesmo Papa não existe nada de mais admirável, nada (porém é) mais potente do que o Sacerdócio. Porque então oh Sacerdote, disse Ugo, tu amarais o Pontificado? Esta é a espuma do Sacerdócio, para que este navegue à um passo mais alto das águas da vida, mas é mais vazio pelo valor e a mais baixa. Conhece então te, Cristo de Cristo, e dê honra ao teu Sacerdócio. Por isso retomas a estrada e a motivação do teu mesmo Cristo.

Este Esposo da igreja da onde veio? Do tálamo virginal do Ventre Bendito da Mãe, Maria. Para Ela foi aclamado: “Sejas bendito o Ventre que ti levou”. Porém esta foi a palavra de uma mulher anônima; recebi esta palavra do Arcanjo e de Santa Elisabete, ambas, sumamente do Espírito Santo. “Bendito o fruto do Teu Ventre”. Louvas a Benção do Ventre pelo Nascido e aclama a Mãe. E onde é mais agradável, mais Santo, mais salvador do que no Saltério da Saudação Angélica? Cantais o Saltérios, oh Sacerdotes e pregais Jesus e Maria.

EXEMPLO

O nosso Santo Alberto, Grande de nome e de fato, e tão maravilhosa, um tão grande homem, que Alessandro o Macedônio, Gneo Pompeu Romano, etc. devem ser chamados pequenos no seu confronto, doutor onisciente, dentro da limitada condição humana, certamente como um Varro ou Górgias de Lentinos cristãos; direi quase, como um segundo Trismegisto.

Em testemunho falam os volumes, seja grandíssimos, quanto numerosos, escritos por ele. Verdadeiramente nessa justa estrada e nessa medida, se levantou uma extraordinária e indiscutivelmente incomparável ciência de todas as (disciplinas)! Abriu, digo, a sua boca, e pediu à Deus que ele desse a Sabedoria. Da infância amou e louvou a Mãe da Divina Sabedoria. Pediu estas coisas com as orações, como Salomão orou por ele mesmo o Céu; e obteve para ele uma tão grande graça. Isto que ele às vezes recordou na idade já dirigida ao declínio, e ao fim da (sua) corrida, com igual gratidão e simplicidade de uma alma pia. Perguntas: com que tipo de observação e de fé, ele foi capaz de obter tanta (abundância) diante da tão grande Advogada junto à Deus? O direi com uma palavra: por mérito do Saltério. E com verdade e razão! A Santíssima Virgem viu na alma, qual e tão grande o apoio teria nele, e proveu. Certamente ele desde o primeiro germinar da juventude, envolvido no amor pela Mãe de Deus, foi um servo devoto, submetido ao Culto da Virgem. Devoto desde muito jovem à Religião, desde os seus tenros anos, não pronunciava ainda os primeiro rudimentos das letras, e porém se dedicava as orações da Mãe de Deus, não entendendo que pudesse existir uma prática de orar numa outra forma e maneira, diferente daquela popular e fácil do Saltério, aquele renovado no tempo, através de São Domingo. O jovem Alberto repetia o Pai Nosso do Senhor e a Ave Maria Angélica. Por isso mereceu, depois dos dezesseis anos, de ver a visão da Senhora Maria, a qual o mostrou a estrada para a sua Ordem dos Pregadores, e a abriu. Uma outra vez, a mesma honra o jovem Religioso, com a admissão de ouvinte de Filosofia, mas (sendo) bastante lento mentalmente, também o infundiu com um milagre, e o levanta a tal ponto na ciência, que o mundo e cada idade não o podem sustentar o quanto basta. Visto que nele brilhava imensa, a indubitável graça de Deus.

Preocupando-se, se podia ser complementada uma ciência tão nova; por isso Alberto se media em segredo com as suas forças, e se servia manifestamente do dom da Mãe de Deus.

O tomou mentalmente, porém, um medo: que um dia ele esquecesse de si, abusasse da sua inteligência e passeando acima das coisas maravilhosas, as perdesse mais do que as tivesse conhecido. Temia que, através dos mistérios da Natureza, a profundidade da Filosofia, a sublimidade da Teologia, o aprofundamento da Sagrada Escritura, os íntimos mistérios, se embatessem sem aviso em algum escolho falso que o pegasse, e o erro do Doutor, se tornasse pior à precedente obtusidade do Discípulo. Por isso esta única preocupação a mais que o queima e o aflige a alma. Ele com as suas habituais orações pede a Advogada: Senhora, que o deu a ciência, e a dirigiu também; que a Mestra da verdade, ajudasse à ele que corria entre as regiões dos erros. E não diminuíram as orações, e na medida que o filho se servia da Saudação da Mãe, experimentou muito cedo, que a Mãe de Deus é próxima àqueles que oram e suplicam por ela, se dignando de escutar e de responder à ele, que a saúda. Oh filho, tenha o Temor: não querer conhecer as coisas mais altas! Coragem, santo quem é sempre temeroso! O Temor do Senhor será para ti o princípio de uma sabedoria muito mais profunda.

Assim ordeno e prometo aquilo que tu esperas. Em um campo seguro, com o pé sem tropeços, chegarás para mim à essência de todas as coisas e da sabedoria; e uma luz muito grande do teu exemplo luminoso, deixarás atrás de ti. Por isso não será dado ao mundo nenhum erro, mas será erradicado cada um desses. Está aqui a prova. Como no inicio dos teus estudos, através de mim, Deus concedeu a ti a ciência de todas as coisas, assim também um dia, de forma improvisada acontecerá o esquecimento desta.

Certamente, quando estará próximo da morte. Disse e se distanciou. Mas ele benzeu com mais fervor no Saltério, a Virgem e o Filho da Virgem.

Assim iniciou a narrar num livro magnífico, como viu e sentiu a Mãe de Deus, num estilo indescritível! O quis intitular: os Louvores da Santíssima Virgem Maria. E assim aconteceu que do grande Mestre ao maior Discípulo, São Tomas de Aquino, como por parte de Eliseu, o Espírito de Sabedoria passou duplicado, ambos em mérito do Saltério.

A Décima Terceira Excelência, o Poder Político é submisso aquele Sacerdote. De fato (o Poder Político) nos Reis, digo, e nos Poderosos, é terreno, breve, soberbo, violento, frequentemente cruento, porém dessa mesma, enquanto proveniente de Deus, é justa. Ao invés (o Poder Político) do Céu é celeste, sacro santo, santificante, e reina sobre tudo, também sobre as almas. De fato, os Sacerdotes no Batismo se tornam Pais; na Eucaristia, Curadores; na Penitência, juízes benignos e médicos salvadores; na Extrema Unção, defensores e consoladores; no Matrimônio, senadores e garantes dos acordos; na Confirmação, general; na Ordem, Anjos de Deus; na pregação, apóstolos, doutores, pastores, etc. Porque então temeis aquele à qual foi o Poder como papas, imperadores, reis, porque indignos, e não conservais a estabilidade do Sacerdote? Porque inverter a Ordem Divina, e, junto ao poder, submeter a divina dignidade àquela humana. Se procurais a causa, é esta: os vossos pecados vos enfraquecem, a má consciência vos leva à ruína.

Vós vos distanciais primeiramente de vós mesmos, e vos entregais ao Poder profano, vós, traidores de vós mesmos, ou vos tornais aduladores das coisas seculares, profanadores daquelas coisas sagradas e Judas, traidor de Cristo. Em consequência, como é o povo, assim é o Sacerdote. Visto que não acreditais em Cristo, ele dirá: “Não vos conheço, vão embora, malditos”. Vos peço, afrontais estes males tão grandes, correis ao vosso Castelo Mariano, na Cidade colocada acima do monte, que a Sacro santa Trindade edificou, que o Arcanjo na Saudação consagrou, que Maria possui, dito “Teu”. E esse direito particular da Mãe de Deus, Senhora dos Senhores, ensina que pertence a ela todas as coisas Divinas e humanas, do momento que deu junto com o único (Cristo), todas as coisas. Ela tem ao seu querer Aquele no qual, através do qual, e pelo qual subsistem todas as coisas. Esta declaração da posse, visto que acontece na Saudação Angélica, e os Sacerdotes são Anjos de Deus, salmodiais por isso a Deus no Saltério de Jesus e de Maria, salmodiais com sabedoria e predicais o Evangelho, anunciado pelo Anjo e custodiado no Saltério.

EXEMPLO

Quando São Francisco Fundador, e Patriarca da Ordem Seráfica, mandou os seus frades pelo mundo a pregar o Evangelho de Deus, um tal mandado nas regiões da Alemanha, induzia a repetir todos juntos, o início (da Saudação) igualmente com o Arcanjo da Anunciação. Sem dúvidas, como São Domingos se submeteu a Deus na parte em que foi pregar, São Francisco veio, como caído do céu e, tendo conseguido o único espírito em encontros alternáveis, percorreu o mundo em um ritmo igual, assim também os Frades de um e outro naqueles inícios, pregando o mesmo Evangelho, e louvando Maria, Mãe do Evangelho, avançam nos mesmos vestígios da Santa Anunciação. Por isso aquele Frade (Francisco), inspirado por um espírito semelhante, com as suas pregações levou para a Alemanha aconselhando à Saudação de Maria. Neste modo e com esta atenção de difundi-la, fez largo fruto das almas, e, visto que a estrada e os fatos de quem ensinava, correspondia as palavras da doutrina, suscitava nas almas de todos uma forte opinião de santidade, a ponto de ser considerado como um verdadeiro Apóstolo de Cristo.

A Décima Quarta Excelência, o maravilhoso Poder das Santas relíquias, se manifestou e hoje se mostra pelo mundo, para que, graças a esses, se possa difundir, muito justamente, o débito obséquio à Santa Religião.

Quais e quantos prodígios Deus realizou sobre a terra, através desta? Não só, mas estes também devem ser conservados pela grandiosidade do milagre. Como (por exemplo) o Sangue do Senhor guardado, a Cruz, os pregos, a lança de Cristo, e a túnica sem costuras, os ossos sagrados dos apóstolos e os inumeráveis Mártires, dos Confessores e das Santas Virgens.

O que todo o Sacerdócio deve proteger? A Cruz que sustenta ele morto, e o sepulcro que o guardou. O Sacerdote conserva o Salvador vivo e glorioso.

Porque me alongar? Não existe Poder sobre a terra que possa ser comparado àquele dos Sacerdotes de Cristo, porque estes se tornaram fortes em Cristo. Por isso para que guardem para Ele a sua força, ocorre que habitem o Castelo deles, dito “Jesus”, colocado sobre o altíssimo monte do Saltério: o preguem e o conservem.

EXEMPLO

É celebrado na Toscana, com muito louvor e fama de santidade, um Bispo; porque nas assembleias falava ao seu rebanho não só de modo ordinário, mas também muito assíduo e fervoroso com grande doutrina. Era preparado em cada tipo de argumento, e verdadeiramente exercitado e extraordinário e pregava quase somente sobre o Saltério de Jesus e de Maria. E visto que não incitava os outros numerosos Sacerdotes, com o exemplo, ao ato de aconselhar o Saltério começou a usar a autoridade.

Portanto por autoridade Episcopal, com um edito, obrigou todos os Pastores de almas da sua Diocese a pregar o Saltério com sanções ameaçadas e infligidas, até àqueles mais rebeldes. E a estrada se construiu com a força. Só desta maneira de orar tão saudável chegou à consciência do povo devoto, esse abriu a estrada à prática; ao invés a graça de Deus tornou pronta a vontade daqueles que eram obrigados a pregar, e distanciada a neblina da ignorância, o raio mais sereno da graça inspirou também os mais decididos a se aplicarem com as mãos e as almas a pregar o Saltério. E em breve tempo a rapidez da renovação compensou o atraso do inicio. Assim a maior parte das pessoas começou a ter costumes mais mornos, a serem súditos mais obedientes aos Magistrados, e subitamente a mudar-se em outros homens. Para que cada um tivesse a certeza e a evidência que (no Saltério) era presente o Dedo de Deus, e a Força do Altíssimo o cobria com a (sua) sombra. Este que, a glória de Deus, pelo socorro da Mãe de Deus e pelo mérito do Saltério, todos levavam agradavelmente. Também Deus, visto que agradava a devoção do povo e o zelo das orações do Saltério, realizou logo depois milagres. Ele ornou o Bispo, Sacro Chefe daquela Igreja e autor da renovação no modo de orar da antiga Religiosidade, com a honra não só de um importante milagre, mas também de uma maravilha incomparável. De fato, na sagrada Festa solene da Purificação da benigna Virgem Maria, enquanto o Santo Sacerdote, diante da Tribuna, orando à Rainha dos Santos com dignos louvores, junto à lotada assembleia, guiava e inflamava os ouvintes à uma mais ardente veneração desta, dizia muitas palavras de grandíssimo valor para recomendar o Saltério, tanto que tinha ao mesmo tempo a alma de todos raptada pela admiração e a veneração Dela. E visto que Deus estava no fervor de quem falava e de quem escutava, se manifestou abertamente: a Mãe de Deus foi vista ao lado do seu divulgador sobre a mesma cátedra e sugeria cada palavras que dizia. E foi vista pela maior parte dos presentes, que dava enfim um doce beijo sobre o rosto muito sereno também ao seu Bispo, que pronunciava o discurso, junto os dava a benção, que banhou com a água celeste da compunção junto à todo o povo, que escutava e era espectador de tão grandes coisas, e todos os celebravam com uma só voz, visto que, nenhum dos presentes nunca recordava de ter visto algo tão grande, ou escutado um choro público de verdadeiro arrependimento comum a todos.

A Décima Quinta Excelência, a Gloriosa Dignidade dos Santos, exulta com a visão, com o gozar e a com a compreensão de Deus: e estas riquezas de Deus emanam a beatitude, porém, essas não conferem, não dão o mesmo (Deus) que beatifica, como (ao invés o dano) os Sacerdotes. Visto que é mais feliz dar, do que receber: não pode não ser uma coisa felicíssima, dar Àquele que dá a felicidade: esta (felicidade) os Sacerdotes levam com a Palavra. O Presbítero dá sempre aquilo que a Virgem deu uma só vez ao mundo, mesmo que em outro mundo. Ora, se a glória segue como companheira uma justa Soberania, é necessário que a glória da dignidade seja igual ao divino Poder dos Sacerdotes. Quanto maior então é o Poder dos Sacerdotes no dar o Redentor, do que o os Santos no gozar, é justo também que quanto mais alto aconteça mais corresponda a glória por essa.

Por isso disse Santo Agostinho, O tornaste participante da tua Soberania, para que sejam quase Deuses sobre a terra. Por isso tanto Poder e tanta Dignidade emanam para os Cristos do Senhor da Unção Sagrada e pela imposição das mãos, primeiramente e mais será conveniente e ocorrerá repetir na Saudação Angélica aquele “Christus” e saudar o seu Sumo Sacerdote e a mesma Sagrada Ordem dos Sacerdotes? Por isso com mais força, oh Sacerdotes, recitais o Saltério e o pregais. E para resumir em uma as coisas ditas antes mesmo que as tipicidades fossem colocadas nas quinze comparações sejam superiores pelo Mérito, os Sacerdotes, porém são superiores pelo divino Poder: a Mãe de Deus deu a existência vital para Cristo, ao invés os Sacerdotes os dão a existência transubstancial. E isto é um breve compêndio.

EXEMPLO

Viveu na Lombardia um sacerdote eremita, admirável pela excepcional devoção à Mãe de Deus e ao Culto do Saltério, que de forma importante enobreceu uma vida solitária e ascética, com muita austeridade, disciplina e fama de santidade. O mesmo aspecto venerado e a particularidade do exemplo precioso, a graça das suas obras admiráveis, a força das exortações de doutrina e o favorecimento que os estrangeiros costumam receber dele, o tornavam largamente célebre a fama do homem que, pelo afluxo de homens vindos de todas as partes, pareceu que o ermo se transformasse num anfiteatro de comércio e entretenimento, para sua grande insatisfação e tormento. Depois de ter cumprido os solenes deveres do Sacerdócio, segundo o devido Culto, a parte que restou (do dia) era dedicada as suas santas rezas, e se dedicava com todo o espírito ao Saltério de Jesus e Maria, seja o acompanhando com a oração vocal, seja atenuando com a contemplação mental, as coisas que os tinham agradado. E assim o cantava dentro de si, também em companhia da Santa. Em público, era visitado por alguns que procuravam conforto, pediam conselho ou pediam ajuda espiritual; ele costumava os incitar ao Culto da Mãe de Deus e a prática do Saltério, e a iniciar o cumprir na forma devida. Se as vezes chegava uma multidão mais numerosa, então aproveitava daquela presença costumeira para orar, depois de ter escolhido uma oração, com muita eloquência e zelo, com uma importante doutrina e um discurso memorável, a Dignidade, a Utilidade, a Necessidade e a Facilidade do Saltério. O demônio viu o fruto das almas e o invejou.

1. Por isso tremendo e rangendo os dentes, se excitou e reagiu com fúria, trazendo mil artifícios e fraudes, escondidas e abertamente, perturbando tudo, e tenazmente, por longo tempo, agredindo o santo, junto à rocha, com coisas impensáveis e terrificantes.

2. E visto que, com golpes cruéis, agrediu também o ar. Frequentemente o atacava com monstros enormes, o assustava subitamente com quatro imagens indescritíveis, uma visão fantasmagórica: Satanás, enquanto ele tem como objetivo as coisas divinas, o belisca, o impulsiona, o gira e abertamente o trata mal.

3. Já os terremotos faziam tremer tudo, os trovões soavam, os raios resplandeciam; parecia que todas as coisas em volta se movessem.

4. Às vezes acreditava que a sua cela monástica estivesse em meio à chamas crepitantes e que uma esfera de fogo espalhasse o incêndio pelo ar: quando todas as faculdades humanas estavam sem esperança, gritava: “Ajuda-me, oh Virgem Maria”. E não foi em vão. A invocada escutou e se tornou visível, oferecendo com a famosa mão o Saltério: colocando diante das imagens das chamas, estas desapareceram e os demônios com um imenso grito fugiram confusos.

5. Outra vez, por exemplo, com a permissão de Deus, com uma atroz ruptura dos reinos, recebida por truculentos espíritos jazia, contudo, com o corpo todo desfigurado e moribundo com contusões e sangue, a Mãe da Vida, intervindo quase em meio à morte, curou completamente a falta de forças do corpo, depois de tê-lo dado de beber, não espiritualmente, o leite virginal dos seus seios.

6. E quando a pequena cela do Santo foi colocada pelo avesso desde os seus fundamentos e dispersa pelo horrível furor dos demônios que se lançavam, a mesma protetora Maria, em breve tempo, tirou do fundo a cela e a colocou no seu lugar. E são estas coisas no Saltério de Maria, que é formado de cento e cinquenta Saudações Angélicas, com quinze meditações sobre o sacerdócio, a ser lembrado utilmente em vantagem deste; convém que os Sacerdotes se sirvam familiarmente deste, para proteger a Excelência deles do Poder Sacerdotal; e (se serviam) também os leigos, para honrar dignamente um tão grande Poder, concedido aos homens na terra.

 

Sobre o Saltério Sacerdotal de Jesus Cristo

Este é composto por cento e cinquenta Orações do Senhor, pelo Símbolo dos Apóstolos e por quinze Saudações Angélicas alternadas, ou seja, após cada dezena, é possível adicionar e meditar as quinze Excelências Sacerdotais, já ditas, em precedência. A sua Esposa Maria aquele mesmo Novo Esposo revelou na mesma aparição, como se pode recordar e derivar aquelas mesmas, seja da Oração do Senhor quanto da Saudação.

Décadas do PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

1. Os Sacerdotes receberam a Soberania do Pai da estrela “Pai nosso”. Assim o Filho mereceu, e todas as coisas, diz que tem o Pai, as deu a mim e são minhas, eu as entreguei a vós, e vos envio, como o meu Pai me enviou.

2. Também os filhos receberam o poder de sacrificar por parte da estrela “O que és”. Diz de fato, Eu e o Pai somos Um em essência.

3. Tem o Poder do Espírito Santo, da estrela “Nos Céus”. De fato o Espírito Santo na consagração deu junto ao caráter. E este é quase o terceiro Céu da Santíssima Trindade.

4. Receberam o Poder da Humanidade de Cristo da Estrela “Seja Santificado”. Esta é a Santa dos Santos, da qual se difunde toda a Santidade no Corpo da Igreja.

5. Receberam o Poder da Santíssima Virgem Maria da estrela “O Teu Nome”. Este (Nome) a santificou e glorificou, a transportando sobre todos os Anjos.

Décadas do SEGUNDO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

6. Receberam o Poder Angélico das Fontes “Venha a nós o vosso Reino”, ou seja, aquele (Reino) dos Anjos.

7. Receberam o (Poder) Patriarcal da Fonte “Seja feita a sua vontade”, que foi prescrita e estabelecida na lei natural e de Moisés; na verdade sob os Sacerdotes Excelentes.

8. O (Poder) Apostólico, da Fontes “Como no Céu”. De fato os Apóstolos estão como o Céu, diz Agostinho.

9. O (Poder) Santo dos Santos, da Fonte “Assim na terra”. Terra muito trabalhada por Deus, campos e vinhas foram os Santos; Cristo é o seu Colono.

10. Receberam o Poder Sacro das coisas Religiosas da Fonte “O Pão nosso de cada dia”, do qual se nutrem principalmente os Religiosos.

Décadas do TERCEIRO GRUPO DE CINQUENTA.

11. Os Sacerdotes receberam um Poder mais alto dos Milagres, da Fortaleza “Nos dai hoje”. Só Deus dá coisas tão grandes.

12. Receberam (um Poder) maior daquele Eclesiástico, da Fortaleza “Perdoais as nossas ofensas”. Os Sacerdotes também, podem isso, por Deus.

13. O (Poder) Político, da Fortaleza “Como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Isto que pertence aos homens é também necessário.

14. (O Poder) das Relíquias, da Fortaleza “E não nos deixeis cair em tentação”. Os Sacerdotes de fato liberam do pecado.

Além do mais, o Primeiro Grupo de Orações foi ordenado de acordo com os Dez Mandamentos de Deus.

O Segundo Grupo de Orações de acordo com as sete Virtudes Morais e as três Teologais.

O Terceiro de acordo com os sete dons do Espírito Santo e as três partes da Penitência.

Com este fim e intenção: porque com o favor de Deus, o socorro de Maria e o mérito do Saltério se pedem estes bens e fogem os males contrários, atrás da oração.

A Escada da religião do Santo Mestre ALANO, a um tal Certosino na casa da Lei de Maria.

Sabereis, caríssimos Irmãos, que cada Religioso tem cinco Degraus, com o qual disponha no seu coração a ascensão ao Céu. E estes são divisíveis em três partes, como as três partes do Saltério de Jesus e de Maria: assim analogamente, também as nossas orações se tornam relevantes junto de Deus.

Os Degraus do PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES são os fundamentos da Sagrada Religião:

1. A humilde obediência: “Ave”.

2. A pura continência: “Maria”.

3. A pobreza voluntária: “Graças”.

4. A observação perfeita da regra: “Cheia”.

5. A diligência exultante e laboriosa: “O Senhor é convosco”. Servir Deus assim é reinar.

Os Degraus do SEGUNDO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES são coisas peculiares da Religião. Estes são:

6. A oração intensa e atenta: “Bendita”.

7. A ocupação devota e sagrada: “Vós”. Aplicando-se com zelo se demonstra qualquer coisa.

8. A Compaixão com Cristo sofredor: “Entre as Mulheres”. Maria de fato sofreu ao lado do Filho, (penas) atrozes.

9. A Edificação pelo próximo: “E Bendito”.

10. O caro nas coisas Divinas: “Fruto”. De fato aquele é também o saborear das coisas divinas.

Os Degraus do TERCEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES são as coisas acessórias da Religião. (Estas são:)

11. O degrau do Discernimento, nas aflições corporais, no jejum, na vigília, etc.: “do Ventre”. Devemos a necessidade à natureza.

12. A Custódia dos sentidos: “do Vosso”, para que tu permaneças teu a ti mesmo, e os sentidos não saqueiem a alma.

13. O Silêncio, “Jesus”: que na Paixão emudeceu como um cordeiro.

14. A Comunidade em consequência. “Cristo”, que era submisso aos seus pais.

15. O Louvor, a Honra e a Glória de Deus, ao qual o Religioso reconduz todas as coisas pensadas, ditas e feitas. Amém, ou seja, seja feito. Medite essas coisas, caríssimo, ora, e exorta os outros ao Saltério.

Li que no lugar de uma Certosa junto à Ludonio na Ânglia, o Senhor Jesus Cristo se tenha dignado a se revelar ao devoto; e agora sei, que ao mesmo tempo em três (pessoas) diferentes, que passam a noite em oração, no único e mesmo tempo, foi revelada a mesma coisa por parte de São João Evangelista, Protetor da Maria Virgem, e que aquela Revelação é muito verdadeira. Logo esta é assim:

1. Cada um recite plenamente em honra do Precioso Sangue derramado pelo Senhor, cada dia por quinze anos, quinze Pai Nossos e outras Ave Marias; transcorreu o período, em que teria completado os quinze anos, que é (equivalente) as gotas derramadas do Sangue do Senhor, e terá saudado cada uma no modo devido, com o Culto Religioso agradável a Deus e à Mãe de Deus.

2. Ao mesmo tempo também (se, porém foi imune de culpa mortal), poderá obter de Deus as cinco especiais graças:

I. A salvação de três almas de seus parentes, que morreram naquele ano; sendo Deus misericordioso com aqueles, em mérito das orações, santamente oferecidas ao Sangue derramado pelo Redentor.

II. Merecerá por si, pelos Méritos do Sangue do Senhor, de não dar a alma e de não cair em desgraça antes, mesmo com cada marca de pecado, o qual tinha saído da fonte batismal, possa ser apresentado à Cristo Juiz, e ser inscrito às exultações dos Espíritos Santos.

III. A mesma coisa vira também na parte dos méritos e na sorte da glória, que é a pequena coroa de louro dos Mártires, como se tivesse derramado o seu Sangue pelo sofrimento de Cristo , e da comunicação por mérito da Paixão.

IV. Igualmente as almas dos defuntos, que ele tinha querido que viessem na sociedade do Mérito, das Orações ditas e sufrágio; Deus, sendo misericordioso, será capaz de levar no santo descanso, as mesmas (almas) tiradas das penas do Purgatório.

V. Quem iniciar as ditas Orações com o seguro e certo propósito de continuar pelos mesmos quinze anos, e acontecer de, no primeiro ano, ou em outro, ou em um mês qualquer, de ser raptado pela morte, obterá as graças acima ditas não menos do que se as tivesse obtidas, pelo desejo da obra empreendida e por ter encaminhado para o completar.

3. Ora o Irmão, amante e zelador do teu Santíssimo Nome do Rosário, escute os Louvores, oh Maria.

1. O Céu goza, toda a terra permanece surpresa;

2. Satanás foge, treme o Inferno;

3. O mundo perde o valor, o coração se derrete de amor; Quando digo

4. A torpeza desaparece, a carne enfraquece; AVE MARIA

5. Se distancia a tristeza, vem a nova alegria;

6. Cresce a devoção, nasce o arrependimento;

7. Cresce a esperança, aumenta a consolação;

8. A alma se reforça e se consola o sentimento.

Se é tão grande a suavidade desta Bendita Saudação, de não poder se explicar com palavras humanas, mas permanece sempre mais alta e mais profunda, de quanto cada criatura possa provar. Esta é a Oração da Saudação. Pequena pelas palavras, grande pelos mistérios; breves pelo discurso, alta por virtude. Doce mais do que o mel, mais preciosa do que o ouro; se deve sempre remastigar com a boca do coração e repetir frequentemente com lábios puros. É tecida por poucas palavras e se difunde numa larga torrente de celeste suavidade.

Décadas do Primeiro Saltério e do PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

1. Os Religiosos são mortos no mundo e acompanham os Anjos no Céu.

2. Pelas obras devotas dos Religiosos, a força é colocada dentro da Profissão (Religiosa) e do estado (de vida), como (se se tratasse) de uma obra realizada (por Deus): através da qual se torna um holocausto vivo em Deus e superam quase ao infinito os outros que vivem fora da religião.

3. Por isso mais digno e mais perfeito é o estado (de vida), porque terá fugido aos grande defeitos do mundo, terá apostrofado a corrupção das Virtudes. Porém para a consideração à Ordem Eclesiástica, voluntariamente gozam em se colocar depois da Eminência Episcopal.

4. Quando vacilam por fragilidade, pecam menos do que os Seculares.

5. Vivem mais puramente, ficam em pé de forma mais segura, caem mais raramente, ressurgem mais cedo, operam mais corajosamente.

Décadas do SEGUNDO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES.

6. O Mérito do religioso supera em muito o Mérito do Secular, no jejum, quanto na ação da obra realizada, supera também (a ação) daquele que realiza a obra.

7. Dos filhos (que vivem) na religião, chega aos pais um bem mais alto, do que aquele que eles levantaram ao cetro Real, visto que são prometidos Esposos em Cristo e em Maria.

8. Os genitores chegam à uma participação igual dos méritos da mesma Religião: e precedem os outros na gloria celeste.

9. Um só, voltado à Religião, pode superar muitos séculos, voltados aos bons frutos.

10. Os Religiosos podem ter sede entre os Serafins no Céu, porque aqui são vividos em estado de perfeita Caridade.

Décadas do TERCEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES.

11. A Dignidade Real deles permanece no Céu, porque Santos os pobres em Espírito, porque destes é o Reino dos Céus.

12. Serão juízes do mundo, assim digo a vós, porque vós, que tens deixado tudo e tens me seguido, sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.

13. Para os Religiosos o mundo foi crucificado, e estes para o mundo, assim será dado a eles com Cristo a pequena Coroa de louros.

14. São mais gloriosos do Sepulcro de Cristo: de fato estes o contêm vivo, enquanto aquele o conservava morto, durante o tríduo.

15. São mais dignos da Estala natal do Senhor, quanto o homem é melhor de uma coisa inanimada e nada (é melhor) desse.

 

11. DO SEGUNDO SALTÉRIO

Dezenas do Primeiro Grupo de cinquenta Orações.

1. A Religião na Igreja é a delícia de Cristo.

2. A Religião supera todas as ciências criadas, porque é a escola de todas as Virtudes.

3. É maior do que a ciência da Sagrada Escritura; porque é a Sabedoria de Deus nas almas dos vivos, não na letra morta.

4. A Religião é quase um segundo Batismo, porque com a primeira entrada acontece a remissão da culpa e da pena.

5. A Religião é mais digna do Paraíso Terrestre.

Dezenas do Segundo Grupo de cinquenta Orações.

6. É mais digna de todo o mundo, porque graças a Deus por essa o mundo é vivo e dura muito tempo.

7. É mais digna das Relíquias dos Santos, até que fará as outras, enquanto institui os Santos da Igreja.

8. É maior do que o dom dos milagres: este de fato (aperfeiçoa) o corpo, aquela aperfeiçoa a alma, e justifica através de Cristo.

9. É mais digna do Império e dos Reinos, quanto a alma (é mais digna) do Corpo.

10. A Religião é a Esposa especial de Cristo.

 

Dezenas do Terceiro Grupo de Orações.

11. É mais digna do que o dom das administrações.

12. O Poder de criar é grande: maior (é aquele) de justificar através de Cristo; mas esta é (própria) da Religião.

13. É mais digna de todas as honras do mundo, visto que é mãe da verdadeira e eterna Honra.

14. A Religião é a parte mais digna da terra, desde quando mora, se bem aquela terra derive de sete Fontes:

I. Da água viva.

II. Do vinho

III. Do leite.

IV. Do óleo.

V. Do bálsamo.

VI. Da medicina.

VII. Dos antídotos e das pedras preciosas.

16. A Religião é a Cidade de Deus, o Castelo do Poder Divino, a Escola de Salvação, a Fonte da Bondade eterna. Assim a Gloriosa Virgem Maria revelou a um Religioso, seu Novo Esposo.

Este é o tríplice, e próprio de cada grupo de cinquenta Orações no Saltério

O Primeiro Grupo de Cinquenta Orações, é relativo seja à Oração vocal, seja a Meditação sobre a Encarnação de Cristo, e isto pela aplicação dos sentidos, nas partes daquele Mistério. Estes são: Anunciação ou Concepção, Visita a Santa Isabel, Natal, Circuncisão, Apresentação, Fuga no Egito, Retorno à esse, Renovação no Templo, Submissão de Cristo aos pais.

Destes cinco Mistérios escolhidos ao prazer de cada um, se reza cada década, representando um com a mente, para os méritos do qual, a intenção devota de quem ora e oferece à Deus Trino; tendo como Advogada a ilustre Virgem Mãe de Deus, no Saltério do Primeiro Grupo de cinquenta Orações, entre as orações, louvores, agradecimentos, e Saudações repetidas, e fundadas sobre aquela meditação e intenção. E esta é como se animasse então desde dentro a mesma Oração vocal, e de fora as suscitasse viva luz, como uma vela acesa ilumina quem senta nas sombras e as quais luz cumpre as suas ações mais justamente. Mas também em um só Mistério (daqueles) ditos, que se está para orar no Saltério, se coloque diante da mente duas pessoas, a Mãe de Deus com menino Jesus. Onde será lícito exercitar devotamente a aplicação dos sentidos, (se faça) de forma que a Mãe de Deus seja apresentada da cabeça até ao calcanhar, e se pronuncia uma Ave Maria para cada uma das partes dele, por exemplo:

1. À Cabeça dela, que inclinou ao Filho, em tua vantagem.

2. Aos olhos que, ou olhavam plenamente à criança, ou amavelmente lacrimavam.

3. À boca, que beijava o menino Jesus.

4. Às bochechas, apoiando naquelas do menino.

5. Aos lábios e a língua, que louvavam Jesus.

6. Às orelhas, que escutavam a sua voz.

7. Aos seios, que o amamentavam.

8. Aos braços, que o levavam.

9. À barriga que esquentava Jesus.

10. Ao coração, que o amava vivamente.

11. Ao ventre, que o gerava.

12. Aos joelhos, que o mesmo adorava.

13. Aos pés, que corriam para ele.

14. Às mãos, que o serviam.

15. A todo o corpo, que se dedicava à criança.

À esta aplicação, serviria muito, ter uma imagem pintada ou esculpida da Mãe de Deus com o Menino no ventre, ou se queres, pintada ou esculpida, colocada diante dos olhos; e mais será bonita, mais seda adaptada ao sentimento. Onde, o pequeno Jesus entre os braços da Mãe será semelhante a um livro; os membros do mesmo, como as folhas do divino livro, nos quais a alma atenta e fixa daquele que ora, escorra aquelas coisas a serem meditadas com o coração e oradas com a boca. Como as coisas passadas, também as coisas celestes se mostram presentes. Igualmente, também os membros do menino podem ser considerados e adorados no Saltério de Cristo.

 

O Segundo Grupo de cinquenta Orações se orienta para a Paixão de Cristo a Oração, seja vocal, seja mental, conduzindo à uma e à outra em cada década através:

1. A oração, a agonia e a prisão de Cristo na bosque.

2. A flagelação.

3. A coroação (de espinhos).

4. O carregamento da Cruz.

5. A Crucificação, com a aplicação dos sentidos as coisas e as partes particulares de Cristo que sofre; como foi escrito antes, por exemplo, os cabelos do Senhor e a barba brutalmente arrancada, os olhos, as orelhas, o vulto, e toda a cabeça, as bochechas, a língua, as costas, os braços, a coluna, o peito, as mãos, os joelhos, os pés, coisas todas tratadas indignamente; como sentado, ajoelhado, deitado; como no movimento de se avançar com o ser arrastado, empurrado, levado com fúria, feito virar, etc.

Entre estas e outras coisas semelhantes, com a alma tensa, a voz recita as Saudações no Saltério Mariano, e as Orações do Senhor no (Saltério) do Senhor; a devoção salmodia com o Espírito; a alma salmodia com o Espírito e a boca, orientando em relação à Cristo a Cetra* de dez cordas do verdadeiro Davi: honra e coroa os particulares membros do Senhor, no modo devido, adapto a todos, pelos quais é tão fácil e saudável aos cristãos, quanto digno e agradável a Deus. Aqui as imagens de Cristo sofredor servem muitíssimo, sobretudo ao povo mais inesperado; ao invés, também os mais inteligentes, os quais descobriram muito distintamente a grandeza de Cristo presente nas imagens, assim consideradas e honradas.

* antigo instrumento musical de cordas, parecido com a lira.

Por isso foram feitos por Deus muitos milagres como se os Santos, ou mesmo Deus, se encontrassem numa alma, coisas tão grandes poderia (obter) a fé, se subisse diante das coisas visíveis e aquelas invisíveis de Deus, e as conhecesse: assim como nas coisas naturais (Deus) está presente de forma natural, assim se vê de modo sobrenatural nas coisas Eclesiásticas.

 

O Terceiro Grupo de cinquenta orações ora, pela Gloriosa Ressurreição de Cristo, cada década com o coração e com a palavra; como acima, as partes a serem consideradas são somente estas:

1. O Mistério da Ressurreição.

2. Da Ascensão.

3. Da Descida do Espírito Santo.

4. Da assunção da Mãe de Deus no Céu e

5. Da Coroação.

Aqui, no Senhor glorioso, pode-se observar e ver, até onde é permitido, os dotes da glorificação na Alma os divinos atributos de Sabedoria, de Ciência, de Bondade, de Verdade, de Misericórdia, de Justiça, etc. A esses particulares corresponde uma Saudação Angélica, enquanto estas originalmente seriam colocadas como a mesma, pela participação dos mortais em Cristo. Aquelas coisas foram mostradas, não muito tempo atrás, a um novo Esposo de Maria, de forma divina, sob diversos aspectos e formas. Viu de fato Três Cidades maravilhosas. A primeira construída de ouro escolhido e de prata puríssima, e nessa (vos eram) aquelas coisas que são relativas a Infância de Cristo. A segunda, de pedras muito preciosas, mais altamente eminente da precedente, e nessa todas as coisas da Paixão, expressas por palavras e gestos, como se vissem chegar naquele momento.

A Terceira, era composta de Estrelas luminosas, colocadas em lugar altíssimo, na qual viam de longe as coisas divinas de Deus, e dos Celestes.

Entre a primeira destas, a segunda, e a terceira, (vos era) uma justa distância, através de altíssimos espaços, e através de Três Escadas: os Degraus de cada um destes eram cinquenta, e fragmentados em dez (degraus) por vez, tinham Castelos muito fortificados e escolhidos: cinco no número. Por estas Escadas e pelos seus Castelos, via que caminhavam para cima e para baixo incontáveis Anjos e Almas santas. E sendo ordenados por número e aproximação, o movimento produzia embaixo, no centro, no alto das Escadas e dos Castelos, uma indescritível melodia.

Enquanto estava raptado em ver e sentir, em meio a tais coisas, chegou a ele uma voz. Faças isso, tu salmodiando cada dia três Grupos de cinquenta Orações, e verdadeiramente também em ti acontecerá essa coisa: a nossa Companhia está nos Céus. E Santa Catarina de Siena rezou o Saltério, Santo Agostinho rezou, São Jerônimo repetiu assiduamente, Santo Ambrósio realizou, e assim também fez a maior parte dos Santos.

São, portanto, a Oração do Senhor e a Angélica Saudação, os dois Evangelhos, sempre pregados e à serem pregados por cada criatura nos grandes milagres. Estas coisas são como pedras preciosas, com as quais se edifica a Casa de Deus; são também os Vasos Sacros de Senhor, nos quais são oferecidos a Deus os sacrifícios devotos; são como as Armas de Josué, de Gedeão, de Sansão, de Davi, e de Josias, para debelar as partes adversas.

A misericordiosíssima Rainha do Céu, um dia, na oitava de todos os Santos, visitou com grande clemência o seu novo Esposo com delicadeza e o vulto sereno e leve até a maravilha, aparecendo a ele que percebia com os sentidos e permanecia acordado; na verdade era abatido por um grandíssimo trabalho da alma. Ele afligia-se intensamente porque, há muito tempo, era sem nenhum sabor e gosto, ao invés num triste tédio e em uma insípida aridez da alma tinha deixado decair ainda mais o dever cotidiano do Saltério, ao invés de absorvê-lo. Por isso a sua covardia acreditava que a sua obra não era capaz de chegar a ser agradável a Deus. Chegou ao artifício e a fraude maligna do enganador esperto, enquanto tinha envolvido ele em trevas escuras, tornando escura a alma com a sua malvadeza, o tendo colocado entre o martelo da covardia angustiante e a bigorna do árido tédio. Opresso por muito tempo interna e externamente, enfim, o tendo vencido como por uma flecha lançada, prostra-se meditando em fugir da Igreja; subitamente, aparecendo a Virgem de Deus, o mantém orientado a tais coisas, falando com ele. Onde (vão) os teus pés, oh filho? Não me escaparás assim. E a coisa dita permaneceu firme, e as plantas dos pés aderiram imóveis a terra, visto que de relaxado se tornou rígido. Mas aqui a surpresa da coragem oscilante era maior do que aquela do corpo: (se perguntava) se este era o verdadeiro vulto da Virgem, ou uma fantástica ilusão de Satanás. Senti a Mãe de Deus, também se de mim, disse, e das minhas jovens duvidas, marque a mim e a todas as Virgens em volta, com o sinal da Santa Cruz: se estamos da parte do maligno, fugiremos, ou então, mais intrepidamente restaremos, e mais luminosamente resplenderemos.

Dispôs-se em relação a quem aconselhava as coisas sábias, e feita a Cruz com o nome da Santíssima Trindade, correspondeu o resultado: contemporaneamente a ele retorna na alma a costumeira Virtude.

Então a Rainha perguntou: Por que, o Esposo, duvidou? Onde está a tua luz e a tua coragem de antes? Recorda.

1. A vida do homem é uma milícia acima da terra. Também meu Filho, tentado através de todas as coisas, foi encontrado agradecido. E tu, visto que és caro a Deus, foi necessário que a tentação te provasse. E agora o Senhor me mandou te curar. Nem mesmo eu vivi uma vida mortal imune da tentação. Ótimos e máximos são aqueles Santos, que foram muito provados pelas tentações. Tu então, mais armado de fé e de paciência, preparados para coisas mais fortes. Eu não te escolhi para que tu ti acalmes entre indolentes tédios, mas para que tu combatas fortes guerras na batalha, para que tu venças mais fortemente nas áridas empresas. Talvez assim cederás ao repugnante tédio e sucumbirás ao árido sentimento? Oh, habituado as coisas doces! Não te amarei assim! Te quero forte! Por isso esta tentação não é vinda a ti, sem mim; foi necessário que esta ti orientasse ao mérito da reparação e à virtude da paciência; ao invés, também usando esta retamente, podias levar luz e paz às almas do Purgatório. O que pensas, oh meu Esposo? Afrontarás a doença do corpo ou a fatiga? Não recordas que nada é de maior valor e prêmio, digno do amor de Deus, pela coroa do nosso Céu, seja por suportar o cansaço da alma, seja por superar a fraqueza? Isso que foi em ti, farás, e terás feito bastante abundantemente por Deus. De qualquer modo serás, árido e sem gosto, ou pleno, (isto provém) de Deus, exceto somente o dano mortal do pecado.

Aprende pelo exemplo:

1. Do mesmo valor é a medicina, seja que seja pega por um simples inexperiente que não a conhece, seja por um médico que a conhece.

2. Assim também a pedra preciosa (é do mesmo valor), seja se é levada pela mão de quem conhece o seu valor, seja por aquela de quem não a conhece.

3. Assim o fogo, as flores, o ouro, tem uma força de igual valor, se conheça ou não.

Assim também pela Oração, é seguro o seu valor e o seu prêmio, se emana de um sentimento do coração árido e gordo, mesmo que emita de uma alma valorosa, é levada por Deus. Não o sentimento ou gosto delicioso de quem ora obtém, mas um caráter valoroso e um espírito constante, igualmente na prospectiva e na dificuldade. Ao invés quanto mais as coisas (são) difíceis, (tanto mais são) bonitas: e a paciência goza das coisas difíceis. Assim uma devoção que luta se torna uma vencedora mais gloriosa. Da obra, a facilidade é pela graça, mas a dificuldade pela glória. Quanto mais goza de aridez impetuosa, também segurarás no dia da luta a Coroa da Paciência.

Na Paciência possuirás a Alma, não perderás. Saibas, que a Oração é a medicina de Deus para o árido, não é assim, porém para o covarde, o vinho do conforto, a força da ajuda, o sol da Igreja, um campo de flores, o dinheiro do Reino. Faz com que exista uma mãe, e aquela (tenha) três filhos: o maior de idade seja eloqüente, o menor, balbuciante, o terceiro ainda criança é vagido. A mãe escuta, e compreende do mesmo modo os pedidos de cada um, e segundo a oportunidade intervém: à criança porém intervém mais rápida e afetuosamente. Da mesma forma Deus escuta os exultantes no Espírito e os Salmodiantes, através da (oração) e do exercício; ama e cuida dos simples; tem compaixão também por aqueles que choram, e não o entendem o suficiente, e também se alegra, admite no número. Porque, se tu não pudesse orar com maior atenção, mas tu o queiras, e este mesmo querer oferece a Deus, este (não poder orar) é teu, este outro (querer orar) (é) de Deus. Deus quer comprar a ti e as tuas coisas, e quando tu fazes esta (última coisa), recebeis as próprias coisas com proveito, mas de mais (recebes) com aquele (dar) te mesmo. Por isso permanece, persiste e insiste no estado, quanto mais difícil é a súplica. De fato o Reino dos Céus sofre violência e os violentos se empossam. Não deixais o Saltério, se o oras frágil e com má vontade, mas insistes mais fortemente. Mesmo que tu estejas contra a vontade, mas não estás sem vontade. Porque embora estás contra a vontade és mais caro a Deus, e eu mais pertencia a ti, por ti ofereço preces, e apresento uma prece de preces.

Mas porque depois deste tu possa mais atentamente orar, te manifestarei distintamente os Mistérios da vida de meu Filho, e o marcarei na alma, para que (sejam) repetidas no Saltério as Saudações consagradas a Deus. Assim depois sabereis que o meu Filho uma vez revelou em modo igualmente visível as mesmas coisas ao meu esposo São Domingos, chegando à visão perfeita sobre a sucessão e o acorrentando toda a Paixão e com a milagrosa participação da mesma paixão, em Domingos. Em seguida, eu mesma mostrei de novo aquela mesma coisa a ele mesmo e a numerosos outros Santos. São Domingos todo o dia a voz pregava aqueles mesmo Mistérios, e outras vezes frequentemente os meditava com profunda atenção, e com profunda compaixão. E na verdade tu os mesmos (Mistérios) os medites, mas depois confusamente, e sem nenhuma ordem és perturbado; por isso também te entedias. Cada um que insistir naquelas pequenas meditações:

1. Será purificado e salvo no Sangue do meu Filho.

2. E por isso vivendo será mudado em outro homem, segundo o coração de Deus.

3. E merecerá a mim, como sua protetora e sua eterna Esposa. Disse (e) marcou na alma do Esposo os Mistérios; e se distanciou dos olhos em relação aos Céus.

Este póstumo Transcritor de ALANO anota que, visto que teria encontrado nos muitos escritos de ALANO estes Mistérios prolixamente, o traz brevemente em maneira exata; e depois trouxe aqueles de (medida) diferente a uma igual brevidade, como segue.

 

ARTIGOS A SEREM MEDITADOS NO SALTÉRIO PELO PRIMEIRO GRUPO DE CINQUENTA

PRIMEIRA DEZENA

Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é convosco, Bendita sois Vós entre as mulheres, e Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

1. Muito amável: Aquele que foi gerado desde a eternidade por Deus, seu Pai, e que foi predestinado para nós como homem, que com o Pai, e com o Espírito Santo é um só Deus, Senhor igual na glória e em igual essência. Amém.

2. Muito amável, que em princípio criou o Céu e os Anjos que muito sábio separou em Nove Ordens, e os fez ser partícipes da sua eterna Beatitude e Glória. Amém.

3. Muito amável, que expulsou do Céu Lúcifer com os seus Anjos, porque quis ser semelhante ao seu Criador, e consolidou os bons depois de Deus na Caridade deles, porque desde então para sempre permaneceram, como ele o criou. Amém.

4. Muito amável, que com potência criou o mundo e produziu com a sua onipotência todos quantos os elementos, o sol, as estrelas e a lua, colocando em cada um a própria ordem e dever. Amém.

5. Muito amável que fundou a terra acima dos mares, e criou nestas admiráveis e diferentes criaturas, as quais governa muito sabiamente, e coloca muito prudentemente, e que poderosamente conserva na existência. Amém.

6. Muito amável, que plantou no Oriente o Paraíso, em meio a este organizou a árvore da Vida e da ciência do bem e do mal; neste colocou o primeiro homem, que expulsou dali depois da prevaricação por desobediência. Amém.

7. Muito amável, que elegeu os Santos Patriarcas, dos quais o sêmen estabeleceu de tornar homem, aos quais revelou o conhecimento de si, e o temor e muitas coisas daquelas futuras. Amém.

8. Muito amável, que anunciou por meio dos Profetas ao mundo a sua Encarnação, a Paixão, a Ressurreição e a Ascensão ao Céu; os tinha preestabelecido à essa a Divina Providência. Amém.

9. Muito amável, que pré escolheu pela eternidade na sua Mãe digníssima, seja a Esposa, seja a tua Concepção, e preanunciou aos teus pais, através do Anjo, o Santo Natal e a continuidade da vida. Amém.

10. Muito amável, que enchesses de graça, Aquela que te apresentou ao Templo, a digníssima Virgem, e Aquele que te adornou belissimamente de cada virtude, visto que, assim admiravelmente, te consagrou no seu digníssimo Templo.

 

SEGUNDA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria

1. Benigníssimo, que te saudou muito respeitosamente junto ao seu Anjo Gabriel, que anunciou a sua vinda em ti, dizendo com voz serena, Ave, cheia de graça. Amém.

2. Benigníssimo, o qual Anjo te animou, que estavas perturbada, e indicou o modo de conceber e o poder do Altíssimo então te fez sombra, e a Senhora consentiu. Amém.

3. Benigníssimo, ao qual oferecesse o consenso, enquanto dizias: Eis a serva do Senhor, que concebeu e permaneceu Virgem, e cento e cinquenta exaltações foram feitas. Amém.

4. Benigníssimo, que logo concebido, sentiu na alma uma pena e uma tristeza infinita, que era também tão grande, ao ponto de superar todos os tormentos do Inferno. Amém.

5. Benigníssimo, que ele existindo no seu ventre, Ela visitou João Batista, santificando o nascituro, restituiu a palavra ao seu pai e deu o Espírito a Isabel. Amém.

6. Benigníssimo, ao qual o Anjo apareceu em sonho a José e o advertiu para não te repudiar, que nutristes também por nove meses no tálamo virginal, e que não sentisses nenhum peso em o levar. Amém

7. Benigníssimo, com o qual fostes à Belém e escolhestes como abrigo uma vil estala, onde permanecendo Virgem, destes à luz o Filho de Deus, e então, pela segunda vez tivesses cento e cinquenta exaltações. Amém.

8. Benigníssimo, que envolvesses em panos e humildemente apoiasses na manjedoura; e com os joelhos dobrados, adorastes com muita reverência, visto que sabias que ele é o Filho de Deus. Amém.

9. Benigníssimo, o qual Nascimento os Anjos anunciaram aos pastores, que imediatamente o procuram, e o encontrando (o) adoraram, e referiram as coisas vistas e ouvidas da parte dos Anjos. Amém.

10. Benigníssimo, em relação ao qual inclinastes muito frequentemente a tua cabeça Virginal e olhastes frequentemente com olhos castíssimos, sentisses nas narinas o perfume do seu corpo e frequentemente sobre os lábios marcavas beijos. Amém.

 

TERCEIRA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

 

VI. Clementíssimo, que muito frequentemente amamentastes com os teus seios Virginais e amastes sempre de amor ardentíssimo, humildemente com mãos puríssimas tocastes, vestistes e nutristes. Amém.

VII. Clementíssimo, circunciso por nós na carne, e sujeito em todas as coisas aos Mandamentos da Lei. Junto à ele que chorava e que sofria, vós sofreis e devotamente chorais, segundo o costume das Mães. Amém.

VIII. Clementíssimo, ao qual nascimento a estrela indicou aos Magos, e os orientou corajosamente em procurar, a qual seguiam enquanto os precedia até a Jerusalém, e pedindo onde fosse nascido o Rei dos Judeus. Amém.

IX. Clementíssimo, que convosco encontraram numa pobre estala, e prostrados a terra, com reverência adoram, devotamente ofereceram também místicos dons, de fato ofereciam ouro, incenso e mirra ao Senhor. Amém.

X. Clementíssimo, que apresentasses ao Templo, onde em modo suplicante adorasses Deus Pai, e o oferecesses o seu (Filho) unigênito, e então fosses cumulada de uma imensa exultação. Amém.

XI. Clementíssimo, que o velho Simeão através do Espírito Santo soube que eras o Filho (de Deus), como sacrifício oferecestes um casal de pombos, e assim humildemente retornastes à tua Cidade. Amém.

XII. Clementíssimo, que Herodes queria matar, mas ocorreu em modo diferente, um Anjo santo apareceu em sonho a José, e o aconselhou a fugir convosco para o Egito. Amém.

XIII. Clementíssimo, com o qual durante a noite fugisses com muita ânsia, sofrendo fome, sede na viagem e sofrendo na fragilidade do corpo, por causa da pouca idade. Amém.

XIV. Clementíssimo, com o qual habitastes no Egito por sete anos entre os Pagãos, de forma muito casta, humilde, laboriosa, pobre, venerada e santa. Amém.

XV. Clementíssimo, que reconduzistes à tua terra depois da chegada do Anjo, onde junto com ele docemente vivestes, em suma santidade e reserva de costumes. Amém.

 

QUARTA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Docíssimo, que contigo cada ano subiu a Jerusalém, onde contigo suplicou pela Redenção do mundo, e assim obteve do Pai a salvação de numerosos. Amém.

2. Docíssimo, que uma vez perdesses por três dias em Jerusalém, e em lágrimas procurastes entre os conhecidos e os parentes, e naqueles dias não chegastes nem a beber, nem a comer, nem a dormir; mas cada dia inconsolavelmente chorastes. Amém.

3. Docíssimo, que encontrastes depois de três dias, enquanto sentava no templo em meio aos Doutores, o escutava e interrogava, e expunha à eles a Sagrada Escritura. Amém.

4. Docíssimo, que foi sempre obediente entre todos, e se levantou do centro retornando contigo, que pela exultação abraçais em lágrimas e com um beijo virginal. Amém.

5. Docíssimo, que era sempre obsequiosíssimo e familiaríssimo a ti e a José, seja falando todos os dias contigo sobre as coisas celestes, seja manifestando a ti muitíssimos segredos divinos. Amém.

6. Docíssimo, que no décimo segundo ano da sua idade, revelou a ti com a sua boca divina a grandíssima pena da sua alma, que suportou desde a sua concepção, e que sofreu continuamente até a morte. Amém.

7. Docíssimo, que admiravelmente revelou também a ti todo o número daqueles que nunca foram, são, e serão desde o início do mundo, salvos, e daqueles a serem condenados, os quais reunirá e separará no juízo final. Amém.

8. Docíssimo, que João batizou no Jordão, onde teve início o Sacramento do Batismo, sobre o qual o Espírito Santo desceu do Céu, e ao qual o Pai deu verdadeiro testemunho. Amém.

9. Docíssimo, que jejuou por quarenta dias, e sem comida material permaneceu no deserto, onde indicou o modo de jejuar, e continuamente invocou o seu Pai em favor dos pecadores. Amém.

10. Docíssimo, que o Diabo por três vezes tentou, mas ele com sabedoria o venceu, primeiramente no deserto, depois no ponto mais alto do Templo, e a terceira vez sobre um monte altíssimo. Amém.

 

QUINTA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria

1. Excelentíssimo, ao qual João testemunhou e indicou com o seu dedo, dizendo Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Amém.

2. Excelentíssimo, que escolheu para si doze Apóstolos, Pedro e André, e outros dez, que devotamente deixaram imediatamente todas as coisas que tinham, em amor de Jesus. Amém.

3. Excelentíssimo, que foi convidado ao Casamento na Galileia, onde com a sua presença convalidou o Matrimonio, e onde cumpriu o primeiro sinal, mudando a água em ótimo vinho. Amém.

4. Excelentíssimo, que do Templo, com potência, expulsou aqueles que compravam, e aqueles que vendiam, virou os bancos dos negociantes de pombas e com audácia espalhou o dinheiro dos cambistas. Amém.

5. Excelentíssimo, que escolheu para si também outros setenta e dois discípulos, que mandou de dois em dois diante da sua pessoa, dando a eles o poder, de expulsar os demônios e de curar todas as doenças em seu nome. Amém.

6. Excelentíssimo, do qual Madalena banhou os pés com lágrimas, e com os seus cabelos devotamente os enxugou, a qual recebeu do Senhor o perdão pelos seus pecados, pelo verdadeiro arrependimento. Amém.

7. Excelentíssimo, que por três anos junto aos discípulos pregou aos Judeus muito mal agradecidos, aos quais mostrou numerosos e vários milagres, que nunca foram ouvidos. Amém.

8. Excelentíssimo, que curou muitos leprosos, restabeleceu a vista aos cegos, o caminhar aos coxos, restituiu a vida aos mortos, a saúde aos doentes, a plena libertação dos Demônios aos possuídos. Amém.

9. Excelentíssimo, que suportou no corpo muitos sacrifícios, com o jejum, com o velar desde a sua juventude, com o pregar, com o trabalhar e com o orar, e suportar frequentemente as insídias dos Judeus. Amém.

10. Excelentíssimo, ao qual a multidão foi ao encontro com ramos de Palmas, espalhando sobre as estradas as capas, e os ramos de oliva, o cantando e louvando, entrou em Jerusalém, mas pouco depois, com imenso desprezo, o expulsaram. Amém.

 

SEGUNDO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES

Cinquenta orações sobre a dolorosa Paixão de Cristo, da Ceia até o Sepulcro.

PRIMEIRA DEZENA

Pai Nosso, Ave Maria.

1. Familiaríssimo, que consumou a sua Última Ceia com os discípulos, que antes escolheu para si no mundo, e logo depois a Ceia despiu as suas vestes, e pegando um pano, colocou água numa bacia. Amém.

2. Familiaríssimo, que muito humildemente se ajoelhou, lavou, enxugou e beijou com lágrimas nos olhos os pés dos Discípulos, e depois, revelou a sua traição àqueles, os quais avisou para que permanecessem na fé. Amém.

3. Familiaríssimo, que então consagrou o pão e o vinho, no verdadeiro Corpo e Sangue, e deu aquele a todos os discípulos, que então ordenou como Sacerdotes e Pontífices. Amém.

4. Familiaríssimo, que depois da Ceia fez aos seus discípulos um belíssimo discurso, longo e profundo; que depois saiu de Jerusalém, com muitíssima angústia, em direção ao horto onde costumava orar. Amém.

5. Familiaríssimo, que no horto, três vezes com lágrimas, se voltou ao Pai, orou ao Pai em forma de súplica para distanciar dele o cálice, mas que se fizesse a vontade do Pai e não a sua, terminou a oração com angústia e muita tristeza. Amém.

6. Familiaríssimo, que na terceira Oração agonizou até a morte, gotas de sangue suou abundantemente, e então um Santo Anjo o confortou e exortou a redimir o mundo com a sua Paixão. Amém.

7. Familiaríssimo, que se levantou da Oração e se dirigiu pela segunda vez para os discípulos que dormiam, os quais avisou de vigiar e orar, para não cair na tentação do diabo enganador. Amém.

8. Familiaríssimo, que perguntou aos Judeus quem procuravam, os quais, ele então, por virtude divina, por três vezes fez cair no chão, e onde mostrou outros sinais admiráveis, com o fortíssimo poder divino. Amém.

9. Familiaríssimo, que foi abandonado pelos seus discípulos em modo penoso, e foi pego pelos ímpios Judeus com imenso tumulto, e foi amarrado com correntes ao pescoço, e aos braços e com cordas sobre o corpo cruelmente. Amém.

10. Familiaríssimo, que em modo muito penoso foi assim arrastado na Cidade, foi conduzido confusamente por estradas e praças, e foi apresentado primeiramente ao Pontífice Anás, pelo qual foi interrogado sobre a sua doutrina. Amém.

SEGUNDA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Agradabilíssimo, que Anás interrogou sobre muitas coisas, ao qual respondeu com doçura, então por um servo foi agredido de modo muito severo, ironizado, satirizado e injuriado de forma ultrajante. Amém.

2. Agradabilíssimo, que olhou humildemente Pedro que o renegava, e o impulsionava de forma muito forte à um lacrimável arrependimento, que conduzia acorrentado da casa de Anás, com terríveis gritos até a casa do Caifás. Amém.

3. Agradabilíssimo, que Caifás com engano examinou e sentenciou, respondendo que o Senhor (era) digno de morte, pela segunda vez suportou os Judeus e seus insultos, ironias, sátiras e dolorosíssimas agressões. Amém.

4. Agradabilíssimo, que Caifás de manhã cedo mandou à Pilatos, acorrentado de forma sofredora pelas suas santíssimas mãos, onde novamente foi acusado malignamente pelos Judeus: mas Pilatos não o reconheceu culpado. Amém.

5. Agradabilíssimo, que Pilatos mandou à Herodes, que então estava presente em Jerusalém, pelo qual foi interrogado novamente sobre muitas coisas, mas Jesus não deu à ele nenhuma resposta. Amém.

6. Agradabilíssimo, que então Herodes com os seus seguidores cobriu de cuspes, ironizou e satirizou; o fez vestir uma roupa branca, e muito desfigurado, o reenviou à Pilatos. Amém.

7. Agradabilíssimo, que no retornar a Pilatos, caiu pelas estradas, por causa da longa roupa; que Pilatos mais uma vez examinou e pensou em libertar da morte. Amém.

8. Agradabilíssimo, o qual corpo divino, foi desnudado em modo desconcertante pelos Servos, e o apertando ao peito, aos braços e as pernas, foi acorrentado cruelmente à uma coluna. Amém.

9. Agradabilíssimo, que com varas com chumbo e varas nodosas, até o limite da morte foi flagelado, ao ponto que os Servos o deixaram, porque não eram capazes de flagelar mais pelo cansaço. Amém.

10. Agradabilíssimo, o qual Corpo Santíssimo era cheio de feridas do topo do corpo até as palmas dos pés, das quais o Sangue Santíssimo saiu abundantemente, e escorreu em gotas até a terra. Amém.

TERCEIRA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Humilíssimo, que da coluna então tiraram, e sobre uma tribuna de forma vergonhosa colocaram, o revestiram com uma roupa escarlate, e ajoelhado, satirizaram dele como se fosse um insensato. Amém.

2. Humilíssimo, que coroaram penosamente com uma coroa de espinhos, as quais pontas afiadas penetravam até o cérebro, e os deram uma vara como cetro, com as quais repetidamente golpearam a sua cabeça recoberta de espinhos. Amém.

3. Humilíssimo, que Pilatos depois de o ter assim castigado conduziu para fora: Ecce Homo (Eis o Homem) disse aos malvados Judeus. Mas os terríveis Judeus, não contentes disso gritavam Crucifige, Crucifige (Crucifique, Crucifique). Amém.

4. Humilíssimo, que com grande clamor arrastavam à sede dos juízo e colocavam diante de Pilatos junto à ímpios ladrões, então com terríveis clamores, furiosamente gritaram: O seu sangue caia sobre nós, e sobre os nossos filhos, disseram impiamente. Amém.

5. Humilíssimo, que injustamente por Pilatos foi condenado à morte, ele que era verdadeiramente Rei e Senhor dos senhores, o Criador de todas as coisas, o autor da lei e o Filho de Deus Onipotente. Amém.

6. Humilíssimo, que com muito esforço levou a cruz pelas praças, e muito frequentemente caiu no chão sob a cruz, e enfim sob a cruz foi completamente privado de duas forças, então Simão de Cirene uniu as suas mãos à cruz. Amém.

7. Humilíssimo, que com indescritível pena e cansaço, com os ladrões chegou ao monte Calvário, onde tiraram as suas roupas, através da cabeça recoberta de espinhos, e dolorosamente renovaram todas as feridas do seu corpo. Amém.

8. Humilíssimo, quando o vês assim desnudo, logo pegastes o véu da tua cabeça, te aproximastes com dor imensa, e em lágrimas, e com isto marcastes as suas feições virginais. Amém.

9. Humildíssimo, que sobre a Cruz então com compaixão foi colocado, e com cordas sobre os membros cruelmente foi alongado, as quais mãos benditas foram fixadas com pregos à Cruz. Amém.

10.Humilíssimo, os quais os pés santíssimos, com um prego grandíssimo foram atravessados, e assim os seus membros virginais foram todos expostos. Amém.

QUARTA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Inocentíssimo, que com a Cruz, levantaram no alto, e assim dolorosamente dilaceraram mais suas feridas, que novamente derramaram Sangue, que sobre o vosso véu e sobre o rosto abundantemente pingava. Amém.

2. Inocentíssimo, diante do qual vós, Mãe lacrimosa, estavas sofredora, olhavas o Filho pendente sobre a Cruz com extrema dor, e, até à morte então sofresses, porque em tão grandes penas não pôdes conseguir nenhuma ajuda. Amém.

3. Inocentíssimo, que te vias sob a cruz, e, com imensa compaixão, (vos) confiais ao discípulo, onde no lugar do Filho do Sumo Deus vos foi dado João filho de Zebedeu. Amém.

4. Inocentíssimo, que foi muitas vezes ironizado sobre a Cruz pelos Escribas e pelos Anciãos, dos Sumos Sacerdotes, e pelos servos, mas ele foi muito paciente com todos, com todas as forças também intercedeu pelos seus crucificadores. Amém.

5. Inocentíssimo, que à um ladrão sobre a cruz prometia o paraíso, e ali frequentemente remetia todos os seus pecados, para que ninguém desesperasse por causa deles, vendo que o reino dos Céus foi dado gratuitamente para um ladrão. Amém.

6. Inocentíssimo, que disse sobre a Cruz: Eli, Eli, Lamà Sabactani? (Meu Deus, Meus Deus, porque me abandonastes?), e estas palavras sofridas fez chorar até os corações de pedra. Amém.

7. Inocentíssimo, que também na Cruz, até a morte teve sede, e: Sitio (tenho sede), gritou com voz frágil, ao qual os ímpios colocavam vinagre, sobre uma esponja, com um bastão feito de madeira. Amém.

8. Inocentíssimo, que novamente sobre a Cruz falou com extrema pena dizendo: Consummatum est (Esta cumprido). E enfim gritou tão forte, que todas as coisas, na terra, então começaram e tremer. Amém.

9. Inocentíssimo, que sobre a Cruz ao Pai confiou o seu Espírito, quando altamente e lamentosamente gritava. E, inclinando a cabeça, com angústia indescritível, entregou o seu Espírito. Amém.

10.Inocentíssimo, que permitiu que Satanás sentasse sob a Cruz, o qual observava se podia encontrar algo nele para poder levar a sua alma para o Inferno. Amém.

QUINTA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Caríssimo, na qual morte dolorosíssima, sofreram todos quantos os elementos. A terra horrivelmente tremia, as árvores, e as outras coisas nesta se moviam. Amém.

2. Caríssimo, na sua morte até as pedras se quebraram, e os sepulcros dos defuntos se abriram. E o precioso véu do Templo foi rasgado de alto a baixo. Amém.

3. Caríssimo, por causa dele o Sol se escureceu, quando Deus foi crucificado e tirado da Cruz, e muitos outros sinais aconteceram, mas os Evangelistas não indicaram. Amém.

4. Caríssimo, ao qual ao lado foi ferido sobre a cruz, do qual saiu largamente Sangue e Água. Quando, a puríssima mãe viu isto, sofrestes grandemente pela compaixão. Amém.

5. Caríssimo, que José Nicodemos, com alguns outros presentes retirou da Cruz. E sobre os teus joelhos o apoiaram, e junto à ti então, com lágrimas abundantes choraram. Amém.

6. Caríssimo, o qual com tristeza indescritível tinhas contra a barriga, o qual vulto e o peito molhavas de lágrimas. Ó Mãe dolorosa, quantos lamentos e gemidos então davas, quando olhavas assim o teu docíssimo Filho morto. Amém.

7. Caríssimo, o qual Corpo Santíssimo cheio de Sangue, lavavam com água. E tiravam da cabeça a Coroa de espinhos, Nicodemos o ungiu com unguento precioso, e São José o colocou num sudário limpo. Amém.

8. Caríssimo, que todos aqueles que estavam presentes, foram ao Sepulcro com infinitas lágrimas, e inestimável dor: vós os seguíeis então com infinita tristeza, e vos adolorastes com suma reverência quando foi colocado no Sepulcro. Amém.

9. Caríssimo, ao qual Sepulcro encostaram uma pedra, que os Judeus vigiaram com guardas. Após todos retornaram à cidade convosco e sobre a estrada continuamente choraram abundantemente. Amém.

10.Caríssimo, na qual Paixão, oh Virgem e Mãe adolorada, sofrestes cento e cinquenta dores mortais, cinquenta antes da sua morte, e cem depois do retorno à Jerusalém. Amém.

 

TERCEIRO GRUPO DE CINQUENTA ORAÇÕES.

Os Mistérios sobre a Ressurreição, Ascensão e Glória de Cristo, e sobre a Gloriosa Assunção de Maria Virgem, etc.

PRIMEIRA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Louvável, ao qual a alma desceu ao Inferno, e poderosamente quebrou as portas destes, e acorrentou Lúcifer no abismo, e condenou severamente os outros. Amém.

2. Louvável, que depois de alcançar aos Pais mantidos no Limbo, e, com o seu esplendor, distanciou as suas sombras. E aos seus pés todos se lançaram, e com exultação e lágrimas, com reverência o adoraram. Amém.

3. Louvável, que com os Pais no Limbo permaneceu por muito, até no terceiro dia, quando ressuscitou dos mortos. No terceiro dia tirou do Limbo esses Pais, e ressuscitou da morte o seu Corpo Glorioso. Amém.

4. Louvável, que com luminosidade e glória indescritível, com uma fileira de Anjos e com uma falange de Pais Santos, primeiramente apareceu a ti, e docemente o saudando, te libertou de cada tristeza. Amém.

5. Louvável, que num segundo momento se manifestou à Maria Madalena, em terceiro lugar à Maria de Salomão e a de Cléofas, em um quarto momento a Pedro Apóstolo, depois admiravelmente se revelou aos Discípulos que se dirigiam a Emaús. Amém.

6. Louvável, que num sexto momento apareceu aos onze Discípulos, fechados no Cenáculo sobre o monte Sião, e num sétimo momento apareceu a Tiago o Menor, que jejuava desde o Jantar do Senhor. Amém.

7. Louvável, que num oitavo momento apareceu a José de Arimatéia, num nono momento a Tomé, que oscilava na fé, num décimo momento aos discípulos que pescavam, num décimo primeiro momento àqueles reunidos sobre o monte Tabor. Amém.

8. Louvável, que comia com os discípulos no mesmo dia em que subiu ao céu, apareceu por último sobre o monte das Oliveiras, diante de todos os discípulos que tinha escolhido. Amém.

9. Louvável, que levantadas as vossas mãos benzeu os discípulos, e ordenou a estes de anunciar o Vosso nome ao mundo. E depois se aproximou à ti, sua Mãe docíssima, com um abraço divino e um beijo: Vale (Adeus) disse. Amém.

10.Louvável, que com lágrimas de felicidade e com o coração virginal, humildemente o adoreis, pedindo que ele não demorasse muito tempo para vos levar pra junto dele. Amém

SEGUNDA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Misericordiosíssimo, que subiu ao céu com as Santas almas, e com todos quantos os Anjos designados à custodia dos homens, com glória inestimável e exultação indescritível. Amém.

2. Misericordiosíssimo, ao qual toda a Corte Celeste do Paraíso buscava com digna reverência, com instrumentos musicais e cetros, salmodiando com exultação infinita. Amém.

3. Misericordiosíssimo, que os Coros angélicos conduziam com tripudio, com os quais Ele chegava até ao Trono da Suma Trindade, com quanta exultação e tripudio acontecia isto, ninguém poderá explicar com palavras. Amém.

4. Misericordiosíssimo, que a eterna Trindade, com glória infinita tinha dentro de si, dando à ele a Coroa da Majestade e do Poder sobre todas as coisas, que foram criadas no Céu e na terra. Amém.

5. Misericordiosíssimo, que no seu imenso Poder reina sobre todas as coisas com Suma Majestade. Ele mesmo de fato é a Beatitude eterna, de todos os Santos e dos Anjos, que estão no céu. Amém.

6. Misericordiosíssimo, ao qual luminosidade desejavam olhar, sem fim, todos aqueles que com ele reinavam. É de fato imensa e infinita, iluminando cada um segundo os próprios méritos. Amém.

7. Misericordiosíssimo, do qual doçura infinita estão inundados todos quantos foram admitidos no Céu. E o seu aroma infinito enche todo o Céu, durando por todos os séculos até a eternidade. Amém.

8. Misericordiosíssimo, que é a suma e eterna exultação de todos os cidadãos celestes. Esses tremendo o honravam, e o adoravam, e, dizendo sem fim Santo, Santo, Santo o honravam. Amém.

9. Misericordiosíssimo, ao qual a Caridade é imensa, o louvor contínuo e eterno. Ao qual a Majestade é terrível, máxima, infinita, e inestimável a sua glória. Amém.

10.Misericordiosíssimo, o qual nome é tão grande, virtuoso, fecundo e digno, que cada joelho se ajoelha, quando Jesus é nomeado. Amém.

TERCEIRA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Nobilíssimo, ao qual beleza é admirável, a sabedoria indescritível, ao qual vulto resplende no Céu, e ilumina em modo docíssimo todos os Santos. Amém.

2. Nobilíssimo, o qual corpo glorioso é o templo da Divindade, que reina no Sumo Trono, do Reino que não conhece fim. Amém.

3. Nobilíssimo, que levantou a natureza humana no Céu acima de todas as coisas criadas, e que pediu ao Pai de dar aos discípulos o Espírito Santo, que tinha prometido. Amém.

4. Nobilíssimo, que no quinquagésimo dia mandou o Espírito Santo, prometido aos discípulos na terra, que apareceu à cada um sob forma de fogo e de línguas, como ele mesmo tinha desejado. Amém.

5. Nobilíssimo, que mandou por todo o mundo os seus discípulos, que fervorosamente inspirou através do Espírito Santo, os quais pregavam por todos os lados, e em nome de Jesus realizavam imensos milagres. Amém.

6. Nobilíssimo, que depois da sua Ascensão ao Céu, vos deixou na terra a consolação dos discípulos, ao qual amor vos pressionava, e incitava a vê-lo na sua Glória. Amém.

7. Nobilíssimo, que atendeu as vossas orações, e mandou a vós o seu Anjo, para vos anunciar a sua chegada e que queria vos glorificar em Cristo. Amém.

8. Nobilíssimo, que reuniu os seus Apóstolos espalhados pelo mundo, os aconselhou para que fossem presentes o vosso funeral, e convocou todos os Anjos, à quem designou a custódia dos homens. Amém.

9. Nobilíssimo, que desceu então do Céu, com o infinito número dos Santos e dos Anjos, com suma majestade, e imensa glória, e, apareceu à vós, vos saldou com voz docíssima. Amém.

10.Nobilíssimo, que vós vistes então na sua Glória, e dando a ele o vosso Espírito passasses por amor, abraçando-o frequentemente o beijavas, e como um Esposo suavíssimo à ela se unia. Amém.

QUARTA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Onipotentíssimo, que em corpo e alma, te levou consigo, e ascendeu acima das portas do Paraíso celeste, onde vos introduziu com Glória indescritível e exultação imensa. Amém.

2. Onipotentíssimo, que ordenou que todos quantos os seus Anjos se reunissem, verdadeiramente com digna honra vos quer honrar, para que vós fosses introduzida com os Cantos Angélicos, e gozasse sempre da glória eterna. Amém.

3. Onipotentíssimo, os quais Anjos te saudavam devotamente, e ajoelhados com reverência vos adoravam, com tímpanos e cores magnificamente vos louvavam, e com altíssimas vozes alegremente te glorificavam. Amém.

4. Onipotentíssimo, que com Glória infinita e toda a Corte do Céu vos conduziu à santa Trindade que vós humildemente adorais, e ofereceis toda a mesma devotamente à ela. Amém.

5. Onipotentíssimo, que com o seu Pai, e com o Espírito Santo gloriosamente sois morada. E com a Coroa da Glória te coroava Santíssima. E vos colocou a Rainha do Céu e da terra, e vos levantou poderosamente acima de cada criatura. Amém.

6. Onipotentíssimo, que vos honra, sua Mãe digníssima, nada negando (a vós). Mas qualquer coisa que vos pedirdes, muito prontamente a vós entrega, e com a vossa eterna Sabedoria vos ilumina, e, diante de todos, dá a vós esplendor com a sua eterna luminosidade. Amém.

7. Onipotentíssimo, que de cada beatitude e doçura, vos deu, e vos fez reinar junto à ele, e submeteu a vós todas as coisas criadas. Amém.

8. Onipotentíssimo, que te encheu com todas as glórias e exultações, e de todas as honras e graças, e vós confiou cada tesouro do Reino Celeste, para que vos pegais dali quanto vos agradar, e para que vós podeis com esses nos enriquecer. Amém.

9. Onipotentíssimo, do qual vós sois a Mãe e a Filha, e mesmo a Irmã e a Esposa, o Templo e a Moradia, e o Triclínio digníssimo de toda a Trindade. Amém.

10. Onipotentíssimo, que estabeleceu de não salvar ninguém, somente aqueles devotos a vós, ou (se não) quisesse ser vosso amigo, para que nos recorrêssemos a uma tão grande rainha, e devotamente pedíssemos a intervenção dela. Amém

QUINTA DEZENA

Pai Nosso. Ave Maria.

1. Agradabilíssimo, que os seus Apóstolos, escolhidos por ele na terra, pela palma do Martírio, assumiram a Corte da sua Glória. Amém.

2. Agradabilíssimo, que confortou os seus Mártires na fé, e os revigorou nos tormentos, e assim com a vitória do mundo, entraram nos eternos Reinos dos Céus. Amém.

3. Agradabilíssimo, que iluminou os Santos Confessores com a sua Sabedoria, e os adornou de todas as virtudes, e assim estes não consideravam por nada todas as coisas temporais, e mereciam dignamente os Reinos Celestes. Amém.

4. Agradabilíssimo, que escolheu as castíssimas Virgens do mundo, e as fez partícipes da sua eterna Glória (e) com Ele nos Céus reinam também infinitos Santos, de um e de outro sexo. Amém.

5. Agradabilíssimo, que julgará rigorosamente todas as coisas no Juízo Final, onde reunindo todos os filhos de Adão, separará os ruins dos bons, salvará os eleitos, e condenará os ruins por toda a eternidade. Amém.

6. Agradabilíssimo, que é o Verbo do Pai, o Filho da Virgem, o Cordeiro de Deus, a Salvação do mundo, a Hóstia Santa, a Carne Viva. Amém.

7. Agradabilíssimo que é o Louvor dos Anjos, a Glória dos Santos, a Visão da Paz, a Flor, e o Fruto da Virgem Mãe. Amém.

8. Agradabilíssimo que é o esplendor do Pai, o Príncipe da paz, o Pão vivo, a Bebida santa e o Templo da divindade. Amém

9. Agradabilíssimo que é a Luz do Céu, o Valor do mundo, a nossa Exultação, o Pão dos Anjos, o Júbilo do coração, a Esperança de salvação, o Rei e o Esposo da virgindade. Amém.

10. Agradabilíssimo, que é o nosso Prêmio, e a Exultação eterna, a Fonte do amor, a Doçura da paz, o verdadeiro Repouso da Vida perene. Amém.

FIM DOS SERMÕES DO B. ALANO

 

106 O termo “Redivivus”, é quase intraduzível: quer dizer “Retrazido à luz”, “Retrazido à vida”, e expressões similares. Deixamos “Redivivo”, porque não se encontrou um equivalente idôneo.

EXEMPLO I

O Arcediago Adriano, caído e levantado da ruína, através da pratica do Saltério.

Adriano, de estirpe nobre, e inigualável no corpo, na ciência e na eloquência, foi admiravelmente honrado pelo título de Arcediago da cidade de Cesaraugusta na Espanha. E neste grau de honra, começou a reformar em modo maravilhoso os defeitos dos eclesiásticos e a semear a Palavra de Deus, correndo para todos os lados. O diabo, vendo isto, o induziu em fortíssimas tentações da carne à Joana, a filha do Conte. E ela sempre quis se confessar e obedecer aos seus conselhos, como se ele fosse um Confessor. Mas depois do vento das palavras, chegou a chuva da carne: e ele que tinha uma vida apostólica, teve por quase seis meses uma vida infame e sem escrúpulos. E logo a devoção se distanciou dele e ele começou a se interessar tanto pelas delícias, aos jogos, as risadas e aos espetáculos e a se relaxar de seus deveres, a pregar pouco e sem convicção, de forma não decidida contra os vícios, como antes, mas moderadamente.

Caminhava com a cabeça erguida e com os olhos levantados e vestia roupas muito preciosas: todos aqueles que o conheciam estavam surpresos e magoados, diante de tanta mudança. Depois destas alegrias profanas, logo veio a consequente tristeza. Enquanto ele gozava dos discursos das mulheres e das cantilenas e das danças ao som do tímpano e da cetra, a barriga de Joana começou a crescer. Aparecendo ao pai gorda além da medida, ele quis saber, mesmo através da violência, o que aconteceu com a filha. Ela acusou em modo gravíssimo o Arcediago e teve muito ódio dele.

Acusando-o com toda a malignidade e astúcia, inventou novas versões da sua relação, afirmando ter sido vítima de magia. Imediatamente foram enviados soldados para prender Adriano. Ele foi capturado com grande vergonha e confusão, preso diante de todo o povo da cidade de Cesaraugusta e conduzido ao Bispo, o qual súbito, depois de o ter excomungado, o jogou na prisão. Mas depois do quarto dia, por obra dos seus parentes, que se fingiam Cleros, foi libertado, mas após ser libertado ele caiu em perigos maiores.

De fato enquanto fugia, reconhecido pelo Conte e capturado novamente, foi arrastado aos Cárceres Reais, com a acusação de ter violentado a sobrinha do Rei e desonrado a família nobre do Reino. Quase como um inimigo do Estado aquele miserável foi arrastado e lançado num lago próximo às serpentes. Ali devendo viver na extrema miséria do frio, fome e sede, e sem o abrigo das roupas, permaneceu por três anos. Além do que neste lago do Cárcere encontrou outros seis males. O primeiro mal foi a maldição e a excomunhão lançada pelo Bispo. O segundo mal foi a perda de toda a sabedoria, por causa da tristeza. O terceiro mal foi a perda de todas as amizades e de todos os privilégios junto aos Príncipes e os Senhores. O quarto mal foi a perda da eloquência das pregações e os discursos nas companhias. Ele falava como um leproso. O quinto mal foi a perda de toda a Senhoria Eclesiástica e temporal. O sexto mal foi a liberdade perdida por uma tentação. Desses seis males foi afligido insuportável e imensamente.

Quando o Santíssimo Domingos pregava naqueles lugares, ele ouviu o grandíssimo escândalo de Adriano. E conhecendo pelo espírito profético que ele ainda estava entre os vivos, recebeu a permissão dos chefes e foi encontrá-lo, saudando-o e convidando-o à paciência e ao arrependimento.

São Domingos pregou em relação ao Senhor Jesus Cristo e sobre muitos Santos, muitíssimas coisas e quanto mais coisas eram ditas sobre eles, menos Adriano se tornava sofredor. O Santo Domingos vendo isto, prometeu que, se rezasse o Saltério todos os dias e aceitasse a Confraternidade, através da extraordinária participação de todos os méritos, certamente o teria liberado de todas as contrariedades. Ele confiou e depois que se confessou com Domingos recebeu a absolvição e começou então a recitar devotamente o Saltério. Próximo do fim do primeiro mês apareceu a Virgem Maria, levando a notícia da sua absolvição não só dos pecados, mas também da sentença de excomungo por parte do Bispo. De fato São Domingos não o tinha absolvido se não sob a intervenção da Virgem, de dever o socorrer em perigo iminente, e sob a aprovação sucessiva dos Superiores. E assim foi liberado do primeiro mal, ou seja, do desespero da maldição, através do “Ave” da benção de Maria. No final do segundo mês, apareceu à ele a Virgem Maria que tinha entre os braços o pequeno Jesus, que com a mão direita segurava um pequeno livrinho, no qual estava escrito o Evangelho de São João: No princípio era o Verbo. Apenas então aquele prisioneiro leu: E o Verbo se fez carne, foi liberado pelo segundo mal, ou seja, da ignorância. De fato recuperou toda a sabedoria, que tinha perdido, multiplicada em muitas vezes através de “Maria”, que é iluminadora de todo o saber. No final do terceiro mês, através do terceiro bem, que se chama “Graça”, foi liberado do terceiro mal, de ser mal visto pelos Príncipes e Nobres. E assim foi liberado e visitado e recebido com honra pelos Chefes. No final do quarto mês foi liberado do quarto mal, ou seja da fala, da eloquência, através de Maria, que é cheia de comunhão dos bens. De fato apareceu à ele a Virgem Maria e com um Beijo Virginal o restituiu a eloquência com forte acréscimo.

E assim como antes pregou de forma muito particular o Saltério da Virgem Maria e a sua Confraternidade, através do qual foi liberado. No final do quinto mês foi liberado do quinto mal, aquele da perda das suas Senhorias: a Virgem Maria apareceu à ele durante a noite e o deu o pastoral junto à mítrida e ao anel pontifical e, no terceiro dia, uma carta do Papa o confirmava como Bispo. No final do sexto mês a Virgem Maria apareceu, tendo na mão um bastão de ouro com o qual, tocando a sua cabeça disse: Sai dele. Então um dragão de fogo saiu dele, tornando-o livre de todas as tentações. Após Maria Santíssima com o mesmo bastão tocou novamente sobre a cintura, dizendo: Sai dele, e uma serpente saiu dele, liberando-o das tentações da carne. Nos três anos de Prisão ele sempre foi insidiado pelo pecado da libido. E através do “Senhor” tornou-se um Senhor; e através do “Convosco” torna-se livre das tentações dos inimigos. Assim então em seguida vivendo por muito tempo, reformou toda a Igreja daquela terra e, disseminando para todos os lados o Saltério junto à dita Confraternidade da Santíssima Maria, fez com que se honrasse a mesma. E enfim esta apareceu a ele antes da sua morte, ele se preparou de forma muito devota para a morte. E finalmente completou os seus dias no bem e os seus anos com muita glória.

EXEMPLO II

Um Educador extraordinariamente liberado da Prisão.

Existia um Educador de vida perversa, o qual, tendo por alunos quase todos os filhos dos cidadãos, corrompia as mães atraentes dos seus estudantes, pedindo, através dos filhos, os cabelos das mães, e assim com as suas artes mágicas, atirava a si aquelas que desejava. Entanto, visto que a mulher de um homem ilustre observava atentamente que seu filho era interessado em seus cabelos, perguntou ao filho porque se interessava por isto. Ele se negava a falar, mas através de pressão fez o filho dizer a verdade. Ela o deu os cabelos da escova, e quando o Educador os recebeu, o objeto, por magia, começou a se agitar por obra dos demônios e a provocar em casa um grande rumor. A mulher viu e contou ao marido; o Educador foi preso pelo crime e condenado à prisão eterna, a pão e água.

Existia naquele lugar um outro prisioneiro, malvado, e que há muito tempo estava ali. Ele sentindo que tinha chegado um companheiro para ele, o consolava e prudentemente o aconselhava de ser paciente. Então o Educador perguntou como podia ter paciência: ele então contou que tinha obtido este e outros bens graças à oração que se chama Saltério de Nossa Senhora: e convidou o seu companheiro de prisão a este modo de rezar. Ele o escutou dizendo: Se como tu pregas ela é de tão grande exultação, por que tu ainda não estás livre? Ele o respondeu: Me propuseram a liberdade, quando, me perguntaram há trinta anos se eu queria sair: mas eu não quis e ainda não quero: antes de me arrepender. E do mesmo modo, temo, conhecendo as minhas inclinações malignas, de recair nas coisas de antes.

Mas seja o pão, seja a água, com os quais me nutro, me são muito mais agradáveis do que qualquer outra comida através desta Santa Maria ao qual ofereço o meu serviço: e faço penitência. Ouvidas estas palavras, o Educador se voltou ao Saltério: e rezava pelo companheiro. Aquele Educador mesmo orando, foi inquieto durante todo o ano e estava impaciente: no segundo ano estava ainda mais inquieto; no terceiro ano estava ainda mais na verdade. Enfim, extremado na prisão, disse à Bendita Maria: Se, oh Senhora, dignais de me libertar, teu servo, confio e ofereço, em voto, toda a minha vida às tuas vontades. Logo a Mãe de Misericórdia esteve ao seu lado e o perguntou se não estava arrependido daquilo que tinha dito. Mas ele permanecia firme na promessa. E ela o tendo libertado, o transportou para um lugar povoado muito distante, para que cumprisse a sua promessa, assim como tinha prometido. Dirigiu ali, portanto, escolas e ensinou os alunos a rezar o Saltério de Maria. E assim em breve tempo, quase três mil alunos começaram a rezar o mesmo. De manhã, antes de entrar na escola, enquanto o Educador orava, esses também rezavam o Saltério e esta devoção se estendeu aos genitores. E quando retornavam da escola, uma segunda vez com devoção, se recomendava à Virgem Maria, recitando o seu Saltério.

Aconteceu, então, dois desastres no mesmo lugar: primeiro o fogo consumiu quase todas as casas, exceto aquela do Educador e dos outros, os quais os filhos salmodiavam o Saltério de Maria; e a mesma Escola colocada no meio do fogo permaneceu intacta, por expressar a virtude do Saltério. O segundo desastre foi uma rebelião: O dito lugar foi invadido pelos soldados e depredado pelos inimigos, através da Virgem Maria se salvou a casa do Educador e dos outros que rezavam o Saltério. E ninguém o saqueou: os ladrões não puderam encontrar portas, janelas ou outra entrada e voltaram com as mãos vazias, como se nada ou pouco existisse. Enfim através da Santíssima Virgem, o dito Educador, para levar analogamente tal fruto em outro lugar, foi transportado para longe e analogamente entre os numerosos alunos o culto da Virgem Maria crescia com força. A escola estava no interior da Igreja Maior, onde segundo o seu costume, fazendo salmodiar aos seus alunos o Saltério pela Virgem Maria, reunia uma numerosa assembleia popular, sobretudo os pais dos jovens, para que se divulgasse, assim através dos pequenos, este obséquio da Virgem. As vezes, enquanto esses salmodiavam o Saltério, sobre um Altar apareceu uma belíssima Senhora e um belíssimo homem, que sentavam sobre uma cadeira Angelical e que esperavam o fim do Saltério. Terminado isto, Maria, a nossa Mãe e Senhora, desceu e, ajoelhando-se, pediu a ele (estava com ela o seu Filho, o Salvador do mundo), a benção dos seus servos e dos seus salmodiantes. Ele consentiu e deu as bênçãos, e logo após seguia-se uma devoção maravilhosa e extraordinária, a comoção dos corações; também a doçura da devoção tomava a todos, e cada um gritava que tinha visto a maravilhosa e magnífica Senhora. Enfim o Educador, entrou na Ordem dos Pregadores, e a viveu muito santamente, tendo se tornado um grande pregador, recomendava sempre este Saltério e com coragem, procurava honrar louvar e elevar a Virgem Maria, e com um fim santo repousou em paz.

EXEMPLO III

O fortíssimo Guerreiro Bretão.

Naqueles tempos, quando São Domingos pregava aos Cristãos na terra dos Albigenses, ao mesmo tempo eram combatidas guerras contra os infiéis. Nos acampamentos dos fiéis combatiam muitíssimos Bretões, entre os quais um soldado guerreiro e vigoroso, mas com conduta de vida criminosa. São Domingos, portanto estimulava esses bretões a entregarem-se, em meio à tantos perigos, à Gloriosa Virgem, salmodiando o seu Saltério. Aquele soldado começou, então junto com os outros a recitar o Saltério da Virgem, com a intenção de afastar o perigo. E verdadeiramente escapou a muitíssimos perigos de guerra. Uma vez, fazendo uma viagem, entrou numa floresta onde combateu com numerosos ladrões, que irrompendo num grito o obrigaram a se defender; ele logo desembainhou a espada, que tinha pendurada o seu Rosário, visto que geralmente o recitava enquanto andava a cavalo. Desembainhou a espada e começou a agredir os ladrões. Então aqueles começaram a fugir e a gritar, não podiam resistir.

Surpreendido com isto, enquanto esses fugiam, repousou a espada na sua bainha: e então primeiramente notou que permanecia empilhado também o Rosário. Apertando-o com respeito o pendurou ao braço. Os ladrões se reuniram novamente, prepararam-se após sair da floresta e atacaram novamente o soldado. Ele extraiu a espada, e feriu muitos, quase todos. Um deles estava terrivelmente ferido, para curar as feridas, se orientou à Cidade onde ficava o mesmo Soldado, e o reconhecendo, o disse com obséquio: Me economize, se digo algo de grande sobre ti; Tu não és aquele que hoje nos escapou e nos feriu? Mas nós vimos a tua espada quase toda inflamada, e aterrorizados, não ousávamos nem nos aproximar, quando na primeira vez nos colocastes em fuga; e assim surpresos por tanto insólito furor, fugimos gritando. E quando novamente nos atacastes, vimos que tu tinhas sobre o braço um escudo, sobre o qual foram representados o Crucifixo, a Santíssima Virgem e muitos Santos; por isto não podíamos te fazer mal, mas sentimos os teus golpes. Ainda vejo o mesmo escudo no teu braço. Ele se maravilhou muito de ambas as coisas, negando o que disse sobre a espada e o escudo. Enfim aquele soldado Bretão pediu, para saber, quais eram estas coisas, visto que ele dizia de a ver ainda. Viu finalmente também o escudo como tinha sido descrito, e se maravilhou, porque tinha o seu Patriloquio (Rosário). Compreendeu que este milagre era fruto do Saltério de Maria Virgem. O mesmo Soldado, enquanto estava numa taverna, foi visto por quase trinta heréticos com armas: disseram que a morte para ele era iminente.

Ele respondeu que não; ao contrário, que ele venceria novamente. E colocou o seu Patriloquio sobre a sua cabeça, e foi ao encontro desses, confiante na Santíssima Virgem. E quando ia ao encontro desses, todos fugiram aterrorizados e muitos desses caíram. Por isso se surpreendeu e perguntou a esses porque fugiam assim, sem serem agredidos. E enquanto perguntava o porque, três dos mais fortes desses, vendo os comentários caíram aos seus pés, louvando a sua fé e pedindo para orar por eles. Ele se negou, não encontrando nada de bom em si, mas disse que havia desistido de os agredir.

Então contaram a ele o que tinham visto, a causa do terror e da fuga, dizendo: Te vimos com armas em chamas, e Cristo ferido que te protegia; das duas feridas saiam raios, que nos aterrorizavam. Do outro lado vimos a Santíssima Virgem que nos afugentava e nos aterrorizava com uma cordinha, por isso nós não ousamos resistir e não nos restou nenhuma coragem.

Vimos também os Anjos que te protegiam; por isso nos convertemos à Fé.

Numa terceira vez um Conte foi para a batalha: nomeou este Soldado como Capitão de quase mil soldados; ele sobre as armas, sobre o seu vexilo, e de cada um dos seus, colocou como símbolo um Saltério, dócil, confiando na ajuda da Virgem. Tinha diante deles muitos heréticos, cerca de vinte mil.

Atacados em batalha, quase todos os soldados inimigos foram mortos. O chefe do exército dos heréticos, após, correu ao Capitão, pedindo a graça, e narrou as coisas que tinha visto junto com os outros naquela guerra e disse: Te vimos munido de armas em chamas. E disse novamente que sobre a parte direita do seu Exército tinham visto a Santíssima Virgem Maria, que empunhava sobre esses a espada da qual foram colocados em fuga e eram aterrorizados. Ainda mais, porque vimos diante do Exercito dos Cristãos, Cristo ferido, das feridas saiam raios em chamas, que ali feriam. Mas viram também uma multidão de homens munidos de armas em chamas, que os protegiam e abatiam terrivelmente os outros; por isso fugiram, e precipitando foram mortos. Ninguém do Exercito do Capitão caiu. Vendo isto, o Capitão dos Heréticos se converteu à Fé. Após esta vitória admirável, São Domingos começou a convidá-lo à penitência, para que se confessasse, reconhecendo as coisas maravilhosas acontecidas ao seu redor; ele virou o rosto para o outro lado dizendo que ainda não tinha se saciado das coisas do mundo, e que ainda havia tempo para arrepender-se, que antes queria combater mais, e arrepender-se mais tarde. Insistia, porém, São Domingos para que ao menos se confessasse. Ele concordou, e começou a confessar-se com o mesmo. E logo que começou a se confessar, sentiu uma voz nas suas orelhas, que o dizia as coisas que tinha feito, assim como os lugares e todos os detalhes. Maravilhado por isso se virou para trás, para ver quem o dizia tais coisas, mas ele não viu ninguém, porém, São Domingos orando, viu a Santíssima Virgem Maria que sugeria os seus pecados e o levava à confessar-se.

Terminada a Confissão, São Domingos, voltou-se à Santíssima Virgem, pediu a penitência que devia o aplicar. E disse de o aplicar uma boa penitência. Por um ano então ele levou o cilício, permaneceu rodeado e munido de um círculo de ferro. Enfim converteu-se à Ordem dos Pregadores, e seguiu inseparavelmente o Beatíssimo Domingos até a morte, enquanto os outros retornavam sobre os próprios passos. Domingos perguntou se ele também queria voltar atrás e ele respondeu que não, e queria segui-lo em todos os lugares. Na verdade depois da morte do Santíssimo Domingos, perseverando na boa vida, ele também teve um santo fim.

EXEMPLO IV

O Bispo herético que se converteu através do Saltério de Maria.

São Domingos, que pregava em Albi sem obter resultados nas pregações, se lamentava com a Santíssima Virgem porque, por sua ordem, veio ali mas não conseguia concluir nada. Enquanto rezava o apareceu a Santíssima Virgem Maria o dizendo. “Não tens do que te surpreender, tu não obténs nada pregando, porque tu aras uma terra que não foi banhada, nem regada: deves saber, - disse - que Deus quando estava para renovar o mundo, mandou a chuva da sua Graça, ou seja, a Saudação Angélica. Através dessa reformou, o que antes tinha criado, assim então rezes o meu Saltério com as Orações e com o sistema das ciências, e assim obterás resultados”. Ouvindo isto São Domingos, alegre, fez como ela prometeu e obteve resultados.

Observou que depois da oração feita neste modo, vinham os frutos da Palavra, e a mesma Gloriosa Virgem Maria começou a ser celebrada, e junto a ela também ele. Um Bispo, homem de grande literatura e herético, ouviu a fama dele, porque Domingos rezava de forma que lhe parecia pueril e feminina, ou seja, a Ave Maria, enquanto ele mesmo preferia escutar coisas profundas e singulares; então desprezou a pregação e o Pregador, porque pregava, orações velhinhas; e pressionava os outros contra ele, assim que Domingos foi também agredido muito duramente por obra daquele Bispo, mas foi curado por Deus. Pouco tempo depois, enquanto o mesmo Bispo orava, teve uma visão, e dormindo parecia ver uma inundação da terra, uma água abissal levantar-se, que destruía todas as coisas e se aproximava dele. Então procurando um lugar para fugir, viu São Domingos, como o tinha visto no pregar, que edificava um ponto sobre aquelas águas e que sobre aquela ponte tinha cento e cinquenta torres; e todos que subiam na ponte se salvavam. O mesmo Domingos os acolhia e os dirigia de um lado ao outro. Os outros eram submersos. Ele se aproximou em seguida da ponte, para ser salvo, pedindo humildemente ao Santo de ser acolhido. Colocado na justa direção, mas salvo, e continuando além, chegou no final da ponte à um jardim cheio de flores e com todas as amenidades para os olhos. Neste viu uma Senhora que sentava sobre um trono real, com uma criança, e esta era a Santíssima Virgem Maria.

De acordo com que entrava junto com ele outros, era dado aos outros coroas de flores. Aqueles, de fato, saudavam a Virgem da salvação, agradecendo-a por terem sido salvos através da ponte e através do Pontífice, ou seja, São Domingos. Vendo isto, o Bispo se comportou normalmente. A Soberana Rainha o reprovou dizendo que ele não era digno de fugir. Porém outros o consolavam dizendo de não temer, se queria arrepender-se. E recebeu daquela Rainha um sinal, ou seja, uma Coroa como os outros, e humildemente se recolocou à sua vontade. Desaparecida esta visão, retornou em si muito consolado, e começou a refletir, que aquilo foi uma advertência para crer na pregação de um tão famoso pregador.

Começou então a rezar o Saltério que tinha sentido e continuou por muito tempo. Vieram neste intervalo sofrimentos de guerra ao seu povo pelo qual pensou de se entregar à pregação e louvar à Santíssima Virgem Maria. Enquanto ele dormia, como já em precedência, teve uma outra visão. Se encontrou entre montes num lugar pantanoso com outros, que mesmo tentando sair, alguns atolados até os joelhos, outros até a cintura, outros até o pescoço, permaneciam, não conseguindo sair. E visto que nem ele mesmo, nem os outros tinham podido sair, olhando para cima, viu uma Rainha sobre um monte com um homem, ou seja, São Domingos que olhava e mandava àqueles que estavam plantados na lama uma corrente de cento e cinquenta anéis de ouro e quinze pedras de ouro; graças à essa libertavam muitos e, libertados, o colocavam sobre o monte a salvo, o lavavam e o nutriam. Por isso também aquele invocou ajuda: ele também foi amavelmente retirado e lavado. Feito isto ele se voltou àquela Rainha. Eis antes eu te libertei do dilúvio das águas e terias permanecido naquele emaranhado se não te tivestes libertado com a minha ajuda. Existia ainda em ti uma frágil fé no Saltério, sem uma perfeita correção. E disse a Rainha: Serás então forte e incansável ao meu serviço: e desapareceu esta visão e ele permaneceu muito consolado e também tornou à paz. Terminadas as guerras e os sofrimentos, ele prosseguiu mais devotamente o exercício do Saltério da Virgem Maria. Enquanto o Bispo orava ele teve uma terceira visão, sem dúvidas, para uma confirmação da compreensão de Maria. Nesta visão, enquanto estava na China orando, ele viu um jovem, ou seja, um anjo que fazia uma cinta, e ele ofereceu o próprio Patriloquio, dos quais saiam pedras preciosas, com os quais construiu um grande número de Patriloquios, e tinha pedras preciosas tão esplendentes, que iluminavam com a sua luz toda a Igreja. Depois de ter completado esta cinta apresentou a mesma à Santíssima Virgem. Ela a recebendo e louvando a cinta, disse que estava muito agradecida, e o avisa de mandar numerosas cintas, e de fazer similares também para os outros, para poder ser tão mais merecedor da sua amizade. Quando saiu desta visão, permaneceu forte e consolado, serviu devotamente a Santíssima Virgem e a adorava diante de todos, abandonando todas as heresias e fazendo calar as vozes malignas. Dela também ele mesmo obteve um bom fim e foi felizmente erguido à glória eterna.

EXEMPLO V

Jácomo o usurário.

Na Itália tinha um Usurário muito famoso e renomado que possuía mansões, cidades e castelos. Muitos bens numerosos! Era mais poderoso do que os contes. Igualmente nos numerosos palácios e terras reinava sobre aqueles poucos. Ele, uma vez, ouviu São Domingos pregar o Saltério da Santíssima Virgem, e propondo-se a rezá-lo, adquiriu para si um Patriloquio muito precioso, que levava não só por devoção, mas talvez por ostentação, e passaram-se três anos. Uma vez tocado pela devoção, entrou num capela, onde inexplicavelmente ouviu a terrível voz de uma imagem de Maria, que o dizia: Jácomo, Jácomo, preste contas à mim e ao meu Filho, assim como tu o pedes normalmente aos teus súditos, também nos mínimos detalhes.

Ouviu isto algumas vezes. Por isso enfim ficou tão assustado que fugiu da Igreja. Tornando à casa, aquele terror do seu coração não parou. A mulher e os filhos o perguntaram porque estava preocupado. Ele contou o fato, mas esses responderam que era imaginação. Ao invés o perguntaram o que aconteceria, se ele restituísse todos os bens. Por isso não teve coragem de restituir, mas se estava persuadindo, de entregar a si mesmo e todos os seus bens à Virgem Maria. Depois de dois anos, enquanto ele mesmo cavalgava com uma numerosa comitiva, como se fosse proprietário de todas as suas riquezas, eis que lobos e ursos o atacaram, quanto às outras feras, não eram em grau de as ver, mas ouviam sua agitação e os rumores. Caído do cavalo por obra desses, as feras depois de terem degolado o cavalo, o morderam miseravelmente, enquanto ele estava ferido na cabeça, nas pernas e em todo o corpo. Os outros que estavam com ele, o exortavam a recorrer à Santíssima Virgem; e o fez, propondo-se de se arrepender, e assim fugiu ao menos da morte corporal. O conduziram gravemente ferido a uma casa nobre onde cuidaram dele. Mas voltando para casa, mesmo querendo se corrigir não mudou de vida como se tinha proposto, devido ao amor pela mulher e pelos filhos. Depois de dois anos, ele cavalgava novamente com uma grande comitiva, e começaram a cair horrivelmente raios e trovões. Ele foi raptado por uma ventania, e transportado para o alto pelos demônios com o cavalo à distância de seis milhas, então ele gritou para a Santíssima Virgem Maria, prometendo de se arrepender. Maria aproximou-se com um Patriloquio semelhante ao raio, e distanciando todos os demônios que estavam presentes para o fazer mal, com as próprias mãos o trouxe à terra, ainda sentado sobre o cavalo. Após isso a Virgem Maria desapareceu. Aterrorizado pela visão dos demônios, o cavalo, como se fosse furibundo, corria através dos prados nas diversas direções. Enfim entraram numa casinha na beira da estrada, e ficaram muito assustados aqueles que tinha sido desviados da terrível visão: o cavalo e quem o cavalgava. E assim se distanciou da Virgem de novo porque não tinha coragem de restituir, mas pela pobreza sua e de seus familiares, não cumpriu a promessa. Se confessou, porém, sem ter a alma de restituir os bens subtraídos com a usura. Em relação ao mérito, mesmo comovido, o Confessor o absolveu e o aconselhou que não abandonasse o benéfico serviço da Virgem Maria.

Depois de tais fatos fazia muitas obras boas, construiu mosteiros em vários lugares, dava abundantes esmolas. Em seguida lhe apareceu a Santíssima Virgem Maria, perguntado-o se não restituiria os bens que não o pertenciam. Enquanto ele respondia, que não tinha coragem de fazer isto a Santíssima Virgem docemente disse que se ele quisesse os restituir, teria em troca tudo o que desejasse. Ele concordou, e eis que lhe deram inumeráveis dons através da Imperatriz do Paraíso Celeste. Logo ele viu a casa cheia de riquezas, observando atentamente as quais, foi tentado pela inveja, e ainda as reteve junto as próprias coisas, assim concedeu através da Virgem. Se aproximou porém a Virgem Maria ameaçando-o de tirar-lhe a riqueza que lhe tinha dado, junto com a sua riqueza e a própria vida, se não se decidisse em cumprir a promessa. Assustado começou a escrever para os seus bancos, e anunciou publicamente a restituição das terras, dando-as à cada um. E foi isto que ele fez: se livrou de todos aqueles bens. Ficaram somente as coisas que tinha antes, graças as quais fazia muitas obras boas. Aproximando-se ao fim da sua vida, a Virgem Maria o comunicou de dar ordens à sua família, porque naquele dia seria morto. Era, de fato, muito velho. Tendo dado as ordens à família, morreu munido dos Sacramentos Eclesiásticos.

Estavam ao lado dele inumeráveis demônios, os quais pegaram a sua alma e miseravelmente a dilaceraram, e ele gritava dolorosamente; mas enquanto esse se aproximava das portas do Inferno, apareceu uma Rainha belíssima com o Arcanjo Miguel, que o parou e perguntou por que levavam embora daquele modo o seu servo. Esses expondo todos os pecados sustentaram que ele os pertencia. A esses respondeu a Rainha Virgem: Prendeis uma balança, e se pesem todas as obras malignas, contra as obras boas; ele de fato fez algumas obras boas. Assim foi feito. Mas as obras malignas logo desceram enquanto as boas subiam. Então a Santíssima Virgem acrescentou um pequeno Patriloquio às suas obras boas, e logo a parte das obras boas desceram, pesando mais do que todas as coisas ruins que jaziam sobre a outra parte da balança. A Gloriosa Virgem Maria disse que um Saltério tinha mais méritos do que todas as coisas ruins dele. Assim então foi reentregue e restituído à Virgem Maria, vendo fugir os demônios numerosos (os quais não ousavam se aproximar, mas blasfemavam a Santíssima Virgem e se agrediam entre eles). De forma assustadora, porém, todos os demônios atacaram com clamor o demônio que custodiava aquele Usurário e o reprovavam enquanto o agrediam, porque, mesmo o tendo por muito tempo acorrentado com tantas correntes, o tinham deixado escapar. E também porque ele tinha permitido rezar o Saltério. Confusos retornaram ao Inferno com enorme tumulto. Libertado dos demônios, ele subiu com a Virgem Gloriosa aos altíssimos e luminosos Reinos: Jesus Cristo junto à Virgem Maria possam o conceder também à nós seus servos. Amém.

EXEMPLO VI

O pagão Eleodato, maravilhosamente convertido através do Saltério da gloriosa Virgem Maria.

Existia um pagão de nome Eleodato, que antes incorreu nos seis males de Eva, e depois teve os seis bens de Maria. Houve uma guerra contra os Pagãos, na Espanha, ou seja no Reino de Granada, onde os Cristãos pegaram, entre outros prisioneiros, um Soldado poderoso junto com a sua mulher e filhos, os quais levados na terra dos Cristãos, foram vendidos. Um dos filhos, que era seu prisioneiro, de idade de vinte anos, começou logo à ser tomado por gravíssimas preocupações. Primeiramente sentiu uma grande tristeza pela sua prisão e desesperado, frequentemente queria se matar. Em segundo Lugar, chegou à uma tal infelicidade, que perdeu o uso de todos os seus membros. Em terceiro lugar veio uma tão grande miséria e desventura, que mal podia ter pão e água e pobres vestimentas, ele que antes ao invés era assiduamente correto quando era livre entre os pagãos enquanto filho de um potente e grande Soldado. Em quarto lugar, teve esta desgraça, porque as feridas que tinha adquirido na guerra, apodreceram tanto que se encheram de fedor e de vermes horríveis. O cheiro repugnante dele se levantava como de uma fossa. Em quinto lugar, era tão atormentado no seu corpo de muitíssimos demônios, por conta da ira. Em sexto lugar, chegou a uma tal fúria, que com a imaginação viu aberto o inferno, e dizia sempre que ele iria ali, e que nunca seria libertado. Sempre naqueles males invocou o diabo, e com todas as forças blasfemou Cristo e a Mãe dele Maria. esses seis males são o contrário das seis palavras colocadas na última parte da Saudação de Maria (O fruto, do Vosso ventre, Jesus, Amém). O Santíssimo Domingos, que estava na Espanha, em Compostela onde pregava, veio a saber da grande miséria daquele pagão e foi até ele. Sabendo que ele era Pagão, disse: Ó filho, queres te tornar são? E ele o respondeu: Sim, oh Senhor. E Domingos disse: Torne-se Cristão, e logo serás totalmente salvo.

Então aquele Pagão exclamou dizendo: Que esteja longe de mim abandonar as leis dos meus pais. Nem se me oferecessem todos os bens do mundo. Visto então que São Domingos não conseguia ter nenhum resultado com ele, o disse novamente: Filho, conheço duas cantilenas muito eficazes, que se as recitares em qualquer lugar por cento e cinquenta vezes, logo estarás curado. O Pagão disse: As quero recitar a todo custo, enquanto não sejam contrárias à minha lei. A ele São Domingos com santo engano respondeu: Oh filho, estas cantilenas não são contrárias à lei divina, mas são a favor desta; estas não te suscitarão aversões, mas te serão úteis. E Eleodato o respondeu: desejo de as repetir sempre, enquanto isto não seja relativo ao vosso Cristo e sobre Maria. E Domingos disse: Oh filho, te digo que estas cantilenas, que te rezarei, são muitos exultantes, frutuosas e úteis contra todas as adversidades. São úteis sobre a boca dos Pagãos e dos judeus, e rezadas por qualquer um, mantém sempre a mesma eficácia.

Assim então este Santíssimo Pai Domingos piamente enganou este pobre Pagão, assim que deu o consenso ao desejo de Domingos. Por isso São Domingos o ensinou a pregar o Pai Nosso e a Saudação Angélica, depois de ter escondido na aparência os nomes de Maria e de Jesus Cristo, se bem implicitamente esses estivessem nas palavras das orações.

Visto que aquele Pagão, tinha começado a dizer aquelas cantilenas, mas sustentava de não conseguir decorá-las, Domingos, orando por ele, o fez aprender de cor de forma muito completa, dizendo, que assim podia avaliar qual era a eficácia das cantilenas, as quais, num átimo, tinham restituído o saber e a memória completa, à ele, homem esquecido de tudo. Portanto aquele Eleodato começou a salmodiar o Saltério da Virgem Maria, porém, não com intenção cristã, mas com um espírito mundano, sempre pedindo a saúde do corpo mais do que da alma. Coisa admirável! Enquanto São Domingos se distanciou e aquele pagão continuou a orar no modo dito, logo no final do primeiro Saltério, começou a sentir dentro de si uma alegria maravilhosa, como se fosse em meio as delícias do Paraíso. O segundo dia depois da cantilena do Saltério, logo por virtude divina recuperou a força dos membros. No terceiro dia encontrou um grande tesouro sob a sua cama, e assim se converteu, e logo após ter recebido o batismo, fez muitas obras para os fiéis das Igrejas, e nas casas dos pobres.

De fato, ali tinham cem mil áureas: e era um tesouro escondido de um rei pagão. Um áureo qualquer, valia seis ou sete áureos modernos. Tinha também ali muitíssima prata em uma caverna subterrânea quadrada, que Eleodato tinha descoberto por acaso, sob o pavimento no seu tugúrio, querendo adaptar como sua habitação. Colocando essas coisas à disposição de São Domingos, foram financiadas muitas expedições contra os Pagãos.

No quarto dia depois de ter realizado o Saltério, os demônios que o atormentavam gritando e urrando o abandonaram. No quinto dia nossa Senhora curou todas as suas feridas, e o disse que seria necessário que ele se lavasse na fonte da vida, se desejasse ser curado totalmente em todos os aspectos. No sexto dia, realizado o Saltério, teve uma visão celeste, onde viu a glória dos Santos e onde parecia que todas as coisas eram julgadas por Cristo, e muitíssimos desses recebiam a perpetua condenação, pouquíssimos eram escolhidos para a glória. Visto que ele mesmo com outros devia receber a condenação, chegou uma belíssima Rainha, que orou por ele, para que graças à ela fosse poupado. E o juiz a perguntou: O que aquele tinha feito de bom. E a Senhora o disse: Ao contrário, oh Senhor! Ele recitou para nós seis Saltérios de cada vez. Aquele Pagão tendo visto isto, retornou em si, logo se fez batizar, e teve fé em Cristo e em Maria e fez muitas boas coisas, terminou a vida à serviço da gloriosa Virgem Maria, e assim ele ganhou o Céu. Amém.

EXEMPLO VII

O Cardeal devoto.

MARIA FALA AO SEU NOVO ESPOSO ALANO, DIZENDO:

Oh doce Esposo, te conto o exemplo de um Cardeal, contemporâneo a São Domingos, que antes foi companheiro de Domingos, nas Escolas de Oxford, logo se apegou e se tornou amigo daquele, e assim pela virtude e pelas orações dele, entrou na Ordem Cistercense na Espanha.

Ele então se tornou Cardeal de Santa Maria em Trastevere, escutando em Roma o meu Domingos que pregava o meu Saltério com muito fervor, admiravelmente arrependido e elevado da doçura dos frutos do Saltério, chamou Domingos e aprendeu aquele modo especial de orar. No qual as primeira cinquenta orações são rezadas e dedicadas à Encarnação do meu pequeno filho. Uma outra em honra da paixão de Cristo e do meu sofrimento por ele. A terceira é dedicada aos sete Sacramentos da Igreja, que são derivados da Paixão e da Encarnação de Cristo seja em vantagem dos próprios devotos, seja pelos pecados que ele cometeu durante a vida, na atividade, e dignidade por motivo das varias ocupações profanas. Teria recitado também as primeiras cinquenta orações em honra da Encarnação de Cristo, para que Deus desse a graça de viver bem, através desta. A segunda, para que tivesse a graça de morrer bem, através da Paixão e Morte de Cristo. A terceira para que concedesse honrar os Sacramentos, e especialmente o Sacramento da Eucaristia e da Penitência no arrependimento, na Confissão e na satisfação, para que não morresse sem um completo e devoto acolhimento dos Sacramentos e fizesse tudo segundo as regras. E tendo eu ensinado esses modos, São Domingos muito frequentemente os pregou. São métodos ótimos contra todos os males e em favor de todos os bens. Assim então aquele Cardeal logo obedeceu as palavras do santo homem e com todas as forças começou e recitar o Saltério, a se ocupar do próximo e a evangelizar. Enfim fez de forma que fosse recitado por muitos na sua Ordem Cistercense. Tendo se rebelado depois de cinco anos (com a colaboração do diabo), contra o Sumo Pontífice, quase todos juntos, com o único propósito de recuperar o domínio imperial (alguns nobres incitavam o Povo Romano a tal fim), tendo pressionado o Sumo Pontífice e todos os Cardeais a fugir escondido num Castelo próximo a Roma, o seguiram e o circundaram com um potentíssimo assédio. Visto que então faltavam os alimentos, e a falta de bebidas e comidas era tanta que muitos Eclesiásticos motivados pela necessidade, comiam as carnes dos seus cavalos e das suas mulas. O dito Cardeal, encontrando-se com toda a Igreja Romana em grande perigo, com fé pregou o meu Saltério à todos aqueles que estavam fechados no Castelo, prometendo à eles, e afirmando, que, se rezassem esse, não deveriam duvidar que chegaria socorro. Todos, do Sumo Pontífice ao menor servo do Castelo, rezaram o meu Saltério com muitíssimo choro e gemido. A obra da minha grande piedade aconteceu logo após. No terceiro dia os Romanos, que assediavam o Castelo, foram confundidos e marcados por tanto terror, e arrependidos pela penitência, que muitos, abandonaram as armas e fugiram.

Os Nobres e os Chefes, abandonadas as armas e somente com as camisas, nus com as cordas amarradas no pescoço, se aproximaram do Castelo implorando misericórdia e paz. Concedida esta muito alegremente e em pouquíssimo tempo, aqueles que antes eram inimigos, conduziram à Roma o Sumo Pontífice com máxima glória e o colocaram na sua sede. E em relação à isso não é tudo. O dito cardeal mandado numa missão junto aos fiéis que combatiam na Terra Santa contra os ímpios Sarracenos, tendo pregado ali o meu Saltério, obteve uma vitória maravilhosa contra os seus inimigos.

Três mil Cristãos venceram mais de cem mil Infiéis, naquela batalha. Todos os outros Cristãos foram aprisionados pelos Pagãos, mortos ou exterminados pela peste. E mesmo que os Cristãos fossem pouquíssimos e tivessem inimigos quase inumeráveis por todas as partes, indubitavelmente, porém recuperariam a Terra Santa, se permanecessem constante e tivessem combatido, mas por um conselho, e sendo discordes, depois da dita vitória retornaram as próprias casas. De fato sentiram que o Sultão com todos os seus, e com um infinita multidão se aproximavam velozmente contra eles: o que mais? Aquele Cardeal logo depois disto perseverou na ação empreendida até o fim da vida, e avisado por mim mesma, por cento e cinquenta dias antes da sua morte fez uma grandíssima penitência, jejuando, chorando, se disciplinando, vigiando e confessando os seus pecados. No final de três dias, porém, ele não conseguia abrir a sua boca.

Quando todos desesperavam para que ele pudesse receber a Eucaristia, no terceiro dia eu apareci para ele, e o tocando a língua com a Mão Virgem, restitui a sua sensibilidade, e um perfeito falar. Por isto, recebido os Sacramentos muito devotamente, ele chorou muito ao receber o Corpo do Senhor, meu Filho, que nenhum dos presentes tinham visto tanto choro de um homem próximo à morte. Na verdade os seus olhos pareciam quase dois pequenos riachos que jorravam água. O seu coração era agitado por fortíssimas palpitações (pelo forte arrependimento), e por muito tempo o som dos movimentos do coração foi examinado do seu jazigo. Fato admirável! Aquele filho, era agitado por muitos soluços e por imensos gemidos de salvação eterna pelo arrependimento dos seus pecados, pelo amor de Cristo, e pelo desejo da Corte Celeste. O seu coração, como um vaso cheio de ótimo vinho puro e fresco, se rompeu e emitiu através da boca o sangue do coração despedaçado, tornou o espírito entre as mãos do meu Filho que era próximo, e sob a sua guia, chegou à alegria eterna. Por isso, oh Homens Eclesiásticos, considerais essa história e tornais alegres à Confraternidade do meu Saltério, para que através desta se tornais Cidadãos da Corte Celeste. Amém.

EXEMPLO VIII

Alano o Bretão, Soldado devoto

Um certo Soldado devoto, de nome Alano da Vale Colora da Gália, próximo ao Dinan na Bretanha, andava pela terra dos Albigenses com o Conde de Montfort, e com muitos outros da Bretanha, para o combate. No tempo em que São Domingos combatendo naquele lugar, com o espírito, contra os heréticos, pregava coisas maravilhosas sobre o Saltério da Virgem Maria, graças as quais convertia a fé de Cristo muito mais do que com qualquer outra pregação.

Este devoto Soldado, pelo ensinamento e advertência de São Domingos, cada dia recitava o Saltério da Virgem Maria, meditando devotamente os artigos da Encarnação e da Paixão de Cristo, e pedindo infalivelmente ajoelhado.

A este Soldado de Cristo e da Virgem Maria, então, aconteceu coisas extraordinárias, através do Saltério da Virgem Maria. Certa vez, indo ao campo de batalha com pouquíssimos, foi cercado por uma grandíssima multidão de hereges, e já cansado, não era capaz de resistir. A Virgem Maria, nossa Senhora muito misericordiosa Mãe de Deus, apareceu ali e lançou terrivelmente e visivelmente cento e cinquenta pedras contras os inimigos, lançando por terra aqueles, enquanto ele com os seus foram libertados. E muitas outras coisas parecidas aconteceram ali. Um outro dia, tendo naufragado na sua terra, uma rainha belíssima construía visivelmente para ele uma passagem e um ponte com cento e cinquenta fundamentos, e ele, tão ileso, caminhando através do mar, foi conduzido até a terra firme.

Enfim este Alano, retornando na própria terra fundou um Convento de grandes dimensões de Frades da ordem dos Pregadores, enquanto ainda vivia São Domingos, e se tornou o Pregador Máximo na mesma Ordem. E ele, pregando em toda a França, ensinou também muitos a rezar devotamente a cada dia o Saltério da Santíssima Virgem, e morreu muito santamente em Aureliana. E o enterraram muito dignamente diante do Altar da Virgem Maria, ali no Convento da mesma Ordem. A sua boca e as suas mãos, motivados pelo Saltério da Virgem Maria, depois da sua morte brilharam com grande esplendor e candura, como um cristal.

EXEMPLO IX

Bartolomeu, Conde da Itália.

Na Itália tinha um Conde de nome Bartolomeu, famosíssimo pelo seu poder, perversão e iniquidade. Este uma vez se confessando com São Domingos, que ali pregava (era normal confessar, homens famosos e doutores, os quais o estimavam, talvez pela popularidade, ou por um certo interesse; ele não fazia como então fazem os confessores dos grandes senhores e dos príncipes, que dor! Os quais não os reprovam pelas próprias ações), soube de nunca se ter confessado bem. De fato ele costumava contar aos outros confessores, só a espuma107 dos seus pecados (como muitos agora fazem).

107 Delicada metáfora na qual a Espuma significa somente o estrato superficial de algo que se pode entender bem mais profundo.

São Domingos (que tinha a graça especial de Deus de conhecer as consciências de todos aqueles que se confessavam com ele, e todos os pecados e as graças deles) sentia e via com absoluta clareza os inumeráveis pecados na consciência daquele, devido aos males que ele tinha confessado, e dos quais antes não tinha consciência. A ele então que estava muito arrependido, e que tinha um bom propósito, São Domingos para que pudesse examinar integralmente a sua consciência, ordenou de recitar cada dia o Saltério da Virgem Maria, como era aconselhado aos grandes e aos nobres. E lhe dando um Saltério de cento e cinquenta pequenas contas, e de outras quinze grandes colocados entre uma dezena e outra (e assim formado por três Coroas) ordenou, de ser cuidadoso ao fazer para si um pequeno Saltério, o Rosário, os quais quinze grandes contas fossem de várias cores, com os quais era normal rezar os Pai Nossos, e com os quais pudesse refletir sobre toda a vida e os pecados rezando o Saltério, e chamando à memória as graças e os benéficos de Deus, meditar e refletir sobre a Encarnação e a Paixão de Cristo, a glória dos santos e as penas dos condenados.

As primeiras cinco grandes contas da primeira Coroa devem ser assim: A primeira colorida com varias cores, indicando os seus vários pecados, e os cento e cinquenta pecados do mundo e outras tantas penas e misérias. A segunda amarela, indicando a morte, e os cento e cinquenta perigos desta.

A terceira vermelha, que indicava o Juízo, seja particular, seja universal, e as cento e cinquenta penas gerais desse. A quarta negra, indicando o Inferno, e as cento e cinquenta penas gerais desse. A quinta cor de ouro, indicando a glória do Paraíso, e as cento e cinquenta exultações universais desse. As outras cinco grandes contas que tinha tido o cuidado de preparar, para a segunda Coroa eram tais.

A primeira era a Imagem do Crucifixo, indicando a Paixão de Cristo com os seus cento e cinquenta frutos que vieram a nós.

A segunda era a Imagem de Maria, com Cristo, indicando a Encarnação de Cristo que tem as cento e cinquenta exultações da Virgem Maria.

A terceira era um Anel, indicando o matrimônio da Virgem Maria com Deus Pai, e através desta, da alma devota com Deus que tem outros tantos privilégios.

A quarta era o cordeiro que indicava a misericórdia de Deus oferecendo a todos que oravam com as cento e cinquenta bênçãos que chegaram aos santos da esplendida visão de Cristo e especialmente àqueles que salmodiaram esse Saltério da Virgem Maria.

Na terceira Coroa depois havia outras cinco grandes contas de admirável significado.

A primeira tinha a forma de uma belíssima maçã, indicando os cento e cinquenta frutos do Paraíso, que serão dados àqueles que salmodiaram esse Saltério.

A segunda era uma taça vazia na forma de um pequeno vaso dentro do qual tinha Relíquias dos Santos, indicando as cento e cinquenta ajudas, que serão dadas àqueles que oram o Saltério.

A terceira tinha a forma de chave, indicando que as chaves do inferno estarão longe deles, e que as chaves dos Céus em cento e cinquenta modos com os tesouros dos Céus serão entregues à estes.

A quarta era uma moeda, na qual estava escrito o Nome de Jesus, que indicava a Santa Eucaristia, com a qual morrem àqueles que oram o Saltério da Virgem Maria.

A quinta era um quadrado vazio com o interno em forma de taça que indicava os Sacramentos da Igreja, à qual alma é destinada, e nestes existem cento e cinquenta benefícios, segundo as quinze potências do homem multiplicadas pelos Dez Mandamentos de Deus, e outros méritos e prêmios, como foi dito claramente em outro lugar.

Assim este Conde num ano progrediu tanto, e visto que o diabo, invejoso e inimigo dele, decidiu o vigiar; ele não podendo resistir lançou o seu Saltério no pescoço do diabo e o fez prisioneiro sob o seu poder. Lançando-o no chão e pisando-o, enquanto este gritava e urrava horrivelmente, jurando-o que nunca mais o iria fazer mal, pedindo que o permitisse ir embora, deixando ir, depois de o ter agredido como queria, não voltou nunca mais à ele. O dito Conde tendo observado o valor do Saltério da Gloriosa Virgem Maria, graças ao qual tinha assim bloqueado o diabo, visto que possuía um belíssimo Castelo totalmente inóspito por causa dos demônios que habitavam ali, e que faziam horríveis prepotências, fez pintar as paredes e colocou nos quartos e por todo o Castelo muitos rosários.

E assim os demônios que como sempre vinham de noite e gritavam horrivelmente, desde então não ousaram mais entrar em lugar nenhum.

Enfim pediu a Nossa Senhora, de o mostrar algumas vezes a Exultação Celeste. Pouco depois, enquanto orando devotamente seguia o seu Saltério, viu um Anjo de Deus pegar das suas mãos um Rosário de cento e cinquenta pedras preciosas, e o levar com grande exultação ao Céu, o entregando à Santíssima Virgem. E logo, o tendo nas suas mãos, estas cento e cinquenta pedras se tornaram montes de pedras preciosas das quais essa construía um palácio de grandeza e beleza quase que infinita. Bartolomeu, vendo isto, decidiu dentro de si de não recitar somente um só Saltério, mas muitos, assim que em todos os lugares e em todos os tempos, este, mesmo parado, continuava orando enquanto caminhava e quando fazia qualquer coisa, para construir no céu muitos palácios. Em seguida, aparecendo Nossa Senhora a ele, e anunciando a morte, morreu com a máxima devoção. Amém.

EXEMPLO X

Quanto seja útil levar o Saltério da Virgem Maria.

Um grande rei, querendo estimular a sua família a rezar o Saltério da Virgem Maria, carregava na sua cintura um grande Rosário, que porém não recitava. E assim todos, vendo o Rei que o carregava, passaram a o rezar. O que mais? Este Rei, morto, e conduzido ao Juízo de Deus, viu que deveria ser condenado aos tormentos do Inferno, porque mesmo tendo feito algo de bom, tinha cometido muitos pecados na guerra, nos roubos, na soberba, na gula e tantas outras coisas. E enquanto era dada a sentença de condenação contra ele, se aproximou dele a Virgem Maria, dizendo de ter algo de bom, e ao mesmo tempo estendeu no meio daquele o Pai Nosso, que aquele Réu levava, e que, porém não tinha recitado. Portanto sobre a balança foram colocados muitíssimos males de um lado e de outro lado o seu Rosário. Admirável! Então os demônios furiosos, blasfemando contra a Virgem Maria, começaram e querer tornar mais pesada a parte mais alta da balança, dizendo: Oh Maria, injustamente à ele fizesses igualdade. O que mais? Se voltando ao Rei, Maria disse: Eis que para ti obtive do meu Filho aquele pequeno favor, que tu me mostrastes, de voltar à vida e de te colocar na balança do teu lado. Enquanto isso o Rei jazia morto na sua casa e devia ser levado ao sepulcro. E subitamente, sob os olhos de todos, ele ressuscitou e disse: Oh bendito seja o Saltério da Virgem Maria, através do qual fui libertado da condenação do Inferno. Portanto arrependido de todas as coisas, desde então levou o Saltério de Maria e também o rezou muito devotamente. Acredita-se que este fato tenha acontecido, a um Rei da Espanha, no tempo do Pregador São Domingos.

EXEMPLO XI

O Reverendo Padre Frade Pedro, Superior Certosino.

Pela primeira Certosa, que foi colocada na Diocese Grazionapolitana, e que é mãe e origem de todos os Mosteiros da Ordem Certosina, passava um Superior da mesma Ordem, e por devoção permaneceu ali, aquele era muito devoto ao Senhor Jesus. Ele estendendo-se no chão num lugar diante do altar pediu pela libertação da dificuldade, que de forma gravíssima perseguiam o seu Mosteiro. De fato o seu Mosteiro nas partes do reino na Espanha foi atacado por guerras, e oprimido pelos potentes tanto que todas as rendas e os bens do Mosteiro se tornaram deles. Assim enquanto separadamente cada dia no espaço de quinze dias perdurava na oração, no final subitamente raptado em Espírito não como era de costume (ele tinha uma total devoção), mas de modo mais alto, viu muito claramente o Senhor Jesus Cristo que apareceu na glória admirável da Paixão, e levava quinze armas de maravilhoso decoro, ou seja, cinco lanças, cinco hastes, e cinco lanças, que brilhavam todas com o Sangue de Cristo e brilhavam como estrelas. A ele o devotíssimo Filho de Maria disse: Não temas, Pedro, com estas armas, de fato, vencerás todas as adversidades. Oh Senhor, o que faz destas armas tão gloriosas? A ele o Senhor respondeu: São as quinze excelências da Oração do Senhor, que são capazes de liberar de todas as contrariedades, vai então e prega o meu Saltério e fale com os teus; e logo sentirás a minha ajuda. E mostro quais e quantas são estas virtudes tanto admiráveis. De fato, tendo pregado isto, retornando a sua terra, em pouco tempo, todos os inimigos foram à ruína, os saqueadores restituíram as coisas subtraídas. Os seus Religiosos se fortaleceram; num outro local os saqueadores que, porém, eram mais de quinhentos cavaleiros, entrando justamente para fazer um saque nos campos deles, nas vinhas, e no Mosteiro, subitamente se tornaram furiosos ou possuídos pelo demônio ou atingidos por paralisia, tanto que não puderam sair, nem se mover de nenhum lugar sem ter feito penitência, e ter pedido ao mesmo Superior perdão com humildade. Estas coisas narra João do Monte, que afirma que esse Certosino era um seu parente.

EXEMPLO XII

O Certosino que viu Jesus irado com o mundo, pronto a golpeá-lo, se não fosse a intervenção da Santíssima Virgem.

Notar bem: Alano não é o autor do seguinte exemplo, mas o seu Coletor, o Transcritor póstumo, inseriu isto, enquanto ele era um Certosino, e isto aconteceu no ano de 1479, no final daquele ano este livro foi impresso; estando morto Alano quatro anos antes, de acordo com a Vontade de Deus.

Um Certosino, muito devoto à gloriosíssima Mãe de Deus, era também amado, pelo fato que todos os dias nos tempos apropriados recitava devotamente o Saltério da sempre Gloriosíssima Virgem Maria com alguns meditações à mesma.

Por isso uma vez, enquanto depois da Hora das Completas, tendo completado suas devotas meditações com o Saltério, logo os seus olhos se tornaram pesados pelo sono, e ele raptado em espírito por muito tempo, foi conduzido a um palácio real e solene, onde viu uma grandíssima multidão, vestida com vários ornamentos. Entre as outras coisas viu o Rei coroado com todas as decorações, ao qual estavam próximos muitos servos. Era presente também a mesma Rainha belíssima à sua direita, que estava parada ao lado direito de Deus, cheia de hastes em fogo e chamas, o qual como um lançador de hastes levantou a mão do alto para a terra. A ele a Rainha disse: Não o faça, oh meu Filho amadíssimo, não o faça, mas perdoa os míseros pecadores, para que façam penitência. Então o Rei respondeu à Rainha. Não me chamam de justo em todas as minhas estradas? Porque então não faria justiça? Não vês o que faz o mundo? A iniquidade não tem supremacia em todas as situações? Então, tu não impeças a obra da justiça. A ele a Rainha: Confesso a verdade, oh meu amadíssimo Filho, mas talvez a Misericórdia não foi levantada acima de todos os Céus? E por isso não poderei negar a Misericórdia. Talvez não esteja escrito: Quando recorrem a ti, te recordarás da Misericórdia? Respondeu o Rei: Dizes a verdade, porque quero a Misericórdia e não a rigorosa Justiça, mas ninguém pediu Misericórdia, então diretamente se faz Justiça.

Respondeu a Rainha: Mesmo que os homens não peçam Misericórdia, pedem, porém que a seja dada. E sabes que a carne humana foi propagada da matéria corrompida, por isso tende para a corrupção, mais do que para a perfeição. E visto que não poderá ressurgir, se não através da ajuda das Graças. Por isso eu, que sou dita Mãe de Misericórdia e das Graças, de nenhuma forma a posso negar, porque sou Cheia, a qual plenitude antes da tua concepção o Anjo me anunciou, dizendo: Ave, oh Cheia de Graça, o Senhor é convosco. Afundarei então a mesma plenitude da Graça nos míseros que precisam. Te peço de querer acolher este meu pedido.

Respondeu o Rei à mãe: Peças e o filho não te negará nada. Então a Mãe Rainha disse: Mesmo que, oh meu Filho, todo o mundo da cabeça até os pés se destrua e não exista sanidade do maior ao menor, e mesmo que a vossa Santa Igreja Católica corra muito risco, e se mantenha sobre o membro contaminado, porém eu, Mãe das Graças, difundirei uma pequena Graça no mundo como um doce medicamento, para que cada um a receba, e a use no devido modo, e seja curado totalmente. E disse ainda a Rainha: Eis este homem, que não com uma ação especial me venera em três grupos de cinquenta Ave Maria e de quinze Pai Nossos, no Saltério, e neste quer devotamente meditar a minha Concepção até a tua Morte; sobretudo sobre a alegria da tua Ressurreição. Então peço, que todo aquele que recitar o meu Saltério devotamente, ajoelhado, com estas meditações, seja salvo e não morra de nenhuma morte ruim, nem seja oprimido por qualquer outro perigo, e distancies, por favor, a tua indignação dele.

Então o Rei, deposta a haste em chamas e inflamada, abraçou a Rainha, dizendo: O Mãe amadíssima, não é possível te negar a obra de salvação, porque todas estas coisas que contas, foram os princípios da salvação. Cada um então que cumprir devotamente e sem pecado mortal aquelas coisas, assim como pedes, terás de mim Misericórdia, Graça e Vida Eterna. E poderás conceder também tu aos teus servos, à serviço do teu Saltério, e aqueles que te servem nas meditações do mesmo, cada Graça com benigno favor, qualquer uma que pedires. Ditas estas palavras a Rainha abraçou o Rei muito afetuosamente, e inclinando-se humildemente, se sentou novamente ao lado dele sobre um trono dourado, próximo a muitos Coros de Santos. E logo o Espírito deste homem retornou ao corpo. E aquele bom homem, como se tivesse se adormentado num sono pesado, se acordou e meditava na mente esta visão. E eis numa hora da manhã, quando já novamente tinha terminado com as costumeiras meditações, o primeiro grupo de cinquenta orações do Saltério da Gloriosa Virgem Maria, o apareceu a Santíssima Virgem Maria visivelmente na máxima luminosidade. Tendo-a visto, aquele frade ficou muito perturbado. A Santíssima Virgem Maria disse a ele: Amigo, não temas, sou aquela Rainha que esta noite vistes em espírito. Eis que vistes então o poderoso Rei segurando as hastes em chamas e inflamadas, me vistes também segurar a sua mão pronta para lançá-la na terra. Tu então escutes diligentemente, e cumpre as coisas que te ordenarei, e salvarás a muitos contigo, que de outra forma estariam em grande perigo. Através daquelas hastes em chamas e inflamadas que vistes na mão do Rei, foram dispostas várias feridas horríveis, com as quais meu Filho muito justamente, por causa da enormidade dos pecados, decidiu agredir o mundo. Mas eu, que sou chamada de Mãe das Graças e da Misericórdia, segurei a sua mão para que não fizesse isto no furor da sua indignação, e obtive Misericórdia. Tu então não demores mais para ensinar, na forma na qual costumas me venerar no meu Saltério, em público com os textos e as palavras o Saltério.

Mesmo que tenha sido concedido muitas Indulgências ao meu Saltério, eu porém concederei indulgências muitas maiores àqueles que rezam devotamente sem pecado mortal e ajoelhados o meu Saltério, para cada grupo de cinquenta orações. Ainda, à cada um que perseverará neste Saltério com os Mistérios ditos antes, na sua última ora pelo fiel serviço, concederei a ele as remissões plenárias da pena, e da culpa de todos os seus pecados. Que isso por outro lado não pareça incredível às tuas orelhas: esta se é lícito ao Vicário sobre a Terra do meu Filho, vale dizer ao Papa, ao qual deu este poder, muito mais será lícito à mim, Mãe do Rei Celeste, que são chamadas a Cheia de Graças, e se Cheia, então espalharei amplamente a Graça aos meus caros. Por isso, como um Soldado fiel, conduz até o fim a atividade da Rainha Celeste, que os errantes através de mim sejam reconduzidos à estrada da vida, e para que naquele dia tu recebas a Coroa de júbilo que o justo te dará. E ditas estas palavras desmaiou. O devoto homem, considerando a missão e a atividade da Rainha confiada à ele, ensinou e escreveu o quanto pode, mandando os seus escritos em muitos lugares, com os quais, seja os espirituais, quanto os leigos pudessem se corrigir e fossem capazes de alcançar a Misericórdia e a Graça logo, assim como a Glória no futuro. Amém.

Estas coisas foram reveladas a esse Padre Certosino no dia da anunciação da Gloriosíssima Virgem Maria na Hora das Completas, no ano 1479 da Encarnação do Senhor.

EXEMPLO XIII

A prática do Saltério se mostra agradável a Deus e aos Santos.

Nota: Essa pequena parte foi inserida pelo transcritor. O estilo e o tempo permitem entender que não é de Alano.

Estas coisas foram reveladas a esse Padre Certosino no dia da Anunciação da Gloriosíssima Virgem Maria na Hora das Completas, no ano 1479 da Encarnação do Senhor.

Um dos padres, que morreu em 1431, na Ordem Certosina na casa de Treviri, deixou nos escritos que um desses, que costumava rezar o Rosário, foi conduzido em Espírito até ao Céu empíreo, onde entre muitos mistérios viu e ouviu, em modo claro, que pelo mesmo Rosário foi apresentado ao Altíssimo, e que a Santíssima Virgem Maria, com as suas Virgens, e todos os Anjos, e todos os Santos, de Adão, até aquele tempo, se aproximaram, e renderam graças à Deus Onipotente, e o bendizeram, pelos santos exercícios, que se fazem no Céu e na terra em torno daquele Rosário. E oraram por todos os religiosos e os homens devotos, que se exercitam neste, para que a graça e a paz sejam unidas à eles na terra, e a glória aumentou nos Céus. Ele viu e ouviu que todos os preditos Santos e Anjos de Deus cantavam em modo muito devoto o mesmo Rosário com as suas meditações, acrescentavam a qualquer meditação a cláusula ali presente Aleluia, com um canto muito suave. Todas as vezes que nomeavam ali o nome da Santíssima Virgem Maria, se inclinavam humildemente. Em nome de Jesus Cristo na verdade cada um se ajoelhava de forma muito devota, segundo a palavra do Apóstolo: Ao Nome do nosso Senhor Jesus Cristo todas as coisas celestes, terrestres e infernais se ajoelhem. Também foi dito com voz clara e aberta, que quantas vezes tivesse completado o dito Rosário, com as suas meditações, tantas vezes teria recebido a plena indulgência dos pecados. Viu também inumeráveis Coroas, belíssimas, verdadeiramente maravilhosas, incorruptíveis, perfumadas, que foram reservadas à esses que se exercitam devotamente no mesmo. E tantas vezes se acrescenta a ele uma Coroa no Céu, quantas vezes alguém teria recitado uma Coroa deste modo em louvor de Deus, e da sua Mãe. O mesmo Padre muitas vezes num dia uma vez ou outra viu e ouviu as Exaltações Celestes. E as vezes também no corpo queria sentir uma grande consolação e um grande conforto de acordo com o que podia exercitar-se devotamente no mesmo Rosário. E mesmo que não seja nomeado nos seus escritos, não duvidamos minimamente, que seja o mesmo que escreveu também estas coisas. Ele foi de fato de tal gênero de vida entre os freis, de tão grande devoção, paciência, literatura, graça, e força também no corpo, mesmo que seja vivido de forma rígida, e por todas as outras coisas tenha merecido assim justamente de ter as Revelações.

Neste modo porém as mesmas coisas que em modo divino conheceu, soube prudentemente esconder, que na conversação comum dos Frades não tinha demonstrado nenhuma surpresa, e tenha vivido cheio de consolações e conforto para todos.

EXEMPLO XIV

Esplêndida visão tida pelo B. ALANO novo Esposo da Virgem Maria.

Um tal devoto da Beatíssima sempre Virgem Maria no Saltério, numa grande festa da Virgem Maria, foi raptado no Céu. O parecia que de cada parte do mundo se ouvissem vozes que muito terrivelmente gritavam: Vingança, vingança, vingança para quem mora na terra. Depois disto, via do Céu sair como rios de fogo acima dos habitantes da terra. E ali morreu uma multidão incomensurável de homens; com o grito daqueles que pereciam, os que permaneciam começaram a pedir ajuda. Subitamente chegou do Céu uma nave celeste, branca e ornada de estrelas com muitas asas, e esta voava de forma admirável, acima das casas. Era de dimensões tão grandes que inumeráveis pessoas poderiam entrar nela. O que mais?

Via cinquenta de um lado do navio, cinquenta de outro lado e cinquenta sobre o teto, os quais com bacias jogavam água, extinguindo um incêndio terrível, que se alastrava. Mas sobre o alto do navio como uma protetora estava uma Senhora, tão admirável que não se pode descrever. O Olho de Deus circundava aquele navio. Depois a Rainha disse aos homens que estavam em perigo: Oh! Míseros filhos dos homens, façam recurso, para que não morrais neste dilúvio. E como antes o mundo foi liberado do dilúvio dos pecados através da Saudação Angélica, assim também agora, venhais a mim através da mesma Saudação. O que mais? Via que todos aqueles que aceitavam esta Saudação, recebiam ajuda. Vinham pombas branquíssimas, que ali levavam a arca. E a Beatíssima Maria fazia para ele um grande convite com comidas muito agradáveis e com o vinho da exaltação. Logo após tais fatos, essa Senhora ordenou aos Anjos dos três grupos de cinquenta orações, que apagavam o incêndio sobre um monte altíssimo, e em brevíssimo tempo, esses edificaram, uma cidade de maravilhosa grandeza com cento e cinquenta torres, onde todos os que oravam o Saltério da Virgem Maria foram conduzidos para ser salvos do incêndio, do qual hoje é devorado quase todo o mundo. E diz a benigna Maria: Como aqueles que desprezavam a Arca de Noé, pereceram todos no dilúvio, assim todos aqueles que desprezarem a mim e ao meu Saltério, nos últimos tempos certamente perecerão neste. Quem poderia dizer quanto e qual tenha sido este dilúvio? Não acredito que com a língua humana se possa contar isto. De fato para que eu conclua com poucas palavras, parecia como um segundo Inferno. Ali não se manifestava misericórdia para ninguém, se não onde Maria era invocada. E o que dizer? Uma pessoa que viu tudo isto, viu muitíssimas que deveriam pelo favor recorrer a Maria no tempo de tal dilúvio; porém aqueles maus, que a blasfemaram, precipitavam em tal dilúvio no Inferno, com uma morte terrível e com as suas blasfêmias.

Viu após muitíssimos homens e mulheres simples, que na sua simplicidade com o seu Saltério recorrendo à Maria, dela recebiam a benção e a salvação; entre esses viu alguns eclesiásticos, até o grau mais alto, e alguns leigos, até o grau mais baixo, que morreram no mesmo dia, no tempo da peste. Dois ou três eclesiásticos, na verdade, e cinco ou seis Leigos, que tinha conhecido, morreram com a máxima devoção. E é isto que diz o Senhor no Evangelho: O servo que conhece a vontade do Senhor e não a faz, receberá golpes com muitas feridas: aquele que não a conhece, na verdade receberá golpes com poucas feridas (Lc.12). Por isso, para manter as nossas consciências puras, neste tempo tão perigoso, sejam saudados no Saltério a Virgem Mãe e o filho.

EXEMPLO XV

O Monge se tornou subitamente culto.

Um Monge muito culto devoto no Saltério da Santíssima Virgem Maria, depois de muito tempo por mérito deste Saltério, foi raptado ao Céu, onde viu o rei dos Anjos na Glória da sua Majestade. Na sua presença tinha um Livro de grandeza infinita, no qual cada ciência foi plenamente descrita. Maria, conduzindo então este servo da Virgem Maria ao Filho, obteve do seu mesmo Filho, que lesse naquele Livro. Depois de várias folhas, teve a plenitude da ciência. Assim tornando em si mesmo, se maravilhava, e desejava saber se essas coisas fossem verdadeiras. Portanto olhou os livros e compreendeu tudo plenamente: falou com os outros monges e superava a todos, tanto que o acreditavam possuído pelo demônio, porque o excelso dos demônios foi o inimigo. Após como em precedência, vivendo ensinava e pregava sempre, e como o seu Saltério da Virgem Maria todos os dias, salmodiando à ela, mereceu estas doações, e logo chegou aos reinos Eternos.

EXEMPLO XVI

É frutífero orar o Saltério da Gloriosa Virgem com disciplina

PREFÁCIO

Louvais a ele no Saltério, etc. (Sl. 150). Porque nos louvores do Esposo, e da Esposa de Jesus Cristo, e da dulcíssima sempre Virgem Maria, existe toda a salvação dos homens como disse São Bernardo num Sermão sobre o Esposo e sobre a Esposa: É bom o Salmo na terra, por isso exultante e ornada é o Louvor. Por isto, minha alma, louva o Senhor, por quanto tempo a vida te acompanhe. Mas porque farei ações de graça aos tantos saudadores pelos imensos benefícios? Sem dúvidas: Cantarei ao Senhor um Canto novo, ou seja Angélico, e ali louvarei no Saltério da Virgem Maria, ou seja, a Ave Maria. De fato, a Saudação Angélica é o mais alto Evangelho, porque é princípio, origem, e Mãe do Senhor Jesus e de todos os Evangelhos.

Por isto Deus se encarnou, segundo Anselmo.

2. Maria se tornou Mãe de Deus, por isso Deus não pode fazer nada de maior numa pura criatura, segundo São Tomas.

3. O diabo foi vencido, segundo Santo Agostinho.

4. O mundo foi renovado, segundo São Jerônimo.

5. O inferno foi esvaziado, segundo Basílio.

6. Os pecados foram perdoados, segundo Gregório.

7. As virtudes foram readquiridas, segundo Remigio.

8. A sabedoria foi oferecida ao mundo, segundo Fulgêncio.

9. Os doentes foram curados, segundo Damasceno.

10. Os mortos foram ressuscitados, segundo Didímio. E o que mais?

11. Através deste Saltério, que é dito quase Saudar da Saudação, a salvação eterna foi dada ao mundo, segundo Nazianzeno.

12. As coisas do Céu foram readquiridas, segundo Gregório.

13 A Beatíssima Trindade foi aplacada, segundo Ambrósio.

14. Os prisioneiros foram libertados e os servos redimidos, segundo Orósio.

15. Aqueles que estavam nas sombras e na sombra da morte, viram a luz da salvação humana, que ilumina cada homem que vem neste mundo, segundo João Crisóstomo.

16. Também os exilados e os pobres foram reconduzidos ao seu Reino e ao Paraíso das delícias, segundo Aimone. O que mais?

Digo que todas as criaturas do mundo colocadas junto não podem compreender suficientemente os indescritíveis louvores da Saudação Angélica. Só Ele pode, que nasceu através desta sempre Incorruptível Virgem Maria. Por isso todos louvais a Deus no Saltério, ou seja no Pai Nosso e na Ave Maria, segundo o número dos Salmos de Davi, visto que esses são os Cânticos dos Cânticos do Novo Testamento. Como fez um Religioso não há muito tempo atrás e como aqui se fará em seguida.

HISTÓRIA

Visto que um Religioso, por inspiração do Espírito Santo, orava por muito tempo o Saltério da Virgem Maria, e se disciplinava asperamente com flagelos, um dia com uma certa insistência começou a pedir à Virgem Maria, que se dignasse de o mostrar a estrada, através da qual todos os homens à ela, e ao seu Filho possam alcançar logo, e felizmente entre os tantos males e adversidades, nos quais todo o mundo foi imerso: a ele que orava com muito fervor, apareceu à Santíssima Virgem Maria, Advogada dos pecadores, e disse a ele: Esta é, oh castíssimo Esposo, a verdadeira estrada da salvação, fundada sobre todas as espécies de pedras preciosas, adornada com todas as espécies de flores e semeadas como todas as espécies de Estrelas, ou seja: cada dia, ou várias vezes por dia (de noite, de manhã e ao meio dia) seja oferecido o meu Saltério, ao meu Filho e a mim, com quinze Pai Nossos e outras tantas Ave Marias chegando à cada um dessas dez Ave Maria, assim serão ao todo cento e cinquenta Ave Marias, como no Saltério são cento e cinquenta Salmos, nos quais o Pai Nosso e a Ave Maria são representados, e implicitamente contidos. E tendo perguntado, porque tal número a agradasse mais do que os outros, ela o atribuiu muitas belíssimas razões, colocadas em outro local. Disse então: Esta é a verdadeira estrada da salvação, que eu te mostrei em recompensa pelo afeto, através das quais todos podem vir a mim pela benção das graças. Dão-se com a disciplina cento e cinquenta golpes, com o raminho através da precisão ou do arrelio da carne, na cocha, nas mãos, nas pernas, no peito ou em outros lugares.

Essa disciplina do arrelio é real: pode-se fazer em todos os lugares, sempre de modo muito fácil e secreto, seja para adquirir cada bem, seja para fugir de todo o mal. Como revelei em tempos anteriores a um servo, o qual uma vez costumava se disciplinar asperamente com os flagelos, mas estando ele em meio a muitos frades da sua Ordem, e pela vergonha não ousava se submeter aos flagelos sempre rumorosos, por isso tendo distanciado através de disciplinas precedentes as tentações, que inumeráveis se reapresentavam, da carne, do diabo, e do mundo, tanto que, frequentemente as descumprindo, logo após, estava desesperado, eu, Mãe da Misericórdia, apareci a ele. Enquanto se agitava, eu o disse: Não tema, oh filho, de fato eu sou a Mãe de Deus. E ele disse: Se sois a Mãe de Deus, suplico pelos vossos méritos, de vosso Filho e de toda a Igreja Militante, que vos dignais de me libertar destas tentações, por mim insuportáveis e censuráveis. E eu disse à ele: Estas coisas, digo, oh filho, te aconteceram, porque jogastes as tuas armas, e te expusestes indefeso na presença de ferozes inimigos. Lançastes as armas, a filha da Justiça, a irmã da Religião, a amiga da Penitência, a Senhora da Humildade, a Duquesa da Fortaleza, a Mestra da Castidade, o Artífice da Devoção, a Amiga dos Santos, a Nutridora de todos os Bens, e o Médico e de todos os males, a minha Companheira e esposa dos devotos à mim, ou seja, a disciplina que deixastes ir embora, diminuir, e vergonhosamente se apagar. Quantos golpes, como rajadas de fogo atingistes todos os demônios. Quantos golpes davas a ti, quantos muros de ferro colocavas diante das tentações; quantos golpes supunhas, tantos escudos celestes opunhas contra as lanças dos demônios. Quantos golpes te davas, tantas Armas Angélicas recebeis, tantas torres de ouro, e tantos castelos de prata fabricavas para ti. Quantos golpes recebias, de outros tantos golpes das penas liberavas os vivos e os mortos, outras exultações me despertavas, e a todos os Santos e aos Anjos, e outras tantas tristezas afastavas de ti, e outras tantas sujeiras da carne, e outros tantos desejos da mente, distanciavas. Com tanta tristezas, e vínculos, e cárcere ligavas, e vinculavas, e aprisionavas todos os demônios.

Mas ele disse: Oh minha Senhora, descobri certamente, que é verdade que tudo o que tu contastes. De fato, quando estava cheio de infinitos pecados, também muito graves e horríveis, a ponto de não poder de forma alguma me abster dos pecados, depois de tanta disciplina logo me coloquei acima da minha esperança e de todos os meus confessores, e logo superei todos os outros, também muito devotos na oração, vigílias, abstinências, jejuns e outros exercícios de devoção tanto que me parecia uma coisa grandíssima ter podido suportar o martírio. Por isso com cordas e com flagelos duríssimos muito frequentemente ensanguentava o meu corpo, com maior fervor e força. Mas quanto abandonei todas as disciplinas deste modo, também muito fácil, surgiram para mim coisas muito difíceis.

Mesmo que no início fosse difícil receber o menor golpe, porém, logo depois foi também muito fácil sustentar golpes horríveis, alias foi até agradável, tanto que, quando estava aflito por grandes tristezas e tentações com disciplinas desse gênero me tornava sereno diante de todos os outros, e forte contra o comodismo do pecado, tanto que teria preferido suportar todos os suplícios do mundo, a cometer um só pecado mortal que se conheça. Mas miserável como sou, as vezes tenho desprezo e incomodo por cada bem espiritual, e de todos os males sou angustiado e imerso em profundidade. Mas porém, oh Rainha da Misericórdia, seja benévola à mim, porque, como sabes muito bem, abandonei esta por vergonha e pudor.

E Ela disse a ele: Filho, me dê a tua mão. Ele a deu humildemente, e ela pegou a mão direita e disse: Filho, agora te mostro a Disciplina Real, muito fácil, alcançável a todos e muito frutuosa, e assim com os seus dedos começaram a apertar a pele da sua mão, com pequenos golpes, disse a ele: Sentes, oh filho, provir de mim esse arrelio? Então ele gritando pela dor disse: Oh, oh, oh, Senhora, sinto, e conheço, que secretamente e mais humildemente posso desta forma torturar à mim que muito chibatas. E eu disse a ele: Retorna por isso aos precedentes, contra todos os males, seja teu, seja dos teus, e para ti e pelos teus, farás esta penitência segundo o Saltério, para que tu suportes ao menos cinquenta arrelios de noite diante do leito, tantas outras depois da manhã e outras também durante o dia. E assim desapareceu. E ele, como ela o ensinou, fez, e ainda faz, e alcança as coisas precedentes, assim como a coisas mais santas muito maiores. O Esposo: Oh Senhora, eu suplico, em que modo pela estrada mais breve nos faz conhecer o que todos os pobres pecadores devem fazer por vós? Maria respondeu: Escuta Agostinho, o meu discípulo, quando fala: esse disse: Se queremos agradar muitíssimo a Jesus Cristo e a Maria, sua Mãe docíssima, oferecemos todo o nosso corpo, e toda a nossa alma, a parte interna e a parte externa deste. Por isso pouco se agrada a Deus com as orações que são sem o arrependimento. O arrependimento também não o agrada, se não for acompanhado com a pena e a disciplina do corpo. Assim ele disse num Sermão sobre mim.

EXEMPLO XVII

As figuras do Saltério, que indicam o seu valor nos Céus.

O Novo Esposo da Gloriosíssima Virgem Maria foi raptado em Espírito, depois que tinha orado por muito tempo o Saltério da Virgem Maria; nesse rapto viu que estava diante dele, a Beatíssima Virgem Maria, Rainha de todo o mundo, que assim o disse: Por que, disse, não me serves com zelo no meu Saltério, como fazes cotidianamente? Começastes de forma justa, mas estás muito moderado pela preguiça, enquanto deverias no dia a dia melhorar orando. E não acredites que seja pequena a recompensa, que te darei se me servires fielmente no meu Saltério, além daquela, que recebestes: vem comigo, te farei ver de fato uma glória e uma excelência maior. Assim portanto sob a guia de Maria Virgem alcançou os Palácios celestes. Onde em primeiro lugar viu na glória uma Cidade indescritível, de prata, ouro, e cristal, e composta de pérolas de forma maravilhosa.

Sobre o seu muro altíssimo haviam cento e cinquenta Torres de glória indefinível, nas quais estavam os anjos e guardas, e cantavam numa única voz o Canto Nupcial do Céu, ou seja, a Ave Maria, infinitamente mais doce do que toda a harmonia do mundo. Pois na Cidade tinha um Castelo de glória infinita, de grandeza, e altura imensa, feita como todas as pedras preciosas, e neste se encontra cento e cinquenta Bastões belíssimos, em forma de Torres. E aqui existiam os Patriarcas, os Profetas, aqui também os Apóstolos, os Mártires, os Confessores, e as Virgens que gozavam de uma exultação indescritível. Dentro deste Castelo tinha o belíssimo Jardim do Paraíso, que tinha cento e cinquenta ornamentos. Tinha lírios, rosas, flores, árvores, todos os frutos desejáveis, e um perfume que superava todas as fragrâncias. E acima das árvores estavam pássaros de todas as espécies, que todos cantavam o Saltério da Virgem Maria dizendo o Pai Nosso e a Ave Maria, com tanta doçura, que esta melodia teria podido distanciar toda a miséria do mundo. O que mais? Em meio a esse Paraíso estava o Palácio Imperial da Trindade, construído de forma maravilhosa com estrelas radiosas, tinha cento e cinquenta tálamos, com tantos outros admiráveis Tabernáculos, nos quais estava presente uma indescritível multidão de Virgens e de Santos, que assiduamente cantavam a Saudação Angélica, com exultação inestimável e indescritível. E estavam presentes os anjos que tocavam de forma muito doce nos Saltérios, e todo o mundo tocava com as suas vozes. No meio do Palácio tinha o Tribunal, ou seja, o Trono da glória infinita onde sentava o Esposo das almas, o Senhor Jesus Cristo.

Ele levantando-se a fez sentar com ele a Mãe, e Virgem que se aproximava.

Então Ela com aquela Voz Virginal o disse: Oh Filho docíssimo, peço que agrade, à tua piedade confirmar as coisas que eu prometi ao meu Esposo.

Então ele respondeu: Oh Mãe e Esposa Caríssima, obtivestes as coisas que pedes, seja feita a sua vontade. Então sorridente Maria disse: Eu prometi ao meu Esposo toda esta Cidade com todos aqueles que habitam nesta, e a mesma coisa prometi à todos aqueles que me servem no meu Saltério.

Então o Amado Esposo Jesus Cristo disse: E eu, oh Esposa Caríssima, pelo teu Amor me concedo em dom pela eternidade àqueles com todas as coisas que pedem, se perseverarem no nosso Saltério, para que deem a própria vontade em mérito à todas essas coisas. E então aparecia ao dito Esposo, que era conduzido ao abraço do docíssimo Jesus pela Virgem Maria, que o tinha pela mão, e que bebia de todas as feridas dele a Ambrósia das exultações eternas; conheceu aqui os maravilhosos segredos de Deus. A ele disse o Senhor Jesus Cristo: Além do mais, recordais de orar também com mais força, e com mais atenção, se quiseres tornar mais ampla e mais suave a tua Cidade. Assim querendo, sem querer deixou as coisas celestes, e se encontrou triste na terra, depois de ter deixado tanta glória. Porque então se desfazem as dúvidas, se animam as coisas que estão sem vida, se adquirem os Palácios Celestes, nós como costumeiramente saudamos Maria e o seu Filho no Saltério, dizendo sempre com mente serena: Ave Maria, cheia de graça, etc.

BREVES MILAGRES recentes, sobre a Oração do Senhor.

PREFÁCIO

Como as leis e os ordenamentos dos Santos passaram ao esquecimento, assim a negligência dos fiéis, e do mundo sepultou indignamente os tão grandes bens do Saltério da Virgem Maria; não suportando isso a Amável Mãe de Deus, muito frequentemente nos últimos tempos, ensinou, através de muitos sinais e prodígios, que se restabelecessem estas coisas, dizendo ao seu Novo Esposo: Como o mundo foi renovado através da Ave Maria, o Inferno foi esvaziado, o Céu recuperado, assim também nestes últimos péssimos tempos, com tais orações de intercessão, a mesma Piíssima Maria Mãe de Deus quis novamente trazer ao mundo as Santa Leis de Deus. Acrescentando que ela teria estendido muitíssimos gêneros de graças, aos cultores e pregadores deste Saltério. Que os corruptores e inimigos deste, não duvidem, porque provocam a contrariedade da Rainha da Misericórdia, coisa que frequentemente já experimentei. De fato quase todos aqueles que o obstacularam, ou precipitaram em um pecado muito grande, escândalo, gravíssimo dano, ou numa péssima morte. Por isso vós todos fiéis do nosso Senhor Jesus Cristo, Filho da Virgem Maria; vos ocupais, por favor, da vossa fé: considerais segura a vossa morte e incerta a sua hora, os tempos atuais muito perigosos, e os futuros suplícios eternos. Para adquirir aqueles bens, e fugir aos males, pregais e orais o Saltério da Virgem Maria, louvando a Santíssima Trindade ao menos uma vez por dia, com este beatíssimo Saltério. Também se à isto não estimulam os Exemplos ditos antes, ao menos estimulam os recentes exemplos. De fato não teríamos ousado os dizer, se não fossemos profundamente certos. Falo como Doutor da verdade, pela Verdade divina, por aquela natural e também pelos costumes, e pela salvação universal de toda a Igreja Militante.

NARRAÇÃO

Conheci em Waldenshusen um tal, que tinha homenageado ao diabo, depois de ter negado a Cristo e o Batismo, mas de modo surpreendente através deste Saltério recebido, readquiriu a divina descendência filial: visto que orava “Pai Nosso”, por isso também mereceu, que fosse Pai de muitos outros que queriam servir a Deus.

Eu vi também quase condenados a morte na peste, vi que se livraram da morte com este saudável antídoto, visto que repetiam “Que és” no Saltério.

Examinei com os meus próprios olhos, alguns religiosos entregues à todas as vaidades, que com esta saudável medicina se tornaram, totalmente santos, visto que “Nos Céus”.

Após, prostitutas e usurários através deste vínculo de moralidade muito frequentemente foram colocados novamente sobre a balança e foram santificados, visto que “Seja Santificado”.

Conheci blasfemadores e duros, cheios de todas as maldades que foram conduzidos através desta oração de fé, até o respeito de cada espécie do nome de Deus: visto que “O teu Nome”. Existiu também um Rei destronado do seu Reino, no nosso tempo, que através deste Saltério recebido, readquiriu o próprio Reino: visto “Venha o Teu Reino”.

As vezes tive uma exultação absoluta, visto que entre os Infiéis, alguns apóstatas da Religião e da Santa Igreja de Deus se converteram por medo das penas: mas com esta oração exultante de intercessão, tornaram à Divina Vontade assim que afrontaram com muita coragem o martírio. Entre eles um tal Antônio entrou para a Ordem dos Frades Pregadores nos nossos tempos, visto que “Seja feita a tua vontade”.

Recebeis um grande milagre através desta saudável oração numa celestial visão, visto que em algumas terras, onde existiu uma grandíssima intempérie de vento danosa sobretudo aos homens e a todas as coisas, porém, depois da pregação desta divina oração de intercessão, retornou a todos a desejada serenidade, assim “Como no Céu”.

Após por experiência, vi a carestia em algumas terras, e uma pestilência desastrosa que avançava de modo horrendo, mas vindo esta estrela amável, ou seja, o Saltério da Santíssima Virgem Maria, foi dada uma benção aos terrestres e as terras deles, “Assim na terra”.

Conheci muitos que por causa do peso dos seus pecados consideravam com desprezo e sem respeito a preciosíssima Eucaristia, mas, tendo tido o remédio da devoção, sentiram plenamente no magnífico Sacramento uma suavidade singular, tanto ao ponto de querer muito frequentemente se comunicar, porque viam naquela forma muito sensível as grandes obras de Deus. Iluminados em modo divino da sua clemência, viam ali realmente o próprio Cristo Jesus, visto “O pão nosso de cada dia”. Também com alma alegre as vezes vi alguns sem fé e ferozes, tanto quantos leões, como um certo soldado, que não conheço pelo nome, mas pela fama, o qual recebido os instrumentos deste Saltério, possuía e distribuía tão abundantemente, a ponto de superar por clemência todas as benfeitorias naquelas terras, porque “Dai-nos hoje”.

Em modo surpreendente conheci um homem, que era precipitado em tal abismo de desesperação, ninguém que o conhecia podia esperar algo sobre a sua saúde, mas recebido o escrito de esperança deste Saltério, superava em esperança e em obra também muitos devotíssimos, que eu conhecia, visto que “Perdoai os nossos pecados”.

Conheci também um prepotente Barão no mundo, também Conde, que tinha um eterno ódio contra um Príncipe semelhante a ele pela potência, e por isso aconteceu males, mas, recebida a oração da paz, entre eles foi consolidada uma paz tão grande, que esses dois se tornaram, como um tio e um amigo, porque “Assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

Vi também com os meus olhos um possuído pelo diabo, mas quando levava o peso Evangélico deste Saltério, era sempre liberado: quando o abandonava, logo era oprimido pelo inimigo, e muito frequentemente vi e ouvi muitíssimas coisas semelhantes, pelais quais “E não nos deixe cair em tentação”.

Também vi homens e mulheres que me disseram, sob juramento de fé, e fizeram o sinal da Cruz, que lhe apareciam defuntos, os quais diziam terem sido liberados das penas, porque para esses era recitado o Saltério, por parte de algumas mulheres devotas e de homens religiosos, para que “Livrai-nos do mal. Amém”.

Então dei esses quinze Exemplos sobre a Oração do Senhor, porque, se as palavras dos Santos, dos Doutores, dos Pregadores, e daqueles que dão conselhos, são de grandíssima eficácia em muitíssimos casos, não existe nenhuma dúvida que, através das palavras da Oração do Senhor, possam acontecer coisas iguais, e maiores. Cada uma destas quinze palavras, se 530 dispõe em ordem sucessiva como os Dez Mandamentos de Deus segundo o Direito Divino, para que justamente, por tal direito também na Oração do Senhor se tenha o Santo Número do Saltério da Trindade Santíssima.

E igualmente as quinze palavras seguintes da Anunciação do Senhor foram dispostas em ordem sucessiva, por direito natural e divino, como os Dez Mandamentos de Cristo; de outro lado quinze vezes dez são cento e cinquenta. Disto é evidente, que estas duas Orações abrangem dois devotíssimos Saltérios, em número e virtude, pelas quais justamente devem ser chamadas Saltério.

QUINZE EXEMPLOS

Brevíssimos sobre a Ave Maria Também o Cântico Nupcial da Virgem Maria (com a ajuda da mesma Rainha de Clemência) foi magnificado grandemente, não só devido a muitíssimos antigos sinais, mas também por recentes sinais acima das regras. E justamente, porque com tal início a palavra de Deus se fez Carne.

Vi as vezes numa Igreja pecadores com esse salubérrimo antídoto. Eles tinham tanto arrependimento e tantas lágrimas, que não existem dúvidas que Maria tenha aparecido e colocado a mão, porque “Ave”.

Também a Santíssima Maria a um ignorante com tal livro trouxe abundância de ciências, sabedoria e inteligência, que tu o terias entendido muito consumado nas escolas, dado que Maria é iluminadora.

Maria, ilustríssima Advogada também desse mundo, levou a um homem ainda vivente, pelo dom das graças, de sentir em si cada dia algumas exultações do Paraíso, que superava cada exultação do mundo, porque “De 531 Graças”.

Esta docíssima Rainha dos Anjos, à uma senhora pobríssima e necessitada, nos nossos tempos na França, levou grandíssima abundância de riquezas, tanto de ser Mãe de Nutriz de todos os pobres, porque “Cheia”.

A digna Maria deste Saltério, nestes dias livrou do cárcere muitíssimos prisioneiros, quando fez voto do Saltério: porque “o Senhor”.

Além do que a felicíssima Maria através da virtude deste Saltério, livrou um homem que estava fora de si e muito bravo, que arranhava os outros, o libertou logo depois de ter pendurado no pescoço um Saltério e o tornou doce como um cordeiro. Isso ocorreu em Picardia na minha presença: porque “Contigo”.

Ainda a Maria Gloriosa deste Saltério a um homem que não falava há muito tempo o deu a fala. Enquanto ele beijava o Saltério e o levava no pescoço, recebeu o benefício perfeito da língua: porque “Bendita”, aquela que bendisse a fala.

A honradíssima Imperatriz deste mundo, ulteriormente, a um homem que era cego há muitos anos, com o remédio do mesmo Saltério, o socorreu restituindo-o completamente a visão: porque “Tu”, que é demonstrativo e relativo, segundo Prisciano.

Também esta Maria de imensa piedade, a um homem condenado à morte na França, ofereceu um inesperado ato de clemência através do dom do Saltério. Ele quebrou barras e correntes, que os fabricantes podem romper em tantos dias, e assim evadiu. Ao invés Maria libertou também um outro acorrentado à forca, com a oferta deste Saltério. Logo depois que o recebeu, fugiu da forca, e através dos guardas correu, até chegar em liberdade a uma Igreja: Porque “Entre as mulheres”, que são por natureza pias, segundo Agostinho.

Além do mais esta Caríssima Senhora, nestes dias, com o dom do Saltério concedeu à uma pobrezinha uma ótima sentença, num processo contra pessoas muito ricas, mesmo sendo o juiz contrário. Por três vezes quando o juiz pensava pronunciar uma sentença contra esta, aprovou em tudo a causa em favor da mulher, porque “E Bendito”, Cristo de fato, segundo Agostinho, é o Juiz Bendito de todos.

Esta louvadíssima Maria com o fruto deste Saltério à uma mulher estéril deu um filho, que morreu, pelos méritos de Maria, de novo retornou à vida, e eu também o vi nas zonas da Holanda, porque “O Fruto”.

Após a Rainha da misericórdia pela virtude deste Saltério, a uma mulher merecedora levou uma graça tão grande, que, morando em Picardia, sempre com o cilício e uma corrente de ferro ao corpo, e dormindo no chão, jejuando a pão e água, fez uma penitência, a mais horrenda de todas, e ela reconheceu de possuir o Espírito de profecia e dos Santos conselhos em muitas coisas, porque “Do ventre”. De fato o ventre de Maria, segundo Ambrósio, é o templo de toda a moderação.

Igualmente a Nobilíssima Maria nos últimos tempos com o poder deste Saltério, a um homem abatido e desprezado, deu uma tão grande potência sobre todos os inimigos, que esses viviam, ou morriam, segundo a sua vontade, visto que “Teu”. Quem é de Maria, segundo Anselmo, participará ao poder de pertencer a Maria.

Pela virtude deste, há muito tempo concedeu à Santa Catarina Virgem e Mártir, de ser Esposa do Filho de Deus. E a mesma Santa Catarina de Siena da Ordem dos Pregadores, com inumeráveis sinais e prodígios, concedeu as mesmas coisas devotíssimas, porque “Jesus”, o qual é o Esposo das almas, segundo Agostinho.

Enfim esta piíssima Rainha da Clemência, recentemente apareceu a um outro homem que morria, e que orava este Saltério, distanciou dele os demônios, alegrando-o muito e anunciando-o a hora da morte.

Ele morreu com tanta devoção, que não tenho notícias, de alguém que tenha morrido tão devotamente nos nossos tempos. Ele quase tranquilo via os demônios e, experto do Céu, ria, fazendo pouco caso das suas tentações. E assim vendo Cristo que se aproximava, em alta voz disse: Nas tuas mãos confio o meu Espírito; e, dito isto, como se sorrisse, suspirou, porque “Cristo", segundo Jerônimo, tem o poder de dar as unções dos Sacramentos seja no viver quanto no morrer. Conhecidas estas coisas, louvais Maria no seu Saltério, etc.

EXEMPLOS XVIII

O Barão Pedro

Tinha um Barão, de nome Pedro, consanguíneo de São Domingos, e excelente autor de todas as malvadezas, e assim obstinado no desejo de pecar, que parecia não poder converter. Na sua presença era dito por muitos, tantas coisas sobre o louvor e a virtude do Saltério da Santíssima Virgem Maria, e da mesma Confraternidade, assim disse: Eis eu estou desesperado, mas quero escutar do homem de Deus tão grandes maravilhas. Portanto, acompanhado de uma multidão de nobres se aproximou da Igreja, não pela sua conversão, mas somente para observar a raridade do homem santo.

Enquanto estava escutando a sua pregação, não ainda convertido, mas turbado por um forte temor retornou à própria casa.

Num outro dia festivo, no qual novamente por costume foi obrigado a entrar na Igreja, e sem o saber encontra novamente Domingos que pregava.

Domingos, o tendo visto, e o sabendo culpado de pecados tão grandes, a ponto de não poder ser convertido, se não viesse em ajuda um turbamento externo, orou à Deus em voz alta: Oh Senhor Jesus, vês aquele, se te agrada, quem é aquele, que entra aqui. E subitamente por querer de Deus, viu este Barão acorrentado e tratado de forma horrenda pelos demônios.

Surge um grito no Sermão, se escondem aqueles que vem não um homem, mas acreditam ver o diabo. E enquanto o grito e o temor cresciam no povo, reconhecendo Domingos o momento da clemência divina a este Barão, mandou um belíssimo Saltério da Santíssima Virgem Maria, ou seja, um Rosário, através de um Religioso de nome Bertrando, exortando ao arrependimento e a rezar o Saltério de Maria. Este Barão, Capitão de todos os pecadores, recebeu e rezou devotamente o Saltério.

Mas temendo muito, pediu a São Domingos, que orasse por ele ao Senhor. Após pediu para se confessar, foi escutado e absolvido. Em primeiro lugar, de muitíssimas sentenças de excomunhão maior em matérias graves como é de costume. Em segundo lugar, das quase inumeráveis faltas irregulares. E em terceiro lugar, de todos os pecados. E através de uma Revelação da Virgem Maria, feita a Domingos, o é imposto como penitência de rezar quotidianamente um Saltério de Maria.

Tendo aceitado humildemente, e por ordem de Domingos, tendo abraçado a Confraternidade do Saltério da Virgem Maria, começou a escrever com a sua mão o nome no livro desta Confraternidade, e subitamente aqueles que o tinham visto com um rosto diabólico, viam então por Vontade divina um aspecto angélico, ornado de três Coroas belíssimas de Rosas, por causa dos três grupos de cinquenta orações do Saltério. Em seguida, na verdade, pelos méritos da Gloriosíssima Virgem Maria, conquistou a graça, de se tornar muito devoto. Enfim bem iluminado em todas as coisas a serem feitas e agindo expeditamente, depois de ter introduzido a mulher, e toda a família, à frequência e à assiduidade do predito Saltério, perseverando com ele neste santo propósito, da Virgem Maria obteve o pré-anúncio da sua morte e dos seus. E o aparecendo Cristo e a Virgem Maria, este pecador arrependido mereceu, através do mesmo Saltério, de se confiar nas mãos de Cristo e de Maria, não sem a singular devoção de muitos que assistiam, pela presença do Senhor Jesus, e da Virgem Maria.

EXEMPLO XIX.

Um infame Conde da França convertido por virtude ao Saltério da Virgem Maria.

Havia na França um grandíssimo Conde, que conduzindo toda a vida em adultérios e fornicações, era tão obstinado nestas coisas, que não era capaz de se converter de nenhum modo nem com os discursos, nem com os conselhos, nem com os exemplos. Vendo este, a sua nobilíssima mulher (impulsionada pelo ciúme), decidiu também cometer adultério, não por libido somente, mas também por vingança contra o marido adúltero.

Extraordinário! Apenas decidiu-se por este caminho, e foi se deitar pelo sono, enquanto dormia, subitamente foi raptada em visão e eis o vinham mostrados os muitos terríveis tormentos, aos quais vinham submissos no Inferno os adúlteros depois desta vida. Por isso foi surpreendida por tanto horror, que quase saiu de si, e frequentemente gritava dizendo: Aqui existe um forno, se não quereis entrar aqui, te tranques em casa. Enfim voltando a si, mudou de opinião, e para fazer a Confissão, se aproximou muito devotamente de São Domingos. O mesmo Domingos, por compaixão, a ordenou em penitência o Saltério da Virgem Maria. Tendo aceitado devotamente, junto com a Confraternidade, e tendo orado o mesmo Saltério por quinze dias, por conselho de São Domingos (que zelava também pela salvação do dito marido), colocou por três noites seguidas, sob o travesseiro do marido um Saltério, ou seja, o Rosário, confiando a obra ao Senhor Jesus Cristo e a Maria Rainha da pureza e da Virgindade. E eis, que na primeira noite, começou à ser agitado por terríveis tremores pela ofensa à Deus, e a pedir ajuda com muitas lágrimas à mulher. Na segunda noite, apareceu em sonho, que era arrastado ao Juízo de Deus, e que era acusado de todos os seus pecados. Depois que acordou, ficou aterrorizado até a morte, e começou a tratar a mulher com respeito e amor.

A terceira noite, na verdade, foi arrastado às penas do Inferno e viu as penas daqueles luxuriosos, ou seja, aqueles que antes tinham visto sua mulher, não só viu as penas mas também as sentiu por pouco tempo.

Veio então à ele um Anjo do Senhor, que o surpreendeu falando sobretudo do adultério e entre as outras coisas o disse: Vem, vem, e para o futuro emendais e ore com muita fé, o Saltério da Santíssima Virgem Maria, através do qual fostes convertido, ama tua mulher, e entra na Confraternidade do mesmo Saltério, com toda a tua família, para receber dos méritos dos outros, aquelas coisas que não podes merecer através de ti. Retornou então o homem do Inferno, e pediu perdão à mulher, e a prometeu perpétua fidelidade. Com a sua família foi também a São Domingos, todos se confessaram, e se inscreveram na Confraternidade.

Ele, na verdade, assim convertido, levava nas suas mãos o Saltério da Santíssima Virgem Maria, não só na Igreja, mas também nas lutas, na própria casa, e no Palácio do Rei. E assim da própria mulher teve muitos filhos, por dom de Deus, e com ela viveu por muito tempo com felicidade, saúde, fama, abundância de todos os bens, e santidade excelsa. Enfim no mesmo dia, e na mesma hora, aparecendo a Virgem Maria, morreram muito devotamente, e em uma só e mesma tumba em Paris, foram enterrados na Igreja Maior (que é consagrada, em honra da Imaculada Virgem Maria).

EXEMPLO XX

O nobre pródigo que se converteu.

Um jovem nas partes da Alemanha, depois da morte dos pais, corrompido pela companhia dos malvados, dilapidou toda a herança muito preciosa no jogo, nos dados, e nas tavernas; ele após ter se tornado vagabundo, e miserável girava pela pátria. Ele mesmo que insensato em outras coisas, porém, conservou a castidade do corpo. Um soldado, seu tio paterno, com compaixão dele, o encontrando um dia lhe disse: Infelizmente aconteceu que tu te desviastes, primo caríssimo, tu que, nobre de nascimento, pudestes te tornar um homem bom e um Mestre, se não ti tivesse pego tal loucura. Visto que o jovem colocava em ridículo as suas palavras como se fossem palavras efeminadas, o Soldado acrescentou: Não existe outra coisa, oh meu caro, que tu possa fazer por mim? Mas aquele respondeu: Sim. E o Soldado: Quero. Então que tu cada dia por cinquenta vezes saúdes Maria, a Gloriosa Mãe de Deus, com a Saudação Angélica. E rindo o respondeu: Eu posso fazer isso. O rezarei todos os dias. O tio insistiu, dizendo: Precisará fazer isto em toda a sua extensão, quem sabe se talvez com olhos de Misericórdia a Virgem Gloriosa te olhe e pela tua miséria interceda por ti junto ao seu Filho. Com as suas palavras o jovem consentiu e se distanciou. Logo após um ano o tio viu aquele jovem e o perguntou se tinha mantido a promessa. E ele disse: A mantive e não quero de nenhuma forma a perder. Eu estou mais livre do que nunca das coisas do mundo. O tio (que devotamente servia sempre a Gloriosa Virgem no seu Saltério) disse a ele com grande exultação: Então no próximo ano duplicarás o serviço à Mãe de Cristo nas Saudações. E o Jovem disse: Está bem.

Passado o segundo ano voltou ao tio dizendo: Já, com o favor da Mãe de Cristo cada leviandade e o estado da minha miséria são passado, e a estabilidade da minha vontade se tornou certa com o propósito de fazer o bem. A ele o tio, devotíssimo Salmodiante da Virgem Maria, com as lágrimas disse: A Mãe da fé te benzeu e também deu graças a ti, oh caríssimo, que acreditastes no conselho saudável. Não peço nada além de que, no próximo ano te encontres firme no teu propósito. E se te encontrarei firme, prepararei para ti um casamento digno. Tu diligentemente honrarás a tua Auxiliadora nas Saudações dos três grupos de cinquenta. O jovem concordou, e foi encontrado firme. Passado o ano, o tio cumpriu aquilo que tinha prometido ao jovem. Estabeleceu o casamento, e preparado o convite, chegaram os parentes de ambas as partes. Posta a mesa, e as flores entre as mãos, quando já o Esposo e a Esposa a ponto de se casarem, estavam sentados juntos, subitamente o Esposo recordou, de não ter feito naquele dia, como costumeiramente, as Saudações dos três grupos de cinquenta orações; logo, levantando-se, sugeriu ao tio, de esperar um pouco para servir os pratos. Estando de acordo o tio, o jovem entrou no tálamo, cumpriu a Saudação à Mãe de Cristo, que ele tinha oferecido em voto tão devotamente e com maior clemência tinha sido satisfeito. Assim que terminou a última Saudação dos três grupos de cinquenta juntos, apareceu a ele a Gloriosa Virgem Maria, mais esplendente do que o Sol, mostrando três feridas na sua túnica luminosíssima ao jovem, uma na frente e duas laterais, em cada uma das quais estava escrito, em letras de ouro, cinquenta Saudações. Eis, disse, as tuas Saudações escritas em letras de ouro, com as quais me honrastes diligentemente com os três grupos de cinquenta orações. E visto que com o teu corpo, mesmo leve, e inconstante, porém mantivestes a pureza da virgindade, logo uma lenta febre te consumará, e chegarás a mim no terceiro dia, sem nenhuma corrupção da carne. Dito isto, a Virgem Gloriosa desapareceu. O jovem saiu, disse a todos de estar bem e de aproveitar, se desculpou por não querer comer e por não poder estar com eles. Enquanto todos se sentavam à mesa, o jovem, naquele momento foi para a cama. E servido o almoço chamou a sua Esposa, e os amigos no tálamo, e explicou a eles o que tinha ocorrido. O jovem morreu no terceiro dia como tinha sido previsto. A Esposa, na verdade, não querendo mais casar-se com ninguém, permaneceu fielmente até o final da vida em santa virgindade, e ao serviço da Virgem Maria.

EXEMPLO XXI

O Saltério salva um Pirata, do espírito maligno de um dos domésticos.

Um Soldado, que possuía um Castelo, depredava sem misericórdia todos aqueles que o passavam na frente. E mesmo abundando de todos os pecados, todos os dias, porém honrava a Gloriosa Virgem Maria na sua Saudação Angélica. Uma vez passou por ali um santo Monge, que o Soldado fez cair.

Um Santo homem ao invés pediu aos ladrões, que o conduzissem ao seu patrão, visto que devia revelar à eles alguns segredos. Conduzido junto o Soldado, pediu de chamar toda a sua servidão e se escutar enquanto pregava. Tendo sido feito isto, disse: Nem mesmo aqui estais todos, por isso procurais diligentemente e encontrarás ainda alguém. E viram que faltava o Cortesão do Soldado, e o encontraram e conduziram. Então o Santo disse: é ele, que procuro. O fez vir ao centro, e vendo o homem de Deus, virava os olhos e a cabeça para um lado e para outro, agitava-se como um louco, e não ousava aproximar-se mais. Então o Santo homem disse: Te ordeno em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, de dizer quem és, e porque viestes aqui. E ele disse: Sou obrigado a trair o meu segredo. Eu então não sou um homem, mas sou um diabo. E morei por quatorze anos com aquele Soldado, visto que o nosso Príncipe me mandou aqui, para que observasse com muito cuidado o dia no qual o miserável não teria oferecido a costumeira honra à sua Maria, na sua Saudação, e eu com a permissão de Deus, o teria atormentado sempre e o teria unido para sempre assim à nossa comunidade. Ditas estas palavras, o diabo desmaiou. O Soldado, ouvindo estas coisas se assustou, e se jogando nos pés do Monge, pediu perdão e mudou a sua vida para melhor, e saudou mais devotamente a Gloriosa Virgem. Para que sejam liberados através da Virgem Maria, das insidias dos demônios, todos os dias a honrais no seu Saltério.

EXEMPLO XXII

Sobre o Frade convertido, que orava somente a Ave.

Nota: Esta inserção é também do transcritor: não faz parte da narração de Alano, aqui também se pode afirmar que foi inserido, mas o estilo se opõe.

No tempo de São Bernardo, um Soldado pio, por devoção, foi à São Bernardo, para pedir humildemente de ser acolhido na Congregação dos Frades. Imediatamente o santo padre Bernardo o acolheu com alegria e entregou ao mesmo o hábito dos Frades Leigos. Ele no Mosteiro não pode aprender outra oração, que a Saudação Angélica, que ele repetia frequentemente com maravilhosa devoção. O Santo Bernardo vendo a simplicidade e o bom tipo de vida do homem, mesmo que fosse ignorante, porém, o fez estar no coro dos Monges Sacerdotes, segundo o costume.

Este bom homem, amava a Virgem Gloriosa com amor sincero e a servia muito devotamente na sua Saudação. Enfim, por vontade do Senhor, terminou os seus dias e chegou felizmente à Felicidade Eterna. E foi sepultado no Cemitério, onde os outros homens Religiosos recebiam a sepultura. Depois de poucos dias sobre o seu sepulcro cresceu um lírio belíssimo e sobre cada folha do lírio estava escrito em letras douradas Ave Maria. Após o ocorrido São Bernardo ordenou que fosse retirada a terra, para que vissem, onde o lírio tinha fixado as suas raízes. E tirada a terra, viram que o caule do lírio saia da boca do defunto. Enfim, por ordem do Homem Santo, o defunto foi aberto, e viram que as raízes do lírio eram fixadas no coração.

E no coração cortado encontraram escrito com letras douradas, Ave Maria.

Depois de ter visto isto, todos se maravilharam, compreendendo que isto tinha acontecido certamente, porque recitava a Saudação Angélica, também assiduamente com devoção verdadeiramente de coração.

EXEMPLO XXIII

Sobre o príncipe Alfonso.

Existia um Príncipe nobre e poderoso, tão cheio de vícios, quanto de riquezas, a qual mulher por juízo divino tinha perdido a “luz dos seus olhos” (visão), por isto instigava frequentemente o seu marido a fazer coisas malvadas. Mas também pela iniquidade de ambos, outros príncipes invadiam a terra do mesmo, saqueavam todas as coisas, devastando cada coisa, e obrigando o mesmo à fugir para outra cidade junto à mulher. O Beatíssimo Domingos, passando para pregar nessa cidade, no dia do Nascimento de Cristo, pronunciou um importante Sermão na Igreja Maior, sobre o Saltério de Gloriosa Virgem Maria. O Príncipe de nome Alfonso, veio, naquele dia, na mesma Igreja, seja para a solenidade do dia, seja para evitar o escândalo. Raramente ou nunca frequentava a Igreja. Aqui, escutando durante a pregação de Domingos coisas maravilhosas sobre o Saltério da Virgem Maria, especialmente se cada um pregasse isto devotamente, com a ajuda e a proteção da Virgem Maria, teria obtido o domínio sobre os seus inimigos: pensou de orar o Saltério da Virgem Gloriosa. Terminado o almoço, procurou São Domingos e o perguntou se era verdade, as coisas que tinha pregado sobre a virtude do Saltério. A ele Domingo respondeu: Aquelas coisas, que eu preguei sobre a virtude do Saltério da Virgem Beatíssima, são todas verdadeiras. Eu prometo a ti que todas as coisas, que eu preguei sobre a virtude do Saltério, serão tuas, alias maiores daquelas que tu escutaste de mim, se tu quiseres orar o mesmo, e aceitar a Confraternidade do Saltério. Alfonso escutando essas coisas, e retornando, prometeu orar o Saltério da Virgem Maria, e humildemente recebeu a Confraternidade desse. Depois disso Domingos se distanciou dali. Alfonso todos os dias frequentava a Igreja, recitando devotamente o seu Saltério, em tal Cidade, em serviço à Virgem Maria, por um ano inteiro, perseverava. Passado um ano, no mesmo dia, no qual acontecia junto o Saltério de Maria e a Confraternidade do mesmo, na Igreja segundo o costume conduziu ao fim devotamente o seu Saltério, pedindo misericórdia e graça à Virgem Gloriosa. Terminada a Missa mais solene, quando todos voltavam da Igreja para o almoço, Alfonso permaneceu sozinho, na Igreja, com a sua devoção. E apareceu diante dele, uma Virgem belíssima, que tinha entre os seus braços um Menino belíssimo. Com esta visão, Alfonso permaneceu muito surpreso. Ela disse à Alfonso: Oh Alfonso, nesse ano inteiro me servistes devotamente no meu Saltério; agora vim te dar consolação pelo serviço que me destes. Obtive junto ao Meu Filho, que vês entre os meus braços, a remissão de todos os teus pecados. Conseguiras todas as graças, que o meu Esposo Domingos te prometeu, aliás maiores, se porém, perseverares no meu serviço.

Te darei também um Rosário, que tu sempre levarás contigo, e contra ti não prevalecerão os teus inimigos. O deu um Rosário de beleza maravilhosa, e repentinamente desapareceu. Alfonso, tendo na mão o Saltério, que o tinha entregue a Virgem Maria, alegre e também maravilhado voltou à sua mulher e a contou todas as coisas que tinham acontecido; ela não quis acreditar nas palavras do marido. Ele a disse: toca o Rosário, que me deu a Virgem Maria; esta, tocando, logo readquiriu a vista; esta, vendo um tão grande milagre acreditou, e desde então começou a orar muito devotamente, o Saltério da Virgem Gloriosa. Depois disto Alfonso saiu contra os seus inimigos, expulsou todos da sua terra e recuperou todas as coisas que o tinham tirado; tanto que logo a sua fama foi nota no lugar e nas proximidades; tanto que os príncipes, e os reis, que combatiam contra os infiéis, lutavam por Alfonso; porque com cada um que se uniu, obteve a vitória. Ninguém na guerra pode vencer Alfonso, feri-lo ou se impor a ele. Mas sempre, antes da batalha era costume recitar devotamente ajoelhado, o Saltério da Virgem Gloriosa; nem quis ter nenhum servo que se negasse a recitar o Saltério da Virgem Maria.

Estimulava todos os servos a orar o Saltério da Virgem Maria. E vendo uma tão grande virtude do Saltério, fez pintar e esculpir Saltérios sobre sigilos, escudos, e as suas bandeiras. Enfim a Virgem Maria dá a recompensa a Alfonso pelo devoto serviço à ela oferecido. Alfonso começou a se adoentar, se sentiu muito mal pelos seus pecados e fez a confissão de toda a sua vida: a ele, um Sacerdote de nome João, administrou os Sacramentos Eclesiásticos. Depois de os ter recebido muito devotamente, apareceu ali a Virgem Gloriosa com o seu Filho, os quais pegaram a alma de Alfonso e a conduziu aos Reinos Celestes. O sacerdote a viu como uma pomba, mais cândida do que a neve. De acordo com esses exemplos nós também devemos nos conduzir enquanto Salmodiantes da Santíssima rainha dos Anjos. Amém.

FIM DOS EXEMPLOS SOBRE OS HOMENS

EXEMPLOS DE MULHERES DEVOTAS

EXEMPLO I

Um prodígio em relação a Romana Catarina dita a Bela.

PREFÁCIO

Narra o Glorioso Mestre João do Monte no seu Marial, um fato que se encontra também no livro de Frei Tomas do Templo. No tempo em que São Domingos Guia e Pai ilustre da Ordem dos Pregadores, pregava no mundo, muito renomado em muitíssimos reinos, exortava incessantemente os povos ao louvor da Imaculada Virgem Maria, e à Confraternidade Angélica do Saltério da mesma ele foi pregar em Roma, diante dos maiores prelados de todo o mundo, e os exortou com imagens, e exemplos com muito ardor, que a Gloriosa Virgem devia ser saudada no seu Saltério; todos se maravilhavam da abundância das palavras, se surpreendiam pelo poder dos prodígios. A esses disse assim: Oh fiéis, senhores, e outros amigos dos devotos da fé, escutais uma palavra particular, e saudável a todos vós; para que saibais que são verdadeiras as coisas que eu disse.

Pregais o Saltério da Virgem Maria e, o orando, recordais a Paixão de Cristo devotamente. Desta forma os anuncio, que experimentareis o Espírito de Deus. De fato não pode existir em nenhum lugar uma chama tão grande, sem calor; nem uma luz tão imensa, sem iluminação; nem uma medicina tão divina, sem cura. E o que mais? Escutaram todos, e se maravilharam, atônitos pelos Sermões divinos e começaram muitos (não só do povo, mas também dos grandes Prelados da Igreja, os cardinais, quanto também muitíssimos dos bispos dignos de honra), em orar este Saltério pregam, para poder experimentar algumas graças de Deus. Um fato admirável! Na cidade turbada, houve um grande aumento das orações em cada estado da vida, como se ouviu de São Domingos. E assim viu de manhã, de noite e ao meio dia, em todos os lugares homens e mulheres que levavam na mão o Saltério. Não tinham temor as colunas do mundo, cardeais e bispos, de ter entre as mãos e nas cinturas tão grandes brasões da divindade e da nossa fé praticante. Domingos não duvidava que os milagres escutados fossem fruto da ajuda divina, por obra da Virgem Maria, pelo exercício do Saltério: O que dizer mais? Todos aqueles que tem esse Saltério, tiveram algum sinal da bondade divina: entre tantos narrou-se somente um prodígio.

NARRAÇÃO

Vivia em Roma uma meretriz, a mais famosa de todas, por beleza, eloquência, ornamento e alegria mundana, a qual mereceu receber das mãos santíssimas de Domingos um Saltério, que escondendo sob a túnica, orava todos os dias! Conhecida pela vida promíscua e de despudor diante de todos. Atrás dela corriam homens, mais do que em relação às outras mulheres desta vaidade. Deram então a esta mulher, de nome Catarina, o apelido de Bela, pela incomparável beleza. Visitava ao menos uma vez por dia a Igreja, onde, orando o Saltério, meditava as seguintes coisas. Recitando o primeiro grupo de cinquenta orações refletia sobre a Infância de Cristo, quando levava toda a paixão sucessiva, mesmo que não em ato, mas em intenção e na mente. Recitava o segundo grupo de cinquenta orações refletindo sobre a Paixão de Cristo, conhecida em todo o seu real sofrimento humano. Orava enfim o terceiro grupo, pela Paixão de Cristo enquanto Divindade, não porque a Divindade devesse sofrer, mas porque a Divindade é infinita e ama muito a natureza humana (como o Senhor Jesus Cristo muito frequentemente revelou). Por isso visto que pela sabedoria eterna de Deus, não podia morrer em si mesma, assumiu a humanidade, a qual quis que sofresse, e morresse por todo o gênero humano. Visto que então (esta Catarina Bela) assim perseverava orando, aconteceu as vezes, de atravessar errante, como de costume, a Cidade de Roma. E eis, subitamente, um homem belíssimo e maravilhoso, estando próximo a ela disse: Catarina, porque estás aqui? Não tens uma casa? E ela o disse: Sim tenho, e nela todas as coisas estão ordenadas em modo muito belo. E aquele disse: Nesta casa quero almoçar contigo. E ela o disse: Com muito prazer, disse, farei o que quiseres, com prazer te darei de comer. Assim caminhando de mãos dadas, chegaram na casa dela, onde encontraram muitíssimas crianças semelhantes. Foi preparado o almoço, e esse hóspede desconhecido sentou com a Bela Catarina e beberam, mas qualquer coisa que o hóspede tocasse, uma bebida ou qualquer coisa semelhante, adquiria a cor de sangue, com um odor especial, e um sabor suavíssimo. Ela se surpreendendo disse: Porque Senhor todas as coisas que tocais se tornam sangue? E ele: Não sabes, disse, que o Cristão, não deve beber, nem comer nada, que não tenha sido passado no Sangue de Cristo? E assim aquela se surpreendeu muitíssimo com tão grande hóspede, e teve medo de o tocar. Porém o disse: Senhor, como vejo, mostrais ser uma pessoa de grande respeito. Quem és, por favor, e da onde viestes? E ele a disse: Quando estivermos no tálamo, te direi aquilo que pedes. A assim se levantou, preparou o tálamo; entrando primeiramente ela na cama, convida o hospede a entrar próximo a ela.

Assim ocorre algo que surpreende a todos os mortais e que nunca foi contada! Subitamente aquele homem, assumindo a forma de uma criança, levava sobre a cabeça uma Coroa de espinhos, a Cruz nas costas, e as Estigmas nas mãos, e nos pés, e inumeráveis feridas por todo o corpo.

E disse a Catarina: Oh Catarina, Catarina, sai da tua insensatez. Eis vês a paixão da Infância de Cristo, pela qual tu orastes o primeiro grupo de cinquenta orações. Visto que desde o primeiro momento da minha Concepção até a morte, sempre levei no meu Coração esta pena, que foi tão grande para ti, que, se todos os grãozinhos de areia do mar fossem crianças, e cada um desses tivesse tanta pena, quanta tem todos os homens morrendo, nem mesmo reunidos todos, suportareis tão grande sofrimento, quanto eu sofri por ti. Ela se maravilhou daquilo que viu e ouviu. E logo ele novamente se transformou em homem, segunda a imagem, que teve no tempo da Paixão, e disse: Eis, vês, oh filha quantas coisas sofri por ti, estas superam todas as penas do Inferno. A minha capacidade de sofrer não foi humana, mas divina. Foi tão grande o meu sofrimento, que se este fosse dividido entre todas as criaturas do mundo, essas morreriam e se corromperiam. Dito isto, logo se transfigurou em uma luminosidade solar, porém, com as Estigmas gloriosas, em todas as quais tinham coisas infinitas, porque todas as coisas estavam nos Estigmas, se via então Catarina com muito estupor e admiração. Porque em cada ferida, da cintura, ou das mãos, etc. E disse: Eis vês, oh filha, quantas coisas na Divindade sofro agora por ti e pela sua salvação! Visto que de fato, segundo o Apóstolo, todas as coisas estão em mim, e eu em todas as coisas; em todas as coisas eu te vejo, te amo, e estou pronto a sofrer em eterno a pena, que vês pela tua salvação e pelo fato que o meu amor é infinito, (segundo Dionísio), e todas as coisas existentes em mim são infinitas, (segundo o mesmo). Conheces então a clemência de Deus, e honra a tríplice Paixão de Cristo, pela qual tu recitastes três grupos de cinquenta orações, e porque fostes exemplo de toda a malícia e de toda a imoralidade, assim em seguida vives de forma, a ser espelho de pureza, de limpidez. Se apareci a ti, não o fiz pelos teus méritos, mas pela exemplaridade da tua penitência e visto que os teus Irmãos, da Confraternidade da minha Mãe Inviolada, rogaram por ti, porque na tua conversão muitos se converterão como antes na tua perversão inumeráveis pessoas se tornaram diabólicas.

E o que mais? Mesmo com o desaparecimento da visão Catarina, sentiu a dor da Paixão de Cristo, nas mãos, nos pés e nas outras partes. Se levantou então, fez penitência e no dia seguinte se confessou com Domingos. Ele a prescreveu como penitência o Saltério, segundo o costume, junto com a aceitação da Confraternidade da Virgem Gloriosa, que ainda não tinha sido de fato, mas só na intenção e no propósito. E se deve notar o quanto esta confraternidade vale de fato, visto o quanto valeu em propósito. Enquanto saudava muito devotamente a Virgem Maria, apareceu a ela a mesma Senhora, com santa Catarina Mártir, dizendo: Eis, filha, muito pecastes, ocorre fazer muitíssima penitência: pegues então, num dia qualquer, três disciplinas, cada uma das quais seja de cinquenta golpes, que formam o Saltério penitencial. Não, disse, serve ter sempre o bastão, mas purificas com as unhas, ou comprime a tua carne, sempre e em cada lugar. Para que possas resistir às tentações, e obter todos os bens, faça sempre esta penitência.

E esta é a Penitência Real, escondida e natural, que é a Rainha de todas as penitências. Assim levou ao fim todas aquelas coisas, como tinha ouvido. E enquanto cada dia se arrependia, São Domingos, elevado por virtude divina, viu numa certa noite, coisas estupendas no mundo inteiro. Notava que na casa de Catarina, dos membros de um menino, saiam cinquenta e cinco rios, que desciam ao Purgatório, na chegada dos quais, as almas a serem purificadas eram confortadas, e consoladas. Oh, em quantas vozes de louvor rompiam! Oh, quantas bênçãos mandavam a essa Catarina! Ecoava na terra as vozes deles. Onde de fato as almas foram liberadas, confortadas, consoladas e libertadas das penas, pelo fato que esta Catarina meditava sobre a Paixão do menino e se esforçava em as aplicar muito devotamente aos fiéis defuntos. Oh coisa maravilhosa! Oh argumento novo! Viu após vir um homem do quarto de Catarina e do seu corpo, ou seja, das cinco feridas, sair cinquenta e cinco fontes, que nutriam e irrigavam toda a Igreja Militante, e o mundo presente. Árvores, e plantinhas aumentavam, os pássaros na verdade e os peixes viviam felizes, os homens especialmente eram iluminados e se banhavam. Oh quantas doçuras! Oh quanta alegria no mundo! De fato aqui todas as coisas bendiziam Catarina e oravam por ela ao Criador e todas as coisas. E estas duas coisas admiráveis aconteceram pelo primeiro e segundo grupo de cinquenta orações. Mas quando esta penitente Catarina entoou o terceiro grupo de cinquenta orações, Domingo viu chegar um gigante de grandeza infinita, mais luminoso do que a luz do sol, do qual saiam cinco fontes, das quais nasciam cinquenta e cinco rios, que não desciam através da terra, nem do purgatório, mas que de forma admirável subiam ao Céu, e desses era irrigado o inteiro Paraíso Celeste. E era tão grande a suavidade deles, que desses os Santos Anjos levavam as imensas graças, e por esses tornavam ao Senhor. Vendo essas coisas Domingos, como narra Tomas do Templo, começou a se maravilhar muito, porque essas coisas aconteciam em torno da casa da pecadora Catarina.

Estando próxima dele, Maria disse: Porque, Domingos, te maravilhes destas coisas? Não sabes que sou amiga dos pecadores, e na minha mão foi colocada a clemência de Deus? Assim então tive que revelar a ti esta filha, já que tu pregas ao mundo, que de nenhuma forma o mundo e os pecadores, por qualquer pecado, devem desesperar, mas sempre confiar no Senhor, e especialmente aqueles, que querem se refugiar sob o meu manto junto a Catarina. Acrescentou a Mãe de Deus, Maria: Vistes, oh Domingos, estas coisas tão admiráveis, escute e prediques, as coisas que agora te direi, tão pias e tão santas, ou seja, o que obtive do meu Filho: que todos aqueles que oram o meu Saltério, e aqueles que são da minha Confraternidade, terão a mesma excelência, que teve Catarina. Mesmo que não a vejam, como os homens não veem a Deus, nem os Anjos, nem os Demônios, nem os próprios méritos, nem as virtudes, aliás não viam a virtude do imã, nem das estrelas; quanto menos verão aqui a glória deles? Mas verão esta depois da morte.

Te consoles então, oh Domingos e pregues o meu Saltério e a Confraternidade, porque as coisas, que esta Catarina obteve, conseguiu para todos, não porque a vê, mas porque as tem. O que mais? Domingo deu imensas graças ao Senhor, pela misericórdia de Deus. Esta Catarina, entrou num Mosteiro, e logo distribuiu todas as coisas aos pobres. Esta era de tão grande santidade, que os maiores Santos se voltaram a ela para as revelações. Quinze dias antes da sua morte, apareceu à ela o Senhor Jesus, com a Virgem Maria e Santa Catarina, a anunciando a morte. Esta morreu muito santamente. Três Santas virgens, uma das quais se chamava Joana, a segunda Marta, e a terceira Lúcia, viram a sua alma que saia do corpo mais luminosa do que Sol e que voava entre os braços de Jesus. Ela foi sepultada na igreja de São João em Laterão. Deste fato pensais, vós todos, quanto é grande a potência do Saltério da Virgem Maria, se for recitado devotamente com a Paixão de Cristo. Louvamos a Virgem Maria e o seu Filho, no dito Saltério. Amém.

EXEMPLO II

O espelho da pecadora Bendita de Florença.

Tinha uma mulher na cidade de Florença na Toscana, de nome Bendita (da qual também se fala na vida de São Domingos), nascida de família nobre, e dotada de incomparável beleza. Consumou os anos da sua adolescência em comportamentos perigosos. Enfim se tornou uma prostituta pública, na máxima insídia da perdição das almas. Quando São Domingos, Esposo insigne da Santíssima Virgem Maria, a viu surpreendeu-se muito com a sua grande beleza, e ao mesmo tempo, com a imoralidade daquela, e teve uma grande dor pela perdição da mesma, e de muitas almas, redimidas pelo sangue de Cristo. Por vontade de Deus, aquela pecadora, depois do Sermão de Domingos e ferida pelo mesmo, foi se confessar com ele. Depois de feita a confissão, perguntou: Queres, disse Domingos, que eu, como seu Esposo, ore por ti junto ao nosso Senhor Jesus Cristo e a dulcíssima Maria sua Mãe? Para que te restituam àquele estado, que é mais conveniente a ti e à tua salvação? E ela disse a ele: Sim, Pai dulcíssimo, humildemente oro e suplico, que assim tu faças. E se levantando da cadeira da confissão Domingos começou a orar por ela. Então uma multidão de demônios entrou no corpo da mulher, e por um ano inteiro, permaneceu assim acorrentada e obsessa, com o grande estupor de todo o povo, e o terror, especialmente dos seus amantes, e de todos os outros homens carnais. O que mais? Depois de um ano, Domingos, retornando, visitou a sua prisão. Então esta, com choros e com suspiros grandíssimos o suplicava, que ele colocasse a mão da piedade, a liberando dos inimigos do gênero humano. Os concedeu isto com prazer e, feito um sinal da Cruz, pela virtude do Saltério da Virgem Maria (através do qual foi sempre de costume fazer grandes coisas) expulsou dela todos os demônios, que eram no número de quatrocentos e cinquenta.

Por isso a ela aplicou-se como penitência, cada dia, recitar três Saltérios à Virgem Maria, nos quais estão cento e cinquenta Ave Maria, contra os tantos outros demônios ditos acima. Fato doloroso! Ouvistes o que aconteceu depois. Depois que aquela infeliz pecadora foi libertada desses, e abandonada à si, começaram a excitar-se novamente os incêndios da carne, a surgir pensamentos carnais e novos desejos dos acompanhamentos carnais. Os precedentes amantes, retornando a ela, a vendo restituída à glória de antes e à beleza do corpo, a instigavam a pecar, tanto que aquela miserável, esquecendo da Misericórdia de Deus e da graça, retornou às precedentes ações malignas, e, ainda pior que antes, vendia a si mesma. A essa correram inumeráveis amantes, e se tornou o mais grave espetáculo do diabo. O pio Domingos, ouvindo o novo espetáculo, a ruína da dita Bendita e a perdição de muitos homens, se dirigiu à ela, empurrado pelo Espírito de Deus. Porém, estando em lugares longes, e sendo encontrada em casa, circundada das consolações dos míseros, e todos longe com a luz divina do olhar, voltando-se à esta com olhar terrível afirma: É verdade oh filha.

Disse, que tinhas prometido à Cristo e à Virgem Maria, de conduzir uma vida imaculada? Admitindo certamente, que já sabes da grande desventura, que Deus reserva para ti como punição, se tu não te arrependeres de ter tido uma recaída. Ela sentindo isto, silenciando com temor, e permanecendo surpresa, não ousava falar. Então o homem de Deus disse: Siga-me. E a conduziu naquela mesma hora, como estava vestida, com a roupa de meretriz, na Igreja maior, na qual veio uma grande multidão, e aqui sentando como em um tribunal, escutou a confissão daquela maldita, enquanto todos olhavam e estavam imensamente surpresos. Uma nova e maravilhosa mão de Deus. Feita a Confissão, o disse Domingos: Queres, filha, te entregares para a tua salvação e a dos outros, à docíssima Mãe de Misericórdia? Aquela pobre, tremendo e surpresa, disse: Sim, oh Senhor, seja feita a sua vontade. Tendo então Domingos (que em todos os seus pedidos, era sempre escutado por Deus) orando um pouco por ela, viu junto a todos, que esta como da outra vez, foi possuída por quatrocentos e cinquenta demônios, e diante de todos foi horrivelmente atormentada. Foi pega, acorrentada, amarrada, e gritando horrivelmente, com o horror de todos aqueles que estavam presentes, foi levada para casa. Domingos logo desapareceu, foi encontrado depois de uma hora em Paris. Assim então aquela miserável por mais de um ano, permaneceu possuída, e cada dia era terrivelmente atormentada. Porém todos os dias em que tinha um tempo livre, orava frequentemente o Saltério de Maria. Durante a oração não podiam a atormentar, ou distrair, mesmo que se cansassem de incomodar aquela pobre ao Serviço da Mãe de Deus, com golpes externos, com murmúrios das vozes e com o puxar os seus vestidos ou os seus cabelos.

Estando então a pobre prisioneira da Santíssima Virgem Maria e de Domingos, agitada por tantos sofrimentos, aconteceu numa certa Vigília de Maria Virgem, que esta atônita, e raptada em espírito (tendo retornado Domingos já subitamente dela, para o querer de Deus, orando e suplicando à Deus por esta) se viu logo o tribunal de Deus, e esta era arrastada terrivelmente no infinito, enquanto as fileiras de Santos, circundados pelo esplendor do sol, e um imenso livro em forma de cela ou de quarto foi levado, lacrado com os sinais da maldição e do Inferno.

Neste era perfeitamente representada toda a vida daquela Bendita, e também narrada. Vem ordenado àquela pobre de examinar atentamente a descrição e a escritura da primeira folha, e de ler. Aquela escritura era de tão grande terror e peso, que com muito prazer teria sido colocada em um forno aceso, de cento e cinquenta graus, ao invés de ser lido a primeira folha. Então tremendo e com medo, começou a gritar alto, dizendo: Eu sou maldita e não bendita, porque vim ao mundo miserável? Porque desventurada, em relação aos outros filhos de Eva, recebi tantos males?

Desespero, miserável filha da maldição! Maldição aos pais que me geraram e não me ensinaram, desespero àqueles que me enganaram a primeira vez.

Para onde irei? Onde irei? Onde me esconderei? Onde fugirei, o que direi o que farei? Oh quanto sou miserável! Vejo o inferno aberto para me pegar, vejo para mim o inferno um juiz muito terrível. Por que não morri jovem?

Porque não morri no auge? Mas, de uma longa vida malvada, fui conduzida a estas extremas misérias. Oh, se eu tivesse previsto esses tão grandes riscos, e os tivesse conhecidos bem, para que eu os vivesse santamente. Oh, se o mundo, as mulheres do mundo, estas coisas que eu vejo, conhecessem, o que pensariam disto? O que diriam? O que fariam? Maldição, filha da abominação e da confusão, da miséria e de cada sedução, abismo da horrenda indecência e de toda a malvadeza. Breves foram as minhas alegrias, e eis que vejo preparados, diante de mim, os tormentos eternos. E assim gritando e caindo no chão, diante do sumo Juiz, foi conturbada por uma grande dor. A ela o Juiz bravo com voz terrível acrescentou: Te levantes, disse, te levantes, faz aquilo que eu disse, e leias no teu livro, diante de todos, as coisas que fizestes. E aquela leu na primeira página, e viu a margem da primeira folha. E todas as letras e ápices que ela via provocavam com as imagens vários tormentos. Teria sido muito mais fácil e doce suportar a morte do corpo do que a dor da mais pequena letra daquele livro. Algo horrível! Quisesse, ou não quisesse, esta miserável, leu a página da primeira folha do livro da morte, com tantos gritos, suspiros, lamentos e dores, que sem forças, quase morta, caiu diante do Juiz. O Juiz muito terrivelmente, porém, gritando-a muito fortemente, ordenou de terminar de ler a escritura de todo o seu livro. E girando a página para ler uma outra folha, aquela pobre gritou assim, com tanto terror, medo, e temor, diante do temor das penas da página sucessiva, que também as pedras e as outras coisas inanimadas, se tivessem sentido e tivessem compreendido, teriam chorado com ela. Por isso os presentes, solidários se colocaram de joelhos diante do Juiz, pedindo perdão por esta pobre miserável. O Juiz distanciando-se, dizia que foi ofendido muito gravemente por sua culpa, e que muitíssimas almas foram perdidas por causa dela; e por isso justamente ela deveria ler todo este livro, que ela mesma tinha feito e enfim daquilo tirar a sentença digna, como merecia pelos seus méritos.

Então um dos presentes, que como ela tinha reconhecido era São Domingos, voltando-se para aquela miserável, disse: Para Maria, Mãe de Deus, que servistes no Saltério, grite rapidamente, para que tenha misericórdia de ti. Então gemendo e suspirando fortemente, se voltando para a Mãe de Deus Maria, humildemente disse: Oh Senhora, Mãe dulcíssima a misericórdia e Rainha, tenha piedade de mim malditíssima pecadora, em tantas angústias para os meus pecados, que agora estou aqui.

Então a nossa Senhora, orando ao Juiz por ela, e o pedindo, enfim o parava sob a esperança do arrependimento. Mais benignamente de antes, o Juiz então, voltando a palavra, disse: Eis, filha, agora te concedo o tempo da penitência. Vês bem então, de destruir com sinceridade, através da penitência, todos os pecados, que escrevestes no teu livro da morte. Se ao invés o fizeres diversamente, darei a ti a sentença da condenação eterna, no dia, no qual não esperarás. Assim então, desaparecendo a visão, retornou em si, e viu Domingos presente com ela na Igreja. Se confessando com ele muito velozmente e cuidadosamente, também pergunta o modo, no qual como cancelar o livro terrível. Ele então disse à ela: Filha, te confies à Virgem Maria. Ela hoje foi de tanta ajuda e te ajudará também mais tarde, se a servires; sem dúvidas verdadeiramente, me apresso à um outro, e quando voltarei, te manifestarei como o Senhor me ordenara em relação à ti.

Portanto, no espaço de três meses, cada dia com todas as forças saudava a docíssima Maria, no seu Saltério. Retornando Domingos, enquanto ele celebrava a Missa, foi raptada em espírito, por quase três horas, no qual via a docíssima Virgem, que assim o dizia: Filha, filha, me perguntastes muito frequentemente sobre a forma de cancelar o teu livro infernal, e eis, Eu Mãe de misericórdia, vim a te ensinar, a arte, e o modo em que poderás o cancelar totalmente. E logo, a docíssima Maria, oferecendo um belíssimo lírio com uma escrita em letras de ouro, o deu a Bendita, dizendo: Leia, filha, e nesse cancela os teus pecados. Estava escrita no lírio: Te recordas da gravidade do pecado, e nesse, da Misericórdia de Deus em relação a ti. E visto que aquela se emudeceu pela vergonha, Nossa Senhora se voltou para ela e disse:

1. Te digo, filha, que é tão grande a gravidade do menor pecado mortal, e tão odioso a Deus e a todos os Santos, e tão detestável à Corte Celeste do Paraíso, que, se fosse possível que Eu e os outros Santos existentes no Céu, cometessem um só pecado mortal, logo cairíamos no Inferno e seriamos condenados eternamente.

2. Por isto, filha, talvez Lúcifer e tantos milhares de demônios, por causa de um só pecado mortal, não foram imediatamente expulsos do céu, e condenados eternamente? Visto que tu, filha, ganhastes mais, que todos aqueles no número de pecados e és mais indigna, mais miserável, infinitamente menor, seja deles, seja de nós, sem alguma comparação; talvez tenha sido feita uma pequena misericórdia e uma pequena graça? Então uma tão grande Misericórdia deve te estimular, para que retornes à clemência e à graça, através da Misericórdia do Criador.

Sentindo isso, Bendita chorava muito, pela virtude deste lírio. Após Maria Virgem bendita entre as mulheres, ofereceu à mesma Bendita, um segundo lírio que deveria ser lido.

Nesse estava escrito: Te recordas da morte inocentíssima de Cristo, e observa as penitências dos Santos. Se, disse nossa Senhora, Deus Pai odiou tanto o pecado, a ponto de não economizar o seu filho, mas a idade de trinta e três anos, o expôs à injúrias do mundo, e sem pecado enfim o fez condenar a uma vergonhosa morte, por causa do único pecado de desobediência de Adão; talvez por isso não deves agradecer muitíssimo Deus, que até agora te dei o tempo de te arrepender do teu pecado sem penas, quando porém o mesmo filho de Deus, desde o principio da concepção, até a morte por ti sempre em cada instante, esteve nas angústias da morte tantas vezes, quantas tu o ofendestes com os pecados. E além não vês que aqueles que agradaram à Deus, como os Profetas, os Apóstolos, os Mártires, os Confessores, as Virgens e todos os Santos, que estiveram no mundo foram muito atormentados? E tu, muito miserável, cometestes tantos males, e porém por tanto tempo fostes esperada misericordiosamente, e não suportastes nenhuma pena. Estas palavras penetravam o coração de Bendita como uma flecha afiada, e provocavam nessa rios abundantes de lágrimas. A muito Sábia Maria, ofereceu para a leitura o terceiro lírio à Bendita.

Nesse estava escrito: Te recordas das dores do pecado do primeiro homem, e de todos os justos que pecam. O apresentando, Maria disse: Oh filha Bendita, não deve te desagradar muito a tua vida do exame de consciência pela graça da divina misericórdia, quando vês o Primeiro Homem Adão, expulso do Paraíso, com sua mulher Eva a condenação da morte, que leva a toda a sua posteridade, e de tal modo a fome, a sede, o frio, o calor e as infinitas calamidades do mundo, até a fim do mundo que se segue: como é evidente! Eis diante de ti vês a espada da divina vingança, em todos os lugares, punir em todos os tempos o pecado de Adão, e porém tu cometestes muitos males tão grandes, tantas vezes, tão vergonhosos, tão horríveis, durante tantos anos, e não fostes reprovada por esses, mas sempre docemente tolerada. Talvez, oh filha, isso te pareça pequeno e de pouco valor? E no mais, quase todo o mundo não pereceu no dilúvio pelo pecado da luxúria, não só homens, mas também todos quantos os animas e as coisas inanimadas, e, o que é pior, numerosíssimos jovens inocentes? E tu, cheia de pecados consideráveis, não queres te converter à Deus, tu, que ainda fostes golpeada por algum mal? Vês, disse, Sodoma e Gomorra, e as outras cidades unidas à essas, nas quais, no fogo que descia do Céu pereceram, quase inumeráveis inocentes, com os pais deles; e tu, casa de todos os vícios, e de todos os pecados, permanece ilesa. Talvez todos os Pais não morreram no deserto? Alias os santíssimos Moisés e Arão, não morreram por causa da vanglória e do murmúrio? E tu, tão abominável meretriz, cheia de tão nefandos pecados, não ainda punida por estes, não reconhece em relação à ti a clemência do Juiz, tão severo, e terrível para os outros? Ouvindo estas palavras, Bendita morria perdida nos prantos e gemidos. A Mãe Maria tão clemente, ofereceu o quarto lírio à sua filha Bendita.

Nesse estava escrito: Te recordas de que modo fostes chamadas, enquanto tantos Reinos das gentes, e dos Juízes não foram atraídos por Cristo.

Dito isso a Fonte da Bondade Santa Maria disse: Talvez a ti não tenha sido feita uma grande graça, oh filha, porque Cristo te chamou, e não chamou tantos reis dos pagãos, comandantes, e nobres, tantos belos jovens, e tantas belas mulheres, muito fortes, muito ricos, de ambos os sexos, há tantos anos na sua lei, enquanto te conduziu ao seu conhecimento, pobre, mísera e miserável, e a menor de todas, carnal, e falsa? Penses essas coisas, então, e pene se esta não te parece uma grande coisa, porque esses são filhos do diabo, e com os demônios, em todos os pecados caminham, e vão pela vida da morte descendendo ao Inferno, e tu, muito indigna, por Deus no Batismo fostes chamada, unida aos Anjos e estabelecida sobre a via da salvação. Medita essas coisas e reconheces nisso, quanta graça e benignidade e clemência te foi mostrada, e porém, ofendestes o teu Deus mais do que todos os Judeus e os pagãos.

 

2. Quantos, pensa, são os Judeus e os Pagãos, que jejuam, levam de contínuo o cilício e se flagelam asperamente, mantém o silêncio, cumprem obras de misericórdia, e porém com todos essas coisas são arrastados ao Inferno. E tu, cheia de miséria e de pecados, ainda sem arrependimentos e sem obras boas fostes atendida por Deus e custodiada sobre a via da salvação por mim e os Anjos.

3. Oh, quantos seriam os convertidos e os fiéis, e seria feito entorno à eles tais coisas, quantos achas que fariam por amor de Deus, se fazem coisas tão grandes com o erro do século? Por isso, disse, olha mais atentamente, porque nisso a ti foi dado mais, do que se cada dia te dessem vinte e quatro montanhas de ouro, e tu porém não consideres atentamente tais coisas, nem os temas. Ela, ouvindo isto, e rangendo os dentes pelo terror e o temor se tornou enfraquecida, seja se sabendo mais miserável de todos quantos os miseráveis. Após a Mãe de Deus e Rainha bendita ofereceu à Bendita sua serva, o quinto lírio, belíssimo.

Neste estava escrito assim: Te recordes das penas do mundo, infligidas aos pecadores nos tempos passados. Expondo isto, a bendita Mãe Maria disse: talvez não sabes das penas que teve Saul, Caim, o Faraó, Datan e Abiran, e muitos outros? Quantos, e como!, foram condenados por um só furto? Quantos foram incendiados, queimados, e enforcados por apenas um ato de luxúria?

Quantos foram flagelados, encarcerados, condenados, expulsos e atormentados por um único pecado, desde o principio do mundo? E tu, que fizestes infinitos males, e não sofrestes nada por estes. Talvez te pareça pouco? Talvez, na vida fostes dotada e conservada com dons de natureza e de fortuna, indigna e imerecida de cada dom, tu ganhastes mais do que todos. Aquela sentindo isto, e com a consciência que a remordia, confessando pedia perdão. A Rainha da piedade Maria, a ofereceu o sexto lírio, que continha tal escritura: Te recordas das penas daqueles que vivem agora e no futuro nesse mundo dos vivos. Expondo isto a mesma Mestra de todas as ciências, Maria nossa Senhora, dizia: Na verdade, filha Bendita, numerosos, hoje de boa vida precipitaram, e tu te levantas. Muitos no dia de hoje, por causa de um único pecado mortal, morreram. Um soldado, de fato, enquanto dormia e convivia com a sua amante, subitamente no sono morrera, por este único pecado.

E um homem na Inglaterra, pelo único pecado da ira será decapitado.

Nessa cidade de Florença, três homens por um único pecado foram queimados. Hoje vários num único banquete, morreram pelo pecado da gula. Aliás, alguns Religiosos que vivem sem devoção, especialmente por causa do pecado de possuir serão queimados junto com todo o Mosteiro na Alemanha. Assim ocorrerá também com a cidadezinha vizinha, na maior parte, porque são participantes dos pecados daqueles e também o defendem. E tu, criminosa, permaneces, impune até agora? Da mesma forma hoje com êxito sobre alguns leprosos, alguns ferozes, alguns possuídos pelo demônio, alguns doentes, alguns oprimidos, alguns condenados. E tu, pior do que todos eles, não reconheces a Misericórdia de Deus que te chama? Oh quantos são, e serão neste mundo, aqueles que, se tivessem a inspiração e as ocasiões de conversão, que tu tivestes, com todas as forças tornariam à Deus com a penitência. Olha então estas coisas, para que nesta Misericórdia a ti mostrada, te deu mais, que se fossem dados cem mundos de ouro. Olha então, e escutes as coisas que eu digo, e convertas a Deus com todo o coração. Ela ouvindo estas palavras, e pronunciando vozes lamentáveis, enquanto confessava os seus pecados, enchia de lagrimas toda a capela, tanto que se viam também os seus vestidos banhados e com terra. A nossa ilustre Senhora muito benigna Maria, deu à dita Bendita o sétimo Lírio.

Neste estava escrito o seguinte texto: Te recordas da condenação dos homens anteriores, presentes e futuros.

Expondo isto, a Mãe da piedade, disse: Não existe nenhum condenado, que estando onde estais tu, não se arrependeria enormemente. E ainda existem e existirão numerosos condenados, que se tivessem tido, ou tivessem a tua graça, sem dúvidas teriam se salvado. Oh quantos foram condenados, por um só pecado mortal, e tu, que cometestes tão grandes crimes, ainda estás impune! Oh, quantos foram os justos até a morte, e pecando na morte, foram e são condenados! Sendo Deus justo, faz isso ou o permite de acordo com a justiça. E tu, miserável, estás viva ainda! Oh quantos pelos pecado da ignorância foram condenados, e serão condenados, e tu que cometestes tão grande delitos, de segura malícia procurada, ainda estas protegida e impune? Entendes as coisas que eu digo? Se acreditas, te convertes, se não acreditas, novamente prestes atenção às coisas ditas. Hoje uma menina de doze anos, pelo único pecado de luxúria, foi morta com o próprio pai, e condenada pela eternidade. E hoje na Espanha um menino de oito anos será morto pelo pecado de luxúria, que ele cometeu com a irmã; também se não o cumpriu, porém começou e será condenado para a eternidade. E o que mais? Hoje uma certa Senhora belíssima e muito nobre, que guia uma dança em grupo diante de todos improvisadamente morrerá e pelo pecado das danças corais será condenada eternamente. Alias um homem na Lombardia, foi considerado por todos bom e quase Santo, o qual pelo único pecado de uma confissão negligente e de um seu não perfeito exame de consciência, morrerá, e será condenado eternamente, mesmo que porém deste não tivesse por nada a consciência que remordesse. Todos quantos então temem de agora em diante de se confessar superficial e negligentemente como fazem o máximo possível muitos hoje.

Hoje também nessa cidade morrerão quatro pessoas, e um burguês será condenado, por causa de uma única negligência, porque não educou os seus filhos e os servos, escrupulosamente seguindo Deus. Também um certo Curato e Pastor, bom na sua pessoa, mas porque guiou as suas ovelhas negligentemente demais, e no exame da Confissão, não a melhorou, morrerá improvisadamente e será condenado. Também um certo Religioso de um mosteiro, caindo hoje, quebrará o pescoço, morrerá, e será condenado, porque não tinha o firme propósito de viver segundo os estatutos, e a Regra da sua Ordem; qualquer Religioso é obrigado a ter este propósito, ao menos no voto e na intenção sob o perigo de pecado mortal.

Existe também um outro Religioso num outro Mosteiro, que hoje subitamente morrerá de peste e será condenado, porque desenvolvia o Oficio Divino com relaxamento e pouca vontade. E tu miserável, cheia de pecados, que numa hora pecastes, mais do que esses quatro em vida, não tens temor, nem tens medo? Hoje, a esta hora, as obstinadas sócias na luxúria de alguns criminosos são estranguladas e condenadas. Oh, se estas coisas te acontecessem, o que farias, dirias ou pensarias? Olhes então, olhes, e penses, que no inferno existem muitos melhores do que tu, que nunca se salvaram. E tu, culpada mais do que todos eles, ainda não fostes condenada? O que queres escutar ainda? Olhe quantas coisas boas fez Deus! Nem porém fez aos outros, que são imensamente melhores do que você. Vês então e penses bem, e observes as coisas que eu disse: porque, se depois dessas coisas tu voltares à tua infâmia, a ira de Deus, não precipitará sobre ti sem misericórdia. De fato neste dom, a ti foi dado mais, do que se te fosse dado, tantos mundos, de pedras preciosas ou todas as estrelas do Céu. Assim então, sentindo essas coisas, a acima dita pobrezinha, especialmente conhecendo as mortes subitamente daqueles que viviam com ela, e se de outro modo culpável, começou a palpitar, diante da Virgem gloriosa. Se romperam as veias, e o sangue escorria através de todo o corpo, e permanecia quase moribunda, pela angústia do coração. Quando Domingos, vindo da Missa (onde ele esteve por três horas, nas quais a dita Bendita esteve em êxtase, orando por ela muito humildemente), vem a saber todas as coisas que foram ditas e feitas, em relação a sua filha, a pega pela mão e a marca, em virtude do Saltério da Virgem Maria. Depois disso aquela que estava quase morta, recobrou a integra saúde; enquanto todo o povo estava entorno, via e proclamava imensos louvores ao céu. Depois de sete dias, enquanto o muito devoto Pai Domingos celebrava na Igreja da Santíssima Virgem e aquela dita Bendita esteve presente, ela viu Domingos como se estivesse no Crucifixo com todas os estigmas, e a Coroa de espinhos, que ia ao altar, com a assistência da Virgem Maria e de muitíssimos Anjos. E tendo sido feita a consagração, apareceu visivelmente Cristo deitado na Cruz, com todas as marcas da Paixão e derramando sobre Domingos diviníssimo sangue, o configurou perfeitamente a si. Após isso, viu da parte direita o grandíssimo livro, que ela antes tinha visto no juízo, se tornar candidíssimo, mas ainda não escrito.

Enquanto esta se surpreendia grandemente disto, ouviu com uma voz clara o Senhor Jesus Cristo que dizia a ela: Filha Bendita, cancelastes do teu livro todas as espécie de pecados mortais, com sete lírios; te assegures que seja escrito de agora em diante de forma diferente, não como antes, com as pinturas infernais negras e horríveis, mas com letras brancas e vermelhas.

Se não, realizarei a minha vingança novamente sobre ti, e cairás. Ouvindo isto, grandemente aterrorizada, e temendo muito de voltar à pena precedente, aproximando-se ainda mais, e deitando-se aos pés da docíssima Virgem Maria, pedia misericórdia, para não ser vitimada das mesmas penas anteriores. Então a Rainha da misericórdia, levantando o seu manto, com várias pedras preciosas, tirou do seu pescoço um Rosário belíssimo, dizendo: Este, oh filha, tu me destes, e eu aqui, como um colar imperial, levo sobre o meu pescoço. E meu Filho, que tu vês na Cruz, similarmente no lugar do colar Real, tem a sua coroa, colocada sobre o pescoço de maravilhosa beleza, e valor, que tu destes a nós, e por esta tu cancelastes o teu livro da morte com o acréscimo dos lírios. Então, oh filha, age sem vacilar. Eis o meu Saltério, no qual após os teus pecados e os dos outros apagarás, a ti a confiança. E no primeiro grupo de cinquenta Orações, que é de cinquenta pedras brancas preciosas, e claras, escreverás no livro os artigos da Encarnação de Jesus Cristo, meu Filho, e de Deus, meditando as minhas dignidades em ordem ao Filho, segundo todas as partes do meu corpo, ou seja com muito respeito abaixarás a cabeça a Ele, com as orelhas a sua voz escutarás, com as mãos maternas e Virginais, os seus macios e belíssimos membros tocarás, e os maternos serviços pagarás, os repartindo por todos os membros até os pés. Com letras vermelhas escreverás junto à segunda Coroa, aquilo que dirás devotamente, as horas da Paixão do meu Filho: esta Coroa é de pedras preciosas vermelhas, meditando certamente aqui os cinquenta Mistérios da Paixão do meu Filho, e tendo diante de ti a Imagem do Crucifixo, oferecerás uma Ave Maria para cada ferida, meditando mesmo com esta a dor daquela parte. Escreverás com letras de ouro junto à terceira Coroa, aquele que será a honra dos Santos Sacramentos, e contra os teus pecados, e pela imagem terás as imagens da tua Igreja e da tua pátria, meditando de uma à outra, passando espiritualmente, e especialmente este pela terceira Coroa, formada de marcas áureas. Assim então, oh filha, no dito Saltério, devotamente servirás à mim, e o meu Filho, como começastes, e quantas vezes ofereceres o Saltério a nós, outras tantas coroas imperiais, que são de valor infinito, colocarás entorno aos nossos pescoços com uma honra bem digna e Real.

Terminada então assim milagrosamente a Missa, na qual a Virgem Maria pegando uma parte da Hóstia e do sangue de Cristo, deu a comunhão à Domingos e a ela de forma muito familiar, em sinal da suma e singularíssima amizade como entre uma Esposa e um Esposo, o ajudou a depor as vestes da Igreja, e humildemente a saudando, e entregando Bendita (da qual as coisas ditas antes aconteceram) com um belíssimo aspecto desapareceu.

E após esta Bendita, libertada completamente dos demônios e fortalecida no bom propósito, permaneceu até o fim, no serviço do Saltério de Cristo e da Virgem Maria, com cada santidade de devoção, e fervor de penitência, tanto, que nossa Senhora ao mesmo apareceu frequentemente, e revelou vários fatos de Domingos que nenhum dos homens conhecia, e que foram escritos, em parte, na sua Bibliografia escrita pelo Frei Tomás do Templo, que foi Espanhol, e companheiro do Nosso Santo Pai Domingos. Dessa biografia, e de muitas outras biografias foram recolhidos os fatos, que agora são ditos por Domingos, e novamente foram confirmados pela Revelação de Cristo e da Virgem Maria, com grandes sinais, e prodígios. E de todas estas coisas ofereço fé, e testemunho, sob juramento de fé da Trindade, sob perigo de todas as maldições, a serem aplicadas a mim, caso eu tenha faltado com a verdade. Por isso te distancie da má estrada, e retornais a Cristo e à Virgem Maria, nossa Mãe, através do seu diviníssimo Saltério. Porque novamente foi revelado nestes tempos, a vontade deles de que pregues, ensines e de que venha recitado por todos, contra todos os males à serem debelados, e para cada bem à ser alcançado: e especialmente contra os males iminentes, sobre todo o mundo no tempo futuro, se não existe nos povos o arrependimento. Por isso louvais à todos, no Saltério a dez cordas, ou seja, rezando quinze Pai Nossos, e acrescentando à cada um desses dez Ave Marias, que são em número de cento e cinquenta: como existe no Saltério de Davi cento e cinquenta Salmos, em todos os quais a doce Virgem Maria foi prefigurada. Esse nos conceda Jesus Cristo, Filho de Maria e de Deus, Bendito nos séculos dos séculos. Amém.

EXEMPLO III

Sobre a Bendita da Espanha.

Existia uma Virgem de nome Bendita, filha de um ilustríssimo Conde no Reino da Espanha, parente do Santíssimo Domingos, Patriarca da benigna Ordem dos Frades Pregadores. Ela foi educada em vaidade na casa dos pais. Era fisicamente belíssima, gentilíssima, fortíssima, e mais do que as outras educada na vaidade do mundo e na eloquência mundana. Sabia cantar e tocar em modo excepcional, tanto que não havia nenhum cantor eclesiástico que ousasse se contrapor a ela na arte da música. Aprendeu otimamente a se ocupar da sinfonia, da cetra, dos órgãos e dos instrumentos musicais. Em xadrez, dados, e similares jogos mundanos, jogava muito bem e por todos era chamada mestra. Era muito competente nos torneios e jogos com a haste e a espada. Foi tão educada, que em tais disciplinas, não existia ninguém que a pudesse vencer. Mas a coisa mais grave era que, visto que cheia de graças mundanas, foi muito dissoluta no modo de viver, estando sempre em grupos de dança e no espetáculo de duelos, e induzia a todos ao seu amor. E quantos muitíssimos vinham, das várias partes do reino, atirados apenas pela fama dela. Seu pai e sua a mãe a conduziam, por convite dos nobres, à dirigir corais de cantos e danças, também de noite, e naturalmente para distrair os convidados com as suas palavras e as suas respostas.

E enquanto aconteciam estas coisas e ela tinha já quase vinte anos, um soldado interessado, a vendo tão bela, pensou em como poderia a conquistar. De fato dizia consigo: o peixe não pode estar fora da água, nem a cerva fora do bosque sem que venha a ser capturada. De fato não pode não acontecer que esta, que se expõe a tantos perigos, vivendo livre, não seja capturada. Portanto, fazendo um grande convite, mau intencionado, recebeu junto ao pai e à mãe, aquela Bendita, também para a alegria dos convidados. E enquanto todos se alegravam com as danças de corais, cantilenas frívolas e jogos muito alegres, aquele soldado ofereceu, escondido, pequenos presentes à ela, ou seja, um anel de ouro e com um colar belíssimo. Ela o aceitou com prazer, como aceitava normalmente dos outros. Visto que então todos faziam festa nos jogos desta jovem e sobretudo se maravilhavam pela ciência e pela humana eloquência dela; aquele Soldado, enquanto oferecia em abundância vinho muito forte aos outros, à Bendita, oferecia vinho misturado numa taça, e numa ampola, dava para beber vinho branquíssimo com o engano, no lugar de água. O que aconteceu? A Virgem mundana, quando ficou bêbada, foi possuída.

Visto que todos os seus parentes estavam bêbados e entretidos pelos divertimentos, aquela miserável saiu com o soldado para ver todos os quartos e os outros lugares do Castelo, apenas com ele; e nesse modo, vergonhosamente manchou a si mesma, com a horrível lama da luxúria.

Retornando aos seus, começou a aparecer muito mais dissoluta.

Frequentemente esteve com o soldado naquele ano, e concebeu um filho, para a sua infâmia e de toda a sua família. Ela deu à luz na casa paterna.

Chorou, assim como os pais e todos aqueles que a conheciam, toda a cidade a desprezou e o Reino em sofrimento se surpreendia por esses clamores. Visto que sofria injúrias, e muitíssimas ironias por parte dos servos e das servas da casa, e do Pai, que procuravam pelo autor do estupro, via-se severamente agredida com vergas nodosas, mas ela não queria de nenhuma forma revelar quem a tinha estuprado. Estava cheia de orgulho, até que após ser muito agredida, disse ao pai: Convoca, disse, oh pai, toda a tua casa e indicarei, certamente, o autor de um crime de tal tipo. Quando todos foram reunidos, aquela pronunciou diante de todos: Tu, oh pai, és o único que gerastes esse filho; e tu, oh minha Mãe, és a mesma que lhe destes à luz. Visto que todos se surpreendiam, aquela disse: Não vos maravilhais, nobilíssimas eminências, porque eu disse isso ao meu pai e à minha mãe: porque esses são, aqueles que me introduziram em todas as pompas e em todas as vaidades, em todos os espetáculos do Reino, fazendo de mim uma Princesa da Vaidade. Por isso diga a eles: Criais o vosso filho. Por sua causa vós me desprezais assim; por que me haveis deixado fazer tais coisas? Agora eu quero ir embora daqui; adeus; serei conhecida em todo o mundo. E assim desesperada, depois de ter ofendido e enchido de ódio imenso todos os membros da casa paterna, se tornou uma prostituta no Reino da Espanha. Transcorrendo sete anos em todos os prazeres e impudicícias, criou em todos grande interesse. Se tornou uma prostituta muito conhecida, por isto também se tornou muito rica, acumulou tantas pedras preciosas, fruto desse pecado, que quase foi considerada uma das maiores duquesas.

Teve servos, como tem os soldados condecorados. E estava presente em todos os torneios com grande pompa, e era a triste consolação dos rivais depois da vitória. Aliás, visto que conhecia perfeitamente toda a arte de combater, como foi dito, a mesma combatia em armas contra qualquer um nos duelos: e especialmente com a sua lança superava a todos, alias era tão forte e vigorosa, que lutando com dois homens, ousava os desafiar e, mesmo muito fortes, os vencer. Por isso todos a desejavam e se sentiam satisfeitos se tivessem podido dormir com ela. Por sua causa, muitos foram mortos, pelo ciúme da luxúria, e por sua causa muitíssimos se tornaram pobres. A sua fama atravessou todas as províncias, e as regiões naquelas partes. Quando então, uma vez, ela entrou num duelo, foi dito ao Santíssimo Domingos, evidentemente por um seu parente, que ali existia uma mulher que duelava e que orava num dia, mais do que ele pudesse orar em todo um mês. Aproximando-se dela escondido, sendo circundada então de muitos ilustres soldados, disse: Oh filha, muito tu servistes ao mundo, agora por favor sirvas ao teu Criador. Levou então muitíssimos exemplos sobre Cristo, e sobre os seus Santos. Ela desprezou todas estas coisas, como loucuras, dizendo: Oh Domingos, Domingos, se estivestes comigo ou com uma das minhas servas, farias coisas diferentes daquilo que me estás dizendo de fazer. E ele a disse: Oh filha, filha, no terceiro dia, no futuro próximo, Deus julgará entre ti e mim sobre estas coisas. Algo maravilhoso, e estupendo para todos os mortais! A mulher incorreu no terceiro dia em seis males. De fato naquele dia, perdeu a vivacidade de todos os sentidos, tanto que se tornou quase furiosa; tinha apenas alguns pequenos momentos lúcidos.

Por isso logo foi desprezada por todos; e os seus servos, depois de a terem roubado todos os seus bens, deixaram aquela coitada sozinha e impaciente, blasfemando contra Deus. Assim então Bendita, filha de Eva, depois de tanta glória, teve a primeira maldição de Eva, ou seja, a perda dos sentidos!

Contra o seu nome, Bendita ela se tornou maldita. Na segunda semana, caiu na segunda maldição de Eva, ou seja na infâmia, contra a nobreza de Maria, designada através do Tu. De fato, a sua família inteira se afastou dela, levou consigo todos os bens, fugindo escondido, e deixando ela mesma nua; logo depois destas coisas, caiu na terceira maldição de Eva, ou seja, na desonra. Visto que todos aqueles que a conheciam, não tendo nenhuma compaixão por ela, a ironizavam, satirizavam e os meninos lançavam lama e pedras contra ela, como se faz com uma demente, sem que ninguém os parassem. Na quarta semana, visto que não se arrependia, alias blasfemava também contra Deus pela agitação, subitamente foi atingida por uma lepra horrível, e todas quantas as carnes dela apodreceram: saia tanto fedor dela, que ninguém podia suportar, tanto a ser insuportável a ela mesma, ela que antes odorava aromas de perfumes. Por isso, pela intolerável dor do coração se tornou muito agitada.

De fato por causa desta lepra subitamente se tornou horrível, contra a palavra da beleza de Maria ou seja entra as mulheres. Logo ao invés, visto que nem mesmo assim se emendava, procurou a quinta maldição de Eva, a fraqueza e a impotência do corpo. De fato ela, que antes era forte e robusta, como dois homens e até mais do que isso, se tornou tão frágil de corpo, que não podia nem mesmo mover uma mão, nem um pé, aliás nem mesmo podia se alimentar, mas numa habitação, separada dos homens, foi abandonada a si mesma. Recebeu e teve porém, (por misericórdia de Deus), uma serva devota, e santa, que como podia, a servindo por Deus lha oferecia as ajudas necessárias. Nenhum outro cuidava dela, porque todos dela fugiam, como a maldição de Deus, e todos diziam, que era um dano a ajudar em qualquer coisa; certamente ela fez no mundo muitas ações más, e conduziu a perdição tantas almas com a sua vaidade e as suas luxúrias. E por isso esta é a coisa mais abominável; ela mesma antes, tão florida, rica, e vulgar, sem forças e abominável em todos os sentidos, continuamente jazia na lama dos seus mesmos fétidos excrementos. E por três anos, assim foi colocada na cruz. Pelo prolongado contato também com o fato de estar na cama, as suas carnes foram corrompidas e cobertas por vermes.

Consequentemente teve a sexta maldição de Eva, a infâmia geral, tanto que um provérbio naquelas terras sobre ela corria publicamente. Se alguém, de fato, tivesse querido augurar o pior mal à alguém, dizia assim: Que o Senhor faça a ti como fez à Bendita. E esta maldição foi no lugar da Benção de Maria, que se nota na palavra: E Bendito. Quando então no final dos três anos, o Santíssimo Domingos para pregar retornou naqueles lugares, especialmente para visitar a sua prisioneira, vindo junto a ela, não foi reconhecido pela mesma. De fato, ela tinha perdido a visão, e todo o seu rosto estava tão corrompido que apareciam os ossos. Visto que porém sempre por pouco tempo (com dificuldade) voltava a razão, mesmo que pouca, assim o Santíssimo Domingos começou a orar muitas coisas sobre Cristo e sobre os seus Santos: mas em vão. Ela, como ouviu, e junto, reconheceu que estava presente Domingos, com as forças com as quais podia, não se arrependeu, mas ficou inflamada de ira, maldizia São Domingos, e afirmava que ele era a causa de todos os seus males e das suas ruínas; com prazer, como dizia, o teria matado, se pudesse. Domingos, suportando estas coisas, disse: Oh filha, escolhes o que queres, ou morrer logo num mês, e assim entrar no inferno eterno, ou te confiares à Virgem Maria rezando todos os dias o seu Saltério. E a convenceu devotamente, estimulando-a, para que esta se colocasse com todas as forças na participação da Confraternidade da Virgem Maria, e de todos os bens, que nela os obtém através dos seus devotos salmodiantes. Com os méritos dessa, poderás recuperar as coisas perdidas, e alcançar também coisas maiores. Sentindo essas coisas, ficou aterrorizada e aflita, se propôs a rezar o Saltério e a entrar naquela Confraternidade, com todas as forças. Pediu à Domingos, de poder ser instruída por ele na melhor forma devida, para poder começar o mais rápido, a recitar. Assim então, depois dos seis males de Eva, começou com a graça de Deus, a receber seis benefícios através da Virgem Maria.

No final da primeira semana, depois que começou a recitar o Saltério, cada vivacidade da sensibilidade foi-lhe restituída perfeitamente; com o aumento da consciência das virtudes e dos costumes. No final da segunda semana, foi exaltada, pelo fato, que os nobres começaram a visitá-la, e a dar os proventos dos nobres. No final da terceira semana, todo o seu tugúrio se via luminoso, durante as noites e se escutavam vozes de Coros, certamente dos Anjos, que se alegravam, pelo seu arrependimento, tanto que todos quantos, começaram a temer a Deus e à honrá-la. E assim aquela que era desfigurada, rapidamente foi honrada tão maravilhosamente por Deus e pela Santíssima Virgem. No final da quarta semana, a Virgem Maria, aparecendo a ela também com o seu Leite Virginal, limpou todo o seu corpo, a curou da lepra e não apenas recuperou como também aumentou a sua beleza. No final da quinta semana, novamente aparecendo a Mãe de Deus, a ofereceu uma bebida, pelo gosto, se tornou mais robusta, de quanto fosse antes, tinha a força ágil de quatro homens. No final da sexta semana a sua fama perdida, foi restituída completamente, que era celebrada com o máximo louvor, na boca de todos, e sobre a sua saúde, estavam maravilhados, exultantes, se congratulavam com ela. E na verdade, com os muitos dons, apareceu mais graciosa de que antes. Conhecida a sua fama um Rei, atraído pela admiração, pela devoção pela Mãe de Deus, pela reverência em relação à mesma, decidiu e afirmou em público que não teria casado com nenhuma mulher, além de Bendita. Todos os aristocráticos, diante dos quais se celebram o Casamento Real, se surpreenderam, e por isso, foi abolida a infâmia dela e da sua família. Apenas a Rainha, foi colocada ao lado do Rei, a primeira solicitação, feita pela mesma, foi de reconduzir todo o Reino ao culto da Mãe de Deus, e a introduzir a prática do Saltério; as Igrejas dos béticos que num certo tempo eram construídas continuamente, graças à ela foram adornadas abundantemente, e foi muito pregado o Saltério, e foi acolhido com alegria por todos. O Reino era agitado internamente por guerras, recorridas pela Rainha, a eles enviada por vontade divina. E ela mesma, cheia do Espírito guerreiro de Deus, assim consolava o Rei: Senhor meu Rei, se assim te agrada, uma coisa somente te peço, que tu mantenhas o cetro e o leme do reino, e governes o estado, na paz; as guerras confies à mim. Mas visto que estou habituada a orar com o Saltério, a vossa Majestade se preocupe que este seja cumprido da forma devida, em meu nome. Deus através de uma mulher acabará com a soberba dos inimigos. Acredites meu Rei, que nesta mão direita tenho uma força mais válida, do que todas as forças que possa existir no vosso corpo. O Rei, sentindo que a coisa era conduzida pela Vontade divina, deu o próprio consenso ao pedido. Não existiu dia, no qual a Rainha não dissesse o Saltério, antes de ir para a batalha. Ao mesmo tempo, também conduziu o seu exército, e não deixou que ninguém abandonasse o Saltério, aliás impunha que se encontrasse um tempo seguro para o recitar. Ela mesma nas suas orações, acrescentava penitências secretas. E assim, entrando no campo contra os inimigos, venceu e afastou todos os que viessem contra ela; frequentemente acontecia que esses fossem já vencidos e afastados antes que ela aparecesse.

Sem dúvidas esta é a força do Saltério, o sustento da Mãe de Deus.

Certamente não só uma vez, mas muito frequentemente, que até parecia costume, cada vez que os cem Reis tivessem vencido mil adversários, outras vezes cinco reis teriam vencido cem inimigos, e assim outras vezes quando quinhentos reis tivessem matado quase três mil inimigos. Na boca de todos na verdade não existia nada de mais frequente, do que a soma das vitórias, nas guerras da Rainha. Ao mesmo tempo os Sarracenos nunca podiam louvar suficientemente o Sultão deles, porque junto dele estava com suma admiração e igualmente veneração. Quando foi restituída a paz ao reino, cada solicitude e operosidade, recaia sobre ele, para que mantivesse forte, pela perpétua continuidade, o culto da Santíssima Maria Virgem no Saltério, já celebrado em todo o Reino. Esta, assim como soube, promoveu também as coisas mais importantes que serviam à Confraternidade. E então, visto que santamente conduziu uma vida longa, no final foi avisada da morte pela sua Protetora: e isto no centésimo cinquentésimo dia, antes do último dia. Na mesma morte viu Jesus e Maria que amavelmente a visitaram, quando morreu; coisa admirável para se dizer, e se ver e mais admirável a se ouvir, entorno ao Castelo vários pássaros, de doce som voavam e cantavam com uma melodia docíssima.

EXEMPLO IV

A Virgem Alessandra.

A Virgem Alessandra, durante as pregações de São Domingos no Reino de Aragão, já muitos anos antes, tinha dado o seu nome à confraternidade do Saltério; porém, empenhada em outras vaidades, muito raramente recitava o Saltério. Ela passava o tempo de manhã, embelezando-se, procurava conquistar a benevolência dos mais frívolos, e já tinha conquistado muitíssimos, mas também os tinha desiludido. Por sua causa, foram realizados vários duelos e homicídios. Por causa de um homem que queria cortejá-la, foi realizado um duelo em público, enquanto ela mesma olhava e também combatia, derrubando do cavalo aqueles que o atacavam com a lança. Ele com a sua força e velocidade, se esforçou em se provar como apto à amada naquele encontro. Superou as próprias forças, quase sacrificando a sua vida, tirando a vida aos outros, como vencedor. Enfim quando venceu a todos, chamou Alessandra, orgulhoso: Mesmo que muitos estejam presentes, porém, por teu amor, eu não teria dúvidas de me empenhar no peso da luta. Logo após ter dito isto, um homem se apresentou e o desafiou ao duelo, porque também queria Alessandra. Ora, disse, se és homem, ousa também comigo. Dito, feito. Correm com as lanças: e com golpes de ambas as partes, os dois combatem. E então junto ao sangue vomitam a alma, ambos pronunciam ferozes blasfêmias, e exalam os espíritos infelizes. No local haviam amigos de ambos os mortos, muito ligados, seja pelo sangue, seja pela infâmia, seja pela familiaridade com estes, os quais turbados pelo feroz espetáculo, e pela horrível morte de ambos, tinham as almas exaltadas contra Alessandra. Sem abster-se das armas, irromperam contra ela, e atacada com as espadas de todos, a trucidaram. Não coube sorte melhor àqueles que a acompanhavam como amigos, a maior parte desses foram ao encontro da morte.

Acreditaram que Alessandra estivesse morta pelos golpes que a dilaceraram: mas esta, não estando em condições de morrer, pediu aos gritos um confessor; coisa verdadeiramente horrível! Quando viram os homicídios, e ouviram que ela pedia um confessor, para não serem acusados, a cortaram a cabeça e a jogaram numa fossa cheia de lama, Domingos, que então estava em Oxford, soube espiritualmente do que aconteceu. Depois de cento e cinquenta dias destinei Domingos, meu esposo caríssimo, disse Maria, ao lugar, no qual jazia a cabeça de Alessandra. Ele enfim, chegando junto à esta, chama Alessandra fora da abertura da fossa. Logo esta com a testa, como se tivesse sido destacada a pouco, se apresentou diante de Domingos, fora da fossa, e como antes, pedia um confessor. Depois de ter feito a confissão com Domingos, e ter recebido a Santa Comunhão, recebeu a Santa Estrema Unção com a máxima oração, imediatamente enviou muitos agradecimentos a Domingos. E dizia que certamente seria condenada, se não fosse salva pelos méritos da Confraternidade do Saltério. Acrescentava que, visto que inumeráveis demônios, quiseram raptar a sua alma, a bendita Maria, sempre presente, a defendia e a conservava ainda em vida. E dizia que como condenação pelos seus pecados, devia estar no Purgatório por duzentos anos, e, pelo vão ornamento e a luxo, com a qual tinha feito pecar inumeráveis pessoas, foi condenada às penas gravíssimas daquele por quinhentos anos. Contava muito, porém, com a ajuda dos irmãos do Saltério, para ser libertada. Assim então, num campo santo, a cabeça foi sepultada com honra por uma multidão de pessoas, muitíssimas das quais, se arrependeram com a máxima devoção, e foram estimuladas a acolher a Confraternidade do meu Saltério. Muitíssimos, tinham ouvido falar da cabeça cortada: que permaneceu viva por quase dois dias contínuos, depois da confissão feita por Domingos, pelo louvor da minha Confraternidade e para completar um certo número de Saltérios, que Domingos por penitência tinha imposto à minha prisioneira. Depois de cento e cinquenta dias Alessandra apareceu à Domingos, fulgida como uma estrela, e o disse três coisas: primeiramente ela que foi enviada por todos os fiéis defuntos, para dizer que todos aqueles o pediam de orar o Saltério, assim como os amigos e os pais desses, que vivem nessa Confraternidade, que os mesmo defuntos podiam participar aos méritos desses, assim como também os viventes, da misericórdia deles; e prometiam, que restituiriam a troca na glória, mil vezes mais. Em segundo lugar, dava graças pela sua libertação a São Domingos. Em terceiro lugar dizia que os Anjos e os Santos estavam alegres por esta Confraternidade do Saltério; e que os Anjos e os Santos chamavam e igualmente, amavam os salmodiantes da Santíssima Maria, irmãos deles; enquanto que Deus, deles é Pai, e a Santíssima Virgem Maria, Mãe. Ditas estas coisas, desapareceu, e sob a minha guia, chegou a Glória.

EXEMPLO V

A ilustríssima Lúcia de Espanha.

Existia na Espanha no tempo de São Domingos, (como narra no seu Marial João do Monte), uma mulher muito devota, que desde a juventude servia Deus e à Virgem Maria, no seu Saltério, na doutrina e na exortação do mesmo beatíssimo Domingos. Esta Lúcia nasceu de uma família famosa, mas era muito mais esplêndida pela fé. Ela, tendo se casado com um soldado, concebeu, tendo engravidado enquanto os infiéis invadiam o Reino de Granada. Um soldado devastador matou o seu marido (com a permissão de Deus) e ela foi arrastada prisioneira, com muitas outras, às terras dos Infiéis, e, vendida como escrava para o serviço de um ferocíssimo tirano. Ela tornou-se escrava dos escravos, realizava a cada dia humildes trabalhos. Nem os ímpios a economizavam porque estava grávida, mas com agressões e torturas a golpeavam frequentemente.

Chegou então o tempo do parto: na meia noite do Natal do Senhor; sem que ninguém soubesse, esta foi abandonada em meio aos bois e as ovelhas, como um jumento. Porém neste sofrimento não abandonou nunca o Saltério de Maria. Maria com ela fez algo extraordinário. Na mesma hora, enquanto dava à luz, foi angustiada por dores do primeiro parto, e (sendo muito jovem, ou seja, de quatorze ou quinze anos e muito envergonhada e inexperiente no assunto) sentiu as dores, mas não sabia o que fazer, faltando a ajuda de alguém; como pode pegou o Saltério de Maria, e por quanto a dor a permitisse, na noite começou a saudar a Virgem Maria. A Rainha da clemência, que não sabe fechar as suas entranhas àqueles que a servem, está ao lado da angústia: cumpre o papel de obstetra, limpando a criança, cortando o cordão umbilical: e visto que faltava quem a batizasse, subitamente chegou um Sacerdote venerável em rosto, excepcional pela luminosidade, tendo uma coroa de espinhos sobre a testa e as estigmas nas mãos, não ensanguentadas, mas esplendentes pelo fulgor das estrelas: Ele vindo com o Diácono e o Subdiácono, e com a Crisma sagrada, batizou a criança e a chamou Mariano. Maria Mãe de Deus tinha a criança, e assim pelo nome de Maria, Madrinha de Lúcia, foi chamado Mariano. Se maravilhava Lúcia, e pela maravilha se esqueceu da dor. Batizada a criança, Maria entregou o filho à Lúcia, dizendo: Eis filha o teu filho, te consolas e perseveras, te prometo que logo te vem ajuda do Céu. E assim a visão desapareceu, e Lúcia permaneceu com o filho na estala simples, alegre pela visão. Se surpreendeu que toda a dor tivesse desaparecido, e se sentiu mais forte do que nunca. Pegou então seu filho e o colocou sobre a palha, como Maria fez com o seu filho Jesus no presépio, entre as ovelhas.

Lúcia permaneceu ali até o dia da Purificação da Virgem Maria, exaltando sempre Maria no seu Saltério. E subitamente na manhã daquele dia, chegou à ela um jovem, esplendente em rosto, que disse: Visto que, oh filha, não te purificastes segundo o uso dos Cristãos, te prepares para a purificação segundo o uso dos fiéis. Esta disse: Senhor, aqui não existe uma Igreja, nem um Sacerdote, nem um povo fiel. Disse ele: Agora te conduzirei a uma igreja belíssima, onde verás coisas maravilhosas e ouvirás coisas estupendas.

E por causa desta prescrição Lúcia, levando entre os braços a criança, seguiu o jovem, e entraram numa Igreja belíssima, onde foram ao seu encontro Madalena e a Santíssima Ana, mãe de Maria, as quais, pegando Lúcia pela mão, a levaram até o coro. Feito isso, apareceu a Gloriosa Virgem Maria, que disse a Lúcia: És bem vinda filha: muitas vezes me apresentastes o Filho através do meu Saltério: e agora te apresento a Ele, para a tua purificação com o teu filho. E Maria a pegou pela mão e a introduziu nos portões, onde existia a Sede imperial de Maria, e ordenou de sentar junto ao grande altar. E veio aquele sacerdote, que tinha batizado o filho, e com incomparáveis melodias celebrou a Missa. E quando chegou o momento do ofertório, Maria ordenou à Lúcia primeiramente de oferecer o círio dado à ela. Neste existiam três partes, em cada uma das quais havia cinco luzernas, adornadas em modo admirável, que mesmo sendo de grandeza excessiva era, porém, mais leve do que costumeiramente parecia.

Visto que também surgiu uma questão entre Lúcia e Maria, quem, primeiramente entre estas beijava a mão do Sacerdote Pontífice. Enfim Maria obrigou Lúcia a beijar primeiramente dizendo: Hoje tu fostes purificada: por muito tempo eu fui purificada; antes então é oportuno que tu beijes a mão. Portanto Lúcia beijou a mão Divina de Cristo celebrante, e depois Maria. Assim retornadas aos seus lugares, Lúcia teve o primeiro lugar. E quando no final da Missa todos comungavam, Lúcia foi a primeira a comungar, depois de Maria. Feita a Comunhão, conhecia, e meditava os mistérios incredíveis e alegres, e cheia de alegria foi conduzida através de Maria até a porta da Igreja, e Maria a disse: Conserva filha, aquilo que recebestes, e perseveras na obra iniciada, de fato te conduzirei à tua terra. E subitamente as dez horas, Lúcia se encontrou no meio da Igreja de São Jacó, com o seu povo. Ela era originária de Compostela, mas a muito tempo casada no Reino de Granada. Esta permaneceu reclusa por todos os dias da sua vida, e o seu pequeno filho Mariano com ela, e foram reclusos juntos. E depois da gloriosa morte da mãe (a qual alma, a gloriosa Virgem Maria conduziu com grande alegria à felicidade eterna), Mariano permaneceu aqui como eremita, notável em todas as virtudes, temendo a glória mundana e permanecendo sempre ao serviço do Saltério da Virgem Maria, com muitas revelações. E assim, junto com Maria Virgem que o apareceu, teve paz com um fim santo. Por isso, oh mulheres e crianças, avisados deste exemplo, louvais Maria Virgem no seu Saltério, dizendo sempre: Ave Maria, etc.

EXEMPLO VI

Maria, Condessa de Espanha.

Maria, filha de um potentíssimo Conde no Reino de Espanha, foi pelo pai, e pela mãe, educada e obrigada ao mesmo tempo, e induzida a palavras, e com presentes de fruta ou até mesmo por agressões, à orar antes de comer, cinquenta orações do Saltério da Virgem Maria; e a segunda depois de comer com as mãos unidas e ajoelhados; e a terceira, antes de dormir.

Essa então, chegando aos anos da puberdade, e da saída de casa, por ordem dos pais, foi entregue ao marido. Essa mesmo casada não abandonou aquele propósito divino: mas com devotas meditações, e três disciplinas ao dia, cada uma das quais tinha ao menos cinquenta golpes, continuou (o vaso novo tem espaço, aquele antigo tem sabor). Visto que teve dez filhos e filhas, os cresceu no temor de Deus com muito cuidado (como interessa às boas mães). Em seguida, o Bispo de Paris, Mestre e Doutor em Teologia, e igualmente em ambos os Direitos, foi à Cidade desta Senhora Condessa, e à esta começou a pregar com eficácia. Enfim a predita Maria foi a ele, dizendo, que dele queria conhecer uma oração, através da qual podia chegar à uma vida de perfeição. Mas ele, quando soube que estava casada, respondeu que devia ter sete exercícios. No primeiro amor do marido. No segundo a fidelidade ao mesmo. No terceiro a misericórdia ao próximo. No quarto a justiça à família. No quinto, para evitar a fofoca. No sexto à fazer algo de bom. No sétimo à honrar a Igreja de Deus, e custodiar os seus filhos sempre no temor de Deus. Ela o disse, que os tinha observados com eficácia, mas que queria mais para progredir. Então o Bispo: Oh Senhora Maria, visto que és casada, não podes fazer mais, mas te contentes em servir o Senhor com esses. Novamente ela: Oh dulcíssimo Senhor, se não quereis dar o conselho, ao menos escutais brevemente a minha vida, para não errar, porque sou ignorante. E ele: Com prazer, disse. Então esta contou que rezava três grupos de cinquenta orações por dia no Saltério da Virgem Maria, com um tríplice tipo de meditação, e com uma tríplice disciplina, dizendo: Quando rezo as primeiras cinquenta orações penso em Maria Virgem, e nos membros, nas potências, nos atos dessa, rezo uma Ave Maria, penso aos olhos, que viram o Filho de Deus; rezo uma Ave Maria e penso nas orelhas, que ouviram a voz Angélica; e assim cada coisa, consequentemente. E assim fazendo, disse, que sentia os membros da Virgem, nos seus membros, descia uma inefável doçura, que superava todas as consolações do mundo. Rezava o segundo grupo de cinquenta orações em honra da Paixão de Cristo: e então pensava em Cristo Crucificado, meditando, assim que pelos cabelos arrancados dizia uma Ave Maria, após pela Coroas de espinhos, e assim pelos outros membros de Cristo uma doçura maior do que a de antes, tanto que sentia-se transformada toda em Cristo, e toda cheia de compaixão e de amor em Cristo, e enquanto todo o mundo para ela era uma pena, em confronto do amor de o pensar e de o sentir. Rezava depois o terceiro grupo de cinquenta orações em honra às imagens dos santos em relação aos Altares da sua Igreja e da Capela, dizendo nove ou dez Ave Maria à todos os Anjos; uma por João Batista, uma por João Evangelista, e assim para os outros, meditando também a vida daqueles Santos, e pedindo a esse de ser consolada e reforçada.

Assim nestas meditações perdia os sentidos exteriores e era frequentemente raptada para o Senhor: como santa Isabel Langravia. E fez estas coisas com jejuns e disciplinas, como se disse: e fez de modo que todos os pobres recitassem o Saltério. Ouviu do Pontífice as seguintes coisas, que se sentindo quase fora de si, pela admiração, chorando dizia: Oh Maria, minha filha caríssima: eis que sou Bispo e Doutor em Teologia e em ambos os Direitos a quase vinte anos, e nunca ouvi sobre esse exercício espiritual. Por isso de agora em diante tu serás a minha Mestra, e eu o teu discípulo. Então ele colocou o Rosário na cintura, diante de todos, e no outro dia começou a pregar o Saltério da Virgem Maria. Quando o povo viu que um tão grande Pontífice orava e levava na sua cintura o Saltério da Virgem Maria, dizendo: Se um tão grande Senhor leva e recita o Saltério de Maria, sem duvidas esse é algo de grande. Nós então justamente, visto que somos pecadores, devemos o imitar. Portanto, toda aquela terra, em todos os lugares, foi cheia da devoção pelo Saltério. Enfim a Nossa Senhora, a Virgem Maria, apareceu à Condessa Maria, preanunciando a sua morte, e enquanto esta morria esteve ao seu lado, e conduziu a sua alma, esplendente como o sol, à felicidade eterna junto com uma coluna de inumeráveis Anjos e Santos, como os mortais também ouviram. Depois de ter escutado essas coisas, louvais Maria: como fez Maria no Saltério Angélico, assim também vós merecereis serem conduzidos junto à ela mesma ao Reino dos Céus. Amém.

EXEMPLO VII

A Freira custodie e o Monastério reformado através do Saltério.

Um Conde era rico e circundado de muitos filhos; temendo muito de não dar a todos o casamento conveniente com as suas origens, ofereceu à religião uma filha muito delicada de corpo, muito bonita no aspecto, pequena de idade, a São Bendito, a confiando às Freiras da ordem do mesmo, justamente porque com estas estaria para o resto da vida. A Virgem foi vestida, e após essa, como as outras filhas de nobres, viveu no divertimento. Essa Congregação de Freiras não se preocupava em manter o Regulamento, mas, como um rebanho que vai por estradas erradas, este caia no buraco dos pecados. O confessor daquele lugar assim disse a esta Virgem: Existe para ti algumas orações, com as quais evitando o ócio, poderás servir com maior pureza a Deus e à Santíssima Virgem? E aquela disse a ele: Me pedes, oh Pai, algo desconhecido, sou pequena, e habituada aos divertimentos; se existe algum trabalho a fazer, eu certamente não sou habituada. E ele disse a ela: Não é incômodo, nem de grande esforço, mas de grande prazer e é uma forma de acumular virtude. Ela respondeu: O que é isso do qual falas tão louvavelmente? Me indiques, te peço, oh Padre, sem demora. E ele a disse: O Saltério tem o nome de Maria, e é formado por cento e cinquenta Saudações Angélicas, depois de cada dez Saudações, se acrescenta sempre uma Oração do Senhor: porque assim ouvi de São Domingos. Este, filha, sem dúvidas é o exercício do primado do louvor pelo qual já foi tido um Sermão. E ela disse: Saberei se é assim, como tu dizes com a experiência. E ele: Escutas então o modo que te revelarei, segundo o qual tu deves rezar esse. Rezarás o primeiro grupo de cinquenta, repetindo e meditando sobre um ponto da Encarnação de Cristo. Rezarás a segunda, meditando um ponto saudável da Paixão dele. Rezarás a terceira pelos teus pecados. E com esta pedindo as orações de intercessão dos Santos que são para ti especiais na devoção, e imitando o exemplo desses. Tocada por esses acontecimentos muito saudáveis, e obedecendo, a criança o recitou com alegria e com grande devoção. Ela com esta ocupação permaneceu imune aos muitos males, que angustiavam aquele Convento de Freiras: e não só adquiriu a santidade da mente, mas também, extraordinariamente, a saúde e beleza do corpo. Antes ela sempre se adoentava, e por isso seus pais a ofereceram à Ordem Religiosa, quando esses souberam da sua saúde e beleza, tentaram impedir a sua Consagração e queriam a dar como esposa ao ilustríssimo filho do Rei da Espanha. Ela mesma temendo mais a Deus do que aos pais, consagrou-se no tempo correto. Se tornou assim Consagrada (visto que cada uma das freiras tinha o próprio amigo e amante, como os quais cantavam em coro, bebiam e faziam muitas coisas reprováveis), muitos nobres, a escolheram ela porque sabiam que era nobre e bonita, e a escreviam cartas para a estimular a esse tipo de coisa. Ela angustiada, jogou as cartas na fossa, colocando o seu amor em Deus Jesus e na sua Mãe gloriosa. O inimigo da espécie humana, vendo isso e com inveja estimulou as freiras a se colocarem contra ela, visto que não se comportava como as outras. Elas então a desdenhavam, perseguiam e chamavam de hipócrita. Nem por isso desistiu, mas com maior devoção invocava a Virgem Maria, pedindo, que a fortificasse na paciência. Enquanto orava, uma vezes, a Virgem gloriosa sempre bendita, colocou diante dela uma carta, em que estava escrito assim: Maria, a Mãe de Deus, saúda Joana filha de Deus. E além das três advertências contidas nessa, estava escrito que se esta terminasse com assiduidade, chegaria ainda mais cedo à perfeição. A primeira advertência era que devia continuar o Saltério começado mais devotamente. A segunda que distanciasse de si, enquanto podia, os pensamentos ruins e o ócio. A terceira que pintasse em cada lugar da sua cela conventual os bons conselhos que distanciavam do mal e estimulavam o bem. Como por exemplo aqueles sobre a Paixão de Cristo, sobre os Reinos dos Céus, sobre a morte, sobre o inferno e assim sobre as outras coisas, para melhor poder resistir as tentações.

Joana cumpriu devotamente todas estas coisas. Entendeu depois, que um certo Santo Abade, por causa da reforma, se dirigiu aquele Convento, mas foi injuriado e agredido pelos amantes, e pelos apaixonados dessas, e enfim foi obrigado à ir embora, com grande dor. Após (não muito tempo), voltou ao mesmo Convento, não por causa da reforma, mas por mera visita, como é a regra. Recebido então cortesmente, na segunda hora da noite, teve uma visão, viu coisas muito prazerosas mas também viu coisas horríveis: viu uma cela do convento, que parecia envolvida pela luz do sol. Dentro estava uma Senhora Rainha belíssima acompanhada pelos santos de ambos os sexos os quais eram de inexplicável beleza. Estava presente, com esses também uma jovem que orava. Estavam entorno a ela inumeráveis demônios sob formas horríveis de animais, que emitiam vozes nas próprias formas; mas como se fossem lançadas hastes, dali foram distanciadas todas as colunas dos demônios. E assim se distanciando se espalharam pelas outras salas, onde entravam sob forma de sapo, alguns com o aspecto de uma serpente, alguns sob a figura de um dragão, colocando e oferecendo às freiras essências corpóreas e imundas. E todas aquelas, aceitaram como uma bebida docíssima, aqueles venenos mortais. E através das bocas delas através dos membros entravam também outras coisas. Ele então vendo tudo isto, e reconhecendo tais misérias em quase todas, gritando, e deplorando, não dormiu e se tornou quase morto, pela angústia e o terror, e assim como um morto foi levado numa cela, onde permaneceu por algum tempo, mas, por vontade de Deus, se restabeleceu. Ele então, querendo ir embora chamou Joana e perguntou com atenção o que tinha visto naquele convento. Ela então não sendo capaz de negar, dizia que aquela Senhora era a Virgem Maria, com os Santos, aos quais ela era devota no seu Saltério.

Sentindo isto o homem de Deus se alegrou muito e a exortou à perseverança no Saltério. E considerando a virtude do Saltério o deu um à cada Freira como pacto, que cada dia cada uma rezasse um Saltério, adicionando e prometendo, que, nunca teria querido reformar o Convento delas com a violência. Todas aceitaram com alegria, seja porque se alegravam da beleza do Rosário, seja porque não queriam ser reformadas. Fato extraordinário! A virtude do Saltério de Maria reformou aquilo, que a violência e o poder daquele devoto Pai não podiam emendar.

Se passou quase um ano, e assim tinham estabelecido estas mesmas, de abandonar cada vanglória e, escrevendo ao Abade, o notificaram, que estavam prontas à obedecer a sua vontade. Então, se reformando, conduziram em seguida uma vida digna de louvor junto à Joana, perseverando no Saltério da Virgem Maria, através do qual tinham merecido uma graça tão imensa.

EXEMPLO VIII

Helena, meretriz da Ânglia, convertida através do Saltério da Virgem Maria.

Uma mulher foi, segundo o fasto do mundo ilustre de nascimento, mas desprezível pelos costumes. Dos doze anos até os trinta, se mergulhou continuamente na libido, foi de exemplo a todas as meretrizes. E visto que era muito bonita, todos a desejavam, não só pela beleza, mas também pela arte mágica. Por isso teve dinheiro em abundância e podia conceder muitíssimas riquezas a dois condes, o que é verdade, também se parece inacreditável.

Essa assassina de almas e corpos, indo as vezes às assembleias para chamar a atenção dos homens ilustres e potentes em si, e parando brevemente, ouviu quem pregasse alguns louvores do Saltério da Virgem Maria. Nestas compreendeu, que o sumo remédio para a conversão dos costumes, seja para uma boa morte, seja para ter divinas revelações, fosse esse Saltério da Virgem Maria. Não erradamente: porque através da Saudação Angélica, se cumpriram as revelações de todos os Profetas. E a oração do Senhor foi dada aos apóstolos como excelente forma para obter todos os benefícios de Deus. Ela mesmo se não convertida, pensou em iniciar a orar o Saltério da Virgem Maria, não para se converter, mas para prosperar sempre mais nas suas atividades. Essa meretriz, de nome Helena, saindo com as suas companheiras da Igreja, por acaso encontrou um homem vendendo Saltérios. Ela comprou um e o pendurou na cintura das túnicas inferiores.

Enfim pouco a pouco esta Senhora Helena começou a orar o Saltério, quando tinha tempo livre. E, o tendo pregado por quinze dias, sentiu tanta compunção e temor do juízo e da morte, que, não sendo capaz de resistir, nem de imaginar, nem de dormir, foi se confessar. E se confessou com tantas lágrimas e suspiros, que ao Confessor nunca tinha se manifestado uma coisa deste tipo. Terminada a confissão, e enquanto a mesma orava o Saltério diante da Virgem Maria, da mesma ouviu esta voz: Oh Helena, Helena, uma dura leoa fostes para mim e meu Filho, de agora em diante sejas à mim uma ovelha, e te farei ser participante de mim e das minhas coisas. Animada por essas palavras, ela distribuiu aos pobres todas as coisas que tinha: e entrando num claustro, fez uma penitência muito pesada, contando sempre com as consolações divinas; frequentemente via entre as mãos do Sacerdote o Filho de Deus, conhecia as mentes dos homens, previa o futuro. Verdadeiramente também, depois da comunhão foi vista, não como mulher, mas transformada em Cristo, segundo a palavra do Senhor Jesus Cristo a Agostinho: Não me mudarás em ti, mas tu serás mudado em mim. Sofria muitíssimas tentações dos demônios, mas a Virgem Maria a ajudava a resistir. E dizia Helena, que muito sensivelmente sabia que estas duas orações, o Pai Nosso, e a Ave Maria, eram dois pequenos vasos da Divindade, nos quais é contida cada coisa bonita a ser vista, cada coisa suave ao olfato, cada coisa saborosa ao gosto, agradável ao tato, compreensível ao intelecto e desejável ao amor, e através das quais a Trindade consola os fiéis. E acrescentava que existem duas lamparinas, pelas quais os fiéis são iluminados para contemplar as realidades superiores; nos dois cânticos de núpcias considerava atentamente toda a Cúria Celeste e todo o mundo, depois de ter recebido o Corpo do Senhor.

De modo que existiam dois grandes Reinos, nos quais existia um Castelo somente, ou seja um Palácio, e por isso ela entendia como um só o universo do Louvor à Maria, etc. Então a Deus fazia reverência com estas duas orações, porque frequentemente experimentou que toda a Trindade se mostrava ali. E algumas vezes foi dito a ela, que com Culto de latria108, eles deviam ser venerados, porque com a mesma adoração, se adora a realidade e o significado das coisas divinas, segundo São Tomas e Santo Agostinho.

E esta Santa Helena progrediu nessas coisas precisamente, que pelo seu exemplo toda a Ânglia foi estimulada à uma grande devoção. Depois de muitos dias, o Senhor Jesus apareceu com a Virgem Maria, e, preanunciando à ela mesma no final, enfim a pegou; enquanto morria também com uma pomba branquíssima a levou às coisas celestes, e aqueles que foram presentes sentiram um odor suavíssimo, e uma alegria espiritual.

Eis então, do exemplo dessa Helena, aprendeis todos juntos o Saltério da Virgem Maria, para que possais distanciar os pecados, acumular méritos, ter visões divinas, e chegar aos reinos Celestes. Amém.

 

108 Se define “latria”, a adoração à S. Trindade, distinta da “dulia”, veneração aos Santos, que no caso de Maria SS. É chamada “hiperdulia”, ou seja especialíssima veneração.

EXEMPLO IX

A Condessa Domingas. Memorável exemplo.

Se lê o exemplo da Nobre Condessa Domingas, que depois do casamento, tendo morrido o primeiro marido, foi maltratada de forma inacreditável pelos sogros. Eles saquearam as cidades e os castelos dela e devastaram todas as coisas. Mas ela, temendo os dardos da morte, procurava esconderijos; fugindo aqui e ali sozinha sem joias, procurava as tenebrosas cavernas nos desertos, Nenhum daqueles, dos quais foi Condessa por muito tempo, por medo dos tiranos, ousava a acolher. Dominando a pouco tempo todas as ordens, agora tinha decaído como uma inimiga malvada, e os servos se rebelavam. Esses se glorificavam em grandes banquetes, enquanto ela era consumida pela fome. Aqueles malvados se exaltavam filhos da impiedade, nas vestes da Senhora expulsa, e ao mesmo tempo também nas riquezas. Ela pobre, agora, numa espelunca, tremendo, e temendo, se tornava companheira muito vil das rãs e dos sapos. Quase morreu com a miséria da fome e de sede, e, diminuindo a fé em Deus, prorrompeu em ferozes blasfêmias. Oh quanto é duro depois das exaltações desse mundo, cantar esses terríveis cantos! Oh! Quanto é pesado depois do final desse século, receber os tormentos de infinitas formas de morte! Mas é pouco aquilo que digo. Os homens não teriam podido se abster do choro, se tivessem visto chorar esta pobrezinha. O que de prazeroso queres ouvir sobre uma filha da morte, sobre aquela ímpia e miserável a pouco tempo habituada a tão grandes deságios, como é habitual aos senhores e as senhoras do mundo, nos quais reinem todos os tipos de vícios.

Ela então se enraivecendo e blasfemando a Majestade de Deus, pegou uma faca e se agrediu por três vezes no peito. Caindo pelas dores, estendeu as mãos, alongou os pés e todos os sinais da morte foram presentes. Aquela mísera viu as legiões do inferno, o qual número superava a abundância dos raios do sol. Quantas dores, quantos gemidos, enquanto viu as nefandas e horríveis legiões do Inferno além daquilo, que se pode imaginar. Oh, quantos suspiros, quantas calamidades, quando aquela mísera avistou inenarrável imoralidade na condenação desses, a impensável obscuridade, incompreensível abundância das sombras e a infinita queimadura do fogo infernal. Se cuidem então os mundanos, chegarão ao inferno de um tal tirano! Enfim ela, mais do que miserável, circundada pela tríplice angústia, ou seja pela morte natural, espiritual e infernal, foi capaz de pensar somente no desespero e nas blasfêmias a Deus. Sem dúvidas ela permitia, quando a mesma dominava, que os blasfemadores governassem a sua corte.

Mas onde a iniquidade abundou, a graça também foi abundante: logo após ter escutado a pregação de São Domingos orar o Saltério da Virgem Maria libertou a pequena jovem. Ela recebeu o Saltério da Virgem Maria das mãos do Santíssimo Domingos, na Espanha (ele já naquele tempo era canonizado). Mas, chegou o influxo do mundo, abandonou o Saltério no propósito e na palavra, mesmo que o tivesse sempre na cintura e no colo real. Algo admirável, e onde existe muitíssimo a ser louvada a clemência de Deus e de pregar sempre a Virgem Maria. Se aproximando o temível momento da morte, se aproximou a Santíssima Virgem Maria, acompanhada por três belíssimas jovens, as guiando estava São Domingos com o seu bastão, que com grandes golpes agredia, as legiões infernais. E aqueles não suportando a potência dos golpes celestes de Domingos, fugindo diante daqueles que se apressavam, deixaram uma estrada muito larga. Então a Santíssima Maria, voltando-se à filha de Eva, disse: Oh filha, filha, te esquecestes de mim, e eis a tua miséria, e necessidade, me lembrei com muita misericórdia de ti. Antes, na tua juventude, me voltastes a saudação através do meu Saltério, por advertência, só singularíssimo meu Esposo e Pregador Domingos, agora por muito tempo me colocastes nas tuas costas.

Mas visto que o mais caro dos meus amigos Domingos, por ti pregou, escutes a minha voz. Se prometeres de me oferecer o meu Saltério, te renovarei a vida e te darei todos os bens que perdestes. Então esta que estava para morrer, aliás, estava quase morta não com a voz, prometeu em pensamento, que o teria feito. E Maria a entregou a Domingos, o qual se aproximando da moribunda, tocou as suas feridas, e disse: Visto que abandonastes os três grupos de cinquenta orações, te permitistes de cair nas três feriras mortais. Agora visto que pouco tempo atrás orastes, e te propões a retomar as orações abandonadas, te serão dados os três remédios da salvação. Logo após, aquela que estava quase morta, se levantou perfeitamente sana. E visto que foi despida, São Domingos as deu os vestidos da mulher daquele Tirano, que possuía a terra da Senhora, e com uma escolta visível, reconduziu ela ao próprio Palácio, e com Potência divina Domingos fez em modo, que se visse o Tirano sob o aspecto do torturador, e a mulher do Tirano, como a concubina dele; assim a Senhora, se tornou a sucessiva Princesa, recebeu novamente todas as coisas perdidas, e todos a homenagearam.

Então ela aprisionou todos os seus inimigos, e fez com eles o que bem quis. E enfim, depois da restituição de todas as suas posses, narrou a todos a potência da Virgem Maria e de São Domingos; ela perdurou em tão grande fervor, em relação ao Saltério da Virgem Maria, que nas festividades maiores, nos seus palácios, o pregava para si e exortava, e obrigava a todos juntos de o rezar, oferecendo a todos Saltérios bonitos.

Enfim, depois de ter vivido santamente, morreu gloriosa; a ela a Gloriosíssima Virgem Maria apareceu com São Domingos, e esses levaram a sua alma aos Céus, com grandes tripúdios dos Santos pelo fato de buscar obter a verdade, seja da vida, seja dos meios de salvação. É então evidente que se deve orar frequentemente o Saltério da Virgem Maria, pregado através de Santo Domingos em muitos lugares, por ela orado, levado e distribuído aos outros. Amém.

EXEMPLO X

É útil para as casadas orar o Saltério da Santíssima Virgem Maria.

Se lê de Branca, mãe de São Ludovico, Rei dos Franceses, que maximamente implorava o Beatíssimo Domingos, de orar por ela, para que o Senhor a libertasse da esterilidade, e guiasse os filhos ao seu serviço e honra. E ele o veio em ajuda e a persuadiu de orar o Saltério da Virgem Gloriosa devotamente, de comprar muitos Rosários para os dar a todos aqueles que queriam os recitar. Depois de ter feito piamente estas coisas, depois de breve tempo, pelas orações da Santíssima Virgem Maria, concebeu, e deu à luz o lindíssimo, devotíssimo e ilustríssimo filho Ludovico, e as outras sucessivas proles reais.

EXEMPLO XI

Sobre a Virgem atacada por um Lobo.

Uma Virgem, vivia num território infestado pelas feras; era originária da França, e costumava recitar o Saltério da Santíssima sempre Virgem Maria.

Esta enquanto, com uma sua companheira, atravessava o bosque, encontrou dois lobos famintos: enquanto um dos lobos, atacando na garganta a sua companheira, a matava; ela que orava o Saltério, com tão grande angústia, invocando Maria pediu, que não a deixasse morrer, antes que se confessasse e comungasse. Milagre! O Lobo a dilacerou os seios, a devorou as vísceras; logo porém foi libertada por alguns que chegavam, e sobreviveu por três dias, nos quais se confessou, devotamente comungou, na fé morreu, por Maria foi visitada nos últimos instantes, e foi levada à felicidade celeste. Então não teria renunciado nem por todo o ouro do mundo à possibilidade de orar o Saltério, através do qual obteve uma tão grande misericórdia.

EXEMPLO XII

As três irmãs, que tiveram uma vida santa.

Três Irmãs moravam juntas, na castidade, e em desprezo ao mundo serviam Deus, e recitavam devotamente o Saltério da Santíssima Virgem Maria; estas crescendo também em todas as santidades e devoções, em tão grande graça da Santíssima Trindade, e de toda a Corte celeste, avançaram, pelos méritos e as orações da mesma Virgem Maria, visto que foram tidas dignas de si mesma; muito frequentemente, também foram visitadas por ela amigavelmente. Enfim depois de muitas aparições Maria se manifestou a elas novamente, acompanhada por duas Virgens e Mártires, ou seja Catarina e Agnes, na última prova da vida; estas tinham cada uma coroas entre as mãos, que a gloriosa Virgem Maria ofereceu à cada uma das três ditas Virgens, dizendo: Já vos asseguro o Reino do meu Filho, mas vós entrareis somente amanhã. Após completado o dia sucessivo, novamente veio naquele lugar Santa Maria, com as suas Servas com uma luminosidade e um perfume que não se pode descrever, e todas as três estavam vestidas com uma cândida veste e os Anjos cantavam para cada uma que expirava: Vem, Esposa de Cristo, recebes a coroa que o Senhor te preparou para a eternidade. E assim entraram nos Céus com alegria. Do exemplo dessas, muitas foram incentivadas a coisas melhores. A glória da Virgem Mãe de Deus, do Rosário, à exaltação desse e ao conforto dos Irmãos.

EXEMPLO XIII

A Ítala Maria, que negava o Saltério e a Confraternidade.

Em Roma vivia a Ítala Maria, matriarca Nobre por nascimento, e Senhora muito grande diante do mundo, mas maior e mais nobre diante de Deus, pelas virtudes. Enquanto Santo Domingos, na confissão sacramental a tinha imposto, de pregar por um ano quotidianamente o Saltério de Maria (não porém, a tornando culpável de um pecado mortal se o abandonasse, mas somente dando isto como acréscimo de graça e de méritos, se o pregasse), esta se negou a aceitar, dizendo: Pai, tenho outras orações, e costumo jejuar, e também levo sempre o cilício, com uma corda feita de corrente, e assim cotidianamente, andando pelas Igrejas de Roma para as Indulgências, não tenho tempo livre; e além do mais tenho muitas confraternidades; por este motivo não ouso assumir a honra deste Saltério. Espero também que eu possa ser salva nos méritos e dos sofrimentos dos Santos sem a prática e a Confraternidade deste Saltério.

Ele sentindo isso se surpreendeu muito por uma tão grande devoção, e pela santidade desta mulher, e se esforçou em a persuadir a aceitar o Saltério, mas não obteve nada. A mulher, depois de ter se distanciado do Santo homem, estava confusa, por que a ela tinha aparecido um homem de tão grande santidade e fama. Por isso seguindo o conselho do Espírito Santo, que inspirava interiormente, encaminhando-se por todos os mosteiros e hospitais da Cidade de Roma, com grandíssimas esmolas, suplicava a todos, para que intercedessem particularmente pela sua causa.

Esta santa mulher nunca foi tão atormentada: ela via frequentemente em sonho o inferno aberto entorno à ela, quase pronto a recebê-la. E estava tão angustiada pelo medo, que perdeu as forças e a cor. Por doze dias aproximadamente, visto que não encontrava em nenhum lugar ajuda, foi próximo à Minerva, e ali escutou São Domingos pregar para muitos as maravilhas do Saltério de Maria, e permaneceu ali na Igreja, para poder participar da Missa dele. E eis que, durante a celebração de São Domingos, essa mulher foi raptada em espírito de repente, indo junto à realidades superiores, onde conduzida diante do juízo terrível de Deus, foi reprovada fortemente por ter desobedecido ao servo de Cristo, São Domingos. E tendo escutado que foi condenada a suportar por alguns meses penas gravíssimas, e começando já a sentir a indescritível aspereza das penas, ela mesma suplicando entre as penas a benevolência da Virgem Maria, invocava muito intensamente a sua ajuda. A Virgem Maria aparecendo a ela, e pegando a sua mão direita, a liberou das penas, disse: Oh filha, filha, visto que fostes desobediente por ignorância, agora obtém misericórdia.

Então subitamente, a Matriarca, viu o mesmo Domingos como se escutasse a confissão e impusesse pela penitência os Saltérios da Virgem Maria, Maria, pegando um desses os disse: Eis filha esse meu Saltério sobre a balança, contra todas as tuas penitências corporais. Feito isto, e tendo se levantado o prato da balança, sobre o qual estavam as penitências, Maria disse: Eis quanta virtude tem o meu Saltério. E depois dessas coisas ela mostrou, através de uma outra visão, que a Confraternidade do seu Saltério, supera tantíssimo as confraternidades dos outros Santos, assim como a mesma Maria é superior a todos os Santos. Tendo visto isto, e tendo sentido muitas outras coisas sobre os louvores desse Saltério e sobre a sua Fraternidade, que foram explicadas através da Santíssima Virgem, disse a mulher: Que desespero a mim pecadora, porque ignorei bens tão grandes por tanto tempo. Então voltando a si, e vendo que passava diante dela São Domingos, aproximou-se muito humildemente dele, contou todas as coisas que tinha visto e ouvido, e tomou dele muito devotamente a penitência antes negada junto à única Confraternidade; e permaneceu patrocinadora, e organizadora do mesmo Saltério e da Confraternidade, por si, e pelos seus parentes enquanto viveu, e cuidou da nova ordem de São Domingos, como uma Mãe aos filhos. A ela apareceu enfim a Santíssima Virgem Maria no momento da morte, e conduziu com glória a alma da mesma para a Cidade Celeste; após o seu corpo foi sepultado com honra, junto aos Frades Pregadores.

EXEMPLO XIV

A Freira devota, também por mérito da Saudação Angélica.

Uma Freira estava num Convento; ela teve uma conversão muito digna de louvor; enfim por querer de Deus, foi vítima de uma grave doença. Com uma fragilidade que crescia de intensidade até a agonia, e por sete dias, suportou uma cruz tão pesada, que todas as freiras ficaram surpresas.

Enfim depois do sétimo dia, contente, felizmente voltou o espírito a Deus.

Depois de poucos dias apareceu a predita defunta à uma freira a ela familiar, dizendo, que ela estava em estado e graça, e depois de um breve colóquio disse a defunta: Ah se eu pudesse voltar ao meu corpo, para orar ao menos uma Ave Maria morrendo, mesmo sem grande devoção, Eu por causa do mérito de aquela Ave Maria queria novamente sustentar por sete dias uma tão grande cruz, que sustentei antes da minha morte. Por isso todos assiduamente louvais juntos a Virgem Gloriosa no seu Saltério, dizendo sempre com mente serena: Ave Maria, cheia de graça.

FIM DOS EXEMPLOS E DE TODA A OBRA DE ALANO.

AUTOR Reverendo Padre Frei ANDREA ROVETTA DE BRESCIA

Sacerdote Mestre de Teologia da Ordem dos Pregadores.

A obra de arte do Santo Alano, elaborada em forma certamente áurea, não parecerá inútil a alguém que tenha acrescentado um sopro de vida no coração de toda a obra, para o oprimido na Fraternidade do Rosário; isto será sem dúvidas necessário para todos aqueles que amam a Santa Mãe de Deus e querem conhecer tudo. Seja porque as principais histórias, que não são de tão fácil acesso à todas as partes para qualquer um, aqui se pode ter à mão, seja porque as indubitáveis graças de Maria Mãe de Deus em relação a esta Associação sejam reconhecidas com mais convicção, seja enfim para que venha recordada a estima e a boa vontade dos Romanos Pontífices por esta, junto à sua preferência perpétua e concorde, em relação as outras Confraternidades.

Eu pergunto, de fato, se em todo o povo e no mundo cristão, nunca foi, ou existe ainda algumas Confraternidades, das quais tantas, tais, e assim grandes testemunhos se possam apresentar e tantas coisas maravilhosas cada dia possam ser pregadas, nas quais mais gloriosamente a majestade da Augustíssima Benigna Virgem Maria Mãe de Deus terá a sede e começará a esplender ao mundo! Das quais surgem tantas fontes de graças! E para que resumam as muitíssimas coisas em um breve tempo, estas são as coisas mais importantes nas Fraternidades do Rosário, as quais ensinam que a mesma é excelente diante das outras. Estas poucas coisas deste tipo são apresentadas aqui em seguida.

A Gloriosíssima sempre Virgem Maria, verdadeiramente foi Mãe de Deus e Mãe da Confraternidade do Rosário, e, de fato por inspiração e querer da mesma através de São Domingos nasceu, por instrução do mesmo, foi ensinada e observada em determinadas formas e regras, enfim foi propagada muito largamente e velozmente pelo mundo sob a sua autoridade. 109 È a Confraternidade que, pelo favor de Deus e da Mãe de Deus, pode trazer as próprias origens ao mesmo Fundador seja de si mesma, seja pela Ordem Religiosa, e esta pode e deve ser dita verdadeiramente irmã à Ordem Sagrada (dos Pregadores). Foi São Domingos que, depois de muita fadiga, escasso fruto no campo do Senhor em uma gruta em volta a Albigio, cidade dos heréticos, se dissuadiu (do seu intento) depois de uma ampla consideração e confuso pela angústia, sobre qual estrada especialmente agradasse a Deus que cumprisse isto que ele procurava obter, para que o êxito não tornasse vãos tantos esforços; e para (receber) a graça disto, imerso em muitas orações mais intensamente orava e se confortava com Deus e a Mãe de Deus.

109 Beatus Alanus, parte 2. cap. I.

E à ele disse enfim a Santíssima Virgem: Não te maravilhes, Filho Domingos, de fato, arastes em um terreno não irrigado, nem molhado pelas chuvas; deves de fato saber que quando Deus estava para reformar o mundo, mandou antes a chuva, ou seja a Anunciação Angélica e desta forma seguiu-se uma ótima transformação. Tu então pregues o meu Saltério e terás ascendência sobre o povo nas orações e no saber. Ouvindo isto, São Domingos assim como tinha ouvido fez e progrediu admiravelmente na conversão do povo; e por onde esteve, ou seja nas Confraternidades instituídas pelo Rosário, o ia pregando isto. 110 Por este motivo São Domingos deve ter sido sem dúvidas o Autor e o Fundador desta Confraternidade, enquanto é uma tradição constante o deliberaram os Pontífices Romanos Papa Leão X, na Bula Pastoris Aeterni, Pio V na Bula Consueverunt, Gregório XII na Bula Dudum Siquidem, Sisto V na Bula Dum ineffabilia, Clemente VIII no Breve Ordo Praedicatorum.

E muito recentemente o Papa Alessandro VII no Breve Cum Alias. 111 Sempre se pensou que esta mesma Confraternidade servisse muito à Igreja: seja por encorajar a fé, os costumes, e a disciplina dos observantes; seja pela conversão dos pecadores e a extirpação das heresias. Assim o Papa Gregório IX; na Bula de canonização de São Domingos, assim escreveu: enquanto Domingos fulminava as delícias da carne e fulgurava as mentes impiedosas dos ímpios, cada seta de heréticos tremeu, cada Igreja de fiéis exultou. Por isso naquela mesma Bula da sua Canonização é atestado publicamente coisa que ele mesmo fez contra os heréticos, seja na Itália, seja na França; como e por qual força e por qual estrada tenha sido particularmente erradicada a heresia dos Albigenses.

110 Antonius Senensis. Bernardus Luxzemburg. Castillus. Thomas Maeluenda tom. I. Annal. Abraham Bzovius tom.13. Annal. et B. Alanus pag. 5. cap. 4.

111 Et B. Alanus, part. I. cap. 8. et part. 5. cap. 4.

Uma grande parte certamente com as armas dos cruzados, uma maior pela predicação do Domingos, uma ainda maior na verdade pelas Orações da Confraternidade do Rosário. De fato as coisas ditas antes não progrediram muito sozinhas, mas com a Confraternidade que fez então o seu aparecimento. Começaram, disse o Papa Pio V de feliz memória, a se distanciar das sombras das heresias e ao aparecer a luz da fé Católica. Então justamente sustentamos que a única Confraternidade do Rosário, antes das outras, seja pacificadora da Igreja, seja extirpadora das heresias e que aquela é a feliz semente da mulher Maria, o qual pisa na cabeça da serpente, que caminha sobre a áspide das heresias, e sobre o basilisco dos prazeres e dos vícios da carne, que enfim aterra o leão do mundo enlouquecido e o dragão de toda a malvadeza. 112 E qual outra Confraternidade experimentou um tão presente e constante proteção e ajuda da Santíssima Protetora Virgem Maria? De fato ela (como já diziam) é a mulher do qual Deus assim preanunciou em Gêneses cap. 3: Ela mesma esmagará a tua cabeça, disse à serpente autora de todo quanto o mal; Maria então esmaga a serpente, mas através de Cristo sua semente.

112 Ex B. Alano, part. 2. cap. 17.

E efetivamente isto aconteceu só através deste único Eis, disse o mesmo Cristo, dei à vós o poder de caminhar sobre as serpentes e os escorpiões e sobre cada potência do inimigo e nada poderá vos prejudicar (Lc.10). Talvez tenha sido dado este poder somente aos Apóstolos e não da mesma forma à todos os crentes? Quando foram colocadas inimizades entre a serpente e a mulher, se acrescentava também entre a tua semente e a semente dela. Como já a semente do diabo não é qualquer coisa, mas todos são filhos de Belial, serpentes progênies das víboras, assim também a semente da mulher bendita não é só o Cristo, fruto Bendito do seu ventre, mas cada cristo, ao calcanhar do qual o demônio pode e costuma trazer insídia; cada um que é irmão de Cristo e por isso semelhante a ele, é semente da mulher Maria. Isto em modo esplêndido e eloquente, Santo Ambrósio no comentário ao Evangelho de Lucas, no cap. 10, assim ensina: Quem é este fruto do ventre, se não aquele do qual foi dito: Eis, herança do Senhor são os filhos, recompensa do fruto do ventre? Ou seja a herança do Senhor são os filhos, que são retribuição do seu fruto, que saiu do ventre de Maria. A raiz é a estirpe dos Judeus, a verga é Maria, a flor de Maria é Cristo, que como fruto da árvore boa pelo progresso da nossa virtude, as vezes flore, as vezes frutifica em nós. Visto que então todos aqueles que nasceram de Deus e foram iniciados à Cristo são sementes e frutos desta mulher, o qual ventre por isso, no Cântico dos Cânticos no cap. 7 é: Como um monte de grãos, circundado de lírios.

Porque não afirmamos que os Irmãos e as Irmãs do Rosário são sementes da mulher Maria, visto que a mesma Mãe de Deus de modo particular se votou e dedicou? Seja à nós guia nisto o Papa Paolo V na Bula Piorum hominum, que na Sede de Pedro não exitou de chamar os Irmãos e as Irmãs do Rosário, filhos caros de Maria. Por isso queremos as Confraternidades canonicamente instituídas sob a invocação da mesma Santíssima Virgem do Rosário existente em qualquer parte do mundo, seja os Irmãos seja as Irmãs, caros filhos dela, etc. São palavras de Paulo V. É mesmo ela, em Gêneses cap. 3: a Mãe de todos os vivos. Onde podem também os mesmos Irmãos em cada Rosário dela com o se voltar à ela. Gêneses cap. 12: Diga, te peço, que és minha Irmã, para que por ti eu tenha do bem e viva a minha alma pela tua graça. A Confraternidade é então um bem por causa dela e vive por graça da sua irmã; e a mesma (vive para a graça) da Mãe. A semente, digo, que o Senhor benzeu na Bendita entre a mulheres, ou seja na Virgem Maria; e assim sob seguríssimo patrocínio dela, os Irmãos sentem vivamente que estão protegidos de todos os males e beneficiados de todos os bens. 113 Do venerado título da antiguidade não de forma comum se embelezou a nossa Irmandade do Rosário, se olhas o nome; mas sobretudo se olhas a coisa em si mesma. Segundo alguns na antiguidade a palavra passou ao nome de Rosário. Certamente enquanto se chama aos antigos habitantes do deserto, entre os quais foi cultivada esta Confraternidade; de fato existiu também uma prática de orações conforme ao Rosário, mesmo que o mundo não tivesse ouvido o nome da Fraternidade do Rosário, se não talvez por volta do ano de 1212, naquele tempo no qual viveu São Domingos, fundador deste Saltério da Virgem. Ele, de fato, e doto da mesma Virgem Mãe de Deus, teve a ordem de pregar o Rosário e de apresentar em público a Sua Confraternidade sob leis e regras precisas. 114 Se consideres na verdade a própria matéria, ou a substancia do Rosário, já esta se deve (atribuir) tanta antiguidade, que é necessário a procurar nas origens do mesmo Evangelho. De fato, a Saudação Angélica foi a primeira palavra do Evangelho. Similarmente a Oração do Senhor foi a primeira (oração) para orar em todos os lugares em Espírito e Verdade: é um ensinamento por parte de Deus. Então, o que encontras de precedente na Igreja, o que mais antigo que estas partes Divinas do Rosário? 115 Acrescento que este nosso Saltério mariano foi formado em semelhança do Saltério davídico; e assim como não se deve duvidar que na primeira Igreja era vigente o uso das Horas Canônicas no Coro, ou dos Salmos de Davi de cantar a Deus; assim o povo se torna fiel imitador do Clero, no culto de Deus e no dever religioso de orar: quantos Salmos Davídicos oferecia o Clero, outras tantas Angélicas Saudações oferecia o mesmo povo, os intercalando com algumas Orações do Senhor.

113 Ex B. Alano p. 2. cap. 5. et cap. 7.

114 B. Alanum p. 2. cap. 17.

115 Ex B. Alano p. I. cap. 3. et p. 2. cap. 2.

Mas sentimos sobre este argumento um homem com muita autoridade, Judeu Basílio, patrício aquense, conselheiro do Imperador Maximiliano I; e, de fato, em um seu livro, que escreveu sobre a Coroa Rosácea, em relação à antiguidade do Rosário traz um testemunho. O modo coronário, afirma, de saudar Maria, efetuado pelos noviços, não foi escrito em nenhum lugar, visto que se difundiu junto à mesma Igreja. De fato, visto que durante as mesmas origens da Igreja nascente alguns fiéis celebravam assiduamente os Louvores Divinos com aqueles três grupos dos Salmos Davídicos; também junto aos mais simples, que mais profundamente estavam privados de ensinamentos divinos, derivou a emulação deste pio costume. Para que cantassem não os mesmos Salmos, que certo não podiam nem ler suficientemente nem entender, mas usassem o canto do Concerto Angélico em consideração daquele número místico, e pensando isto: que eram todos quantos os mistérios daqueles Salmos em se esconder sob este Dom Celeste, se certamente aquele que os Salmos cantam que teria vindo, esta fórmula anunciou que ele já estava presente; e assim os três grupos de cinquenta orações da Saudações, porque eram iguais em eficácia e em número, o escritório do regular Saltério, começaram a o chamar Saltério de Maria. Tendo colocado uma Oração do Senhor entre cada dezena, como antes por parte dos Salmodiantes se procurava observar. Portanto, cada um se dedicava à pia observação em vantagem de si mesmo, não tendo sido começada nenhuma Comunhão ou Associação. Eram tantos fervorosos naquela época, por quanto tinham ganho na unidade da fé. E já mesmo começava a se difundir no mundo, quanto mais Maria era favorável aos seus seguidores, aos quais as vezes redava a saúde com admiráveis prodígios; como estes, alguns recolhessem os milagres da Celestial, e muito comprovantes volumes o demonstram. Ele declara estas coisas: que não com um só nome, mas com um multíplice nome a maravilha e claramente especial excelência do Rosário e o culto em relação à Deus Onipotente de ambos (o Saltério), seja daquele eclesiástico, seja daquele leigo, é pare, ou quase que pare, pela antiguidade. 116 Assim mesmo, a ordem do nosso Rosário deve se tornar celebre, pelo quanto é maravilhosa. De fato, o que existe de mais completo, ou de mais misterioso do que o seu número? O que existe de mais perfeito o que a sua brevidade? O que existe de mais bonito, do que a ordem das suas partes?

O que é mais conveniente à razão, do que a interpretação ou a forma de defesa desta? O que é mais constante do que a observação ou a tradição deste? O que é mais santo do que a pratica deste? O que é mais saudável do que os Mistérios deste? O que enfim pode ser mais popular, ou mais fácil do que este? 117 Além do ponto final do Rosário constitui uma outra excelência.

116 Ex B. Alano p. I. cap. 3. etc. 8.

117 Ex B. Alano p. I. cap. 5. etc. 12.

De fato a sua altura é Deus; a profundidade é o Purgatório; a sua largueza é toda a Igreja; a longevidade é a completa totalidade das coisas e de todos os tempos passados, presentes, e futuros. Estas orações do Rosário e a Confraternidade do mesmo protegem e abraçam estas coisas, e estas penetrando até o ponto onde são diretas e vão ao sinal; o Bispo de Forli Alessandro, delegado para a Alemanha inteira, na Bula, “Et si gloriosos” disse: O Louvor e a Glória da Santíssima Virgem, foram estabelecidas vantajosamente para a edificação de muitos, (e) sobre isto abundantemente. 118 Além do mais a nobreza do Rosário estimulou ao ilustre Autor deste. E certamente se procures o Autor da Oração do Senhor, ele é o Filho de Deus, Cristo Jesus, Deus e homem. Da Saudação Angélica a Santíssima Trindade, Santa Elisabete e a Igreja; da Confraternidade a Virgem Mãe de Deus e São Domingos. 119 No Rosário as virtudes e os seus admiráveis frutos produzem também uma outra excelência não indiferente; eu não tenho notícia de nenhum outro parecido dentro da Igreja, e os grandes, maravilhosos, multíplices e diferentes bens, seja do corpo do que da alma, os quais a Mãe de Deus conferiu aos Irmãos largamente, também tu olharás mesmo com admiração; Aqueles inerentes ao corpo: porque fez deflorar as Virgens; tornou fecundos os matrimônios; deu fertilidades aos estéreis; proveu a fome e a miséria e procurou os bens desta vida que caiu; curou as doenças, curou feridas mortais, ou as distanciou, e trouxe à vida os mortos; similarmente (se pode narrar as coisas inerentes a esfera) da alma. De fato, em outros lugares pôs fim as heresias; aos tolos congênitos dá ao mesmo tempo inteligência e ciência; corrige os costumes depravados, conduz à uma verdadeira penitência e à Confissão Sacramental; desfaz os leigos e os pactos do diabo; vem em ajuda aos desesperados; defende e salva do perigo da condenação; protege a vida para a felicidade divina; e enfim as almas o mais cedo para conduz fora do Purgatório.

118 Ex B. Alano p. 2. cap. 7. etc. 17.

119 Ex B. Alano p. I. c. 8.

Estas e outras coisas maiores digo às mentes e às almas de quem serve a ela e a Deus, principalmente através do Rosário, Maria Santíssima Rainha do Céu e da terra, Patrona do Rosário e da Confraternidade sempre ofereceu e concedeu favores. 120 E o esplendor desta sacra Confraternidade do Rosário tem esplendor, porque foi profetizada universalmente, e o é. De fato, não existe nenhuma outra, pela qual nem maior, mas nem mesmo nunca existiu um encontro igual de homens de todas as idades, ordens, estado e condições; ou que tenha estabelecido em tantas partes no mundo sedes e habitações. A observação está no livro sobre a Rosácea Coroa da erudição Basílio Aquense, ao qual pertencem tais palavras. Esta também, disse, é de avaliar tanto maior e supra-humana, quanto mais pode se reter pertencente a todos.

De fato, certamente estes aspectos ao interno das Associações cristãs são tão fortemente reguladas, que não só são (frequentemente de pessoas) de todas as idades, mas também de ambos os sexos e de qualquer condição.

Mas certamente, esta adoça a infância não ofende a velhice, não deixa repousar os ociosos; não para os atarefados; atrai os potentes e os ricos, não deixa de parte os pobres e os fracos; não conduz os moderados à aversão, nem admite só os vivos, mas sim também os defuntos. Por isso esta Associação entre todas as outras parece que em si será coberta de riquezas.121 A nossa Confraternidade leva em si mesma também uma exímia excelência pela dignidade do seu título e do seu nome. De fato esta tem a denominação do Rosário, porque nunca existiu na Igreja, ou em algum lugar, este tipo de oração, ou existiria algo ao menos de mais colegial, de mais digno e de mais excelente, de mais fácil, de mais recomendado e de mais celebrado também pelos milagres, deste único modo do Rosário!

120 De quibus abunde B.Alan. p. 5. p. totam.

121 Ex B. Alano p. I. cap. 8. etc. 15.

Aliás se a Virgem Maria é dita Rosa e chama a si mesma Rosa, quando disse isto: Eu sou como uma plantação de Rosas em Jericó (Sir. 24). Justamente aquele modo de orar, através das cinquenta Saudações Angélicas e das cinco Orações do Senhor, são perfumadas de Rosas, não certamente surgidas da terra, mas enviadas do Consenso da Santíssima Trindade, através do Arcanjo Gabriel uma só vez do Céu, com os quais o gênero humano antes doente se curou e se encheu do amor de Deus.122 Outras coisas à serem tidas em consideração é que também o mesmo sinal material exterior do Rosário, não seja um distintivo, ou um sinal de reconhecimento da fé professada e observante, com o qual é licito distinguir os Católicos dos heréticos, mas um sinal e testemunho de fé, com o qual entre os mesmo observantes tu discernes em base à fé de cada um.

Um apoio de fé, oferecendo a nós os instrumentos de oração, ou Rosários, que pendiam do pescoço dos fiéis de Cristo, em toda a Escravidão, no tempo de Santo Oto e que o distinguia como sinal de Religião Cristã, dos quais recorda o Santo Alano.123 Muitíssimas outras excelências e prerrogativas do Santíssimo Rosário se podem ver, seja nos livros escritos por ele, que acreditavam em tão grande número, porque não existe nenhum outro tipo de oração tão procurado além das predileções dos escritores, aconselhado por tantos documentos literários, como lemos, ou recordamos foi difundido pelo entusiasmo de tantos oradores e de toda a eloquência dos Pregadores, seja enfim do consenso comum e do universal aplauso de cada ordem e religião aprovada, tanto pelos Mendicantes que dos não Mendicantes, sendo indiferentemente abraçado, aprovado, aconselhado e confiado para a posteridade.

122 Ex B. Alano p. I. cap. I. et c. 5.

123 p. I. c. 8

124 E assim a extraordinariedade no Rosário se levanta também da disposição e do número das orações e esta será o valor a atribuir à obra, já que o número de cento e cinquenta não se cumpre por culpa de alguma superstição, mas pela honra da imitação da Igreja, segundo, de fato, o número dos cento e cinquenta Salmos; e o prescrito número de Saudações Angélicas na recitação do Rosário da Virgem Mãe de Deus, será o reconhecimento: o Rosário de fato é composto de tantas Saudações Angélicas, quantas eram os cúbitos com os quais foi construída a maravilhosa casa do Líbano, a qual longueza e a largueza da caridade e da misericórdia mariana.

Igualmente através desta uma vez no tempo do dilúvio quando a ira de Deus foi transformada em misericórdia, e como também as águas depôs de cento e cinquenta dias começaram a diminuir, assim obtemos misericórdia através do Rosário. Daqui dizemos que as cento e cinquenta Ave Marias, se assemelham aos cento e cinquenta versos pronunciados por Cristo Senhor sobre a sua cruz: meu Deus, olhe para mim etc., até ao verso: Nas tuas mãos etc. sinal da suma misericórdia Divina. As multíplices razões deste número a partir das figuras do antigo Testamento, mostra o Santo Alano em mérito à natureza, à característica, também sobre a base das especiais Revelações que ele teve da Virgem Maria. 125 Um outro número misterioso no Rosário é o número três, evidentemente dos três grupos de cinquenta orações, nas quais se divide o Rosário de Maria, conforme ao quinquagésimo ano do Jubileu segundo a divina lei, célebre através dos séculos; por este fato a Mãe de Deus, Maria Virgem segundo Jerônimo é Rainha de um tríplice Jubileu, ou seja da natureza, da lei Mosaica, e da graça comunicada à nós por Deus no dia Santíssimo de Pentecostes, que foi o quinquagésimo dia depois da Ressurreição do Senhor; ou também que acrescenta que o Rosário da Virgem inteiro, o exprimem aqueles cento e cinquenta e três grandes peixes que os Apóstolos pegaram na presença de Cristo depois da sua gloriosíssima Ressurreição (Gv. 21).

124 B. Alanus p. I. cap. 8.

125 B Alanus. p. I. cap. 5. et p. 4. c. 1.

Com este reconhecimento não só se tem consideração pelas Saudações Angélicas do número de cento e cinquenta, mas também em relação a tríplice sequência dos Mistérios do mesmo, Exultantes, Dolorosos, e Gloriosos. Mas também em relação ao número acima, três da nossa fé, indicativo da Santíssima Trindade, do qual o Rosário expressa um seguro professar (de fé). Se diria que seja uma previsão, que um Irmão do Rosário, depois de ter absolvido exatamente ao Saltério da Virgem no número de cento e cinquenta Ave Marias, será certo partícipe dos bens da Igreja militante; a seu tempo das Exultações da Igreja triunfante e igualmente também dos bens celestes pela eternidade junto à Maria Rainha Soberana dos Anjos. 126 Se apresenta consequentemente a examinar este número quinquagésimo, não menos Sacro daquele quinquagésimo ano jubilar, no tempo em qual os débitos gratuitamente vinham cancelados e os servos tornavam em liberdade, este número quinquagésimo, que tem o mesmo som da quinquagésima, se subdivide, não sem mistério, em cinco dezenas: quem não vê quantas coisas maravilhosas contém aquele número cinquenta de cada um quinquagésima do nosso Rosário? De fato com cinco versos, ou palavras se cumpre o Mistério da Encarnação: “Aconteça a mim, segundo, a tua palavra” (Lc.1).

126 Ex B. Alano p. 2. c. I.

Com cinco palavras se cumpre a Eucaristia: “Este, é de fato, o meu Corpo”. E com cinco palavras Cristo Senhor leva à Gloria o Ladrão: “Hoje, comigo, estarás, no Paraíso”. Se então este número cinquenta não é privado de um complexo mistério, talvez então não se deverá pegar este número consagrado no Rosário? Se também a mesma Rosa a sumidade, ou a longa da perna verde tem cinco folhas. Além das coisas ditas até aqui muito se aprende da Sagrada Escritura sobre o mesmo número. 127 Não menos Sagrado será, no nosso Rosário da Mãe de Deus, o número de dez na repetição da Angélica Saudação, aplicado aos Irmãos para cada dezena. Estas dez Saudações Angélicas são as dez cortinas de Bisso e de Jacinto do Tabernáculo (Es. 26). Estes são os dez pães, que Davi levou aos irmãos (1Re17). Estes são os dez talentos ou as dez cidades (Lc.19), dadas ao servo fiel. Nestas décadas, a cada Oração do Senhor, fazemos seguir dez Saudações Angélicas, para que venham-nos em mente os Dez Mandamentos de Deus, segundo a interpretação de São Próspero: O Cântico novo, disse, é o Cântico da Graça e do homem novo e do novo Testamento, visto que no Saltério há dez cordas, ou seja nos dez Mandamentos da lei, foi cantado. De fato o canto deste Saltério do Santo Rosário é dito perfeito, porque o canto é perfeito na caridade.

127 B. Alanus par. I. cap.5. et p. 2. cap. I.

Especialmente aquele da Saudação Angélica, que na memória do Decálogo, se repete no modo devido e solenemente através as Décadas no Saltério Virginal. Para com este, enquanto com o coração e com a boca veneram a Virgem na Saudação, imitamos a mesma seja na aplicação da vida seja na mesma obra. Muitas outras coisas sabemos do Santo Alano. 128 Se oferece enfim, também o número Sagrado de quinze inspirado pelo Espírito Santo, como piamente se acredita.

128 p. I. cap. 5. e p. 2. c. 8.

As palavras são da feliz memória do Papa Pio V na Bula Consueverunt. Ele disse: Inspirado pelo Espírito santo, como piamente se acredita, São Domingos propagou nas diferentes partes da Santa Igreja Romana, um modo fácil e aberto a todos e também muito pio de orar e de implorar Deus, o Rosário, o Saltério da Santíssima Virgem Maria, com a Oração do Senhor, interposta a qualquer dezena, e representada com determinadas meditações que mostram toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Onde traz qualquer dezena à meditação de qualquer Mistério, para que os quinze Mistérios correspondam ao número de quinze vezes dez. Este número certamente é expresso nas quinze moedas de prata, com os quais Oseias (Adquiriu uma esposa) uma mulher meretriz, cap.3. Este representa o Deus feito homem através de uma mulher, ou seja a natureza humana pecadora, (o qual Deus) no útero da Virgem, sem nenhuma imperfeição, se ligou maravilhosamente em um vínculo de amor. Oh dizemos que este número de quinze, mantém longe os males que avassalam o mundo, nos veio em ajuda pelo querer divino: Faças sete e também oito partes, para que não seja qual mal nos será sobre a terra (Sir.11). E enfim concluímos que está representado nos degraus daquela memorável escada de Jacó (Gen.28), que segundo alguns Rabinos se recorda que era formada de quinze degraus, segundo o número dos Salmos Graduais, com tal excelência porém, porque, em Gêneses cap. 28, a Escada de Jacó só em Deus se apoia, e o Senhor estava apoiado na Escada; a esta na verdade Deus com a Mãe; ali Deus somente em cima, aqui Cristo e Maria sobre todos os degraus, aliás em todas e em cada Saudação. Ave cheia de graça, o Senhor é contigo. Outras coisas acrescenta o B. Alano. 129 A ordem das coisas requer para explicar e abraçar com suma certeza as outras coisas.

129 p. I. c. 4 130 ex B. Alano p. 2. c. 17

Quem não sabe, entre as tantas espécies de Irmandade e tipos de Associação, esta do Saltério da Virgem ocupa o primeiro lugar? De fato a Fraternidade do Rosário é daqueles que colocam em comum as boas obras em modo admirável, ou para os quais especialmente se fazem algumas obras boas em comum. Todos, de fato, e os inscritos desta, se tornam participantes de todas as satisfações e das boas obras, que de todos os modos, ou em qualquer modo, através do mundo cristão de qualquer Irmão e também devotamente de qualquer irmã, são feitas segundo as circunstâncias, e nunca serão deixadas. De um em um na verdade os participantes recitam os três terços que, em razão de um costumeiro empenho semanal das orações, são cumpridos por cada um. É igual então, que cada um toda semana, ou ore aos mesmos, ou faça orar por um outro, um Saltério de Maria, que é composta de três grupos de cinquenta orações, ou Coroas. Quem as terá omitidas, e quantos outros, somente também por aquele tempo, não se torna partícipe das Orações ditas. Não menos porém permanece na Comunhão dos méritos dos outros. E pode em seguida recuperar as coisas deixadas, se omitiu em proporção do empenho; então doe a parte omitida, além daquela costumeira. 130 Além das coisas já ditas, cada um participa à parte de todos os méritos dos Irmãos e das Irmãs de todo quanto a Ordem dos Pregadores, este é de todas as Missas, as Orações, as Disciplinas, os Jejuns, os sofrimentos, das obras boas, que a divina bondade, através dos discípulos do Divino Domingos da dita Ordem dos Pregadores, terá feito nascer em todo o mundo. Ou seja foi confirmado muitas vezes certamente através das cartas do Mestre Geral da Ordem, e os Breves dos Sumos Pontífices131. Após os eximes méritos desta Ordem, com o qual os Irmãos se unem, foram enumerados no Mari Magno do Papa Sisto IV pelo Ordem dos Pregadores.

Nos, disse, da Ordem dos Frades Pregadores e das pessoas deste, desejamos com intenso afeto um condição pró